CAPITULO 29 – AMOR...
O som das vozes e gritos acordou-a.
Os empregados haviam regressado, e não havia dúvida disso. Seus gritos eram o indício de mais um dia puxado de plantio. Eles eram homens grosseiros, mas fortes o bastante para agüentarem o ritmo do trabalho pesado.
Esse pensamento sumiu de sua mente quando entreabriu os olhos, e notou que era mais uma manhã que acordava ao lado de Rony. Mas não apenas uma manhã comum, pois na noite anterior permitira que ele a possuísse.
Esse simples pensamento fez um arrepio percorrer sua espinha e ela fechou novamente os olhos, fingindo dormir quando ouviu o som de passos dentro do quarto.
Eram passos pesados, porém, silenciosos, num contraste de quem não queria acordar a mulher que ressonava tão serena entre os lençóis amarrotados.
Ela evitou o susto quando ele se aproximou e acariciou seus cabelos, antes de se afastar e deixar o quarto. Claro, tinha muito trabalho a fazer e não poderia ficar na cama o dia inteiro! Assim como ela também não podia se dar esse luxo!
Movendo-se, Hermione descobriu que o dia estava claro e havia amanhecido há muitas horas, visto a intensidade do sol que entrava pela janela aberta coberta pela cortina.
Rony deveria ter aberto para ventilar o quarto e garantir seu maior conforto. Era desconcertante pensar que ele se preocupava com seu bem estar, ou pior, que a conhecia tão bem, e em tão pouco tempo, a ponto de saber aquilo que a deixaria feliz ou não, confortável ou não!
Segurando o lençol contra o copo nu, saiu da posição de bruços a qual acordara e sentou-se. Seus cabelos estavam despenteados e embaraçados, corou ao lembrar-se que isso se devia aos toques e carícias que ele fizera com suas mãos imensamente gentis. Hermione passou uma das mãos nas mexas, colocando atrás da orelha e fechando os olhos, para relembrar aqueles carinhos inesquecíveis.
Alarmada com o rumo dos pensamentos, abriu os olhos e fitou a cama com pavor. Estava dormindo sobre o colchão puro, pois se lembrava brevemente dele ter tirado os lençóis no meio da noite, com cuidado para não acordá-la. Estavam sujos e úmidos, e eram incômodos, e ela agradeceu sua sensibilidade naquele momento, mas agora, ficava chocada de ver o resultado de sua noite de núpcias tardia, embolado sobre o chão num emaranhado de tecido inútil.
Haviam se tornado um casal, no sentido real e bíblico, isso a assustava. Não queria ter um marido, ou filho, ou outra família que pudesse perder. Não podia ter noites como aquela, ou corria risco de se apegar a ele.
Esse pensamento causou uma imensa tristeza, e ela se pegou divagando se não teria se apegado definitivamente aquele Rony mal criado e provocador. Claro que não!
Ele era arrogante e ambicioso, e levava seus dias com dedicação fervorosa em irritá-la e revirar sua vida de cabeça para baixo!
Não gostava de suas idéias sempre certeiras, não gostava de sua mania de olhar para ela o tempo todo e, sobretudo não gostava da forma como reivindicara seu corpo e a fizera esquecer-se de tudo em seus braços!
Hermione ficou assustada quando a porta se abriu de leve e alguém espiou, relaxou ao ver o rosto de Juanita.
-Posso entrar? Ronald disse para te acordar e arrumar o quarto – Ela disse com um sorriso gigantesco entrando e fechando a porta.
– Ele levou as visitas para conhecer o gado e os peões – Ela começou a juntar as peças de roupa no chão, e olhou para ela maliciosa
– Uma boa idéia tirar aqueles abutres de casa e lhe dar um momento de paz.
Hermione ajeitou melhor o lençol, sentindo-se estúpida por ter vergonha de uma mulher tão boa quanto Juanita.
-Como está o seu filho? – Perguntou tentando desviar atenção.
-Acordou sem febre – Ela disse com tamanho alívio que Hermione sorriu. – Levante-se para que possa por um lençol na cama.
Hermione enrolou-se e levantou, observando enquanto ela arrumava a cama. Não sabia para onde olhar, ainda mais por Juanita saber exatamente o que se passara naquele quarto.
-Pronto, pode voltar a deitar – Ela disse sempre sorrindo.
-Não! Vou me vestir e ajudar na cozinha... – Ela começou a falar, mas Juanita negou.
-Ordens de seu marido, Hermione. Que passe a manhã descansando.
-E porque isso? - Ela perguntou com uma ponta de revolta na voz.
-Porque é um homem preocupado com a esposa – Juanita escondeu um sorriso e Hermione corou furiosamente – Por favor, não fique com vergonha. Não é a primeira mulher que vejo depois de ser deflorada. Esqueceu-se de onde vivi?
Raramente Juanita se referia a sua vida anterior a Suarez, e Hermione sentiu-se uma mulher sem moral.
-Pedi que não se envergonhe – Ela tornou a dizer seu sorriso crescendo – Deixe-me levar esses lençóis e lavá-los antes que seus hóspedes voltem e possam ver as manchas. O correto seria exibi-los, mas visto o tempo que se passou desde as bodas, não seria uma boa idéia!
Hermione olhou para ela e sua jovialidade, sentindo um nó se formar em sua garganta.
-Você sabia?
-É claro que sim. Uma mulher sabe quando a outra não conhece nada do amor. – Juanita sorriu, ocupada em arrumar o quarto – Deve saber Hermione, o que se passar dentro de sua casa, ficará aqui. Não sairá uma palavra de minha boca, nem mesmo a Suarez.
-Por quê? – Ela perguntou incapaz de se conter.
-Porque gosto desse trabalho – Ela disse dando de ombros, mas ao notar seu semblante carregado, ela parou e olhou-a – Também já fui moça, e também tive tristezas, vejo-a e é como se me visse. Creio já ter dito antes, é uma mulher de muita sorte, e não desgoste seu marido. Ele é único. Não verá outro igual.
-Porque diz isso? – Aquele nó em sua garganta aumentou consideravelmente.
-Porque é um homem viril – Ela respondeu simplesmente – E mesmo assim, não a feriu. Outro a teria violentado, pois é seu direto de marido.
-Alguma vez você foi...? – Hermione não teve coragem de continuar a frase e viu uma sombra passar por sua face.
-Tornei-me mulher muito cedo, e lembro apenas de duas vezes em que desejei um homem. – Ela disse com um olhar sorridente – A primeira vez, já era moça feita e vivia no saloon, quando conheci o pai de Duran. Era um escravo muito bonito, com olhos verdes como as folhas das árvores... - Ela sorriu e seus olhos brilharam – Ele trazia vários doces, e só me tomou quando o fiz de graça, por amor. Uma única vez – Ela pôs as mãos sobre o ventre – Não poderia deixar outro me tocar por meses, por esse motivo tive certeza ao ver os olhos de Duran, que ele era seu pai.
-Disse que foram duas vezes – Ela disse curiosa e ao mesmo tempo apenada pelo sofrimento de Juanita.
-Quando Suarez apareceu em minha vida, soube que tinha achado um ombro para me apoiar, e quando me deitei com ele, o fiz de coração, dando tudo de mim, para fazê-lo feliz! – Ela sorriu.
-Não o ama, não é?
-Aprendi a amar. – Ela disse sorrindo e afastando a tristeza – Faça o mesmo, pois a partir de agora, seu marido será o centro da sua vida. Sua única preocupação é agradá-lo e garantir-se uma existência cheia de satisfação e saúde. Ser viúva é uma desgraça. E não quer isso, ainda mais agora!
-O que tem agora? – Ela sentiu uma ponta de rebeldia.
-Agora, é sua esposa de fato e dessa união, talvez nasça um herdeiro nos próximos meses – Havia empolgação em sua voz e Hermione não soube de imediato a que ela se referia – Sua mãe nunca lhe disse que basta uma noite para gerar um filho? Pois bem, basta uma noite. Seu marido é um homem saudável, seu pai teve sete filhos, é de esperar, que ele repita o feito!
Seu tom zombeteiro quebrou algo dentro dela, e sua palidez, fez Juanita se aproximar e ajudá-la a sentar-se na beira da cama.
-Sente-se, está passando mal?
-Não – Ela disse quando o torpor passou – Sabe algum meio de evitar isso?
Seu tom era rude, e Juanita demorou a entender o que dizia.
-Não quero filhos. Deve haver alguma meio de evitá-los!
-Sim, claro que há. Mas não vejo necessidade que os evite!
-Por favor, Juanita, é apenas por um tempo...
Estava em sua face que era mentira e Juanita leu claramente em sua fronte o medo, a ansiedade e a confusão.
Pobre, menina, ela pensou tentando sorrir e acalmar seu coração tão ferido.
-Prepararei todas as manhãs um chá para você. – Disse suave, contendo a vontade de abraçá-la, pois Hermione era esquiva demais e não sabia se aceitaria um carinho seu – Apenas não conte a seu marido, ele pode ficar desgostoso com meu trabalho e me mandar embora!
-Ele não faria isso! Não permitiria!
Juanita apenas sorriu sem querer tirar-lhe a ilusão de poder. O que poderia uma mulher contra os desejos de um marido? Nada. Não era justo, mas era assim que o mundo agia com as mulheres menos afortunadas, que não tivessem um brasão e o sobrenome refinado de alguma família importante.
-Deite-se enquanto preparo seu banho – Ela sugeriu – Irá desejar estar banhada e vestida quando aquele homem asqueroso voltar – Ela mudou o tom ao referir-se ao Sr.Ford – Um porco imundo! Não se banha há dois dias! Como pode tal coisa!
Hermione não deu ouvido, as suas reclamações, e assistiu-a sair, perdida em meio à confusão de sentimentos. Deitou-se encolhida, uma das mãos sobre o ventre liso, pensando no que seria dela se houvesse uma semente sendo gerada em seu ventre.
Não poderia amá-lo, não teria amor depois de tantas percas e se ainda houvesse, seria ainda pior, pois a dor seria novamente insuportável quando o perdesse!
Um menino pensou.
Se fosse um menino, teria os olhos claros e azuis de Rony e seria encantador perder-se na inocência maliciosa e brincalhona que ali houvesse e quando sorrisse um sorriso de dentes perfeitos e brancos, em lábios grossos e avermelhados, seria um sorriso cativante que faria seu coração de mãe saltitar cada vez que regressasse, imponente sobre um cavalo, ao lado do pai.
Não, meneou a cabeça, afastando aquele olhar, não deveria querer que isso acontecesse!
Uma noite, no seu caso, não seria o suficiente! Acreditaria nisso e nunca mais deixaria essa loucura se repetir. Primeiro, por não desejar um marido, e segundo, não poderia correr o risco de engravidar!
Para isso, manteria Rony longe dela!
Não abriria mão dos chás que Juanita prometera, pois homens são criaturas animalescas e ainda não estava totalmente convencida que não era como os outros, e caso a obrigasse a ter relações, desejava estar protegida!
Decidida, esperou Juanita voltar com a água e enquanto esperava, fechou os olhos, tencionando descansar.
Seu traiçoeiro corpo a condenava a lembrar do acontecido, pois estava dolorida abaixo da cintura e essa ardência incomoda a obrigou a lembrar da intimidade partilhada com seu marido. Os toques, os beijos, as carícias, a união devastadoramente intensa e profunda... Um involuntário suspiro escapou de seus lábios e ela abafou um sorriso de pura felicidade ao lembrar-se da forma como fora protegida em seus braços durante toda a noite, onde dormira tranqüilamente pela primeira vez em meses. Não tivera pesadelos, ou insônia.
Fora uma noite perfeita. Uma linda lembrança que a acompanharia enquanto vivesse.
Rony tivera razão ao dizer que estaria muito machucada se não o permitisse conduzi-la, pois apesar de toda sua gentileza, senti-se um pouco dolorida. Nada que superasse a sensação de bem estar e paz que sentia.
Seus suspiros eram inevitáveis e desconhecidos, pois não se lembrava de outro momento em que estivera assim!
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Rony mal conteve a empolgação ao entrar na cozinha. Deixara os homens comendo no estábulo que adaptaram e era o novo alojamento, depois de se certificar que Ford e a parteira estivessem enchendo suas barrigas com farta comida, e que Hermione estaria na casa, ele rumou em sua direção.
Como esperava, ela estava cortando os pães e arrumando-os em uma bacia, e quando o notou, ela baixou o rosto e continuou como se estivesse sozinha.
Não era a recepção que esperava, mas talvez estivesse envergonhada.
Aproximando-se, ele ficou a centímetros, e se preparava para beijar seu pescoço quando ela se afastou. Nada discreta, pensou, começando a se irritar.
Hermione não podia rejeitá-lo depois da noite passada. Ah, não podia mesmo!
-Prepare nossa comida, comeremos aqui hoje – Ele avisou, esperando que apreciasse a privacidade, mas ela apenas deu de ombros.
Hermione era assim mesmo, pensou relevando, e tentando uma nova aproximação. Ela preparava seu prato, e foi fácil encurralá-la entre a pia e o fogão.
Ela parou o que fazia e esperou.
-Hermione – Ele disse com voz mansa – Olhe para mim.
Era um pedido, e apesar de poder negar, ela obedeceu.
Ele sorria, com a face incrivelmente feliz, e com os olhos também.
-Como está se sentindo essa manhã? - Ele perguntou suave, tocando sua face, e ela não se afastou de imediato.
-Bem! – Era uma resposta curta e resumida para agrupar tantas emoções!
-Sinto-me essa manhã, o homem mais afortunado do mundo – Ele acariciou sua pele com gentileza – Sinto não ter te acordado, mas quis tirá-los da casa, para lhe dar privacidade.
-Eles não suspeitaram de nada? - Sua voz era distante, mas ele demorou a notar.
-Creio que não. – Ele sorriu – Juanita foi discreta com suas roupas – Ele informou, deixando claro que apreciava isso – Hermione vamos ao quarto, desejo...
-Não - Ela afastou sua mão, antes que terminasse sua frase e pudesse fraquejar – Preciso terminar o que fazia!
-Não, não precisa. Precisa olhar para mim e deixar a vergonha de lado – Sorriu para tranqüilizá-la.
-Não estou com vergonha! - Mentiu braviamente.
-Que bom! Pois não é necessário – Ele abriu seu maior sorriso e por um segundo ela quase cedeu diante de sua espontaneidade – Venha! Quero namorá-la um pouco – Ele tentou seduzi-la, e ela se viu perguntando:
-No meio do dia?
-Sim. Porque não? – Com ambas as mãos em seu rosto, ele mergulhou em seu olhar, querendo que Hermione pudesse ler em seus olhos o tamanho do ardor que o consumia.
Tolamente, acreditara que ao consumar o casamento, consumaria também a paixão e a necessidade que nutria por seu corpo de mulher. Mas estava errado, e esse desejo só fazia aumentar, a cada segundo, aonde as lembranças da noite anterior lhe vinham assolar a memória.
Hermione quase o deixou ter êxito em sua sedução, por um segundo, fraquejando, mas então, o racional prevaleceu, e afastou-se de suas mãos, fugindo dele e do acelerar de seu próprio coração.
-Hermione?
Ele ficou surpreso, olhando para ela, que colocava o prato sobre a mesa, enchia um copo com água fresca e refrescante e esperava que se sentasse a mesa, em seu lugar de marido e proprietário.
-O que está fazendo, Hermione?
-Seu almoço está servido. Não vou acompanhá-lo, pois já almocei.
-Espere um momento, Hermione – Ele disse começando a entender. – Está fazendo de conta que nada aconteceu? É isso?
Hermione esforçou-se a olhar para ele.
-Sei o que aconteceu, e sei a razão para que acontecesse. E sei também, que prometeu ser uma única vez – Sua voz mostrava uma calma que estava longe de sentir!
-Isso foi antes! – Ele disse sentindo a euforia daquela manhã se esvair diante dele. – Foi uma noite perfeita. Hermione, não pode querer ignorar o que aconteceu!
-Fico-lhe grata por ter sido sensato e não ter permitido que me machucasse além do que fosse preciso, mas não devemos repetir tal fato. É desnecessário!
-Desnecessário? – Ele segurou seu braço, e era uma das primeiras vezes que o fazia com força, quase machucando. - É desnecessário o meu carinho e atenção?
Ela engoliu em seco, refreando um pedido de desculpas. Não era experiente, mas sabia que depois de tudo que sentira na noite passada, estaria magoando-o ao repudiá-lo. Rony era muito impetuoso e ofendia-se com seu descaso. Não sabia a razão, mas sempre se ofendia com sua rejeição!
-Tenho lhe dito, não desejo um marido, seja ele qual for. – Afirmou, sentindo o baço latejar, quando ele a soltou, olhando-a com aspereza.
-Não posso acreditar em tamanha besteira! – Ele disse nervoso, perturbado com essa realidade que sequer passara por sua mente. Sabia o quanto ela era esquiva e difícil, mas depois de ter sido sua, de uma maneira tão apaixonada, nem mesmo Hermione poderia negar a atração e o amor que nascia entre eles!
Ou quem sabe, para ela fora apenas à descoberta da paixão. Um ato que não compensava a infelicidade de ser sua mulher.
-Você não tem um coração de pedra – Ele alertou, e havia um tom de aviso em sua voz – Hermione, agir desse modo, depois do que aconteceu entre nós, não pode ser tratado como algo banal! Está me causando mágoa à toa!
-Não é meu desejo causar mágoa! – Ela engoliu um nó que se formava em sua garganta – Isso sequer deveria acontecer! Estou cumprindo minha parte do nosso acordo! Cuido da casa, sou complacente com suas decisões e não o trato mal! Por seu lado, também tem cumprido sua parte! Então, porque deveria haver mágoas?
-Sabe, talvez, talvez eu esteja enganado, e você realmente não tenha um coração!
A raiva o impediu de notar sua expressão surpresa, e magoada. A mesma raiva que o fez desistir dela, e sair da cozinha e da casa, como se fosse perseguido por demônios famintos por sua alma!
Sozinha, Hermione caiu sobre a cadeira, olhando para um ponto qualquer, os olhos embaçados. Havia chorado quando seu irmão morreu, e quando enterrou seus pais e sua irmã, mas fora apenas em momentos de desespero e parecia tão bobo e pequeno chorar por causa de Rony, e mesmo assim, ela estava ali, a beira do mais completo pranto!
Não conseguia impedir. Não conseguia afastar a sensação ruim de ter visto mágoa e dor em seu profundo olhar azul. Aqueles olhos a devoraram em paixão e carinho a noite passada, e agora, apenas lhe lançaram desprezo e incompreensão.
Não podia deixá-lo pensar que não tinha sentimentos, ou pior, que não tinha sentimentos por ele! Era mentira! E Rony precisava saber disso!
De pé, ela deu alguns passos inconseqüentes, quando se obrigou a parar. O que esperava fazer? Ir atrás dele e dizer que se importava? Como poderia, depois pedir que se afastasse?
Sempre soubera que não seria fácil. No dia em que desposara aquele homem soube que sua vida nunca mais seria simples.
Limpando as lágrimas da face, ela olhou apenada para o prato intocado. Ele sentiria fome. O trabalho era árduo e duro e ele sentiria fome se ficasse sem almoçar!
Obrigando-se a ser prática, e jurando a si mesma que não se importava que ele a odiasse, Hermione separou o prato e cuidou para que estivesse embrulhado em um pano de prato limpo e assim pudesse ser levado por mãos inquietas, sem derrubar seu conteúdo.
Segura de si, ou ao menos, capaz de fingir estar certa das próprias decisões, ela saiu da casa atrás de Duran, o filho mais velho de Juanita.
Depois de pedir que levasse ao seu patrão quando estivesse mais calmo, ela voltou para a casa, e enfurnou-se no quarto, desejando não ter tantas recordações dentro daquelas paredes.
Juanita notou seu comportamento anormal e triste, mas não disse nada. Era melhor manter-se de fora, embora maneasse a cabeça em desagrado pelo seu comportamento!
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Furioso, Rony rumou para o celeiro decidido a dar uma lição em Hermione. Praguejando, ele fechou as portas e fitou os cavalos que estavam em suas baias, e mirou o alvo de seu desejo, a poucos passos.
Sentindo o sangue ferver em suas veias, ele apanhou um martelo de ferro grande e pesado, e empunhou-o firmemente, sem hesitar.
Se ela queria assim, assim seria!
Hermione não se importava com ele! Não ligava para sua gentileza e cuidado! Nada que fizesse conquistaria o afeto daquela louca infeliz!
Remoendo sua fúria, ele se aproximou, sequer pensou antes de agir.
A carroça estava a sua frente, pronta para levar Ford e a Sra.Barth de volta à cidade, e a roda foi seu alvo.
Rangeu os dentes ao ouvir a madeira quebrar, repetiu as marteladas pesadas e enfurecidas, mais vezes que o necessário e só parou quando a carroça vergou para o lado, pendendo sobre a roda esmigalhada.
Um sentimento de satisfação o percorreu ao ver o resultado de seu trabalho. Hermione odiaria isso, e saber que causaria medo e desespero em sua adorável e doce esposa foi a mais doce das vinganças que poderia arquitetar!
Oferecera-lhe palavras de conforto e carinhos apaixonados, toda a paciência e amor que um homem poderia dispor, e o que ela lhe dera em troca? Desprezo! Asco! Rejeição!
Se Hermione não podia amá-lo, então, que o odiasse!
Seu sorriso era um tanto demente ao ouvir passos, e quando olhou para a porta e avistou Suarez o fitando com curiosidade e interrogação, havia uma alegria quase infantil em seu olhar!
Nota da autora: Esse cap é do dia 01/12. Coloquei na madrugada...beleza? beijos!
Nota da Beta: Tentei não comentar, mas não resisti, deu um aperto no coração, mas vocês não perdem por esperar o quem vem mais a frente...