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43. SAINDO DOS EIXOS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 43 – SAINDO DOS EIXOS


 


 


 


 


 


 


Rony ainda engolia em seco a desfeita de Hermione, após o almoço, quando disse estar cansada e precisar se deitar. Obviamente, exigiu ajuda de Gina,  o que causou raiva na ruiva, que com um olhar, revelou a Harry a exatidão de seu gênio. Era um olhar forte e furioso e tinha certeza, haveria gritos sempre que fosse contrariada.


Bem, seria tolo se não suspeitasse disso, visto que Rony era um homem esquentado quando mexiam com seus brios! Divertido, ele analisou a expressão do amigo ao observar Hermione se afastar da mesa e desaparecer pela casa.


-Tenho a impressão que tem vivido uma guerra, Rony – ele disse bebendo um gole do vinho que Rony abrira em sua homenagem.


-Contei-lhe a história de Hermione na carta que falava do meu casamento, mas visto que não a recebeu, não deve saber de nada ainda – ele disse pensativo. – depositou a taça na mesa e seu semblante mudou ao falar do assunto – Hermione cuidou sozinha dessa fazenda durante os últimos três anos, após a morte do irmão. Ela cuidava da irmã mais nova, da mãe e de seu pai inválido. Um mês antes da minha chegada, um homem assassinou toda sua família, os empregados e mesmo alguns animais, e sobrou apenas ela. – a expressão de Harry era tão reveladora, que Rony sorriu triste – Sim, foi ela quem cuidou de tudo sozinha. A fazenda seria leiloada, eu me endividaria para adquiri-la, então, um casamento nos pareceu à melhor saída.


-Suponho, ela não tenha a mesma opinião – Harry disse depois de ouvir o resumo.


-Para Hermione a melhor saída, seria eu desaparecer da face da terra – havia um toque de rancor em sua voz.


-E Hermione sabe que está apaixonado por ela? – Harry foi direto na ferida.


-Não creio que faria muita diferença para ela – não queria descontar em Harry sua amargura, mas era inevitável.


Harry abriu um grande sorriso e Rony fulminou-o.


-Acha graça?


-Acho que mereceu. Tantos anos partindo corações, é justo que tenha sua parcela de sofrimento! – seu sorriso, tornou-se um riso curto.


-Nunca parti corações! Sempre fui sincero com minhas amantes!


-A sinceridade não impede que uma mulher se apaixone! – Harry lembrou-o desse detalhe.


-Seja lá como for, esse casamento é ao mesmo tempo uma benção e uma tortura!


-Diga, como tem sido durante as noites – Harry tinha um sorriso malicioso e sem vergonha na face e Rony maneou a cabeça.


-Dessa vez não haverá detalhes, Harry. Não espere que lhe conte! Hermione é minha mulher e isso muda tudo!


-Não me parece que o receba de braços abertos na cama! – Harry riu.


-Hermione diz não. Mas quando se rende, é outra história! – ele deixou escapar e Harry ergueu a taça em sua direção brincando:


-Um brinde aos seus esforços recompensados!


-Estou amansando Hermione aos poucos, mas não me engano, não casei com uma doce jovem cheia de sonhos, me casei com uma mulher que presa a realidade e tem fortes ideais. Hermione é culta e inteligente como nunca antes vi uma mulher ser, e acredite, não tente ludibriá-la, ou ocultar fatos, ela saberá.


-Por isso em sua carta, a última que recebi, pediu que trouxesse tantos livros?


-Sim. São para Hermione. Gostaria de poder colocá-la em uma faculdade, como a que cursamos, mas não seria possível, não aceitam mulheres e também...confesso, sou egoísta demais para ficar longe dela. No entanto, quero que tenha a sua disposição todo conhecimento que possa ajudá-la a crescer e se desenvolver. Ama a leitura, e sei que escreve, por isso quero incentivá-la.


-Meu Deus, é amor de verdade – dessa vez o tom de brincadeira havia sumido da voz de Harry, e seu olhar era de surpresa real.


-Não está mais surpreso do que eu – Rony disse submisso a sua nova condição.


-Precisará me contar essa aventura em detalhes, Rony. Ainda estou incrédulo com a mudança que deu em sua vida.


-Vou contar tudo, Harry, mas antes...me diga,  o que achou de Gina?


-Deveria nunca mais falar com você, Rony, por me colocar numa enrascada dessas  -ele disse confiante –Sua irmã tem a beleza de um anjo. Confesso, me casaria com ela hoje mesmo!


-Como amigo, sinto-me no dever de alertá-lo sobre seu gênio forte. Gina não é propriamente...dócil. – sutis palavras para não descrever a megera que sua irmã poderia ser.


-Percebi esse fato – ele foi sincero – olhos como os de sua irmã não se encontram com facilidade, Rony. Nunca antes havia conhecido uma mulher com a alma nos olhos – não era apenas um elogio.


-Sorte sua, amigo, pois Hermione esconde os sentimentos com muita facilidade. Nunca, jogue pôquer com ela! Tira-lhe as calças! – brincou.


-Poderia ser um homem feliz se ela o fizesse – Harry provocou notando sua expressão mudar – e claro, não fosse Hermione, uma mulher casada com meu melhor amigo!


-Acontece, Harry, que em relação à Hermione, não sou um homem racional – ele contou, num inevitável tom de aviso.


Harry guardou essas palavras, mesmo achando desnecessários, visto ter seu pensamento cativado pela sétima Wesley.


-Pois quanto a mim, não vou mentir. Vejo sua mulher como uma jovem linda e arredia. Sinto vontade de me aproximar a ela, e talvez se deva ao fato de entender parte do que sente. Não esqueça, perdi minha família antes de ter a chance de conhecê-los. Fui órfão a minha vida toda. Talvez pudesse ajudá-la a superar a dor e a revolta.


-Pois não tente – Rony disse sério, uma sensação horrível de pensar nos dois próximos – Hermione é assunto meu, Harry. Detestaria que fosse pivô de uma briga entre nos!


-Bem, se o ciúme o cega, só posso resignar-me! – Harry respondeu e Rony teve que concordar com ele.


Pela primeira  vez em sua vida sentia um ciúme doentio e uma possessividade inconcebível. Precisava vê-la há todos os instantes, ouvir sua voz, sentir sua pele. Era um querer desesperador.


Em suas ilusões chegara a crer que  no momento que a possuísse, esse desespero partiria, pois seria oriundo do desejo de desbravar e subjugar, mas contrariando sua lógica, tornara-se ainda mais forte e arrebatador!


-Quanto a Gina – Rony mudou drasticamente de assunto – tenho certeza que meu pai ficaria feliz com sua visita.


Harry quase engastou com o vinho. Sim, pensara em casamento no instante que vira a linda moça, mas falando em ‘pais’ desse modo, sentia-se prestes a ir a forca.


-Rony, prefiro ter calma. Confesso que a idéia de me casar com sua irmã está na minha cabeça, mas também confesso que isso se dá pela vontade de levá-la a minha cama. É sua irmã, mas não vou lhe mentir! É linda. E qualquer um vê que é inocente como um anjo! Mas um casamento precisa de mais. Não quero passar o resto da minha vida ao lado de uma mulher a qual desperte apenas meu desejo de homem.


-Sabia que arrumaria uma desculpa qualquer para fugir do casamento! – Rony brincou, pois o conhecia muito bem.


-Não desejo me casar, se for para ser um casamento infeliz. Me de alguns dias, para conhecer melhor sua irmã e dar oportunidade que ela me conheça. Se a atração evoluir, então, sim, ficarei feliz em falar com seu pai e marcar a data o mais rapidamente possível!


Rony concordou com um aceno, imaginando que não demoraria muito Harry estaria com uma aliança no dedo! Gina não era de desistir fácil e com tanta beleza e disposição em conquistar, Harry seria presa fácil.


Seus olhos voltaram-se para Juanita que cuidava da louça do almoço silenciosa e então, para a bandeja que ela preparava. Era uma xícara com chá.


Havia notado que todas as manhãs servia Hermione com esse chá e estava inclinado a acreditar que sabia sua serventia, e se assim o fosse, teria que tomar providencias!


Não podia mais permitir aquela mulher interferindo em seu casamento!


 


 


 


 


 


Hermione escondeu o rosto no travesseiro, querendo apagar a voz de Gina de seus ouvidos. Ela não parava de tagarelar sobre Harry Potter.


Ele era bonito demais, simpático demais,  bem vestido demais, atencioso demais, cavalheiro demais....oras, isso, era obvio! E não fora essa também a primeira impressão que tivera de Rony?


E olhem só o homem machista e mandão com quem se casara! Um bruto, um selvagem, um...!


Seus olhos fechados, tentavam esconder a imagem dos dois naquela tina de madeira. A água havia tornado sua pele tão sensível...o corpo quente sobre o dela e dentro dela, oh, fora um momento apenas, tão rápido e por tão pouco tempo, mas sentira aquilo tudo preenchendo e tornando-a sensível e fervente!


Se ficasse quieta, poderia ainda sentir os caminhos que ele tocara e imaginar que aqueles dedos ainda estava sobre seu corpo.


Era isso que Gina arrumaria para sua vida! Um grande problema!


-Diga-me, Hermione, como é estar apaixonada!  -ela pediu em tom de suplica – quero saber se o que sinto é forte o bastante para um casamento!


-Não deve perguntar a mim, não sinto nada pelo seu irmão – resmungou.


-Não seja mal humorada, Hermione, e me diga o que achou de Harry – sua voz era doce, e ao dizer o nome de Harry era quase melosa.


Hermione revirou os olhos, achando inconcebível que Gina fosse tão tola e não notasse que seria usada para satisfazer todos os desejos de um homem e viveria a sombra dele por toda sua vida solitária e infeliz!


-Estou curada, Gina, não precisa ficar o tempo todo perto de mim, porque não acha algo para fazer?


-Porque sempre é tão carrancuda, Hermione? Eu não pedi para vir cuidar de você! – Gina respondeu ficando furiosa com sua rejeição.


-E tão pouco eu pedi que viesse! – Hermione sentou-se enfrentando seu olhar.


-Porque está tão irritada comigo? – os belos olhos azuis se arregalaram e um sorriso malicioso formou-se em sua face – É porque interrompi o que fazia com meu irmão ainda cedo?


Havia expectativa em sua voz, e Hermione pediu paciência aos céus.


-Ginerva, eu realmente quero que me deixe em paz. – era um pedido, mas soou como uma ameaça.


A mágoa foi evidente no olhar de Ginervra e as duas foram distraídas pela entrada de Juanita.


Hermione apanhou a xícara com entusiasmo, pois pela manhã quase se rendera  e estava desprotegida!


Era inconcebível! Não era tola, estava curada, apenas precisava de repouso, e isso não seria barreira para Rony. Aliás, naquela manhã não fora!


Sendo assim, o melhor que fazia, era prevenir-se contra seus ataques!


-Cuidado, pode não fazer efeito logo – Juanita avisou, olhando acusadora para Gina, lembrando-se que não tinha mais liberdade para falar com a patroa como antes.


-Obrigado, lembrarei disso.  Juanita, pode trazer Ruanzito para me fazer companhia?


Seu tom era doce, mas era uma armadilha. Não que Juanita se importasse de ficar um pouco livre de seu filho menor! Não mesmo! Às vezes, choro e fraudas molhadas podem enlouquecer a mais sã das mulheres!


Hermione tinha uma brilhante idéia em sua mente. E sorriu amplamente quando ela voltou com o pequeno menino. Gina não admitia, mas também apreciava estar com um bebê em seus braços. Ruanzito era calminho, e Hermione o colocou a seu lado na cama, enquanto lia um livro.


Escolheu um com figuras, e quando Rony entrou no quarto, no meio da tarde, esperando encontrá-la sozinha, pois Gina estava na companhia de Harry, deu-se conta de sua artimanha.


Com o menino no colo, o livro sobre o colchão, ela lia calmamente enquanto o menino batia palminhas toda vez que ela mudava a entonação da voz, para indicar a mudança dos personagens.


Com certeza, era um modo de afastá-lo e manter distância, pois sabia que Rony não desistiria de consumar o ato de mais cedo,  mesmo assim, ele não conseguiu sentir raiva dela.


Sorriu, e quando ela o notou, sorriu sem querer para ele. O menino era um empecilho, era verdade, mas ele estava satisfeito de vê-la junto a uma criança.


Quem sabe em breve, o menino risonho e contente em seus braços, seria o filho de ambos? Seus olhos vagaram para a mesinha de cabeceira  e ele viu a xícara esquecida ali.


Olhou novamente para ela, e então saiu.


Daria um jeito em Juanita, era a única forma de ter Hermione por completo. Era uma pena, pensou, era uma pena, mas Juanita teria que ir embora.


 


 


 


 


 


 


 


O jantar não foi muito animado, com o mau humor que se instalara em Hermione reinando e contagiando Rony. Ele olhava para ela a todo instante a ponto de envergonhá-la, e terminar o jantar mais cedo, a despeito da deliciosa carne assada e do purê.


Rony também encerrou o jantar, pois perdera o apetite. Era um dia de festa, seu melhor amigo chegara de viagem, e tudo que podia pensar era naquela maldita tina de água, seus corpos unidos por tão pouco tempo!


Harry parecia se divertir com o comportamento do amigo e não se importava com a falta de conversa entre eles, visto que isso o permitia falar com Gina livremente. Ela era tola, como era esperado que fossem as moças de sua idade, e estava quase o cansando.


Sempre acontecia  o mesmo. Encantava-se com a beleza e luminosidade de uma jovem, apenas para descobrir que esse encanto não duraria muito. Procurava profundidade. Procurava algo especial.


Apesar do desencanto, ele não conseguia afastar os olhos dela.  Havia alguma coisa que lhe dizia que Ginerva não o permitia ver como realmente era.


Haviam conversado durante a tarde, poucos momentos, vigiados pelos olhos atentos de Juanita, e ele notara que suas respostas eram evasivas e seu sorriso afetado demais e desnecessário.


Estreitando os olhos, perguntou:


-Sabe tocar algum instrumento, Gina?


Ela olhou para o prato vazio a sua frente e então para o irmão antes de dizer:


-Papai nunca achou que uma mulher devesse aprender a tocar.


Era uma resposta diplomática e Rony maneou a cabeça rindo.


-Gina é incapaz de fazer qualquer coisa com as mãos. Não sabe tocar, não sabe cozinhar, é uma negação bordando! Definitivamente não tem  aptidão para nada!


-Oh, meu irmão! – ela ficou púrpura de indignação e envergonhada e Harry riu.


Sim, era isso que desejava, ver a verdadeira Gina Wesley!


-E a leitura? Algum autor favorito? – ele notou que Rony se descontraia vendo a irmã sofrer de um mal sem cura.


Não sabia a pequena Gina, que para homens como Harry, e até mesmo Rony, o trivial não cativa.


-Eu... –ela não respondeu, ficando triste. Uma punção de humilhação.


-Minha irmã perdeu a língua! – Rony provocou – Agora se arrepende de todas as más criações que fez para não aprender a cuidar de uma casa!


-Não fale assim, meu irmão – ela pediu baixo e envergonhada.


-Ginervra tem razão, não fale assim, Rony – ele também achava graça em brincar com a apimentada Wesley. A força que fazia para não estourar era louvável!


Não sabia, mas tudo que desejava era vê-la explodir. Saber exatamente o que estaria levando ao casar-se com ela!


-Gosto de ler revistas – ela disse humilhada. – Não tenho um autor favorito.


-Revistas? Algum tipo em especial? – ele insistiu, notando seus olhos soltarem chispas de raiva.


-Revistas de moda – ela respondeu, sentindo-se do tamanho de uma ervilha.


O riso de seu irmão contribuía para sentir-se estúpida!


-Ainda bem que trouxe algumas  -Harry disse apenado – imaginei que tendo uma  mulher em casa, apreciaria revistas de moda.


-Fala de Hermione? – Gina quase riu – Não creio que ela goste disso!


-E porque não?  -ele instigou, gostando de travar debates, quando Gina não estava ocupada tentando parecer ser alguém que não era.


-Hermione é sisuda demais para ler revistas! Ama livros e ama mais que tudo, mandar nos outros! – sua voz ergueu um tom e ganhou a vida que ele esperava ver e ouvir.


-Pensei que fossem amigas – Harry jogou verde, verdadeiramente encantado com o que ela revelava no calor da emoção de falar mal de Hermione.


-amigas? E alguém consegue ser amigo daquela...- ela conteve o palavra que diria, fruto do convívio com irmãos homens e corou.


-Acredito que não é apenas Hermione quem tem uma personalidade forte – Harry sugeriu e ela ficou tensa.


-Gina é uma megera – Rony disse e ela inflou chocada – Não se deixe enganar pelo rosto de anjo.


-Rony!


-Porque meu amigo não pode saber seus defeitos?  -ele perguntou para arreliar.


-Está tarde, vou dormir  -ela optou por não responder, pois tinha medo e vergonha de contar que queria conquistá-lo.


-Não precisa fugir, Gina – ele continuou impiedosamente irmão mais velho – Harry já sabe dos meus planos em casá-los!


-Oh!  -ela ficou vermelha da cabeça aos pés e diante do riso dos dois a raiva a consumiu – Pois saibam que prefiro casar-me  com um burro xucro do que com um almofadinha afeminado!


Suas palavras quebraram o riso e ela saiu correndo em direção ao seu quarto, ambos ouvindo  o som da porta batendo.


-Bem, meu amigo, aí está à verdadeira Ginerva.  –Rony disse indulgente.


-Deve ser algo nos ares do campo, meu amigo, pois agora sim, estou pronto para ver seu pai.


Rony não duvidou. Mas também não concordou. Um dia era muito pouco. Esperava que ambos se conhecessem melhor.


Não queria que Harry vivesse uma guerra como a que vivia com Hermione, por mais aprazível que fosse, era desgastante, e Harry já sofrera muito na vida. Não precisava de um casamento infeliz para completar sua trajetória de sofrimentos!


 


 


 


AUTORA: pobre Gina, massacrada pelos dois! Irmãos mais velhos são mesmo cruéis!


Meninas, as atualizações são diárias, e acho que agora, vou atualizar durante o dia, pq troquei novamente de empresa que faz manutenção da minha internet.

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