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25. ATRÁS DA PORTA


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 25 – ATRÁS DA PORTA


 


 


A carruagem ia longe, quando Rony entrou. Hermione terminava a louça do almoço e estava ainda mais séria que antes. Ele desejou não ter pedido à moça que viesse fazer os vestidos. Assim, não teria perdido o pequeno avanço que tivera com ela antes da chegada das duas.


-Não gostou dos tecidos? – ele perguntou esperando que fosse ao menos sincera, coisa que normalmente ela era. Franca, até demais!


-São bonitos – ela respondeu, sem olhar para ele.


-Susan tirou suas medidas? – queria puxar conversa e restabelecer o vínculo de antes.


-Sim – respondeu de má vontade.


-Serão vestidos adoráveis – ele sugestionou um elogio.


-Onde os usarei? – ela perguntou finalmente.


-Em casa, para sairmos, passearmos no jardim. Uma senhora deve estar bem vestida para seu marido – ele disse num tom divertido.


-Porque fala assim? - ela parou o que fazia, o encarando.


-Assim como? – cruzou os braços divertindo-se.


-Refere-se a mim como esposa! Não é necessário! – reclamou.


-E acaso não é minha esposa? Como deve um marido chamar sua mulher? – seu sorriso se alargou – Talvez prefira ser chamada de querida.


-Oh, sim, querido Rony! – ela satirizou num tom amargo e não se virou para ver seu sorriso tornar-se gigantesco.


-Isso se chama ciúmes, Hermione - ele opinou, notando o som da panela ao ser largada dentro da bacia ecoar por toda a cozinha.


Hermione não respondeu, mas pela forma como jogou os pratos, e os copos, ele soube que era melhor afastá-la de sua arma, ou seria um homem morto.


-Susan quer que peça anulação e case-se com ela, pois o pai é juiz e o ajudará a roubar minhas terras. Ouvi quando disse isso a sua detestável mãe! – acusou veemente.


-Notei que essa jovem é bastante desinibida. Por um instante, cheguei a pensar que fosse uma cortesã. – admitiu, ignorando sua acusação.


-É mesmo? – ela virou-se incapaz de conter-se – Talvez seja mais interessante que as jovens ignorantes e mal cuidadas do saloon!


-Bem, sim, não minto quanto a isso – ele disse para provocá-la - No entanto, não tomo cortesãs por amantes. Elas dão muito trabalho e sempre acreditam ter direito sobre os homens!


-Faça como quiser, apenas esteja avisado, que se anular o casamento, caso com qualquer outro antes que tenha a possibilidade de por as mãos sobre minhas terras! – ameaçou.


-E negará a ele o que nega a mim? – acusou, irritado profundamente com essa ameaça.


-Talvez não! - ela disse consciente que estava comprando uma briga para o resto do dia.


-Hermione, se não quer que eu veja Susan, apenas diga. – ele recolheu para si a raiva, e preferiu suavizar a briga que se seguia imprensindível.


-Não me importo se a vir! Não me importo com nada que faça! – disse sem reação, pois lá no fundo era isso mesmo que desejava que não a visse nunca mais! – Apenas lembre-se que Susan é filha de um juiz, e apesar de ser uma... apesar dos pesares, qualquer atitude impensada, e pode acabar preso.


-Conheço as leis, não é preciso que me lembre das conseqüências de deitar-me com uma donzela – ele disse sentindo-se ofendido – nunca seduzi uma moça, ou deflorei uma virgem. Todas as mulheres que tive sempre foram adultas, resolvidas e independentes. Por isso, não faça insinuações!


Ela ergueu o queixo, pensando em quantas mulheres teriam sido. Muitas, pelo visto.


-Não sou como seu amante, que a abandonou sozinha e seguiu seu caminho, por isso, se pensa em fazer comparações, desista!


Ele também tinha mágoas, afinal, fora privado do privilégio de ser seu primeiro homem, e não pensava apenas no corpo, mas sim nos sentimentos.


Hermione corou, principalmente, por precisar puxar pela memória para lembrar sobre o que ele falava. Referia-se a sua mentira do outro dia! Esperava que não pudesse ler na sua fronte, a clara evidencia de que não sabia mentir.


Sua querida mãe, sempre lhe dissera que era possível ler em seus olhos suas mentiras. Esperava que ele não fosse tão esperto assim!


-A propósito, quero saber seu nome – ele exigiu.


-Para que? – um princípio de horror apossou-se dela, tentando se afastar.


-Se estiver na cidade, quero tomar satisfações de seu comportamento.


-Oh, meu Deus! - ela exclamou, tentando não parecer acuada.


Tomando seu comportamento como medo pelo amante, ele concluiu:


-Não vou matá-lo ou tentar algo físico, não se preocupe – ele disse a voz carregada de ironia – apenas quero me certificar que ele nunca mais se aproxime!


-Não... Não vai acontecer - ela apresou-se a dizer.


-E como posso ter certeza? – ele insistiu.


-Ele... Ele... Era de outra cidade, estava de passagem... eu, nem ao menos sei seu nome completo - ela torceu o pano de prato nas mãos.


A fúria de pensar nesse homem era tanta, que não percebeu a sempre controlada Hermione corada e insegura. Ela ficava assim quando mentia, mas ele não percebeu.


-Como pode ter se deitado com um homem que sequer sabia o nome? – havia indignação em sua voz.


-Eu... hã...aconteceu – ela não achou bom prolongar demais aquela mentira.


-É capaz de sentir paixão por um estranho? - ele acusou um gosto amargo na boca.


-Paixão? – não era uma palavra que usasse muito. Embora conhecesse seu significado, não pensava em si mesma como alguém capaz de paixão!


-E o que mais motivaria uma jovem a se entregar a um completo estranho? – ele questionou com a expressão fechada e ela achou melhor calar a boca e se afastar.


Deixá-lo pensar o que quisesse!


-Preparei logo cedo algo para depois do almoço – ela apontou uma travessa sobre a mesa, que ocultara das visitas. – Vou levar um pedaço para Juanita e os meninos. Sirva-se – ela tinha o tom mais calmo e ponderado, e ele tomou isso como à prova do quanto ela amava esse homem sem nome e sem rosto.


Calava-se para preservar a vida dele!


Sentiu um gosto amargo, mesmo ao provar a iguaria doce e saborosa. Pensativo, ele pensou nisso um segundo. Hermione desperdiçava sua mente e seus talentos, enfurnada naquela fazenda.


Ele se orgulhava de ter se formado, mas sabia, que fora parte por sorte, e parte por empenho, era inteligente, mas um pouco desleixado para os estudos. Hermione por sua vez, era esperteza e naturalmente disciplinada.


Pensando nisso, ele procurou papel e caneta. Iria escrever uma carta para Harry e esperava que essa pudesse alcançá-lo antes de sua viagem.


 


............................................................................


 


Hermione conseguiu escapar dele durante o resto dia, tendo passado algumas horas na companhia de Juanita e sua família, ajudando a cuidar do menino, que perecia na cama. Era o último filho, de dois anos e Hermione sentiu terrivelmente ver o pequeno daquele jeito, visto que passava muito do seu tempo ocioso olhando o menino.


Quando regressou a casa, preparou o jantar e se refugiou no quatro, depois de encher a tina para seu banho.


O jantar fora silencioso, e apensar de saber que era observada, não houve brigas ou conversas. Era ao mesmo tempo um alívio e uma maldição que ele a deixasse em paz.


Dentro do quarto, Hermione tirou o vestido e ficou com a combinação, esperando a aguar amornar. Apesar da chuva, o calor não dera trégua, e a água estava fervente.


Sentindo um súbito aperto em seu coração, sentou-se na cadeira, em frente à penteadeira. Ela tinha uma grande espelho, antigo, porém bonito e conservado, e inadvertidamente, pôs-se a analisar o que via sentido aquele aperto intensificar-se.


Susan tinha razão, era feia e sem graça.


Rony esperou que Hermione levasse a água para se banho, para seguir discretamente em direção ao corredor. Era nesse momento, quando a casa ficava silenciosa, apenas os dois dividindo aquele teto, que ele adquiria alguma alegria com aquele casamento.


Era torpe e feio, mas tornara-se um Voyage.


Logo ele, que nunca perdera tempo analisando suas amantes, ou prestando atenção nos trejeitos femininos, agora se via escravo de sua obsessão de ver e analisar cada pequeno movimento contido de Hermione.


Aproximando-se da porta, ele sentiu alívio ao notar que ela não vira a porta soltar o trinco como acontecia todas as noites. Era uma porta velha e provavelmente, tão habituada ao fato, não dava mais atenção.


Assim como sua presença não lhe causava mais tanto medo, visto que a arma deixara sua cabeceira e pernoitava em sua gaveta do criado mudo.


Hoje, ela estava sentada em frente à penteadeira, observando-se no grande espelho. Ele engoliu em seco, a respiração suspensa, esperando para ver e desejando poder entrar em sua mente e descobrir o que pensava.


Olhar profundo, aquela mulher tinha um olhar profundo e penetrante e era um mistério total para ele.


Ela apanhou uma escova de cabelos, e soltou os fios presos em sua nuca, alisando os cabelos ondulados com as cerdas macias da escova.


Usava a roupa de baixo e um dos ombros estava à mostra, pois a gola ampla escorregava em seu corpo pequeno. Eram roupas de uma mulher maior, talvez sua mãe. Esse pensamento o fez lembrar-se de comprar roupas intimas e outros pertences para ela.


Nada que lembra-se os mortos.


De repente, ela parou os movimentos e fitou o espelho, sussurrando:


-Lã... lã é o que ela tem dentro da cabeça!


Rony sorriu com a descoberta inacreditável. Sua ácida mulher tinha vaidade.


-Uma tábua – ela voltou a sussurrar abandonando a escova e olhando para os cabelos longos e brilhantes – como se todas precisássemos ser vacas leiteiras – ela disse ferozmente, deslizando uma das mãos pelo pescoço e descendo mais.


Ele sentiu o ar faltar a sua volta, quando ela levantou e tirou a parte de cima, ficando com o tronco nu.


Não era a primeira vez que a espiava nua, mas era a primeira vez que a via olhar o próprio corpo.


Ela ficou olhando para os próprios seios, e ele quase gemeu quando as mãos pequenas correram sobre os seios firmes, empinados e macios. Suas mãos comicharam em agarrá-los e apertá-los levando-o a boca, para sugá-los com sofreguidão.


Não eram seios pequenos demais, pensou. Eram seios perfeitos para suas mãos! Ela vinha ganhando um pouco de peso e andava mais corada e com aparência mais saudável, mesmo assim, a magreza era devastadora e quase podia ver suas costelas. E por alguma razão, isso o excitava tanto ou mais do que as carnes mais opulentas da mais afortunada das mulheres.


Ela pareceu chegar a uma conclusão, analisando o próprio estômago, e pondo a mão sobre o umbigo. Era uma barriga lisinha e ele podia fechar os olhos e sonhar em como seria apoiar sua cabeça ali, ouvindo o vai e vem de sua respiração.


Hermione sorriu de leve, maneando a cabeça e afastando-se do espelho.


-Quanto bobagem... – ela disse para o vazio, andando diretamente para a tina de água.


Rony salivou ao ver a calçola descer e a deixar nua diante do seu olhar. Aqueles cabelos cobrindo ombros e costas, aqueles quadris, aquelas pernas... era uma tentação quase insuportavelmente forte para lutar contra!


Ela ergueu uma da pernas, para entrar na tina de madeira, e ele tentou espichar-se e ver detalhes do recanto que se escondia entre os cachos castanhos entre suas pernas, mas o momento foi muito rápido e passou. Para sua sorte, ela girou para a esquerda por um segundo, ele pode admirar-lhe as nádegas redondas e firmes. Uma visão gloriosa!


Ela deixou-se escorregar e ser coberta pela água, com um gemido de satisfação e esse som foi diretamente enviado para sua virilha. Seria mais uma longa noite, revirando na cama sozinho e cheio de péssimas e luxuriosas idéias!


Talvez ela gemesse desse modo ao ser possuída.


Esse pensamento quase esfriou seu desejo, ao pensar nela apaixonada, deitada sob o corpo de outro homem, se entregando. No momento em que a raiva o fazia repudiá-la, Hermione inocentemente ergueu uma das pernas para analisar os pés.


A visão era tão adorável, que não pode furtar-se a manter-se de pé espiando por mais um tempo, a mente longe de qualquer pensamento que não envolvesse seu corpo e o desejo que ele despertava.


Ele mexeu-se incomodado com a ereção que apertava suas calças de forma dolorosa.


Dentro do quarto, ela esfregou a esponja nos pés. Tornozelos e panturrilhas, tirando a sujeira do dia. A esponja deslizou pelas coxas, e ela subiu rapidamente as mãos, sentindo um calor nas entranhas.


Um calor que vinha subindo por seu corpo, e culminando numa vontade incontrolável de se tocar, embora ela não soubesse como fazê-lo. Uma vez, lera em um livro mais ousado de seu pai, lido as escondidas, que as mulheres, tal como os homens, poderiam aliviar-se com as mãos. Mas não tinha idéia do que isso significava.


Talvez por isso, fugisse de lavar sua intimidade com a esponja. Passou-a pelos seios, sentindo o formigamento ficar mais intenso, à medida que a aspereza do material roçava seus mamilos subitamente rijos. Dobrando o rosto para o lado, ela fechou os olhos, deliciando-se com aquela estranha sensação.


Quando abriu-os, viu seu reflexo no grande espelho da penteadeira, e ficou tensa, pois não era apenas o único reflexo que via. A porta levemente aberta escondia um par de olhos azuis, espreitando.


Fascinada, antes de ficar indignada, notou que aquele homem a espiava. Provavelmente não era a primeira vez!


Um terrível rubor tomou conta de sua face, e nada tinha a ver com a quentura da água, ao perceber que ele a vira nua. E provavelmente mais de uma vez!


Oh, Deus! Ela fechou os olhos com força, lembrando-se que ele a vira tocar em seu próprio corpo atrás de defeitos.


Assolada pela vergonha e por outro sentimento que não saberia nomear tão pouco descrever, pensou se deveria sair daquela tina, apanhar sua arma, e dar-lhe uma lição. Sim, era o que deveria fazer!


Contrariando o bom senso, ela não sentiu raiva. Muito menos vontade de brigar. Sentiu a quase compulsiva vontade de se exibir e saber se ele gostava do que via.


Envergonhada consigo mesma, afundou na banheira, quase submergindo. Molhou os cabelos, e a cabeça.


Contrariando seu bom senso, ela apanhou o sabão e passou nos cabelos lentamente. Quantas e quantas vezes, não teria sido observada antes? Não queria nem pensar nisso!


Limpando as madeixas, ela tirou o sabão e esfregou a esponja sobre a pele que ainda faltava. Sentindo um arrepio na nuca, ela resolveu sair da água e enfrentar o que estava a sua frente.


A vergonha, o constrangimento, todos deram lugar a uma sensação desconhecida de prazer e poder ao erguer-se, deixar a água correr por sua pele por um segundo e então sair, tocando com os pés o chão de madeira.


Tinha algo de libertino e amoral em estar nua e exposta ao próprio marido, sem que ele soubesse que tinha sido pego espiando atrás da porta.         Era como dar o troco, de uma forma muito feminina, deixando-o penar em seu próprio plano de obter prazer.


Ela vestiu a camisola sobre o corpo ainda molhado, achando que as mãos tremulas jamais conseguiriam ter coordenação suficiente para secar-se como deveria sem deixar a toalha cair. Coberta, recuperou um pouco do bom senso, e enfurnou-se sob as cobertas rapidamente, virando-se de lado, na direção do espelho, de costas para ele.


Congelada no lugar, lembrou-se da arma, e da precaução que deveria ter ao seu lado. Engoliu em seco, os olhos abertos, tentando imaginar se ele entraria ou não.


No completo silêncio, ela ouviu apenas o bater descompassado do próprio coração.


Não queria que ele entrasse e reivindicasse seus direitos de marido! Mas também, não estava fazendo nada para evitar, caso ele o fizesse!


Desconcertada pela própria atitude imprudente, e com o acelerado de seu coração, ela esperou.


Do outro lado da porta, ele não notou que era igualmente observado pelos olhos castanhos que espreitavam através do espelho. O espetáculo havia chegado ao fim, e a realidade crua o pegava outra vez. Ela estava adormecida, e distante como sempre. Por mais que aqueles poucos minutos de intimidade roubada o enchesse de esperança, ainda assim a solidão a sua volta o obrigava a encarar a realidade, e deixar aquele corredor, para se enfiar embaixo daquele chuveiro improvisado fora da casa!


Precisava de água gelada para aplacar o desejo latejante e evidente em seu corpo, e precisava também de um pouco de tempo longe dela.


Dentro do quarto, ela viu quando Rony foi embora, e ficou profundamente decepcionada.


Por alguma louca razão, hoje, naquele momento de inconseqüência, o teria deixado entrar.


Um único segundo de loucura, mas o teria deixado ficar!

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