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20. CAPÍTULO 18


Fic: A Próxima Vítima HG CAP 20 AO 24 ON COMENTE E VOTE


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Capítulo 18


A teoria de Gina estava cheia de furos. Se realmente Shields estivesse por trás do assassinato de Sweeney, como conseguira botar as mãos no celular dela? Talvez sua teoria não tivesse fundamento. Era nisso que ela pensava enquanto o detetive Potter, pacientemente, esperava que ela lhe explicasse como a foto de Sweeney fora tirada com o telefone celular dela. Ela também queria uma resposta para aquela pergunta.


— Esse é o número do seu celular?


— Sim — disse ela. — Mas, com certeza, não tirei aquela foto.


O detetive Connelly a interrompeu.


— Aconteceu um imprevisto — anunciou ele, enquanto jogava o celular no bolso e caminhava na direção da porta. — Tenho dez minutos para chegar ao tribunal. Você precisa de alguém aqui para ajudá-lo?


— Não, obrigado — respondeu Harry.


— O tenente quer vê-lo no escritório assim que você terminar isso aqui — disse ele.


Aquela notícia deixou Harry mal-humorado. No mesmo segundo em que a porta se fechou atrás de Connelly, ele deu total atenção à Gina.


— Muito bem, conte-me sobre seu celular.


Ela presumiu que ele quisesse saber sobre o tipo e o modelo do aparelho. Como ela não se lembrava de nenhum deles, começou a falar sobre suas características.


— Ele tem uma câmera embutida — começou ela. — E uma enorme agenda com e-mails pessoais e profissionais. E é compatível com a Internet.


— E você não se lembra onde o perdeu?


Ela balançou a cabeça.


— Pensei que tivesse perdido no carro, mas o Henry procurou e não o encontrou. Não sei o que aconteceu com ele.


Ao ouvir o que ela dissera, Henry entrou no meio da conversa.


— É verdade. O senhor pode verificar com os funcionários da garagem. Eles me viram e eu disse a eles o que estava procurando. Não ficaram surpresos. Quer dizer, sem querer ofender, Gina, mas você vive esquecendo seu celular. Ele é bem pequeno — Henry disse a Harry. — E algumas vezes cai da bolsa dela. Uma vez, eu o encontrei entre o assento e o console, mas dessa vez não estava lá.


Ele assumiu uma posição protetora com relação à Gina e disse:


— Ela não está encrencada, não é? Quer dizer, só porque alguém usou o telefone dela. Você não vai considerá-la culpada, vai?


Mesmo que a lealdade do garoto pela chefe fosse admirável, no momento ele não passava de um aborrecimento.


— Da última vez que eu verifiquei, perder um celular não significava crime. Você não tem trabalho para fazer em sua mesa? — perguntou Harry.


Gina esperou até que Henry estivesse fora do campo de audição para sussurrar:


— Ele se preocupa muito comigo. Quando começou, ele era muito pior. Está melhorando, mas ainda se preocupa demais.


O grunhido de Melissa atraiu a atenção deles. A mulher estava realmente em sua praia. Seus dedos continuavam a voar sobre o teclado e, a cada um ou dois minutos, ela dava um suspiro ou fazia algum comentário tosco.


— Devo ligar e cancelar a assinatura ou informar que foi roubado? — perguntou Henry, da porta.


— Não, não faça isso — disse Harry. — Se tivermos sorte, talvez ele tente fazer novo contato.


— Ele não vai usar o celular dela de novo — disse Melissa. — Ele sabe lidar com computadores e, com certeza, sabe que pode ser rastreado. O e-mail foi mandado há cinco dias e, depois disso, ele não mandou mais nada. — De repente, seus dedos pararam de martelar o teclado. — Muito bem, encaminhei tudo para meu computador e vou imprimir uma cópia da foto de Sweeney para levar comigo. Até eu avisar, receberei uma cópia de todos os e-mails dela. Você não se importa, não é mesmo? Vou assumir que posso fazer isso.


Gina não estava prestando muita atenção. Estava diante da janela, olhando o trânsito da avenida Michigan, com a mente a mil por hora, tentando se lembrar da última vez que usara o celular. Ela sabia que o detetive Potter pediria o registro das ligações telefônicas, mas, se ela pudesse se lembrar agora, poderia fazer com que ele ganhasse um tempo precioso.


Desde que fizera a cirurgia, seus dias pareciam se misturar e ela não tinha mantido seu palmtop atualizado, como normalmente costumava fazer. Além disso, a horrível foto de Sweeney estava atrapalhando a concentração dela. Nunca imaginara que um rosto pudesse se tornar tão grotesco e deformado. Aquela imagem insistia em voltar à sua mente.


Ela não ouviu Henry chegar por trás dela. Deu um pulo quando ele tocou seu ombro.


— Desculpe — murmurou ele. — Eu não queria assustá-la. — Ele olhou para o detetive Potter, para ter certeza de que ele estava ocupado falando com a Melissa, e disse: — Eu só queria que você soubesse que voltei a verificar meu computador.


— Por que você fez isso?


— Queria ver se a foto daquele homem morto também havia sido mandada para mim — sussurrou ele. — Mas não foi. Gostaria que sim. Gostaria que tivesse sido mandada para todos os endereços eletrônicos que você tem na agenda. Não acho bom que tenha sido enviado apenas para você.


Ela concordou com um aceno de cabeça.


— Eu sei.


— Ele foi muito esperto na hora de mandar — disse ele —, fazendo com que parecesse que havia sido mandado do meu endereço.


— Eu nunca teria aberto o anexo se não tivesse reconhecido o remetente. Acho que ele queria ter certeza de que eu não apagaria.


— Ele deve ter alguma razão para fazer isso — disse Henry. — Mas qual?


Harry ouviu o comentário.


— É isso o que vamos descobrir.


Enquanto procurava no bolso um cartão de visita para deixar com Gina, seu celular tocou. Em apenas 15 minutos, era o terceiro chamado do escritório. O assistente de Lewis ficava ligando para exigir que ele voltasse o mais rápido possível. Harry sabia por quê. O tenente havia acabado de descobrir que Harry havia passado por cima dele, indo até o comandante para tentar salvar o emprego do jovem tira que havia interrompido a operação secreta.


— Você não vai atender?


— Acho melhor. — Ele colocou o fone no ouvido, ouviu por um minuto e disse: — Assim que terminar aqui, irei para lá.


Antes que o assistente pudesse argumentar, ele desligou o aparelho e virou-se para Gina. Entregou-lhe um cartão, que finalmente conseguira encontrar. Ela retribuiu com um sorriso agradecido. Linda mulher, pensou ele. E, maldição, era extremamente atraente. Em outra hora ou lugar, ele definitivamente a teria convidado para jantar, mas agora era impossível.


Não com uma investigação pendente. E mais: mesmo que não aceitasse a oferta do FBI, em um ou dois meses ele pediria para ser transferido de Chicago. Nesse momento de sua vida, envolver-se com qualquer mulher estava fora de cogitação. A não ser que ela aceitasse uma relação sem compromisso. O que sabia que não era o caso de Gina Weasley. Mesmo tendo estado com ela apenas por meia hora, ele sabia que ela não era disso.


Mentalmente, Harry balançou a cabeça. Ele não tinha nada que ficar pensando nessas coisas. Engraçado como sua mente trabalhava. Parece que seu irmão Dylan estava certo. Ele era meio pervertido.


— O detetive Wincott é responsável pela investigação do assassinato de Sweeney — disse ele. — Eu estou ajudando, mas é ele o responsável e logo virá até aqui para falar com você. É melhor que você não saia do hotel.


— Sim, claro.


— Mas, enquanto isso, se você precisar de alguma coisa — disse ele, com um meneio de cabeça indicando o cartão que ela ainda segurava —, esse é meu número.


— Tenho uma sessão de fisioterapia para meu joelho, mas posso cancelar.


— Eu imaginei que essa cicatriz fosse recente. Ela não existia quando nos trombamos na rua. O que aconteceu?


Ela se surpreendeu com a observação que ele fez. A incisão não era muito grande, mas a cicatriz ainda estava em carne viva e a pele, um pouco repuxada.


Gina lhe disse o que pensava:


— Você notou que ela não existia da primeira vez que nos encontramos? Isso é impressionante, detetive.


Nem tanto, pensou ele. Ele teria de ser um idiota para não ter notado as pernas dela.


— Beisebol — continuou ela. — Eu torci o joelho tentando alcançar a terceira base. Aconteceu no verão passado.


— Beisebol, hein? — Ele deu um sorriso. Ele estava tendo problemas para imaginá-la num uniforme de beisebol com o taco e o boné. Seu corpo parecia ser muito macio para aquele tipo de esporte.


— Sim, beisebol — disse ela. — Era um jogo para angariar fundos. Qual é a graça?


Ele não respondeu.


— Você machucou o joelho no ano passado e só encarou a cirurgia agora?


— Eu fiquei adiando, mas quando voltei a machucá-lo... — De repente, ela parou e, em seguida, disse: — Que idiota!


— Como disse?


— Não, não me referia a você — disse ela. — Estava falando de mim. A idiota sou eu. — Na pressa de explicar, suas palavras saíram engroladas. — Eu sei quem está com meu celular. Pelo menos, acho que sei e não posso acreditar que tenha levado tanto tempo para me lembrar disso. Sabe, eu derrubei minha bolsa e foi aí que o perdi. Desculpe. Normalmente eu não sou tão atrapalhada. Havia um homem. Ele correu atrás de mim até meu carro e ele...


A narração prendeu a atenção dele, que levantou uma das mãos.


— Calma — disse ele —, devagar. Vamos começar do começo.


— Tudo bem — disse ela. — Aconteceu na sexta-feira passada. Foi a última vez que usei meu celular. Tenho certeza disso.


Ele voltou a pegar seu velho bloco de anotações, enquanto procurava um lápis no bolso.


— Onde você estava?


— Na recepção.


— Parece-me que você acha que eu deva saber sobre essa recepção.


— Ah, desculpe. Achei que tivesse contado para você quando expliquei a relação entre Sweeney e Shields.


Ele não parecia estar muito feliz com ela.


— Por que você não me conta agora?


Ela não podia acreditar que se esquecera de mencionar o homem do estacionamento do parque, mas, em sua defesa, ela tinha o fato de ter sido bombardeada, primeiro com o e-mail e depois com o detetive Potter, a técnica e o detetive Connelly. Tudo isso em menos de uma hora.


Tão rápido quanto possível, ela lhe contou sobre a recepção que ela e as amigas tinham ido na Liam House.


— Luna havia nos matriculado para o seminário de fim de semana do Shields. Eu me lembro de ter-lhe dito que Shields faz dois seminários por ano em Chicago.


— O que vocês esperavam ganhar com isso?


— Era evidente para nós que o detetive Sweeney não estava fazendo nada a respeito de Shields, então decidimos...


Ele encolheu os ombros.


— Fazer o trabalho dele. — Pelas sobrancelhas franzidas, ela sabia que ele não gostara do que acabara de ouvir. — E como vocês planejavam fazer isso?


— Decidimos investigar Shields, na esperança de conseguirmos as evidências necessárias para entregá-lo a um promotor. Luna estava cuidando da investigação, enquanto Mione e eu dávamos apoio a ela. Na verdade, estávamos tentando encontrar uma maneira de entrar nos arquivos do computador dele para pegar nomes de outras mulheres que participaram de seus seminários. Pensamos que pudéssemos ligar os depósitos com...


Ele parou de escrever.


— Você sabe que isso é ilegal, não é?


— É claro que eu sei — disse ela. — Nós não conseguimos invadir o computador dele. Nós só queríamos fazer isso. Pelo menos, esse era o plano.


A mulher não tinha medo de confessar uma falta.


— Parece-me um plano mal elaborado.


Ela concordou.


— Sim, bem, a idéia foi de Luna e ela tem a tendência de andar rápido, sem pensar muito bem nas coisas. Ela sempre acredita que as coisas vão dar certo, o que, de fato, acaba sendo verdade.


Gina cruzou os braços e, na frente da janela, começou a andar de um lado para o outro enquanto pensava naquela noite horrível.


— Eu me lembro de que estava com meu celular. Estávamos atrasadas — disse ela. — Mas sempre que eu e Mione vamos a algum lugar com Luna, chegamos atrasadas. De qualquer maneira, a recepção estava no ápice quando chegamos e Shields estava lá, falando para o grupo. Aquele homem é uma fraude ambulante, além de extremante vaidoso. Não fiquei nem um pouco impressionada, mas, a julgar pelas reações das pessoas à minha volta, ele é uma pessoa incrivelmente carismática. Ele nos deu esse exercício completamente maluco.


— E o celular? — disse ele, tentando mantê-la nos trilhos.


— Eu devia ter me lembrado de desligá-lo, pois ele tocou bem no meio da apresentação de Shields. Apressei-me para chegar ao corredor e poder atender, antes que um dos guarda-costas o tirasse de mim.


— Guarda-costas?


— Dois deles. Ele os chama de assistentes, mas eles são guarda-costas. Verdadeiras montanhas de músculos.


— Muito bem — disse ele. — Então, você acha que deixou seu celular no centro de convenções?


— Não — disse ela. — Tenho certeza de que o coloquei de volta na bolsa. Eu acho que o perdi quando caí.


Harry estava se esforçando para manter a paciência.


— E quando é que foi que isso aconteceu?


— Quando voltei para o carro — disse ela. — Como estava chovendo, eu pedi que Mione procurasse Luna e esperassem por mim na porta da frente. Eu iria até o carro e voltaria para pegá-las. Enquanto eu corria até o carro, pensei ter ouvido alguém chamar meu nome. O vento estava muito forte e, como chovia forte, não deu para ter certeza disso. Virei-me para olhar para trás e vi aquele homem... — Tudo parecia ter acontecido há uma eternidade. — Tudo aconteceu muito depressa. Quando me virei, machuquei o joelho.


— E só agora você está mencionando isso? — Ele estava irritado e fazia questão que ela soubesse disso.


— Eu só não pensei... eu não liguei uma coisa com a outra. Tive muita sorte por ter conseguido escapar.


— Ele correu atrás de você?


— Sim. Você não acha...


— Acha o quê? — perguntou ele, diante da hesitação dela.


— Talvez o Shields o tenha contratado. Talvez ele estivesse esperando do lado de fora do centro de convenções porque sabia que eu estava lá dentro e talvez estivesse lá para me amedrontar, o que realmente conseguiu fazer.


— Você realmente insiste na idéia de que o Shields esteja por trás disso tudo, não é?


— Tem sentido, você não acha?


— Por enquanto, não vou adivinhar porque não tenho informações suficientes para emitir uma opinião, mas, quando tiver uma, deixarei que saiba. Agora, quero saber exatamente o que aconteceu, assim que você botou os pés para fora da Liam House.


— Eu acabei de lhe contar tudo.


— Conte-me novamente.


Ela repetiu a história, de acordo com as instruções dele.


— Quando caí, várias coisas caíram da minha bolsa, mas pensei ter conseguido recolher tudo. Devo ter deixado o telefone no chão. Eu estava desesperada para chegar ao carro e travar as portas — disse ela. — Ele segurava alguma coisa e gritava, pedindo que eu parasse. O que naturalmente não fiz. Tinha alguma coisa errada com aquele cara.


— Como assim?


— O rosto dele — disse ela. Ela esfregou os braços, tentando se livrar de um arrepio súbito. — Fico toda arrepiada só de pensar nisso. Eu liguei para a polícia — acrescentou ela. — E fui à delegacia de polícia para dar queixa do ocorrido.


— Muito bem. Agora, diga-me. O que havia de errado com o rosto dele?


— Ódio — disse ela. — Nunca vi tanto ódio nos olhos de alguém. E, depois, aconteceu uma coisa muito estranha.


— O quê?


— Pode ser que seja apenas minha imaginação. Eu estava sentindo muita dor no joelho, além de estar encharcada, mas, quando entrei no carro e olhei para fora, ele estava debaixo de um poste, olhando pra mim. Eu estava chorando — admitiu ela. — E, quando ele me viu chorando, a expressão do rosto dele mudou.


Ele balançou a cabeça.


— Como assim?


— Compaixão — disse ela. — Acho que ele sentiu pena de mim.
HG

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