Cap 12 – Merloc
“Duplo homicídio choca o mundo bruxo! O corpo do Senhor Olivaras e do dono da sorveteria Florean, o senhor Florean Fortescue foram encontrados ontem, por volta das 18:00hs, no sotão da loja Olivaras. Segundo fontes seguras, os aurores foram informados de que encontrariam um pequeno aviso no local, sobre o paradeiro de alguns comensais da morte. Diligências continuam a serem feitas por todo o Beco Diagonal e a Travessa do Tranco em busca de mais pistas sobre o motivo dos seqüestros e dos posteriores assassinatos. Mas tudo indica que os crimes foram cometidos a mando de-você-sabe-quem, não se sabendo, ainda, o motivo para tal atrocidade”.
Foi essa a primeira coisa que Harry, Ron, Gina e Hermione leram no dia. Não ficaram surpresos com as mortes em si, mas por terem aparecido os corpos. O que aquilo poderia ser? A nota do jornal falara em aviso. Mas aviso para que? Pra quem? E por que?
- Não estou gostando disso. – Disse Mione.
- Eu muito menos. Poxa, a loja do Fred e do Jorge e quase ali do lado. Podiam ter sido meus irmãos. Minha mãe deve tá doidinha com isso! – Falou Ron despenteando os cabelos.
- Também não sei o que pode significar. Mas com toda certeza foi Voldemort que aprontou tudo isso, tenho certeza! – disse Harry.
- Oi mocinho! Bom dia! – disse Liane beijando a cabeça do namorado. – Bom dia pra vocês também. Xiiiii, que caras são essas? – indagou Liane ao olhar pra seus amigos.
- Você não viu o jornal de hoje, Li? – questionou Harry.
- Não, por quê? – já recebendo o jornal das mãos de Mione. – Caracoles! Que coisa horrível. Mas, peraí. O que você estão pensando? Não vão dar uma de detetives, não é? – disse olhando confusa para os três.
- Eu não tô querendo, mas parece que alguma coisa tá sendo armada. Contra quem eu não sei. Mas, como todas às vezes, acontece que estamos sempre no meio das encrencas do mundo mágico, e por isso é bom estarmos preparados pra tudo e todos. – Falou Harry. - Daqui a pouco vão até falar que eu é que dei cabo deles. Que pirei e resolvi virar um assassino. – Falou debochando.
- Calma, Harry. – Falou Mione. – Não acho que devemos nos meter nisso, mas temos coisas mais importantes para fazer do que mexer com coisas como essas. – Começou a falar mais baixo. – Temos que procurar alguns brinquedinhos de vocês-sabem-quem e dar um fim neles. Vocês não acham?
- Shhh!!!!- reclamou Ron
- Mi, isso é outra coisa!!! – Falou Harry.
- Mas Mione, não podemos deixar isso pra traz. – Falou Liane.
- Eu concordo. Só que temos que focalizar nisso agora. – disse Mione
- E deixar as coisas torrarem no mundo lá fora? – Questionou Harry.
- Torrarem, não, explodirem mesmo! – Ron simplificou a questão.
Vocês estão deixando de pensar que ninguém está procurando resolver essa situação de um jeito definitivo, pois ninguém além de nós, eu acho, que sabe sobre as Horcruxes! – Finalizou Mione.
- Sssssshhhhhhhhhh! – Fizeram Ron e Liane.
- Mione! – Harry quase pulou na amiga.
- Tá! Calma gente. Ninguém escutou. – Falou receosa. Olhando para os lados voltou a questionar. – Vocês acharam alguma coisa à mais, pesquisaram algo??
- Claro que não, né Mione. Que tempo tivemos essas duas últimas semanas? Nenhum que eu saiba. – disse enfática uma Liane que fazia caras e bocas demonstrando que realmente tempo era o que faltava. Ron e Harry concordaram.
- Então tá. Vamos fazer grupos de estudo. sendo um do grupo fica procurando sobre um assunto especifico sobre vocês-sabem-o-quem. Assim ninguém perde tempo pra estudar e pra pesquisa. De acordo? – falou uma Hermione convicta.
Os três pararam, se olharam e caíram na risada. Como Hermione continuava a ser uma “nerd” até se tratando de Voldemort. Mas viram que ela tinha razão. Tinham que estudar, tinham que procurar as Horcruxes, tinham tantas coisas pra fazerem que se unirem era a única opção naquele momento. E como se fosse uma mágica os três responderam que estavam de acordo, mas só se tivéssemos tempo também para terem uma “vidinha” além naquela.
Na noite do mesmo dia Harry recebeu uma carta através de Lupin, avisando que Sírius viria aquela noite para conversar com ele. Harry avisou a namorada e aos amigos que não poderia ficar para os estudos e foi em direção ao local marcado por Sírius, sendo acompanhado por Lupin. Quando avistaram um grande cão negro, Remus já foi cumprimentando.
- Velho amigo! Por que nós dá o privilégio de sua saudosa presença? – Fazendo uma grande reverencia.
O cão percebendo a presença dos dois já se transformava no padrinho de Harry.
- Saudosa? Não me venha com essas coisas frívolas, Remus. – Sírius já abraçava o amigo.
- Como estão as coisas?
- Vão bem. Ainda estou ajeitando algumas coisas, mas penso que logo, logo tudo vai estar arranjado. E VOCÊ, garoto, como andam as coisas, mais tranqüilas, espero?
- E ai, Sírius! - dando um grande abraço no padrinho. – Não sei se estão bem ou mal. Só sei que os dias passam e eu continuo aqui.
- Pelo menos isso, né. – Falaram Remus e Sírius juntos, iniciando uma serie de gargalhadas dos três.
- Vou indo então. Depois, antes de ir, me chame pra conversarmos. Não se esqueça! Disse Remus retornando para o castelo.
- Tranqüilo. Vai lá.
Estavam caminhando em silêncio perto do estádio de quadribol. Subiram algumas escadas e sentaram.
- Realmente, Harry. Como você está? Tenho pensado no que aconteceu durante o inicio do ano e nessas suas ultimas férias. Queria saber se você não tem tido muito estresse com Voldemort ultimamente?
-É, tive alguns pesadelos, alguns sonhos estranhos, mas nada do nível de Voldemort pra me atazanar. As coisas têm estado mais calmas aqui. Mesmo que lá fora as coisas estejam de dar medo.
- Harry, eu vim aqui por vários motivos entre eles, saber como você está. Se você está se preparando, estudando direito, tendo uma vida mais tranqüila. Eu vim aqui, principalmente para colocar você a par de algumas coisas que eu vejo necessidade de você saber, e com isso, os seus amigos também. – Dando um sorriso maroto de canto de boca. – Não sei se você pensou a respeito de tudo o que aconteceu com Dumbledore, com as horcruxes. Sim, eu sei a respeito delas sim. – achando um pouco de graça da cara do afilhado ao ouvir a palavra horcruxes. Mas espero que você seja paciente e um pouco mais maduro pra aceitar que certas coisas acontecem pro nosso crescimento e para o bem da maioria das pessoas. Que é necessário se fazerem algumas escolhas na vida que podem parecer mirabolantes, loucas, insanas, mas que são necessárias devido aos acontecimentos. Acho que você deve aprender e principalmente tentar enxergar que o mal tem muitas faces, e algumas vezes, isso é raro, mas acontece, e que uma delas são bem queridas em certos momentos. Não que o mal seja bom, não é isso. Mas que o mal nos torna mais fortes e menos sujeitos a pequenos baques. O que eu quero disser, Harry, é que você precisa estar preparado pra tudo e todos. Mas não pode se dar o luxo de ser bonzinho ou malévolo com um ou com outro.
- Mas pra que isso tudo, Sírius? Você nunca foi homem de rodeios, ainda por cima comigo. O que você sabe que eu preciso saber? Que papo é esse?
- Calmo ai, Harry. Isso não é papo! – Disse com um tom mais sério. – O que eu quero disser com tudo isso é que você precisa focalizar tudo em você pra sua própria sobrevivência. Tudo o que você é. Tudo o que você quer ser. Seus medos. Suas alegrias. Tudo! Isso vai te ajudar a você superar os seus limites, vai te ajudar a saber quem você é e o que pode fazer. – Se levantando e andando, dando as costas para Harry. – Tenho certeza, é quase uma convicção, Harry, de que você é mais precioso do que todos imaginam.
- O que você quer disser com precioso, Sírius?
- Que sua mãe e seu pai te protegiam demais contra Voldemort. Que sua mãe usou todo o poder que tinha pra salvar sua vida, e de quebra, salvar isso que você carrega no dedo.
- O anel? O que tem esse anel com minha mãe?
- Tem tudo a ver, Garoto! Tudo a ver! – E voltando a encarar o rosto de confusão de Harry continuou. – Você, Harry, é o último descendente vivo do maior mago, da família mais secreta do mundo mágico. Você é um descendente de Merlin.
Ai a cabeça de Harry rodopiou. O silêncio se formou entre os dois. Parecia que Harry não havia entendido o que Sírius acabara de falar. Como ele, o simples Harry James Potter, poderia ser parente do maior mago do mundo mágico.
- Como assim, Sírius? O que você tá falando? – Se levantando e indo na direção do padrinho. – Que brincadeira mais sem graça é essa? Será que não chega eu ser o cara que todo mundo quer morto e agora eu também sou parente de Merlin? Que palhaçada é essa?
- Harry. Não havia outra maneira de te contar isso. – Sírius apoiou suas mãos nos ombros de Harry. – Eu só descobrir a história inteira poucas semanas antes do ocorrido com você na casa dos Weasley, onde eu te dei o anel. Dumbledore incumbiu-me de achá-lo. Deu-me algumas pistas, falou sobre algumas lendas e eu acabei conseguindo a verdade sobre a família Evans, a família de sua mãe.
- Lílian Evans foi a primeira descendente de Merlin nascida bruxa depois que o próprio Merlin morreu. Existe uma espécie de maldição que Merlin, por medo, colocou na própria família, que fez com que não nascesse nenhum homem e principalmente bruxo até que fosse necessário para o mundo que o poder máximo ligado a sua família fosse reerguido das sombras. – Sírius tentava passar a Harry segurança em sua voz. Aquilo parecia mentira.
- Pra que você tá me contando isso agora? – Harry não estava gostando do rumo daquela conversa.
- Por que, como você, eu não gosto de saber as coisas por último. E também por que acho que você está pronto pra decidir mais sobre sua vida agora.
- O que mais você sabe dessa historia?
- No dia em que Lílian e James fizeram o fiel, Dumbledore me contou que Lílian conseguiu entrar na mente dele, passando a ele essa informação. Ela disse que precisava encontrar um anel que a mãe dela havia falado e escondido. A partir disso, Alvo começou a procurar informações. Achamos num dos livros sobre mágicas antigas uma citação sobre a maldição de Merlin.
- O que ela dizia?
- Dizia que era um anel de grande poder mágico. Que os descendentes de Merlin podiam utilizá-lo para elevar seu nível de magia. Que era uma herança de família e que estava desaparecido desde a morte do filho de Merlin. Falava que seus netos se esconderam devido a lenda que rondava a família de que um dos filhos de Merlin retornaria para resgatar o equilíbrio da magia e que somente ele conseguiria dominar o poder do Dragão, e que para isso ele precisaria ter dentro de si amor pleno.
- E você tá falando que esse carinha ai sou eu? – Harry quase riu, debochando daquela história maluca que seu padrinho lhe contava.
- Deixe-me terminar, Harry. – Disse com seriedade para o afilhado. Aquilo era demais, mas tinha que ser dito.
- Busquei as raízes da família de sua mãe, cruzei com as informações históricas, as dicas de Alvo e o que encontrei nos livros, chegando a um local chamado Stonehenge, Amesbury, no condado inglês de Wiltshire. Lá era onde todas as informações se cruzavam.
- As pedras de Stonehenge? – Questionou Harry.
- Sim. Mas aconteceu algo incomum. Vasculhando aquele lugar encontrei uma chave de portal que me levou para uma colina, que logo reconheci, parecia com um dos quadros da casa de sua mãe. Era Tor, eu estava em Avalon. Merlin tinha uma propriedade conhecida como Avalon, conhecida também por Glastonbury. Eu não estava acretidando naquilo. Tudo era real. Me senti fraco de repente. Parecia que todo poder do meu corpo me deixava. Fui cercado por brumas, não conseguia ver nada, até que não aguentei mas e desmaiei.
- O que aconteceu? Por que isso aconteceu. – Harry parecia mas disposto a escutar.
- Saber o por que do que aconteceu eu realmente não sei. Quando dei por mim, estava deitado numa pedra, dentro de uma caverna. Estava só. Tudo era iluminado por tochas de fogo mágico. Várias imagens antigas pintadas nas paredes, sons de uma cachoeira bem próximo dali. E estava sem minha varinha. Isso me assustou. E me assustei mais ainda com o que vou te mostrar agora.
- Como assim me mostrar?
Sirius então retirou do bolso uma pequena peça de vidro do bolso. Acenou com a varinha e pequena peça se transformou em um recipinte, como uma bacia de vidro.
- Isto é uma pequena penseira, Harry. Sei que já usou a de Alvo. Quero que veja o que vi para que saiba o que realmente aconteceu. – Com isso Sírius retiro a memória com sua varinha e a depositou na penseira.
Harry sentiu-se caindo com da vez que viu a memória de Dumbledore. Percebeu que estava no local em que Sirius falou. A caverna. Sentiu então o chão tremer. Parecia que algo vinha na direção deles. Olhou para Sírius e vir o padrinho realmente assusado. Então viu, vindo em sua direção, um enorme dragão. Ele era o maior que já vira na vida. Então antes de Sirius correr na direção oposta, Harry ouviu o que não poderia ser ouvido, a voz do Dragão.
- Calma meu rapaz! Não estou aqui para devorá-lo! Bem vindo a Avalon, Sírius Black. – disse o dragão fazendo uma saudação com a cabeça.
Sirius agora não sabia o que fazer ou o que falar. Nunca tinha ouvido falar que dragões falavam, e nunca havia visto um dragão daquele tamanho.
- O que foi, assustado comigo, Black? Não pensei que fosse disso. – Desdenhou. – Vamos as apresentações. Pois bem, eu sou Merloc, Sabedoria dos Dragões, o último de minha linhagem. Sou o protetor do anel que você tanto vem buscando. E como você já sabe, está nas terras de Merlin, Avalon. Sei que quer este anel, mas não posso dá-lo a você por não ser o herdeiro de direito dele, e não poderá sair daqui nunca mais, pois você coloca em perigo a ida do herdeiro.
- Como sabe meu nome e como sabe o que estou procurando?
- Simples, meu jovem. Eu sinto a magia que está no interior dos seres mágicos, e com ela eu busco a verdade sobre o que preciso saber. A magia em cada ser mostra quem ele é, o que ele foi e o que pode ser, carrega consigo, como uma memória, tudo o que o ser sente, pensa, fala, vive. Quando se sentiu fraco, era a sua magia que eu estava analisando e com isso eu neutralizei você.
- Então, se sabe o que quero, sabe o por que preciso dele! Tenho que levá-lo a Harry. Ele precisa saber de tudo. Precisa ver que há esperança em destruir Voldemort.
- Sim, há esperança, Sírius, mas Harry precisa de muito mais que esperança pra derrotar Tom Ridle. Ele não será capaz de faz o que precisa, ele irá fraquejar se não for treinado e conduzido pelos caminhos corretos.
- Por que fala isso, não conhece Harry. Ele, ele é muito mais que uma lenda....
- Sim eu o conheço!
- Mas como?
- Ele e eu, como toda a sua família estamos ligados. Merlin fora um grande amigo e me pediu que selasse por sua família. E é o que eu tenho feito.
- O que você fez? Lílian, a mãe de Harry está morta. Ele só tem a mim como parente. Nem sua própria tia o quis por perto. Foi basicamente obrigada por Alvo.
- Está falando de Petúnia? Uma pobre alma que não quis assumir o que realmente é. Que se esconde por medo de ser vista como uma louca, uma esquisita, muito diferente da irmã que, além de bela era uma maravilhosa bruxa. Ela honrou sua descendencia real.
Um silêncio se formou. O dragão se acomodou, mas não retirava os olhos de Sírius. Harry assistia a tudo com um nó na garganta. Tudo parecia loucura. Seu padrinho sentou-se em uma pedra. Olhou paa o anel em seu dedo. Este brilhava intensamente. Sabia que Sírius tinha conseguido o anel e que havia saido de lá. Mas como?
- Tente entender, meu jovem. Acabou. Ele precisa crescer, mas tera que ser sem você. Para ele você e Dumbledore estão mortos e assim devem continuar.
- Por que diz isso! Você devia protegê-lo e vai acabar o matando! Ele precisa de tudo que possa ajudá-lo contra Vodemort. Ele precisa de conselhos e amor, precisa ser treinado e orientado. Não é tão criança quanto pensava mas .....
- Ele não precisa mais de um pai, Sírius, ele precisa se conhecer e para isso precisa de tempo.
- Dê-me o anel, Merloc, por favor!
- Não.
- Eu te suplico, me dê o anel?
- Não o darei.
- Me dê o anel, dragão!
- Você não merece ser o portador do anel, Sírius Black!
- Por que? O que eu não tenho para ser o portador? Me diga!
- Você nunca amou na vida, Sírius. Nunca soube o que é amar até a morte! É o que eu exijo! Amor!
Sírius olhava com ódio para o dragão a sua frente, que o estudava com o olhar. Harry estava surpreso com aquela afirmativa. Como um homem como seu padrinho não poderia ter amado antes na vida? Naquele momento reinava novamente o silêncio. O olhar mortífero de Sírius foi se transformando aos poucos em melancolica.
- Você, meu jovem, é uma pessoa extraordinária, porém seus sentimentos sempre foram confusos. Nunca desejou amar por não ser sentindo esse amor das pessoas mais importantes na sua vida. Seu sentimento de dever sempre foi mais forte do que o de doação, de amor para com outras pessoas.
- Então vai me manter aqui nesse lugar, para sempre, como uma forma de punição e proteção para o Harry.
- Não, mas terá que escolher uma pessoa para protegê-lo. Alguém em quem você confia. E que tenha conhecido o amor.
Sírius começou a pensar. Harry ouvia os pensamentos dele. Sua primeira opção era Remus Lupin, mas ele não sabia que estava vivo. Pensou em Minerva McGonagall, mas não encontrava a certeza em seu coração. Pensou então na pessoa menos provável, mas achou um absurdo.
- Vejo que chegou numa questão interessante! Essa é uma pessoa que conheci por seus feitos antes mesmo de vê-lo pessoalmente. Adoraria conhecê-lo!
Harry não acreditava que seu padrinho estava pensando em um monstro como Severo Snape para ser seu guardião. Isso seria insólito, inimaginável. Entre os dois havia um sentimento de ódio mútuo, onde um gostaria de ver o outro nas piores condições possíveis. Ainda por cima, Snape matára Dumbledore a sangue-frio, a única pessoa que acreditava em sua inocência. Uma pessoa dessas, pensou Harry, jamais amaria ninguém, a não ser ele mesmo.
- Não sei se ele aceitará isso. Não é do feitio dele aceitar ser responsável por alguém, ainda por cima sendo filho de um desafeto seu. Mas, como vou fazer para que ele chegue até aqui?
- A resposta, Jovem Black, é se ele virá?
- Realmente não sei.
- Você confiaria sua vida nas mãos dele?
Sem pestanejar, respondeu: - Sim!
- Então...- Merloc abriu as asas fechando-as a sua frente. Soprou entre as garras, e de lá surgia uma forma humana, era o próprio Snape.
- Que raios infernais me trouxeram aqui! – vociferava. Mas quando olhou atrás de si tomou um dos maiores sustos de sua vida. Tratou de sair de perto do dragão e acabou chocando-se com Sírius a sua frente.
- Como vim parar aqui? E que droga, Black, o que você está fazendo parado aqui na frente deste mostro?
- Mestre Snape, que honra recebê-lo aqui. – Cumprimentou Merloc fazendo a mesma reverência a Snape.
- Mas o que é isso? Que palhaça é essa? E... Por que esse dragão está falando?
Sírius não cabia em si. Estava as gargalhadas, vendo as caras e bocas que Severo fazia.
- Responderei suas questões daqui a pouco Severo, mas tenho que mandar seu colega para o local de onde ele veio. Aí, estarei disposto a responder suas questões, uma a uma.
Harry percebeu que estava perdendo o foco e se distanciando daquele lugar, a memória de seu padrinho havia terminado. Depois de se recuperar, olhou firme para o rosto de seu padrinho. Uma única duvida pairava dentro de si.
- Por que, Sírius? Por que você escolheu Severo Snape? Ele não presta! Não é nosso amigo, muito menos alguém em que se possa confiar. Se você não se lembra ele MATOU, lembra, MATOU Dumbledore na MINHA frente. Ninguém me contou não, eu VI! – A ira de Harry estava no auge. Ele se levantara de onde estava e saiu andando. Não entrava em sua cabeça que até seu padrinho Snape havia enganado.
Sírius saiu atrás de Harry sabendo bem o que seu afilhado estava pensando. Não poderia contar toda a verdade sem esperar uma reação forte dele, afinal de contas, a verdade que Harry conhecia era a realidade daquele dia fatídico. Poucos eram os argumentos. Muitas eram as contradições. Mas tudo tinha que ser dito, doendo ou não, chegara o momento de Harry saber o que ele, Sírius Black, sabia sobre o seu destino, sua vida.
Harry saíra da frente de Black para não ver nele o rosto de Alvo antes de ser morto por Snape. Não tinha muitas esperanças na vida, mas ao ver novamente o padrinho vivo e bem, aquilo havia dado a ele uma dose de confiança, uma felicidade que ele não desejava perder nunca mais. Não queria perder novamente o padrinho, muito menos pelas mãos de Snape. Sentiu que deveria parar. Olhou em volta, mas não via ninguém, somente via o desenho de Sírius andando em sua direção. Sentiu um arrepio descer pelas costas. Como se algo o quisesse deixá-lo em alerta. Sentiu um calor vindo de sua mão direita, percebeu que seu anel estava brilhando.
- Mas, o anel está comigo! Como isso pode ser possível? Snape pegou o anel com o dragão! Como ele foi parar nas minhas mãos?
- Agora você entendeu?
- Como assim? Por que Snape o devolveu? Ele podia ter dado a Voldemort para me destruir de vez! Mas ele está aqui, nas minhas mãos! Eu não entendo. Porque ele fez isso?
- Ele fez isso por que tinha que ser feito, Harry. Snape não é um santo, mas faz o que tem que ser feito sem reclamar.
- Então você sabe onde ele está agora? Você está escondendo ele, não está?
- No momento realmente eu não sei onde ele possa estar, mas sim, eu estive com ele e nós nos ajudamos, juntamente com Alvo, enquanto ele estava vivo. E eu devo minha vida e a sua a ele, naquele dia no Ministério. Ele me tirou do véu rapidamente e ajudou a você não ser dominado totalmente por Voldemort, isso tudo, sem pedir nada e sem se envolver demais.
- Foi ele que salvou você!
- Sim, foi ele. Infelizmente, mas foi.
- E agora vocês dois estão bem amiguinhos, não é mesmo?
- Não, Harry, não estamos amiguinhos. Mas eu o respeito muito mais hoje pela pessoa que ele demonstrou ser, do que antes, quando não queria estar no mesmo local que ele ao mesmo tempo.
- Então é isso! Sou protegido por um assassino, procurado pelo mundo inteiro, e que de quebra, eu odeio.
- É, mais ou menos isso sim!
- E agora, o que eu preciso fazer, mandar uma coruja agradecendo a ele por essa benfeitoria, ou procurá-lo pessoalmente para agradecer? – disse ironizando cada palavra.
- O que você tem que fazer é fazer o que realmente precisa ser feito, que é estudar e se preparar ainda mais, pois a qualquer momento você vai estar frente a frente com aquele monstro e vai precisar de todo conhecimento e força pra derrotá-lo. Agora vamos. Você tem que voltar pra sala comunal e eu preciso ver Remus antes de ir embora.
- Você vai voltar pra me ver?
- Pra te ver eu não sei, mas pra dar uma espiada enquanto você namora a cunhada do lobinho, a isso eu venho ver de camarote!
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Queridos e pacientes leitores, mil e uma desculpas pela looooonnngggaaaa demora do cap. mas deu um bando de pepino e troços aqui e no trabalho que impossibilitou o termino do cap e sua betagem. Por isso fico devendo um cap bem melhor na próxima e mais longo.
estou amando receber os comentários, mesmo que sejam poucos . vejo que sempre tem uns curiosos que não dexam recados mas beleza, o importante é ler!!!!
tentarei postar mas rápido mas não vou prometer que seja a cada semana.
Kika Martins - descupe querida pela demora mas sei que vc naum vai desisteir de mim!!!(convencida eu né) outra coisa, se vc já tá com nó é melhor dá uma respirada que agora tende a piorar, não nesse cap. mas nos seguintes com certeza!!! bjocas
Carla Rosa- oi moçinha, não vai confirmando as coisas não pois pode haver reviravoltas!!!! ou não!!!!que bom que vc tá gostando. Bjocas e obrigadaço pelo acompanhamento, isso é muito importante pra mim!!! xau xau..... |