O cheiro de terra lhe invadiu as narinas. Sua respiração estava tranqüila e absurdamente calma, a dor não existia mais e muito menos o terror de ver as atrocidades que estava cometendo. Harry abriu os olhos, estava estirado no chão em meio a uma floresta. Árvores altas e imponentes estavam erguidas em volta de si, e foi fácil perceber que estava em uma clareira. A calmaria chegava a ser assustadora oque fez o rapaz se levantar precipitadamente. Não tinha neve nenhuma pelo chão e muito menos o sangue de que se lembrava. Olhou para si mesmo e constatou que estava em sua forma humana e completamente nu. As tatuagens de seus protetores não se encontravam em seus punhos. Percorreu o local com os olhos. A natureza parecia imaculada. Uma revoada de pássaros sobrevoou o céu logo acima de sua cabeça, Harry não pode conter o sorriso que se formou em seus lábios. A dedução lhe veio à mente e só haviam duas opções, ou estava morto ou estava prestes a ter um encontro com alguém que não via a alguns anos. Ouviu passos atrás de si.
- Gaia... – suspirou enquanto sentia um aroma floral lhe invadir as narinas, estranhou o perfume, ele não era propriamente de Gaia, mas sim de alguém que o moreno fez questão de afastar da cabeça.
- Vejo que se tornou um homem – a voz imponente da Deusa ecoou por toda a clareira fazendo com que o moreno se arrepiasse – Mas ainda tem esse coração...
- Oque você sabe sobre isso? – uma raiva brotou estranhamente em Harry fazendo-o se virar rapidamente para encarar a Deusa, porém tomou um susto ao vê-la. Era uma copia perfeita de Gina. Exceto o cabelo que estava comprido e cacheado, alem de que não usava as roupas de couro no qual a ruiva abituara-se a usar. Estava com um vestido impecavelmente branco que se arrastava pela terra machando-o nas bordas. Seu corpo escultural se destava num discreto decote. Em uma das mãos se encontra a espada Durandal e na outra sua bainha. A mulher o encarava fixamente enquanto caminhava em sua direção. Harry recuou um passo. Não estava preparado para aquilo.
- Ódio? Medo? – as palavras da Deusa atingiam Harry como se fossem laminas de espadas perfurando seu peito, chegavam a lhe arrancar o ar – É isso oque sente?
O moreno ficou mudo. Sua expressão aos poucos começou a mostrar oque sua mente lhe gritava. Seu cenho aos pouco se franzia até chegar ao ponto de quase deformar seu rosto
- Vamos Harry... – a voz se espalhou pela clareira novamente enquanto a Deusa praticamente deslizava em direção ao moreno. Seu movimento foi tão veloz que Harry nem sequer o acompanhou. Num piscar de olhos estava cara a cara com a figura de Gina. Até mesmo os olhos eram iguais. Estavam a menos de dois dedos de distancia, mas o moreno não conseguia sentir a respiração vinda de Gaia. – Diga oque lhe atormenta.
O moreno pareceu despertar de um transe e se afastou novamente, aquela distancia não era segura.
- Eu fiz oque me pediu! – bradou deixando novamente a raiva apossar-se de si – Porque me procura agora heim?
- Sabe Harry... – a Deusa se abaixou como se fosse sentar, mas antes que perdesse o equilíbrio um trono de raízes brotou do chão e acomodou a Deusa. A mesma cruzou as pernas com descaso e se acomodou melhor em seu recém formado trono – Eu acho que você tem medo.
O moreno riu descrente – Medo? De quem? De você? – seu olhar era provocativo assim como o seu tom de voz
A Deusa sorriu de canto. Encarou fixamente os olhos do rapaz.
- Você acha que me fazendo essas provocações, mudará algo? – Gaia suspirou tranquilamente e fechou os olhos por uns instantes – Você está com medo de matar todos aqueles que você tenta proteger Harry, eu adimiro isso em você, mas eu acho idiotisse...
- CALA A BOCA! CALA A BOCA! – Harry a interrompeu gritando, seus punhos estavam fortemente cerrados e o moreno chegava a ofegar – Oque você sabe sobre proteger alguém? Você deixou seus próprios protegidos morrerem a lote e ainda por cima me fez fazer o trabalho sujo, você não sabe de nada! – o moreno tinha os olhos cerrados e balançava a cabeça compulsivamente de um lado para o outro como se estivesse sendo atacado por uma chuva de memórias nada agradáveis.
- Então é isso? Você me culpa por estar na sua atual situação. – a voz da Deusa se mantinha serena e tranqüila oque irritava ainda mais o moreno – Você está morrendo Harry Potter e nada pode ser feito quanto a isso.
- Eu só queria...
- Tempo. Eu sei. – adiantou-se como se lesse os pensamentos dele – Temo que isso não possa ser lhe concebido Harry, eu já interfiri demais no plano real.
- Eu não quero as suas explicações Deusa. – rugiu o moreno deixando mais uma vez transparecer sua revolta – Isso não ira mudar o fato de que eu estou sem tempo, isso não vai mudar o fato de que eu não terei tempo o suficiente para matá-lo, isso não vai mudar oque eu fiz até agora.
- Você está se martirizando Harry...
- Você não entenderia...
- Oque? Que você não quer mais causar sofrimento aos seus amigos? Que você não quer ser lembrado porque assim tudo será mais fácil para todos? – a Deusa voltou a abrir os olhos e encara-lo, oque fez com que um ligeiro arrepio percorrese a espinha dorsal do abençoado.
- Porque me trouxe aqui? – os punhos de Harry estavam tão cerrados que o moreno tinha a impressão de seria possível quebrar os próprios dedos – PARA QUE ME TROUXE AQUI? PORQUE ESTÁ USANDO ESSA FANTASIA? POR QUE ELA? – gritou mais alto talvez do que queria. Uma nova revoada de pássaros emergio da mata.
- Porque você está prestes a matá-la. – o moreno estacou. Perdeu completamente o fôlego, chegou a piscar algumas vezes tentando em vão sair de uma possível ilusão, uma peça que a deusa poderia estar pregando nele.
- C-Como? – foi a única coisa que o moreno conseguiu perguntar
- Ela se encontra nesse momento prestes a ser morta e pelas suas garras.
O moreno não suportou. Num segundo estava de pé a alguns metros de distancia da Deusa e no outro já estava colado com a Deusa, seu joelho estava entre as pernas da mesma e sua mão lhe apertava fortemente a garganta. Mesmo com a força descomunal que Harry empregava no golpe a deusa sequer esboçava reação ou qualquer indicio de estar sendo sufocada. Harry no entanto estava com a fúria estampada na face, seus olhos brilhavam num vermelho intenso e vivo, suas presas estavam expostas e o cenho deformado, se assemelhava ligeiramente a um lupino
- Se acontecer algo a ela... – nem teve tempo de completar a frase, como se fosse empurrado por uma força invisível o moreno se viu sendo lançado contra uma enorme árvore do outro lado da clareira. O choque foi tão forte que a mesma se partiu ao meio. Não tardou ao sangue subir pela garganta do moreno, que guspiu raivoso enquanto se levantava e encarava a deusa que ainda se mantinha impassível.
- Você é ingênuo mesmo, acha que pode ferir um ser como eu? – agora a voz da deusa tinha um certo asco – Você não é nada comparado a mim pobre homem, nunca será um imortal como eu, nunca será perfeito como eu sou.
- Não importa se você é uma deusa, se algo acontecer a ela eu lhe mato, eu provo que mesmo sendo de outro plano eu posso lhe fazer sangrar!
- Você está morto já Harry Potter e em breve se não aceitar a minha ajuda matará mais um inocente. – A deusa se levantou do trono. Sua imponência era assustadora, certo brilho a cobria da cabeça aos pés, ela exalava perfeição e pureza, era como se tudo que estivesse ao seu redor interagisse consigo a fazendo ser completamente perfeita. Harry enxergava essa imponência mas ainda sim se mantinha encarando fixamente a deusa que agora caminhava em sua direção – Eu não posso fazer muito por você Harry – Agora ela já estava muito próxima ao moreno estirado no chão – Eu não posso interfirir a ponto de te curar – ela se ajoelhou e segurou o moreno pelo queixo, erguendo-lhe a cabeça – mas... – se aproximou mais. Harry podia sentir o perfume de Gina na pele da deusa, conseguia sentir o aroma floral que a ruiva exalava e por um momento devagou na mistura de sentimentos que agora lhe assolavam – eu posso esconder a lua cheia por essa noite... – a deusa o beijou levemente nos lábios oque fez com que o moreno recordasse os tempos de Hogwarts – esse é o meu presente para você em agradecimento, da próxima vez que nos encontrarmos... – a deusa lhe acariciou a face – você estará morto. – o moreno perdeu a conciencia.
*******
Gina caminhava apressadamente pelos corredores do hospital de Nova Londres, o peso da revelação de Hermione martelava a sua cabeça a todo instante, apesar de se sentir feliz pela amiga não podia deixar de pensar que aquele bebê iria nascer em meio a uma guerra. A ruiva parou em uma maquina de café, e enquanto esperava seu copo encher se deixou levar completamente pelos seus desvaneios. A imagem da noite anterior voltou como um filme em sua cabeça, o olhar frio de Harry, os ataques feito pelo mesmo aos seus melhores amigos. Logo essa imagem deu lugar à cena protagonizada pelo moreno em cima do muro que cerca Nova Londres. - Que nível você atingiu Harry? Até que ponto você vai evoluir?- pensou com certa amargura. Notou que o café estava aponto de transbordar o copo, com praticidade desligou a maquina e pegou seu copo agora cheio. O cheiro do liquido escuro invadiu suas narinas e sem se fazer de rogada a ruiva sorveu um gole do café, sentiu queimar a garganta, mas não ligou, na verdade até gostou isso a fazia se lembrar às vezes de que estava viva, que era uma mortal, uma humana e isso entorpecia a sua mente em momentos como esse. Sentia os olhares que algumas enfermeiras e outros médicos e medi-bruxos lançavam as suas costas, sabia que já tinha uma boa fama por essas bandas, apesar de ser conhecida como a mais mortal do grupo da qual pertence, volta e meia passava algumas noites se recuperando nesse mesmo hospital, talvez fosse esse o motivo de conhecê-lo tão bem. Chegou ao salão de entrada do hospital. Lugar aonde na noite passada fora protagonizada uma das cenas que ainda se mantinham vivas em sua memória, a imagem fragilizada de Celine lhe chamou a atenção agora. A ruiva estacou. Sentiu algo queimar no bolso direito de sua calça. Levou a mão ao bolso e sentiu o galeão ardendo em brasa. O copo foi ao chão no mesmo momento em que a porta do hospital se fechava atrás de Gina que corria o mais rápido possível para o local aonde a chave de portal se encontrava.
No quartel general dos Guerreiros da Luz estava a maior correria, por todos os corredores se viam homens e mulheres saindo de seus aposentos e correndo para a sala de armas, outros iam o mais rápido possível para a sala principal da mansão aonde pouco a pouco todos iam se reunindo para esperar as ordens dos gêmeos Weasleys, já que o próprio Rony estava ainda internado no hospital e quando algo do tipo acontecia era sempre os gêmeos que tomavam a liderança do grupo. Todos estavam apreensíveis, munidos até os dentes a grande maioria queria aparatar logo dali para socorrer os amigos em Hogwarts. Já estavam praticamente trinta Guerreiros da Luz reunidos e prontos, a neve caía em abundança lá fora e por conta disto a maioria trajava sobre-tudo e capas. Entre os armamentos estavam pistolas semi-automáticas, fuzis e varinhas. Jorge e Fred estavam aguardando apenas Luna e Gina já que as duas seriam quem comandaria a operação, mas ambas estavam ausentes oque aumentava ainda mais o clima entre os soldados. Quando os gêmeos já estavam prontos para darem a ordem de partir as portas da mansão foram abertas de forma brusca oque assustou a todos. De pé no limiar da porta estava Gina, seus cabelos estavam encharcados e em seu rosto o semblante sério fez alguns terem calafrios
- Um minuto. – foi a única coisa que a ruiva disse antes de subir as pressas as escadas rumo ao seu quarto. Todos estavam completamente calados, ninguém gostava daquele olhar da ruiva, sempre que a mesma a mantinha significava que esta era mais uma missão suicida.
- Ela gosta de chegadas dramáticas não é mesmo? – ironizou Jorge, que felizmente conseguiu aliviar um pouco o clima dentro da mansão, alguns soldados até mesmo sorriram.
Gina subiu as escadas de dois em dois degraus. Em alguns instantes estava de frente para o seu quarto, entrou rapidamente e correu em direção ao seu guarda-roupa, junto a algumas peças de roupas e sobre-tudos estava pendurada pelo coldre sua pistola e algumas munições extras. A ruiva retirou o sobre-tudo que usava e o trocou por outro um que estava seco. Foi recheando os bolsos com cartuchos de munição, por ultimo retirou a varinha do cós da calça e fechou o guarda-roupa com o pé ao mesmo tempo em que se virava em diração a porta, estacou ao se deparar com Luna embaixo do batente. A loira tinha um olhar preocupado e estava completamente molhada, era como se a mesma estivesse lá fora na neve a muitas horas.
- O que você quer? – perguntou rispidamente a ruiva enquanto caminhava em direção a porta
Luna hesitou oque irritou a ruiva
- Vamos diga oque quer? – indagou novamente agora já face a face com a loira. – Tem pessoas correndo perigo, nós não temos a noite toda. Anda logo fale oque quer.
Luna evitou o olhar da ruiva e se pos a fitar o chão ao mesmo tempo em que a sua voz saía num sopro – Não vá Gina, ele está... – mas antes de terminar se sentiu sendo afastada de frente a porta. Gina a empurrou para o lado e transpassou a distancia que antes havia entre elas.
- Não tenho tempo para seus jogos Lovegood – Luna nem teve tempo de impedi-la a ruiva já estava descendo as escadas. Luna apenas lançou um olhar enigmático.
Lá embaixo no salão todos ficaram rijos quando avistaram Gina descer as escadas com pressa. Rapidamente a ruiva se pos ao lado dos irmãos e agora encarava quarenta soldados armados e preparados para morrer se preciso para salvar aqueles que gritavam por socorro.
- A maioria de vocês já deve imaginar qual é a situação – começou Jorge
- Nós ainda mantemos contato com a Armada de Dumbledore – começou Fred em seguida
- E eles nos pediram socorro – terminaram os dois juntos oque fez Gina rolar os olhos entediada.
- Não sabemos qual é a real situação deles, talvez possa ser um ataque de comensais ou até mesmo de vampiros – Gina decidiu tomar logo a frente da operação – portanto é bom que todos estejam com as suas munições de prata, procurem alterar as balas para economizar, balas normais com balas de prata. – todos ouviam atentamente as instruções que a ruiva passava e inclusive alguns começavam agora mesmo a alterar seus cartuchos de munição. Iremos sair daqui em grupos de cinco, cada grupo tem a obrigação de separar alguém para ficar na retaguarda enquanto os outros partem para a linha de frente, infelizmente pelo oque posso notar estamos um tanto quanto desfalcados portanto me façam o favor de voltarem vivos. O primeiro grupo comigo – e agora apontando para os soldados a sua frente a ruiva chamou – Carlos, Dean, Selma e Vick, vocês vêem comigo. O próximo grupo vem em quinze segundos, aparatem em Hogsmead e de lá partam para Hogwarts, mantenham contato atravez dos rádios – e vendo que alguns se movimentaram inquetos – não me interessa se não se acostumaram com esse instrumento trouxa, quem não se achar capaz não venha. O primeiro grupo venha comigo.
Rapidamente a ruiva fez uma conjuração e em sua mão apareceu um walk-tokie com fones, a ruiva o colocou e ajustou ao canal sete, que era o qual ela sempre estava sintonizada. Olhou para trás e viu os dois homens e as duas mulheres que a seguia repitirem o gesto. Demorou-se por uns instantes a observar as meninas, tinham no máximo dezessete anos de idade, e já estavam com aquele olhar, o mesmo olhar que alguém carrega quando se vê forçado a assassinar alguém, quando se vê forçado a lutar numa guerra sem fim e sem esperança.
Abriu as portas da mansão, sentiu o vento frio tocar-lhe a face pálida. Um calafrio percorreu sua espinha, derrepente se sentiu por um segundo insegura e com medo. Institivamente levou a mão ao bolso direito de seu sobre-tudo, sentiu o tão conhecido pergaminho entre os dedos. Fechou os olhos. A imagem de Harry veio a sua mente, e desta vez não veio acompanhado de rancor, ódio ou qualquer outro sentimento do tipo, sentiu o coração apertado, uma palpitação estranha. Sentiu-se completamente triste, como se algo estivesse escapando de suas mãos bem diante de seus olhos. Apertou com mais força o pergaminho e visualizou Hogsmead. Aparatou.
O vento frio lhe tocou a face imediatamente. Estava diante do que um dia fora um prospero povoado. Aquilo que antes fora o abrigo de muitos bruxos que não conseguiam conviver com a idéia de se esconderem, hoje não passava de ruínas. A neve tinha cobrido quase tudo oque restara de Hogsmead. Já não existia mais vida naquele vilarejo, parecia que o cheiro de morte e solidão havia impregnado a região, Gina sabia muito bem o porquê, ela estava presente em uma das inúmeras batalhas que foram travadas naquela região. Muitos dos alunos de Hogwarts morream na época. O primeiro ataque dos Comensais da Morte foi cruel e implacável, quase todos os habitantes de Hogsmead foram mortos durante a noite, por sorte um deles conseguiu mandar patrono para a Ordem, pena que fora tarde demais, quando a Ordem e os Guerreiros da Luz chegaram não encontraram quem salvar, apenas Comensais sádicos e loucos por sangue. A batalha foi terrível e marcada por inúmeras perdas de ambos os lados, naquela noite a Ordem e os Guerreiros da Luz foram obrigados a recurarem. Foi a pior batalha que enfrentaram, e a pior derrota também.
Estava na avenida principal, perto da antiga loja de doces Dedosdemel. Gina deu uma olhada periférica pela região novamente. Carlos e Vick estavam ambos no que restara do telhado do Três Vassouras, Selma estava alguns metros a sua frente, também na avenida principal e Dean acabava de sair de dentro de uma antiga e já ruída casa. Sinalizou para que seguissem em direção a Hogwarts. Viu todos tirarem algo minúsculo de seus bolsos, e logo em seguida sacarem suas varinhas. Todos como em um ritual fizeram com que o objeto minúsculo em suas mãos desse, forma a uma vassoura. Gina assim como os outros repetiu o gesto e em instantes estava com sua vassoura na mão. Não demorou nada para que outros Guerreiros da Luz começassem a aparatar pelas ruas do que fora Hogsmead. Gina foi a primeira a alçar vôo, sua Firebolt negra cortou os céus rápidamente. Olhou de canto e pode constatar que era seguida pelos os outros Guerreiros da Luz, voltou o olhar em direção a Hogwarts, e sem perceber passou lentamente os dedos sobre o discreto contorno que formavam as iniciais H.P na vassoura. Não sabia o porquê, mas algo lhe dizia que a noite seria trágica. Foi nesse momento, em que olhava para as torres altas do castelo em que ouviu aquele som que fez com que calafrio lhe percorrese a espinha dorsal. Um uivo. Uma sentença de morte. Olhou para a lua que estava completamente cheia e brilhante, podia jurar que estava com um certo tom rubro. Outro uivo foi ouvido e desta vez o medo tomou conta de muitos dos soldados que acompanhava Gina, todos sabiam que enfrentrar um lobsomen adulto não era tarefa fácil mesmo para eles, e ainda mais com os últimos rumores. Gina percebeu a inquetação dos soldados e voltou seu olhar para eles, podia ver o medo estampado na face de muitos deles.
- Vamos! – bradou alto chamando a atenção de todos – Vocês já enfrentaram coisa pior. Concentrem-se!
Alguns soldados se mostraram um pouco mais confiantes com a coragem da ruiva, outros se mostraram desacreditados, mas a verdade é que todos sentiam a morte de perto, era como se todos soubessem que estavam voando para a morte mas ninguém queria desencorajar o próximo e esse era o combustível dos Guerreiros da Luz, era a certeza de que um chamado de socorro seria atendido não importando se fosse uma missão suicida como essa, o que importava para eles era que eles estariam lá para lutar em nome daqueles que não podem combater o mal com as armas e forças que eles tinham. O lema dos Guerreiros da Luz era – Não pergunte se somos capazes, dê-nos a missão.
- Agora! – gritou novamente a ruiva tirando todos de suas próprias trevas – Dispersar. – ordenou e no instante seguinte todos rumaram para lados dispersos. Somente Gina e seus quatro voluntários continuaram seguindo em linha reta. Era assim que a ruiva gostava de trabalhar, ela era a isca, ela era a primeira a atirar e a ultima a deixar o lugar aonde o confronto tem seu desfeixe. E desta vez não seria diferente, ela estava na frente, ao seu lado direito estava Selma – uma jovem loira com olhar quase tão decidido quanto o de Gina – e a sua esquerda estava Dean – o mais velho do grupo. Era forte e muito bom na luta corporal, usava os cabelos raspados que realsavam sua pele clara – logo atrás estava Carlos – outro jovem, conhecido por usar feitiços poderosos e devastadores – e por ultimo estava Vick que se encontrava oculta por um feitiço ilusório – Vick era uma medi-bruxa de dezessete anos, oque chama a atenção de muitos já que sua inteligência é equiparada com a de Hermione – A formação estava completa e pronta para a batalha, os uivos ainda assombravam-lhe a mente, mas quando estavam em meio a uma missão como essa era essencial para eles manterem o foco e era isso que eles faziam ou pelo menos tentavam. Cada um ao seu modo. Já conseguiam havistar cada vez mais próximo os belíssimos portões de Hogwarts. Faltava pouco.
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Tonks estava sentada nos degrais que davam acesso a cozinha d’Toca. Seus cabelos refletiam seu sentimento, estavam cinza, opacos, sem aquele tradicional brilho e singularidade. Tinha o olhar perdido, e estava completamente inerte em pensamentos. Lupin havia deixado-na Toca ha algumas horas. Por mais que tivesse tomado sua poção ele nunca confiara completamente na mesma, por isso durante todas as noites de lua cheia ele a deixava e rumava para uma floresta qualquer para que sua forma animalesca pudesse ficar em paz e não criar conflitos com sua conciência. Não sabia o porquê, mas desta vez o seu coração estava inquieto, não era apenas zelo pelo marido, desta vez ela sentia que algo de ruim estava para acontecer, não sabia como e nem onde, mas alguém corria perigo e a todo custo a metemórfoga afastava a idéia de ser o seu marido que estivesse em perigo.
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Os antes belos campos de Hogwarts agoram davam lugar a um palco de horror. A neve que deveria estar imaculadamente branca se encontrava manchada por sangue inocente. A fera não escolhia suas vitimas, ela apenas as matavas e passava para a próxima e assim o ciclo vicioso estava completo. Em poucos minutos quase todos os remanescentes do castelo já se encontravam inertes com a morte estampada em seus olhos. Corpos dilacerados, membros espalhados pelo solo e sangue muito sangue. Eram as únicas coisas que se encontravam ainda pelos campos de Hogwarts. A porta do castelo também havia sido rompida e os pouquíssimos que ainda se encontravam dentro dele tentaram se esconder a todo custo. Em vão. A fera conseguia farejar o cheiro de medo no ar, e um a um eles foram encontrados. Um a um teve a sua carne dilacerada. Um a um derramou seu sangue inocente pelo castelo e espalharam seus berros de dor e desespero pelos corredores da velha Hogwarts. O castelo já não tinha mais a sua magia, já não tinha mais vida, já não tinha mais esperança. Para aquelas velhas paredes só restaram terror e medo.
Os Guerreiros da Luz pouco a pouco foram pousando sobre os terrenos de Hogwarts. Todos atentos e com medo, o cenário não era nada agradável aos olhos, mesmo para aqueles que já estavam lutando nessa guerra desde o seu inicio a cena era repugnante. Crianças. Estudantes. Sonhos. Tudo estava perdido agora. O terror tomou conta de alguns deles. Varinhas em punho e alguns já sacavam suas armas de fogo. Conforme adentravam mais pelos domínios da antes imponente escola, o ódio crescia cada vez mais dentro do coração daqueles guerreiros.
Gina pousara perto do local aonde o um busto em homenagem ao Harry fora erguido. Demorou alguns minutos observando de canto o mesmo decapitado. Uma suspeita se levantou em sua mente, mas antes que tirasse alguma conclusão mais um uivo foi ouvido por ela e seus companheiros. Imediatamente se virou para a direção de onde o uivo viera. As portas do grande castelo. Sinalizou para que Selma e Dean avançassem em direção a enorme porta do castelo. No momento em que deu o primeiro passo em direção ao castelo a ruiva tropeçou em algo. Quando recuperou o equilíbrio, praguejando baixinho, reparou que um corpo estava oculto pela neve. Com um rápido floreio de varinha a neve fora retirada, revelando a imagem do corpo de Claudio partido em dois. A ruiva deu dois passos para trás. Reconhecia aquele garoto. Era um membro da nova Armada de Dumbledore. Na verdade conhecia bem aquele garoto, muitas vezes ele a irritara por fazer inúmeras perguntas a respeito do Harry. Lembrou-se que o menino nutria uma espécie de adoração ao mesmo.
- Gina! – Selma chamou sua atenção, a moça estava com um fuzil m16 em mãos e mantinha o olhar em direção as portas do castelo – Dean está dizendo que captou algum movimento lá dentro, podem ser sobreviventes. Podemos?
A ruiva olhou do cadáver a sua frente para a jovem soldado. Deixou seu olhar cair sobre a lua cheia no céu - Não é fácil controlar os nossos instintos primitivos quando estamos na forma lupina - subitamente as palavras de Celine invadiram-lhe os pensamentos. Fazia sentido. - “as chances dele sucumbir para o lado das trevas são grandes” - Tudo clareou. O ódio voltou a invadir seu coração e seus olhos estavam injetados de sangue. A raiva foi tão incontrolável que a ruiva acabou fazendo com que a neve ao seu redor se dissipasse. – ESQUEÇAM! - gritou assustando seus companheiros – Não têm sobreviventes lá dentro e muito menos aqui fora. – olhares indignados foram lançados a ruiva imediatamente em resposta – Estamos lutando contra um Garra de Prata. Atenção redobrada. – e agora levando a mão ao botão de ativação de voz dos walk-tokies – Atenção! Estamos prestes a lutar contra um Garra de Prata. Não façam especulações, se o virem... – a ruiva parou por um momento. Respirou fundo.
- Se o virem...? – repetiu uma voz no comunicador
- Atirem a vontade. Matem esse desgraçado! – disse por vez enquanto sacava a sua pistola. – Para dentro do castelo.
Selma e Dean tomaram a diantera. Gina ia logo atrás juntamente com Carlos, cuidando da retaguarda. A ruiva apertava fortemente a coronha de sua pistola enquanto bailava o olhar por toda a região. Qualquer movimento não passaria despercebido. Vick a ultima integrante do grupo estava sobrevoando a alguns metros de altura ainda protegida pelo feitiço desilusório. Todos estavam apreensivos. Todos tinham perguntas, mas ninguém ousava se pronunciar. Os Garras de Prata não estão do nosso lado? Oque é um Garra de Prata? Será que todos estão realmente mortos?
Todos os soldados se reagruparam na porta do castelo. Olhavam atentamente para dentro tentando em vão notar alguma movimentação. Estava completamente escuro lá dentro e eles mal seriam capazes de enxergar um palmo a frente deles. Gina tomou a dianteira e foi a primeira a entrar no castelo. Estava de frente ao Salão Principal. Conseguia sentir o cheiro de morte no ar. Subitamente o salão foi completamente iluminado. Alguem havia conjurado um feitiço atrás de si e agora uma enorme bola de luz flutuava próximo ao teto que antes era completamente estrelado.
- Quero que se se espalhem. – ordenou a ruiva sem olhar para os soldados a suas costas – Subam em equipes mistas até o sexto andar.
- Ginevra – chamou Selma – Porque o sétimo andar está sendo ignorado?
- Porque nós é que vamos para lá. – setenciou a ruiva já se pondo a correr em direção as escadas.
O barulho de botas e portas sendo arrebentadas se espalhou por todo o castelo. Andar por andar os soldados iam checando cada sala, e por onde passavam só encontravam morte e destruição. Nem sequer uma alma viva dentro do castelo.
Não demorou muito Gina e seus companheiros estavam no saguão do sétimo andar. Um cheiro fétido estava espalhado pelo recinto. Dois corpos irreconhecíveis estavam jogados cada um em uma extremidade do saguão. As janelas estavam quebradas e alguns móveis antigos como cadeiras, mesas e estantes estavam completamente destruídos.
- Estão sentindo esse cheiro? – perguntou Carlos, que estava mais atrás checando um dos corpos – Droga! Eles nem tiveram a chance de se defen...
- Calado! – disse Gina enquanto o encarava de lado – Ele ainda está aqui. – a ruiva engatilhou a pistola – Eu verifico a casa da Grifinória, o resto de vocês se espalhem pelo andar. Se vocês virem algo não pensem duas vezes... Atirem.
Cada um engatilhou sua respectiva arma e se direcionou para uma extremidade do saguão. Em pouquíssimos instantes nenhum mas avistava o outro. Gina se demorou um pouco mais. Queria na verdade todos fora do seu caminho, ela sabia, ou pelo menos tinha uma intuição de que Harry estava dentro da casa da Grifinória.
- Lumus! – e da ponta de sua varinha um feixe de luz se formou – Vamos lá, agora sou eu e você Potter.
A ruiva atravessava o saguão lentamente. Seus passos não emitiam nem sequer um ruído, parecia até mesmo que as suas botas não entravam em atrito com o solo. Silenciosamente a ruiva se aproximava da entrada de sua antiga casa. O retrato da Mulher-Gorda estava completamente destruído e jogado pelo chão manchado de sangue. O buraco que dava entrada a casa estava um pouco deformado e também manchado de sangue nas bordas. Gina parou um instante para analisar. Estava bem no limiar da entrada. Percebeu que pisava em uma enorme poça de sangue, a quantidade era completamente descomunal para qualquer ser humano ferido, sem contar que o sanguem era um pouco mais grosso que o normal, era como se já estivesse coagulado a muito tempo. Abaixou-se um instante para visualisar melhor a poça e a entrada. Iluminou bem as bordas da entrada, não havia sinão de ricochete de feitiço, muito menos qualquer corpo por perto. Um barulho foi-se ouvido vindo de dentro da sala comunal da Grifinória. A ruiva se levantou rapidamente e se colocou em posição de guarda. Esperou por um ataque que não veio. Passado alguns minutos de apreensão Gina deu o primeiro passo em direção à sala comunal.
Assim que adentrou ao salão comunal a moça iluminou o recinto com sua varinha. Apontou para todos os lados e viu diante de seus olhos todo o cômodo destruído. A laleira estava apagada, os sofás já não mais existiam e muito menos as poltronas e mesas. Tudo agora era entulho. Conforme a ruiva ia iluminando o lugar, sombras mórbidas se formavam nas paredes e no teto do local. Vendo que nada por ali se movia, decidiu adentrar mais ainda o lugar. Olhou para as escadas que davam acesso aos dormitórios. Um flash passou por sua cabeça, a moça lembrou-se do dia em que se encontrou com Harry nesse mesmo lugar e conversaram um pouco durante a noite. Tudo estava meio confuso, mas a ruiva conseguia se lembrar bem de ver o moreno escrever no vácuo uma mensagem a ela.
Tratou de afastar aqueles pensamentos da cabeça. Não demorou muito a ouvir outro barulho vindo desta vez do andar de cima, mas precisamente vindo dos antigos dormirtórios masculinos. Respirou fundo e começou a subir as escadas que por sinal estavam completamente deformadas. Depois da difícil tarefa a ruiva se viu em um corredor. Havia três corpos jogados ao chão. Estavam completamente estraçalhados, o estado deles era tão ruim que a ruiva mal sabia dizer se eram meninos ou meninas, nem sabia dizer se eram adultos ou adolescentes. O cheiro fétido estava mais forte naquele lugar. As portas dos dormitórios estavam completamente destruídas e ambas as paredes do corredor tinham enormes manchas de sangue. O chão estava ensopado daquele liquido escalarte. A sorte era que a ruiva já estava acostumada com atrocidades, talvez se fosse qualquer outro esta pessoa estaria agora em choque. As visseras estavam espalhadas pelo solo manchado, e o liquido brilhava com o reflexo de luz vindo da varinha da ruiva. O ódio novamente brotou nos olhos da moça. Enquanto caminhava lentamente pelo corredor a ruiva só conseguia pensar na raiva que sentia naquele momento. Vasculhou dormitório por dormitório. Nada encontrou. Só restava um, e na verdade era o quarto que ela suspeitava. Aquele ultimo quarto no final do corredor. O quarto que pertencera a Harry. A ruiva podia sentir o odor forte de animal vindo daquele quarto escuro. A porta assim como as outras estava completamente destruída. O quarto estava imerso a trevas, a escuridão era tanta que a moça hesitou por um momento. Talvez não fosse uma boa idéia. Sentiu medo ao observar aquela escuridão. Sentia a presença de algo naquele quarto.
- Gina! Não achamos nada. - o som vindo do walkie-tokie se espalhou pelo corredor. A ruiva ainda teve tempo de praguejar baixinho antes de ver então diante de si um par de olhos vermelhos em meio aquela escuridão. A ruiva recuou um passo. Sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha. Sabia que a fera iria saltar das sombras e lhe atacar. Sua mente processou rapidamente uma série de feitiços que poderia usar para se defender, mas aquele olhar estava lhe congelando. Sentia a suas pernas tremerem diantes daqueles olhos sedentos de sangue. Nem mil vampiros poderiam demonstrar tamanha sede. Somente o som da respiração de ambos podia ser ouvido no local. A fera respirava descompassadamente e Gina também, o fôlego parecia faltar para ambos. Nenhum, fera e mulher, ousavam se adiantar. Estavam se estudando. Um primeiro encontro. Uma batalha eminente. Gina ensaiou um passo a frente. A fera, como se fosse uma imagem refletida num espelho, também adiantou um passo, emergindo a cabeça das sombras. Sua face animalesca foi iluminada pela varinha da ruiva. Gina prendeu a respiração por um momento. Os olhos vermelhos estavam da mesma cor do sangue que pingava da boca da fera a sua frente. Os pelos negros também estavam ensopados daquele liquido, suas presas, todas de prata, estavam reluzindo o sangue ainda quente que escorria lentamente por sua boca. A fera deu mais um passo em direção a luz que era emitida pela varinha da ruiva. A cabeça levemente se inclinou, ambos lançaram um olhar de reconhecimento um para o outro. Derrepente o ódio havia ido embora juntamente com o medo. Gina não sentia mais medo daqueles olhos, eles a reconheciam. O olhar apesar de sombrio parecia com um pedido de perdão. A ruiva abaixou lentamente a arma só ficando apenas com a varinha erguida. A fera deu mais um passo, estava agora a apenas quinze metros de distancia um do outro. A ruiva adiantou-se também reduzindo aquela distancia. Sua mente estava em completo topor, não conseguia raciocinar direito. Estava diante do ser mais mortal do planeta e caminhava em sua direção com uma tranqüilidade assustadora. Quando estava a apenas sete metros de distancia sentiu um ligeiro vento passar por sua orelha, seguido de um estouro. Viu a fera receber o tiro na altura do ombro. Ela imediatamente se recolheu novamente para as sombras e uivou. – Droga! – foi só oque teve tempo de dizer. No instante seguinte a fera emergiu velozmente das sombras em sua direção. Agindo de forma rápida e ágil a ruiva bateu a perna direita no chão de madeira e saltou acobraciando por cima da fera que passou direto por ela. Ainda no ar enquanto terminava o salto mortal teve tempo de ver o imenso lobsomem separar o corpo de Carlos em duas metades, e antes que a parte de cima de seu corpo caísse no chão, a fera mordeu a cabeça do homem, já morto, estraçalhando-a.
Gina tocou o solo no momento exato em que o lobsomem, agora com ódio no olhar, virava para a sua direção. Nem ousou tentar levantar a arma para a fera, sabia que naquele momento o melhor a fazer era fugir. Virou-se rápido em direção ao quarto. Podia sentir que a fera galopava em sua direção, conseguia sentir até mesmo o bafo quente misturado com o odor de sangue vindo da boca da fera atrás de si. O quarto foi iluminado pela luz de sua varinha e a ruiva rapidamente localizou uma janela na outra extremidade do quarto. Sem pensar duas vezes saltou na direção. Nem sequer cogitou a idéia de que estava a mais de trinta metros de altura. Sentiu os vidros da janela corta-lhe o rosto no momento exato em que cruzava a barreira de vidro. Quando já se encontrava fora do quarto sentiu o vento frio da noite lhe percorrer o corpo. Seu sobretudo esvoaçava ao sabor do vento e agora da queda livre. Mas a sensação de bem estar não durou nem um segundo sequer. Viu com o terror estampado na face, a fera saltar pela mesma janela que ela, levando junto a si pedaços de ambos os lados da parede. O corpo gigante do lobsomem iria se chocar com o de Gina em instantes. Foi quando algo clareou na mente da ruiva. Levou rapidamente a mão no bolso ao mesmo tempo em que a fera estirava o braço musculoso. Foi como se o tempo tivesse parado naquele instante. Ambos se encaravam. Mulher e fera. Os cabelos de Gina esvoaçavam ao sabor do vento levando junto com eles o sangue que vertia do corte em seu rosto. A fera ia de encontro contra o corpo pequeno da moça. Suas garras brilhavam com a luz do luar. Apenas um metro separava ambos. A fera desceu a garra de encontro ao corpo da ruiva. O sangue manchou sua face. Suas garras encontraram-se com a pele alva de Gina. Facilmente rasgou-lhe a vestimenta e sua carne. A ruiva gritou de dor. Mas no instante seguinte estava alçando vôo. Estava montada em sua vassoura e voava rápido em direção as poucas nuvens existentes no céu. Sentia a neve molhando o seu rosto e o frio quase congelar suas mãos. Levou o a mão direita na altura do ombro esquerdo, sentiu os extensos cortes e o seu próprio sangue. Soltou um gemido de dor e sentiu a visão ficar embassada. Sabia que não conseguiria continuar voando naquela altitude e muito menos naquela velocidade. Tinha urgência em curar o ferimento, precisava estancar o sangramento o mais rápido possível. Sentiu-se tonta. Seu braço lentamente ia perdendo a força. A ruiva deu uma guinada para baixo e colocou-se a cortar o vento em direção ao solo. Avistava de longe uma floresta, não sabia se era ainda a Floresta Proibida de Hogwarts, mas não havia outro lugar possível pelo menos não que ela pudesse ver na condições em que se encontrava. Estava agora sobrevoando a floresta, seus pés chegavam a bater de leve na copa das arvores que sobrevoava. Achou uma clareira a uns cem metros a frente. –Vamos garota idiota, agüente mais um pouco – disse para si mesmo, buscando um pouco de coragem. Quando achou que tudo daria certo, que conseguiria estancar o sangramento, a ruiva ouviu um uivo atrás de si. Virou a cabeça na direção e viu saltando em meio as arvores a fera sedenta atrás de si. A cada salto o lobsomem chegava a arrancar lascas das enormes arvores daquela floresta. Gina sabia que não agüentaria manter aquela velocidade por muito tempo. Já sentia as mãos congelarem sob as luvas de couro. Estava agora a apenas vinte metros da clareira. Não lhe restava mas alternativas, ou pousava ou iria cair de qualquer maneira. Com um ultimo esforço a ruiva subiu alguns metros e então saltou da vassoura completando um salto mortal. Torceu naquele instante para que estivesse fora dos terrenos de Hogwarts, afinal dentro de seus domínios não era possível aparatar. Mentalizou o chão logo abaixo de si e desaparatou. Assim que seus pés tocaram o chão a ruiva girou sobre os calcanhares apontando a arma na direção da onde vinha a fera. Fez mira no exato momento em que o lobsomem saltava de uma arvore e invadia a clareira. Um. Dois. Três disparos. O som ecoou pela mata junto com um baque surdo.
O sangue novamente estava subjulgando a imensidão branca daquela neve. O frio e o calor se degladiando, um tentando sobrepor o outro. Um desonrando o outro. Sangue e neve. Um encontro de dois corações feridos. Duas feridas abertas que nunca seriam cicatrizadas. E naquele momento a neve caia devagar, e o sangue se espalhava rápido. Um momento, que paira e dura, muito mais que um momento, muito mais que um encontro. Sangue e neve. Cicatrizes. Dores. Dois corpos jogados ao chão. Duas respirações entrecortadas. Ambos os gemidos se combinavam naquele silêncio imenso. Ambos os liquidos escalartes se encontrando e sendo selados pela neve imaculada que caia lentamento do céu, junto com o vento frio da noite. Um encontro banhado pela luz daquela lua cheia. Sangue e neve. Banhados pelo brilho prateado daquela lua. Sob o lamento de todos os inocentes que foram mortos naquela noite. Sob o choro das crianças que guardaram seus gritos no interior de seus corações feridos. Sob o lamento dos bravos. Sob as mentiras ocultadas pelos seus próprios fantasmas. Os deuses choravam vendo ambos os corpos jogados ao chão. Ambos sangrando. Ambos participando daquele contrato banhado por sangue. Um contrato de morte. Um contrato de ódio. Os deuses choravam por todos aqueles que deixaram de acreditar na imensidão daquele amor. Mas um dentre eles sorria. Um dentre eles não deixou de acreditar. Um daqueles seres imortais sabia que aquele não era o desfeixe final. Alguém ainda naquele imenso universo ainda acreditava. Ainda tinha fé. E esse ser imortal sorria. Sabia que muita coisa ainda estava por vir.
Gina respirou fundo, como quem estava se afogando e derrepente sobe a superfice e encontra o precioso oxigênio. Sentia uma enorme pressão sobre o seu peito. Pode constatar que a fera estava caída bem ao seu lado. E o seu braço direito estava bem em cima de seu peito, lhe causando aquela dificuldade de respirar. Olhou para a fera. Sua respiração era lenta e a cada segundo a ruiva sentia o odor forte de sangue vindo daquele imenso lobsomem. Seus olhos estavam semicerrados. E diferente daquela vez, eles estavam verdes. Um tom quase esmeralda. Olhou para eles e eles o encaram de volta. Pareciam sofridos, e lançavam a ruiva um pedido mudo de desculpa. A ruiva olhou para si mesmo tentando se lembrar dos instantes passados. Por algum milagre o ataque da fera havia sido desviado de seu peito, na verdade a ruiva teve a impressão de que no exato momento do ataque os olhos da fera já não estavam vermelhos. Encarou novamente os olhos do lobsomem. Estavam quase fechados. Com muito esforço conseguiu tirar o braço monstruoso de cima de si. Rolou de lado duas vezes se afastando daquele monstro. Olhou para o rastro de sangue que deixou na neve e sentiu um calafrio. Sua visão estava meio turva e a tontura estava quase dominando por completo o seu corpo. Com muito esforço se colocou de joelhos levanto a mão para o ombro ferido. Deu uma olhada ao redor. Não encontrou nada a não ser as árvores ao redor de si que já estavam completamente cobertas pela neve. O sangue manchava lentamente a sua própria roupa e suas mãos já estavam da mesma cor que seus cabelos. Com certa dificuldade encontrou seu revolver caído justamente ao lado da fera. Tateou o sobre-tudo atrás de sua varinha. Não achou. – Droga! –praguejou baixinho enquanto tossia um pouco. Sentia que o ar cada vez mais estava lhe faltando nos pulmões. Sabia que se não desse um jeito de estancar aquele ferimento, dentro de alguns minutos estaria morta. Olhou para os cortes em seu ombro. Eles pegaram de raspão a ruiva tinha certeza, eles eram profundos, mas nada equiparado com o golpe que Carlos havia recebido. Observou que a fera se mecheu inquieta. Ela também parecia sem forças. Tinha certeza que havia atingido o coração daquele monstro. Vendo-o ali naquela situação a pena até poderia passar por sua cabeça, mas aquele monstro já não era mais o Harry. Gina sabia disto, por mais que aqueles olhos verdes lhe diziam o contrario. Tinha de acabar logo com aquilo. Sentiu o coração ficar apertado. Viu a fera se mecher novamente, agora como se estivesse se esforçando para se levantar. Gina sentiu medo. Sabia que em sua atual condição não teria nenhuma chance com aquele mosntro. Ergueu o braço direito em direção ao seu revolver. Sabia que das duas uma, ou ela conseguia fazer aquilo, coisa que lhe roubava muita energia, ou iria acabar perecendo nas garras daquele lobsomem. Concentrou-se. Rezou para que não perdesse a conciência. – Accio revolver – bradou ao mesmo tempo em que abria os olhos. Viu sua arma voando em sua direção ao mesmo tempo em que a fera se colocava de quatro lentamente. Sentiu o peso desproporcional do revolver, ao mesmo tempo em que perdia completamente o fôlego. Era a ultima chance. A fera já estava se virando em sua direção. Os olhos já não estavam mais verdes. Estavam completamente vermelhos. Pode ver os buracos recém abertos no peito do lobsomem. Ele a encarava agora escancarando as presas de prata. Gina tentou fazer mira. Mas sua mão a traia. Elas juntamente com a sua visão embaçada não ficavam no rumo da fera. A ruiva se concentrava ao máximo para manter o foco. A fera caminhava em sua direção. Os pesos de suas patas gigantescas afundavam a neve ao mesmo tempo em que seu sangue a manchava ainda mais. Gina estava com a visão completamente embaçada a esse momento. Ela fechou o olho esquerdo para ver se conseguia focar a fera, mas fora inútil. Tudo estava ficando escuro e ela já não agüentava mais o peso de seu revolver. Iria morrer, sabia disso. O revolver escorregou lentamente de suas mãos. Fechou os olhos. A imagem de Harry sentado no telhado d’Toca a alguns anos atrás, lhe veio a mente. Sorriu levemente. Por mas que tentasse. Não conseguiria fazer isso. Esperou pelo golpe mortal. Queria olhar em seus olhos no momento final, mesmo que fosse apenas os olhos daquela fera que o dominava. Abriu os olhos. O lobsomem estava bem diante de si. Mesmo na posição quadrúpede e a ruiva estando de joelhos a diferencia de tamanho ainda continuava imensa. Viu a fera erguer uma das patas. Suas garras brilharam com a luz da lua. Os olhos vermelhos estavam cerrados. A ruiva podia sentir o cheiro de sua própria morte vindo daquele monstro. Abaixou o olhar. A cena do hospital lhe voltou à mente. O olhar frio que pairava sobre a face do moreno. Aquela sombra de trevas que o envolvia. Aquelas palavras frias e atitudes do mesmo porte. A dor que ele estava causando. A forma de agir. O ultimado que dera para os amigos. O moreno lhes virando as costas. Harry nunca fazia isso. Ele nunca fazia nada sem um motivo. Sua estúpida mania de herói. Seu protecionismo exagerado. Ele lhe dera as costas, mas olhou por uma ultima vez antes de sumir. Uma lágrima. Agora estava claro. Ele realmente chorava. Harry nunca chorava. Mas aquilo era uma lagrima. Uma despidida. Um pedido. Lembrou-se de Celine dizer que ele estava doente. Então era isso. Tudo clareou na mente da ruiva. O desespero de Luna há algumas horas atrás. Era isso. Era uma despidida. Um pedido de ódio. A ruiva conseguiu enxergar através de seu próprio ódio. Ele estava fazendo isso de propósito, para que todos o odiassem e assim sua falta não seria sentida, afinal quem sente falta de um assassino?!
- Diga as palavras Gina... – a ruiva ouviu alguém sussurar em seu ouvido. Uma voz doce e melodiosa. Um voz que veio de todas as direções – Apenas diga as palavras Gina... – novamente a ruiva ouviu aquela voz. Olhou ao redor. Viu um vulto passar entre as árvores. Alguém usando um vestido tão branco como a neve. Olhou novamente para a fera diante de si e tomou talvez o maior susto de sua vida. Ele estava completamente parado. A ruiva parou para analisar ao redor de si. Tudo estava parado, como se alguém ouvesse parado o tempo. Percebeu que não sentia mais dor e sua visão não estava mais turva. Tentou se levantar e se surpreendeu com a facilidade que teve em fazer tal ação. Mas assustou-se em seguida ao ver que seu corpo ficara no mesmo lugar e na mesma posição. Olhou para si mesma. Estava exatamente como a outra Gina. Estava praticamente banhada em sangue, aliais a sua ferida estava lá, mas o sangue já não mais caia. Era como se o sangue também ouvesse sido paralisado. Andou pela clareira observando tudo como uma espectadora. Viu-se ajoelhada diante daquele imenso lobsomem. Era uma cena assustadora.
- Você é capaz Gina? – novamente aquela voz. A ruiva se virou rapidamente tentando flagrar a dona da voz, aliais agora que fora reparar que a voz era feminina.
- Quem está ai?
- Você está agora em solo sagrado Ginevra... – ao ouvir isso a ruiva se viu em um lugar completamente diferente. Estava em uma clareira também, mas desta vez a mesma não estava coberta de neve e sangue. Seus pés tocavam o solo de terra negra. O cheiro de chuva invadiu as narinas da mulher. A ruiva ergueu o olhar para o céu e se deparou com densas nuvens de chuva. Sentiu que iria chover e por algum motivo gostou da idéia, aquele cheiro característico de certa forma lhe trazia boas memórias. Percebeu que estava descalça. Estava com as mesmas roupas, porém descalça. Seus pés gelados tocavam aquele solo manchando seus dedos. Não demorou e a chuva começou a cair. A ruiva ergueu o olhar novamente fechando os olhos. Apenas sentia aquela água fria reconfortar seu corpo. Sentia como se as suas forças fossem recobradas. Sentia na verdade poder em cada célula de seu corpo. Era como se exalasse poder por seus poros. Sentia-se extremamente forte e capaz. Poderia fazer qualquer coisa.
- Consegue sentir isso? – a ruiva foi desperta daquela sensação.
- Quem está aí? – perguntou novamente enquanto olhava ao redor
- Você está prestes a conhecer um ser imortal, deveria ser um pouco menos rude – a voz vinha de todos os lados
- Matei inúmeros seres imortais – falou com escárnio – Sabe, vampiros tem essa mania.
A ruiva ouviu uma risada. Nada escandaloso, mas ainda uma risada.
- Vejo que você tem o espírito de uma guerreira...
- Vejo que você tem o espírito de um covarde – respondeu antes mesmo da voz desconhecida concluir – Porque não se revela.
No mesmo instante a ruiva viu uma mulher extremamente linda saindo de trás de uma arvore. A ruiva se surpreendeu, aquela mulher exalava tanto poder que ela seria capaz de detectar a sua presença a quilômetros de distancia, mas nem mesmo suspeitou que a mulher estivesse ali a uns cinco metros de si.
A mulher trajava um vestido branco que ia até seus pés, que também estavam descalços. Incrivelmente a ruiva reparou que seu vestido não se manchava com o solo lamacento. Reparando bem parecia que as gotas de chuva nem sequer chegava a tocar a sua pele.
- Sei oque está se perguntando – sua voz vinha de todas as direções mas a sua boca nem ao menos se mechia. Seus lábios finos e completamente perfeitos nem sequer se movimentava – o porquê das gotas desta chuva não tocarem o meu corpo correto?
- Saia da minha mente – se tinha algo que irritava a ruiva, era que alguém entrasse em sua mente.
- Não preciso usar dos artifícios bruxos para saber oque se passa dentro da sua cabeça Ginevra. – a mulher loira caminhava lentamente em sua direção. A ruiva chegou a dar um passo para trás. A imponência daquela mulher era assustadora, e por mais que prometera a si mesmo não ser intimidada por ninguém, a ruiva estava se acuando perante aqueles olhos cor de âmbar.
- Eu não sou um ser qualquer como você Gina. Eu sou um ser imortal. Você está diante da Deusa que criou tudo oque está a sua volta. Você está diante do ser que criou o oxigênio que vocês humanos e bruxos necessitam para sobreviver. Sou eu que criei a terra que os seus pés tocam. Sou aquela que recebe o nome de mãe natureza. Você está diante de Gaia, a senhora da terra.
Gina não sabia oque pensar. Ouviu falar recentimente este mesmo nome, mas tudo estava relacionado com aqueles chamdos de Abençoados de Viena. Ficou confusa. Sua mente não conseguia raciocinar direito.
- Suas perguntas serão respondidas com o tempo. Agora estou aqui lhe dando a oportunidade de ver por um único motivo. – a ruiva encarou aqueles olhos quase dourados. Era a perfeita imagem da prepotência de um ser imortal. Odiou aquilo. – Você está envolvida em meio a uma profecia.
- Odeio profecias! Não preciso de mais uma na minha vida.
- Infelizmente isso não se trata de suas preferências – desta vez a voz foi fria – Eu odeio ter de dizer que você tem a vida de um dos humanos que mais admiro em suas mãos
- Quem?
- Harry Potter.
A ruiva lançou-lhe um olhar incrédulo. Como assim a vida de Harry Potter estava em suas mãos. Quem estava prestes a morrer era ela. Não o contrario.
- Não se trata do que você pensa.
- Do que se trata então?
- “Aquele que mais se sacrificará pela humanidade, será o mais odiado e verá diante de seus olhos apenas o rancor daqueles que ele mais amou. De todos os seres na terra o mais forte e bom, se tornara o mais terrível. Será o dono de um poderoso dom. Aquele que por todos se dedicou será morto apenas por quem ele mais amou.”
A ruiva tentou processar oque aquelas palavras tentavam lhe dizer. Por algum motivo tudo aquilo apontava apenas para uma pessoa. Harry Potter. Algo clareou em sua mente.
- Esqueça!
- Eu me enganei no principio. Eu achei que esta profecia seria cumprida, mas percebi que não. Percebi que os meus olhos estavama olhando para a direção errada. E somente quando o Harry chegou à Inglaterra que eu pude perceber oque estava de errado. A última peça desse quebra-cabeça. A última atriz desse teatro que os humanos chamam de vida.
- Do que você está falando?
- Eu achei que essa profecia estava resumida apenas aos meus abençoados, mas percebi que não. Que faltava alguém e esse alguém era uma bruxa inglesa. Mais precisamente o primeiro amor deste homem. É pelas as suas mãos que o Harry deve morrer. E é por isso que eu o guiei para Hogwarts essa noite.
A ruiva fechou fortemente o punho. Quase sentia as suas unhas rasgar-lhe a carne.
- Eu sabia que se o Harry cometesse alguma atrocidade em Hogwarts você iria ser a primeira pessoa a responder o pedido de socorro daqueles garotos.
- Você está dizendo que aquelas pessoas inocentes morreram por seu egoísmo estúpido? E o pior, por você crer em uma profecia idiota? Você não tem o poder de interferir na vida dos humanos assim! – a ruiva estava tão nervosa que estava quase ficando cega por seu ódio
- Na verdade eu tive de fazer um acordo com Hades. – a deusa encarava a ruiva diante si com total descaso – Ele bem que gostou das almas daqueles humanos.
A ruiva não agüentou. Correu em direção à deusa, mas antes de dar o segundo passo estava jogada ao chão. Nem sequer percebeu qualquer movimento da loira, em um segundo estava correndo em sua direção e no instante seguinte sentia o chão lamacento molhar suas costas.
- Eu tive medo de suas habilidades não serem boas o suficiente para sobreviver ao ataque da fera que habita dentro do Harry. – a loira agora encarava a ruiva, que se colocava de pé, com um sorriso de canto – Tudo bem que eu tive de controlala a todo instante, sabe, diminuindo sua velocidade, sua força, permitindo ao Harry alguns lapsos de conciencia. Tudo isso para ter certeza de que você era a mulher certa.
- Quer dizer que tudo não passou de uma manipulação sua? Como pode? – o ódio estava claro na voz da ruiva
- Você realmente acha que teria alguma chance com um abençoado? E o pior, você acha que teria alguma chance com o Harry? Ele poderia ter te matado sem que você visse de onde veio o ataque.
- ...
- E agora eu estou lhe dando as ferramentas necessárias para completar essa missão. Mas você tem de fazer uma escolha.
A ruiva permaneceu em silêncio. Lentamente algumas lagrimas começavam a brotar de seus olhos. Abaixou a cabeça de forma derrotada. Sentia como se um enorme buraco fosse aberto em seu peito. Inconcientimente começou a acariciar a luva de couro na altura de sua cicatriz. – Harry...
- Você pode escolhar completar essa profecia ou não. Porém a um preço para ambas. Seja qual for a sua escolha, um sacrifício será pago por você.
- Diga logo sua desgraçada! – gritou com força enquanto encarava os olhos da Deusa. Por um momento uma sombra tomou conta daqueles olhos âmbar, era a mesma sombra que a ruiva consguia enchergar nos olhos de Harry quando ele tinha de falar alguma coisa difícil de se dizer.
- Você pode matá-lo, e eu lhe darei poder e as ferramentas para isso. Porém o preço é perder para sempre o seu amor. – a deusa começou a andar novamente na direção da ruiva. Agora a chuva começava a molhar lentamente seus cabelos, corpo e a lama enfim sujava o seu vestido. Quando estava a cinco passos da ruiva sua boca se mecheu pela primeira vez, e desta vez o som não veio de todas as direções como antes, e sim, direto de sua boca – Ou você pode escolher não fazer, porém você estará condenando toda a humanidade, já que quem irá destruir tudo desta vez será o próprio Harry Potter.
- M-Mas...
- Você irá perguntar dos outros Bentos não é mesmo? – a loira interrompeu Gina antes que a mesma concluísse – Eles não podem virar suas espadas contra ele. Não lhe és permitidos.
- Mas ele não está doente? Não morrera disto? – A ruiva procurava de todas as formas, outro meio. Sabia que não seria capaz de tirar a vida do Harry, por mais que sentisse muito ódio dele. Mas era o Harry para ela. Aquele que ela sempre amou. Sabia no fundo que tudo oque ele fazia era para o bem de todos, por mais que fazia isso de forma errada muitas vezes, mas ainda sim suas intenções eram boas.
- Assim que o corpo dele morrer, seu espírito habitara no corpo de um lobsomem que espalhara a licantropia por toda a face da terra. Todos se transformarão em monstros sem conciencia, monstros que seguem apenas o instinto básico de sobrevivência. Você teve uma amostra disso essa noite. Sera o mesmo por toda a terra.
A ruiva permaneceu calada. Sua mente ficou em estado de completo topor.
- Gina... Faça a sua escolha.
Gina sentiu-se derrotada novamente. Sua esperança havia se esvaído completamente. Não queria carregar aquele fardo. Lembrou-se do ultimo dia em que realmente tocou o rosto do rapaz. Lembrou-se da noite em que se despidiu do moreno. Sabia que ele iria embora, mas ainda sim decidiu esperar, prometera lutar em seu nome, prometera que seria dele para sempre. A ruiva gritou. Gritou o mais alto que sua garganta permitiu. Gritou até perder as forças e se ver caindo de joelhos diante da deusa, que apenas a olhou com pesar nos olhos.
“– Você sabe que eu vou embora.”
“– Eu vou te esperar. Vou sempre te esperar... Sou sua você sabe.”
“– Gina... Eu posso morrer...”
“– Se você morrer, eu morro. Vou lutar por você, vou lutar em seu nome”
Gina deixou que suas lágrimas rolassem livremente por seu rosto. Sentia aquele buraco se abrir cada vez mais e tragar para dentro de si toda a sua esperança, tudo oque lhe restava de bom. Sentia como se a sua alma fosse lentamente retirada de si. Fechou o punho com força. Sentiu as unhas cravarem em sua carne, em seguida socou o chão lamacento. E socou novamente. E continou repetindo o gesto até que lhe faltasse ar nos pulmões. Queria perder a conciencia. Não queria enfrentar isso tudo. Então sentiu seu rosto sendo tocado. As mãos da deusa emanava um calor reconfortante de certo modo. Gaia estava agora ajoelhada diante de Gina. Seus olhos estavam retratando a mesma tristeza que estava estampada na face da ruiva.
- Gina... Faça a sua escolha.
- Eu... – a ruiva tomou fôlego. Não suportaria a idéia de ver o Harry se transformando no vilão daquela história – Irei... Matá-lo.
Por um momento a ruiva teve a impressão de que a deusa chorava, não podia dizer com certeza já que grossas gotas de chuva atingiam o rosto da loira diante de si, porém algo lhe dizia que a deusa usava a chuva para disfarçar suas lagrimas. Ela mesma estava fazendo isso naquele mesmo instante. Ficaram, ambas, completamente mudas. O silêncio só era rompido pelo som repetitivo das gotas de chuva atingindo o solo, as árvores e qualquer coisa que estivesse em seu caminho.
- Nobre... – começou a deusa
- Não se atreva! – o tom sibilante da ruiva encerrou aquela conversa.
A deusa deu a conversa como encerrada também. Nada mais precisava ser dito, só restava agora que a ruiva passasse pelo ritual. Que a ruiva conhecesse a arma que mataria o ser mais poderoso e talvez o mais altruísta dos homens.
- Siga-me.
Ambas caminharam alguns minutos pela floresta. Por todo o caminho elas permaneceram em silêncio até que finalmente chegaram à beira de um enorme lago. Só que diferente dos lagos convencionais esse não tinha aquele característico tom escuro, muito pelo contrário, este lago tinha sua face pintada de vermelho. Era como se a água houvesse sido trocada por sangue. Um lago de sangue, e incrivelmente imaculado, já que as gotas de chuva não tocavam sua superfície. Gina estava espantada com aquilo. Chegou a sentir até mesmo um tanto de repulsa daquilo. A região ao redor do lago era de aparência mórbida, as árvores não tinham mais aquela beleza natural de antes, na verdade não passavam de um emaranhado de galhos secos e tortos. Nem um ruído de animal podia ser ouvido em toda aquela região. O solo era completamente negro e por conta da chuva estava um tanto lamacento. As águas do lago estavam completamente imóveis, Gina podia enchergar uma espécie de cúpula ao redor do lago, como se fosse um escudo protetor. Olhou para a face da Deusa ao seu lado. Ela se mantinha indeferente a tudo aquilo. O traço de tristeza que antes estava estampado em sua face sumira completamente, e junto disto a sua imponência voltou para si. Gina começou a se perguntar o motivo de estar naquele lugar horrível.
- Eu prometi a você que daria as ferramentas necessárias para que você concluísse a sua parte na profecia – enquanto falava a Deusa caminhava em direção as águas sangrentas daquele lago – porém devo lhe avisar que o caminho no qual você está escolhendo não tem volta.
- É...
A Deusa parou bem a margem do lado. Olhava fixamente para baixo, fitando as águas vermelhas que agora refletiam a sua imagem. Levantando uma das mãos em direção ao lago a Deusa começou a entonar uma cantiga numa língua na qual Gina nunca antes ouvira. A ruiva percebeu que as águas começaram a se tornar um tanto turbulentas. Pequenas ondulações começavam a se formar. Gina observou mais atentamente e notou que o epicentro de tudo vinha exatamente do centro daquele mar de sangue. Gina olhou ao redor e percebeu que aos poucos apareciam, em meios as arvores, alguns pares de olhos. Sentiu-se um pouco incomodada com aquilo. Todos os pares de olhos a fitavam diretamente, como se a analisassem, como se estivessem ali somente com o intuito de julgá-la. A mulher se mexeu inquieta coisa que não passou despercebida pela Deusa que interrompeu o canto. Gina percebeu a atitude no ato e fez o máximo para dissimular a situação, mas soube no exato momento em que a Deusa a olhou, que a sua tentativa fora completamente frustrada.
- Eu nunca gostei de lobos.
- A ironia é verdadeira neste caso. – rebateu a Deusa agora andando na direção da jovem – Você ainda possue esse corpo fraco e não sabe absulutamente nada sobre os meus Abençoados – vendo que a moça ficou quieta a Deusa continuou – Eu ainda não se você sobrevivera, na verdade isso só depende de você, um dentre cada cem bruxos, que são tocados pelas garras de prata dos abençoados, acabam morrendo na primeira semana.
- Eu não vou morrer!
- Espero que não, afinal tudo isso então será apenas uma perca de tempo.
A ruiva fechou a expressão. Odiava aquela forma de falar da Deusa. A prepotência combinada com a sua imponência era de certa forma ameaçadora. Conteve-se e ficou calada, aquele não era o momento de rebater ainda mais oque a Deusa lhe dizia. Optou pelo silencio dos sábios.
- Oque estamos fazendo nesse lugar? – deixou que a sua repugnância soasse claramente em sua voz
- Você está aqui para receber a sua arma. – novamente a Deusa se virou em direção ao lago, dando as costas a Gina – Apartir deste dia você usará esta espada para fatiar os malditos e quando chegar o momento...
- Matarei um abençoado – a ruiva deu uma risada triste – a ironia é verdadeira.
Gaia ergueu novamente uma das mãos em direção ao lago. Desta vez não ouve manifestação nenhuma vindo da água. Gina chegou até mesmo a estranhar por um momento. E quanto ela já estava realmente acreditando que nada iria ocorrer foi que havistou uma das coisas mais incríveis que já vira na vida. Um imenso lobo vermelho surgiu do fundo do lago em um enorme salto. A ruiva teve tempo de acompanhar o vôo por completo. Os pelos avermelhados estavam encharcados de sangue que deixaram um imenso rastro no ar. O lobo vinha voando diretamente em sua direção. A ruiva saltou agilmente de lado no exato momento em que o gigantesco lobo tocou o solo aonde antes a mesma se encontrava. Um baque surdo foi-se ouvido e chegou a ecoar pela região. Os pares de olhos se afastaram por uns momentos. A Deusa sorria de orelha a orelha. O lobo agitou-se espalhando sangue por toda a área, manchando inclusive o rosto da ruiva que olhava a criatura maravilhada e horrorisada ao mesmo tempo. Os pelos eram longos e espessos, um verdadeiro tapete vermelho. Tinha alguns símbolos azuis espalhados por seu corpo que se assemelhavam em muito aos símbolos que a ruiva tinha visto nos lobos conjurados por Harry naquela fática noite. Aliais este era bem parecido, porem não tinha mais que uma cauda. Suas patas eram quase do tamanho da cabeça da ruiva. O corpo era extremamente musculoso, e isso era notável mesmo com o tapete de pelos avermelhados. Sua mandíbula era longa e a ruiva conseguia enxergar quatro caninos prateados no meio das inúmeras presas daquele ser. Sua calda balançava agitadamente e os seus olhos estavam fixos nos olhos castanhos da ruiva. Olhos vermelhos. Olhos raivosos.
- É para isso que me invocou pequena? – Gina que estava ainda no chão, arregalou os olhos ao ouvir a voz gutural do lobo a frente.
- Sim Vuthiel – Gaia apenas sorria observando um pouco distante o primeiro contato de Gina com o seu futuro guardião – Essa está prestes a se tornar uma abençoada, e não, antes que me pergunte, ela não estava predestinada a isso.
- Se não estava porque estou diante desta mortal? – o tom de voz do lobo era áspero e nada gentil, assim como o olhar que lançava para Gina, que agora ia se levantando – Eu me recuso!
- Lembra-se do garoto?
- O protegido por Samael e Eleonora? – perguntou o lobo agora virando a cabeça em direção a Deusa que ainda se encontrava as margens do lago
- Exatamente, você se lembra deles não é mesmo? – o tom de voz da Deusa foi sarcástico, oque fez com que a ruiva estranhasse
- Cuidado com suas palavras pequena – a ruiva estranhou ainda mas a forma com que o lobo respondeu, ele parecia preparado para atacar a Deusa a qualquer minuto – Aquilo nunca mais se repetira, da próxima vez eles perecerão sobre as minhas garras.
- Se você diz...
- Quer experimentar Gaia? – o imenso lobo pisou forte no chão e uma rachadura se estendeu pelo solo em direção a Deusa que apenas olhou com uma das sobrancelhas arqueada
- Agora não é o momento para você demonstrar o seu ego e muito menos a sua dor de cutuvelo.
Vuthiel apenas rosnou em resposta e tornou a encarar Gina. A ruiva fechou a expressão, por mais que estivesse com medo da atitude do ser diante de si.
- E você? – perguntou com asco na voz – Acha que é capaz de usar uma espada?
- Tenho cara de usar espadas? – respondeu a ruiva, tentando manter-se calma
- Na verdade não.
- Eu vou presentea-la com algumas habilidades, porém só posso fazer isso se você me ajudar – interveio a Deusa
- Ela tem o corpo frágil – Vuthiel começou a se aproximar da ruiva. Carregava um olhar analístico – Talvez nem vá sobreviver a transformação
- Do que você está falando? – perguntou a ruiva, já incomodada com a aproximação do gigantesco lobo, que mesmo quadrúpede estava quase a sua altura
- Seu corpo ira mudar, mulher.
- Como?
O lobo parou e lançou-lhe um olhar incrédulo. – Já viu um lobsomem se transformar? – vendo que a ruiva maneou a cabeça positivamente Vuthiel continuou – Seus ossos praticamente são recriados, seu corpo inteiro passa por transformação, sem contar que cada célula do seu corpo será destruída e reconstruída, criando assim um outro corpo, humanóide, porém com a capacidade de se assemelhar conosco, Puros Sangue.
- Puro Sangue? – indagou Gina
- Sim Puro Sangue, e não, não é aquele adjetivo perjorativo que vocês bruxos utilizam. – o tom de voz de Vuthiel transbordava impaciência – Antes a terra era guardada por nós, os Puros Sangues, ou sendo ainda mais simples para o seu intelecto frágil entender – a ruiva teve de morder a língua para não chingar o lobo a sua frente – lobos em sua forma perfeita, dotados de enorme poder físico e espiritual. O problema foi que os outros Deuses acharam que a nossa existência na terra fosse desnecessária porque a mesma já se encontrava em equilíbrio, e então fomos banidos do plano real.
- Se foram banidos por que o Harry invocou aqueles outros lobos? – indagou Gina
- Porque a pequena aqui arrumou um jeito de burlar as regras – Vuthiel sorriu de canto expondo seus inúmeros dentes – Nós não podemos ter um corpo físico no mundo real, mas podemos viver como parasitas no corpo dos Abençoados de Gaia.
- Podendo assim serem invocados por um período curto de tempo?
- Na verdade não. – o sorriso do Puro Sangue se desfez – Existe um contrato que é firmado com os Abençoados e os Puros Sangues, tecnicamente eles dividem o mesmo corpo, se o Abençoado for morto o seu guardião morre também, deixando assim de existir completamente em ambos os planos
- E se o guardião morrer e o Abençoado não? – indagou a ruiva novamente – Oque acontece?
- Nada.
- Nada?
- Você é retardada? – reclamou com impaciência – Se o Guardião morre o Abençoado continua vivo, porém, um Abençoado sem um Guardião... Não tem chance.
A ruiva ficou séria.
- Oque? – perguntou Vuthiel – Acha injusto?
- De certa forma.
- Não ache! Esse é o contrato, e ele existe muito antes da sua existência, não cabe a você julga-lo, nós Puros Sangues já vivemos tempo demais, se for para morrermos lutando, assim faremos.
- Entendo...
O olhar de Vuthiel se tornou menos agressivo. A ruiva notou a mudança, mas ainda continuou na defensiva. Parecia que ambos estivessem esquecido completamente de que Gaia estava ali junto a eles. Ambos se encaravam, se estudavam.
- Qual o seu problema com esses tais de Samael e Eleonora? – perguntou a ruiva, vendo a expressão de Vuthiel se transformar em puro ódio
- Travamos uma luta uma vez.
- Conte a ela oque você queria Vuthiel – provocou Gaia atraindo a atenção tanto de Vuthiel quanto de Gina para ela
O lobo rosnou feroz. Por um momento Gina acreditou que ele iria voar em direção a Deusa, mas o ataque não aconteceu. Gina pode perceber que o lobo se controlava para não tomar uma atitude agressiva. Seus olhos vermelhos como o lago, refletiam puro ódio. O lobo tremia.
- Não é da conta dela e muito menos da sua... Pequena.
- Faça como quiser Vuthiel, mas apartir de agora você deve firmar o contrato com a mortal, é seu dever agora protege-la e se tornar finalmente um Guardião. – a Deusa lançou-lhe um olhar de superioridade – Você me deve isso!
Novamente o imenso lobo rosnou. Parecia que a idéia de se tornar um Guardião lhe causava nojo. Gina percebeu isso, mas preferiu permanecer quieta, na verdade sabia que não estava em condições de negociar e nem de impor a sua vontade. Ficou parada esperando o final daquele desfeixo que a cada minuto parecia mais com um sonho estranho.
Vuthiel ficou encarando a Deusa por alguns minutos. Seu corpo tremia compulsivamente e a boca estava escancarada. Seus lindos caninos prateados brilhavam. Por fim Vuthiel interrompeu o olhar. Gina pode perceber que o lobo deu um longo suspiro e então voltou seu olhar para si. A ruiva teve medo por um instante. Vuthiel se pos em guarda, as dobras de suas patas dianteiras foram forçadas e num laspso de segundo o lobo se moveu em direção a ruiva. Um salto magnífico. O lobo voava baixo, as garras de suas patas roçavam o chão naquele rasante assustador. Gina nem tivera tempo de se esquivar. O lobo vinha direto em sua direção. Então o mais incrível aconteceu. Vuthiel desapareceu ao se chocar com Gina. A manifestação mágica foi tão poderosa que a ruiva foi arremessada a alguns metros, caindo de costas no chão. Talvez se estivesse em seu corpo real a ruiva com toda a certeza teria perdido os sentidos com o choque, tanto do lobo quanto do solo. Mas a dor não veio. Em seu lugar a ruiva sentiu como se o seu braço queimasse por dentro. Rapidamente se pos de pé e retirou suas luvas. Na parte superior de seu pulso direito estava agora gravada a imagem de Vuthiel. Os contornos eram perfeitos.
- Agora ele estará sempre com você – explicou Gaia que havia percebido o incomodo da ruiva – Mas tome cuidado ao invocá-lo, Vuthiel é um guerreiro, ele só sabe fazer isso, ele nasceu para isso. Uma vez que você invoca-lo ele irá até o fim. Nem você será capaz de pará-lo, portanto Gina... Tome cuiado.
- ... – a ruiva continuou a fitar a tatuagem em seu braço.
- Agora lhe falta apenas lhe entregar uma ultima coisa – a Deusa novamente ergueu a mão na direção do lago – Conheça a Galadrael, assassina de lobos. – nesse exato momento uma espada emergiu das águas vermelhas daquele lago. Da mesma forma que Vuthiel a espada voou em direção a Gina. A ruiva ergueu a mão para o alto e aparou a espada. Não sabia o porquê mas sentia como se ussasse aquilo a sua vida toda. O cabo era feito de osso. Sua textura era lisa e clara. Era como puro marfim. O cabo era meio ondulado e se encaixava perfeitamente na mão direita da ruiva. Ao final de seu cabo a lamina de prata surgia brilhando e refletindo as águas vermelhas do lago. Por toda a sua extensão havia escritos antigos e símbolos como aqueles vistos nos Guardiões. A ruiva passou o dedo indicador da mão esquerda por toda a extensão da lamina. Sentiu o toque frio. Logo em seguida descreveu dois arcos no ar, como se testasse o peso da espada. Sentiu como se a mesma fosse parte de seu próprio braço.
- Deve estar se perguntando o porquê de sentir isso não é? – indagou a Deusa enquanto lançava a ruiva um sorriso de canto
- Sinto como se já soubesse manusea-la.
- Apartir de agora sabe. – a ruiva estranhou – Quando um Guardião firma um contrato com um Abençoado, o Abençoado automaticamente recebe alguns dons que eram apenas permitidos aos Guardiões. Resumindo, você adquire as habilidades que os Guardiões acham necessárias para a sua sobrevivência.
- Entendo...
- Agora só depende de você – a Deusa virou as costas para a ruiva – ahhhh! Quase me esqueci. Sua bainha - no instante seguinte uma bainha envolveu Galadrael. A ruiva admirou o novo artefato. De fato era linda. A bainha tinha alguns escritos azuis que a ruiva não conseguia de forma alguma decifrar, mas eles brilhavam levemente como se fossem feitos de pedras preciosas. – Sobreviva... Ginevra!
Derrepente Gina estava novamente naquela clareira. O frio novamente lhe assolou e a ruiva pode ver diante de si o lobsomem com a pata erguida preparado para desferir o golpe final. A dor, cansaço, e fraqueza retornaram para o corpo da ruiva e por mais que ela tentasse se mecher, Seu corpo não lhe respondia. Indagou-se naquele lapso de segundo se tudo oque vivera até agora havia sido obra de sua mente. Mas ao olhar para a sua cintura, pode ver a espada embainhada. Era o seu ultimo suspiro. Sua visão já estava quase completamente dominada pelas trevas e agora o ar lhe faltava aos pulmões. Já não sentia a dor da ferida em seu ombro, apenas o frio e a solidão. Esperou o golpe fatal. Mas este não veio. A ruiva só teve tempo de reparar que os olhos da fera estavam novamente verdes, e aos poucos a transformação reversa acontecia. Perdeu a conciencia no exato momento em que ouviu seu nome ser chamado por aquele a quem seu coração pertencia, e o seu ódio também. Harry Potter, o homem a quem ela deveria impedir de se tornar o maior ser das trevas que a terra podia abrigar. Harry Potter...
- Cor Mysterium! – Gina abriu os olhos.