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34. BRIGUINHAS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 34 - BRIGUINHAS


 


 


 


Os passos iam e vinham e em certo momento Hermione ouviu sussurros no corredor. Mas o som logo foi embora, e ela fechou novamente os olhos, se aconchegando ao corpo morno que a mantinha presa em seus braços.


Não precisou pensar para saber quem era. Estava deitada; nos braços de seu marido, Rony. Seu marido e seu maior inimigo.


Quando ele dissera que a faria sua por todos os dias em que Ford estivesse em casa, ela não imaginou que cumpriria a palavra com tanto empenho. Pegou-se inadvertidamente sorrindo.


O que estava acontecendo com ela afinal?


Movendo-se levemente, para não o acordar, descobriu-se completamente nua, sobre seu corpo quente e branco como a neve. Ele tinha pele muito limpa, sem manchas ou feridas, era uma pele de homem bem cuidado e ela imaginou quando o vira a primeira vez que não duraria uma semana sobre o sol escaldante, mas se enganara.


Ele tinha sorte, pensou, lembrando-se da própria pele queimada e manchada. Sentiu uma pontada de vergonha de si mesma e se recriminou.


Permitiu-se ficar em seus braços, mas uma força dentro dela a lembrou que precisava sair dali. Estava deixando-se confundir e levar, e estava desistindo de suas convicções!


Não podia deixar-se manobrar! Quando tudo acabasse e ele fosse embora, seria ainda pior! Ficaria novamente sozinha, sua vida teria que ser refeita, e não poderia se reerguer se passasse novamente pela dor que fora a perca de seus pais e irmã!


Não se enganava; um dia ele iria embora. Provavelmente quando a hipoteca estivesse saldada e pudesse vender as terras. Esse pensamento causou-lhe um apertou no peito e achou que fosse chorar.


Estava muito emotiva e estava na hora de mudar isso!


Decidida, se afastou, com muito cuidado e logo se viu livre de seu aperto, de pé ao lado da cama. Ele estava completamente vencido pelo cansaço e pelo esforço da noite passada, e ela maneou a cabeça para apagar as lembranças começando a se mover.


Havia uma bacia de água sobre a penteadeira, para a higiene matinal, e depois de limpar a face, Hermione molhou uma fronha limpa e limpou-se. Ombros, seios, e sua intimidade. Mais tarde tomaria um banho completo, agora, queria apenas tirar todos os vestígios de Rony de sobre sua pele. Olhando para trás ficou imóvel quando ele se moveu na cama, resmungando e parecendo procurar algo.


Sentia falta do seu corpo ao seu lado. Hermione conteve a vontade incontrolável de voltar ao seu lado e deixar-se levar. Não podia!


Resoluta, vestiu-se quase correndo e deixou o quarto.


Na cozinha, Juanita sorriu maliciosa quando a viu, e antes que pudesse tecer algum comentário, Hermione lhe disse aonde iria e saiu apressada.


Pouco depois, Rony acordou. Sentindo-se roubado, descobriu-se sozinho na cama, e no quarto. Apressado, vestiu-se e saiu atrás de sua mulher.


Abotoava a camisa quando Juanita, um tanto insegura, lhe contava do paradeiro de Hermione.


-Essa louca insuportável! – ele praguejou sumindo para a rua tão rápido que não deu tempo para Juanita tentar falar sobre a noite passada.


E ela que chegara a achar que os dois se entenderiam afinal!


Rony apanhou o cavalo, e saiu em disparada para o caminho que com certeza Hermione seguia. Seu cavalo não estava no celeiro, e se fosse rápido conseguiria alcançá-la!


 


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Hermione desistiu de cavalgar quando a dor entre suas pernas se tornou insuportável. Por isso desceu do cavalo e pôs-se a andar.


Aquele bárbaro!


Seus pensamentos para Rony naquele momento não poderiam ser mais assustadores, visto que teria que andar quilômetros por sua causa! Infame!


Decidida, rumou em direção a cidade, mesmo que isso a levasse a exaustão! Iria a pé, mas traria a roda para a carroça, nem que sua vida dependesse disso!


Não teria mais uma noite como a anterior! De forma alguma!


Um suspiro escapou de seus lábios, mesmo que tentasse afastar a mente desses pensamentos. Biltre! Ingrato! Sem escrúpulos!


Admitia que estava cansada, o corpo dolorido e sentia muito sono, e isso se devia aos exercícios exagerados da noite passada e era tudo culpa dele! Claro, fora ela quem o envenenara com os chás de Juanita, mas naquele momento, tentando afugentar os sentimentos que a corroíam, ela culpava Rony, para não admitir o que sentia de verdade!


Seus passos eram rápidos, mas não o bastante para um cavalo.


Rony avistou-a a distância e parou por um segundo. Ela andava rapidamente, o cavalo seguindo pelas rédeas e se perguntou por que não montava.


Espertamente cortava caminho pelo lago e nem mesmo as águas calmas e serenas podiam atrair sua atenção. Para ser franca, demorou a prestar atenção o bastante para ouvir o trote do cavalo que a seguia.


Quando o notou, sentiu vontade de gritar e acelerar, mas não o fez, olhou para outra direção e apurou o passo, querendo deixá-lo para trás.


-Onde pensa que está indo? – ele gritou, deixando o cavalo num trote lento, para ficar ao lado dela, olhando-a como se de repente Hermione houvesse criado duas cabeças.


-Não é da sua conta – ela respondeu ácida, ainda sem olhá-lo.


-É minha mulher, tudo que faz é da minha conta! - ele respondeu e ela não pode mais se conter. Teve que olhar em sua direção.


Se olhar matasse, não duvidava, cairia morto aos pés dela naquele momento. Era insano saber que depois de tanto carinho e dedicação, Hermione ainda o detestava!


-Que seja – ela resmungou e continuou andando, sem se abalar.


Ao menos por fora, era fria e distante, pois por dentro, estava quebrada só de olhar para ele. Ou melhor, de evitar olhar para Rony! Depois da noite passada... Não podia olhar para ele!


O corado em sua face o alertou de quais eram seus verdadeiros pensamentos!


A bruxa azeda pensando nos momento íntimos que desfrutaram?  E porque não? A diabinha podia negar, mas se divertira tanto quanto ele na noite passada!


-Não vou permitir que vá sozinha a cidade! – ele avisou, apeando do cavalo e segurando com força a rédea que ela trazia nas mãos.


Hermione não esperava essa atitude e se afastou, largando as rédeas, antes que ele pudesse tocá-la.


Seu susto a sua proximidade o deixou transtornado.


-Não haja como se a houvesse ferido a noite passada! - ele reclamou ao entender sua hesitação.


-Por que não me deixa em paz? - ela lamentou se afastando ainda mais.


Não precisava do cavalo, decidira que teria de ir andando não é? Então, Rony que fizesse bom proveito do animal!


Voltou a caminhar apressada e ele desistiu dos cavalos, tendo de escolher entre os animais que pastavam na grama, com grande interesse, ou sua mulher inconseqüente que acreditava que seu corpo magro agüentaria uma ida a pé a cidade!


Se aquela mulher continuasse assim, logo conseguiria seu intento. Receberia a surra que estava lhe faltando desde pequena, e cada vez mais, ele sentia vontade de ter coragem para isso!


Claro, era sua raiva falando mais alto!


-Espere!


-O que você quer? – ela perguntou, virando-se aflita.


Ele estava lhe dando nos nervos! Ô homem irritante! Será que não conseguia passar um minuto longe dela? Em sua inocência para o amor e nervosismo, ela não percebeu que isso era o que todas as mulheres desejavam secretamente de seus maridos! Um amor que o fizesse procurá-la há todos os instantes, mesmo que isso não fosse viável, ainda assim, era uma fantasia romântica que ela tinha, materializado, como realidade!


-Não pode ir sozinha a cidade! Que tipo de marido eu pareceria deixando minha esposa ir sozinha a cidade?


-Sempre fui sozinha! - respondeu.


-Isso foi antes, quando não havia ninguém para cuidar de você!


Por alguma razão essa frase despertou uma fera dentro dela.


-Volte para seu trabalho Wesley, e me deixe fazer o que tenho a fazer!


-O que? Buscar uma roda para a carroça? – ele ironizou.


         -Alguém tem que fazer isso não é? – alfinetou. – Ou acha que Ford ficará vivendo conosco o resto de sua miserável vida?


-Eu vou à cidade - ele deu o braço a torcer, pois ela tinha razão.  – Suba no cavalo e volte para casa agora!


-Acha que manda em mim? – Ela teria rido se não estivesse com tanta raiva.


-Eu não acho, tenho certeza – ele se aproximou e ela deu um passo para trás, nervosa. As faces se tingiram de um corado mais forte e ela cruzou os braços sobre o peito, quando sentiu os seios enrijecerem.


-Nos seus sonhos - ela resmungou, esperando que ele desaparecesse da sua frente, mas obviamente, isso não aconteceu!


-Está enganada, nos meus sonhos, fazemos outras coisas – ele respondeu sorrindo sem vergonha e a deixando de pernas bambas – quer saber dos meus sonhos, Hermione?


-Não – ela respondeu rápida demais.


-É uma pena, porque você está em todos eles – tentou rachar sua armadura de auto proteção com humor e sedução, mas seu olhar forte e decidido lhe deu uma dica que não adiantava nada que tentasse comove-la.


Com um olhar de desprezo, ela deu-lhe as costas novamente e tencionou seguir seu caminho, mas ele a fez parar com a voz séria, enraivecido pelo seu pouco caso.


-Pois saiba que quando voltar Juanita não estará mais na fazenda!


-Porque não? – não pode abster-se.


-Porque se não me respeita como marido e contraria minhas ordens, eu não te respeito como esposa e demito sua criada, por quem tenho vários motivos para desgostar! Vê? É muito simples!


-Não pode demitir Juanita! Ela me ajuda com a casa e Suarez é seu melhor empregado! – bradou achando que ele jogava verde com ela e seus sentimentos para convencê-la a fazer o que queria.


-E quem lhe disse que vou demitir Suarez? Acha mesmo que ele abrira mão de um trabalho de capataz, por Juanita? Por filhos bastardos e uma mulher de cabaré? Está sendo ingênua, Hermione.


Aquelas palavras ditas com uma pitada de humor a desconcertaram.


Por mais que não admitisse, precisava e apreciava a presença de Juanita e seus filhos. Ela lhe fazia companhia e ajudava-a a entender o mundo novo que estava diante de seus olhos, sem perceber, ajudava-a a não enlouquecer diante dos caminhos estranhos de esposa e submissa!


Além disso, os que seriam das crianças e da bondosa Juanita se fossem abandonados por Suarez? A pobre teria que voltar ao saloon de onde lutara tanto para sair!


Medindo sua decisão, ela acabou movendo a cabeça e sem palavras concordando com ele.


Voltaria para casa, como uma servil e dócil esposa.


E essa noite, quem sabe, realmente o envenenasse.


Não seria difícil, pensou. Afinal, ele adorava sua comida e estava sempre elogiando seus doces! Uma pitadinha pensou, e estaria livre para sempre daquele sorriso vitorioso!


-Sabia que tomaria a decisão certa – ele disse com o sabor da vitória nas palavras.


Ela fechou os olhos, cega pela revolta.


Decisão certa? Não houvera decisão! Fora coagida a aceitar sua ‘decisão certa’!


Como podia estar casada com um homem desse tipo? Usava seus sentimentos para se beneficiar!


Cafajeste! Seus olhos estavam cegos para a verdade dele estar certo, e ela olhou-o se afastando, em direção aos cavalos, que pastavam a alguns metros


De repente uma fúria incontrolável apoderou-se dela, ao sentir que perdera o direito sobre sua vida, e tudo que pode ver foi uma grande pedra no chão, ao alcance de suas mãos e tudo que pode sentir, foi adrenalina aliada a sensação de vingança por poder feri-lo.


Talvez por isso, não refreou o impulso, se abaixou e em questão de segundos apanhou a pedra e arremessou em seu alvo.


Certeira, porém um tanto trêmula a pedra quase acertou seu alvo.


Rony não acreditou quando a grande pedra passou bem ao lado de sua cabeça e se esquivou, mas nem precisava, pois ela errara o alvo. Surpreso, virou-se para ela incrédulo.


Hermione recuou um passo quando percebeu o que fez e viu sua expressão.


A surpresa foi embora, e a fúria o dominou.


Mais alguns passos, ela desejou correr para longe dele. Sua expressão lhe deu medo. Pela primeira vez desde que se casaram há dois meses, sentia medo daquele sempre espirituoso homem.


-Rony... - um pedido de desculpas estava na ponta de sua língua, mas ela não conseguiu dizer, apenas esperou.


-Primeiro me aponta uma arma – ele disse baixo – Então, me envenena. E agora isso – apanhou a pedra no chão, e analisou o tamanho e o peso. – Quer me ver morto não é?


-Não o envenenei! – ela protestou desesperada por defender-se – eu... Foi um engano. E não era veneno!


Rony não pode deixar de notar a expressão engraçada em sua face, ao lembrar-se da noite passada. Era um misto de vergonha e culpa. Infelizmente, sua paciência com ela acabara e nem mesmo seu charme poderia dobrá-lo!


-Não vou mandar duas vezes Hermione. – ele avisou, refreando a vontade de bater nela – Cale a boca e volte para casa sem reclamações!


-Mas eu...


-Estou a um passo de perder a cabeça e te dar um surra, e eu nunca bati numa mulher. – ele avisou, com os olhos soltando chispas e ela se calou. –Você me agrediu primeiro, é um milagre que eu me controle! Não me teste ainda mais Hermione!


Fechando os olhos, ela cedeu. De cabeça baixa, dirigiu-se ao cavalo e segurou as rédeas.


-Peça desculpas pela pedrada - ele mandou azedo.


Hermione estava muito perto, segurando as rédeas do cavalo, e ele segurou seu braço, fazendo-a olhar para ele.


-Não me pediu desculpas por ter me atacado a noite passada, como se fosse um animal! – ela acusou ácida.


-Não pedirei desculpas por ter sido envenenado por você e Juanita – ele repreendeu severo em seu tom.


-Então, como posso pedir desculpas de me defender de um bruto? - ela respondeu mal criada.


Naquele momento ele sentiu a incontrolável vontade de beijá-la. Deitar seu corpo sobre a relva a beira do lago e lhe fazer amor, como fizeram na primeira noite, lento e suave, delicioso e profundo, para mostrar-lhe que não precisavam viver numa eterna guerra. E depois, se não surtisse efeito, pensaria na surra que vinha merecendo!


-Se defendesse ontem à noite. Não hoje! Ou acha que não ouvi seus gemidos e seus gritos? – disse bem dentro de seus olhos, o hálito quente em  sua face – Gostou tanto quanto eu!


-Isso só prova que estou tão fora de mim quanto você! – ela respondeu furiosa, e ao mesmo tempo frágil.


-É o que acontece no amor Hermione. A gente fica fora de si – ele sorriu, e era tão sem vergonha que ela teve certeza que ele dizia isso para todas as mulheres com quem passava a noite!


-Odeio você – ela disse entre dentes, suave.


-Eu sei – a soltou sentindo algo muito ruim em ouvir suas palavras – Daqui para frente, não encosto mais em você – era mentira, mas a raiva o impulsionava a feri-la e rejeitá-la como se sentia ferido e rejeitado – nem que implore, encosto novamente em você! Agora suba nesse maldito cavalo antes que eu esqueça que é uma mulher!


Sua urgência e força a fez sentir pena de si mesma.


-Não posso... – disse sentindo-se humilhada pela sua condição de mulher.


-O que não pode dessa vez? - ele tinha se virado de costas para tentar acalmar o sangue que corria forte em suas veias. 


Viver nesse pé de guerra com Hermione o levava rapidamente pelo caminho do infarto se continuasse desse jeito! Nervoso, irritado, tenso!


-Não posso ficar sobre o cavalo.


Sua voz baixa o surpreendeu e quando olhou para ela notou que estava além de maravilhosamente envergonhada, humilhada.


Ela não entraria em detalhes. Por alguma razão Hermione achava que entendia charadas. E em se tratando dela, entendia!


A culpa varreu a raiva e ele segurou as rédeas do cavalo, e então, as do próprio animal e disse sem querer dar o braço a torcer, mas também esperando que entendesse que era uma trégua.


-Vamos andar um pouco.


Hermione olhou-o como se agradecesse que não fizesse comentários sobre isso.


Ao lado dele, andou rápida, acompanhando seu ritmo, e em menos de meia hora estavam de volta a casa.


Nem bem entraram, e um furioso Ford os abordou!


 


 


 


 


Autora: Gente, no próximo capitulo começa um gancho para uma ginada na fic. Vai ser meio chocante, mas vai valer a pena, não vou antecipar ainda, para não estragar a surpresa. Mas, vamos nos preparando....


As NCs acabaram por alguns capítulos, mas estão para voltarem, e serão 7 consecutivas...hehe...Ah, e a Gina vai aparecer sim, ela e o Harry e outros personagens também.


Pessoalmente gosto muito da Gina dessa fic, mas ela não é principal e não vai tomar espaço dos principais. É uma historia paralela. Bom, até amanhã!!!! Beijos


 


 


 


 


Beta: Mas que pena da Mione hein, adoro esses diálogos entre eles, tenho um frisson pelo Rony assim, todo cheio de si, não sou louca sou?


 


 


 


 


Outra nota da autora: não, beta, voce não é louca. É apenas tarada!!!!! Hehe...


 


 

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