Harry tinha um grande sorriso no rosto enquanto observava cada detalhe de seus três guardiões, todos estavam muito diferentes do que ele se lembrava, Neville estava muito alto, pelo menos uns dez centímetros a mais que Harry, seu cabelo estava desgrenhado e sua postura era quase que militar, muito diferente de seu antigo ar bonachão.
Gabrielle se mostrava uma real descendente de veela, seus longos cabelos compridos desciam até a metade das costas e tinham um brilho especial, até mesmo naquela escuridão, seus olhos eram profundamente azuis e cativantes e seu corpo era belíssimo, extremamente desenvolvido para uma garota de apenas dezesseis anos. Ela conseguia ser ainda mais bonita do que Fleur.
Krum se assemelhava a um verdadeiro urso, parecia mais alto do que antes e seu corpo robusto estava em perfeita forma, aparentemente a postura militar de Neville tinha fundamentos no exemplo passado por Vitor.
Todos os três pareciam satisfeitíssimos e cansados, provavelmente tiveram que percorrer uma boa distancia da Floresta proibida a pé, já que não podia se aparatar e desaparatar dentro de Hogwarts.
A única pessoa que parecia estar com energia de sobra era Gabrielle, em seu rosto havia um lindo sorriso.
- Olá Harry. – Gabrielle foi a primeira a falar, sua voz era doce e calma, diferentemente de Fleur ela quase não apresentava sotaque. – Quanto tempo que eu não te vejo, quase não te reconheci.
- Muito tempo mesmo, já faz quase três anos. – O coração de Harry batia rápido, ele queria correr até os três e dar um grande abraço em cada um, mas a expressão de cansaço nos rostos de Neville e Krum o desencorajavam. – Se você não falasse seu nome eu nunca te reconheceria.
- Eu cresci. – O rosto branco da garota se ruborizou e ela desviou o olhar.
- Cadê a Hermione? – Krum procurava em vão pela garota na escuridão.
- Ela não está aqui. – Os olhos do garoto se concentravam em uma pequena pedra no chão, evitando o contato direto com os de Vitor. – Nós nos separamos anteontem.
- Como assim se separaram? – Neville e Krum perguntaram.
- É uma história muito longa e complicada, basta vocês saberem que ela não está comigo e que eu não faço a mínima idéia da onde ela se encontra.
- Isso é muito ruim. – Neville tinha um expressão preocupada no rosto.
- O que você fez com ela? – Krum se colocou de pé novamente assumindo uma aparência feroz e amedrontadora.
- Nós brigamos, eu não sei direito. – Harry mantinha sua varinha apertada na mão, mesmo sabendo que Krum não o atacaria.
- Como não sabe? – Vitor vociferou a pergunta.
- Eu não sei... – Harry criou coragem e olhou diretamente no olho do Búlgaro, seu olhar de culpa amenizou a raiva que o outro sentia, mas não pos fim ao clima tenso que se instalara na clareira.
- Harry, nós temos que achá-la, ela está correndo muito perigo. - Neville apressou-se em cortar o dialogo que já rumava para uma briga.
- Talvez Moody saiba onde ela está. – Gabrielle parecia apreensiva, mas tentava manter o pensamento positivo no grupo.
- É talvez... – Neville não parecia tão certo desta hipótese. – Bom esperem um pouco. – De dentro do bolso lateral o garoto retirou uma pequena moeda de ouro, tocou sua varinha nela e a colocou de volta nas vestes.
- Isso é um dos galeões da AD? – Harry parecia surpreso.
- É sim, só que nós os modificamos um pouco para que todos pudessem enviar mensagens para os outros membros. – Neville estava com um largo sorriso no rosto. – Foi minha idéia. Provavelmente Moody já está designando equipes para procurarem pela Hermione.
- Equipes? Outros membros? – Harry não estava entendendo nada do que Neville dizia.
- Você vai entender quando chegar ao refugio. – O olhar de satisfação de Neville perdurava. – Mas você realmente não acha que eu sou o único membro da AD que está lutando não é?
- Eu não ...
- Nem que eu seja a única representante da Beauxbatons que veio ao seu auxilio e que Krum seja o único de Durmstrag, não é? – Gabrielle parecia muito orgulhosa de estar ali.
- Mas porque? – Harry ainda não conseguia visualizar e nem imaginar a possibilidade de ter mais que uma dúzia de pessoas lutando contra Voldemort.
- Harry, não é só a sua vida que está em jogo, é a vida de todo um universo bruxo e trouxa, todos estão lutando pelas pessoas que amam, assim como você. – Essas eram as primeiras palavras gentis de Krum para com Harry.
- Eu nunca tinha visto dessa forma. – Harry sentia-se envergonhado por não perceber quantas vidas podem se perder se Voldemort vencer.
- Pois deveria ver, todos que estiveram ao seu lado até hoje o fizeram por amor e esperança, eu jurei vencer essa guerra por meus pais e por Hogwarts. – Neville tinha uma feição feliz.
- Eu realmente me sinto mal por não ter percebido estas coisas. – Harry sentia-se mal por todas as pessoas que haviam se sacrificado por ele.
- Não se sinta, todos vocês lutam por uma causa nobre, até eu vou estar ao seu lado quando a hora chegar, os centauros não permitirão que Voldemort vença esta guerra. – Firenze se pronunciou pela primeira vez e pareceu chocar os três guardiões com sua presença.
- Nossa eu não tinha te visto ai. – Gabrielle parecia assustada com o tamanho de Firenze.
- Harry nós temos assuntos mais importantes para tratar agora. – Neville voltou a sua expressão séria e cansada. – Você não é o único que nós devemos resgatar hoje.
- Não? – Harry mais uma vez parecia surpreso.
- Não, Voldemort esta caçando todos os seus companheiros e ele conseguiu achar os últimos membros da ordem.
- Como vocês sabem? Lupin está bem? – Harry só se lembrou agora das vagas explicações da carta.
- Lupin mantinha uma comunicação com Moody e hoje a tarde ele lhe enviou um sinal de ataque, depois disso nós não pudemos mais fazer contato.
- Mas nós estamos indo resgatá-los, isso quer dizer que tem sobreviventes – Harry não conseguia acreditar na hipótese de Lupin estar morto.
- Não Harry, Lupin era o fiel do segredo da localização dos Weasleys, mas com a possível captura dele, Moody esta nos enviando para resgatá-los.
- Mas como vocês sabem onde eles estão, se Lupin era o fiel não tem como saber. – Tudo era muito confuso para Harry.
- Moody também sabe a localização do esconderijo, nós vamos até lá por meio de uma chave de portal. – Neville retirou de dentro de suas vestes uma pequena medalha de ferro enferrujada.
- Mas e Lupin?
- Nós não podemos fazer nada por ele. – Vitor tinha um olhar triste, mas mantinha sua postura séria. – O melhor agora é salvar os Weasleys e achar Hermione.
- É verdade Harry, até mesmo Moody falou que a sorte de Lupin e dos outros membros da Ordem está sendo testada. Eles sabiam dos riscos que corriam e se arriscaram por você. – A voz de Gabrielle tinha o poder de acalmar o garoto.
- Mas eu não posso permitir que eles sejam deixados a própria sorte. – Harry não se conformava com o que eles estavam fazendo.
- Você não pode fazer nada. – Firenze olhava diretamente para o garoto. – Eles vão ficar bem.
- Nós temos que ir, já perdemos muito tempo. – Neville esticou a medalha para frente, Gabrielle e Vitor já tinham suas mãos sobre ela.
Harry olhou uma ultima vez para Firenze, mas antes que falasse alguma coisa o centauro balançou a cabeça de uma maneira gentil e calma, ergue seu arco mais uma vez e caminhou para o limiar da clareira. – Vão logo, vou dar cobertura para vocês.
Harry tocou a chave e uma forte luz branca iluminou a todos, eles sentiu seu pé sair do chão e seu mundo rodar, a chave deveria levá-los diretamente para o esconderijo dos Weasleys, mas tudo que Harry queria agora era sair em busca do ultimo representante dos marotos.
Ele sentiu suas costas se chocarem contra um chão macio, era uma terra fofa e úmida, seus três companheiros estavam de pé ao seu lado e olhavam diretamente para uma bela cabana levemente iluminada.
- É aqui? – Gabrielle parecia procurar a imagem da irmã passando por alguma das janelas.
- Sim, é igual ao lugar que Moody me descreveu. – Neville examinava cada detalhe da casa, ele estava muito diferente do garoto que Harry havia conhecido em Hogwarts. – Vamos logo, não sabemos se Voldemort sabe que eles estão aqui.
Todos os três começaram a andar em direção a casa, somente Harry continuava parado olhando diretamente por uma das janelas, Gina estava sentada na mesa de jantar ao lado de Fred, ou Jorge. Ela estava mais linda do que nunca aos olhos do garoto, mas ao contrario da felicidade que ele deveria estar sentindo, ele sentia uma grande culpa, em parte por um dia ter a abandonado e em outra pelo que aconteceu entre ele e Hermione.
- Esperem. – Os três guardiões pararam ao comando de Harry.
- O que foi? Tem alguém por aqui? – Neville já havia sacado sua varinha e apontava para todos os lados.
- Não. – Harry continuava a olhar para Gina.
- Então o que foi? – Vitor parecia impaciente.
- Eu quero ir sozinho até a porta.
- Sozinho? – Krum não parecia entender o pedido de Harry.
- É, sozinho. Vocês podem vir depois.
- Mas...
- Tudo bem, pode ir Harry, agente espera. – Neville parecia ter entendido o que seu amigo queria dizer.
- Obrigado. – Harry era extremamente agradecido a Neville naquele momento.
O garoto caminhou rapidamente até o portão de madeira da casa enquanto seus guardiões mantinham-se vigilantes, correu para a porta principal e parou diante desta, a poucos segundos tudo o que ele mais queria era abrir aquela porta e encontrar Gina, mas agora, parado diante da bela porta de carvalho, ele tinha medo, “E se ela descobrir? Será que ela vai me odiar? Será que ela já sabe?” muitos pensamentos passavam por sua cabeça enquanto ele tentava recobrar a coragem para encontrar Gina.
Krum parecia estar impaciente com a demora do garoto e começou a fazer pequenos barulhos para apressá-lo, mas Harry mantinha-se estático perante a porta, ouvindo um pequeno barulho de vozes em seu interior. Com uma mistura de medo, excitação e impaciência consigo mesmo, o garoto deu leves toques na porta com as costas da mão, a principio eles foram abafados e frágeis, mas no fim tornaram0se audíveis para todos que estavam dentro da cabana.
A casa estava no mais completo silencio, Harry sabia que eles deveriam estar muito assustados, principalmente porque sabiam das investidas de Voldemort.
Krum estava irritado com a demora, mas Neville e Gabrielle faziam o possível para impedir que ele explodisse a porta. Aos poucos, fizeram-se audíveis passos de alguém se dirigindo à porta. Após alguns segundos Harry sentiu que havia alguém parado do outro lado e assim como ele tentava criar coragem para dizer alguma coisa.
- Quem .. Quem está ai? Como você achou está casa? – Era Gina, o pavor dominava sua voz apesar dela tentar transparecer segurança.
Harry manteve-se calado por alguns segundos, tentava pensar na melhor coisa para dizer, mas a coragem havia lhe fugido mais uma vez.
- Moody? – Gina parecia estar mais apavorada do que antes.
- Eu sou o homem que nunca disse “Eu te amo” e agora voltou para reparar este erro. – As mãos de Harry tremiam, ele não sabia como teve coragem de dizer aquilo, e mais uma vez seu estomago se contorceu de apreensão.
A complexa tranca da porta se desfez poucos segundos depois e ela se abriu, Gina estava pasma e não conseguia acreditar no que ela via. Harry estava parado em sua frente e era real, não uma miragem de sua mente ou uma ilusão, por tanto tempo ela sonhou com esse momento, mas agora estava sem ação, estava congelada com os pés presos ao chão e sua mente completamente em branco.
Os olhos da garota se encheram de lagrimas e ela começou a chorar, Harry puxou-a para um tenro abraço tentando acalmá-la, mas mesmo ele estava com lagrimas nos olhos. Os barulhos de Gina chorando alarmaram todos os outros moradores que correram em direção a porta com suas varinhas em pé.
- Saia de perto da minha irmã seu Comen... – Rony parou boquiaberto ao ver Harry abraçando Gina, nenhum dos Weasleys acreditava no que estavam vendo.
- Por Merlin! Gabrielle!- Fleur havia gritado ao ver que logo atrás de Harry estava sua irmã, acompanhada de Krum e outro garoto desconhecido.
- Fleur! – Gabrielle se jogou nos braços da irmã e as duas começaram a conversar rapidamente em francês enquanto choravam de alegria.
- Har.. Harry. – Rony continuava parado olhando para o amigo, já havia quase um mês que eles haviam se separado. Desde que partiu Rony começou a acreditar na idéia de que nunca mais veria o garoto com vida e agora ele estava na sua frente, abraçando a sua irmã, a qual ele havia traído com Hermione.
- Eu sinto muito em estragar o tocante momento, mas nós precisamos sair daqui imediatamente. – Krum não parecia feliz com a demora. – Recolham todas as suas coisas o mais rápido que puderem e saiam, nós precisamos ir.
- Ir para onde? – Fleur era a única que havia prestado atenção no que Krum falou.
- Vocês irão ver, não temos tempo para explicação. – Vitor começou a empurrar todos para o interior da casa, tentando forçá-los a irem rápido. – O fiel do segredo de você foi capturado, estamos correndo um grave perigo ficando aqui.
- Lupin foi capturado? – Fred finalmente parou de olhar para Harry e passou a dar importância ao que Krum dizia.
- Foi. – Neville estava novamente com um olhar sério no rosto. – Vitor está certo, temos que nos apressar.
Todos entraram na casa rapidamente, dirigiram-se para seus respectivos quartos em busca de seus pertences, somente Gina e Harry permaneciam no hall de entrada, a garota havia parado de chorar, mas ainda tateava o corpo do garoto como se estivesse se certificando de que aquilo era verdade.
- Eu senti tanto a sua falta. – Os olhos avermelhados, devido ao choro, da garota mantinham-se mirando fixamente os de Harry.
- Nós temos muitas coisas para conversar. – Harry sabia que nem tudo seria como antes.
- Eu posso imaginar, todos evitavam dar noticias sobre você.
- eles estavam fazendo o melhor para você.
Gina se aproximou do rosto do garoto, ela olhava diretamente nos olhos dele, eles estavam mais esverdeados do que ela se lembrava. Harry podia sentir o hálito doce e quente de Gina próximo a seus lábios, a vontade de beijá-la o dominava, mas ele não conseguia tirar a imagem de Hermione da cabeça.
Gina se aproximava lentamente e aos poucos roçava seus lábios no do garoto, a poucos dias ela imaginava que nunca sentiria os lábios de Harry tão próximos aos dela novamente, mas felizmente ela se provou errada, algo ardia dentro da garota, ela não sabia quanto tempo tinha com Harry, só sabia que queria que aquele momento nunca acabasse.
Seus lábios se envolveram em um beijo profundamente desejado por ambos, a falta que sentiam um do outro era esvaída na doce sensação provocada por aquele beijo, não se importavam com mais nada, novamente o tempo havia parado para Harry em um beijo e novamente ele esquecera de todas as suas preocupações e medos.
Gina estava nas pontas dos pés para ficar na altura do garoto enquanto se abraçavam e se beijavam, o beijo evoluiu por vários estágios, passando de um beijo dominado pelo desejo para um beijo ardente e repleto de sentimentos, Neville e Gabrielle eram as únicas pessoas a presenciar aquele momento e estavam com muita vergonha de interrompê-los, principalmente Gabrielle, ela nunca havia visto duas pessoas estarem tão feliz por se reverem.
- Nossa eu não sabia que Harry tinha uma namorada. – Gabrielle parecia decepcionada com o fato do garoto já estar comprometido.
- Eles namoram desde o ano passado, mas haviam se separado quando Harry partiu em uma missão. – Neville estava feliz por ver que finalmente havia pessoas que não estavam tristes ou melancólicas ao seu redor.
Após alguns minutos todos estavam de volta na sala, Fleur se encarregou de arrumar os pertences de Gina e agora todos estavam prontos para partir. Rony ajudava Arthur a sair para o jardim enquanto todos os outros carregavam os baús.
- Todos prestem muita atenção. – Krum parecia ter tomado a liderança do grupo e agora falava para todos. – Nós temos duas chaves de portal que nos levarão diretamente para nosso destino. Nós estamos em treze pessoas, portanto devemos ir seis na primeira e sete na segunda.
- Como vamos nos dividir? – Percy parecia apreencivo por estar parado do lado de fora da casa.
- Gabrielle ira primeiro com o Sr. Arthur, Percy, Gui, Carlinhos e Fleur. – Neville começou a falar antes que Krum tomasse as rédeas – Eu, Harry, Gina, Rony, Fred, Jorge e Vitor iremos depois, nos assegurando que vocês chegaram bem.
- Bom vamos indo? – Gabrielle estendia uma pequena xícara de prata para seus cinco companheiros.
Todos tocaram na pequena xícara e logo após um clarão esbranquiçado os encobriu, segundos depois eles já não estavam mais ali.
- Bom o primeiro grupo se foi, agora é a nossa vez. – Neville retirou um pequeno pires de prata, provavelmente o conjunto da xícara, e estendeu aos companheiros restantes.
Todos esticaram as mãos em direção ao objeto, Harry sentiu o frio metal em seus dedos, mas no momento seguinte uma luz coloria atingiu Rony no peito e ele foi lançado alguns metros para trás.
A chave de Portal começou a fazer efeito quando Rony foi forçado a largar, todos ficaram surpresos com os acontecimento, mas o clarão já envolvia a todos e eles foram tragados pelo portal.
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Rony estava caído no chão, ele sentia uma forte dor no peito, mas por sorte estava vivo, ele conseguia ver alguns Comensais virem em sua direção com as varinhas em riste, mas tudo o que ele conseguia fazer era forçar suas mãos contra o chão para tentar ficar sentado.
Ele sentia que seu fim estava perto e estava completamente indefeso, não tinha forças para pegar sua varinha e não havia ninguém para ajudá-lo. Um comensal se aproximou rapidamente e parou a alguns metros do garoto, estendeu sua varinha na direção de Rony e deu um pequeno sorriso.
- Avada Kedavra.
Um jato de luz verde voou rapidamente e atingiu ferozmente o corpo do Comensal, seu corpo sem vida caiu com um baque no chão e todos os outros Comensais olharam perplexos para o corpo de seu companheiro.
Harry estava ao lado de Rony, ele apontava a varinha para os comensais enquanto tentava colocar o amigo de pé.
- Você? – Rony não conseguia entender como o amigo estava ali.
- Você consegue lutar? – Harry puxava Rony para cima em quanto tentava se livrar de algumas maldições que os outros comensais lançavam.
- Eu.. Eu acho que sim.
- Então lute! – Harry empurrou o amigo e correu em direção a um dos comensais.
Rony sentia uma forte dor no peito, mas não podia se entregar tão facilmente, principalmente agora que escapou da morte por um triz. Com um pouco de esforço ele retirou a varinha do interior das vestes e mirou no comensal mais próximo.
- Estupefaça. – Rony bradou sonoramente o feitiço, em poucos segundos o Comensal já estava desmaiado de costas para o chão.
Não havia muitos comensais no jardim da propriedade, mas eram o suficiente para acabar facilmente com dois garotos. Para sua sorte Rony não estava tendo grandes problemas, quase nenhum comensal focava as atenções nele, eles preferiam tentar lutar com Harry, mas para sua surpresa, o garoto estava lutando espetacularmente bem, ele duelava com quatro comensais ao mesmo tempo e ainda não havia sido atingido por nenhuma maldição.
- Estupefaça. – A magia proferida por Rony atingiu em cheio o Comensal que corria em sua direção e agora o Weasley se preparava para ir ajudar seu amigo.
Ele se virou na direção do lugar aonde Harry a pouco lutava com quatro comensais e viu algo que o deixou estático, seu amigo duelava como nunca anteriormente, as magias saiam com uma velocidade alarmante de sua varinha enquanto seu corpo se mexia velozmente para desviar de maldições lançadas contra si. Aquele era o duelo mais impressionante que ele já havia visto.
Harry duelava com oito comensais e a cada brecha que ele encontrava, entre os ataques de seus algozes, um lampejo verde saia de sua varinha acertando em cheio um dos comensais que caia diretamente ao chão. Os corpos se acumulavam em meio a batalha, já se somavam quatro, e Harry não demonstrava ter a intenção de poupar os que restavam.
Rony permaneceu alguns segundos parados observando a fantástica batalha e só ousou se mover quando restavam apenas dois Comensais, ele correu em direção a Harry e tentou desferir alguns feitiços em direção a um dos comensais, mas este se esquivou e passou a duelar com o Weasley.
- Estupefaça. – A magia passou a poucos centímetros da cabeça do Comensal.
As maldições voavam por cima dos cabelos ruivos do garoto enquanto ele se jogava ao chão para desviar dos sucessivos ataques do seguidor de Voldemort. Caído e sem muitas alternativas, Rony mirou diretamente no peito do Comensal e tentou desesperadamente derrubá-lo.
- Petrificus Totalus. – Logo em seguida o Comensal caiu ao chão paralisado.
Rony forçou o chão com as mãos e se levantou no tempo exato para ver Harry matar o ultimo inimigo que sobrava e vir ao seu encontro. Inesperadamente Harry parou ao lado do corpo paralisado do Comensal e apontou sua varinha para ele.
- Harry não! – Rony não podia acreditar que seu amigo faria aquilo.
- Porque não? – Os olhos de Harry penetravam profundamente em Rony, eles estavam em um tom verde extremamente brilhante e assustavam o garoto.
- Como porque não? Não se pode matar pessoas! – Ele não conseguia acreditar na pergunta que teve que responder.
- Eles não demonstram nenhum problema em fazer isso. – Harry olhava desdenhosamente para o indefeso homem aos seus pés.
- Mas não é por isso que nós vamos agir como eles. Nós não somos como eles! – Rony estava muito nervoso, sua varinha tremia em sua mão e ele não sabia o que fazer.
- Talvez você esteja certo, talvez nós não sejamos como eles. – Harry olhou novamente nos olhos do Weasley. – Nós somos definitivamente melhores. – Um sorriso assustador surgiu na face de Harry, o qual voltou a olhar para o comensal.
- Harry não faça ...
- Avada Kedavra. – O ultimo dos comensais estava morto e Harry parecia estar satisfeitíssimo com aquilo, ao contrario de Rony que estava horrorizado.
- Como... Como você pode? – Harry não respondeu, simplesmente sentou-se no chão e limpou o suor da testa. – Me responda!
- Fique calmo, vamos esperar que Neville volte antes que os próximos Comensais apareçam. – Harry olhava para o chão evitando os olhares indignados do amigo.
- Você acabou de matar todas essas pessoas e pede para eu ficar calmo?!
- Era eu ou eles Ron e ainda por cima eu salvei sua vida matando um deles.
- O que aconteceu com você? – Rony não conseguia acreditar que aquele era a mesma pessoa que ele deixou há um mês atrás.
- Nada. – Harry continuava a evitar os olhares do amigo.
- Nada?! Olhe ao seu redor, eu contei doze deles Harry, DOZE! – O numero de corpos que os rodeavam era alarmante.
- Como eu já te disse, era eu ou eles.
- Você realmente fez jus a estas palavras.
- Rony entenda, poderia haver cinqüenta comensais aqui que eu teria derrotado e matado todos. – Finalmente Harry voltou a olhar nos olhos do amigo. – Eu não me importo nem um pouco com eles, as únicas coisas que me importam é manter a mim e meus companheiros vivos.
- Você não é o Harry que eu conheci. – Rony estava se sentindo extremamente mal com toda aquela situação.
- Essa frase esta se tornando bastante normal para mim. – Harry se lembrou das ultimas palavras que Hermione lhe disse, apesar de não se lembrar completamente da briga, aquelas palavras estavam marcadas em sua memória.
- Como assim?
- Um dia você vai saber.
Poucos segundos depois um forte estalido de aparatação soou próximo a entrada da casa, isso foi o suficiente para Rony e Harry levantarem suas varinhas e se prepararem para outra batalha.
- Harry! Rony! – Gina estava com a varinha em riste, assim como todos os outros bruxos que aparatavam para o local.
- Cadê os Comensais? – Vitor estava confuso e virava a cabeça para todos os lugares procurando por inimigos.
- Ali no chão. – Rony passou por Krum e apontou para o lugar aonde o maior numero de corpos estavam caídos.
- Por Merlin o que aconteceu aqui? – Moody não parecia nada feliz quando ele passou por Rony e se dirigiu apressadamente para o lugar onde Harry estava sentado.
- Rony o que aconteceu aqui? – Todos os irmãos Weasleys e alguns Bruxos cercaram-no ansiosos por uma explicação.
- Pergunte ao Harry. – ele não estava com vontade de falar sobre o que havia acontecido.
- Mas Rony..
- Já disse para perguntar para ele. – Todos se afastaram rapidamente ao perceberem o mau humor que dominava o garoto.
Havia cerca de trinta Bruxos naquele gramado e todos eles estavam envolta de Potter naquele momento, aparentemente todos queriam saber o que havia ocorrido ali. Contrariamente a todos os outros, uma lindíssima garota de belos cabelos loiros não parecia estar interessada em interrogar Harry e estava se dirigindo para o lugar onde Rony estava sentado.
- Olá, eu sou Gabrielle. – Ela se sentou ao lado do Weasley e, assim como ele, passou a observar a aglomeração de bruxos ao redor de Potter. – Vocês passaram por momentos difíceis pelo visto.
- Não muito, Harry se encarregou de matar a “maioria” dos comensais. – A ironia marcava a fala do garoto.
- Hum, então foi isso que aconteceu, interessante. – Gabrielle não parecia estar chocada com o que Rony lhe revelara.
- Você viu quantos comensais ele matou, não viu? – Ele não conseguia acreditar na falta de emoção que a garota demonstrava.
- Não muito bem, mas não me importo.
- Como assim não se importa? – Mais uma vez ele estava indignado.
- Não me importando, eu sei que para você deve ser chocante ver alguém morrer, mas depois de um tempo você se acostuma. – Gabrielle brincava com uma pequena pedrinha enquanto falava com o garoto.
- Como assim se acostuma?
- Você não participou de muitas lutas né? – Gabrielle olhava com um ar gentil para o rosto do garoto.
- Err. Para falar a verdade esta foi uma das minhas primeiras. – Rony não sabia aonde a garota queria chegar.
- Está explicado. – Gabrielle suspirou por um instante e então se voltou para Rony, olhou-o firmemente nos olhos e calmamente voltou a falar.- Eu cheguei aqui a pouco mais de três semanas juntamente com cinqüenta companheiros da Beauxbatons e os mais poderosos bruxos da minha região. Hoje nós somos apenas vinte e por sorte eu estou viva, eu vi a maioria dos meus amigos morrer na minha frente e não nego que no começo, assim como você, eu me rejeitava a usar maldiçoes, mas depois de ver tantas injustiças e atrocidades eu não mais temi. – Seus olhos lacrimejavam, mas nenhuma lagrima rolava por seu rosto, ela mostrava-se muito mais forte do que aparentava aos olhos de Rony. – Não me entenda mal, eu não estou dizendo que eu mato todos os comensais que aparecem na minha frente, mas em casos de vida ou morte, o que eu presumo que aconteceu aqui, eu não hesito em fazer de tudo para manter meus amigos e companheiros vivos.
- Eu... Eu não imaginava que as coisas haviam chegado a este ponto. – Rony sentia-se mal por ter tratado Harry daquela maneira.
- Ninguém imagina que coisas tão horríveis realmente possam acontecer. Uma coisa é você ouvir nos rádios e ler nos jornais que os Comensais atacaram novamente, mas outra é presenciar as coisas horríveis que eles fazem. – Gabrielle não mais olhava diretamente para Rony, ela olhava para o céu em busca de alguma estrela.
- Eu não sei o que dizer. – Somente agora Rony percebeu a gravidade da situação que eles enfrentavam.
- Uma vez eu ouvi dizer que quando as pessoas morrem, elas viram estrelas, será que é verdade? – Gabrielle mudou completamente o assunto e agora olhava avidamente para as estrelas, percorria todas com seus olhos procurando por algo que não havia visto antes.
- Aonde você ouviu isso? – Rony não conseguiu evitar o sorriso desdenhoso que se formou em seu rosto, mas Gabrielle não prestava mais atenção nele.
- De um garoto trouxa que estudou comigo, eu sei que todos os bruxos falam que isso é impossível, mas seria tão bom ser uma estrela e ver todo o mundo lá de cima.- Um sorriso se formava no rosto da garota.
- É realmente seria. – Rony percebeu agora o brilho incrível que as estrelas tinham naquela noite, tudo parecia tão calmo no céu, agora ele entendia o que a garota queria dizer.