Capítulo 12
À caça – parte I
Hermione só não caiu por que era apoiada por Draco. Ele levou-a para mais longe da casa e sentou com ela na guia. Harry e Rony chegaram e ajoelharam-se em volta dela. Num momento como aquele ninguém sabia o que falar e o mais certo era deixar o silêncio agir como ombro amigo. Draco olhou para os dois grifinórios e com o olhar pediu para que ficassem com ela.
- Acho que precisamos de uma ação mais drástica. Até quando ficaremos esperando que eles eliminem um a um dos nossos familiares? – Moody encarou o jovem e concordou com um aceno de cabeça. Harry aproximou-se.
- Devemos partir logo à caça das horcruxes.
- Também acho, Harry. Quem vai com você? – perguntou Moody encarando a casa que ainda ardia em fogo.
- Rony e Hermione.
- Nem nos seus sonhos eu fico fora disso, Potter. Eu vou com vocês. – Draco afirmou olhando para namorada.
- Acho melhor não, Malfoy.
- Você não vai me manter longe da Hermione – agora ele encarava Harry – Não fico longe de acabar com isso de uma vez por todas. Sou bom em oclumência e legilimência. Precisarão disso. Talvez algumas informações sejam úteis.
- Ele está certo. Malfoy vai com vocês. Ele e mais ninguém – dito isso, Alastor afastou-se em direção ao seu amigo Lupin.
Tonks abaixou-se perto de Hermione e murmurou alguma coisa para ela. Depois, Ron foi até Draco e Harry.
- Precisamos partir. Eles precisam cuidar de algumas memórias por aqui. Você cuida dela, Malfoy? – o loiro apenas acenou a cabeça em resposta à pergunta do grifinório.
Todos foram levados para casa onde Neville, Luna e Simas estiveram escondidos. Era uma casa de campo pertencente a um primo distante de Alastor Moody. Ao chegarem lá, foram recepcionados não só pelos três amigos como também pelos familiares destes. Eles ainda não sabiam o que havia acontecido e ficaram assustados quando viram Hermione em prantos.
- O que está havendo? – perguntou uma senhora que todos julgaram ser a avó de Neville.
- Senhora Longbottom, presumo? – assumiu a dianteira Tonks que havia acompanhado o grupo. Harry e Rony só não riram da imagem por causa da situação. O chapéu da mulher lembrava em detalhes aquele projetado por Neville na aula de Remo, assim como o resto de sua vestimenta. Diversos acontecimentos fizeram com que Ninfadora não a conhecesse. – Sou a Tonks. Luna, você poderia mostrar o quarto aos seus amigos? – a corvinal concordou em silêncio.
O grupo saiu e pouco depois voltou, mas sem as presenças de Hermione ou Draco. Na sala, após as apresentações, Tonks contou o que havia acontecido. Um clima de pesar pairou sobre o ambiente. Juntando-se isso à morte de Narcisa, as mudanças constantes e os treinamentos, fez com que rapidamente todos ali se dessem conta da proximidade e da gravidade da guerra que estavam vivenciando.
- Ela precisa de alguma coisa? – perguntou a senhora Finnigan que era abraçada pelo marido.
- Acho melhor deixá-los a sós. Malfoy perdeu a mãe recentemente, deve saber o que fazer melhor do que nós. – disse Harry.
Hermione viu que o quarto era espaçoso, mesmo com os três beliches, ainda havia um banheiro, um grande guarda-roupa e duas mesas. Sobre essas, estantes com alguns livros. Draco sentou-se com o cuidado de não bater a cabeça no andar de cima da cama. Levou Hermione consigo. Encostou-se na parede e aninhou a namorada em seu peito.
- Por quê? – ela perguntou com a voz um pouco mais estável.
- Para machucar. É uma dor terrível essa que está sentindo... Aliás, que estamos sentindo. Você precisa ser forte, Baixinha.
- Eu não sei se consigo. Não sei se é possível sobreviver a essa dor. É sufocante.
- Eu sei, Pequena, eu sei. – ele falava enquanto passava as mãos pelos longos fios dos cabelos encaracolados. Sentia os pingos de lágrima, caindo em seu peito e também se entregou às lágrimas ao lembrar-se de sua mãe. Ainda abraçados, ajeitaram-se embaixo das cobertas e acabaram pegando no sono.
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- Eles estão dormindo juntos! – disse Ron após chegar à cozinha. Ele tinha ido chamar os dois para comer alguma coisa.
- Deixe-os – pediu a mãe de Dino – Devem estar esgotados psicologicamente. – eles acabaram de perder a família.
- Sim, aqui tem espaço suficiente para vocês ficarem, pelo menos por enquanto, em outros quartos. – completou a senhora Longbottom – Só espero que eles não inventem de fazer uma coisa bem diferente de dormir! Esses jovens de hoje em dia! Ah, se seu avô fosse vivo, Neville... Se seu avô fosse vivo...
Todos terminaram de comer em silêncio. Durante a noite os outros membros da Ordem e estudantes de Hogwarts foram chegando. Apesar do grande número de jovens, havia pouca conversa. Quando havia, eram apenas palavras monossilábicas. Todos estavam realmente chocados com a forma como os pais de Hermione foram assassinados.
Os dias passavam e não havia jeito de tirar Hermione do quarto. Ela comia quase nada. Isso, quando Draco ou seus amigos levavam um prato. A comida era remexida e as garfadas engolidas deviam-se à insistência. No entanto, a maior parte do alimento era desprezada.
O enterro dos pais de Hermione havia sido realizado no cemitério da cidade onde moravam. Foi confirmada a morte por fogo mágico, mas não havia nenhuma pista de quem havia lançado o feitiço.
A volta para Hogwarts estava próxima e isso significava que a busca pelas horcruxes seria iniciada. Ficou definido que os treinos continuariam a acontecer no terceiro andar. Todos foram informados do grupo que sairia atrás das horcruxes. Alguns não concordaram, também queriam ir atrás desses objetos ao invés de irem para a Escola. Contudo, esse era um assunto já resolvido e que não poderia haver qualquer modificação.
Aos poucos as coisas foram voltando ao normal na casa. Já havia mais conversa, barulho e brincadeiras. Hermione ainda se recusava a sair do quarto e receber visitas que não fossem de Draco, Gina, Harry ou Rony. Nem mesmo Joseph Connery tece acesso ao quarto.
- Eu acho que deveria ouvir dela, Malfoy.
- E eu acho que você deve dar meia volta e partir, Connery. – respondeu o loiro com os braços cruzados sobre o peito. – Hermione foi muito clara quanto às pessoas que podem entrar aqui.
- Quero ouvir isso dela! – e o professor fez menção de passar, mas foi impedido pelo loiro que era consideravelmente mais alto.
- Não. – Draco descruzou os braços e tocou Joseph no peito com a palma da mão – Mesmo que ela deixasse. Lembro muito bem do último encontro entre vocês.
Flashback do capítulo 9:
- Ah, Mione... Você poderia ter me dado uma chance... – ele aproximou-se da menina e passou a mão pelos cabelos dela. Draco respirou fundo de raiva – Foi tão bom aquele dia em Hogsmead... Dê uma chance... Ele não saberá de nada.
- Isso não tem nada a ver, Joseph! Eu nunca trairia o Draco... – o loiro riu da resposta. Queria sair sem fazer nenhum barulho, mas algo o prendia ali.
- Você tem apenas 17 anos! Curta sua vida... Tenho certeza que ele curte também... Outro dia ele estava com uma conversa bem íntima com a Parkinson...
- Eu duvido! – ela falou e Draco ficou com mais raiva ainda. Não havia ficado um minuto sequer a sós com a Pansy. – Chega dessa conversa! – ela tentou sair, mas ele segurou-a pelos braços. Ao ver isso, Draco tentou se aproximar, mas notou que havia um feitiço por ali e começou a dar a volta desesperado, procurando algum lugar que pudesse passar. Achou um espaço um pouco mais para frente e lançou um feitiço que acertou as costas do professor. Joseph caiu e levantou-se rapidamente parecendo voltar a si.
- Eu já pedi desculpas, Malfoy.
- Aqui você não entra. – E sem falar mais nada, entrou no quarto batendo a porta atrás de si. – Baixinha, levante-se para comer alguma coisa...
- Não, Draco. – ela disse mexendo-se sob as cobertas.
- Você vai ficar doente desse jeito.
- Não me importo...
- Olha, Hermione – ele levantou-se e começou a passar a mão pelos cabelos – Eu sei exatamente a dor que está sentindo, mas você não pode se entregar desse jeito. Logo partiremos para destruir as malditas horcruxes e se você continuar assim você não vai.
- Claro que vou! – ela falou irritada.
- Não. Você não vai. Não consegue nem se aguentar em pé. REAJA E AJA COMO UMA GRIFINÓRIA! – dizendo isso, saiu do quarto. Draco torcia para encontrar Connery e descarregar sua raiva no rosto do professor de Defesa Pessoal. Deixou seu corpo cair pesadamente no sofá e cruzou os braços.
Ron percebeu que o loiro estava irritado e sentou-se ao lado dele:
- Ela ainda se recusa a sair do quarto?
- Sim. Hermione consegue ser irritante às vezes. – o ruivo sorriu, sabia muito bem do que o outro falava. A sala estava praticamente vazia, além dos dois, havia apenas Neville e Luna que jogavam xadrez bruxo.
- Ela só precisa de um tempo...
- Não temos mais tempo, Weasley. – e levantou-se. Começou andar em círculos pela sala, mas parou quando viu Hermione surgir. – Baixinha... – abriu um largo sorriso e percorreu o pequeno espaço correndo. Ela estava apoiada na parede. Estava realmente bem mais magra, grandes olheiras destacavam-se na pele pálida.
- Você tem razão, meu amor...
- Seja bem-vinda, Hermione. – Luna falou sorrindo para a amiga.
- Bom ter você de volta. – falou Ron e abraçou-a. – Harry e Gina estão lá fora. Vou chamá-los.
- Obrigada, Ron. Estou com fome. – Draco sorriu ao ouvir essas palavras.
- Sente-se aqui – acompanhou-a até uma mesa – Eu já volto! – e saiu correndo em direção à cozinha. A notícia que Hermione havia finalmente saído do quarto deixou todos alegres. A morena conheceu os adultos que estavam na casa e foi bom estar no meio de tanta gente com uma energia boa. O loiro voltou para sala, levando uma bandeja cheia das comidas mais apreciadas por Hermione. Sanduíches, frutas, doces e sucos diversos. Hermione assustou-se inicialmente pela quantidade exagerada de coisas, mas acabou comendo quase tudo.
Os outros dias foram usados para traçar os planos na busca pelas horcruxes. Gina ainda estava inconformada de ter sido excluída de partir com o grupo e quem mais ouvia suas reclamações era Harry:
- Muito injusto isso, Harry! Vocês disseram que eu poderia ir!
- Eu sei, Gi, mas não dá! Não paramos para pensar no detalhe que você não pode executar magia. Seria rastreada e saberiam onde estamos... – contra-argumentou o namorado.
- Acho que eles não conseguem identificar magia sem varinha, afinal como conseguimos treinar fora da escola?
- Temos vários funcionários do Ministério que lançaram feitiços protetores em pequenos espaços. Só que tirar um rastreador de um menor é impossível, nem adianta cruzar os braços – Harry emendou vendo a expressão dela. Depois, aproximou-se e disse com a voz mais calma – Precisaremos de ajuda no castelo. Sem dúvida haverá horcruxes por lá...
- Ainda não estou convencida...
- Será que um beijo pode te ajudar? – ele perguntou bem próximo ao ouvido dela.
- H-Harry... A casa está cheia!
- Está convencida? – tornou a perguntar falando um pouco mais baixo passando sua língua pelo pescoço. A resposta dela foi um gaguejo inaudível e um beijo apaixonado.
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- Sentirei sua falta, Ron!
- Eu também, Carol... Cuide-se, ok? Não saia do castelo. Não confie em ninguém que não pertença à Ordem. – antes que o ruivo pudesse continuar sua lista foi interrompido pelo delicado toque dos dedos dela em seus lábios.
- Rony, você estará correndo muito mais perigo que eu. Cuide-se, ok?
- Farei o possível, mas você sabe sobre a proteção que darei a Harry?
- Sei – ela disse abaixando os olhos e respirando fundo.
- Não fique assim. Tudo dará certo. – e abraçou a namorada.
- Eu entendo por que tem que proteger o Harry. Só tenho medo de perder você.
- Voltarei. – ele falou em tom de promessa e tomou os lábios dela.
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Hermione estava em seu quarto colocando diversos livros e utensílios que julgara necessário em sua mochila, que já estava enfeitiçada.
- Baixinha, Quim está aí e está querendo falar com você, Potter e o Weasley.
- Onde ele está?
- Na sala. Você está bem? – ele perguntou abraçando-a por trás. Hermione encostou sua cabeça no peito dele e fechou os olhos.
- Não, mas preciso continuar. Essa maldita guerra tem que terminar logo. – ele virou-a de frente e levantou delicadamente o queixo dela, encostando sua testa na da namorada.
- Terminará. Destruiremos essas malditas horcruxes. Potter acabará com a raça do Voldemort e nós com o resto dos Comensais. Vingarei a morte de minha mãe e de seus pais. Isso é um juramento. – Draco aproximou seu rosto e beijou Hermione com carinho e paixão. – Melhor irmos... – disse calmamente, após separar-se dela.
Quando chegaram à sala, os outros já a esperavam. Draco fez menção de sair da sala, contudo foi impedido pela voz autoritária de Quim.
- Pode ficar, senhor Malfoy. Será importante ouvir tudo que será falado aqui.
O casal entrou e sentou-se num sofá. Harry e Rony estavam espalhados no outro sofá da sala. Em frente aos jovens, Quim tinha uma sacola de pano em seu colo e um pergaminho em sua mão direita.
- Bom, gostaria de entregar algo que já deveria estar na posse de vocês três – e fez um gesto que englobava os grifinórios, que se entreolharam curiosos. – Bom, Dumbledore deixou um testamento e vocês são os beneficiários de alguns itens. – a troca de olhares intensificou-se – Tudo deveria ter sido entregue antes, mas o processo foi impossibilitado por uma funcionária que alegou ter perdido alguns papéis.
- E podemos saber quem é essa pessoa? – perguntou Draco.
- Dolores Umbridge. – Hermione simplesmente rodou os olhos, Harry levou sua mão instintivamente à cicatriz causada pela pena dela dois anos antes e Rony exclamou um palavrão em voz alta. – Senhor Weasley, creio que isso agora pertença ao senhor. Uma raridade, devo acrescentar.
- O desiluminador... – murmurou Harry ao reconhecer o objeto do antigo diretor. Rony se ajeitou na cadeira e pegou o objeto com cuidado. Seus olhos brilhavam de surpresa.
- Por que Umbridge atrapalhou essa entrega? – o ruivo perguntou ainda admirando o objeto em suas mãos. Antes que Quim pudesse responder, Hermione falou:
- Ela queria impedir que esses objetos chegassem até nós. Sem dúvida está querendo achar algum significado, alguma mensagem oculta.
- Também acreditamos nisso. – disse Quim.
- E vocês não podem fazer nada a respeito? – indagou Harry.
- Ela sabe esconder muito bem seus rastros. Acreditamos que ela tem ajuda de alguém lá dentro, mas ainda não conseguimos achar o traidor. Continuando, esse livro pertence agora à senhorita – ele voltou a mexer na sacola e tirou um livro bem antigo que esfarelou um pouco ao passar para as mãos de Hermione.
- Os contos de Beedle, o Bardo? Nunca ouvi falar desse livro! – Hermione exclamou incrédula.
- Impossível! – disse Draco puxando o livro. - Todas as crianças bruxas conhecem as histórias de Beedle!
- Verdade! – concordou Rony animado – Mamãe reunia todos na sala para ler esses contos!
- Eu cresci em uma família trouxa... Assim como Harry – completou ao ver a cara de desentendido do amigo – Não temos ideia do que estão falando.
- São contos infantis, Baixinha. Fazia tempo que não via uma versão como essa. Deve ser uma das originais. – Draco falou passando seus dedos levemente pela capa.
- Sim, uma das originais – repetiu Quim – E, para você, senhor Potter tem duas coisas... – ele enfiou a mão dentro da sacola e puxou um pomo-de-ouro. – Dumbledore diz que foi o pomo que você apanhou em seu primeiro ano na sua primeira partida. Ficou guardado e agora pertence a você. Sem dúvida, uma grande recordação. – Um silêncio se seguiu assim que os dedos de Harry apertaram o pequeno objeto. Ele olhou para todos e encarou os olhos da amiga que olhava atentamente para suas mãos.
- Hermione? – a voz de Harry tirou-a de seus devaneios e ela apenas sorriu em resposta.
- Tem mais um objeto para você, senhor Potter. – Cuidadosamente Quim começou a puxar um objeto que logo foi reconhecido. A espada de Godric Grifinória. – Essa, sem dúvida, foi uma das causas da demora em liberar o testamento. – Harry levantou-se e pegou a espada com as duas mãos. Rony e Hermione mantiveram-se sentados, mas Draco aproximou-se.
- M-mas achei que a espada pertencesse à casa da Grifinória. – Harry falou encarando o homem à sua frente.
- E pertence. Acredito que o ideal seria devolver a espada para a Escola após a Guerra. Acredito que Dumbledore teve seus motivos para deixá-la com você durante esse tempo.
- Sem dúvida, ele os tem. – finalizou Hermione olhando o belo objeto.
O grupo partiria naquela mesma noite. Um jantar de despedida foi preparado e eles jantaram em silêncio. O retorno para Hogwarts também estava próximo. A passagem de ano havia sido comemorada sem grandes festejos devido à morte dos pais de Hermione.
As mochilas que os quatro levariam foram enfeitiçadas para caber mais equipamentos, alimentos, barracas, livros, etc. Hermione já revisara uma lista que havia feito diversas vezes e sempre acrescentava algo. Ela andava de um lado para o outro do quarto pegando tudo que julgava necessário. Draco estava em pé, apoiado no batente de porta observando toda a movimentação de Hermione.
- Acho que não precisamos de mais nada, Hermione.
- Só estou nervosa. – ela disse ainda sem parar de andar. Draco entrou no quarto e pegou-a delicadamente pelos braços e fez com que ela parasse. Hermione olhou para cima e encarou o namorado.
- Não há mais nada para pegar. Vamos embora. – Draco falou isso de forma séria e incisiva, porém havia um tom carinhoso em sua voz.
O casal chegou à sala que estava apinhada de gente. Vários membros da Ordem, alguns aurores e estudantes estavam presentes. O ambiente estava silencioso, exceto por murmúrios trocados ao pé do ouvido. Pouco depois, Rony chegou acompanhado de Harry. Todos os olhares se dirigiram para o rapaz de olhos verdes e cabelos despenteados.
- Vamos partir agora mesmo. – ele falou encarando Gina. A ruiva correu e abraçou o namorado, depois seu irmão e, por último, Hermione. A despedida do loiro foi menos afetuosa.
O quarteto despediu-se e partiu em sua jornada aparatando numa vila trouxa conhecida por Hermione que havia comandado a aparatação. Hospedaram-se em um hotel de qualidade duvidosa, apenas para passar a noite e pensar no próximo passo. O “gerente” mostrou-se contrário a aceitar que os quatro ficassem no mesmo quarto, mas após mostrarem uma quantia elevada de dinheiro o homem fingiu-se de desentendido.
O quarto era pequeno e úmido. Havia uma cama que rangia apenas com a mais leve brisa. As paredes tinham tinta descascando, era possível ver as diversas cores com que aquele quarto já havia sido pintado. A janela dava para a parede do edifício que havia ao lado. Nenhuma fresta de luz entrava por lá. Do teto pendia uma lâmpada presa por um fio. Assim que foi acesa, ela piscou algumas vezes até apagar.
- Melhor ficarmos com as velas... – concluiu Rony abrindo sua mochila.
- Também acho... – Harry concordou. Hermione começou a retirar vários livros, papéis e mapas. Colocou-os no chão e sentou-se. Pegou o livro que havia acabado de ganhar e começou a lê-lo. Draco acompanhou seu movimento. O quarto era agora iluminado pelas bruxuleantes luzes. Harry pegou um mapa e sentou encostado na cama. Rony preferiu a cama e pegou um livro sobre horcruxes. O loiro olhava tudo até que reparou em um pequeno pergaminho.
- O que é isso? – ele perguntou.
- Eu e Dumbledore achamos isso na caverna. Não sabemos de quem é, mas já encontramos o medalhão verdadeiro. – respondeu Harry.
- Nunca paramos para pensar quem é R.A.B.... – comentou Hermione.
- Já destruímos o medalhão verdadeiro. Não importa quem é. – disse Rony.
- Claro que importa! Temos que averiguar... – retrucou Hermione pegando o pergaminho.
- Eu sei quem é R.A.B. – falou o sonserino. Todos olharam para ele.
- Sabe? – indagou Hermione.
- Claro... Régulo Arturo Black. – ele falou normalmente.
- O irmão de Sirius? – perguntou Harry aproximando-se e puxando o bilhete da mão de Draco.
- É. Ele serviu Voldemort durante muito tempo. Li alguns textos anti-trouxas que ele escreveu. Sempre assinava dessa forma – Draco falava como se as inicias fossem a coisa mais óbvia.
- É claro! Havia um quarto! Com uma mensagem na porta: Não entre sem a expressa permissão de Régulo Arturo Black. – exclamou Hermione levantando-se.
Assim que descobriram o significado das iniciais RAB, decidiram revistar a mansão Black, talvez pudessem encontrar alguma pista no quarto do irmão de Sirius.
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Assim que acordaram, aparataram na frente da casa escondida no Largo. Entraram e subiram rapidamente até o quarto de Régulo. O lugar estava empoeirado. Os quatro se puseram a mexer e revirar tudo que encontravam.
- O que estão fazendo? – perguntou uma voz esganiçada à porta. O grupo assustou-se. Todos apontaram a varinha e deram de cara com o pequeno elfo.
- Monstro. – falou Hermione abaixando sua varinha e retomando seu trabalho.
- Não podem mexer no quarto do meu senhor. Não podem fazer isso com o quarto do meu querido mestre. – a voz dele tornou-se mais aguda. Ele entrou no quarto e recolhia tudo que deixado de lado pelo grupo. Draco abaixou-se até ficar na altura do elfo.
- Monstro, precisamos de sua ajuda. Queremos preservar da memória do seu mestre. Sabemos que ele não morreu em vão e queremos mostrar isso ao mundo. – o loiro viu uma corrente largada no chão, pegou e estendeu para o elfo – Tenho certeza que ele gostaria que você ficasse com isso. Ele te protegeu, Monstro. Precisamos de sua ajuda. Régulo precisa de sua ajuda. – aquelas palavras mexeram com o pequeno e velho elfo que começou a chorar e se mexer para frente e para trás.
- Oh, meu senhor. Oh, meu senhor era muito bom para Monstro. Ele não queria mais seguir Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, porque Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado fez mal para Monstro. Fez sim. Fez Monstro beber veneno e fez Monstro quase morrer. Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado é muito mal. Muito mesmo, meu senhor. Ah, mas meu senhor Régulo foi muito bom pra Monstro. E eu sei das descobertas dele – falou a última num sussurro.
- Quais descobertas? – perguntou Harry. – Sabe que tudo que pertenceu ao seu antigo senhor agora é seu.
- Mesmo, senhor Potter? O senhor poderia tirar tudo do Monstro. Monstro sabe que poderia.
- Não faria isso, Monstro. Esses pertences são seus... – completou Harry, percebendo o que fazer para ganhar a confiança do elfo.
- Muito obrigado, meu novo mestre. Obrigado – disse fazendo uma reverência. – Monstro pode preparar algo para meu novo senhor comer, senhor.
- Monstro, você ia mostrar-nos as descobertas de seu senhor... – falou calmamente Draco.
- Ah, claro, claro. Meu senhor era muito inteligente. Não deixaria suas coisas aqui. Venham.
Os quatro jovens seguiram o elfo que andava rápido mesmo com suas pernas curtas. Subiram até o último andar. O elfo parou em frente a um quadro e murmurou umas palavras. Uma porta surgiu.
- Uma boa ideia, não é? Meu senhor disse que tinha uma parecida lá em Hogwarts. Foi onde ele teve a ideia. Bom bruxo meu senhor, não é novo senhor?
- Sem dúvida. – concordou Harry. – Monstro, você pode ir até o quarto dele e pegar tudo que quiser de recordação.
- Muito obrigado, muito obrigado – agradecia o elfo, fazendo reverências enquanto afastava-se andando de costas.
O lugar era pequeno e mal iluminado. Os quatro acenderam suas varinhas. Vários pergaminhos repousavam sobre uma escrivaninha. Do outro lado do ambiente uma poltrona. Eles pegaram os pergaminhos aleatoriamente começaram a lê-los. Rony começou a abrir e fechar as gavetas. Achou um pequeno caderno.
- Um diário? Nunca imaginei que um Comensal poderia ter um diário. – o ruivo falou passando os olhos pela primeira página.
- Ele se arrependeu tarde demais. Nessa família não temos muitas escolhas. – declarou Draco.
- Escutem – pediu Rony - Meu irmão é mesmo um renegado. Não quer seguir os passos da família e foi excluído. Andromeda também foi por se casar com um trouxa. Estou preparando uma surpresa para meus pais. Aparecerei essa noite com a Marca. - todos ouviam atentos.
- Acho que isso é a única coisa que nos servirá aqui. Adiante sua leitura, Rony – falou Hermione. Ele folheou algumas páginas e retomou a leitura.
- Minha mãe ficou muito feliz por saber que eu me tornara um Comensal. Só que ela não sabe o que é levar essa vida. Estou cansado de torturas e mortes. Todos seguem cegamente Tom sem pensar que ele é um mestiço imundo. Agora preciso me esconder aqui, esconder minhas anotações aqui. Estou cansado.
- Isso aconteceu alguns meses depois dele ter se tornado um Comensal. – constatou Harry após olhar a data. - Ache a parte das horcuxes.
- Achei! – exclamou Rony e recomeçou a leitura - Ele acha que sou um tonto. Ele me julga um fracassado por causa do meu irmão. Não sabe que andei pesquisando. Julga-me inferior demais para ler minha mente. Descobri que ele fez horcruxes. Tom foi um tolo achando que ninguém descobriria seu segredo, mas eu descobri. Ele não liga para os elfos. Não sabe a maravilha que são. E ele quase matou meu mais fiel amigo... Monstro. Covarde. Voltarei lá. Ele se acha tão esperto. Fiz uma ampla pesquisa. Até agora descobri além do medalhão, mais duas horcruxes. A taça da lufa-lufa e o Diadema da Covinal. Não sei onde estão, mas logo descobrirei. Batilda sabe sobre os fundadores. Ela deve ter informações. Ele ficou vários dias sem escrever e olhem aqui – ele apontou para a página.
- A letra dele era caprichada, mas está um garrancho. São suas últimas anotações? – perguntou Hermione.
- Sim, vou continuar. Ele está desconfiado de algo. Não tenho mais meios de pesquisar. Vou sumir. Destruirei o medalhão com a ajuda de Monstro. Espero que dessa forma, possa ter causado algum bem no fim de tudo.
- Temos agora a pista de mais duas horcruxes. – falou Harry.
- E de onde encontrá-la. Precisamos descobrir onde essa tal de Batilda mora. – completou Rony.
- Batilda... Batilda... Conheço esse nome... - falou Hermione pensativamente. Ela andou no pequeno ambiente até que deu um tapa na própria testa – Claro! Bagshot! Batilda Bagshot! Autora da História da Magia! Vamos olhar na orelha do livro!
- Por quê? – perguntou Ron acompanhando a amiga que saía do pequeno ambiente e ia pegar sua mochila. Draco seguiu os dois e respondeu à pergunta:
- Geralmente tem uma pequena biografia da autora na orelha. É comum ser citado o lugar onde residem.
Hermione abriu a mochila e tirou alguns livros até encontrar aquele que procurava.
- Nossa... Que grande coincidência... – murmurou achando que estava sozinha.
- O quê? – perguntou Draco lendo por cima do ombro dela. A morena encarou Harry.
- Ela mora em Godric´s Hollow.
- É perigoso irmos para lá – afirmou Rony percebendo a ideia.
- Não temos outra alternativa. Precisamos conversar com a velha. – falou Draco.
- Mais respeito! – brigou Hermione com ele, que desculpou-se.
- Estava estudando uns mapas - disse Harry puxando sua mochila para perto – E podemos entrar pela floresta que circunda o lado leste da vila. – tirou de lá o mapa e mostrou aos outros. – Estão vendo? Aparatamos longe de lá.
- Não podemos nos arriscar. Eles devem estar rastreando aparatações naquela região. Temos que escolher um lugar longe. – falou Rony.
- Não podemos aparatar se não conhecemos aquele lugar. – disse Hermione encarando os amigos. Draco estava sentado atrás dela.
- Vamos usar meio de transportes trouxas. – ele mostrou o mapa – Aqui – ele apontou um lugar no mapa – é uma vila trouxa. - A floresta que dava para o leste de Godric´s Hollow chegava até aquela região – A partir desse ponto a floresta é enfeitiçada para afastar os trouxas. – Todos olharam para o sonserino – Sei disso por que precisava aprender os pontos para atacar vilas trouxas. Não me orgulho disso. – abraçou Hermione com mais força apertando-a em seu peito.
- Partimos quando? – ela perguntou.
- Amanhã após o almoço. Usamos hoje para traçar um plano. E descansar. A partir de amanhã nossa caçada começa e não teremos uma casa para dormir.
- Quantos quilômetros nós teremos que percorrer a pé? – indagou o ruivo consultando o mapa.
- 150. – falou Draco encarando a cara de espanto dos dois grifinórios. Hermione simplesmente apertou sua mão.
Monstro fez várias comidas deliciosas para as refeições daquele dia. Aproveitaram para pegar mais mantimentos e partiram logo após um reforçado café-da-manhã.
Utilizaram um ônibus para chegar até um banco onde os pais de Hermione haviam feito uma poupança para ela. Ted Tonks havia ficado responsável por contratar um advogado para cuidar das burocracias testamentárias. Ela sacou dinheiro e guardou em sua bolsa. Draco e Rony ficaram admirados com a máquina que cuspia dinheiro e a praticidade de se utilizar notas de papel e não moedas em ouro.
Era maravilhoso para Harry andar na parte trouxa de Londres. Ninguém sabia quem ele era. Não havia pescoços se virando. Era mais um na multidão. Em partes. Ele, juntamente com Rony e Draco chamavam atenção por sua beleza. Era um trio composto por um moreno, um ruivo e um loiro que fazia até as mulheres casadas e acompanhadas virarem o pescoço (in)discretamente. Não que Hermione não chamasse atenção, mas eram poucos aqueles que se arriscavam a olhar mais demoradamente ao vê-la acompanhada por três rapazes altos e fortes. As varinhas iam escondidas dentro do bolso. A mão segurando-a fortemente. Olhares e ouvidos atentos a qualquer movimentação estranha ou suspeita.
A vila ficava longe de onde estavam. Tiveram que pegar dois ônibus até chegar à estação de trem.
- Melhor a gente se separar – falou Draco sentando ao lado de Hermione no banco do ônibus.
- Por quê? – perguntou Harry.
- Estamos nos aproximando de uma fronteira bruxa. Acho que passaremos despercebidos se estivermos em menor quantidade de gente – o loiro tornou a falar olhando atentamente para os lados.
- Também acho. – concordou Hermione. Rony apenas assentiu com a cabeça.
- Quando descermos, cada um para seu lado, então? – perguntou Harry.
Chegaram ao ponto final e desceram. Cada um seguiu um lado diferente, após combinar um encontro na estação às três horas da tarde.
Hermione foi até um posto de conveniência, comprou um lanche e um suco. Sentou-se num banco da estação. Pegou o livro dos contos Beedle e abriu com cuidado. Ainda não havia tido tempo de ler as histórias. Começou a comer, enquanto lia. Depois de uns minutos ouviu uma risada feminina, bem histérica por sinal. Olhou para o lado e viu uma loira que devia ser um pouco mais alta que ela, conversando com ninguém mais, ninguém menos que Draco Malfoy.
O loiro estava encostado a uma parede. Olhava distraidamente a movimentação das pessoas embarcando e desembarcando. Viu quando Hermione sentou pouco afastada dele e pegou um livro. Ele sorriu. Seria impossível dissociar a imagem de Hermione com um livro no colo. Queria abraçá-la. Foda-se que nos vejam juntos. Preciso beijá-la. Agora. Não teve tempo de desencostar-se quando uma loira linda parou em sua frente. Ela enrolava seus cabelos lisos com a ponta dos dedos e falou:
- Acho que estou perdida... – Draco pensou: perdido estarei eu se Hermione me vir conversando com você. Ele tornou a olhar para a garota. Sem dúvidas era bem bonita, mas pela primeira vez não sentiu nada. Não teve vontade de beijá-la. Todos seus relacionamentos anteriores eram baseados em traições. Nunca estava bem ou completo com uma mulher. Agora, no entanto, ele estava bem. Queria apenas sair daquela situação e beijar sua morena.
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Pessoal,
mais um cap no ar!
Na verdade, quero terminar essa fic que tanto me animou e agora me desanima.... Caso achem algum erro, me informem! Não sei pq a postagem dessa fic sempre dá erro e não consigo tb mexer no nome e avisar quando há atualizações.....
Espero que gostem!
Beijosss
Artemis