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19. O tempo passa, as lembranças n


Fic: Não era para ser assim


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Aquele havia sido o início de uma nova vida para os dois. A vida que Rony queria ter desde que percebeu seus sentimentos por Hermione e a vida que ela queria ter antes de se envolver com Draco. Muita coisa aconteceu desde então: a Grifinória ganhou a taça de Quadribol sobre a Sonserina. Jogo que Hermione foi assistir juntamente com Denis que fez o maior sucesso entre os amigos dos pais; Rony conseguiu bons NIEM’s e, a partir disso uma colocação no Ministério. Começou como assistente de seu irmão Percy, mas logo mostrou sua competência e subiu por mérito próprio, chegando a ser um Inominável. Coisa que nem ele mesmo imaginou que pudesse acontecer; Hermione voltara a estudar em Hogwarts e depois conseguiu uma vaga na Academia Inglesa de Medi-bruxaria. De lá, com ótimas notas, tornou-se funcionária do Saint Mungus onde, em pouco tempo, já era a diretora mais nova da divisão de acidentes mágicos; Gui e Fleur tiveram mais dois filhos; Carlinhos voltou para Romênia e se casou com uma tratadora de dragões. Tiveram também dois filhos; Percy se casou com a moça que apresentou a família no dia do enterro do irmão. Mais dois Weasleyzinhos vieram aumentar a família; Fred se recuperou da perda de seu gêmeo e logo aumentou a rede de lojas Gemialidades Weasley. No entanto não se casou, mas teve um bebê com uma trouxa (que ainda não sabia sua verdadeira origem), e se tornou um mulherengo inveterado; Gina e Harry também se casaram e tiveram seu primeiro rebento. Harry trabalhava no Ministério, no Departamento de Cooperação Internacional. Gina abriu uma livraria no Beco Diagonal, uma livraria ao modelo das trouxas, onde os clientes poderiam passar horas lendo, conversando e tomando chá. Ela havia instalado até um computador com Internet, mas ele não chamou muita atenção dos bruxos, então ela só o usava para organização administrativa. Foi assim, tranqüilamente, com muitos casamentos e nascimentos que aqueles cinco anos se passaram na vida da família Weasley e daqueles que agora faziam parte dela.
_Pai! Pai! Acorda! Acorda!
Rony achou que abalos sísmicos estavam assolando Londres naquela manhã. Abriu os olhos sonolento e percebeu que a única coisa que se abalava era a sua cama. Virou-se preguiçoso e encontrou a fonte do terremoto pulando sorridente ao seu lado segurando uma bola de pelos laranja. Ainda bem que mantinha alertas seus reflexos de goleiro e ex-auror, porque ele teve que segurar o filho no ar quando este pulou para cima dele jogando Bichento assustado para o lado:
_Feliz aniversário, pai!!! – Denis pulou no pescoço de Rony abraçando-o ternamente.
_Caramba! Se todo aniversário você pular desse jeito eu acho que não vou ter muitos não, hein? – falou retribuindo o abraço sorridente. – Obrigado, filho. – e beijou o alto da cabeça do garoto.
_Eu falei para ele não te acordar desse jeito, mas... – Hermione entrara no quarto e de joelhos sobre a cama se aproximou do marido. – Feliz aniversário, amor... – e o beijou carinhosamente na boca.
_Eca! – Denis exclamou afastando-se dos pais.
_Que, eca o quê! – Rony falou levantando-o do chão e fazendo-o rir mais ainda.
_Anda, pai! Levanta daí e vem para a sala! Tem uma surpresa lá para você! – Denis saiu saltitante puxando Rony pela mão.
_Ah, é mesmo?! Uma surpresa?! O que será, hein? – Rony piscou sorridente para Hermione que os seguia.
Ele já sabia qual era a surpresa. Desde uma festa surpresa que ele havia ganhado há dois aniversários, Denis fazia questão que ele tivesse uma todo ano, mas como não conseguia se conter e acabava contando do que se tratava, mudaram a festa para logo de manhã, assim que Rony acordava. Os três desceram para a sala que estava enfeitada com balões alaranjados. Sobre a mesa de centro um bolo com os dizeres: “FELIZ ANIVERSÁRIO PAPAI”, uma garrafa de refrigerante trouxa e até chapeuzinhos.
Aquela era uma festa particular, só para os três. Eles passaram a manhã se empanturrando de bolo e refrigerante, única ocasião em que Hermione permitia estes excessos, e abrindo presentes e cartões mandados por amigos e parentes mais distantes.
_Esse foi o que eu e a mamãe compramos! – o menino dizia mais empolgado que o próprio aniversariante. – Fui eu que escolhi! – e então ajudou Rony a rasgar o embrulho.
_Caramba! O uniforme novo do Cannons! – Rony exclamou surpreso. – Não precisava, Mione.
_Eu sabia que você estava louco pelo modelo novo! – ela falou carinhosa.
_Olha, pai! É o uniforme do goleiro! – Denis mostrou as costas do uniforme com o nome do jogador. – Mamãe disse que vai comprar um pra mim também, só que do apanhador! Ela disse que eu vou poder ir assistir a próxima Copa Mundial de Quadribol! Você vai me levar, né pai? – perguntou saltitante.
_É claro que vou! Vamos torcer para Inglaterra bem de perto dessa vez, já que agora eu sou do ministério. – respondeu orgulhoso.
_È! E eu vou poder pegar um autógrafo do Victor Krum! – exclamou sem reparar na cara de nojo de Rony e na diversão de Hermione. – Quando eu crescer também vou ser apanhador, pai!
_Não sei por quê?! Qual é a graça em ficar voando atrás de uma bolinha com asas? – perguntou chateado.
_Hum... – Denis notou a decepção do pai. – Mas eu também posso ser goleiro... Quem sabe? - Rony sorriu satisfeito.
A festa continuaria naquele mesmo dia na Toca. Molly Weasley fazia questão de reunir toda família cada vez que um de seus filhos ou netos fazia aniversário. Era muito mais fácil isso acontecer quando se tratava dos filhos, pois as outras avós sempre queriam dividir o direito da festa com ela.
A casa estava cheia. Ruivos de todas as idades conversavam ou corriam pelos corredores e quintal daquela casa sempre cheia. Rony foi recebido e cumprimentado por todos. Ele era o filho que os Weasley menos viam porque, além de ser um Inominável, sempre cheio de trabalho, assim como Hermione no hospital, ele morava num bairro trouxa, o que dificultava a aparatação dos parentes. Se pouco viam Rony, Denis menos ainda. Por isso ele era extremamente paparicado pelos avós e tios sempre que chegava.
Denis era agora um garotinho esperto e inteligente de cinco anos de idade. Tinha o rosto fino e os cabelos muito lisos e castanhos, o que Hermione agradecia todos os dias, a pele era clara e os olhos, bem quanto à cor dos olhos ninguém entrava em acordo. Uns diziam que eram castanhos, outros que eram verdes, ou mel, ou azuis, o fato é que com o tempo pararam de ligar para esse detalhe. Cansado de tanto apertarem suas bochechas e convidado por um dos primos ele logo correu pela casa em busca de diversão.
_Oi Denis! – Jean, filho de Fleur e Gui o cumprimentou. – Tudo bem?
_Tudo! – Denis cumprimentou amigável. Ele e o primo não se davam muito bem. Como eram os únicos com quase a mesma idade ocorria uma certa competição entre eles.
Os dois brincavam no quintal competindo para ver quem acertava mais pedras nos vários buracos no portão da garagem do avô quando Jean falou:
_Hei! Vamos entrar lá na garagem do vô e pegar uma daquelas coisas esquisitas para brincar? – perguntou.
_Mamãe disse que não podemos! A vovó não gosta que brinquemos com aquelas coisas.
_Ela não está aqui para ver!
_Mas não é certo! Vamos nos meter em encrenca!
_Você é covarde!
_Não sou não!
_É sim! Nem parece um Weasley!
_Eu sou sim! – falou bravo empurrando o primo.
_Eu não acho! Você nem é ruivo!
_Isso não tem nada a ver!
_É claro que tem! Já notou que você é o único na família que não é ruivo?!
Ele parou preocupado pensando no caso: - Isso é mentira! O James também não é ruivo!
_É! – o menino ficou confuso com a afirmação, mas não deu o braço a torcer: - E o último nome dele não é Weasley! Sabe? Eu acho que você foi deixado na porta do seu pai por um duende! Eu acho que você não é dessa família!
_Isso é mentira! – Denis empurrou Jean que caiu sentado na grama. – Seu... Seu... – ele pensava num nome feio para falar, mas não tinha coragem de fazê-lo porque sabia que ia levar bronca do pai. – Seu mentiroso! Eu sou filho do meu pai sim! – e pulou sobre o primo.
_Hei, hei hei! Mas o que é que está acontecendo?! – Hermione chegou a tempo de separar os meninos. – O que foi que houve?! – falou brava segurando Denis com dificuldade.
Com os olhos marejados Denis falou: - Esse bocó falou que eu não sou filho do meu pai!
_Quem te falou isso?! – Hermione virou-se para o sobrinho, assombrada.
_Minha mãe!
_Ah! Eu não acredito! Eu tenho que ter uma conversa com a sua mãe! Vá brincar Jean! E nunca mais fale estas besteiras, ouviu?!
Jean correu para dentro da casa em busca da mãe. Com um beicinho e os braços cruzados Denis observava o primo se afastar. Preocupada Hermione levou a mão as têmporas.
_O que aconteceu? Já vão cortar o bolo... – Rony se aproximou cauteloso abraçando Hermione pela cintura e acariciando a cabeça de Denis. – Que foi filho?! – perguntou preocupado com as lágrimas do menino e agachando-se.
_O Jean fica falando que eu não sou seu filho...
_Já sei! Aquela historia de que você não é ruivo e blá blá blá! Em quem você acredita? Em mim e na sua mãe ou naquele francesinho metido a besta?
Denis não conteve a risada. Limpou as lágrimas e falou: - Em você!
_Ótimo! Então vai brincar com seus outros primos!
_Mas eles são muito pequenos! Não sabem brincar direito! – reclamou.
_Não são tão pequenos assim! Vocês descobrem algo para fazer!
Denis balançou os ombros e saiu correndo em busca dos outros primos. Rony se levantou contente com o efeito de suas palavras. Virou-se para Hermione e notou seu olhar triste.
_Vamos, Mione! Você sabe que isso é coisa da Fleur. Era para o Jean ser o único neto por um bom tempo, mas nós atrapalhamos os planos dela. Não liga para isso! – ele a beijou carinhosamente. – Vamos comer bolo! – e a puxou como uma criança.
Aos poucos a casa foi se esvaziando. No fim da tarde apenas Weasleys e seus cônjuges ainda permaneciam na sala. As crianças estavam espalhadas pela casa.
_O que é que essas crianças estão aprontando, hein? Estão muito quietas. – Eve, esposa de Percy perguntou.
_Estão capotados nos quartos. Não agüentaram o ritmo! – Gina falou descendo para a sala e sentando-se ao lado do marido.
_E então, Gina! Você disse que foi a medi-bruxa, mas não nos contou o que ela disse. – Fleur falou.
_Disse o que eu já esperava: é uma menina! - Toda família exclamou contente.
_Ora! Não me diga que você vai ser a única a conseguir ter uma menina?! – Karin, esposa de Carlinhos perguntou.
_Por que a única?! Vocês ainda são novos! Podem ter mais filhos! – Molly exclamou.
_Sinceramente, senhora Weasley! Três já são suficientes para mim! – Fleur comentou. – Eu bem que gostaria de ter uma menina, mas para mim já chega.
_Eu concordo! – Eve falou. – Percy e eu estamos satisfeitos com dois.
_Pois eu ainda vou convencer o Carlinhos a tentar mais uma vez! – Karin comentou olhando expressivamente o marido.
_E você, Hermione? Não se manifesta? – Arthur provocou. – Você e Rony são os únicos com apenas um filho. Quer dizer, vocês e o Fred... – falou olhando sério para o filho. – Mas como ele ainda não é casado melhor que fique assim mesmo.
_E vou ficar! – Fred respondeu divertido. – Eu não fui feito para uma mulher só, pai. E não pretendo ter um filho com cada uma com quem eu sair! Além do mais eu gosto mais das trouxas. Já vai ser um tormento explicar a Samara quando Jorge receber a carta de Hogwarts! Eu contei que esses dias ele explodiu a caixa de correio da vizinha? O garoto vai ser um bruxo e tanto!
Rony aguardava a resposta da esposa.
_Hum... Nós estamos pensando... – falou evasiva.
_Dumbledore vai ter muito trabalho com essa nova remessa de Weasley, não? – Arthur concluiu.
_Algo me diz que Dumbledore guardou um pedacinho da pedra filosofal para ele. Como é possível alguém viver tanto?! – Harry comentou alegremente.
_Viver tanto e continuar ativo! Vocês viram a última notícia do Profeta Diário? – Percy falou. - Dumbledore inovou novamente: dessa vez colocou um duende para dar aulas de DCAT.
_Como é?! – Rony perguntou. – Duendes não são nada amigáveis! Dumbledore ficou louco de vez?!
_Dizem que ele teve dificuldades no começo, mas ele acaba dando um jeito! – Gui opinou. - Por falar em artes das trevas, souberam da morte do Malfoy?!
Hermione teve dificuldades em disfarçar o susto que levou. Há muito que aquele nome não era pronunciado e assim deveria continuar. Rony se surpreendeu também.
_Draco Malfoy?! – Gina perguntou alarmada.
_Não! Lucius! – Hermione se sentiu incomodamente aliviada. - Vocês se lembram que ele ficou louco depois que foi preso. Parece que ele não parava de provocar os dementadores. Os oficiais tinham dificuldades em contê-los. Na última investida eles não conseguiram impedir. – Arthur explicou.
_Eu ouvi dizer que estão investigando se não foi de propósito. – Gui observou.
_Absurdo! Ninguém no Ministério faria algo assim!
_Difícil dizer em pai! Mas não é só isso: - ele continuou. – Malfoy, o filho, alegou inocência. Pediu liberdade condicional e conseguiu! Ele alega que pode provar que não era o traidor na época da Ordem!
Hermione sentiu uma pontada no peito. - Livre?! Como assim livre?
_Como não?! – Fred se exaltou. – Nós vimos ele tentando fugir com o maldito caldeirão! Se não fosse pela Lilá...
_O fato é que ele está livre, agora! – Gui terminou.
Rony tentava a todo custo não olhar para Hermione, mas era difícil. Ele notava que ela se sentia desconfortável, mas não podia realizar o quanto. Hermione estava assustada. Não sabia como reagiria se desse de cara com ele na rua depois de tudo que havia acontecido. Pior ainda: não sabia o que aconteceria se Draco sequer desconfiasse que Denis era seu filho. Ela estava pálida e suas mãos suavam frio. Não estava preparada para aquilo.
_Bom... Já está tarde. Melhor irmos andando... – Rony falou puxando Hermione pela mão para lhe chamar a atenção.
_Ah, filho! Mas ainda é tão cedo... – Molly lamentou.
_Rony tem razão, Molly. – Hermione enfatizou. – Eu vou buscar o Denis.
_Deixa que eu vou! Onde ele está? – Rony perguntou.
_Está dormindo no seu quarto, embolado naquele cobertor velho do Cannons! – Gina informou divertida.
_Oh, querido! Se vocês têm que ir deixem o Denis aqui! Ele deve estar dormindo tão gostoso! E vocês sabem como eu adoro quando meus netos enchem a casa novamente! – Molly pediu.
_Não sei, Molly... Denis é um pouco difícil! – Hermione falou insegura.
_Ora, querida! Eu cuidei de 7 Weasleys dificílimos! Tenho prática nisso!
Todos riram do comentário da avó coruja.
_Se a senhora insiste! – Rony falou divertido.
Eles se despediram de todos e não demorou para que os filhos partissem levando apenas seus filhos menores. Hermione e Rony chegaram em casa pela rede de Flu minutos depois. Muito calada Hermione dirigiu-se a cozinha para pegar um copo com água. Rony a seguiu.
_O que exatamente te preocupa? – perguntou inseguro.
Hermione respirou fundo e olhando para o marido com uma expressão amedrontada falou: - E se ele vier atrás de mim? E se ele quiser o Denis? – seus olhos começaram a ficar vermelhos.
Um pouco aliviado Rony aproximou-se dela: - Ele sabia que você estava grávida?
Hermione apenas balançou a cabeça em negativa.
_Então não tem porque ele vir atrás de você, muito menos do Denis! – ele tirou o copo de suas mãos trêmulas e a abraçou carinhosamente. – E eu vou estar aqui para proteger vocês. Não vou deixá-lo tentar nada. Pode ter certeza!
Hermione retribuiu o abraço mais confiante.
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Ar puro. Há quanto tempo ele não sentia o ar puro da manhã? Há quanto tempo ele não via os raios fracos do sol da manhã? Quase seis anos! Draco andava pelas ruas tão conhecidas do Beco Diagonal como se fosse um recém chegado àquele mundo. Caminhava lentamente observando tudo o que havia mudado e tudo que continuava igual. Apreciava a vista de pessoas caminhando apressadas com sacolas e mais sacolas e quase não se importava quando alguma delas esbarrava nele. Havia sentido falta demais daquela liberdade para se irritar com uma esbarrada. Apenas uma coisa o incomodava: ser reconhecido. Algumas pessoas o olhavam assustadas, outras com cara de ódio, outras apenas o viam passar. Ele decidiu ignorá-las. Passou em frente a uma loja muito grande que lhe chamou a atenção. Nela um grande letreiro laranja piscante anunciava: ‘GEMIALIDADES WEASLEY: PROMOÇÃO DE INAUGURAÇÃO! VENHAM CONFERIR!”
_Não acredito! – pensou. – Esta é bem maior do que a que eu conhecia! Quem sabe agora eles não podem ter três refeições por dia?! – riu sarcástico.
Andou mais um pouco e outra loja nova o chamou a atenção. Uma série de livros enchia a vitrine. Livros de todos os tipos, tamanhos e cores. Até mesmo livros trouxas, o que não lhe agradou muito. Ele se afastou para ler o nome da loja: ‘WP LIVRARIA” – WP? - se perguntou confuso. Resolveu olhar através da vitrine e avistou perto de umas das estantes os cabelos ruivos de Gina. – Weasley? – se admirou. – Mas o que é aquilo? Ela está grávida?! Por Merlim! Eles estão se multiplicando! – deu passos para trás novamente para mirar o nome da livraria: - Weasley Potter?! Pior que um Potter ou um Weasley só um Weasley Potter! Não acredito! – ficou observando a ruiva inconformado, mas não só pela gravidez dela. Gina o fazia se lembrar de Hermione. Vasculhou ainda um pouco lá dentro. - Quem sabe? Ela adorava livros! - nada. – Hermione... – pronunciou triste depois continuou seu caminho.
Ia em direção ao Caldeirão Furado. Olhou no relógio de bolso que levava: - Em ponto! – falou satisfeito. Entrou no estabelecimento atraindo os olhares dos poucos clientes, alguns homens de não muito boa aparência, mas ele já havia convivido com piores em Azkaban. Dirigiu-se a uma mesa afastada e esperou, mas não por muito tempo.
_Há quanto tempo, Malfoy! – a mulher se sentou a sua frente sem nem mesmo esperar ser convidada.
_Você?! O que faz aqui sua... – ele levantou da mesa nervoso. Por instinto levou a mão às vestes para pegar sua varinha, mas ela havia sido partida anos atrás.
_Calma, calma! Olha a condicional, Draquinho! – falou cínica. – Era assim que ela te chamava?!
_Não tenho tempo para papo-furado, Brown! Estou esperando alguém!
_Eu sei! Fui eu que te mandei o bilhete. Sabia que não me receberia se eu dissesse quem realmente era, então resolvi usar a isca da advogada interessada no seu caso! Inteligente, não?!
Ele a olhava com ódio. Sua vontade era pular no pescoço dela ali mesmo e fazer o que deveria ter feito a seis anos, mas não podia por em risco sua liberdade conseguida a tanto custo. – O que é que você quer?! Eu não me esqueci do que aconteceu anos atrás! Percebi o que você fez com Lucius! Um simples feitiço de memória e ele esqueceu justamente quem era o informante, não é? – falou ameaçador.
_ Calma, Malfoy! Eu apenas fiz o que você também teria feito para limpar a sua barra. – falou chamando um garçom.
_Pois não? – o funcionário perguntou.
_Um Firewhisky, por favor. Malfoy? – ela o olhou gentilmente.
_O mesmo para mim. – respondeu sem olhar o homem. – Se você veio me ameaçar... – começou assim que o garçom se afastou.
_Tsc, tsc, tsc! – fez calmamente. – Vim te fazer uma proposta!
_Proposta?
_Sim... – o garçom trouxe as bebidas. – Você não me denuncia ao Ministério e eu te ajudo a reconquistar a Granger!
_De que diabos você está falando?! – perguntou assustado.
_Oras, Malfoy! Você sabe muito bem que eu sempre soube do casinho de vocês! – falou impaciente. – É muito simples: sua querida Hermione agora é uma mulher casada e mãe de família. Ela não vai deixar marido e filho por sua causa! É aí que eu entro!
_Não entendo como... – falou tentando disfarçar a decepção.
_Você quer a CDF e eu quero o Uón-Uón!
_Quem?! – perguntou confuso.
_O Rony!! – respondeu impaciente sentindo suas bochechas queimarem.
_Weasley? Hermione se casou com o Weasley?! – perguntou indignado.
_E teve um pentelhinho com ele! Se você for atrás da Hermione com a cara e com a coragem ela vai te rejeitar! Ela perdeu a confiança em você. Jamais vai desistir de um casamento sólido e completamente aceito por todos, e do filho por sua causa! Eu proponho o seguinte: você não me denuncia, eu volto a seduzir o Uó...Rony e você reconquista sua Mionezinha! O Rony é uma peça fácil de ser manipulada. Muito explosivo, ciumento. Quando souber que você está de volta e vai tentar recuperar a Hermione ele vai ficar inseguro! Eu posso conseguir facilmente colocá-lo contra ela. Fazê-lo ver que ela não presta... – Draco não gostou da expressão que ela usou. – Ou pelo menos é isso que eu vou fazê-lo pensar! – consertou.
_Só tem um furo: se o Weasley se casou com a Hermione ele com certeza não sabe do que nós tivemos no passado. Ele e o Potter vão morrer achando que a Hermione sempre me odiou! Não tem como ele cair nessa.
_Draquinho, relaxa! Eu estou te garantindo que consigo convencer o Rony! Ele já estava mesmo desconfiado na época, graças a mim é claro, mas não queria aceitar! Depois de tanto tempo vai ser fácil plantar o ciúme e a desconfiança nele de novo. Vai ser uma questão de tempo até ele pedir o divórcio. Eu ainda vou te livrar do pentelhinho, já que ele nunca permitiria que o filhote fosse criado por um comensal e, eu sei que você jamais criaria um filho que não é seu!
_E você criaria?! – perguntou descrente.
_Nada que um colégio interno de educação infantil não resolva. Depois vem Hogwarts e aí é só curtir meu Roniquinho! – falou radiante.
Draco fez uma careta: - Você teve muito tempo para planejar tudo, não?
_Seis anos, meu caro! É claro que eu esperava que você morresse antes de cumprir a pena, mas já que vaso ruim não quebra... – falou displicente tomando seu último gole de Firewhisky e pedindo mais um.
Draco mal havia tocado a sua bebida: - E o que eu faço com o meu caso? A Hermione nunca vai voltar para mim, mesmo que seja abandonada pelo Weasley, se eu não provar minha inocência!
_Por Merlin, Malfoy! Disseram-me que você era inteligente! Quantos aurores morreram naquele dia?! Invente alguma coisa, manipule lembranças! Sei lá! Use a arte das trevas que sua família lhe ensinou, homem! Quanto ao seu novo julgamento não se preocupe! Eu conheço um advogado muito competente. Ele pode inclusive te ajudar nisso... – falou sorrindo satisfeita.
Se não estivesse minimamente habituado a conviver com bruxos das trevas ele poderia se assustar com a fala de Lilá. Estava preocupado. Da última vez que tomou a decisão errada ele se deu muito mal. – Acho que eu prefiro pensar antes de aceitar sua proposta. De qualquer maneira pode ser que Hermione ainda me queira. Ela pode ter se casado só para... Sei lá, não ficar sozinha?
_É você quem sabe... Eu ainda posso desmentir. Em quem vão acreditar? Num ex-prisioneiro querendo provar sua inocência a qualquer custo ou numa ex-auror traumatizada com tudo que viu durante a guerra? – lançou-lhe um olhar inocente. – Seu passado é sujo demais, Malfoy. Você não vai conseguir sozinho! – ameaçou.
_Você sabe onde eles moram? – perguntou apreensivo.
_Ainda não! Soube que tinham se casado por umas fofoqueiras de salão de beleza, mas parece que eles vivem num bairro trouxa, então nenhuma delas soube explicar. Mas assim que eu descobrir quem sabe eu não possa te falar... – sorriu.
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Alguns dias se passaram e logo a comunidade bruxa se esqueceu do ex-comensal em liberdade. Na casa de Rony e Hermione o clima era tranqüilo já que ninguém tinha notícias nenhuma de Draco Malfoy. Hermione preparava o café-da-manhã quando Rony chegou à cozinha.
_Bom dia Mione! – beijou-a carinhosamente atrás da orelha enquanto ela fazia torradas.
_Bom dia! – respondeu virando-se para retribuir com um selinho.
Rony sentou-se na cabeceira da mesa e Hermione veio servir as torradas. Ele a segurou pelo pulso e a puxou para se sentar em seu colo: - Como vão as coisas no hospital? – perguntou acariciando as pernas dela.
_Muito bem! – respondeu sorrindo desconfiada.
_Ótimo! Lá no departamento de mistérios também vai tudo bem... – falou dando um beijo no ombro dela.
_Que bom... – respondeu tentando capitar algum sinal do que ele pretendia.
_Acho que... Talvez, sei lá, quem sabe, nós poderíamos pensar em ter outro filho agora, hein? – perguntou sorrindo amavelmente para ela.
_Rony... Nós já conversamos sobre isso! – ela respondeu querendo se levantar do colo dele.
_Sei que já falamos! – ele não deixou que ela se afastasse. - E você disse que queria esperar um pouco, que nossa situação melhorasse financeiramente, disse que éramos muito novos quando o Denis nasceu, mas e agora? Você não tem nem 25 e já é diretora do melhor hospital bruxo da Inglaterra. Eu tenho um cargo seguro e respeitado no ministério. O Denis já ta bem grandinho. O que mais temos que esperar? – questionou quase suplicante.
_Mas nós já temos o Denis! – tentou.
_Mas eu queria mais um... Queria um nosso! – arriscou.
Hermione suspirou: - Eu tenho medo que você comece a tratar o Denis diferente se tivermos outro bebê... – falou triste.
_Eu não faria isso! Você sabe que eu amo aquele garoto como se ele fosse meu de verdade... – segurou delicadamente o queixo dela fazendo-a olhá-lo.
Ela encarou aqueles olhos suplicantes e sentiu-se mal por privá-o daquela vontade. Achava completamente normal que ele quisesse ter um filho. Ela também queria um, mas sentia-se insegura. Ela sorriu e acariciou os cabelos dele: - Prometo que vou pensar no assunto...
_Você me promete isso há pelo menos três anos... – falou insistente.
Prometo que dessa vez vai ser rapidinho... – ela o puxou para alcançar seus lábios. Rony aumentou as carícias na perna dela quando sentiu seus dedos passearem pela sua nuca.
_Hum, hum...
Os dois se assustaram. Hermione saiu rapidamente do colo de Rony: - Denis! Você estava aí, filho?! – ela perguntou meio encabulada. Denis olhava da mãe para o pai com um ar estranho.
_Há quanto tempo você está aí? – Rony perguntou preocupado com a possibilidade dele ter ouvido toda a conversa.
_Tempo suficiente para ouvir vocês falarem de outro bebê! – falou sério tomando seu lugar na mesa. – Pra que outro bebê?! – perguntou.
_Como assim, pra quê?! Você não tem vontade de ter um irmãozinho? – Rony perguntou. Denis o encarava com ar superior. – Você não vive reclamando que não tem com quem brincar quando não podemos te levar na casa de algum tio? Então! Um irmão vai te fazer companhia! Você vai poder ensinar um monte de coisas para ele... Não ia ser legal? – Rony terminou esperançoso.
_Vou poder ensiná-lo a ser apanhador? – perguntou animado.
_Não! Vamos poder ensiná-lo a ser goleiro! – Rony falou meio bravo.
_Hum... – ele levantou uma sobrancelha, pensativo. Aquele gesto irritou Hermione profundamente, mas ela se conteve e continuou observando a reação do filho. – É... Até que pode ser legal! – ele pegou uma torrada e começou a passar geléia nela.
Rony bateu palmas, satisfeito. Virou-se para Hermione e disse: - Viu só?! Dois contra um! Ganhamos! – falou sorridente.
_Hei, hei,hei! Não é bem assim não! – ela exclamou sentando-se também a mesa para tomar café.
_É sim! A maioria vence, não é?! E agora que vocês falaram eu quero um irmãozinho! E logo! – falou com a boca cheia de torrada.
Rony olhava do menino para Hermione sorrindo triunfante. Hermione se irritava pela segunda vez com a atitude mimada do filho. Em alguns gestos Denis era excessivamente parecido com Draco.
_A propósito. Já que estamos falando de bebês: como é que eles nascem, hein? – perguntou curioso.
Rony olhou para Hermione começando a ficar vermelho. Ela olhou para ele desafiando-o a explicar...
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Ele já começava a se arrepender de ter voltado àquele local. Tinha se sentado numa mesa longe do movimento, retirado um livro da prateleira e pedido uma xícara de chá. O chá já esfriara e ele ainda não tinha idéia de sobre o que o livro falava, mas continuava lá e começava a se perguntar por quê. Foi aí que o pequeno sininho da porta de entrada soou e ele se lembrou do que tinha ido fazer ali. Era uma sensação incrível. Ele não sabia explicar por que seu coração estava tão acelerado e tão apertado ao mesmo tempo, por que suas mãos suavam, por que ele instintivamente se afundou na cadeira e colocou o livro na frente do rosto, abaixo dos olhos para poder continuar apreciando-a. Hermione Granger, ou melhor, Weasley. Ela estava ainda mais linda aos olhos dele, mais mulher, mais madura, se é que isso era possível, mais feliz. Draco reparou no sorriso dela, não era fácil ver aquele sorriso em seus lábios, pelo menos não na época da Ordem, a não ser quando ele pedia encarecidamente para que ela o encontrasse no porão, ou quando ele ameaçava enfeitiçá-la para que ela nunca mais saísse daquela cama ou dos braços dele.
Ele a viu cumprimentar Gina com um longo abraço, depois acariciar a barriga da cunhada. Gina disse algo que ele não ouviu e as duas foram para os fundos da loja. Draco sentiu-se aliviado, se endireitou na cadeira e limpou o suor da testa afastando uma mecha do cabelo preto que estava usando naquele dia. Ele respirou fundo tentando reaver o controle sobre suas emoções: - Calma, Draco. Calma! Vou esperar aqui. Quando ela sair eu a sigo... - mas ela não saiu.
_Você é possivelmente a grávida mais linda que eu já vi! – Hermione dizia sorridente aceitando o chá que Gina lhe oferecia.
_Ah, pára com isso Mione! – ela respondia encabulada.
_É verdade! Acho que é por causa do seu porte atlético. Você está ótima, não engordou, não está inchada! Ai que inveja! Eu fiquei péssima grávida. – falou. – Mas para quando é? – perguntou tocando a barriga dela.
_Três meses! – respondeu radiante. – E você?! – perguntou.
_Eu o quê? – questionou depois de queimar a língua com o chá.
_Harry me contou que você e o Rony estão pensando seriamente em ter mais um filho. Ele me disse que até o Denis gostou da idéia! – falou.
_Ai! O Rony! Como é linguarudo! – reclamou divertida.
_Então é verdade?! – se animou.
_É, mas... Eu não sei... Fico tão insegura sabe? Outro filho...
_Não seja boba! Vocês são jovens e se amam. São bem sucedidos! O que mais ta faltando?!
_Ai... Não sei...
_Pois eu sei! Por que você não deixa o Denis lá em casa esse fim de semana, hein? Assim vocês podem conversar a vontade, aí, você sabe: conversa vai, conversa vem, as roupas vão, os bebês vêem... – Gina terminou divertida.
_Gina!
_Não tem conversa! Sexta-feira eu mesma vou buscar o Denis na escola.
_Mas não vai incomodar?! – perguntou receosa.
_Nem um pouco! O James vai adorar ter o primo para brincar e você sabe que o Harry é louco pelo afilhado.
_Então ta... – Hermione aparatou dali mesmo pensativa. Um outro filho seria uma decisão muito séria.
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As luzes estavam todas apagadas, a casa silenciosa, um aroma agradável pairava no ar. Rony achou estranho. Acendeu a luz da sala antes de atravessá-la em direção à escada, mas não chegou a fazer aquele caminho. Estancou na entrada da casa quando viu Hermione descendo as escadas naquele robe preto.
_Que bom que você chegou, Rony. – ela sorriu para ele parando no penúltimo degrau. – Como foi o seu dia?
¬_Ó...Ótimo... – respondeu depois de passado o primeiro susto. – E o seu?
_Ficou perfeito depois que você chegou... – falou sorrindo e sentindo-se um pouco boba. Ela estendeu a mão convidando-o a se aproximar.
Ele deixou a maleta no chão e seguiu em direção a esposa. Olhou-a de cima abaixo admirando suas pernas torneadas que apareciam em baixo da lingerie curta. Hermione puxou-o pela gola da camisa quando ele estava suficientemente perto e o aproximou de seu corpo. Ela estava exatamente da mesma altura que ele agora. Sorriu marota e beijou ferforosamente seus lábios. Rony demorou um pouco para reagir, depois enlaçou-a pela cintura e colou seu corpo ao dela. Hermione acariciava a língua de Rony com a sua e com uma das mãos agarrava os cabelos da nuca dele, do jeito que ele gostava. Rony passeou sua mão pelo corpo dela até tocar a coxa. Hermione interrompeu o beijo e fitou-o com um sorriso malicioso. Com uma voz quase sussurrante falou:
_Aposto como você está faminto...
_Uhm hum... – respondeu meio sem fôlego.
_Ótimo! Então vá lavar as mãos para jantarmos... – falou afastando lentamente seu corpo do dele. – Eu fiz seu prato preferido... – sorriu caminhando insinuante até a cozinha.
Rony a olhava incrédulo. Aquilo só podia ser uma brincadeira. Ele a observava ainda tentando entender a situação quando a viu tirar o robe e jogá-lo displicentemente no sofá. Por baixo apenas uma camisola mais curta ainda, semi-transparente e também preta. Dava para notar que ela não vestia mais nada por baixo. Ela se virou para ele e teve que se controlar para disfarçar a timidez e não rir da cara de bobo que ele fazia.
_Vem...
Ele pareceu sair do transe temporariamente: - Cadê o Denis?! – perguntou.
_Vai dormir na casa da Gina e do Harry! – respondeu da cozinha deixando visível apenas a mão que o chamava com um gesto.
Rony lavou as mãos, tirou o paletó, desabotoou os primeiros botões da camisa e sentou-se a mesa, ainda abalado. Hermione serviu o marido que observava atentamente todos os seus movimentos. De perto aquela camisola era mas provocante ainda. O perfume de Hermione o inebriava, seus dedos tocando delicadamente a taça de vinho e o modo como sua boca se abria para sorver a bebida o enlouqueciam.
_Assim não dá, Hermione! – ele exclamou assustando-a. Levantou-se bruscamente da cadeira e a puxou pela mão. Com uma facilidade incrível colocou-a sentada sobre a mesa com as pernas afastadas e começou a beijá-la.
Suas mãos tocavam ansiosas o corpo dela e ele se inclinava cada vez mais sobre ela. Hermione retribuía os beijos e as carícias afogueadas de Rony até que ele começou a deitá-la na mesa. Sua mão esbarrou na taça quebrando-a com um barulho que os tirou daquele torpor.
_Acho que aqui não é um bom lugar para isso. – falou sorrindo um pouco encabulada.
Rony colocou imediatamente a mão no bolso da calça e sacou a varinha. Com um feitiço silencioso fez sumir tudo que havia na mesa. Hermione observou admirada. Rony era ótimo em qualquer tipo de feitiço quando agia sobre pressão. Ele jogou a varinha longe e voltou a beijá-la. Deitou-a sobre a mesa e desceu os lábios para o pescoço, depois o colo sugando de vez em quando os lugares por onde passava. Hermione levantou o corpo e arrancou-lhe a camisa fazendo alguns botões voarem pela cozinha. Os dois riram da situação. Ela tocou de leve o peito dele descendo as mãos para o abdômen até chegar ao cós da calça. Ela o puxou para mais perto e começou a abrir o cinto, depois o botão e o zíper. Era notável a reação do corpo de Rony. Por cima da cueca ela o tocou arrancando-lhe um gemido baixo. Ele a puxou para outro beijo e lentamente começou a tirar a camisola dela. Lamentou quando ela deixou de tocá-lo para deixar a camisola passar por seus braços, mas teve sua compensação ao admirar o corpo firme e belo da esposa completamente despido. Sorriu fazendo-a se acanhar. Aquela com certeza não era a primeira vez que ele a via nua, nem a primeira vez que ela o tocava daquele jeito, mas o modo como aquilo estava acontecendo, na cozinha, em cima da mesa, dava a sensação de que era a primeira vez, como se fosse algo errado, com certeza fora dos padrões para um casal junto a seis anos e com um filho.
Ele começou a tocá-la nas pernas subindo lentamente as mãos pela parte interna, sem nunca desviarem o olhar um do outro. A respiração de Hermione começava a acelerar quanto mais ele se aproximava de sua intimidade. Ela apoiou-se com as mãos na mesa e fechou os olhos quando ele finalmente a tocou. Ela gemia timidamente ainda. Ele recomeçou a beijá-la, sem parar a carícia, beijava os lábios, o pescoço, o colo, tocou um dos seios com a mão enquanto beijava o outro mamilo, passando a língua por ele e arrancando gemidos cada vez mais altos. Ela sentiu os braços enfraquecerem e se deitou completamente, com os olhos fechados, apenas sentindo o toque dele. Ele foi subindo a mão que a tocava pela barriga até um dos seios, com a outra mão abaixou a cueca, sem aviso penetrou o corpo dela fazendo-a gemer e enlaçar-lhe o corpo com as pernas. Começou a aumentar o ritmo segurando-a firmemente pelas coxas. Ele estava em êxtase. Sempre se sentia incrível quando fazia amor com Hermione, mas nunca daquele jeito. Nunca havia sido tão intenso, imprevisível. Hermione procurava algo em que se agarrar, mas não encontrava. Sentou-se novamente para poder beijá-lo ardentemente, Com as pernas aproximou-o mais fazendo-o aprofundar-se mais ainda, aumentando o prazer que sentiam. Foi o momento perfeito, terminado com respirações ofegantes e uma sensação de satisfação plena, mas momentânea. A noite continuou no quarto, mais confortável, mais macia, mais convencional, mas tão intensa quanto a primeira.
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_Mãe? – Denis se aproximava cautelosamente de Hermione em seu escritório.
_Hum?
_Você não vai trabalhar hoje?
_Eu estou trabalhando! – ela falou divertida.
_Ah... Vai demorar muito?
_Sim... Por quê? – perguntou virando-se para o menino.
_É que eu queria ir ao parquinho! Montaram um parquinho aqui perto hoje, você sabia?! – falou excitado.
_Ah, meu amor... Mas eu estou muito ocupada... Quando eu terminar o que estou fazendo eu te levo, pode ser? – perguntou sorridente acariciando seu rostinho.
_Ah... Ta bom! Daqui a pouco eu volto para saber se você já terminou... – e saiu correndo fechando a porta do escritório. Ele sabia que a mãe não gostava de ser incomodada quando escrevia um de seus artigos.
Não demorou muito para que Denis voltasse ao escritório, pelo menos não tempo suficiente para que ela tivesse terminado seu trabalho. – Mãe?! Terminou?!
Hermione se assustou com o barulho que ele fez ao entrar no escritório: - Denis! Que horror!
_Desculpe... – falou arrependido. – Já podemos ir?!
_Eu ainda não terminei...
_Vai demorar? Daqui a meia hora nós vamos?! – perguntou insistente.
_Não Denis! Eu não vou poder te levar hoje! Quem sabe amanhã? Mas só se você me deixar trabalhar sossegada, se não nem isso... – falou começando a perder a paciência.
_Mas eu quero ir hoje! – insistiu.
_Hoje não dá!
_Mas eu quero ir!!!! – bateu o pé no chão.
_Hoje não! – falou severa. – Vá brincar no seu quarto para eu terminar isso aqui, ta?
_Não!!! Eu vou ficar aqui até você me levar!!! Eu quero ir hoje!!! Se você não me levar eu vou ficar te atrapalhando!!! – falou emburrado com os braços cruzados.
_Denis! Que jeito de falar é esse?! – ela se admirou.
_Eu quero ir!!! Quero ir agora!!!
_Aaii! – resmungou nervosa. – Seu pai vai saber disso, hein?
_Não quero saber! Se ele estivesse aqui me levaria!!!
_Denis! – ela o olhou brava, ele a enfrentou. Era o mesmo olhar, aquele olhar que a deixava sem reação, que conseguia tudo o que queria. – Ai... Eu vou mandar uma coruja ao seu pai e saber se ele pode te levar, ok?
Ele sorriu satisfeito, mas não deixou o escritório até ter certeza de que ela havia mandado. Também não arredou o pé dali até a coruja voltar com a resposta.
“Desculpe, mas não posso. Estamos com um caso complicado nas mãos e eu não vou poder sair antes do horário... Bjos, amo vocês...” R.W.
_Que pena... – Denis falou. – Acho que vai ter que ser você mesmo... – sorriu cinicamente.
Denis se divertia em demasia nos brinquedos da área para crianças pequenas. Hermione encostada no cercado do lado de fora lia atentamente um manual de primeiros socorros mágicos.
_Mãe!!! Mãe!!! Olha eu aqui!!! – Denis gritava do carrinho mais alto do brinquedo.
Hermione olhava em sua direção e depois de um tchauzinho rápido voltava sua atenção ao livro novamente.
Alguém a observava. Só podia ser uma miragem. Não havia outra explicação para aquilo. Há dias ele resolvera andar por bairros trouxas em vez de freqüentar o Beco Diagonal ou Hogsmead. Também não queria andar pela Travessa do Tranco, levantaria suspeitas e poderia prejudicá-lo. Então ele optou por passear na Londres trouxa, onde ninguém o reconhecia e ele ainda poderia, quem sabe, dar de cara com ela.
_Só pode ser ela... – pensou com o coração acelerado. Queria se aproximar, mas suas pernas não o obedeciam. Ele as forçou a obedecer, seguiu inseguro em direção a ela. Estava a menos de dois metros, parou. Estava nervoso. Poucas vezes havia se sentido daquele jeito, talvez nunca, a não ser com ela... Voltou a andar lentamente, nunca desviando os olhos daqueles cabelos castanhos com os quais ele sonhara nos últimos anos com muita freqüência. Um metro agora, já era possível sentir o perfume que seu corpo exalava, já era possível ver sua mão delicada virar com carinho a página do livro. Foi possível ver a aliança também. Parou de novo, pensou em voltar atrás, mas não podia. Havia esperado por aquilo há seis anos. Havia chegado a hora. - Hermione...
Foi por pouco que o livro não caiu de sua mão. Seu coração estava acelerado agora, suas mãos suadas e a respiração irregular. Ela baixou a cabeça e fechou os olhos, não tinha coragem de se virar. Sentiu ele se aproximar.
_Mione... – ele chamou baixo, muito próximo dela.
Ela respirou fundo e se virou na esperança de que aquela voz fosse apenas uma impressão, mas não era. Era ele mesmo, muito mais magro, mais pálido, mais velho, parecia cansado, mas o olhar era o mesmo. Os mesmos olhos cinzentos que a dominavam com tanta facilidade. Ele esboçou um sorriso. Levou uma das mãos em direção ao rosto dela, como que para ter certeza de que ela estava mesmo lá.
Ela se afastou: - O que você faz aqui?! – perguntou dura.
Ele não soube como reagir diante daquela recepção. Limitou-se a olhá-la, percebeu que a incomodava, pois ela não conseguia olhá-lo diretamente.
_Eu senti a sua falta... Não sabe como eu te procurei depois que saí.
_Perdeu seu tempo! – ela respondeu nervosa olhando disfarçadamente para trás. Denis ainda brincava despreocupado. – Agora que já me achou pode ir embora de novo!
_Eu queria conversar com você... Te explicar...
_Não há explicação para o que você fez! – falou mais alto do que desejava. Não conseguiu conter uma lágrima que escorreu pelos seus olhos.
_Não é o que você pensa! – falou desesperado. Sentiu a emoção invadi-lo. – Não fui...
_Mãe! Mãe! – Denis se aproximava correndo. – Olha o que eu ganhei! – ele se segurou nas pernas dela para conseguir parar.
Hermione sentiu suas pernas fraquejarem. Numa reação impulsiva levou as mãos ao rosto em desespero. Draco olhou para o garoto a princípio com raiva, depois com indignação. Hermione se abaixou para ficar na mesma altura do filho que agitava freneticamente seu prêmio.
_Que lindo, filho! Agora volta a brincar, anda... – falou sorrindo nervosa.
Denis achou estranha a reação da mãe, e então avistou Draco parado atrás dela e encarando-o de modo estranho: - Quem é esse homem, mãe? – perguntou baixinho.
_Só um conhecido... Da época da escola. Agora vai brincar! – ela se levantou pegando o brinquedo da mão dele e tentando afastá-lo, mas teimoso ele não se movia. Para desespero de Hermione ele insistia em encarar o homem.
_Esse é seu filho? – perguntou tentando se conter.
Hermione não respondeu, nem ousou olhá-lo. Sabia que seus olhos falariam por ela. Sabia que Draco leria a verdade em seus olhos. Ele sorriu sem perceber. Agachou-se para mirar melhor o menino que, com cara feia escondeu-se atrás da mãe. Draco só podia ver um de seus olhos, o mesmo olho cinzento que veria se olhasse o espelho.
_Quem... Quem é o pai dele? – perguntou com a voz fraca e um sorriso discreto nos lábios.
_Eu sou o pai dele!
_Pai! – Denis correu em direção a Rony que chegava naquele momento. Pulou em seu colo e abraçou-o com força.
Draco levantou-se com raiva. Virou-se para encarar o rival, mas não precisou completar o movimento. Rony passava por ele e já se posicionava ao lado de Hermione.
_Oi Mione... – ele falou baixo beijando-a levemente nos lábios.
_Oi... – ela respondeu com a voz fraca.
Draco observou aquele gesto com raiva, mas se segurou. Percebeu como ela segurou forte a mão dele em busca de proteção. Sua raiva aumentou. Denis ainda escondia o rosto no ombro de Rony.
_Então você saiu mesmo! – Rony falou. – Que tipo de gente eles mantém lá, então?
_Do tipo que tem o que temer! – respondeu brusco.
_O que você veio fazer aqui, Malfoy?
_O que você acha, Weasley?!
Os ânimos começavam a esquentar.
_Rony! – Hermione chamou-o discretamente fazendo sinal em direção a Denis. – É melhor irmos embora logo.
_Certo! – Rony deu uma última e ameaçadora olhada em direção a Draco, depois seguiu em direção à saída do parque.
Draco permaneceu observando-os se afastar. Denis levantou os olhos e encontrou os de Draco sobre os seus. O homem sorriu e ele escondeu novamente o rosto.
Eles foram em silêncio até um local vazio e pouco iluminado de onde poderiam aparatar sem serem notados. Em casa, o jantar foi rápido, Denis não ouviu a historinha antes de dormir e Hermione e Rony foram se deitar muito mais cedo que de costume. O trabalho dela não rendia e a TV não prendia a atenção dele, mas não foi fácil dormir. Um podia ouvir a respiração tensa do outro, mas nenhum dos dois tinha ânimo para conversar. Cansados, cada um virou para um lado da cama e fechou os olhos tentando atrair o sono.
_Pai... – Denis chamou da porta.
_Filho? Entra... – Hermione atendeu preocupada.
_Não consigo dormir... – ele falou com os olhinhos tristes depois de abrir a porta. – Posso ficar aqui? – terminou agarrando seu travesseiro.
_Claro! – Hermione respondeu fazendo um gesto para que ele se aproximasse. Rony abriu espaço na cama, preocupado.
Ele fechou a porta e correu para a cama dos pais, ajeitou o travesseiro do jeito que gostava, se aconchegou sobre as cobertas, recebeu um beijo carinhoso da mãe e se deitou abraçando-se ao peito de Rony. Os pais se entreolharam sem entender, mas decidiram que não era preciso entender nada. Denis adormeceu sentindo a proteção de Rony e o carinho de Hermione em seus cabelos. Vencidos pelo cansaço os dois caíram no sono ainda preocupados.


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