Vida nova na Escola
Os primeiros dias foram difíceis. Muito difíceis.
Ninguém exceto os professores, os fantasmas e o diretor podiam vê-la.
Mas isso era o de menos. O que matava era a solidão.
Na verdade, o feitiço tinha perdido seu efeito total, descobrira no seu terceiro ano, agora as pessoas podiam vê-la em atividades comuns, como comendo ou nadando. Vê-la, mas não notá-la. Seria o tipo de pessoa desinteressante, que você sentaria em cima sem nem perceber.
E isso, para Juliet, era pior do que ser, de fato, invisível.
Continuava tendo que esperar as pessoas precisarem ou desejarem vê-la, para de fato poderem fazê-lo.
O que queria dizer que raríssimas vezes, para não dizer nenhuma, fora realmente notada.
Depois dos primeiros meses, Juliet acabou por se acostumar e gastava seu tempo estudando, lendo e passeando pelo castelo.
Era uma aluna excelente, dedicadíssima e muito inteligente, sempre tirando boas notas.
Passava sempre o Natal na Escola e só encontrava a tia no fim do ano letivo, e ,mesmo assim, ficavam pouco fora de casa. O problema com perseguidores ainda existia.
Mas agora Juliet não se importava, tinha muito o que fazer. Ler, estudar, aprender. Tinha sede de conhecimento.
Os anos continuaram passando e, acostumada como estava, não tinha problemas muito graves, exceto pisões doloridos no pé e esbarrões rotineiros, nunca precisara realmente aparecer.
Tudo bem, assumia, sentia um pouco de falta de ter amigos e de conversar com outras pessoas.
Mas sempre que se sentia sozinha, conversava com um dos fantasmas ou lia... Até Pirraça gostava de conversar com ela.
Tudo ia às mil maravilhas quando, no sexto ano, Juliet sentiu realmente falta de ser “normal”.
Talvez fossem os hormônios; adolescentes têm fáceis oscilações no humor.
Ou ainda os exames que prestaria durante o ano.
Não sabia, mas aquele seu retorno a Hogwarts fora o pior.
Foi quando desejou mesmo ter amigos, ser querida... Não que tia Marissa não gostasse dela, mas queria outro tipo de gostar. Melhores amigos e um namorado, talvez.
Tornara-se uma chata até para si mesma.
Até que uma conversa com a Murta-Que-Geme a fez “cair na real”.
Finalmente, após 3 meses de chatice contínua – como ela mesma dizia – voltara a ser a mesma Juliet de sempre.
Harry, depois de enfrentar um professor de DCAT, um basilisco e ainda salvar seu padrinho, conseguira viver um tempo feliz, confortado com o pensamento de que teria Sirius quando pudesse se livrar dos Dursley.
Sabia que tudo o que fizera até ali fora com a ajuda de seus melhores amigos. Às vezes chegava a pensar que era uma fraude, mas os próprios amigos faziam-no acreditar que também era importante.
Ótimo. Vira-se sozinho pela primeira vez durando o quarto ano, Torneio Tribruxo e a perspectiva de enfrentar a morte mais uma vez.
Saíra bem e vencedor. Não tão bem, na verdade. Voldmort retornara e Cedric morrera na sua frente.
Quinto ano. Voldmort mexendo os pauzinhos para começar a atacar, a paixão não correspondida por Cho e a morte de Sirius.
Não queria voltar para Hogwarts no ano seguinte. Sequer queria fazer alguma coisa.
Sentia um peso e um vazio no coração.
Se ao menos não tivesse sido tolo em acreditar naquela visão...
Todos viviam dizendo que a culpa não era dele, e talvez não fosse mesmo, mas a dor era grande demais para distribuir justamente culpas.
Só tinha certeza que as coisas seriam complicadas. Queria arrancar a dor de seu peito e esquecer o mundo mágico.
Mas não podia, sabia que ali sim era seu lugar.
Resolvera que voltaria.
Ainda mais agora, com Voldmort solto por aí e a profecia ecoando em sua cabeça.
Não conseguiria deixar tudo para trás. Tinha que vingar Sirius e todos os outros.
E faria isso quando a hora chegasse.
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