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3. Sussurros


Fic: Harry Potter e a Realeza Oculta Epilogo - Fic finalizada!


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Capítulo 3 – Sussurros

Na mesma noite da festa do casamento, numa cidadezinha pacata, a casa velha parecia escondida entre as arvores. Ela estava um pouco distante da cidade. Nela, sobre a iluminação de duas lamparinas e a lareira acessa, dois homens conversavam.
- Você parece que não está entendendo a situação. - Disse o mais alto. - Se você não ficar aqui, sobre a minha segurança, a minha proteção, vão pegar você! Vão te torturar até você falar tudo e implorar pó perdão. Ele tem meios para isso, você sabe muito bem. Você o conhece melhor que eu. – Disse sentando em uma das poltronas próximas a lareira.
- Na melhor das hipóteses, os aurores vão arrancar todas as suas lembranças para descobrirem onde está o Mestre. Depois de tudo, vão mandá-lo para Azkaban, com toda certeza. – Falou quase rindo. – Você não tem uma saída a não ser ficar aqui.
O homem mal olhava para o outro. Seus cabelos negros, escorridos, parecia sujo. Sentado ali, próximo ao fogo da lareira, seu rosto estava mais sombrio, mais pensativo. Suas roupas eram imponentes, negras, com riscos bordados de verde esmeralda. Em sua mão tinha um grande anel de prata, com uma safira. Este anel tinha um desenho de uma ave, lembrava um dragão. O homem mexia nele, como se o contemplasse, como se recordasse de algo, ou alguém.
- Snape, você não pode me pedir pra ficar escondido, como se fosse um rato. Eu tentei cumprir minha obrigação, mas aquele velho idiota ficou falando um bando de coisas na minha cabeça. - Disse o jovem de cabelos loiros e desalinhados, de aparência cansada e abatida. - Ficava falando que eu não era igual ao meu pai, que não precisava do Mestre para ser uma pessoa melhor, que me conhecia e sabia que não podia fazer isso com ele. – Disse batendo com a mão na mesa, como se estivesse com raiva.
Este jovem não lembrava muito o Draco Malfoy, de Hogwarts. Arrogante e dono de si, com aquele jeito de um quase Deus. Belo, sempre bem vestido e arrumado. Ali estava um fugitivo. Os seguidores de Voldemort o queriam para vingar a morte de um de seus comparsas que havia morrido e do outro que fora preso. Os aurores o queriam, pois ele era um comensal da morte, seguidor de Voldemort, e um dos culpados pela morte de Dumbledore e pela invasão a Hogwarts.
- Calma, Draco, muita calma. – disse Snape – Eu vou conversar com o Mestre, ele entenderá que você quis cumprir suas ordens, mas Dumbledore era poderoso demais para você. Mas você deve esperar. – Disse levantando e indo em direção ao garoto. - Prometi a sua mãe que eu iria te proteger e estou cumprindo. O mestre confia em mim, principalmente depois que tive que fazer o seu serviço. Vou pedir por você.
Draco respirou fundo. Ainda continuava com as mãos na mesa, sua cabeça estava baixa. Lembrava-se de tudo que acontecera naquela noite. Tinha sentido medo. As palavras de Dumbledore ainda ecoavam na sua cabeça. Sabia que cada uma delas eram verdades guardadas dentro dele. Não queria ser um comensal, queria ser apenas Draco.
- Tudo bem, Snape. - Falou saindo daquela posição e foi andando para a janela da casa. – Eu vou esperar mais um tempo. Mas não vou passar o resto da minha vida fugindo, nem do Mestre, nem dos aurores do ministério. Avise pra minha mãe que eu estou bem.
Draco ia saindo da sala onde estavam. Não tinha conseguido dormir direito durante vários dias, devido as mudanças de esconderijo. Não sabia se Snape o protegia pela promessa feita a sua mãe ou por outro motivo, ou somente por pena. Ele era o comensal mais próximo ao Mestre. Não tinha que ter pena de ninguém, mesmo dele.
- Draco! Volte aqui. - Chamou Snape.
- Fala logo!
- Preciso que me mostre novamente sua marca, preciso enfeitiçá-la para que ninguém saiba que você está aqui. - Disse levantando e tirando sua varinha que estava presa na roupa.
- Aqui está – Mostrando o braço.
Snape começou a sussurrar palavras que Malfoy não entendia, apontando a varinha para a marca. O anel na mão de Snape começou a brilhar. Uma névoa branca saia da varinha e começou a cobrir a marca no braço de Draco. Snape solto o braço do garoto e virou-se para a lareira. Draco achou estranho o brilho do anel.
- O que foi isso, Snape, o brilho no seu anel. – Perguntou andando na direção de Snape.
- Não é nada, garoto. Não comente isso com ninguém. Nem sobre o anel e nem sobre o que ele fez. Esqueça. – Falou pegando sua capa de comensal. - Já vou. Não me espere tão cedo. Aqui está dinheiro trouxa para comprar comida. – Jogou um envelope em cima da mesa.
- Não demore. Ou vou me entregar aos aurores. Pelo menos não serei morto. - Disse Malfoy saindo da sala.
Snape saiu da casa. Novamente começou a dizer palavras aos sussurros, apontando sua varinha em direção a casa. Seu anel brilhava muito mais. Uma série de raios prateados saíram da ponta da varinha e foram em direção da casa. Uma névoa a envolveu. Snape olhou novamente para o anel e sussurrou as palavras “Dracunus” “Realis”. Cobriu-se com a capa e aparatou.
Chegou a um terreno. Já estava amanhecendo. Os primeiros raios do sol mostravam o que a noite havia escondido. Estava numa colina. A baixo dela havia uma planície esverdeada com um fino nevoeiro, cobrindo tanto ela quanto um riacho que passava próximo a casa de madeira. Era um local simples, parecia uma velha casa de lenhador.
Snape desceu a colina, tirando a capa que vestia e colocando-a nos braços. Olhava em volta para ver se não via ninguém. Tentou arrumar os cabelos que se revoltavam com o vento. Era impossível. Finalmente chegou a porta da casa. Antes de bater ela se abriu e mostrou um homem alto que a havia aberto.
- Desta vez demorou mais de um mês, Snape. Falou o homem em tom de deboche. - Ele disse que não era para ficar tanto tempo assim sem aparecer. Nossa como você esta acabado.
Snape entrou na casa com uma cara de poucos amigos. Olhou em volta. A casa por dentro era quase dez vezes maior que a aparência da casa por fora. Havia uma grande sala a sua frente. Uma lareira ainda acessa. Era muito bonita. Combinava com o ar campestre do lado de fora da casa. O homem atrás dele fechou a porta e foi andando em direção a mesa, enquanto Snape ficava parado olhando para frente.
- Você realmente colocou a casa do seu jeito. Está a sua cara. – falou resmungando e jogando sua capa em cima de um sofá próximo a ele. – Não foi minha culpa ter demorado tanto. As coisas estão uma zona. O lorde anda fazendo muitos planos. Está atiçando a todos com promessas de poder, tanto no mundo bruxo quanto nos dos trouxas. – Sentou-se numa poltrona de frente para o homem. - Ele está feliz com a certeza de que ninguém, nem mesmo o Potterzinho poderá vencê-lo, agora que Dumbledore está fora do jogo.
- Ele está é por fora do que acontece, bem debaixo do próprio nariz. – Disse o homem andando até a mesa. Virou-se para Snape e falou caminhando e sentando a sua frente. – Infelizmente, Dumbledore fez o que fez, por você, por mim, por Harry, por ela, por todos. Ele disse que isso podia acontecer, principalmente depois que ele a conheceu. – Tomou o conteúdo do copo que estava segurando. – Você tem que continuar com o plano, Snape. Ele não pode saber de nada, nem imaginar o que Dumbledore estava fazendo, muito menos sobre as horcruxes. Esse é o nosso triunfo.
- Ele só sabe o que eu deixo ele saber. – Disse o bruxo com um sorriso cínico. – Ele não sabe que ela existe, não sabe sobre o passado do Potter. - falou levantando - É até estranho ele não saber disso sobre o Potter. Dumbledore se assustou quando soube. Ele tem os sinais. Mas só vamos saber, ter certeza, quando eu der isso a ele. – Snape então tirou o anel de seu dedo, mostrando ao homem.
- Você conseguiu! – Levantou o homem, aproximou-se de Snape que mostrava o anel na palma da mão. – Agora mais uma vez eu tenho que concordar com o Alvo. Mas você não pode ir atrás do menino. Se você chegar perto dele, ou ele te mata ou os outros te pegam. – Disse quase rindo. - Você não pode dar trela pro azar. O seu lugar no momento é com o bando do Voldemort. Lá você é mais útil que em Azkaban.
- Então você vai sair daqui. - Disse duvidando. - Eles vão achar estranho você aparecer depois de um ano. Ainda mais quando você falar o que realmente te aconteceu, Black.
Sírius levantou pegando o anel da mão de Snape. Olhou quase hipnotizado para ele. Lembrou das palavras de Alvo, da última vez que eles se viram.
“- Isso, meu amigo, é mais uma amostra que as trevas irão cair, desta vez, para sempre. O anel precisa ser encontrado o mais rápido possível. Harry precisa dele para vencer Voldemort. E precisa que ela o ajude, Sírius. Ela não pode ficar ao lado da mãe. – Alvo o olhava com uma certeza que o encorajava.
- Não sei o que vou fazer quando a conhecer, Alvo. – Disse olhando para baixo. – Eu não tive outra idéia naquela época. - e olhando novamente para Dumbledore. - O Harry vai ficar bravo comigo, igual ao pai dele quando soube. Eu o deixei sozinho.
- Sírius, você o ama como um filho, não é! – Falou colocando as mãos sobre os ombros do amigo – Ele te ama como um pai. E ela, vai gostar de você. Você é um grande conquistador, Sírius, vai saber como ganhar a confiança dela.
- Será que Lílian tinha razão quando teve aquela premonição?
- Lílian Potter não ia mentir quando viu aquilo, meu amigo. Ela previu a queda de Voldemort pelas mãos do amor, ela sabia qual era o destino do filho, por isso me falou a verdade sobre a família dela e sobre o anel.”
Seus pensamentos voltaram quando ouviu novamente a voz de Snape.
- Sírius, ei, Black, acorda!!
- Que foi, Snape, será que você não pode dar um tempo. - Disse Sírius se recompondo. – Eu vou lá, eu preciso voltar, Snape. Você sabe bem disso. Eu fiquei aqui por tempo demais. Obedeci ao pedido do Alvo.
- Você é que sabe! – Disse quase rindo. – Você realmente gosta de aparecer. Como sempre, não é, Almofadinha!
- Não começa, não, Ranhoso! Você sempre perdeu pra mim e pro Tiago. – Respondeu fazendo uma cara feia para Snape. – Estamos dando um tempo nas nossas desavenças, mas você, pra mim só melhorou um pouquinho, viu! Mas o seu cabelo, xii, continua o mesmo. – disse começando a rir.

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