Paixões adolescentes
O verão fora engraçado para Harry.
Passara-o quase todo na Toca. Os Weasley, Hermione e ele.
Fora um verão divertido e diferente.
Percy não morava mais lá. Os gêmeos só apareciam para dormir, quando apareciam; a loja ocupava-lhes a maior parte do tempo, Gui e Carlinhos ficaram durante uma semana e logo sumiram para resolver “problemas da Ordem”, O Sr. e a Sra. Weasley estavam sempre ocupados e assim, a maior parte do tempo, ficaram Harry, Gina, Rony e Hermione.
Tudo começou com uma inocente partida de quadribol, Harry jurava que não tinha a intenção de derrubar Gina da vassoura. E, de repente, estavam os dois caídos no chão, rindo, com os rostos muito próximos e ela o beijara. Rápido, um estalinho, mas beijara.
Tinha de admitir que Gina estava mudada, crescera, não era mais uma menininha e mexia com a cabeça de muitos garotos. Mas ele, Harry, achava que nunca ia conseguir tirar a imagem de “irmã-do-meu-melhor-amigo” da cabeça.
Enfim, depois daquilo o clima ficou meio esquisito.
Durante o resto das férias, ela roubara alguns beijos dele e ele não fizera nada pra evitar, até gostara para dizer a verdade.
E desde que as aulas começaram não trocaram mais que uns cinco ou seis “oi”.
Achava que talvez não fosse certo enganar a menina. E não queria dar esperanças à ela. Realmente aquilo não passaria de umas ficadas.
Não tinha nem como conversar com Rony, pedir ajuda ou sei lá.
Já que, desde o fim do quarto ano, estava ouvindo Ron falando de Hermione, estava cheio, ele sempre falava e nunca fazia.
Jurara para si mesmo que tomaria providências se ele não agisse logo. Mas, para sua sorte, o tal baile apareceu e nem precisou se mexer para que ele finalmente a chamasse para “sair”.
Tá, não era bem uma saída, mas era um baile. Daria quase no mesmo, esperava.
E ali, deitado na sua cama, olhando o teto escuro, dera-se conta que não tinha par e sequer alguém por quem estivesse apaixonado.
Sua aventura com Cho fora um fiasco. Ela só chorava, uma mangueira-humana; mas parece que finalmente encontrara alguém que não se importava em secar suas lágrimas.
Mesmo assim, Harry já a esquecera.
Legal – pensou – eu não tenho par, não estou apaixonado e provavelmente ficarei sozinho com os meus melhores amigos namorado.
Céus, Potter – uma vozinha na sua cabeça falou – deixe de ser dramático! Você ainda tem tempo.
E, assim, pegou no sono.
Juliet chegara emburrada no quarto.
Ninguém reparara, claro. Mas ela agora não se importava mais.
Um maldito baile. Justo agora que havia se conformado em ser “quase-invisível”.
Tudo tinha que quebrar sua fortaleza de proteção.
Voltara a ficar chata. Também pudera, quando finalmente se convencera que ficaria bem e que continuaria assistindo tranqüilamente às aulas, vem Dumbledore e lhe joga um balde de água fria.
Mas ok. Era simples. Não ia e ponto final.
Ficaria ali no quarto até o amanhecer.
Ah, claro – pensou – e enquanto isso todos estarão se divertindo no baile.
Mas se ao menos conseguisse um par... Blé. Esqueça, Juliet!
Sem chance. Nem tenha esperanças!
E ficou ali, deitada, abraçada com o travesseiro e amaldiçoando quem criara feitiços desilusórios enquanto pequenas lágrimas rolavam de sua face.
Cansada de remoer sua raiva e de ter pena de si mesma, virara pro lado e dormira.
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