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35. PERIGO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 35 – PERIGO


 


 


 


Hermione sabia que falavam dela.


E porque não falariam?


Respirou fundo e olhou para Rony. Ele havia tomado conta da situação, acalmado o Sr.Ford e sorrido com seu impressionante sorriso, os dentes brancos e uniformes hipnotizaram o velho asqueroso, assim como os lábios fartos e sensuais. Ao menos era assim que ela se sentia toda vez que o via sorrir e talvez Ford ficasse encantado, só que de outro modo!


O resultado fora algumas explicações esfarrapadas, sobre a carroça do Sr.Wesley estar disponível e ir buscá-la na propriedade dos pais.


Obviamente uma raposa velha como Ford notou que havia algo estranho, mas não questionou. Tudo que desejava era ir embora, antes que estivesse acostumado demais para aceitar a solidão de sua própria mansão próxima ao banco.


A comida cheirosa, os doces da anfitriã, as conversas inteligentes de Rony Wesley... Tudo isso o fazia desejar ter companhia esperando-o em casa, e em alguns momentos, depois de ter assistido ao rompante de paixão do casal, quase se pegara flertando com a pobre viúva Sra.Barth; a mulher fizera questão de ignorá-lo, mas agora, tinha certeza que era mesmo hora de partir!


Sentado na carroça ao lado da viúva, mantiveram uma conversa animada, pois Rony era um homem de falar de muitas novidades e planos. A calada Hermione, como era de esperar, manteve-se silenciosa e contrariada, e o homem se perguntou como uma mulher tão bem amada poderia ser tão sisuda!


Finalmente na cidade, livrara-se dos dois e Rony olhou para ela, suspirando. Mesmo ambos brigados, não resistiu a comentar:


-Sinto como se houvesse tirado um peso das minhas costas!


-E tirou – ela respondeu de volta, olhando em seus olhos.


Droga, porque ainda permitia que ele olhasse em seus olhos?


Ambos se afastaram e entraram no Armazém. Não tinham grandes compras a fazer, mas ele não aceitaria ficar sem farinha depois de provar os bolos e guloseimas que Hermione sabia fazer. Era um pequeno capricho, mas ao pegar um pote de nozes ele virou-se para Hermione:


-Me diga que sabe usá-las  - praticamente implorava.


Em Londres o empregado de Harry, Dobby fazia tortas de nozes e era sua maior fraqueza. Era um homem de emoções fortes e tinha uma queda por nozes.


Hermione teve vontade de frustrar-lhe o desejo, mas acabou sorrindo e maneando a cabeça antes de apanhar o pote e colocar sobre o balcão. Ele tinha cinco anos de idade quando gostava de algo!


Rony aceitou isso como um bom sinal, afinal, ela lhe faria um pequeno capricho! Sinal que não lhe era tão indiferente assim!


Animado, ele conversou com o velho dono do Armazém, ficando alerta quando ele começou a contar:


-Filho, nós ficamos preocupados com o banqueiro! – dizia sem saber que Rony o acolhera – quando o cavalariço voltou ferido de cobra à beira da morte, dizendo que o Sr.Ford havia se separado dele, todos pensamos no pior!


Hermione estava tensa ouvindo isso, ao seu lado, imóvel.


-A Sra.Barth foi às fazendas vizinhas, já que tinha visitas a fazer, e era esperado que  mandasse notícias, mas parece que também sumiu!


Os dois apenas sorriram, e continuaram as compras.


Num canto, longe dos ouvidos atentos ela deixou escapar:


-Eu estava certa – acusou.


-E como poderíamos saber? - ele defendeu-se.


Ela nem se deu ao trabalho de responder, apanhando um saco de ervas e jogando no balcão com força, mostrando claramente sua contrariedade.


Bem, eles ficaram neuróticos e tiraram conclusões apressadas! Mas não era o fim do mundo, era?


Sorriu, pensando na pobrezinha Hermione que fizera o sacrifício de se entregar a ele por nada!


Era um calhorda, mas estava feliz em vê-la injuriada!


Lançando um olhar sobre o armazém, separou algumas peças de roupas que estavam expostas. Roupas íntimas de mulher, e esperou-a se afastar para pedir que a mulher do dono do armazém apertasse as costuras, pois Hermione era pequena para as peças.


Ela não suspeitou de nada.


Rony não pode deixar de notar que ela observava com muita atenção uma arma. Era quase nova, e mais potente do que tinha. Um arrepio o percorreu ao se aproximar e nada discreto tirá-la de suas mãos, decidindo confundi-la e desviá-la, e não enfrentá-la:


-Gostaria de visitar a sepultura de seus pais?


Hermione pretendia brigar, mas sua expressão mudou ao ouvir sua sugestão.


-Sim, gostaria muito.


-Apanhe algumas flores – ele sugeriu e ela negou.


-Minha parte do dinheiro acabou – ela confessou, e havia mesmo uma pequena quantidade de compras suas.


-Oh sim, e não posso fazer uma gentileza para minha mulher? – esperava que pudesse entender uma brincadeira – Aceite como um pedido de desculpas pela noite passada... Quero dizer, por ter permitido que ficasse machucada por minha causa...


Ele mesmo corou um pouco, e ela olhou para o outro lado escondendo um sorriso, e se apressou em separar algumas flores. Algo singelo, afinal, não era dada a ostentação.


-Oh, Deus!


O gracejo chamou atenção e Hermione quis ter força suficiente para derrubar as paredes e poder sair do armazém sem precisar passar pela porta e pela pessoa que entrava e os fitava com olhos arregalados.


-Rony, que saudades!


A forma como agarrou sua mão e a segurou fez o sangue de Hermione ferver.


-Boa tarde – ele disse sorrindo e deixando-se apertar – Como tem passado... Susan? – confessava, demorara a lembrar seu nome!


-Muito bem! Oh, suas encomendas estão prontinhas! Ainda não tivemos oportunidade de entregar, pois com o medo pelo desaparecimento do Sr.Ford meu pai não achou proveitoso que saíssemos pelas estradas! – seu olhar era encantado.


-Muito prudente seu pai – soltou-se e sorriu encorajador – Talvez possamos apanhar os vestidos ainda hoje – olhou de relança para Hermione.


-Vou ao cemitério – ela disse rápida, querendo fugir de Susan, sua mãe e sua maravilhosa e harmoniosa família feliz! – Nos encontramos na carroça em uma hora?


-Sim, é uma ótima idéia – ele disse, sorrindo para ela.


Hermione saiu do armazém decepcionada por ter concordado tão rápido, e sem saber que apenas o fizera por saber o quanto a irritava passar algum tempo com Susan e sua mãe!


Naquela tarde, não se demorou no cemitério. Orou, e lamentou sua má sorte, mas não se demorou. Tinha uma idéia fixa na cabeça! E aproveitaria que seu marido a deixou em paz por tão pouco tempo, para por essa idéia em prática!


Aquele homem a sufocava!


Com passos duros, decidida, entrou no único bar de homens que havia na pequena cidade, fora o saloon.


-O que faz aqui moça? – o garoto, atrás do balcão arregalou os olhos, pois não era esperado moças vestidas como senhoras ali dentro!


-Chame seu pai - ela mandou.


Algo em seu olhar o fez obedecer, e ela olhou em volta, agradecendo por haver apenas um homem numa mesa bebendo.


O velho apareceu pouco depois, olhando-a com olhar esperto. Não precisava ser um gênio para saber o que a moça fazia ali!


-Preciso que veja uma coisa – ela disse direta, pois seu pai fizera muitos negócios com aquele homem ao longo dos anos.


-Está com você? – ele perguntou ansioso e ela olhou em volta, chamando atenção do homem para o fato de querer privacidade.


-Aqui, venha me mostrar – ele abriu uma passagem no balcão e ela entrou em outra sala com ele.


Foi uma conversa rápida. Como não levara a jóia consigo, apenas explicou-lhe o valor estimado. Combinaram para dali a um mês quando voltassem para as compras do mês. Não pagaria muito, mas já era o bastante para que fizesse um pé de meia, para quando Rony fosse embora e ela voltasse à vida miserável que tinha antes!


Hermione saiu apressada quando notou que estava em cima da hora para encontrá-lo! Tão apressada, que não notou que era seguida pelo mesmo homem que estivera dentro do bar a pouco.


Ele seguiu aquela pequena mulher pelas ruas, tomando cuidado para não ser visto. Estava prestes a abordá-la quando ela parou. Olhava numa determinada direção, e ofegou.


Hermione olhou para a cena à frente, incrédula, ou nem tão incrédula assim! Rony trocava um aperto de mãos de cavalheiros com o pai de Susan. O homem sorria esbanjando felicidade e ao seu lado, Susan parecia emocionadíssima!


Oh, Deus! Eles estavam acertando o casamento!


Seria isso? Bem, era a isso que Susan se referira outro dia, na fazenda. Acertarem o casamento, para quando ele a abandonasse!


Achando que nunca mais conseguiria acalmar o bater acelerado de seu coração, ela andou a passos lentos até ele. Em seu encalço, o homem parou e desistiu. A jovem tinha um marido ou irmão, então, não era uma boa idéia.


Virando as costas ele entrou no armazém, cheio de idéias.


Rony avistou Hermione se aproximando no momento em que ficou sozinho novamente. Havia acertado com o juiz, pai de Susan, que daria uma olhada em alguns contratos e processos acumulados em seu escritório.


Seria bom usar um pouco do seu conhecimento e ao mesmo tempo, receber um pagamento extra. Quem sabe assim, em poucos meses pudessem ir a Londres? Adoraria mostrar a cidade a Hermione, e faria muito bem a ela conhecer outros lugares e ver outras pessoas!


Ela não disse nada, apenas subiu na carroça e esperou que ele fizesse o mesmo.


Ele respirou fundo antes de subir e tomar as rédeas do cavalo.


Um longo caminho o esperava e naquele silêncio gritante, seria o inferno.


 


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Como esperado, Hermione não disse palavra alguma até metade do caminho, quando ele não suportou mais o silêncio, e puxou assunto:


-Comprei as fechaduras que prometi para as portas.


Se ela ficou surpresa, ou agradecida, não demonstrou.


-Inicialmente vamos instalar na porta da biblioteca e de apenas um dos quartos – ele disse notando que ela parecia em dúvida.


-Não temos uma biblioteca.


-Ainda não, mas vamos cuidar disso quando chegarmos. Quero arrumar do melhor modo possível, e será lá que guardaremos documentos importantes, e algum dinheiro, por isso as trancas são tão necessárias.


-Uma delas ficará no meu quarto? – ela perguntou direta, fitando-o com profundidade.


-Sim, mas apenas se me disser que as quer por segurança e receio de ficar só, e a noite, numa casa onde já aconteceu uma tragédia, porque se disser que é por minha causa, além de me magoar, vai me deixar humilhado. – ele disse sério, notando sua expressão de extrema dúvida – Hermione, eu  estou brincando com você!  - ele soltou uma risada, notando que ela continha a vontade de sorrir – Sei que não me quer no seu quarto, e não posso prometer não te atazanar no meio da noite. Dei um grande azar, Hermione, com esse casamento, eu dei um grande azar!


Como sempre, ele a deixava incerta, e contrariando sua personalidade, ela teve que perguntar:


-Exatamente qual foi o azar, Rony?


Ele sentia um aperto e um calor, cada vez que ela o chamava por seu nome, ou seu apelido, mostrando que não lhe era tão indiferente assim!


-Tive muitas amantes, Hermione, mas nunca desejei nenhuma delas com tanta vontade e possessão. E quando acontece, é justamente pela única que não me corresponde. É ou não é um azar?


Apesar de tudo, não estava mal humorado. Estava gostando de perturbá-la.


-As mulheres de Londres não esperam compromissos? – ela perguntou seca, ignorando propositalmente a declaração de paixão.


-É claro que esperam, mas nunca tive nada com donzelas inocentes. – ele respondeu sorrindo – Cresci no internato, e quando fiz quatorze anos fui à primeira vez em um bordel. O tio de um dos meus colegas queria levar o sobrinho para se tornar homem e acho que ficou com pena de mim, que não tinha dinheiro para ir e do meu amigo, Harry, que apesar de ter fortuna, não tinha o pai para conduzi-lo. Acabamos os três num cabaré. Apavorados e assustados até a morte, foi como saímos de lá! – ele riu da lembrança.


-Por quê? - ela perguntou sem querer admitir que estava curiosa.


-Ele nos levou em uma local barato Hermione, e as mulheres eram assustadoras! Não eram feias, mas eram velhas e a maioria desdentada e suja. Foi um trauma e nenhum de nós quis saber de mulher até os dezesseis anos, quando conhecemos um bordel de verdade. No aniversário de Harry, fizemos uma vaquinha e o levamos ao melhor cabaré da cidade! Obviamente não tínhamos o valor todo, só ele entrou, ficamos do lado de fora, até que a dona do lugar se apiedou de nós e nos convidou a entrar. Naquela noite lavamos muita louça e esfregamos muito chão para pagar, mas foi com certeza uma noite de revelações! – havia um ar sonhador em sua face – Depois disso, juntávamos o que tínhamos para comparecer ao saloon de Mercedes D’Looar! – ele sorriu notando que ela não achava graça nenhuma – Hermione era só um garoto conhecendo o desconhecido. Só vim a aprender a fazer amor de verdade quando adulto, e fora do internato.


-Oh, é mesmo? - ele não pode deixar de notar a ironia.


-Sim, trabalhávamos para um escritório de advocacia e com o que ganhava às vezes ia com Harry atrás de cortesãs.


-Disse que não gostava de cortesãs – ela lembrou.


-E não gosto, mas não quer dizer que não gostava antes – votou a sorrir da lembrança – Mas acredite, o desejo em nada é comparado ao desejo correspondido, que tenha afeto e respeito – ele olhou em seus olhos, e ela afastou os seus, olhando em volta.


-O que o pai de Susan queria? – tinha que perguntar. Não podia ficar corroendo a idéia de ele ir embora com Susan a qualquer momento!


-Ele tem alguns processos acumulados, visto que não dá conta de todo trabalho. Quer que o ajude com isso, e vou ganhar um extra. O que acha? Pronta para ganhar outros vestidos, e talvez, viajar um pouco?


-Porque diz isso? – ficou surpresa, a testa franzida.


-Dinheiro extra, Hermione, para sermos um pouco felizes.


-Não gaste seu dinheiro comigo. – avisou.


-Mas eu quero gastar – ele respondeu tentando não se irritar – Uma viajem a Londres não a interessa? Conhecer a cidade? Podemos ficar na casa de Harry, ele gostará de ter companhia!


-Vá sozinho – resmungou.


-Não quero ir sozinho – ele resmungou de volta, seu humor evaporando.


-Isso não é problema meu - mordeu a língua para não dizer que levasse a adorável Susan! Ou quem sabe, os futuros sogros? Afinal, estavam até trabalhando juntos!


-Sabe o que é pior? É que gosto de conversar com você! – ele reclamou, indignado – Porque tem que sempre ser tão desagradável, quando tudo que desejo é conversar?


-Não temos muito que falar – tentou defender seu ponto de vista.


-Assuntos não nos faltam. O que falta é vontade de colaborar.


-Certo... – ela deu de ombro, erguendo o queixo como num desafio – Comece.


Rony lutou contra, mas não pode evitar o riso. Segurando as rédeas, ele usou uma das mãos para agarrar a sua a força e levar aos lábios para um beijo.


No resto do caminho, ele não soltou sua mão, enquanto tentava manter um diálogo. Ela tentou várias vezes se livrar, mas ele não deixava e acabou desistindo, dizendo a si mesma, que era apenas mais inteligente colaborar do que lutar em vão!


                    


 


 


 


 


AUTORA: Gente, o próximo capitulo é um pouco forte. Vamos nos preparar, ok?


Natinha, eu já me formei. Faz quase dois anos!


Sou tipo assim, a titia do HP! Hehe....nem sou tão velha assim...


 


Gente, quando a Gina ela é ingênua, e está confusa. Não vamos crucificar a menina antes de conhece-la, ok? Hehe...mas ela vai ser meio irritante!!!!!


 


Beijos!!!!!


 

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