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36. SURRA


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 36 - SURRA


Capitulo antecipado do dia 07/12. 


 


Juanita sorriu quando os viu entrarem na propriedade com a carroça. Eles tinham as mãos dadas e ela sorriu ainda mais quando a viu puxar a mão com força para livrar-se do aperto, e desceu apressada em direção aos pacotes e sacos de farinha.


Ela reclamou algo quando ele tirou um deles de suas mãos e disse algo que a contrariou.


-Não, Hermione – ele disse sério – Não vai carregar isso.


-E porque não? - ela pôs as mãos na cintura – era eu quem carregava as compras! Não me trate como se fosse frágil!


-Não é frágil – ele disse segurando um sorriso – É delicada.


Com essa frase se afastou com o peso maior e ela ficou para trás desconcertada. Não tinha respostas quando ele dizia coisas desse tipo. Confusa, apanhou o embrulho dos vestidos e o seguiu.


Na cozinha Juanita arrumava os mantimentos nos armários e soltou uma exclamação de prazer ao abrir um embrulho.


-O que é? – Hermione se aproximou, vendo-a erguer suaves peças de seda e algodão macio. Eram peças intimas em branco e rosa pálido. – O que é isso?


Virou-se para Rony com uma ruga de indagação na testa. Provocador usou do fato de estar atrás dela, e quando ela virou-se, salpicou um beijo em seus lábios, que entreabertos de surpresa, não o repudiaram.


Foi um beijo rápido e casto, e ele sorriu quando ela não disse nada.


-Quero que ponha todas as roupas dela fora. – ele disse a Juanita. – Deixe apenas as de seu tamanho e as mais novas.


-Sim, senhor  - ela disse baixando a cabeça e ocultando o sorriso.


-Não preciso de roupas novas – ela reclamou, sem muita energia, quando recuperou a voz.


Fora pega de surpresa pela agradável sensação de ser acarinhada.


-Precisa e merece - ele esbanjou sorrisos, tocando as peças e analisando.


-E porque mereço? Se não contribuo para nada! Não  me deixa trabalhar da plantação, nem cuidar do gado, nem cuidar da casa! Não faço nada de útil! - ela reclamou, mas ele preferiu não levar em consideração suas reclamações.


-É claro que faz algo útil, Hermione - ele piscou para Juanita antes de continuar.


-É mesmo? E posso saber o que faço para merecer presentes? – havia petulância em sua voz.


-Você me faz um homem feliz. Não é razão suficiente? – ele a olhou com olhar inocente esperando sua resposta malcriada.


-Fazia – ela disse comprando seu olhar – não se esqueça das fechaduras nas portas!


-Mesmo assim, ainda continuo um homem feliz – ele replicou – Juanita, pode preparar um lanche? Hermione não comeu nada desde que saímos.


-Ela não tomou café da manhã também  - Juanita disse em reprovação.


-Não estou com fome - defendeu-se.


-Não perguntei se está com fome – ele disse jovial – Me acompanhe em um lanche, Hermione – pediu.


-Não vai me deixar em paz se não fizer isso? – perguntou conformada.


-Exatamente – ele sorriu – Quero que esteja alimentada e bem vestida.


-Por quê? – não perguntava exatamente as razões, mas sim, onde esperava chegar com isso!


-Porque vamos visitar meus pais e quero que eles vejam como minha mulher está bonita e bem cuidada – ele continuava com aquela expressão esperançosa.


-Não quero visitar seus pais – ela disse decidida e pensou ter ouvido um gemido de desgosto vindo de Juanita. Olhou para ela, e pode jurar, que se Rony não estivesse ali, ela lhe faria um sermão.


-Sei disso, mesmo assim, é capaz de fingir, não é? – perguntou achando que nada minaria seu bom humor depois de ter conseguido um beijo roubado. Mesmo um inocente beijinho!


-Sinto muito, mas não posso esquecer a forma como o seu pai abandonou o meu, depois de jurar amizade e aproveitar-se dele, em tempos de vacas gordas! – seus olhos lhe disseram isso e ele parou para ouvir.


-Ainda não posso crer que meu pai tenha feito isso – ele maneou a cabeça.


-Pois fez. Um ano antes do acidente que deixou meu pai preso a uma cama, houve uma grande seca, e somente nossa fazenda conseguiu passar quase ilesa, pois tínhamos o lago em nossas terras. Nessa época, meu pai cedeu inúmeros animais, empregados e parte do plantio, para que o seu pai saldasse as dívidas! Para que ele não falisse! E um ano depois,quando meu pai precisou que alguém o ajudasse, nem mesmo uma visita de cortesia, por amizade que fosse ele recebeu! Minha mãe lamentava o dinheiro perdido ajudando o seu pai! No entanto, meu pai lamentava o amigo que o abandonou! Sofreu por isso por meses! Quando... - ela se calou, pois não tencionava abordar essa parte do assunto, mas era inevitável, tinha muita raiva dentro de si!


-Continue Hermione - havia compreensão, e ela se perguntou por que não a mandava se calar, afinal, era de seu pai que falava!


-Quando... Afastei-me de Gina, o fiz porque seu pai pediu.


Havia surpresa em sua face e ela não  controlou mais as palavras.


-A vida que estava levando iria macular Gina, e era melhor que ela me odiasse, a odiar a família, pois teriam que mandá-la para longe para nos afastar. Conhece o gênio da sua irmã!


-Foi por isso que terminaram a amizade?


-Não – ela confessou  - Eu não tinha mais interesse em amizades – em parte era mentira, mas sentia-se muito exposta contanto essas coisas.


-Porque meu pai faria isso? – ele perguntou a si mesmo.


-Não acha que ele seja capaz? – havia desafio em sua voz – Acaso não notou o quanto parecia disposto a empurrá-lo para um casamento comigo? Agora, a fazenda Wesley é a maior da região. - era uma  conclusão simples.


-Meu pai tem seus erros, assim como o seu. Não o julgue, ou farei o mesmo sobre o seu – ele disse em tom de aviso.


-O meu pai errou muito, mas estava desesperado e sozinho. E o seu? Ao que sei ambição não é uma moléstia grave, mas ao que parece, em sua família, é hereditário.


Humilhado, ele não pode responder a altura. Enquanto não falasse com seu pai sobre isso, não brigaria com Hermione.


-Uma visita rápida, não precisamos nos demorar. Faz mais de dois meses que nos casamos, minha mãe insiste em vê-la e dar os parabéns, afinal, não tivemos uma cerimônia como deveríamos! Não vou obrigá-la, mas vou me ofender com sua recusa. – ela avisou.


-Por favor, Juanita, me ajude a levar os mantimentos para a dispensa. – pediu, terminando a discussão, sem uma resposta definitiva.


Não iria com ele. Era fato. Se Rony insistisse, poderia ceder e isso a desconcertava. Desde o momento em que o tivera sobre seu corpo, e desfrutara daqueles momentos tão íntimos, sentia a incontrolável vontade de sempre lhe dizer ‘sim’ e controlava-se a todo instante para não transparecer!


-Juanita, peça a Duran chamar Suarez. Preciso que me acompanhe a fazenda do meu pai. Ele deve trazer alguns empregados – notou o interesse dela, mas como não questionou, também não ofereceu justificativa.


-Suarez deve levar alguma ferramenta de trabalho? - era um jeito sutil de Juanita perguntar por que levaria trabalhadores para sua visita pessoal.


-Fiz uma troca com meu pai. Dois empregados que entendam de gado, em troca de dois dos seus empregados que entendem de carpintaria – ele contou, sem esboçar a verdadeira intenção – Vamos reformar o segundo andar para que esteja habitável até o Natal.


Os olhos de Juanita brilharam intensamente e Hermione se perguntou o que acontecia. Onde fora parar sua voz, e porque estaria muda, apenas ouvindo.


-Que maravilha, Sr.Wesley sempre me questionei porque não usar o segundo andar!


-Seu estado é lastimável, mas com uma reforma, teremos mais espaço e proteção.


-Sim, sim, tem toda razão!


Juanita estava deliciada, mas Hermione não. Seu pai odiava o segundo andar daquela casa, pois após seu acidente, nunca mais pudera subir e se refugiar na sala de estudos onde guardava seus livros, que eram seu único consolo na vida que não escolhera mais tivera que aceitar viver!


Rony não a consultara antes de tomar aquela decisão, e ela se ressentiu.


Se ele percebeu, fingiu que não, deixando-a sozinha e desaparecendo atrás de cavalos, da carroça que devolveria, e dos empregados.


A mágoa tornou-se irritação, ao pensar em como era fácil sua posição de tomar todas as decisões sozinho! Estava nas mãos daquele homem odioso, e a cada dia o detesta mais por isso!


-Seu marido não gosta quando sai sem avisar aonde vai, Hermione – Juanita disse, uma hora depois quando tencionou sair para um passeio, pois se continuasse trancada dentro de casa enlouqueceria!


-E eu não gosto de dar satisfações cada vez que vou sair! –ela reclamou, descontando na empregada sua frustração.


-Ora, menina, ele não lhe pede nada demais! Às vezes Hermione, tenho vontade de lhe dar umas palmadas para ver se deixa de ser infantil e assume sua postura de esposa! Pobre homem, faz tudo para agradá-la. Nem ao menos se deu ao trabalho de ver os vestidos e prová-los! Coisa mais linda do mundo, e você fica esnobando!


-Eu não faço isso... – ela tentou se defender.


-Sim, é exatamente isso que você faz! Se esse homem não estivesse tão interessado em você e na vida que poderiam ter juntos, já teria perdido a paciência e ido embora! Por isso, ouça alguém que tem mais experiência que você e deixe as portas do seu quarto abertas para ele, e o trate com o devido respeito ou um dia, ele terá ido embora, por sua culpa!


-Pois saiba que Rony vive dizendo que é uma intrometida que fala demais! E ele tem toda a razão!


Furiosa com a audácia de Juanita saiu da casa desejando ter um momento de paz que fosse!


Um mergulho no lago e esfriaria a cabeça!


 


 


............................................................................


 


 


Um conversa longa com Artur Wesley, e Rony soubera que apesar dos esforços de seu pai em explicar, não dissera toda a verdade. Faltava alguma coisa, alguma informação que lhe negava.


Arthur era um homem honrado, o que o fazia pensar em suas razões para ter se portado de forma tão estranha em relação aos visinhos e, sobretudo, no interesse com o casamento. Lembrava-se  vividamente de sua insistência, sobretudo, ao questionar todos os filhos solteiros, cobrando-lhes aquele que faria a grande alegria de juntar as duas famílias.


Com isso na cabeça, Rony deixou a casa dos pais, ouvindo as mazelas e reclamações de Gina sobre Hermione e fingindo não ouvir. Sua irmã era uma flor de beleza, mas seu gênio era espinho puro! Teria que manter aquela linda boca rosada fechada, ou seu amigo Harry estaria no primeiro trem de volta a Londres tão logo ela dissesse coisas delicadas e sensíveis como as que acabara de ouvir: “Meu irmão livre-se dela! Ninguém saberá! Pode dizer que Hermione se afogou no lago! Alias aquela lá, adora se exibir nua! Tenho certeza que deve estar te traindo com algum empregado! Por isso o trata tão mal!”


Gina falava da boca para fora, mas era irritante.


Muito irritante.


Harry Potter era conhecido por sua paciência e capacidade de ouvir e entender, mas em se tratando de uma megerinha como Gina, teria que ser um santo para casar-se com ela! Um santo, ou um homem apaixonado, pois ele próprio tornaria a se casar com Hermione, a despeito de todos os percalços!


Hermione era difícil, e ele não era um homem paciente. Em outros tempos, ela não teria a  menor chance com ele. Por um segundo mediu esse pensamento e sorriu. Claro que teria. Ele ainda era o mesmo homem, o que mudara, era estar apaixonado.


Que Deus o protegesse, mas estava apaixonado por aquela megera!


Em certo momento se pegou sorrindo. E não é que para desespero de Hermione ele dera um jeito de arrumar uma cópia para aquela fechadura?


 


 


 


 


Hermione odiou ficar sentada sem nada para fazer, pensando. Não queria ficar em casa com Juanita enchendo sua cabeça a favor de Rony, pois apenas ela sabia de sua vida e de seus sofrimentos. Não seria esposa de ninguém!


Fora esse o acordo!


Aceitar aquele homem uma vez em sua cama não a fazia sua esposa! Afinal, fora obrigada a cooperar! Ele a usara para ter prazer e satisfação e ainda deveria lhe ser grata?


Não, com certeza que não!


Rony Wesley havia usado de sua dificuldade financeira para se adornar das suas terras! E ainda tivera covardia o bastante para confundi-la e fazê-la crer em um risco imaginário, para forçar uma intimidade que não desejava!


Maldito espertalhão!


Até mesmo naquele lugar, que era o seu favorito, perto das árvores, olhando as águas calmas, sentia-se perturbada. Porque aquele maldito não saia dos seus pensamentos? Quando não estava pensando no quanto era odioso, estava tendo pensamentos desconcertantes sobre como era bom olhar para ele, ouvir sua voz e sentir seu toque!


Fechou fortemente os olhos, num impulso decidindo nadar para esquecer e ocupar a mente!


Sim, porque não? Rony não estava na fazenda! Não poderia irritá-la por causa disso também! Além do mais, seria uma grande vingança se algum empregado visse! Talvez, em sua raiva, pudesse até nadar nua, fato que nunca fizera antes!


Porque não?


Ele não era seu marido, não o aceitava como marido, então, porque seguir suas ordens?


Num ato de rebeldia, ela tirou os sapatos e soltou os cabelos.


 


 


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Entre as arvores o mesmo homem que seguira na cidade espreitava.


Havia esperado que houvessem ido embora para apanhar seu cavalo e seguir na mesma direção. Não era segredo que aquele era o casal Wesley.


O marido jovem, e estudado, viera da cidade grande para dar o golpe na pobre órfã. Era dono de suas terras, de seu futuro, e admitia, tinha uma linda mulher. Observou quando ela livrou os pequenos pés dos sapatos e soltou os cabelos longos e ondulados.


Sim, uma linda mulher.


Não tinha tempo para perder, muito menos fantasiar. Com o lucro de seu roubo teria muitas e lindas cortesãs e não perderia tempo com uma moça de interior, por mais bonita que fosse!


Além disso, era mulher de outro, e com um bom dinheiro ele poderia comprar uma virgem. Um sorriso nasceu em sua face e ele guardou a arma, pois não precisava de artifícios para dar conta que uma coisinha pequena como ela!


Sorrateiro, esperou enquanto ela parecia em dúvida sobre entrar ou não na água. Com um profundo suspiro, Hermione desistiu.


Com raiva de si mesma, desistiu sem saber por que, ou talvez, apenas não podendo admitir a si mesma que não queria brigar com Rony. E não queria mesmo.


Desolada, compreendeu que apesar de seus esforços estava se apegando a Rony. Sentia vontade de abraçá-lo e permitir que a abraçasse. Hoje mesmo, na volta para casa, quando segurara sua mão, tivera vontade de sorrir e apertar-lhe os dedos com o mesmo carinho que ele o fazia. Poderia até ter lhe acariciado o rosto, ou ter beijado-o.


Na cozinha, mais cedo, quando lhe roubara um casto beijo, sentira o coração disparado e imediatamente, se pegara pensando que era uma pena Ford ter ido embora!


Como era possível sentir-se dessa forma? Como poderia suportar a dor quando ele fosse embora? Quando o mundo ruísse novamente ao seu redor?


Como faria para se proteger dele?


Hermione tentou não chorar. Tentou não sentir pena de si mesma, e se odiou por ser capaz de esquecer-se da imagem dos pais e da irmã apenas para ficar pensando em um homem. Odiou-se por trair aquilo que acreditava, e se render a ele o tempo todo!


Hermione secou o rosto quando pensou ter ouvido passos. Oh, Deus, ele não a deixava em paz um segundo sequer! Pronta para ter que lutar contra ele e seu olhar desconcertante, se virou, mas não era Rony.


Era um homem estranho, desconhecido.


-Calma moça - ele disse erguendo as mãos nuas, em sinal de paz – Não vou lhe fazer mal. Não precisa ter medo!


-Não estou com medo!- respondeu automaticamente – Essa propriedade é particular, não permitimos estranhos! O que faz aqui?


Mais que nunca, desejou estar com sua arma em mãos, mas desde que se casara e passara a esmorecer diante dos riscos, tornando-se crédula numa falsa proteção masculina, que passara a esquecê-la em casa quando saía.


-Vi a moça na cidade – ele se aproximou e em sinal de coragem, Hermione permaneceu no mesmo lugar, esperando afugentá-lo com sua certeza. – E vi que tem algo para mim.


-É mesmo? – havia ironia em sua voz – E o que tenho para você?


A amargura em sua voz quase o assustou. Estava acostumado a presenciar esse tipo de sentimento em pessoas diferentes. Não em jovens com rosto de porcelana. Seu olhar frio quase o gelou. Quase.


-Ouvi quando negociou o colar – ele disse sorrindo ao notar sua surpresa – Uma moça chama atenção num bar – ele manteve o sorriso dando outro passo e desta vez, Hermione se afastou.


Não era burra. Isso não ia prestar.


-Perdeu seu tempo. – ela disse tentando aparentar frieza – Meu marido tirou o colar de mim. Como vê, já fui roubada - era mentira, mas ele não teria como saber!


-Está mentindo. Não teria ido sozinha a um bar daquela categoria se não o houvesse feito antes! Sabia exatamente o       que estava fazendo – ele ironizou – conheço  o seu tipo, dona. Você não presta. Tenho pena do seu marido. Mas talvez... Eu faça um favor a ele. – riu – Me entregue a jóia.


-Não posso entregar aquilo que não tenho! – ela sentiu o medo crescer quando os olhos dele brilharam – É apenas um cordão de ouro. Não é nada demais! Não tem valor algum!


-Não foi o que andei ouvindo por aí – ele debochou cada vez mais próximo – Não adianta correr, eu te alcanço – ele avisou – Agora me diga, onde está escondido.


-Eu... Não sei – ela mentiu. 


Como poderia dizer a ele que estava dentro da casa? Aquele homem não deixaria barato, invadiria a casa e só Deus saberia dizer o que faria com Juanita e seus filhos e com os homens na plantação, não haveria como evitar!


Tinha que pensar rápido, muito rápido...


-De onde você é? – ela perguntou quando algo surgiu em sua cabeça.


-De onde eu sou? – ele riu incrédulo – de muito longe, moça.


-Eu... Poderia querer alguém para me levar daqui – ela sentiu a boca seca e continuou – Apanho o colar e lhe dou, em troca que me leve a Londres. Não será necessário cometer nenhum desatino. O que acha?


-Acho que está mentindo – ele acusou.


-Porque acha que fui sozinha tentar vendê-la? Para fugir!


Hermione era uma mulher de expressão imutável e o homem ficou claramente em dúvida sobre sua veracidade.


-Tire a roupa – ele mandou em voz firme e ela ofegou, surpresa.


-Por quê? – deu um passo para trás.


-Acha que sou tolo? As mulheres escondem seus mais preciosos bens nas roupas, moça. Não é a primeira que tenta me enganar!


-Eu... – as palavras lhe faltaram, pela primeira vez em semanas se viu sozinha, desamparada e completamente a mercê do perigo.


Por um segundo cogitou a idéia de gritar por ajuda, mas naquela distância, seria impossível ser ouvida. A menos que conseguisse se aproximar da plantação.


A casa ficava a uma distância maior, mas se cortasse caminho pelo bosque, mato adentro, poderia ser ouvida e tinha certeza que os empregados de Rony não lhe negariam socorro.


Talvez prevendo sua fuga, o homem se aproximou segurando seu braço. Felizmente, era magra e ele bruto demais para prever a destreza de alguém acostumado a lutar até o fim, por isso conseguiu soltar-se, e correr.


Hermione virou as costas e disparou em direção as arvores. Lamentou estar descalça os pés se ferindo, mesmo assim não parou ou olhou para trás.


Sabia que era seguida, mas não deu espaço para o desespero.  Costumava vencer seu irmão em longas corridas e poderia vencer esse estranho! Era só acreditar e não se desesperar.


Hermione teria conseguido, tinha certeza que sim, não fosse uma pedra pontiaguda no chão. Ela pisou e gritou de dor no momento que sentiu a pele romper e o equilíbrio se perdeu.


Aproveitando-se disso, arfante, o homem agarrou-a por ambos os braços e jogou-a contra uma árvore.


Hermione lutou, empurrando-o com braços e pernas, mas um poderoso soco em sua face, a fez parar. Aturdida por alguns segundos, sentiu as grandes mãos apalparem seu corpo. Isso a fez acordar do torpor e empurrá-lo com toda sua força. Achou que estava livre, mas ele agarrou seus longos cabelos, puxando-a de volta, enquanto ria.


-Volte aqui, vadia! - ele empurrou-a contra a árvore novamente, e acertou-lhe outro soco. Dessa vez Hermione chegou a ver o mundo enegrecer diante de si, mas não desfaleceu.


O homem agarrou seu pescoço e o ar foi completamente embora.


Com a mão livre, apalpava seus seios, sua barriga em volta do seu quadril. Procurava algo, a jóia que ela mesma fizera propaganda!


Como era tola!


Ele prendeu uma das pernas entre as suas e riu quando ela tentou afastar suas mãos, olhando para ele através de olhos turvos. Sua têmpora latejava, seu pé machucado espalhava dor por toda sua perna e o queixo estava repuxando, como se estivesse quebrado.


Ela ouviu um som, e fixou o olhar nele, debatendo-se quando viu o canivete em suas mãos.


-Não me obrigue a gastar uma bala com você, sua rameira – ele esbravejou, sentindo prazer em bater. Gostava de bater em mulheres, e esse era um antigo hábito que cultivava. Para ele, uma mulher ficava ainda mais linda apanhando!


Atirou-a no chão, e Hermione achou que poderia fugir, mas um chute acertou seu estômago e seu corpo se redobrou, as mãos procurando no chão de terra e mato algo para segurar e atirar em seu algoz. Mas não havia nada além de mato e grama seca.


Ele se aproveitou que ela tentava ir embora, e agarrou seus cabelos, puxando-a de volta. Meio caída, meio erguida, ela sentiu a dor correr por seu colo e busto quando ele colocou a navalha ali, e puxou para baixo, cortando o tecido e a pele, até dividir ambos ao meio e poder ver o que desejava.


O tecido da roupa íntima ficou estraçalhado, mas ele não deu atenção. Segurou a renda e puxou com força, destroçando o vestido na ânsia de achar a tal valiosa jóia que poderia comprar sua liberdade para um local bem longe daquele inferno de interior.


Não achando nada, não se deu por vencido, puxando a saia para cima, e passando as mãos por suas pernas, penetrando através da roupa de baixo, procurando um local qualquer que pudesse ter amarrado ou escondido a jóia.


Hermione se debateu furiosamente, principalmente quando notou que aquilo o excitava. Massacrar uma mulher o excitava. Lembrando-se do que acontecera a sua família, a Ann e sua mãe antes da morte, ela mordeu furiosamente o ombro daqui animal e correu.


Suas pernas não a sustentavam e uma de suas mãos segurava a própria cabeça, pois estava zonza, tão zonza que não viu que cairia até estar no chão.


-Por favor, me deixe ir – ela pediu quando o homem a girou e acertou-lhe um tapa com força.


-Fique quieta, cadela! – arrancou um grito de dor quando Hermione bateu o quadril contra o chão, ao ser jogada e chutada novamente.


Aquela dor foi mais forte que as demais e ela achou que morreria.


-Onde está? – ele insistiu, acertando-lhe um chute nas costelas – Eu perguntei onde está!


Como não houve respostas, Hermione preferia morrer a ver sua casa destruída por aquele homem, ele continuou batendo.


Em dado momento tirou a arma das calças e engatilhou. Limpou o suor da face e rindo apontou a arma em sua direção. Caída no chão, Hermione olhou para ele por entre os cabelos desalinhados e o sangue, que parecia cobrir toda sua face. A dor era tanta que não sabia de onde vinha.


-Eu não vou perguntar outra vez! – ele avisou.


-NÃO ESTÁ COMIGO! – conseguiu gritar, apesar da dor.


Não queria morrer, por mais que achasse que sim, ela não queria morrer. Não agora, que era mais feliz. Não agora, que a fazenda estava salva. Queria honrar a mãe e o pai que dedicaram toda sua vida em nome daquelas terras. Não queria morrer jovem!


Por mais que se sentisse uma traidora para com seus entes, ela desejava a vida.


-MENTIRA! ONDE ESCONDEU? - ele gritou novamente, dessa vez, Hermione olhou para ele com firmeza antes de responder um palavrão.


Se fosse morrer, ao menos morreria com honra!


-MERETIZ DE UMA FIGA! – ele guardou a arma, decidido a sentir o sangue dessa vadia nas mãos. Uma mulher com tanto sangue nas veias, merecia uma morte lenta, sofredora.


Merecia a tortura!


Cada gota de sangue desperdiçado lentamente! Usando as mãos, ele a ergueu, apenas pelo prazer de jogá-la longe, no chão. Hermione sentiu que não demoraria a perder os sentidos, mas não desistiu. Agarrou uma pedra, como fizera pela manhã, mas dessa vez, ela quis acertar!


Sua pontaria sempre foi precisa, e apesar da dor, conseguiu acertar seu alvo. Ele soltou um urro segurando a cabeça, onde o sangue jorrou, e cambaleou por um segundo, procurando equilíbrio e gritando palavrões.


Foi sua oportunidade, gritando por socorro, ela tentou correr. Conseguiu alcançar uma clareira, que não ficava muito longe do seu objetivo, mas seu corpo a traiu, e não conseguiu seguir, escorregou para o chão, desmaiando.


Quando ele a alcançou, estava semi-consciente,  havia horror em sua face ao vê-lo, mas não disse nada, não tinha mais forças. Rindo, ele esbravejou o quanto ela era perfeita para apanhar.


Uma mulher de brios sempre era mais prazeroso de surrar, do que uma jovem obediente e amedrontada. Hermione não conseguiu sequer gemer, quando ele começou a chutá-la.


Vários golpes, que lhe acertaram as costelas, o vente, os quadris, as pernas. Um deles acertou seu ombro e ela quase gritou, pois a dor era sufocante.


Empurrando-a de barriga no chão, ele colocou o pé sobre sua coluna obrigando-a a manter o rosto contra o chão batido, sentindo o gosto da terra na boca.


Não conseguia respirar.


-Não quero mais nada de você, sua imunda – ele vangloriou-se – Acha que posso deixá-la viva para contar o que estou fazendo? Acha que permitirei que fuja? Não, belezinha. Não mesmo!


Ela gemeu em resposta, mas queria era gritar e esbravejar que ao morrer, sua alma voltaria sedenta a levá-lo ao inferno junto com ela! Mas as forças haviam abandonado-a e não pode falar apenas respirar mais forte, lutando contra o estremecimento de dor que a perpassava a cada respiração funda e difícil.


-Quem sabe, se implorar, eu não a deixe ir? - ele riu, insistindo com os chutes até vê-la imóvel – não ouse morrer ainda, sua meretriz de uma figa! – ele se abaixou, agarrando seus cabelos e erguendo-a como a uma boneca de pano.


Uma das mãos pequenas tentou soltar o aperto, mas desistiu.


Com uma última tentativa de luta, ela desistiu.


 


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Rony ainda estava intrigado com o comportamento do pai e frustrado com Hermione, quando voltaram pelo bosque. Aproveitou para ver a extensão das cercas e conferir a necessidade de aumentar a segurança naquela área. Por causa do lago, muito se negligenciou aquela região.


Suarez era um homem acostumado a usar armas, e talvez, pudesse ter segredos no passado, mas a boa da verdade é que por trás daquele homem franzino e quieto, havia um homem capaz de prever a desgraça.


Desde a saída da fazenda, ele insistia em ficar, dizendo ter um pressentimento, mas Rony não acreditava nessas coisas, por isso mantinha-se calado, uma das mãos na arma em sua cintura, olhando para todos os lados, talvez esperando uma emboscada, embora seu patrão não possuísse inimigos, além claro, da própria esposa!


No entanto, segundo Juanita, a pobre menina, estava mais assustada com o casamento e o amor, do que propriamente furiosa ou desgostosa com o marido. Era um alívio, pois não seria o primeiro homem emboscado no leito, que Suarez veria. E esse homem, Rony Wesley lhe despertava afeição.


Acostumado a prestar atenção aos mínimos detalhes, ouviu sons baixos e distantes de luta. Poderia ser uma conversa, um casal aproveitando a privacidade das árvores, ou mesmo crianças brincando, mas algo no ar lhe alertava que era uma briga.


-Por ali  - ele disse a Rony – Vamos por ali.


-Suarez - ele reclamou, pois vinham discutindo sobre isso desde a saída da fazenda.


-Vou sozinho – ele disse, apressando o trote do cavalo.


Rony não era de abandonar um amigo, fosse ele pago ou não para protegê-lo, e o seguiu.


A poucos metros, em meio à clareira, seu coração parou diante da cena mais aterrorizante que poderia supor ver.


Um homem completamente desconhecido mantinha Hermione pelos cabelos, numa posição bastante ingrata. Havia sangue, muito sangue e suas roupas estavam rasgadas, sujas e ela parecia sem ação, talvez desmaiada.


Mas ele não ficou para ver, desceu do cavalo antes que este parasse por completo e correu em direção ao homem, apanhando-o de surpresa, ao jogar-se sobre ele com fúria.


Hermione caiu no chão, mas ele nem viu.


Cego pelo ódio e pela revolta imobilizou o homem, que não parecia ser tão forte e destemido com um homem que possuísse o dobro do seu tamanho e força. Era um covarde. Não tivera grande reação quando se viu diante de outro homem, sabia bater apenas em mulheres!


-COMO OUSA ENCOSTAR NA MINHA MULHER?!


A face do desconhecido estava retorcida pelos socos e pelo sangue, mas Rony não parou até ter certeza de tê-lo matado.


Suarez observava a uma curta distância, porém Rony nem notou, se aproximando de Hermione.


Sua querida Hermione estava aos pedaços no chão. Quebrada. Uma simples boneca de porcelana pisoteada. Teve medo de tocá-la e feri-la ainda mais, no entanto, precisava conferir se estava viva.


Seu coração batia tão forte e tão alto dentro do peito, que achou que fosse explodir. Ergueu sua cabeça e apoiou em seu braço, conferindo que respirava fracamente. Seu peito se movia muito devagar e Rony olhou para seu corpo, a roupa amassada, suja e rasgada, uma das pernas parecia estar na posição errada e seu ombro um pouco mais baixo que o normal.


Estava ferida.


Como pudera deixar isso acontecer?


-Hermione? – chamou baixinho – Hermione eu estou aqui, pode me ouvir? Abra os olhos, Hermione. Deixe-me ver seus olhos, por favor. Não me deixe assim...


Suas palavras caíram no vazio, pois ela não respondeu, ou olhou para ele.


Rony sequer percebeu que aquele homem não estava morto, e mesmo ferido, apanhou a arma com gestos lentos e mirou em seu alvo. Teria acertado em cheio em Rony, pelas costas, se Suarez não fosse atento e rápido.


Ao som do tiro, Rony virou-se assustado, com Hermione nos braços e olhou para seu inimigo.


Ele jazia morto, com um tiro no peito, e sua arma pendendo em mãos, na posição em que estivera ao mirar nele. Olhou agradecido para Suarez, mas não havia tempo para conversar.


Temendo ferir Hermione por dentro, com o balanço do cavalo, Rony pôs-se a andar, quase correr, em direção a casa. Em seus braços, seu mais precioso bem.


 O precioso cristal que enfeitava sua vida e que agora estava em pedacinhos em suas mãos...


 


 


 


 


 


 


Autora: pobre Hermione. Quem mandou ter a boca grande? Particularmente, não gosto de violência, principalmente contra mulheres e crianças, mas fazia parte da fic, não posso fazer nada. A Hermione tomou as rédeas da fic, e agora, ela é Rony só fazem o que querem e eu, só posso me conformar e escrever!


 


 


Beta: Ai meu Deus, fiquei com o coração apertado por ela, toda lanhada, tadinha, quando a Marja disse que ela ia apanhar, eu não pensei que era tanto assim, mas depois da tempestade vem à bonança, e que bonança ta por vir... rsrsr

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