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22. TRAIÇÃO!


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 22 – TRAIÇÃO!


 


 


O cabaré não era nada além de uma casa de madeira de dois andares, com um bar. Algumas mesas e oito mulheres. Duas ruivas, que obviamente não o atrairiam, pois lembravam sua irmã e sua mãe, três morenas, com longos cabelos negros, e pele clara como leite, duas louras, de estonteantes olhos verdes, que eram lindas como o nascer do sol e uma jovem sorridente, de cabelos castanhos, feitos em cachos nos ombros.


A primeira vista, não chamaria atenção, tanto que servia as bebidas. Usava um vestido vermelho sangue e os ombros desnudos. Uma flor entre os seios destacavam sua pele perolada pelo sol. Bebendo lentamente sua bebida, reconhecendo o wisk falsificado, fez sinal para que se aproximasse.


Se abanando com seu leque cor púrpura, ela sorriu maliciosa, adorando a própria sorte, pois era um homem muito apanhado.


Um belo jovem, para quem estava acostumada a velhos beberrões.


-Deseja um quarto, meu senhor? – Ela perguntou sorrindo provocativa e deixando ver mais de seu decote.


-Um quarto, na mesa, ou no chão.  – ele sorriu para ela, deixando a cadeira para trás e enlaçando-a – Mostre-me sua cama.


A jovem se arrepiou da cabeça aos pés, e puxou-o pela mão em direção as escadas, causando inveja em suas colegas, que ficaram cochichando.


No quarto, ela mal fechou a porta, ele agarrou-a pela cintura. Ela jogou a cabeça para trás rindo e enlaçando-o com desejo. Ah, a volúpia jovem! Era uma beleza!


Entregue, a jovem roçou-se nele, de forma inegável, elevando uma das pernas e prendendo em sua cintura. Incentivado, Rony desceu beijos apaixonados por seu pescoço, ombros e colo, agarrando a frente do vestido e baixando-a. seios pequenos, e pontiagudos saltaram para sua boca, e ele lambeu e abocanhou com pressa e fervor.


Não tinha o hábito e nem necessidade de pagar por sexo, sempre o tivera de bom grado de mulheres experientes e interessadas em affers passageiros. Mas hoje, admitia, perdera totalmente a compostura!


A jovem gemia, correndo as mãos por seus ombros e cabelos, enlevada de prazer e desejo. Desistindo de esperar, ele levou-a para a cama, e ergueu seu vestido cheio de babados, descobrindo que não vestia nada por baixo. Era de se esperar, facilitava seu trabalho, mas ele nem ligou!


Abriu as calças apressado e tombou sobre o corpo jovem, ouvindo seu pedido cantado em gemidos:


-Beije-me, amor. Beije-me, meu amor!


Antes de possuir aquele corpo, permitiu-se um momento de carinho, beijando-a. A jovem tinha pressa em agradar, e beijou-o com todo seu afinco e experiência. Era uma amante dedicada, e tocava-o por todo o corpo.


Tinha desejo, e mostrava-lo com carinhos e atitudes. Envaidecido, Rony sugou-lhe os seios, oferecendo-lhe prazer, muito prazer. Erguendo o rosto para um novo beijo, ele sorriu diante do belo rosto, de profundos olhos castanhos que o fitava em expectativa. Os cabelos longos, ondulados da cor do mel espalhados pela roupa de cama, os braços erguidos pedindo mais dele e do que fazia.


Mas aquele não era o verdadeiro rosto.  A verdadeira face tinha ruge e batom, e não uma tez natural e macia. Muito menos curvas tão generosas. A verdadeira fonte de seus desejos, sequer estava ali, e diante dessa constatação ele afastou-se, sentindo-se assustado por essa inesperada visão.


A jovem ficou surpresa, é claro, e tentou convencê-lo a ficar, mas depois de receber seu pagamento o deixou ir apesar da decepção por ter ficado sem a consumação do ato que lhe trouxera tanto desejo.


 Rony saiu daquele antro como se o demônio o perseguisse em pessoa e atravessou a cidade furioso. Não bastava infernizá-lo nos sonhos, agora Hermione o perseguiria até mesmo acordado!


Desejando ocultar a humilhação, ele respirou fundo várias vezes antes de se aproximar do local onde deixara a carroça. Os cavalos bebiam água, e Juanita tinha um dos seus meninos no colo, enquanto Hermione segurava um deles, de uns quatro anos, pela mãozinha.


Do outro lado da rua, um grupo de homens olhava na mesma direção que ele, e um deles fez um comentário e riu logo a seguir Juanita, mais experiente, cutucou Suares e ele colocou uma das mãos na arma em sua cintura, andando para mais próximo delas, e mandando seu recado aos homens. Suares era um homem franzino, mas seu olhar era de um gigante quando se dispunha a defender sua família.


O engraçadinho, que parecia sentir muito humor, andou na direção deles, e Suarez o acompanhou com o olhar, quando atrevido, ele moveu seu chapéu num comprimento inconfundível, com um sorriso provocador:


-Dia, moça – ele disse a Hermione e passou.


-Você o conhece? – Juanita perguntou e ela negou – Forasteiros! Acham que são os donos da cidade!  - reclamou, ficando surpresa ao vê-lo.


-Podemos ir, patrão? –Suares perguntou apressado, achando estranhando sua presença.


-Sim – disse seco, e sem olhar muito para eles.


Envergonhado pela própria fraqueza, subiu na carroça e esperou que Juanita e Hermione colocassem todas as crianças na parte de trás, e Suarez se acomodar ao seu lado, para levar os cavalos.


De volta à estrada, quase uma hora depois, Juanita sussurrou para Hermione, como se o impulso fosse forte demais para controlar:


-Seu marido está furioso!


-Talvez tenha brigado com alguém – ela disse sem querer pensar nisso. Nesse estranho sentimento de melancolia que a tomava ao pensar onde estivera.


-Hum, não sei. Muito cedo para baderneiros. – Juanita disse pensativa, com seus anos de experiência – não diga a ele, mas só há uma razão para um homem sair tão rápido e tão furioso de um cabaré!


-Qual? – Hermione perguntou interessada.


-Deve ter falhado em seu propósito – Juanita disse com um sorriso debochado.


-Acha que não tinha dinheiro suficiente? – não entendeu de imediato.


-querida, que Suarez não me ouça, mas é uma dádiva quando um homem desses entra em um saloon! O dinheiro é o de menos! – seu tom baixou ainda mais, e era claro que não queria que o marido ouvisse esse tipo de lembrança de seu recente passado.


-Então, o que saiu errado? – perguntou inocente.


-Ele deve ter falhado – notando que ela não entendia, exasperou-se de seu excesso de inocência para uma mulher casada – Não teve desejo suficiente por nenhuma delas para consumar o ato – soltou um risinho ao notar que Hermione corou ao finalmente compreender. – é bem feito! Onde já se viu desperdiçar dinheiro e tempo tendo uma flor de mulher em casa!


Havia sim rancor em sua voz, e ela tentou não defendê-lo, afinal, a culpa era sua que ele procurasse outras. Porém, lá no fundo estava de bom humor quando chegaram à fazenda.


Hermione notou que se acostumava à nova rotina, pois ao ouvir as reclamações de Juanita sobre suas pernas estarem doloridas, ofereceu-se para fazer o jantar. Contrariada, ela concordou desde que pudesse ajudar. Hermione estava aprendendo a admirar aquela forte mulher que agarrava a vida honesta com as duas mãos, com o desespero de quem não quer ver os filhos sendo criados na pobreza e desonestidade. Desdobrava-se com esmero no trabalho, para que Suares estivesse sempre contente e não tivesse reclamações.


Alguém tão ferido, pela difícil vida que levava, mas sempre tinha uma esperança na voz de que tudo melhoraria.


Quando Rony entrou na cozinha, para avisar que tomaria um banho, o jantar estava quase pronto. Ele chegou a tempo de ouvir a historia que Juanita contava:


-Meus pais me venderam quando tinha apenas oito anos. Eu não os culpo. Foi à fome e a promessa um futuro melhor para os outros filhos que os fez agir assim. Anos depois, quando era moça, procurei-os, mas não estavam mais vivos. – ela suspirou – Meus irmãos me contaram que mamãe chorou minha falta até o ultimo dia de sua vida. Foi um alento. Mesmo assim, sinto a falta deles.  Não posso nem imaginar como tem sido difícil para você, querida, a perca tão recente de sua família – ela disse com ternura e Rony esperou pelo grito que viria e se surpreendeu quando ela parou de mexer a comida na grande panela e virou-se para Juanita.


Estava linda, com o rosto afogueado pelo calor das brasas e um tanto suado. Mas o olhar era triste e ela deu um pequeno sorriso para a empregada.


-À noite... posso ouvir suas vozes – ela disse baixo e ele estremeceu – Sei que são apenas sonhos, mas parece tão vivo e real que acordo com a sensação de..fracasso.


-E porque teria fracassado? – Juanita fez eco à pergunta que ele queria fazer.


-Meu pai e minha estavam mortos há muitos anos. Quando meu irmão morreu o resto de felicidade que tinham se esvaiu. Então, a morte, por mais cruel que tenha sido, foi um alivio. No entanto, Ann... Minha irmã não entendia de dor ou sofrimento. Era apenas um anjo que teria um futuro maravilhoso. Eu deveria ter cuidado dela, protegido-a!


Sua veemência chocou Juanita, que perguntou direta e severa:


-E quem protegia a você?


-Eu me protegia. – ela respondeu rapidamente.


-Onde seus pais estavam para deixar uma menina inocente se proteger e proteger a irmã?  - ela acusou e Hermione abriu a boca para protestar – Perdoei e entendi meus pais, porém nunca encobri seus erros. Então, não faça o mesmo sobre os seus! – ela levantou-se e se aproximou dela, pondo as duas mãos em seu rosto miúdo – Graças a Deus, agora tem um marido para olhar por você. Seja gentil, e cuide para que esse laço dure a vida toda. A existência de uma mulher só é muito triste Hermione.


Ele notou que essas palavras mexeram com ela, mas como era de esperar, se afastou, e virou-se para a panela, encerrando a conversa.


-Vou pedir a Rony que me ajude com as panelas – ela disse tensa.


Ele se afastou e escondeu, para que ela passasse sem ver que ouvia sua conversa.


Era bom saber, que em sua ausência, o chamava pelo primeiro nome.


Talvez na sua ausência, Hermione pensasse nele de outra forma.


 


 
Autora: Referente ao dia 24/11.
Beijos!!!

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