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23. DEPENDÊNCIA!


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 23 – DEPENDÊNCIA!


 


 


A semana correu no calendário de forma abrupta, culminando naquela quarta feira atípica. A chuva caia desde cedo e recolhido os animais, sobrava apenas esperar o tempo melhorar.


Os empregados preferiram aproveitar que o trabalho teria de esperar e enfrentar a chuva, para ter algumas horas de diversão na cidade, e Rony concordara, pois visto a impossibilidade do trabalho e se usassem seus cavalos pessoais, por ele estava tudo bem, desde que não reclamassem de dinheiro depois. Apesar da vontade de acompanhá-los, lembrou-se do fiasco da ultima tentativa e preferiu ficar.


Quase se arrependeu, ao notar que passaria o dia com a silenciosa Hermione. Juanita e o marido estavam em casa, pois uma de suas crianças tinha febre desde a noite passada. Preferiram comer em sua própria casa também, e quando ele voltou dos estábulos a comida já estava fervendo nas panelas.


Era pouca, visto que apenas os dois almoçariam.


Ela apenas ergueu os olhos para ele, e devotou toda sua atenção para a comida. Sentando-se a mesa, ficou observando-a por trás. Costas retas, pescoço altivo. Ombros pequenos, de braços finos, porém fortes.


Não olharia para baixo, pois há dias que estava no limite do autocontrole e não desejava ser esfaqueado no chão de sua cozinha.


Hermione colocou a cesta de fatias de pão sobre a mesa e a panela fumegante. Então arrumou as roupas e dirigiu-se a porta.


-Aonde vai? – ele perguntou e era a primeira frase composta que trocavam em sete dias.


-Ver se Juanita precisa de ajuda – era com certeza a primeira resposta composta em sete dias!


-Ela não precisa e se precisar, nos chama – ele disse seco – Sente-se e coma.


Ordens vindas dele sempre eram uma agressão direta. Conformada com seu destino de desaforos sentou-se e começou a comer em silêncio.


Algumas garfadas e desistiu, pois a comida tinha gosto de lama. Mais tarde comeria uma fruta ou tomaria um copo de leite. Encerrando o almoço, começou a recolher as louças quando ele notou:


-Não pode comer só isso – disse perdendo a capacidade de fingir indiferença.


-Estou saciada – respondeu distante.


-Não, não está. Ninguém pode estar saciado após duas colheres de sopa. Agora, sente-se e coma. Sairá dessa mesa quando houver terminado seu prato.


Refreando o impulso de jogar o prato de sopa quente sobre ele, obedeceu.


Mais algumas colheradas e bílis subiram a sua garganta. Parou certa de que vomitaria se insistisse. Rony notou seu tom esverdeado e estreitou os olhos, uma possibilidade nascendo em sua mente.


-Sente-se mal? – perguntou engolindo em seco, ao chegar à conclusão mais acertada depois de notar seu comportamento.


-Apenas enjôo. – ela disse afastando o prato e esperando pelas reclamações.


Então, era isso. A realidade bateu a sua porta tão forte, que quase derrubou a madeira frágil que era seu coração.


-Quando pretendia contar? – perguntou perdendo também o apetite.


Como se manteve calada por não saber sobre o que referia, ele insistiu:


-Espera um filho!? – não soou como uma pergunta, mas sim uma constatação.


Surpresa, Hermione não respondeu nada, tentando descobrir de onde viera essa idéia.


-Não preciso ouvir isso! – ela levantou-se, ao entender que ele a considerava como uma mulher qualquer.


-É claro, como não notei antes? – ele perguntou indo atrás dela, quando se dirigiu para a sala, querendo fugir dele.


-Acaso está louco? – ela virou-se revoltada e furiosa. Em um segundo esse homem era capaz de ascender uma fogueira de ódio e rancor em seu coração – Não consumamos o casamento, como poderia esperar um filho?


-Tudo se encaixa - ele concluiu – aversão a comida, a insistência em se afastar de mim, de não dividir nem o mesmo quarto! É claro, eu perceberia quando a barriga despontasse!


-Meu Deus, esse homem enlouqueceu!  - ela disse descompassada.


Hermione se pegou sem entender porque a incomodava tanto que ele pensasse isso. Porque esse desespero de provar o contrário?


-Esteve claro o tempo todo, como pude não notar?


Rony parecia tão desolado quanto ela, e por um segundo, sentiu o impulso de tocá-lo e convencê-lo que estava errado. Mas se conteve.


-Eu... Não estou grávida – disse com ponderação, não querendo que notasse sua intenção de desmotivá-lo a crer em tal besteira – Se estivesse, teria contado quando firmamos o acordo do casamento – como sua expressão deixava claro que não acreditava nisso, insistiu – Casou-se motivado pela fazenda, porque ocultar tal fato? Além disso, se pretendesse enganá-lo, mais prático seria ter consumado o casamento e dito que o filho era seu!


Seu intelecto sempre o surpreendia, e apesar de inclinado a acreditar nela, tinha suas dúvidas.


-Muitas mulheres interrompem a gestação – ele acusou e ela arfou ofendida.


-Se fosse assim, por que se importar? – acusou de volta – Nosso acordo eliminou certos aspectos de um casamento. E um deles, é a preocupação do que o outro faz desde que não traga conseqüências para o outro!


-Uma coisa é casar-se com uma mulher intocada, outra é ter uma meretriz sob o mesmo teto! – ele acusou – Aceito que negue a mim o que nega a todos. Agora, se souber que têm amantes, não serei tão compreensivo! – disse, transtornado em como ela tinha o dom de descontrolá-lo.


-E acaso, não tem amantes, Wesley? – perguntou antes de reter a frase. – Além do mais, não precisa insistir em consumar o casamento apenas por medo de perder a fazenda. Já disse, não pretendo desfazer o acordo!


-Um homem tem suas necessidades, ainda mais quando é casado com uma mulher que lhe desperte desejo – ele explicou esperando que pudesse ter uma oportunidade de se aproximar, agora que quebraram o silêncio de uma semana.


-Vá ao saloon novamente se é sua vontade – disse ciumenta, mas sem saber.


-Para que? Nenhuma delas me desperta atenção como você – ele galanteou.


Percebeu seu desconforto, quando ela se afastou alguns passos.


-Não quero saber de seus sentimentos – ela disse se protegendo de suas mentiras – Muito menos é necessário que minta apenas para ter a consumação do casamento. Já disse, e torno a repetir isso não acontecerá!


-Por quê? Sou tão desprezível assim? – havia mágoa em sua voz e ela notou.


-É claro que não! – ela disse gelada – Não quero um marido, e nunca quis. Também, nunca ocultei isso. Casou-se conhecendo minhas imposições! Agora, não insista mais!


-Não posso prometer não insistir – ele sorriu malicioso e notou que Hermione corava apesar do olhar de aviso. – Parece que não irá parar de chover – ele disse pensativo. – Temos o dia todo para não fazermos nada.


Ela não respondeu, provavelmente pensando sobre como livrar-se dele diante das circunstâncias.


-Acredito se diz que não está grávida – ele disse de repente, para sua surpresa – Vou perguntar algo e gostaria de uma resposta sincera. – ela apenas meneou a cabeça sem confiar em si mesma para falar – Diz que não devo me preocupar com uma anulação do casamento. Então, me pergunto se ainda é virgem.


Hermione afastou o olhar, pensativa. Se dissesse que sim, ele continuaria insistindo, mas em caso de negativa poderia sentir-se mais tranqüilo e até perder o interesse. Por isso, erguendo o rosto, ela negou:


-Não achei que importasse para seus planos.


Rony sondou seu rosto, para ver se mentia. Era impossível, no entanto saber, visto que Hermione escondia seus sentimentos muito bem.


Aquela era uma dúvida que nascera em sua mente há alguns dias.  A possibilidade de estar ocupando o lugar de outro homem, ou somente o fato de ter uma mulher ainda mais machucada do que supunha.


-Foi consentido? – era uma pergunta que escondia outra.


-Sim – confessar alto o que não se fez, era mais fácil que agüentar as conseqüências de ter um homem atrás dela o dia todo!


Mesmo quando se mantinha afastado, sentia seu olhar procurando por ela a todo instante e isso mexia com seus sentimentos de um jeito desagradável.


De um jeito que não sabia lidar.


-Alguém da cidade? Alguém com quem vou cruzar sem saber? – seu tom seco não passou despercebido.


-Não. – preferiu não criar fatos que a pudessem confundir no futuro.


-É por causa dele que se nega a consumar o casamento?


-A comida está esfriando – ela disse para cortar o assunto – Deve estar com fome ainda!


-Você também vai comer mais um pouco! – ele disse em tom de ordem, tentando digerir a grande nova informação.


 A gelada Hermione Granger tivera desejo e amor por algum homem, que possivelmente ainda estava em seu coração, entranhado o bastante para impedi-la de dormir com o próprio marido.


Alguém chegara antes, e roubara o que era seu por direito!


Mesmo dizendo a si mesmo que sua vontade de ter a fazenda era maior que qualquer outra coisa, ainda assim, já não se sentia tão eufórico com o trabalho como nos primeiros dias.


Algo estava matando seu entusiasmo, e esse algo estava bem na sua frente, ocultando seu olhar e suas emoções.


-Venha me fazer companhia - ele suavizou o tom, deixando uma brecha para sentir que estava no domínio.


Concordou dizendo a si mesma, que era por vontade própria e não por submete-se as suas vontades. Os dois sentaram-se frente a frente na pequena mesa de madeira, comendo em silêncio a sopa que ela esquentou.


Alguns minutos depois, Rony quebrou o silêncio desejando ouvir sua voz novamente, depois de uma semana de longos silêncios. Sem contar o ultimo mês onde quase não se falaram, a não ser que contasse os berros como conversa!


-Pretendo arrumar a sala de jantar, para que façamos nossas refeições com mais conforto - ele testou o terreno, visto que Hermione era avessa a mudanças. – Gostar de Juanita, não deve fazer com que você se torne uma empregada – ele notou o exato momento em que ela ficou tensa, e se corrigiu – Três anos cuidando da fazenda é mais trabalho do que uma dama deve ter para uma vida toda! A fazenda está dando lucros, e acredito que possamos crescer ainda mais, sendo assim, terá tempo para você mesma. Longe do trabalho doméstico.


-Tempo para mim? – ela não compreendeu.


-Sim, tempo para você – ele sorriu, achando encantador o corado de suas faces.


-Tempo para fazer o que? – havia uma ponta de desespero em sua voz.


Rony notara que ela não era de ficar parada contemplando o mundo, como as outras moças que conhecera faziam felizes, em apenas sentar e olhar o movimento da rua, dentro dos elegantes cafés londrinos.


Hermione precisava estar sempre ocupada. Era quase compulsivo!


-Tempo para fazer tudo que desejar – ele sorriu novamente.


-Mas e se desejar ajudar no serviço de casa?


Rony não pode evitar uma gargalhada. Hermione era insistente como o demônio!  E mais esperta que muitos intelectuais a qual tivera o prazer de conhecer!


-Faça como quiser, mas deixe o trabalho pesado para Juanita. Não quero vê-la cozinhando em tonéis ferventes, ou limpando o chão. – era impossível dissolve-la de suas idéias.


Hermione mordeu a língua para não responder algo ríspido.


-Teremos o dia para nós, e deveríamos aproveitar - ele disse sugestivo e quando recebeu um olhar desconfiado, sorriu ainda mais – O quarto que está atulhado de velharias. Podemos arrumar tudo no sótão.  O que me diz?


-São lembranças da minha família – havia um inegável tom de aviso em sua voz.


-Por isso mesmo que devemos guardá-las em outro local mais apropriado. – Ponderou – Pretendo transformar esse quarto em um escritório ou sala de estudos. – notou seus olhos brilharem e continuou – Temos um quarto de hóspedes, além do de casal, que servirá perfeitamente quando recebermos algum hóspede. E quem sabe, no verão que vem, podemos pensar em um aumento, para ter mais quartos, quando as crianças vierem. Onde seus irmãos dormiam? – a bombardeou com informações, esperando que seus planos não a desagradassem caso não lhe desse tempo para pensar.


-Meus irmãos eram muito mais velhos que eu e minha irmã, e quando nascemos à maioria não morava nessa casa, e os que moravam, logo... Faleceram.


-Acredito que dividiam os dois quartos - ele deduziu – Na capital as mulheres não tem tantos filhos, e veremos isso logo. Como elas fazem para evitá-los. Ter filhos é uma benção, mas tantos ficam impossíveis de lidar – continuou seus planos, notando seu olhar, e começando a ficar preocupado com seu silêncio a cerca do assunto. – Podemos colocar os livros do seu pai em estantes, e tê-los a mão para...


-... educar suas crianças? – ela deduziu, sorrindo mansamente.


Rony concordou, animado com sua evolução. Claro, era necessária apenas uma boa conversa. E deixar o tempo agir.


-Sim, para isso também. – ele concordou sorrindo.


-Talvez seja mesmo uma boa idéia aumentarmos o curral, se pretende comprar uma égua parideira - ela disse ácida – para ter seus filhos, lógico – ela ampliou o sorriso e ele percebeu que suas mãos tremiam de raiva contida.


-Falava desse modo com seu pai? – ele perguntou abandonando a comida.


-É claro que não! – ela disse furiosa.


-Então, não fale assim comigo.  – mandou, voltando a comer. – Não são filhos que gerará agora. São filhos, para quando colocar a cabeça no lugar e entender que é minha mulher! Ou, ao menos, entenda que é uma mulher! – era para ofender!


-E porque todas as mulheres precisam ter filhos e cuidar de um marido para serem mulheres? - ela perguntou a queima roupa, demonstrando agora, que além de antagonista a sua presença, era também uma feminista fervorosa.


-Porque o mundo não aceita outro comportamento – ele respondeu, perdendo o humor definitivamente.


-Ouvi dizer que nas cidades maiores, as mulheres trabalham e se sustentam, sem precisar de maridos, e que algumas até mesmo... Tem filhos sozinhas e os criam, assim como... – o corado em sua face o fez se distrair do que ela dizia -... Tem relações amorosas com quantos homens desejarem!


-Sim, esse comportamento existe, e pessoalmente sou a favor de que cada pessoa, homem ou mulher, viva do modo que lhe faça feliz. Mas estamos aqui, e não em outra cidade, e a menos que manifeste desejo de viver desse modo, terá que se adaptar a vida que escolheu.


-E se eu quiser viver como essas mulheres? – perguntou com a honestidade que lhe era característica.


-Se for mesmo o seu desejo espere um tempo, para que não haja dúvidas sobre a posse definitiva da fazenda, e com o que lhe for cabido do lucro das terras, poderá ir para onde bem entender, e viver como quiser! – agora, o apetite definitivamente evaporara.


Hermione afastou o olhar, sem entender de onde viera à súbita tristeza que a deixou muda. Ficou além de surpreendida por quão fácil ele aceitava se ver livre dela, também agoniada ao perceber que não desejava outra vida além da que tinha.


-Tem uma estante no sótão. – ela disse depois de um tempo em silêncio, mudando drasticamente de assunto – Papai guardava seus livros e manuscritos, mas ela ficou velha demais. Se quiser, pode reformá-la.


Hermione tão cordata era uma agradável surpresa.


Rony continuou a refeição com a sombra de um sorriso na face. Ela não queria ir embora, muito menos ser tão independente assim. Ou quem sabe, e otimistamente pensando, quisesse ficar com ele.


Terminada a refeição, e depois de tanta confusão em um simples almoço, ele ajudou-a a lavar a louça. Ela não repudiou sua ajuda, mas também não permitiu nenhum contato.


O quarto onde ficavam guardados objetos, roupas e móveis velhos, era o maior cômodo da casa. Rony olhou sonhador para aquele espaço todo, imaginando sua escrivaninha e livros acadêmicos. Seus pertences ainda se encontravam na residência de Harry, em Londres e esperava que ele pudesse lembrar-se de trazê-los quando o visitasse.


Lembrou-se com carinho dos seus anos de hóspede na residência Potter, outro jovem poderia sentir-se ofendido de ter permanecido sobre a guarda financeira de seu amigo rico, mas não Rony. Primeiro, pois não usurpava nada de Harry, era o próprio Rony quem custeava seus pertences e outros gastos. Apenas morava na casa de seu solitário amigo de tantos anos de confinamento no colégio interno.


E agora olhando em volta, se pegou pensando aonde viera se meter!


Longe da agitação de Londres, longe de seus amigos mais fiéis. E, sobretudo, longe das mulheres que o idolatravam. E tudo para que?


Olhando em volta ele notou que era observado. Perdido naquele olhar de chocolate e mel, ele sorriu maneando a cabeça.


Parece que no fim, a vida sempre tem sua razão.


 


 


 


 


 


 


 


 


Nota da Autora: Acharam mesmo que ia ter traição? É claro que não! E o Rony ainda pagou mico!!!! Mas bem que mereceu!


P.S: Andréia Granger, essa fic está saindo totalmente espontânea, estou deixando correr solto, por isso tem capítulos maiores, tem capítulos menores. Vai do gosto dos personagens...hehe...


P.S: Gente, estou comentando pouco, porque estou esvrevendo mais para frente, então, estou em outro clima já da fic. Estou tão ansiosa para chegarem nessa parte que estou agora!!! Mal posso esperar!!!!


Cap do dia 25/11!
Beijos


 


 


 Nota da Beta: rs, adoro o Rony autoritário, ver a Mione se mordendo de raiva ao obedecê-lo, não achem que eu a odeie, por gostar muito dela é q eu gosto de vê-la penar um pouquinho, sou um pouco sádica eu sei, RS, mas faz parte, capítulo tocante não? Amei!!!


 

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