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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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11. Hopeful


Fic: Restless - Rose&Scorpius - FINALIZADA ULTIMO CAP ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: FINALMENTE!


Hopeful
(Esperançoso)


– Você já reparou que nada disso valeu a pena? Nada disso funcionou? – Fiz aquela pergunta depois de conhecer toda a casa de Scorpius. Descrevê-la é complicado, mas apenas dizer que era maravilhosa e acolhedora, ou um refúgio, já era o suficiente.

Oito horas da noite e escurecia rapidamente. Estávamos sentados num morro enregelado, tomando cerveja amanteigada. Acolhidos pelo calor de um cobertor ao nosso redor e Scorpius tinha seus braços em mim como objetivo de me esquentar mais. Não nevava, mas o frio penetrava o rosto. Ficávamos olhando para a praia ali na frente.

– O que você quer dizer? – perguntou Scorpius.

– Estamos juntos de novo, isso que eu quero dizer – expliquei. – De que adiantou você ter me traído para eu odiar você por muito tempo, se estamos aqui de novo depois de três anos tomando cerveja amanteigada sozinhos nessa ilha surreal?

– Teve uma razão, presumo – falou. – Deve ter servido para alguma coisa o que fizemos.

– Então me fala.

Ele sorriu para mim. Até de longe parecia que não estava preocupado com isso. Ao contrário de mim.

– Eu ainda não sei, Rose.

– Parece um ciclo – comentei. Sei lá, acho que aquela paisagem fazia você pensar em tudo, então não reclamem da filosofia. – Sabe, não tem um começo nem mesmo um fim. Voltamos para o mesmo lugar em que estávamos. Você e eu. Entende?

Ele negou. É claro que não entendia. Soltei uma risada.

– Eu tenho inveja de você – falei, olhando para ele. Seu sorriso se desfez.

– Pelo quê? Dinheiro?

– Não é isso – apressei-me a dizer. – É que você não fica preso em uma pergunta idiota, nem em pensamentos. Como consegue aceitar as coisas como elas são, sem precisar de alguma razão que explique como aconteceram?

– Você só perde tempo pensando. E enlouquece.

– Se eu não pensar cometo muitos erros – argumentei.

– Sabe o que eu penso de você, Rose Weasley? – perguntou. Apoiado com o cotovelo no chão, ele apontou seu dedo para mim: – Que você planeja sua vida.

– Não, não planejo – fiquei meio inconformada. – Eu nunca planejei a sua volta.

– Por isso me desprezou quando nos encontramos de novo. Sua vida estava toda ali, marcada em um pedaço de papel, a qual você com certeza estava disposta a seguir. Então eu apareci, e estraguei tudo, não estraguei? Eu disse que ia te conquistar de novo, mas você não queria porque isso não estava nos seus planos.

– É – respondi. – Estragou tudo mesmo.

– E me odeia por isso.

– Demais.

Nós dois demos risadas. Era irônico. Ficamos um tempo em silêncio, Scorpius deitado e eu sentada ao seu lado. Ele afagava seu dedo na minha mão, distraidamente.

– Você mudou – comentou Scorpius.

– O tempo fez isso.

– Quer voltar a ser a Rose Weasley que tinha medo de água?

– Às vezes eu quero – respondi, de alguma forma achando aquela uma pergunta engraçada. – Sabe, pra voltar a acreditar em tudo. Mas hoje eu me vejo socando a sua cara se você resolver me abandonar de novo, por exemplo, e eu gosto disso. Se você não ficou ao meu lado para acompanhar o que eu me tornei, o problema foi seu.

– Ótima resposta. Eu tenho consciência do meu atraso. Mas, Rose – ele ficou próximo de mim e nos encaramos –, não questione isso, se não você vai começar a duvidar dos melhores momentos da sua vida.

Eu apenas fiquei olhando para ele, sem questionar. Então disse:

– Você mudou. – E era verdade.

– E se não ficou ao meu lado para acompanhar o que me tornei, o problema realmente foi meu.

– Ótima resposta.

Adorava beijá-lo depois que ele sorria para mim, era como um combustível; para ficar impossível negar os lábios deles movendo-se contra os meus, sempre naquela intenção de querer mais até o fim da noite. Eu quase bufei em meio ao beijo, só de pensar em como ele me fazia sentir ridícula e inutilmente romântica, sempre dando ênfase nessa narração a cada beijo que dávamos.

De repente, quando achei que só estávamos começando, ele parou e se levantou.

– Venha – chamou, estendendo a mão.

– O que vam...?

– Explorar.

– O quê? Sua cama?

Scorpius riu.

– Não – respondeu calmamente. – Ainda. Vamos andar um pouco.

– Mas nesse frio... AH!

Antes de ouvir um comentário meu, Scorpius me pegou no colo segurando pelas pernas e costas. E saiu correndo comigo morro abaixo numa alta velocidade. Estávamos chegando perto do nível mais baixo quando ele acabou tropeçando e derrubando a nós dois. Então descemos o morro praticamente rolando. Quando dei por mim mesma, estava parada com o peso sobre Scorpius.

– Ah... – ele fez uma careta. – Desculpa, eu fiquei empolgado. Ainda quer explorar a floresta aqui perto?

– Já que chegamos até aqui embaixo, por que não?

Eu me levantei primeiro, andando logo em direção a floresta, enquanto Scorpius ainda se levantava. Quando o fez, falei:

– Ei, Scorps.

Virou-se para mim e taquei uma bola de neve na cara dele. HAHA!

– Engraçado – ele comentou, pensativo, tirando a neve do rosto. – Sabe que eu estava pensando fazer isso com você?

– É? – ergui uma sobrancelha. – Por que está demorando então?

– Porque vou sentir muita pena! – ele se agachou e ficou jogando as neves que conseguia recolher do chão, sem dar chance a mim para revidar. Eu comecei a correr dele, tentando me desvencilhar. Mas era impossível! Ele tinha uma ótima mira.

Quando eu consegui um momento para tacar outra vez, eu notei que estava nevando. Distração. Mais uma bola de neve atingindo o meu rosto.

Foi divertido. Na praia, nevando, a gente brincando. Eu, cansada de levar bolas de neve na barriga e na cabeça, correndo até Scorpius na maior coragem para derrubá-lo no chão com minhas próprias mãos. Mas ele, rindo da minha incapacidade, começou a fugir de mim. Explorar a floresta já não fazia mais parte dos nossos planos.

– Não é justo! – eu falei, sem conter algumas risadas, enquanto ele corria mais rápido que eu. – Você é o melhor jogador de Quadribol da década!

Rindo, Scorpius se aproximou de mim e me carregou de novo. Eu não reclamei. Subíamos o morro só que desta vez com mais calma.

– Agora me coloca no chão que eu sei andar.

– Sim, senhora. – Ele obedeceu.

– Posso ascender essa lareira? – perguntei, quando entramos na sala da casa dele.

– Já disse pra você se sentir à vontade aqui.

Ascendi à lareira, então, e fiquei tentando me esquentar lá perto, sentada no tapete quase sendo engolida pelo fogo. Scorpius apareceu ao meu lado, meio cético.

– A primeira coisa que deve saber é que essa lareira não vai arrancar seu frio – ele comentou, sussurrando no meu ouvido. – E a segunda é que eu tenho um truque que pode fazer você sentir calor nessa época do ano, sem roupa.

Quando eu me virei para notar aquele típico sorriso inclinado, acabei mudando de idéia.

– Quer saber, acho que você não mudou tanto assim – balancei a cabeça, rindo.

– Ainda temos as poeiras do passado, Weasley. Agora – gentilmente, ele me beijou outra vez – só relaxa e aproveita.

Estranhei que naquele momento perpassou um frio na minha barriga. Quando já estava recebendo todo o toque e o calor do corpo de Scorpius preso ao meu, eu notei que era só ansiedade. Ansiedade para me sentir segura e feliz naqueles braços em mais uma noite.






Não via a hora de encontrá-lo novamente. Eu tinha saído para explorar a floresta. A casa estava silenciosa, provavelmente Scorpius ainda dormia. Chamei pelo seu nome, silêncio. Então decidi entrar no quarto e ver se ele estava por ali, ou dormindo ou no banheiro tomando banho. Foi quando abri a porta e liguei a luz.

Alguém estava deitado na cama mesmo, o lençol cobrindo tudo. De repente uma mulher se revelou, com as costas nuas, movia-se contra alguém embaixo dela. Meu coração deu um salto gigantesco pela garganta, eu tive vontade de vomitar. Eu não a conhecia, mas jogava a cabeça para trás, demonstrando muito prazer. A voz de Scorpius pedia para que ela fosse mais rápido.

As lágrimas de raiva e ódio ofuscaram minha visão quando Isabela Lespour se virou e me viu. Dizia:

– Olha, Scorpius, é a sua namorada.

– Rose, não! Eu posso explicar! – Ele jogou Isabela para fora da cama e se levantou, colocou a calça e tentou correr atrás de mim enquanto eu saía da casa.

– Quer saber? Se for para voltar daqui três anos, Malfoy, que seja para se vingar disso. – Antes que ele dissesse alguma coisa, recebeu um soco do meu próprio punho. No rosto. No olho. E um chute na virilha. – E não para me conquistar outra vez.

Antes da dor e humilhação se espelhar de forma real pelo meu sangue, meus olhos se abriram devagar, e franzi a testa ao ver que ainda era de madrugada, e eu estava deitada numa cama. Estremeci ao refletir sobre aquele sonho, mas lembrei do que havia acontecido na noite anterior, e só para certificar-me se as lembranças eram mesmo verdadeiras e boas, virei do outro lado e encontrei Scorpius deitado ali com um braço cobrindo o rosto. Dormia do mesmo jeito de sempre, sossegado, todo absurdamente relaxado, respirando tranqüilamente.

Eu soltei uma risada para espantar qualquer dúvida. Como eu pude ter um sonho daqueles depois de uma noite daquelas com ele?

De manhã, enquanto estávamos na cozinha, eu comentei:

– Tive um sonho hoje.

– Um sonho? – Scorpius deu um sorriso, bastante interessado. – Que tipo de sonho?

Fiquei olhando pra ele. Comia a torrada de uma forma muito calma, daquele jeito paciente e concentrado, tão sonserino. E com aquele sorriso no rosto, eu achei melhor não entrar no assunto. Então decidi me esquivar:

– Meu pai estrangulava você.

– Ou pode ser uma previsão ao em vez de sonho – ele pareceu sombrio.

– Eu espero que não. Então, hoje preciso voltar para a realidade. Hoje à noite Albus, Jenny e eu vamos à Toca, seria tão errado se eu não fosse.

– Entendo. Não vou te prender aqui.

– Você... hum... pode ir se quiser.

Scorpius mordeu os lábios. Por um segundo, achei que ele consideraria a idéia.

– Não quero ser estrangulado. Não por enquanto, os treinos de Quadribol vão recomeçar daqui alguns dias e eu preciso estar vivo.

– Você tem razão – sorri. – Mas meu pai nunca vai fazer nada contra você, Scorpius, ele sabe que qualquer escolha que eu fizer será problema meu e não dele.

– Eu sei, Rose – ele disse. – Só penso que... eles não seriam tão piedosos comigo depois do que eu fiz a filha deles. Tenho a impressão que a última imagem que seus pais tiveram de mim foi de um idiota e traidor. Além disso, o Natal se comemora com a família, eu vou ser só um intruso por lá. Não quero ficar com essa sensação.

Não podia negar que ele tinha razão, também não queria forçá-lo a ir. Scorpius não era minha família, se eu dissesse isso a alguém – a Jenny, por exemplo – ela iria dizer: “Rose, você só está dormindo com ele. Nada a ver com família!” Claro que não era só isso, mas os jornais e a publicidade estavam dando a entender que era.

– Você não é um intruso – eu disse a ele, baixinho. – Querendo ou não, faz parte da minha vida. – Levantei da minha cadeira e me aproximei dele. Sentei em seu colo, passando um braço ao redor do seu pescoço. – Tivemos momentos ruins, mas esses foram poucos que infelizmente resultaram em sofrimento. Foi inesperado. Mas tivemos momentos maravilhosos, como ontem à noite, como quando a gente foi assistir àquele filme de terror. Quando você não aproveitou que eu estava bêbada e não ficou comigo porque receou que eu poderia esquecer. São momentos como esses que eu entendo porque fui me apaixonar por você.

Scorpius me encarava enquanto ouvia. Estava tão sério que eu também não consegui sorrir muito. Parecia absorto em pensamentos depois que se formou um silêncio entre nós.

– Obrigado – ele apenas disse. – Eu prometo que farei sua família me considerar bom o bastante pra você, Weasley. Não tive oportunidade na primeira vez, mas agora é a única chance.

– E última – enfatizei. – Então quer dizer que gostaria de passar o Natal com a minha família?

– Seria interessante – respondeu. – Mas não esse ano.

– Ah, claro.

– Eu quero tentar passar com a minha outra vez já que agora tenho motivos para orgulhar meus pais na hora da janta – ele explicou, pensativo. Com um sorriso, fiquei feliz de saber que ele não ia ficar sozinho. Tudo bem que Scorpius Malfoy era o cara mais comentando e famoso do momento, mas conhecendo-o outra vez notei como na realidade ele não tinha quase ninguém, nenhum amigo, apenas os fãs. E fãs não comemoram o Natal com seus ídolos.

– Ótimo – eu disse, puxando seu rosto para um beijo rápido. Saí do colo dele e mudei totalmente de assunto, enquanto tirava as coisas da mesa. – Sabe, eu acho que terminei meu livro.

Eu disse totalmente displicente. Mas na minha cabeça aquela idéia fazia meu coração bombear de alegria, além de orgulho. Um trabalho árduo feito durante meses. Um sonho realizado. Scorpius não entenderia se eu explodisse de felicidade e empolgação ali mesmo, mas precisa contar a ele, mais pela verdade que eu estava preocupada com somente um detalhe.

– Desde quando você começou a escrever? – ele perguntou.

– Há muito tempo – respondi. – Desde Hogwarts eu sonhava em finalizar aquela estória. E finalmente isso aconteceu, ontem à noite eu terminei o último capítulo. Mas agora... não sei o que fazer, como vou...

– Publique – disse tão displicente quanto eu. – As pessoas devem conhecer seu trabalho, o seu sonho. Você mesmo quer isso.

– Não é tão fácil assim. Eu nem pensei muito sobre isso. Só estava mais preocupada em terminar de escrever.

– No Beco Diagonal há muitos bruxos interessados em publicações de livro, você pode convencer. Eu te dou meu apoio.

– Do que você tá falando? Nem leu o livro. Ou é só uma mera confiança?

– Eu vou apoiar qualquer coisa que fizer parte dos seus sonhos. Mesmo que essa estória seja uma droga e você venda duas cópias. Uma pra Jenny e pro Albus.

– Nossa, eu vou ficar muito feliz mesmo pelo seu apoio! – eu falei, admirada com a sinceridade dele.

Scorpius deu uma risada.

– A questão é que eu não quero perder o seu sorriso quando você descobrir que vai vender e ver as pessoas lendo o seu livro. – Antes que eu agradecesse, ele puxou minha mão. – Vem, vamos esquiar já que o mar está congelado. No verão – Scorpius falou, assim que saímos para o jardim e o vento gélido soprou em nossos rostos –, a praia é ótima. E sabe o que é melhor? – ele me entregou os esquis de madeira e os óculos. – O mar. Pra melhorar, você nele. De biquíni. E, claro, me beijando até a água evaporar de tão quente que eu vou deixar o seu corpo.

– Então você vai sofrer nesse inverno – falei, incapaz de resistir.

– Mas eu gosto de esquiar, é uma das vantagens que o inverno trás. Você sabe?

– Aprendi com meu pai, que aprendeu com a minha mãe. Não fui só CDF e certinha na escola.

– Com certeza não foi. E o que acha então de apostar uma corrida descendo esse morro. Acha que acompanha o ritmo?

Tenho certeza que a minha cara de cansaço foi bastante visível.

– Vamos, Rose! Você precisa entrar em forma. Pra vestir um biquíni até o verão.

– OK – falei, ajeitando-me nos esquis. – Mas eu não quero ver você se exibindo. Não vai me surpreender. Tudo bem que tem moral pra me dizer que eu sou um desastre e tudo o mais, mas sinceramente eu-

– UM... DOIS...

– Ei, bonitão, espera!

– Que foi?

– Deixa eu te desejar boa-sorte.

– Não preciso de sorte pra competir com você, Rose.

Dei um sorrisinho e me aproximei dele. Puxei o colar que ele usava, para levar seu rosto ao meu e dar um beijo de língua só para ele ficar meio desnorteado. Depois que o soltei, falei:

– Bobão!

E saí esquiando pelo morro de neve.

– Isso foi injusto! – ele gritou, mas logo o vi se aproximando de mim em alta velocidade. Quando me alcançou ao meu lado, continuou gritando: – Seduzir é trapaça, sabia disso?!

– Eu não estou escutando nada! Me fala quando eu já estiver...

A última imagem que vi foi de um negócio preto. E eu me chocando contra aquilo.

– Rose!

Eu só notei que fiquei desacordada quando meus olhos se abriram e eu senti a cabeça latejar como nunca antes. E só soube o que tinha acontecido quando perguntei a Scorpius, naquela voz que nem saía direito:

– O que aconteceu?

Ele estava deitado ao meu lado, apoiando-se com o cotovelo de um braço.

– Sua coordenação levou você até uma rocha no meio do morro enquanto esquiava, conseguiu desviar só que caiu depois e ficou rolando. Deve ter batido a cabeça, porque ela sangrou. Mas não foi nada grave.

Sentei-me e então foi aí que reparei que eu estava deitada na cama dele.

– Como me trouxe até aqui?

Accio Rose!

– Tá brincando?

– Aham. Eu carreguei você, na verdade.

– Você adora me carregar, não é? – tentei sorrir, mas a dor atrapalhou. Coloquei a mão na testa e senti o curativo. – Que meigo, até cuidou de mim.

– Não que merecesse.

– Desculpa – falei, ressentida com o joguinho que fiz para conseguir vantagem na corrida. – Esqueci que você leva esse negócio de competição a sério.

– Era brincadeira – ele passou a mão no meu rosto. – Você tá melhor?

– Sim, obrigada – sorri fraquinho.

– Descansa um pouco, beleza? Eu vou procurar a chave do portal pra você voltar pra casa.

– OK...

Não foi surpresa sentir uma espécie de tristeza por pensar que eu ia embora daquela casa. Eu não esperava que apreciasse a idéia de sair daquele lugar tão maravilhoso assim cedo. Mas era preciso voltar, então apenas assenti a Scorpius e deitei novamente na cama, fechando os olhos para adormecer e descansar a cabeça.

Foi preciso Scorpius me acordar, ou se não eu dormiria ali para sempre esquentada naquele cobertor delicioso. Ao abrir os olhos, eu até me espreguicei e murmurei:

– Eu não quero voltar...

– Vai me trocar pela sua família? – ele perguntou, divertido. – Eu realmente te reconquistei, hein, Rose Weasley?

Sorri, levantando-me. Eu estava me sentindo bem, apesar da pancada na cabeça.

– Vou arrumar as malas – avisei.

Mas foi só dar um passo que as vi a minha frente, arrumadas, encostadas na parede do quarto em ótimo estado de organização.

– Eu fiquei preocupado que talvez você demorasse pra acordar – ele contou, tomando proximidade de mim. – Então eu já fui adiantando.

– Scorpius, nem sei como... Na realidade, eu acho que sei sim. Pela diversão, pelo curativo. É, eu sei como te agradecer.

– O que você vai aprontar?

Não disse nada, só para fazer suspense. Mesmo assim mantive o sorriso no rosto enquanto o tirava do quarto, puxando-o pela mão.

– Ah, não tem nada a ver com aquilo – ele pareceu decepcionado quando saímos.

– Na verdade, Malfoy – eu abri a porta do banheiro e nem me preocupei em fechá-la. Encostei-me na parede, e a minha voz estava meio diferente quando eu disse num tom baixo: – tem muito a ver com aquilo.

Nunca vi Scorpius calado daquele jeito. Calado de uma maneira boa. Como se tivesse sido pego de surpresa. Estendeu o braço para apoiar a mão na parede e me encurralar.

– Eu vou fazer você nunca mais sentir necessidade de me trair – falei. – Eu vou fazer a sua volta ter valido a pena.

Culpem a pancada na cabeça, mas eu estava ciente do que fazia. Era meio difícil não fazer quando se tinha um Scorpius Malfoy olhando através dos seus olhos como se enxergasse até mesmo a minha alma. Ele parecia mais apaixonado do que nunca quando observou meus dedos abrirem o botão da minha própria calça e descer o zíper.

– Rose...

Murmurou meu nome. Estava ficando maluco, principalmente quando tirei a calça. Eu só fiz um sinal para ele não falar mais nada, e foi o embalo para que tirasse seu casaco e depois a camisa. Eu o imitei. Scorpius segurou meu rosto com uma mão e começou a beijar meu pescoço. Fechei os olhos, sem medo de aproveitar. Minhas mãos exploravam seu peito, e sentiam a textura dos músculos na barriga, era tão delicioso tocá-los, senti-los. E ouvir o coração dele batendo com força, muita força. Eu soltei uma risada em meio ao beijo que dávamos.

– Não acredito que não mudou nada... – falei. – O seu coração...

Ele também riu fraquinho.

– Como se o seu fosse muito quieto.

Scorpius segurou firmemente minhas coxas e me levantou ainda contra a parede. Eu supliquei sem fôlego:

– Só não me cause um ataque cardíaco.

E o beijei com força na boca.

Era difícil explicar como chegamos até ali, com as roupas jogadas pelo chão do banheiro. O chuveiro ligado repelindo água quente em nossos corpos que se tocavam, e se uniam. Eu não estava nenhum pouco a fim de me arrepender por sentir a mão de Scorpius subir minha perna ao redor da sua cintura e segurá-la. Prendia-me contra a parede, eu puxava o cabelo dele com os dedos e me contorcia de prazer, pela volúpia que ele transmitia. Era tão... louco. Eu nunca imaginei que estaria assim com um homem antes.

Abria os olhos para ver a expressão de Scorpius quando ele desgrudava seus lábios dos meus. A água caindo em seu rosto, pelo cabelo, descendo até os ombros, molhando-o inteiro. Mas o melhor mesmo era a boca, entreaberta sempre esperando pela minha. E a água só o tornava mais... sensual. Prensei levemente o dente em seu lábio inferior, sem resistir. Ele abriu um pequeno sorriso. E toda vez, não havia nenhuma exceção, quando ele encontrava meu ponto fraco, eu sentia vontade gritar o nome, o sobrenome dele. Droga, o que fazia comigo não tinha explicação.

Eu não podia atrasar para me encontrar com Albus, então quando acabamos, rapidamente troquei de roupa e me preparei para viajar na chave do portal que Scorpius tinha.

– Dessa vez não vou com você – ele disse quando eu já estava preparada.

– Quanto tempo você vai ficar fora? – perguntei.

– Até o ano que vem nos veremos – ele sorriu antes de me abraçar. – Feliz natal.

– Você também.

Dei um último e rápido beijo nele antes de ir embora. Caí numa rua deserta e escura, uma rua onde ninguém andava, mas que era perto do prédio em que eu morava. Albus e Jenny com certeza estavam me esperando lá dentro, de modo que corri apressada até a entrada do salão repleto de enfeites natalinos.

Encontrei o segurança simpático na portaria.

– Oi, Frederico – eu o cumprimentei com um sorriso. – Meu primo passou por aqui?

– Está esperando a senhorita no corredor do seu apartamento.

– OK, muito obrigada. E feliz Natal!

Subi as escadas, e encontrei Albus no corredor como o segurança havia falado. Ele estava encostado na parede, com os braços cruzados. Ao me ver simplesmente bufou.

– Onde você esteve todos esses dias?! – perguntou, mas eu não tive tempo de explicar. Abri a porta e entrei no apartamento, enquanto ainda ouvia Albus e seus muxoxos: – Jenny disse que apareceu aqui três vezes ontem e você não estava. Eu fiquei preocupado. E que malas são essas? E que sorriso é esse?

Depois que guardei as malas no meu quarto, fui até Albus e segurei seus dois ombros.

– Eu acabei de ter os melhores dias dessas férias.

– Com o Malfoy?

– Exatamente.

– Por que não deu notícias? Onde vocês estavam?

– Eu conto pra você mais tarde. Cadê a Jenny?

– Esperando a gente lá embaixo. Ela não está agüentando subir escadas, sabe como é.

– Então vamos.


***


Nós três chegamos n’A Toca, agasalhados. Atravessamos o quintal que estava mais espaçoso que nunca, e entramos pela porta dos fundos. Na sala, encontramos nossos pais, que ajudavam na organização dos enfeites e da árvore de Natal.

– Rosie – exclamou meu pai, descendo um banquinho para me abraçar.

– Feliz Natal, pai! Como vão as coisas? – perguntei depois que ele me soltou.

– Aposto que você tem mais novidades do que o seu velho pai – ele respondeu, descontraído. Franzi a testa sem entender, então me explicou: – Os jornais me contaram! E aí, Albus?

Aproveitei o momento que Albus e Jenny cumprimentavam meu pai para poder me aproximar da minha mãe, que ajudava tia Ginny e Lily com os objetos da árvore de Natal.

– Papai já sabe – comentei com elas.

– Pensa no lado bom, Rose – falou minha tia, sorrindo. – Você não vai ter que contar para ele dessa vez. Os jornais já o fizeram.

– E que tal escaparmos desse assunto? – sugeriu Lily, segurando meu braço. Adorava quando ela lia minha mente. – Venha, vamos ver o vovô lá em cima.

Enquanto ultrapassávamos a casa, cumprimentei e desejei feliz Natal a todo mundo que encontrava. E não era pouca gente ali, naquela família. Tio Harry e George de um lado, James e Teddy do outro jogando xadrez, o que estranhei bastante já que eles eram os que mais faziam barulho por lá. E num dos quartos estava Victoire e Molly, com suas amigas. Era em dias como esses que a família se reunia de novo. E eu suspirava ao notar que meu avô, que por causa da idade deixou de fazer muitas coisas que antes fazia, não conseguia realmente presenciar com o entusiasmo que presenciava o fato de sua família estar crescendo para o Natal.

– E aí, vovô! – exclamou Lily, toda feliz entrando no quarto, onde vovô estava sentado na cadeira confortável que sempre costumava se sentar. Lily foi até o lado dele. – Adivinha quem tá aqui com a gente hoje?

Vovô não estava conseguindo falar muitas coisas, mas entendia completamente. Quando Lily falou aquilo, ele virou seu rosto idoso e gentil na minha direção. Só que ao contrário de Lily, eu não tinha todo aquele espírito alegre com o fato que meu avô precisava ficar sentado e recebendo cuidados. Mas mesmo assim fui sorrindo até ele e segurei sua mão, já que havia estendido para mim.

– Oi, vovô Weasley – eu falei, olhando-o.

– Ora essa, o senhor assistindo televisão – Lily observava a televisão ali na frente. – Que coisa de trouxa, hein?

Meu avô me encarava como se desejasse dizer alguma coisa. Então um som saiu da sua voz, quando ele apontou para a porta do quarto.

– Albus...

E realmente, Albus estava ali. Mas ele parecia meio incapaz de dar um passo.

– Vai lá, querido – pediu Jenny, o que o fez obedecer.

Quando Albus o abraçou, eu me levantei e saí do quarto com Jenny, porque eu era meio fraca para ver uma cena daquelas, e começaria a chorar.

– Que foi? – Jenny perguntou ao me ver.

– Nada não – sorri, enquanto descíamos as escadas. – E então, quando está pensando em contar sobre... – eu sussurrei: – a gravidez?

– Eu não faço idéia. Mas sem pressa, temos o dia inteiro ainda!

Passamos a tarde conversando na sala, terminando de colocar os enfeites nas paredes. Até o fim do dia, mais pessoas apareceram e não só da família. Namoradas e namorados de primos e amigos. A Toca estava cheia como em todos os Natais. E quando não tinha mais lugar para eles se sentarem, eu deixei um espaço no sofá e fui até a cozinha, onde quase ninguém costumava ir porque era o lugar onde vovó precisava se concentrar para fazer a sobremesa e a refeição daquele dia.

– Oi, querida – ela sorriu ao me ver entrando.

– Precisa de ajuda, vovó? – perguntei.

– Não, mas gostaria que ficasse aqui para conversarmos.

Eu me sentei à mesa e fiquei observando-a.

– A senhora viu como a sua casa fica cheia de netos todo final de ano?

– Nada me deixa mais feliz! Eu me lembro que no ano passado você não veio...

– Eu sei, eu sei. Prometo nunca mais fazer isso, mas era por causa do trabalho. Exigiam coisas até no Natal, e eu era idiota por aceitar ficar lá. Na realidade, eu era medrosa.

– Não diga isso – vovó exclamou. – Você é filha de Ron e Hermione!

– Bem, é o maior elogio que eu posso receber, mas realmente tinha medo de enfrentar o meu chefe.

– Sabe, Rosie, é diferente ter medo de enfrentar o chefe e ter medo de ser despedida. Eu diria que você tinha medo de ser despedida. E é compreensível.

– E irônico, porque no final das contas eu que me demiti.

– O que houve?

– Cansada de receber ordens sem fundamentos – respondi. – E depois que eu descobri que o filho do meu chefe é um idiota, bem, só foi mais um motivo para eu ter saído do Ministério.

– Acha que fez uma escolha boa? Pega aquelas cenouras pra mim, querida.

Eu me levantei para fazer aquele favor e entreguei as cenouras para ela.

– Eu não fiz uma escolha boa – respondi, pensativa enquanto a observava cozinhar. – Eu fiz a que achei que seria certa.

– O que torna essa uma boa escolha – ela apertou minha bochecha. – Mas não vamos falar de trabalho, conta sobre sua vida. Os amigos, os namorados...

– A senhora leu os jornais atualmente? – perguntei, preparada para qualquer olhar cético. Mas foi muito diferente do que imaginei.

– Eu soube pelo seu pai que não se conforma que o filho daquele Malfoy está no time da Inglaterra. Mas eu não entendo nada de Quadribol, então só entendi que você está namorando ele.

– Namorando, é. De novo.

Vovó se aproximou da porta e a fechou, como se o que fosse dizer a mim era ultra-secreto.

– Não diga a seu pai ou nem mesmo a ninguém dessa família que eu te disse isso.

– O quê? – estava começando a ficar espantada.

Vovó pegou um exemplar que estava na mesa e apontou a foto minha com Scorpius.

– Nunca imaginei que um Malfoy combinaria tanto com alguém dessa família – ela falou e eu nem acreditei que estava ouvindo aquilo. – Na minha opinião, que obviamente não é igual a do seu pai, vocês dois são uma belezinha juntos.

– A senhora acha? – eu dei uma risada.

– Quem não se apega a uma história de amor proibido?

– Ah, vó!

– Ok! – ela sorriu, dando um tapinha no meu braço. – Vai lá se divertir com seus primos agora, ficar vendo sua avó cozinhar é monótono.

– Tudo bem. Se precisar de alguma ajuda...

– Pode deixar, que eu chamo o Ronald.

E naquele mesmo momento, meu pai entrava na cozinha. Eu dei um beijo rápido na bochecha dele e tentei voltar para a sala, mas não consegui escapar.

– Filha – papai me chamou. – Precisamos conversar.

– Se é sobre o sobrenome que começa com Mal e termina com Foy...

– Não, não. É sobre você. – Quando me aproximei, disposta a conversar, ele acrescentou: – E sobre ele.

– Pai! Muda de fita!

– Não consigo! Não quando você fica aparecendo nesses jornais com má impressão agarrada a um jogador de Quadribol. Não, pior, a um Malfoy.

– Má impressão?

– É! As pessoas não precisam ficar sabendo da sua vida intima, Rose Weasley.

– Como se a escolha fosse minha. Não é nossa culpa que um fica tirando foto da gente.

De repente ele começou a falar mais sério:

– Achei que depois do que ele fez com você, não o veríamos mais pela nossa vida. Foi tão fácil aceitar as desculpas?

– Não foi fácil! – eu exclamei, tentando não alterar a voz. Droga! Odiava ter que discutir com ele. – Mas ele aparecia toda hora e...

– E então você começou a dormir com ele. De novo. É o que essas revistas dizem.

Revistas, pai! – eu falei alto. – Não a sua filha, em quem você deveria realmente acreditar. Olha – tentei me acalmar. – É Natal! Eu estava ansiosa para vê-lo de novo, e não ouvir o que o senhor tem a dizer sobre com quem eu saio. Isso não é mais da sua conta, pai!

Tentei dizer aquelas coisas educadamente, porque eu amava meu pai. Mas em alguns momentos eu não conseguia segurar e precisava dizer ou ele simplesmente continuaria esquecendo que eu não tinha mais quinze anos.

– Não quero discutir com o senhor justamente hoje – falei.

– Esse é o problema – meu pai parecia chateado. – Toda vez que esse... Malfoy está na sua vida, ele trás problemas pra gente, fazendo a gente discutir assim. Com ele, eu noto como nossas idéias ficam bastante diferentes.

– Eu não teria me apaixonado por ele se pudesse escolher. O senhor sabe disso.

Graças a Deus minha mãe apareceu naquele momento para interromper.

– Queridos, vamos jantar. Rose – mamãe segurou meu braço depois que meu pai saiu da sala. – Não fique chateada com seu pai.

– Eu não estou – e era verdade. – Ele está comigo. Não quero parecer uma adolescente revoltada com ele, mãe, mas às vezes...

– Sei, Ron é difícil às vezes, sempre levando as tréguas do passado para o nosso presente. Mas agora vamos jantar e esquecer tudo isso. Jenny pode anunciar a gravidez aí distrai todo mundo.

– Tá bom, eu já to indo.

Quando atravessei o corredor, encontrei James que começou a me acompanhar ao meu lado em direção ao quintal d’A Toca, onde todo mundo estava indo para jantar.

– Então, Rose, eu queria te fazer uma pergunta – ele pediu.

– O quê?

– Você soube de alguma coisa daquele cara, o Josh?

Franzi a testa.

– Não, por quê?

– Lembra aquela festa lá no Beco Diagonal? – Afirmei. – Parece que deu um problema, porque o cara apareceu naquela revista Gossip Wizard. O pai dele processou a loja.

– A LOGROS? – eu quase gritei, inconformada. – Como assim?

– O velho me culpou pelo fato do cara ter travado lá na festa.

– A culpa não é sua, James. Dansford foi um inconseqüente. Todo mundo sabe...

– Eu sei, mas se o sr. Dansford conseguir realizar o processo, eu nunca mais vou poder fazer uma festa em meu nome.

Aquilo parecia ser muito triste para ele.

– Mas isso não vem ao caso – James acrescentou.

– Não vem?

– Eu só queria que você agradecesse o Scorpius por ele ter se controlado com a provocação. Eu sabia que ia dar problema com o Josh, mas teria sido muito pior se ele tivesse apanhado do Malfoy e acabasse tendo uma briga.

– Okay – eu disse, sentando-me à mesa ao seu lado. – Eu falo com ele.

– Valeu – James sorriu. – E cá entre nós, até parece que um processo vai me impedir de fazer as festas.

– Você tem razão – pisquei pra ele. – Nem a McGonnagall conseguiu impedir, até parece que um velho chato vai conseguir.

Conversávamos entre nós enquanto nos servíamos. O resto da família fazia o mesmo. Um momento minha avó trouxe nosso avô para jantar com a gente e foi um momento feliz e animado. Eu estava comendo a batata quando de repente Albus se levantou meio desajeitado.

– Já vai sair da mesa? – tio Harry perguntou.

– Não, pai, não é isso. É... nós temos que confessar uma coisa. Digo, eu e Jenny.

– Vocês vão se divorciar? – estranhou meu tio George.

– Nada a ver, tio. Há alguns dias atrás, Jenny contou pra mim uma coisa e eu acho que vocês devem saber. Mas acho que ao longo dos meses vocês vão notar, porque quando isso acontece a mulher tende a ter algumas mudanças no corpo...

– A questão é, família Weasley e Potter – Jenny interrompeu o discurso de Albus. – Nós vamos ser pais daqui alguns meses. Por que demora tanto pra anunciar isso, Al?

– Pra não ter todo esse ataque histérico – respondeu Albus.

– Você tá grávida? – exclamou Ginny. – Ai, meu Deus, eu vou ser vó!

E então foi a melhor confusão, todo mundo fazendo perguntas e dando atenção aos dois. Até meu pai ficou fascinado, e minha mãe nem tanto pois já tinha notado. Era aquela coisa, quando alguém anunciava gravidez. A família vai crescer e nunca vai deixar de ser grande e animada. Eu olhei para Albus e sorri para ele.

– Parabéns – falei. Ele levantou a taça na minha direção, com um sorrisinho.

Quando a agitação estabilizou, meu tio Harry resolveu dizer:

– Parabéns, Albus e Jennifer. Eu não sei se estou preparado pra ser vovô, mas estamos aumentando os Potter e sempre vamos conseguir nos preparar para receber um novo integrante nessa mesa o ano que vem.

– O senhor não precisa discursar, pai – Albus deu uma risada.

– Eu faço o discurso! – exclamou Hugo, levantando-se. – Sou ótimo com as palavras. Bem, Feliz Natal a todos. Eu sei que esse momento é muito feliz e animado, estamos todos nos divertindo e dizendo o quanto nos amamos. Isso é ótimo. Ao sair de Hogwarts ano passado eu me perguntei: “Onde estará os Weasley pelo castelo agora que saí de lá?” Porque quando me dei conta, notei que eu sou o último dos Weasley. Mas agora, ouvindo essa noticia inesperada da mulher do meu querido primo Albus Severus, eu fico sossegado e tranquilo, pois agora tenho certeza que Hogwarts nunca vai deixar de receber alunos como nós, sangue de Weasley e Potter! E que assim seja para sempre! Um brinde a todos nós! Teddy?

– Sim?

– Vamos estourar o champanhe!

Teddy segurou a garrafa e colocou sobre a mesa. Hugo e ele tiraram a varinha do bolso, apontando para a garrafa. Os dois jogaram um feitiço, fazendo-a literalmente ser estourada. Mas o líquido sobrevoou sobre a mesa, mergulhando na taça de vinho de todos ali da mesa. Foi um momento bonito.

Aos poucos o pessoal foi saindo da mesa para a sala, porque era hora de abrir os presentes. Eu não estava com pressa para receber o meu, então fiquei conversando com James enquanto tomávamos o vinho perto do piano que Victoire tocava.

– Bem, parece que Albus conseguirá ser pai antes de você, James – comentei.

– Ele não parece tão animado – James falou, observando Albus abrir seu presente.

– Deve ser aterrorizante. Eles não planejaram.

– De qualquer modo, eu não pretendo casar e nem ter filhos. Só atrapalha a vida da gente, não acha? O negócio é se divertir.

– Às vezes pode ser bom casar. Pra não ficar sozinho o resto da sua vida.

– Eu não vou estar sozinho. Além da minha família, eu posso pegar qualquer mulher e não vou sentir carência de sexo se esse é o problema – ele deu uma risada.

– Não pensa em formar uma família com alguém que você ama? – perguntei. – Como nossos pais fizeram?

– Rose, eles viveram num tempo onde amor era cabana, se é que essa expressão existe e você me compreende. Num tempo onde todas as respostas eram baseadas no amor. Hoje, todas as respostas estão baseadas na fama e no dinheiro.

– É verdade, James – falei, tomando um gole de vinho. – Então não acredita no amor?

Ele negou.

– Você já se desiludiu uma vez – ele comentou. – Sabe que só serve pra piorar a sua vida.

– Piora só quando a gente não tem – eu disse. – Como a felicidade, compreende? Não temos a felicidade, então nossa vida fica uma droga. É a mesma coisa com o amor.

– Você acredita?

– No amor? Ah, só dessa família – falei, observando todo mundo se interagindo. – Porque todo mundo se ajuda, tem um ao outro, e se um não pode te ajudar haverá sempre outro disposto a isso.

– Então – ele começou a perguntar – o que é que fazem duas pessoas se desejarem para o resto da vida?

– Sei lá. Algumas querem dinheiro, outras querem sorrir, ter diversão e só acham que uma pessoa pode te dar isso. Às vezes eu estranho o fato de precisarmos apenas de uma alma sendo que nesse mundo há mais de bilhões delas espalhadas por aqui.

– Quer saber? – James estava rindo. – Esse papo já está me deixando com vontade de vomitar. Vamos abrir os presentes.

Foi uma noite divertida. Eram quatro horas da manhã quando a maioria começou a ir embora ou quem ia hospedar n’A Toca começou a subir para os quartos. Eu ia dividir meu quarto com Lily, como muitas vezes nós fazíamos.

– Essa cama tá enferrujada – observou Lily, sentando-se nela e fazendo barulho. – Você não vai se deitar não, ruiva?

Eu estava me olhando no espelho.

– Já que eu vou.

Lily se cobriu com o cobertor e virou-se para o outro lado. Quando estava tudo silencioso eu abri a porta do quarto, para andar pelo corredor. Alguém conversava lá embaixo, era a voz do meu pai e da minha mãe. Mas apressei-me a ir até o quarto do meu avô.

– Ei, vô! Está dormindo?

Ele estava com os olhos abertos.

– Feliz Natal!

– Pra você... também, querida.

– Hum... quer ouvir uma estória ou está com sono?

Ele sorriu fraquinho e afirmou.

– Só se for uma sua – a voz dele estava rouca. – Você fazia poemas pra mim, lembra?

– Não! Sua memória está melhor que a minha – eu dei uma risada. – Mas eu escrevo algumas coisas, quer ouvir?

E foi ali, ao meu avô, que eu li as primeiras páginas do livro que tentei escrever durante tanto tempo. Nunca havia mostrado a ninguém, mas gostaria que meu avô pudesse ouvir. No meio da terceira página, meu pai entrou no quarto.

– Você que escreveu essas linhas?

– Sim... O senhor escutou, então.

– Eu fui o único, talvez, porque seu avô caiu no sono.

Só agora que eu notei aquilo.

– Ah.

Meu pai se aproximou e sentou no banco ao meu lado.

– Sabe o que eu mais adoro em você e na sua mãe? – ele perguntou.

– O que?

– A intenção que vocês duas têm de fazer alguém se sentir bem, mesmo que elas nem prestem atenção nisso. Quando a Hermione começou a fazer os gorros pros elfos domésticos, ninguém quis saber. E eu a admirava pelo fato dela insistir nessas coisas.

– Mesmo não dando a mínima para a fundação da mamãe, o senhor sempre a apoiou – eu relembrei, com um sorriso. – E ela ficava sempre animada.

– É. – Papai olhou para o caderno na minha mão. – Posso ver?

– Claro, já está pronto mesmo.

– O que está pensando em fazer com isso?

– Publicar, vender e ficar rica.

Meu pai deu risada, entregou-me o caderno depois que o folheou e me deu um beijo na testa antes de se levantar.

– Você vai conseguir.

– Pai – sussurrei para ele se virar antes que saísse do quarto. – Me desculpe por ter sido grossa...

– Você não foi grossa. Eu que peço desculpas por ficar insistindo nesse assunto. Você sabe, não sabe Rose?

– Sei que odeia o Scorpius, mas tem que compreender que ele não é a pior pessoa desse mundo.

– Não odeio ele, Rose. O problema sempre foi a família dele. A última coisa que queria depois que aquela guerra acabou era ficar tendo que aturar eles. E saber que a minha filha anda... você sabe...

– Dê uma chance ao Scorpius, como eu fiz – pedi. – Só peço isso, apenas dê uma chance a ele. Você vai gostar, ele é jogador de Quadribol...

– Isso não muda o que ele fez pra você no passado!

– Por sua causa!

Meu pai ficou estático.

– Ele fez aquilo porque ele achou que nunca seria bom o bastante para você aceitá-lo!

– Do que está falando?

– Pai, eu sou louca pelo Malfoy. Vai me achar infantil dizer isso, mas eu sinceramente não consigo viver sem ele.

Acho que eu realmente mudei. Porque se fosse há três anos atrás eu nunca seria capaz de dizer aquilo.

Levantei-me para ir ao meu quarto e quando já estava na metade do caminho, meu pai disse, como se tivesse sido derrotado:

– Rose, eu vou dar uma chance. Para que ele me mostre a importância de ser digno a você, a mim, a sua família. Se estragar essa chance...

– Ele não vai decepcionar – sorri.

– E por que justamente o Malfoy? Não podia ser o Finnigan ou aquele Dansford?

Enquanto ele fazia seus muxoxos conhecidos, antes de trancar a porta do quarto eu só desejei rindo:

– Boa noite, pai, e feliz Natal.






Novo ano. Era começo de janeiro e eu passeava pelo Beco Diagonal, a procura de interessados com o meu livro. Não sabia nem por onde começar, mas sabia que precisava ser logo. Passei por várias entrevistas e até entreguei uma cópia do livro para cada editora, e a única resposta que recebia era: “Nós enviaremos uma coruja quando decidirmos. Aguarde.”

E eu aguardei com toda a paciência e esperança. Eu tinha confiança em mim mesma, e foram tantas entrevistas que simplesmente devia haver alguma editora que me aceitaria. Eu trabalhei para isso, pode não parecer, mas claro que trabalhei. Deveria receber alguma recompensa por todas as linhas que escrevi!

Mas a nossa vida é inesperada. E decepcionante.

Eu corri até o apartamento, para verificar se as corujas chegaram. Pedi a Scorpius que ele ficasse de olho naquilo. Então quando eu cheguei em casa, naquele fim de janeiro depois de semanas esperando alguma resposta, finalmente apareceu.

– Oi, ruiva – Scorpius saldou a minha chegada no apartamento com um beijo profundo. Mas não era hora.

– Chegou alguma carta? – perguntei, me desvencilhando dele.

Eu notei de primeira que ele queria tentar ocultar.

– Chegou, não é?

– Três.

– Deixa eu ver! Anda logo!

Scorpius tirou a primeira carta do bolso. Ele não tinha um rosto feliz. Mas eu queria acreditar que era só impressão e que ele estava fazendo suspense porque eu tinha conseguido mas...

A primeira carta dizia que eles haviam recusado.

A segunda que gostariam de um livro mais original.

A terceira carta também não pareceu interessada.

– Ótimo – eu me joguei na cadeira da cozinha. Scorpius sentou-se ao meu lado e como forma de consolo, ficou aninhando meu braço.

– Não perca as esperanças. Quantas cartas ainda têm que chegar?

– Mais cinco.

– Então! – ele sorriu. – Levanta essa cabeça que você não vai ser ignorada por todas.

– Eu sou só uma em um milhão – falei. – Muita gente também espera seus livros publicados, mas...

– O melhor que consegue, é, eu sei. E quem disse que você não é a melhor? Ou pelo menos a mais talentosa entre esses milhões? Fala sério, eu conheço muito bem o tipo de gente que trabalha nessas editoras. Aposto que nenhuma delas chegou a ler o seu livro para lhe dar uma chance e...

– Scorpius – encostei o dedo indicador nos lábios dele. – Obrigada, mas não precisa me dizer essas coisas. Eu estou bem. Realmente não esperava ser aceita assim de primeira. Acho que eu devo... insistir mais.

Ele pareceu aliviado quando eu disse que estava bem.

– Achei que você ia ficar revoltada com essas cartas. Bem, eu tenho que ir pro treino, apareço aqui de novo às nove horas. Tchau – ele me deu um beijo.

Quando saiu, eu me levantei e chutei a cadeira, depois rasguei a carta. Esperei semanas por respostas! Sim, eu estava meio revoltada mesmo

No dia seguinte, voltei para o Beco Diagonal disposta a insistir mais e mais, antes de ficar esperando a oportunidade bater na porta. Eu estava andando meio apressada pela rua quando de repente alguém saiu de uma loja e me chamou. Era uma voz de menina.

– Rose! Rose!

Reconheci Violet, do acampamento em Hogwarts, no momento que ela correu até mim sem fôlego.

– Oi, Violet.

E antes que tivesse tempo de respirar, ela me abraçou toda desajeitada.

– O que você está fazendo aqui? – perguntou interessada.

– Tentando fazer alguma coisa em relação ao meu futuro. E você, comprando novas vestes?

– Vovó disse que eu cresci dois centímetros. Pra ela faz diferença. Olha a coruja que eu ganhei. – Violet me mostrou a gaiola.

– É uma bela coruja, Violet. Mas agora eu tenho que ir, ok? Se eu chegar atrasada...

– Não quer conhecer a minha avó?!

– Que tal outro dia? Aposto que vou adorar ela e...

– Violet Bridget, não suma dessa maneira outra vez! – Uma senhora já de idade, mas elegante, apareceu apressada ao lado de Violet, segurando o braço da menina toda preocupada. De repente o que eu estava planejando fazer naquele dia dissipou da minha mente e eu só tive atenção para apenas uma coisa. Cumprimentá-la.

– Vovó, essa é a Rose Weasley, a qual eu lhe falei!

– Weasley? – a senhora me analisou. – Por que este nome me é tão familiar? Como vai, Rose, sou Hanna Bridget.

Eu apertei a mão dela, mentalmente incrédula.

– O seu nome também me parece familiar – eu falei.

– Você conhece os livros dela? Vovó é escritora – Violet exclamou, toda orgulhosa. – Escreveu mais de cinqüenta contos infantis e...

– Que coincidência – eu estava sem fôlego. – Violet, por que nunca me disse que sua avó escrevia os melhores livros da década?

– Você nunca me perguntou – ela falou, sorrindo.

– Acha meus livros os melhores da década? – Hanna Bridget perguntou, com um sorriso.

Muggles é o meu preferido. Desde os cinco anos. Acho que li ele umas... sei lá, eu sempre leio esse livro. Eu não acredito que eu estava diante da escritora que minha avó tanto falava! Autora do meu livro preferido...

– Rose, você deve conhecer a casa da minha avó! É repleta de livros e livros! O paraíso da literatura – Violet contou. – Quer jantar um dia com a gente?

– Ah... ah! – eu fui pega de surpresa. – Eu não sei, eu não quero atrapalhar vocês...

Quando a sra. Bridget falou: “Não vai” eu me senti mais confiante que nunca e então aceitei.

– Violet parece gostar bastante de você. Diz que a defendeu de seus colegas em Hogwarts.

– Sabe, ela é muito inteligente – eu disse. – Não é justo que os outros a deixem insegura por isso.

– Você tem razão. Bem, vejo que teremos muito o que conversar, srta. Weasley. Apareça em casa amanhã, oito horas da noite. E assim poderá fazer a pergunta que quiser, se realmente admirar meus trabalhos.

– E eu admiro! De verdade. Eu estava indo agora pouco conversar com umas... editoras...

– Escreve livro?

– Amadora. Mas me dá vergonha dizer isso na sua frente, a senhora é fascinante!

– Eu tive um começo também. Bem, este é o endereço da minha casa – ela me entregou um papel. – Foi um prazer conhecê-la.

– O prazer foi meu – eu mal estava acreditando ainda.

– Tchau, Rose! – falou Violet, sorridente, segurando o braço da avó.

– Tchau, Violet, até amanhã.

Eu comemorei baixinho quando elas foram embora. Poderia ser minha chance. Era só eu aproveitar. E torcer para que desse tudo certo, e ouvisse algumas dicas e experiências que ela teve. Era o que eu precisava.

Voltei para casa, com mais esperança do que nunca. Era só o começo.






N/A: Indesculpável essa minha demora, não é? Mas tá aí o capítulo e finalmente atualizei a fic. Confesso que neste tempo ocorreu uma falta de criatividade e inspiração. Mas a medida que a escola e as provas foram acabando, a inspiração foi ressurgindo (?). Pois então adoraria que todos que chegaram até aqui falassem o que estão achando da fic. Os comentários que recebo são combustiveis. Enfim, não posso prometer o próximo capítulo em breve, mas eu prometo que não vou abandonar essa fic :)


Espero que tenham gostado desse capítulo.
Então COMENTEM, por favor!
Feliz Natal a todos vocês, e um ótimo Ano Novo =D
Belac.


Cordy W. Malfoy: Obrigada! Desculpe ter feito esperar tanto tempo! Espero que tenha gostado desse capítulo. Beijos.

Leeh Malfoy: Primeiro desculpa a demora! Mas você sabe como foram as coisas. Leeh, espero que tenha gostado desse capítulo. Estarei esperando sempre seus melhores comentários, adoro!! *-* Beijãooo!


Sabrina M. e M.: Sempre vi Hermione como uma ótima mãe mesmo! Obrigada.

Mimi Potter: HEHE é a casa dos meus sonhos também! Obrigada pelo comentário!

Ju.Ca.p: HAHA *-* Obrigada pelo comentário!

patrícia.melo: Fiquei muito contente com o seu comentário! Obrigada por ele, e pela sinceridade com os personagens ahauhauha  Que bom que está gostando da fic, até leu durante a madrugada *-* Enfim, espero que continue sempre passando aqui pelo menos pra dizer o que achou dos capítulos! Seu comentário apareceu quando eu mais precisava pra continuar escrevendo! Bjs!

Larissa: Tudo bem, tudo bem! Sei como é complicado, e não vou exigir nada. Mas sempre saiba que seus comentários são mto bem-vindos! Beijos!

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 28/12/2011

Aiii que legal *----------------------------------* ameii o capitulo e a Violet aparece novamente *-*

Nota: 5

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