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7. Capitulo 6 – Primeira Tarefa!


Fic: Apocalipse - O Anjo Negro


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capitulo 6 – Primeira Tarefa!


 


Hermione e Gina caminhavam pelas ruas de Hogsmeade conforme as instruções do moreno que apenas dizia para elas virarem para a esquerda ou seguir em frente, mas aos poucos as garotas foram percebendo que estavam se dirigindo para fora do povoado.


- Para onde estamos indo? – perguntou Gina fechando os braços ao redor de si mesma, afinal começava a fazer um vento mais do que gelado naquele momento.


- Para a Casa dos Gritos. – quem respondeu foi Hermione, o timbre da voz da garota era surpreso enquanto ela observava a silhueta da casa mal assombrada aparecendo por entre as árvores que haviam no caminho.


- Para onde? – perguntou Gina com um tremor percorrendo o corpo da garota, afinal aquela era a casa mais mal assombrada da Grã-Bretanha.


- Não precisa se preocupar Gina, a Casa dos Gritos não é mal assombrada. – disse Harry com a voz baixa e tranqüilizadora.


- Como sabe? – perguntou Gina olhando interessada para seu lado esquerdo onde ela sabia que o moreno de olhos verdes se encontrava.


- Porque os uivos e gritos que as pessoas do povoado escutavam não era nada mais do que um lobisomem em seu período de transformação. – respondeu Harry calmamente, naquele momento o garoto retirou sua capa de invisibilidade mostrando-se para as duas garotas, eles já se encontravam o suficientemente longe do povoado para alguém poder ver o moreno a distancia e Harry havia se certificado de que ninguém os havia seguido antes de retirar a capa de invisibilidade. – Foi Dumbledore quem espalhou pelo povoado que a Casa dos Gritos era mal assombrada. Não sei se você sabe Gina, mas existe um túnel secreto que liga a Casa dos Gritos até os terrenos de Hogwarts, mais especificamente ao pé do salgueiro lutador...


- Eu sei, Rony me contou ano passado. – disse Gina em tom baixo, na verdade fora uma das poucas coisas que seu irmão havia lhe contado sobre o que havia acontecido no ano anterior, o restante ele ocultara e por isso a ruiva não tinha conhecimento dos detalhes.


- Então, o Salgueiro Lutador foi plantado no ano em que meus pais entraram em Hogwarts, assim como a Casa dos Gritos e o túnel que leva a Hogwarts foram construídos para o uso do Professor Lupin quando ele era apenas um estudante. – disse Harry em tom neutro e calmo, pois sabia muito bem que Gina tinha conhecimento de Remus era um lobisomem. – Uma vez por mês ele era trazido do castelo para cá para que pudesse se transformar. A árvore do Salgueiro Lutador foi plantada na boca do túnel para impedir que alguém acabasse se encontrando com o Professor Lupin durante o período em que ele estivesse transformado.


- Coitado do Professor Lupin. – sussurrou Gina em tom de lamento, sabendo que aquele homem deveria ter sofrido muito durante sua vida.


- É, ele é alguém que já sofreu o suficiente. – comentou Harry também em voz baixa, mas o moreno estava pensando na maneira de aliviar o sofrimento do amigo de seus pais, no futuro fora inventado uma poção que ajudava a conter as transformações, não era uma cura, mas se a pessoa tomasse a poção regularmente ela não se transformaria nas noites de lua cheia.


Depois de andarem mais alguns minutos os três adentraram nos terrenos onde ficava localizada a tão terrível Casa dos Gritos, ela era uma casa bastante grande para os padrões comuns, estava mais para uma pequena mansão do que qualquer outra coisa, mas mesmo sendo imensa ela era incrivelmente velha e mal cuidada, era possível perceber que fazia muitos anos que ninguém se preocupava em limpar o local, ou talvez a casa nunca houvesse recebido uma boa limpeza, afinal precisava manter a fachada de casa mal assombrada.


Duas das janelas encontravam-se fechadas por dentro com tábuas velhas e sujas, os jardins eram grandes e estavam úmidos e completamente mal cuidados, o mato já começava a tomar conta dos arredores da casa deixando a Casa dos Gritos com uma aparência ainda mais amedrontadora e fantasmagórica.


- Mesmo conhecendo a origem dela, esse lugar me dá arrepios ainda. – comentou Hermione com a voz tremendo levemente, o que fez Harry sorrir.


- Vamos lá. – disse Harry tomando a frente e se encaminhando pelos jardins, o garoto atravessou toda a extensão do local com imponência, nem parecia que encontrava-se rodeado pelo abandono e sim em um palácio.


Quando chegou a porta da frente o moreno não se fez de rogado e a abriu com um forte puxão, o rangido da porta fez um calafrio percorrer a espinha de Hermione, mas ela se manteve firme e adentrou a Casa dos Gritos logo depois da ruiva ter seguido o moreno, quando esteve no interior da casa a morena lembrou-se nitidamente dos acontecimentos do ano anterior, quando ainda pensavam que Sirius Black era o assassino.


Harry entrou na casa dos gritos e observou melhor o que era para ser a sala de entrada daquela casa, o local estava realmente em completa decadência, sujeira e teias de aranha encontravam-se por todos os lados, pedaços de madeira estavam quebradas dos móveis e espalhadas pelo chão, algumas estantes estavam despedaçadas e havia marcas de garras e mordidas por todas as paredes, um sinal claro das vezes em que Lupin tentara fugir dali de dentro.


- Winky. – chamou Harry em voz alta, o que surpreendeu Hermione e Gina, as duas garotas olharam imediatamente para o moreno de olhos verdes, mas antes que qualquer uma delas pudesse abrir a boca dois estalos secos anunciaram a chegada de dois elfos domésticos, um deles bastante conhecido para Hermione.


- Meu Senhor Harry Potter. – disse Dobby pulando feliz ao rever o moreno de olhos verdes. – O Senhor não se esqueceu de Dobby...


- Olá Dobby. Jamais esqueceria de você, meu amigo. – disse Harry sorrindo para o elfo doméstico que parecia exultante.


- Harry Potter ser um bruxo muito bom, considera o pobre Dobby como um amigo. – disse o elfo em tom choroso e logo lágrimas escorriam pela face do elfo. – Dobby ficou muito feliz quando Winky disse que o Senhor estava querendo me ver...


- Winky apenas cumpriu as ordens de seu novo amo. – disse a elfa doméstica com dignidade, o moreno percebeu um movimento quase imperceptível de Hermione a suas costas e sabia que em breve viria bomba, mas decidiu primeiro se concentrar no que tinha ido fazer.


- E fez um trabalho excelente Winky, muito obrigado por ter encontrado o Dobby. – elogiou o moreno em tom de orgulho fazendo a elfa ofegar levemente de surpresa antes dela fazer uma exagerada reverência.


- Winky fica satisfeita em obedecer seu novo amo. – disse a elfa em tom orgulhoso enquanto dava um olhar estranho para Dobby.


- Que história é essa de novo amo? – perguntou Hermione com a voz levemente estridente enquanto olhava para as costas de Harry, ela não podia acreditar no que tinha ouvido e seu corpo tinha se enchido de uma indignação que ela não poderia ignorar.


- Meu Senhor Harry Potter ofereceu um trabalho para Winky, Harry Potter é um excelente bruxo, aceitou Winky como sua elfa mesmo Winky sendo uma elfa doméstica em desgraça. – Winky respondeu no lugar do moreno, havia um tom de orgulho na voz da elfa doméstica quando falava de seu novo amo.


- Mas ele está pagando você, não é mesmo? – questionou Hermione em tom amável enquanto olhava para a elfa doméstica que reagiu como se as palavras da garota a queimassem como labaredas incandescentes.


- Winky ainda possui orgulho Senhorita, Winky jamais aceitaria pagamento. – respondeu a elfa com a voz embargada de orgulho.


- Não discuta com ela Hermione. – repreendeu Gina segurando o braço da amiga que virou-se para a ruiva pronta para replicar, mas então resolveu ficar em silêncio ao perceber a resolução e firmeza com que a ruiva a estava encarando.


- Então Dobby, eu soube que você está procurando um emprego... – comentou Harry em tom casual e viu os olhos do elfo brilharem.


- Ah sim meu Senhor, mas é muito difícil para um elfo doméstico que foi dispensado arranjar outro emprego meu senhor, muito difícil mesmo... – começou a dizer o elfo doméstico em tom feliz por poder estar novamente frente a frente com o bruxo que o havia ajudado a se tornar livre das garras da família Malfoy. – Dobby viajou pelo país durante dois anos, meu senhor, tentando encontrar trabalho. Mas Dobby não encontrou nada, meu senhor, porque agora Dobby quer receber ordenado por seus serviços!


Winky, que estava observando e escutando a história de Dobby com bastante interesse, desviou os olhos ao ouvir isso, como se o pobre elfo tivesse acabado de dizer alguma espécie de grosseria sem tamanho, além de constrangedora.


- É assim que se faz Dobby! – exclamou Hermione em tom satisfeito enquanto olhava de maneira convencida para os amigos.


- Muito obrigado, senhorita! – disse Dobby enviando um sorriso radiante para a garota. – Mas a maioria dos bruxos não quer um elfo doméstico que exige ordenado, senhorita. “Isto não é próprio de um elfo doméstico”, é o que eles dizem a Dobby e então batem a porta na cara de Dobby! Dobby gosta de trabalhar, mas Dobby também quer se vestir e quer receber seu ordenado, Harry Potter... Dobby gosta de ser livre.


- Todos merecem ser livres. – disse Hermione em tom alto apoiando o que Dobby havia acabado de dizer.


- Sim senhorita, todos devemos ser livres. – concordou Dobby ainda sustentando um sorriso que mostrava todos os dentes. – Dobby inclusive estava para ir a Hogwarts para pedir emprego ao Professor Dumbledore quando Winky o encontrou e disse que meu Senhor Harry Potter queria vê-lo aqui em Hogsmeade... Dobby sentiu-se tão feliz por que meu senhor Harry Potter não havia se esquecido do pobre Dobby.


Nesse momento o elfo doméstico sorriu mais animado do que antes enquanto lágrimas de felicidade brotaram novamente de sues enormes olhos.


- Quanto você quer receber para trabalhar para mim, Dobby? – perguntou Harry de maneira direta enquanto encarava o elfo doméstico com um pequeno sorriso nos lábios, nesse momento o elfo praticamente se engasgou.


- Meu Senhor Harry Potter quer que Dobby trabalhe para ele? – perguntou o elfo doméstico entre soluços enquanto se jogava aos pés do moreno de olhos verdes e o abraçava pelas pernas em um aperto forte.


- Sim Dobby, eu quero que você trabalhe para mim, assim como a Winky já aceitou ser minha elfa doméstica. – disse Harry calmamente fazendo Dobby chorar ainda mais compulsivamente antes de conseguir se controlar o suficiente.


- Dobby fica honrado em aceitar sua oferta meu Senhor Harry Potter. – disse o elfo doméstico praticamente saltitando de felicidade.


- Que tal você receber dez galeões por semana e mais folga nos finais de semana Dobby? – perguntou Harry olhando para o elfo que ainda pulava expressando sua alegria, mas que parou de súbito quando o moreno fez a proposta a ele.


- Isso ainda é muito pouco Harry Potter. – exclamou Hermione indignada com o que o amigo estava oferecendo.


- Oh não, isso é demais para o pobre Dobby! – exclamou o próprio elfo doméstico encolhendo-se levemente no chão e estremecendo de repente com a perspectiva de tanto lazer e riqueza o assustasse tremendamente. – Meu Senhor Harry Potter, Dobby aceita apenas um galeão por semana e folga durante um dia por mês. Dobby gosta da liberdade meu senhor, mas não a quer tanto assim, Dobby gosta mais do trabalho.


- Porque Winky não segue o exemplo de Dobby e aceita pagamento também? – Hermione sugeriu olhando meio esperançosa para a elfa doméstica que apenas torceu a cara para a morena antes de responder.


- Winky não quer pagamento senhorita, Winky só quer cuidar de uma casa bruxa novamente. – a elfa respondeu de maneira apressada e orgulhosa, mas logo ela ficou em silêncio, pois havia percebido que tinha sido um pouco grossa.


- Se Winky não quer receber pagamento pelo trabalho dela, ninguém pode forçá-la a aceitar. – disse Harry em tom neutro olhando de relance para a amiga antes de se voltar para a elfa. – Winky, você e Dobby deverão se vestir melhor, não quero que vocês usem esses trapos sujos, por isso vocês dois irão receber algumas mudas de roupas, mas quero que se lembrem que isso não será um castigo, quero apenas que vocês fiquem apresentáveis e com roupas limpas. O moreno esperou para ver se Winky fazia algum comentário, mas a elfa apenas sacudiu a cabeça em assentimento, assim como Dobby que parecia encantado com as prováveis roupas que receberia. – Agora, a primeira tarefa de vocês dois será limpar e arrumar completamente essa casa, quero que vocês reconstruam tudo o que puderem com magia, o que não for possível restaurar coloquem no porão que depois eu darei um jeito, quero que vocês restaurem o primeiro andar como se fosse uma casa bruxa normal, onde pessoas possam morar caso seja necessário.


- Sim meu Senhor. – responderam os dois elfos domésticos fazendo reverências em frente ao moreno de olhos verdes.


- O segundo andar eu quero que vocês mudem algumas coisas, sei que há sete salas no andar de cima, então quero que transformem dois desses aposentos em uma enfermaria grande o suficiente para caber muitas pessoas. – disse Harry em tom neutro olhando para seus dois elfos domésticos. – Quero que mudem um dos outros aposentos para que se torne uma sala grande e espaçosa onde possamos eventualmente treinar magia. Os outros aposentos restaurem e os transformem em quartos mobiliados com tudo o que for possível restaurar dos móveis. Ah, não quero que vocês mecham na parte externa da propriedade, somente na interna. Também usem a magia elfica para colocar feitiços de proteção ao redor da Casa dos Gritos, quero que qualquer pessoa que olhar de fora não consiga ver nada do que acontece aqui dentro e que se alguém se aproximar demais acabe se lembrando de algo importante para fazer. Quero que utilizem o feitiço mais poderoso que conheçam para permitir apenas minha entrada aqui dentro e quem quer que esteja comigo, é claro. Ah, e não precisam ter muita pressa em preparar essa casa, pois por enquanto será o único local em que vocês dois irão trabalhar, mas em breve vocês terão acesso a minhas propriedades.


- Seus desejos são uma ordem meu senhor. – disseram ambos os elfos domésticos fazendo reverências respeitosas e exageradas quase tocando os narizes no chão, em seguida os dois elfos domésticos desaparecerem com estalos secos e começarem a fazer as modificações na Casa dos Gritos que o moreno havia pedido.


- Vamos sair daqui. – disse Harry e em seguida caminhou para a porta de entrada sendo seguido pelas duas garotas silenciosas.


- Eu não acredito que você contratou dois elfos domésticos para trabalharem para você. – disse Hermione assim que saíram dos terrenos da casa mal assombrada, a garota realmente não conseguia entender as atitudes de seu amigo.


- Não sei porque Hermione. – retrucou Harry em tom calmo enquanto começavam a fazer o caminho de retorno para o povoado de Hogsmeade, afinal estava começando a escurecer e eles tinham que estar logo em frente aos portões de Hogwarts. – Eu não vou explorá-los ou coisa parecida, até mesmo ofereci salário e dias de folga para Winky e Dobby, mas Dobby aceitou apenas um galeão e Winky não aceitaria trabalhar para mim se eu continuasse insistindo para que ela recebesse o salário que eu estava oferecendo.


- Deveria ter insistido, todos os elfos merecem receber salário. – exclamou Hermione com um tom de voz levemente repreensivo.


- A causa pela qual você luta está completamente perdida Hermione, os próprios elfos domésticos não querem ser libertados, isso é como se fosse um insulto para eles, quase como uma punição para nós bruxos. – replicou Harry calmamente sem nem mesmo alterar a voz. – Você não pode mudar o pensamento dos bruxos e dos elfos domésticos de uma hora para outra Hermione, o máximo que vai conseguir será que os elfos exijam um pouco mais de respeito da parte dos bruxos, mas nenhum deles vai aceitar salário para trabalhar ou mesmo serem libertados, a servidão está no sangue deles e isso nem mesmo nós bruxos podemos alterar.


- Você não pode estar falando sério, Harry. – disse Hermione com a voz contrariada pelas palavras do amigo.


- É claro que estou Hermione. – retrucou Harry sem se virar e continuando a andar atravessando o povoado com as duas garotas cada uma a seu lado, Gina encontrava-se a direita do moreno enquanto Hermione estava do lado esquerdo de Harry. – A única coisa que se pode mudar nessa questão é a maneira dos bruxos tratar os elfos domésticos, nós é que precisamos começar a se importar com os elfos, tratá-los com mais respeito e impedir que eles fiquem se castigando o tempo todo, mas mais do que isso é pedir demais até para os pobres elfos.


- Você não imagina Lucius Malfoy tratando bem um elfo doméstico ou imagina?b – replicou Hermione com sarcasmo na voz.


- Não Hermione, eu não imagino qualquer um dos Malfoy fazendo esse tipo de coisa, eles fazem parte da escoria do mundo bruxo e serão eliminados em seu devido tempo. – a reposta do moreno havia sido dita em tom frio e gélido, o suficiente para as duas garotas sentirem leves arrepios e saberem que o moreno de olhos verdes estava falando a verdade. – Agora vamos logo que eu ainda tenho de me encontrar com o Hagrid hoje a noite.


- Eu poderia ir com você? – perguntou Gina timidamente fazendo o moreno olhar para a garota levemente curioso.


- Acho que é melhor eu ir sozinho Gina, foi o que o Hagrid pediu para mim fazer. – respondeu o moreno como se pedisse desculpas a ruiva que apenas sorriu dando de ombros como se dissesse que não tinha nenhum problema.


- Mas você vai nos contar o que o Hagrid for te mostrar, não é mesmo? – questionou Hermione olhando curiosa para o amigo, ele havia mudado tanto que ela já nem mesmo sabia o que poderia esperar da parte dele.


- Sim. – respondeu o moreno no momento em que chegaram ao local onde as carruagens estavam estacionadas, na verdade havia apenas mais duas esperando pelos estudantes, os três adentraram na mais próxima que logo começou a se mover rapidamente, o moreno podia ver os testrálios sem nenhum problema, mas não queria comentar nada com os amigos, pois não sabia se eles estavam prontos para aquela verdade ainda, talvez fosse melhor deixar que eles descobrissem sozinhos depois que presenciassem a morte de alguém.


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Harry jantou com todos os outros estudantes no salão principal de Hogwarts, mas o moreno ficou pensativo durante todo o momento em que esteve comendo, embora ninguém pudesse adivinhar sobre o que ele estava pensando muitos estudantes estavam especulando.


Alguns cochichavam com os amigos que Harry estava pensando na glória que iria conhecer no dia da primeira tarefa, outros haviam achado que ele estava arrependido por se inscrever no torneio e encontrava-se ansioso e amedrontado para o dia em que ele teria de participar da primeira tarefa do torneio tribruxo.


O moreno fingiu que não percebia os comentários maldosos e maliciosos que os outros estudantes murmuravam em voz baixa, muitos desses mesmos estudantes eram seus colegas de casa e com quem ele normalmente se dera muito bem.


Já no salão comunal Harry subiu mais cedo para o dormitório dando a desculpa de que iria dormir mais cedo naquele dia, quando esteve dentro de seu dormitório o moreno arrumou a cama e colocou seu travesseiro por baixo do edredom para parecer que ele estava deitado na cama, em seguida o moreno fechou o cortinado e colocou a capa de invisibilidade sobre seu corpo e desceu para o salão comunal o encontrando ainda cheio de gente.


Enquanto passava sorrateiramente pelos estudantes da grifinória o moreno observou os irmãos Creevey com uma caixa, eles haviam conseguido colocar as mãos em uma pilha de distintivos com os dizeres “Apóie Cedrico Diggory” e parecia que eles estavam enfeitiçá-los para fazê-los dizer “APÓIE Harry Potter”, o moreno sorriu levemente com a lembrança daquele episódio, pois até naquele instante os dois garotos apenas tinham conseguido fazer os distintivos ficarem permanentemente na frase de “Potter Fede”.


Harry dirigiu-se rapidamente em direção ao buraco do retrato e esperou por cerca de três minutos até que Hermione abrisse o quadro da mulher gorda conforme eles haviam planejado durante a volta de Hogsmeade, o moreno passou rapidamente por Hermione murmurando um agradecimento enquanto saia da torre da grifinória e Hermione entrava no salão comunal, o moreno seguiu o mais silenciosamente que pode pelos corredores do castelo olhando ocasionalmente no mapa do maroto apenas para conferir se não havia ninguém por perto.


Quando Harry saiu do castelo e chegou aos jardins a noite já estava alta e a escuridão reinava ao redor, o moreno desceu rapidamente os gramados extensos de Hogwarts indo em direção onde as luzes brilhavam fracamente na cabana do meio gigante, quando o moreno passou próximo de onde a enorme carruagem de Beauxbatons viu as luzes do interior da mesma também aceso, o moreno também ouviu Madame Máxime falando lá dentro, em seguida Harry terminou de descer o pouco que faltava para chegar a cabana do amigo e bateu na porta.


- É você aí, Harry? – perguntou Hagrid depois de ter aberto a porta apenas em uma fresta e espiado para todos os lados.


- Sou eu Hagrid. – respondeu Harry calmamente e quando o meio gigante abriu mais a porta e se afastou levemente o moreno entendeu que deveria entrar na cabana e assim o fez, logo retirando a capa de invisibilidade de cima da cabeça e perguntando em voz alta. – Agora, você poderia me dizer o que está acontecendo, Hagrid?


- Vou lhe mostrar uma coisa Harry, algo extremamente importante. – disse Hagrid com ar alegre enquanto se movia pela cabana.


Havia um ar etéreo de enorme excitação e divertimento ao redor do meio gigante, Hagrid estava usando uma flor no peito que lembrava muito uma enorme alcachofra exagerada na botoeira, o moreno percebeu que o meio gigante havia parado de tentar utilizar graxa de eixo nos cabelos, mas certamente estivera tentando penteá-los e domá-los, o meio gigante parecia não ter percebido que havia alguns dentes de pente presos em seus cabelos e não seria o moreno que estragaria o ar alegre e jovial que havia no rosto do amigo.


- E o que você vai me mostrar? – perguntou Harry fingindo estar bastante interessado no que quer que o meio gigante estar querendo lhe mostrar, lembrou-se que havia imaginado que talvez os explosivins de Hagrid poderiam ter posto ovos ou se o meio gigante não havia conseguido comprar outro enorme cão de três cabeças de algum estranho em outro bar qualquer.


- Só me siga Harry, venha comigo em silêncio e fique coberto pela capa de invisibilidade. – disse Hagrid em tom excitado enquanto se preparava para sair porta afora da cabana. – Não iremos levar o Canino, ele não iria gostar nada.


Harry lembrou-se de ter protestado levemente da outra vez, mas manteve-se em silêncio enquanto Hagrid abria a porta da cabana e saía apressadamente, o moreno teve de correr em alguns momentos para poder acompanhar o amigo, o moreno sabia exatamente para onde o meio gigante estava se dirigindo e apenas revirou os olhos por isso.


O moreno permaneceu levemente afastado do meio gigante que se dirigiu diretamente para a carruagem de Beauxbatons e bateu três vezes na porta que tinha varinhas de ouro entrelaçadas entre si, como se fossem duas espadas em riste. Madame Máxime abriu a porta, ela estava usando um xale de seda envolvendo os ombros maciços, mas sorriu quando viu o meio gigante parado a sua porta como se realmente gostasse da companhia dele.


- Ah, Agrrrid... Já está na horra? – a voz da diretora de Beauxbatons era leve e suave, contrastando com a aparência dela.


- Bom suar. – respondeu Hagrid sorrindo para a mulher e estendendo a mão enorme para ajudá-la a descer os poucos degraus dourados.


Madame Máxime sorriu e fechou a porta da carruagem, Hagrid dessa vez ofereceu o braço ara a diretora e os dois saíram contornando o picadeiro que guardava os gigantescos cavalos alados de Madame Máxime, o moreno apressou-se a acompanhá-los permanecendo no encalço dos dois meio gigantes.


- Aonde é que você está me levando, Agrid? – perguntou Madame Máxime em tom de brincadeira depois de algum tempo em que eles estiveram caminhando em completo silêncio pela orla da floresta proibida.


- Você vai adorar. – respondeu Hagrid em tom levemente rouco. – Vai valer a pena de se ver, pode confiar em mim. Só que não poderá sair por aí contando que eu lhe mostrei, certo? Porque não era para ninguém saber sobre isso...


- Claro que não, Agrid. – respondeu a diretora de Beauxbatons batendo as longas pestanas negras com uma graça que o moreno havia esquecido que ela poderia ter.


Os dois meio gigantes voltaram a caminhar completamente entretidos um com o outro, o moreno ficava cada vez mais preocupado conforme os minutos passavam, mesmo sabendo que conseguiria chegar a tempo, sabia que Sirius poderia não esperar ou então algum aluno poderia ter ficado durante mais tempo do que o necessário no salão comunal da grifinória, ele sabia que nem tudo aconteceria da mesma maneira e por isso precisa estar sempre atento a possíveis erros e falhas que haviam sido modificadas.


Foi somente quando já haviam se distanciado tanto ao longo do perímetro da Floresta Proibida que já nem mesmo era possível de se visualizar o castelo que o moreno ouviu algo que soou levemente familiar para ele, o moreno reconheceu o local onde eles estavam e ouviu os tratadores de dragões gritando logo mais a frente, logo em seguida ouviu um rugido ensurdecedor que quase fez com que os tímpanos do moreno rachassem, afinal como animago ele tinha um pouco mais de sensibilidade do que a maioria dos bruxos.


Hagrid fez Madame Máxime dar a volta em um arvoredo e então ambos pararam, o moreno apressou-se e se juntou aos dois, e quando olhou melhor para a enorme clareira que se encontrava a frente, viu a familiar cena de vários homens e mulheres correndo ao redor de quatro dragões adultos, enormes e ferozes.


Eles eram quatro dragões adultos e enormes, possuíam aspectos ferozes e brutais, eles se empinavam nas patas traseiras dentro de um cercado feito com pranchas de madeira extremamente resistente e grossa, os dragões rugiam e bufavam enquanto torrentes de fogo potentes erguiam-se por mais ou menos quinze metros para o céu escuro de suas bocas abertas e cheias de dentes afiados, os pescoços de cada um deles estava mais do que esticado enquanto cuspiam labaredas de fogo para o céu, era como se estivessem tentando intimidar qualquer um que estivesse naquele local e o moreno lembrou-se do tremor que havia percorrido seu corpo quando viu aqueles quatro belos espécimes de dragões pela primeira vez.


Harry reconheceu os quatro dragões imediatamente. O Meteoro Chinês que também era conhecido como Liondragon, ou dragão leonino. Era o único dragão oriundo do Oriente que possuía uma aparência particularmente vistosa. Era vermelho escarlate e com escamas lisas, ele apresentava uma franja de cristas douradas em volta de seu focinho arredondado e possuía os olhos bastante saltados. O moreno sabia que o Meteoro Chinês havia recebido esse nome por causa das labaredas em forma de cogumelo que saiam de suas narinas quando ele estava irritado, aquele em especial deveria pesar mais ou menos quatro toneladas e era claramente um macho, visto que a fêmea deveria ser um pouco maior do que aquele. Os olhos da besta eram em um tom carmim vivo com algumas pintas douradas, as cascas que o dragão apresentava seriam muito bem aproveitadas pelos bruxos, principalmente aqueles que utilizavam a magia chinesa. Harry havia estudado por algum tempo as espécies dos dragões e sabia que o meteoro chinês era bastante agressivo, embora fosse mais tolerante com a própria espécie do que a maioria dos dragões, pois as vezes ele consentia em dividir seu território com até outros dois dragões, o principal alimento daquele dragão eram os mamíferos, embora o moreno soubesse que o Meteoro Chinês preferisse os porcos e os humanos.


Havia o Verde-Galês comum ou apenas verde galês, ele se confundia com os capins luxuriantes de sua terra natal, embora fizesse o ninho nas montanhas, mas altas onde foi demarcada uma reserva apenas para a própria preservação da espécie. O moreno conhecia o Incidente Ilfracombe, que aconteceu em 1932 onde um dragão verde-galês errante mergulhou sobre uma praia apinhada de trouxas que estavam se banhando ao sol, felizmente este incidente não resultou em nenhuma fatalidade devido as medidas corajosas tomadas por uma família de bruxos que encontravam-se em férias naquela cidade, em seguida os mesmos bruxos haviam aplicado feitiços de memória em todos os trouxas presentes, que foi a maior operação de obliviação que ainda se tinha notícia. Apesar deste incidente, esta raça de dragões ainda está entre as que causam os menores problemas, preferindo, assim como o Olho de Opala, caçar carneiros e se empenhar evitando os humanos o máximo possível, embora ele ataque quando é provocado. O verde-galês que o moreno estava observando deixou escapar um urro que soou surpreendentemente melodioso aos seus ouvidos, as labaredas saiam em jorros finos pela bocarra da criatura. Os ovos dos verde-galeses eram da cor da terra e sempre encontravam-se sarapintados de verde.


O extremamente belo dragão azul-prateado chamou a atenção do moreno quando soltou mais uma labareda de fogo pelos céus, o Focinho-Curto-Sueco era muito bonito cuja pele era bastante procurada para a confecção de luvas e escudos de proteção mágicos. As labaredas de fogo que brilharam através da noite eram de um tom azul brilhante e o moreno sabia que eram capazes de reduzir madeiras e ossos a cinzas em questão de segundos. Aquele dragão também era responsável pelo menor número de mortes humanas do que a maioria dos dragões, mas como ele prefere viver em áreas montanhosas despovoados e selvagens, esses dados são levemente irrelevantes já que eles estão sempre isolados e possuem muito pouco contato com humanos.


Mas o dragão que mais chamava a atenção de Harry era com certeza absoluta o Rabo Córneo Húngaro. Aquele era o dragão que possuía a fama de ser a mais perigosa entre as raças de dragões do mundo, ele possuía escamas negras e possuía a aparência de um lagarto gigante. Os olhos dele são amarelos selvagens, os chifres possuíam a cor do bronze tal como os cornos que cobrem o seu enorme e longo rabo. O alcance das labaredas do Rabo Córneo Húngaro chegava alcançar quinze metros de distância, sendo um dos maiores que há. Seus ovos são da cor de cimento com uma casca particularmente dura, os filhotes quebram as cascas com os rabos cujos cornos já estavam bastante desenvolvidos quando eles nasciam. O Rabo Córneo Húngaro era um dragão que se alimentava principalmente de cabras, carneiros e sempre que era possível, de humanos.


De todos os quatro dragões, o Rabo Córneo Húngaro era o que se encontrava mais próximo de onde o moreno estava com Hagrid e Madame Máxime.


Havia cerca de trinta bruxos ao redor da clareira, mais ou menos cerca de oito ou nove bruxos para cada um dos dragões, os bruxos tentavam controlar as enormes feras puxando correntes presas a grossas tiras de couro que estavam em volta dos pescoços e das pernas das criaturas. O moreno concentrou sua atenção no Rabo Córneo Húngaro, aquela criatura era a mais formidável que ele já havia encontrado em sua vida, os olhos do enorme dragão negro possuíam pupilas verticais como as de um felino, os olhos estavam arregalados no que o moreno ser fúria. O uivo que ele soltava era terrível e penetrante, mas não deixava de ser hipnotizante, o dragão exalava força e selvageria, ali encontrava-se um animal indomado.


- Fique aí, Hagrid! – berrou um bruxo junto a cerca puxando com força a corrente que segurava, o moreno reconheceu um dos irmãos mais velhos de Gina e Rony, Carlinhos Weasley estava exatamente da maneira como o moreno se lembrava. – Eles podem cuspir fogo a uma distância de seis metros, você sabe. Além do mais, já vi este Rabo Córneo chegar a doze metros.


- Ele não é lindo? – perguntou Hagrid baixinho enquanto observava maravilhado as enormes criaturas que haviam na clareira, mas a atenção do meio gigante estava bem mais focalizada no dragão negro que estava mais próximo.


- Não vai adiantar. – berrou um bruxo do outro lado da clareira que também fazia força para segurar a corrente que tinha em suas mãos, o suor banhava a roupa de todos os tratadores. – Feitiço Estuporante quando eu contar três!


O moreno viu o momento em que os tratadores de dragões sacaram a varinhas, mas o moreno focalizou sua atenção nos olhos amarelados do dragão negro, o dragão que ele já havia enfrentado uma vez em sua vida.


- Estupore! – os tratadores gritaram em uníssono fazendo os feitiços dispararem através da escuridão como se fossem foguetes chamejantes e explodindo em chuvas de estrelas sobre os couros escamosos dos dragões.


O moreno continuou com sua atenção focalizada no Rabo Corneio Húngaro enquanto ele começava a balançar sobre as próprias patas traseiras, as mandíbulas dele se escancaram em um súbito uivo silencioso, as narinas subitamente se apagaram mesmo que ainda estivessem fumegando, depois ele foi caindo lentamente, diversas toneladas de dragão negro e musculoso coberto de escamas desabando no chão com um baque surdo que fez com que até mesmo as árvores ao redor deles estremecessem levemente.


Os tratadores de dragão começaram a baixar as varinhas aos poucos e começaram a avançar até onde os animais estavam caídos, cada um destes do tamanho de um enorme morro, os bruxos se apressaram a esticar as correntes e a prendê-las firmemente em estacas de ferro, que eles enterraram bem fundo no chão utilizando as varinhas.


- Você quer dar uma olhada de perto? – Hagrid perguntou bastante excitado para Madame Máxime que apenas assentiu com a cabeça.


Os dois meio gigantes se aproximaram da cerca e o moreno os acompanhou de maneira silenciosa, enquanto o moreno via com o canto dos olhos a aproximação de Carlinhos Weasley, realmente ele parecia exatamente igual a ultima em que Harry o vira.


- Tudo bem, Hagrid? – perguntou Carlinhos quando se aproximou o bastante da cerca para poder falar com o meio gigante. – Eles devem ficar bem agora, demos a eles uma poção para dormir durante a viagem, achei que seria melhor eles acordarem quando estivesse escuto e tranqüilo, mas como você viu, eles não ficaram nem um pouco felizes, nas ficaram nada felizes, acho que é por causa do ambiente desconhecido...


- Que raças você tem aqui Carlinhos? – perguntou Hagrid com a voz emocionada olhando para o dragão mais próximo a eles, o dragão negro, a expressão no rosto do meio gigante era algo muito parecia a enlevação.


Os olhos do rabo Córneo Húngaro ainda encontravam-se ligeiramente abertos e o moreno podia ainda ver o risco amarelo e brilhante sob a pálpebra enrugada e escura.


- Este aí é um Rabo Córneo Húngaro. – informou Carlinhos vendo a expressão alegre do meio gigante. – Tem também um Verde-Galês comum lá adiante, o menor deles é o Focinho Curto Sueco que é aquele cinzento azulado, e tem também o vermelho escarlate que é o Meteoro Chinês. – Carlinhos tinha os olhos fixos em Madame Máxime que estava caminhando ao longo do cercado examinando os dragões estuporados. – Eu não sabia que você iria trazer ela, Hagrid. – disse Carlinhos franzindo a testa em incompreensão. – Os campeões não podem saber o que os espera, ela com certeza vai contar a campeã de Beauxbatons, não vai?


- Só achei que ela iria gostar de ver os dragões. – respondeu Hagrid encolhendo os ombros maciços ainda contemplando de maneira embevecida os dragões.


- Um encontro realmente romântico, Hagrid. – comentou Carlinhos em voz neutra enquanto balançava a cabeça.


- Quatro dragões. – contou Hagrid examinando a clareira com mais atenção. – Então é um para cada campeão? O que é que eles terão de fazer, lutar contra eles?


- Somente passar por eles, eu acho Hagrid. Nós estaremos por perto se a coisa começar a ficar feia para o lado dos campeões, estaremos prontos para lançar feitiços estuporantes ou Feitiços de Extinção. Eles pediram dragões em época de nidificação, não sei exatamente o porque... Mas eu vou lhe dizer uma coisa, eu não vou invejar o campeão que pegar esse Rabo Córneo Húngaro... – a voz de Carlinhos havia se tornado mais aguda conforme ele falava sobre o dragão negro e o examinava com os próprios olhos. – Bicho feroz esse daí. A extremidade de trás é tão perigosa quanto a da frente. Olha só essa cauda, Hagrid.


Carlinhos apontava para o rabo do dragão e o moreno observou que em alguns intervalos de uns poucos centímetros havia uma espécie de pequenos chifres compridos na cor de bronze na cauda, havia cinco dos colegas tratadores de dragões de Carlinhos que cambaleavam até o Rabo Córneo Húngaro naquele momento transportando uma ninhada de ovos em um pequeno cobertor, em seguida os cinco bruxos depositaram sua carga de maneira cuidadosa ao lado do Rabo Córneo Húngaro e se afastaram imediatamente do animal.


Quando Hagrid deixou escapar um gemidinho de saudades, Carlinhos voltou os olhos para o meio gigante.


- Eu contei todos, Hagrid. – disse Carlinhos em tom sério, o moreno entendeu muito bem que o ruivo estava avisando o amigo para que ele não tentasse pegar nenhum daqueles ovos, o que Harry julgou ser bastante provável de acontecer, afinal não havia nada que Hagrid amasse mais do que os dragões, em seguida o ruivo perguntou. – Como está indo o Harry?


- Harry está ótimo. – respondeu Hagrid em tom levemente vago enquanto continuava olhando fascinado para os ovos.


- E eu espero que ele continue ótimo depois de enfrentar um desses bichos aqui. – disse Carlinhos com a voz extremamente séria enquanto ele também contemplava o cercado de dragões. – Não tive coragem de contar a mamãe qual vai ser a primeira tarefa do torneio tribruxo, mamãe está tendo alguns gatinhos por antecipação. – Carlinhos em seguida começou a imitar a voz ansiosa da Senhora Weasley. – “Como eles puderam deixá-lo entrar nesse torneio, ele é criança demais! Pensei que estivessem todos seguros, eu pensei que iria haver um limite de idade!” Mamãe está se acabando de chorar por causa daquele ultimo artigo que saiu no Profeta Diário. “Ele ainda chora a perda dos pais! Ah, que Merlin o abençoe, eu não nem mesmo sabia!”


- Molly não pode ter acreditado nesse monte de mentiras. – exclamou Hagrid parecendo sair de seu transe e voltando os olhos para o ruivo.


- Pois pode apostar que ela acreditou no que a Skeeter escreveu. – concordou Carlinhos em tom de confidência.


Harry continuou ouvindo por mais alguns minutos antes de virar as costas e se encaminhar pelo caminho pelo qual eles haviam chegado até aquela clareira, o moreno sabia que Hagrid nem mesmo sentiria sua falta, afinal ele tinha aqueles dragões enormes e a companhia de Madame Máxime para ocupar a sua atenção.


O moreno caminhava silenciosamente enquanto passava pelas árvores e ia pensando na prova que teria terça-feira, lembrava-se vagamente que não ficara muito contente ao descobrir que teria de enfrentar um dragão na primeira prova, mas naquele tempo ele não tinha nem um décimo do conhecimento que possuía agora.


Harry sabia também que qualquer um poderia fraquejar se acabasse dando de encontro com um dragão de quinze metros de altura, muita gente simplesmente gritaria e sairia correndo, outras desmaiariam de terror, afinal de contas estar cara a cara com uma besta daquele tamanho portando apenas uma varinha fazia parecer com que o objeto mágico não fosse nada mais do que um pedaço de ripinha inofensivo contra um dragão imenso coberto de escamas e chifres, além é claro de que o animal ainda cuspia fogo pelas narinas.


Harry saiu de seus pensamentos quando contornou uma imensa clareira e se apressou pela mata, logo depois o moreno contornou a orla da floresta e deu uma olhada no relógio de pulso, sabia que tinha pouco mais de quatorze minutos para chegar ao salão comunal para poder falar com Sirius pela primeira vez em muito tempo, foi nesse momento que o moreno percebeu um vulto próximo e então desacelerou e começou a caminhar silenciosamente através das árvores até poder visualizar com clareza a figura de um homem entre as árvores.


- Quem está aí? – a voz era dura e fria quando fez a pergunta logo depois do moreno ter pisado em um galhinho seco que rompeu-se provocando barulho.


O moreno olhou a silhueta do bruxo e acabou reconhecendo a figura alta e sombria, embora precisasse apenas dar uma olhada na barbicha do mesmo para saber que se tratava do diretor de Durmstrang, Igor Karkaroff.


- Quem está aí? – tornou a perguntar Karkaroff olhando de maneira desconfiada para todos os lados enquanto apontava a varinha para onde estava olhando, embora ele não houvesse nem mesmo utilizado um feitiço de iluminação, certamente o bruxo não queria atrair nenhuma atenção para o fato de ele se encontrar ali.


O moreno continuou apenas observando de maneira calada e imóvel as emoções transpassando pelo rosto do bruxo enquanto aproveitava e utilizava legilimência para invadir a mente do direto de Durmstrang, Harry descobriu que Karkaroff não era muito habilidoso em oclumência e por isso nem mesmo percebeu a invasão mental que estava sofrendo, o moreno acabou descobrindo mais do que ele próprio imaginava, alguns feitiços desconhecidos para ele, principalmente os de magia negra e que eram ensinados em Durmstrang, além de alguns segredos como a localização da escola européia que ficava ao norte da Bulgária.


Depois de mais um minuto em completo silencio, o moreno viu na mente de Karkaroff que ele acabou concluindo que havia batido de frente com algum animal, por isso estava olhando para a altura de sua cintura como se esperasse encontrar o animal a qualquer instante. Depois de mais alguns segundos ele voltou a caminhar sorrateiramente pela sombra das árvores e dirigiu-se em direção ao local onde o moreno sabia que estavam os dragões, ele havia visto o momento em que Madame Máxime e Hagrid entravam na floresta e os seguira.


De maneira lenta e cautelosa Harry começou a caminhar novamente, em seguida o moreno passou a correr o mais rápido que pode sem fazer nenhum barulho, afinal não queria ser descoberto naquele momento, Harry atravessou a escuridão indo de volta para o castelo de Hogwarts com o máximo de cuidado que conseguiu.


Harry tinha certeza que cada um dos dois diretores iria informar ao seu campeão o que eles teriam de fazer durante a primeira tarefa do torneio, o que deixava apenas Cedrico ignorante quanto ao que enfrentariam na terça-feira, mas o moreno iria garantir que o companheiro de escola também soubesse o que os estava esperando.


Harry alcançou rapidamente o castelo de Hogwarts e atravessou o mais silenciosamente que pode as portas do salão de entrada, passando despercebido pelo zelador que encontrava-se aos fundos do mesmo salão, em seguida o moreno começou a subir os degraus de mármore, naquele momento Harry já se encontrava muito ofegante pelo esforço físico que tivera que suportar, mas sabia que ainda faltava alguns corredores para chegar em seu destino.


- Grifo! – disse Harry quando chegou próximo ao quadro da mulher gorda que estava tirando um cochilo em sua moldura naquele momento.


- Se você assim diz. – ela murmurou sonolenta sem nem mesmo abrir os olhos enquanto deixava o quadro girar para a frente para admitir o garoto, o moreno adentrou pelo espaço estreito e saiu na sala comunal.


Como o moreno esperava, o cheiro era exatamente o mesmo que todos os dias, o que deixava claro que Hermione e Gina não haviam precisado tomar nenhuma medida drástica para mandar os alunos para seus dormitórios. A sala comunal estava deserta naquele momento, portanto ele e Sirius poderiam ter um pouco de privacidade.


Harry retirou rapidamente a capa de invisibilidade e se sentou pesadamente em uma poltrona diante da lareira do salão comunal para poder esperar pelo padrinho, a sala comunal encontrava-se na penumbra e as chamas fracas era a única fonte de luz na sala.


Observando por acaso o salão comunal, o moreno viu em cima de uma mesa os distintivos de “APOIE CEDRICO DIGGORY” que os irmãos Creevey tinham tentado melhorar, esses mesmos distintivos estavam brilhando conforme a claridade da lareira e agora diziam “POTTER REALMENTE FEDE”, o moreno apenas sorriu de canto antes de voltar seus olhos para as chamas da lareira e ver o rosto tão familiar.


A cabeça de seu padrinho estava flutuando sobre as chamas naquele momento, um sorriso ainda maior do que o anterior curvou os lábios do moreno de olhos verdes enquanto deixava a poltrona e ia se agachar em frente a lareira, por dentro uma emoção forte o estava corroendo naquele momento, mas ele apenas a guardou para si próprio, afinal como poderia explicar para o padrinho que tudo o que ele queria naquele momento era abraça-lo e pedir perdão por ter sido um idiota e causado a morte dele, certamente Sirius imaginaria que ele havia enlouquecido por causa do torneio tribruxo e o acabaria internando no St. Mungus.


- Sirius. – exclamou Harry em tom radiante enquanto olhava para o rosto do padrinho. – Como é que você está indo?


Sirius Black estava bem diferente do que o moreno tinha visto logo depois de eles terem se despedido quando o ajudou a fugir em seu terceiro ano, o moreno lembrava-se muito bem da aparência magérrima e funda que o rosto do padrinho aparentava, que era emoldurada por uma juba de cabelos compridos, negros e completamente embaraçados, mas naquele momento os cabelos de Sirius estavam curtos e bem limpos, o rosto estava mais cheio e ele parecia um pouco mais jovem, lembrando muito o adolescente que ele um dia havia sido.


- Eu não sou importante agora Harry, como vai você? – perguntou Sirius mantendo um aspecto sério no rosto.


- Estou... – Harry começou e então parou, pois não sabia exatamente o que estava sentindo, eram muitas emoções ao mesmo tempo e o moreno vinha tentando controlá-las o melhor que podia, por isso apenas completou. -... Indo.


O moreno lembrou-se da conversa que havia tido com o padrinho quando ele não conhecia seu destino, então utilizou suas habilidades e travou completamente seus pensamentos e poderes retirando a memória da mesma conversa com o padrinho e deixou que seu corpo agisse no automático enquanto ele falava o mesmo que havia dito da outra vez.


Logo palavras saiam da boca de Harry, que apenas olhava como se fosse uma espécie de espectador, as palavras saiam da boca do moreno em uma torrente, palavras sobre o fato de ninguém acreditar que ele não havia se inscrito no torneio voluntariamente, que a repórter Rita Skeeter havia publicado um monte de mentiras sobre ele no Profeta Diário, que ele não podia andar pelos corredores sem que os outros estudantes caçoassem dele, além do fato de que seu amigo Rony não acreditava nele e que estava com ciúmes.


- E agora o Hagrid acabou de me mostrar qual será a primeira tarefa do torneio e são dragões, Sirius, por isso estou perdido. – Terminou o monólogo o moreno de olhos verdes e nesse momento os olhos de Harry voltaram ao foco e ele voltou a ter controle sobre si próprio e sobre o que falava, o padrinho do garoto encontrava-se tão entretido na história do moreno que não percebeu a mudança rápida que acontecera.


Sirius estava observando o afilhado com os olhos cheios de preocupação, os olhos de Sirius ainda continuavam tão sombrios quanto o dia em que ele havia fugido de Azkaban, o que deixava os olhos do animago um pouco fantasmagórico. O animago deixou que o moreno de olhos verdes terminasse de falar sem interrupção, mas quando o moreno terminou, ele disse.


- Dragões nós podemos dar um jeito Harry, mas vamos falar disso em um minuto, não posso me demorar muito mais por aqui. Tive de arrombar uma casa de bruxos para utilizar a lareira deles, mas eles vão voltar a qualquer momento. A algumas coisas de que eu preciso alertá-lo. – a voz de Sirius estava preocupada enquanto olhava para o garoto.


- Quais coisas? - perguntou Harry olhando com intensidade para o padrinho, já sabia o que o padrinho iria falar, mas o moreno precisava manter o disfarce com o padrinho, pelo menos por mais algum tempo.


- Igor Karkaroff. – disse Sirius com a voz funda e preocupada. – Ouça Harry, ele era um dos Comensais da Morte. Você sabe quem eles eram, não sabe?


- Sim, eu sei Sirius. – respondeu Harry em tom baixo e calmo e em seguida empregou um pouco de surpresa em sua voz enquanto perguntava. – O que você disse?


- Karkaroff foi apanhado por Alastor Moody, esteve uns tempos em Azkaban comigo, mas acabou sendo libertado. Aposto o que você quiser que foi por essa razão que Dumbledore quis tanto ter um auror em Hogwarts este ano, provavelmente para ficar de olho nele. Karkaroff foi o primeiro comensal que Moody trancafiou em Azkaban. – Sirius falava rapidamente mostrando que realmente tinha um pouco de pressa.


- Karkaroff foi libertado? – perguntou Harry deixando um tom de espanto transparecer em sua voz. – Por que libertaram um comensal da morte?


- Ele fez um acordo com o Ministro da Magia. – respondeu Sirius de maneira fria e amargurada. – Ele fez uma declaração admitindo que errara e que agora estava arrependido, então ele revelou muitos nomes de pessoas ligadas a Voldemort. Karkaroff mandou uma porção de outras pessoas para Azkaban no lugar dele, por isso ele não é muito popular lá dentro, isso eu posso garantir para você. E desde que ele saiu, pelo que eu soube, tem ensinado Artes das Trevas a cada estudante que passa pela escola dele, por isso tenha cuidado com o campeão de Durmstrag também.


- Certo. – concordou Harry balançando a cabeça devagar. – Mas... Você está dizendo que Karkaroff pode ter colocado meu nome no Cálice de Fogo? Porque se ele fez isso, ele é realmente um bom ator, afinal ele parecia furioso com o acontecido no dia das bruxas, queria me impedir de competir custasse o que fosse.


- Nós sabemos que ele é um bom ator. – respondeu Sirius com um pouco de secura. – Afinal convenceu o Ministro da Magia a libertá-lo de Azkaban, não é mesmo? Agora eu tenho acompanhado o Profeta Diário, Harry...


- Você e o resto do mundo, Sirius. – Harry sibilou deixando escapar um tom frio e baixo enquanto olhava o padrinho.


- Olha Harry, lendo nas entrelinhas naquele artigo que aquela tal de Skeeter publicou no mês passado, Alastor Moody foi atacado na véspera de se apresentar para trabalhar em Hogwarts. Eu sei que ela disse que foi mais um dos alarmes falsos do Moody, - acrescentou Sirius antes que o moreno sequer pudesse fazer menção de falar qualquer coisa. – mas tenho a leve impressão de que não foi. Acho que alguém tentou impedi-lo de chegar em Hogwarts. Acho que alguém sabia que seria muito mais difícil de agir com Moody por perto, e ninguém vai investigar muito mesmo. Olho-Tonto andou ouvindo estranhos por vezes demais, mas isto não significa que ele tenha se tornado incapaz de identificar a coisa verdadeira, Alastor Moody foi o melhor auror que o Ministério da Magia já teve em todos os tempos.


- O que você está tentando me dizer exatamente Sirius? – perguntou Harry forçando seu tom de voz a sair hesitante e baixo quando queria contar a verdade para o padrinho, mas ainda não era o momento certo, primeiro teria de estar cara a cara com o padrinho. – Que Karkaroff vai tentar me matar? Mas porque ele faria isso?


Sirius hesitou antes de responder ao moreno.


- Olha Harry, eu tenho ouvido muitas coisas estranhas ultimamente. – Sirius falou pausadamente e com calma. – Os Comensais da Morte parecem um pouco mais ativos do que o normal ultimamente. Eles se mostraram publicamente na Copa Mundial de Quadribol, não é mesmo? E alguém projetou a Marca Negra no céu... Além disso, você por acaso ouviu falar da funcionaria do Ministério da Magia que está desaparecida?


- Berta Jorkins? – perguntou Harry olhando curiosamente para o padrinho, sabia que ele não iria revelar muito mais do que ele próprio já sabia.


- Exatamente Harry. Ela desapareceu na Albânia e sem duvida você deve saber que foi lá que diziam ter visto Voldemort pela ultima vez... – Sirius fez uma pausa antes de olhar diretamente para o moreno de olhos verdes. – E como funcionaria do Ministério da Magia, ela saberia que iria haver um Torneio Tribruxo, não é mesmo?


- Seria muito improvável que ela acabasse dando de cara com Voldemort, ou é? – perguntou Harry em tom preocupado.


- Olha, eu conheci Berta Jorkins. – respondeu Sirius em tom de voz sério. – Esteve em Hogwarts no meu tempo, alguns anos mais adiantada do que seu pai e eu, ela era uma verdadeira idiota. Uma garota bastante curiosa e bisbilhoteira, mas completamente desmiolada. Essa não é uma combinação muito boa, Harry. Eu diria que ela poderia ser facilmente atraída para uma espécie de armadilha do jeito que ela era curiosa.


- Então você acha que Voldemort poderia ter descoberto tudo sobre o torneio através dela? É isso que está tentando me dizer Sirius? – perguntou Harry com uma sobrancelha arqueada. – Você acha que Karkaroff poderia estar aqui por ordem dele?


- Não sei, Harry. – respondeu Sirius lentamente. – Realmente não sei. Karkaroff não me parece o tipo que voltaria para Voldemort a não ser que soubesse que o Lorde Negro teria poder suficiente para protegê-lo, mas quem pôs o seu nome no Cálice de Fogo fez isso de caso pensado, e não posso deixar de imaginar que esse torneio seria uma boa ocasião para atacar você e fazer parecer que foi uma espécie de acidente.


- Até onde eu posso observar é um plano muito bom e lógico. – disse Harry em tom um pouco rouco, fazendo o padrinho interpretar a emoção na voz do moreno de maneira equivocada. – Eles só precisam se sentar e assistir enquanto esperam um dos dragões fazer o serviço por eles, realmente é um bom plano...


- Certo Harry. Esses dragões. – disse Sirius falando rapidamente enquanto olhava preocupado para o afilhado. – Existe um jeito Harry, mas não ceda a tentação de usar um Feitiço Estuporante, os dragões são criaturas muito fortes e tem demasiado poder mágico para serem nocauteados por um único feitiço. Seria preciso meia dúzia de bruxos para poder dominar um dragão...


- E Sirius, eu acabei de ver isso. – respondeu Harry em tom calmo enquanto pensava se seu plano daria certo contra o Rabo Córneo Húngaro.


- Mas eu tenho certeza de que você pode dar conta sozinho, Harry. – disse Sirius mal ouvindo as palavras do moreno. Tem uma maneira e somente é necessário um único feitiço que é bastante simples. Basta você...


Nesse momento os dois ouviram passos vindos do dormitório masculino e pareciam cada vez mais próximos.


- Vá! – sibilou Sirius de maneira urgente olhando para o moreno de olhos verdes. – Vai Harry! Tem alguém chegando.


Harry se levantou rapidamente e postou-se a frente das chamas da lareira escondendo o rosto do padrinho as suas costas, um estalido as suas costas informou ao moreno de olhos verdes que Sirius já havia ido embora, então o moreno pode relaxar levemente enquanto recolhia a capa de invisibilidade e a colocava embaixo do braço.


No momento seguinte Rony Weasley apareceu no final das escadas e parou de chofre ao ver o moreno parado do outro lado da sala, o ruivo estava vestido com um pijama marrom com uma estampa de plumas.


- Com quem você estava falando? – perguntou Rony olhando estranhamente para Harry, o moreno sabia que o garoto estava inclusive arrependido pela briga idiota entre eles dois, mas seria o ruivo que precisaria tomar a iniciativa e não o contrário.


- Com Merlin. – respondeu Harry sarcasticamente enquanto olhava para o seu melhor amigo, embora soubesse que não estava sentindo tanta falta assim do garoto, afinal tivera de aprender a conviver sozinho depois da morte de todos os que ele havia amado, por isso apenas a certeza de que Rony estava bem era suficiente par ao moreno. – Mas isso não é da sua conta. E o que é que você está fazendo aqui embaixo a essa hora da noite?


- Fiquei imaginando aonde você... – Rony começou, mas parou de falar e encolheu os ombros. – Não é nada, eu vou voltar para a cama.


- O Weasleyzinho achou que poderia vir bisbilhotar não foi? – Harry utilizou todo o sarcasmo que podia ao falar, sabia que se estivesse em um concurso ganharia inclusive de Snape naquele quesito. – Estava curioso, foi?


- Sinto muito. – retrucou Rony ficando vermelho de raiva naquele momento e era exatamente isso que Harry queria. – Eu deveria ter percebido que você não queria ser perturbado. Pode deixar que vou deixar você continuar praticando em paz para a próxima entrevista que for dar para o Profeta Diário, aposto que sua fama vai aumentar.


Rápido e silenciosamente o moreno apanhou um dos distintivos em que viam-se as palavras “POTTER REALMENTE FEDE” que estavam em cima da mesa e o arremessou com toda a força para o outro lado da sala acertando Rony diretamente na testa fazendo o ruivo dar um passo para trás enquanto cambaleava levemente.


- Fique com você. – rosnou Harry em tom frio. – Você pode usar isso na terça-feira. Quem sabe agora você até arranja uma cicatriz na testa se tiver alguma sorte. É isso o que você mais quer na sua vida não é mesmo?


Em seguida Harry atravessou a sala de maneira firme e decidida esperando para saber se dessa vez seu melhor amigo teria coragem o suficiente para lhe deter e o socar na cara, mas o ruivo apenas continuou parado exatamente onde estava enquanto o moreno subia a escada com um sorriso no canto dos lábios, sabia que agora ele realmente sacudira seu melhor amigo, agora era uma questão de tempo para que o Weasley pudesse pensar seriamente sobre seus últimos atos, foi pensando nisso que o moreno deitou-se na cama depois de trocar de roupa e adormeceu rapidamente, logo depois de ter executado um feitiço de proteção ao redor de sua cama.


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Na manhã de domingo Harry acordou levemente distraído, mas levantou-se rapidamente e se vestiu calmamente para logo em seguida pegar uma muda de roupa e se dirigir para fora do dormitório, faltava poucos minutos para as cinco horas da manhã e o moreno chegou ao salão comunal o encontrando completamente vazio.


Harry dirigiu-se até o corredor da sala precisa e adentrou a mesma sendo o primeiro a chegar no local, não querendo esperar pelos outros o moreno entrou imediatamente dentro da piscina e começou a nadar indo de uma ponta a outra.


Poucos minutos depois Hermione e Gina atravessaram a porta da sala precisa apenas para perceberem o moreno de olhos verdes nadando ferozmente dentro da piscina, ele praticamente cortava a água como se fosse um torpedo indo de um lado ao outro, as duas garotas observaram hipnotizadas por alguns segundos antes de se mexerem e trocarem de roupa para poderem também adentrar na piscina para o inicio daquele dia de treinamento.


Mas Gina não deixava de pensar no corpaço do moreno de olhos verdes, fora por breves minutos que ela conseguira observar o moreno vestindo apenas uma sunga preta, mas foi tempo suficiente para ela conseguir observar os detalhes do corpo de Harry que ela ainda não conhecia, partes do corpo do moreno em que ela apenas imaginava como se fossem borrões, mas que agora ela poderia ter uma vaga noção da magnitude do moreno, somente com aquele pensamento a ruiva ficou completamente vermelha.


Assim que Gina e Hermione entraram na piscina foi a vez de Luna adentrar as portas da sala precisa e logo a garota se juntava aos demais, os últimos a chegarem foram Fred, George e Neville que se apressaram a trocar de roupa e caírem dentro da água, pois sabiam o quanto Harry era exigente com os exercícios e como era domingo e eles não iriam ter aulas naquele dia, o treinamento seria mais puxado e extenso.


Logo todos os adolescentes nadavam de um lado para o outro enquanto completavam a série de cinqüenta voltas que Harry havia estabelecido como mínimas para aquele inicio de treinamento, mas o próprio Harry estava se esforçando mais do que os amigos e somente parou de nadar quando conseguiu dar cem voltas ao redor da piscina, ele terminou sua cessão alguns minutos antes dos amigos começarem a concluírem os próprios, no final os outros seis terminaram praticamente juntos, afinal os garotos tinham um condicionamento físico melhor do que as meninas que mesmo tendo começado antes deles, acabaram terminando depois.


Assim que foram terminando de fazer as seções de treinamento na piscina os seis dirigiram-se para os aparelhos de musculação onde Harry corria em uma esteira, os sete passaram a hora seguinte malhando fortemente, cada dia que passava eles se cansavam menos e as mudanças começavam a acontecer mesmo que lentamente e nenhum deles parecesse perceber realmente, mas o moreno tinha certeza que até o final do ano todos eles já estariam bem diferentes.


- A partir de hoje vocês vão começar a aprender a lutar sem magia. – disse Harry alguns minutos depois que eles haviam terminado as seções de treinamentos nos aparelhos de musculação, os seis estavam devidamente largados no chão enquanto o moreno os olhava e estava em pé. – Não quero começar forçando muito vocês, por isso vamos trabalhar primeiramente com o Mixed Martial Arts, popularmente conhecido como MMA, também chamado de Artes Marciais Mescladas. O MMA é definido como uma modalidade de luta onde os praticantes não precisam seguir um estilo específico de arte marcial.


- Está falando sério? – perguntou Fred olhando estranhamente para o moreno de olhos verdes que apenas arqueou a sobrancelha esquerda.


- Nós nunca ouvimos falar disso. – completou George também exibindo o mesmo olhar estranho do irmão gêmeo.


- O MMA é uma modalidade inventada a muito pouco tempo e ainda não foi muito difundida. – mentiu Harry sabendo muito bem que iria demorar pelo menos uns sete anos antes de alguém inventar aquela modalidade de luta, mas ele queria que os amigos soubessem se defender e não havia nada melhor do que as Artes Marciais Mescladas que levavam vantagem sobre a maioria dos outros estilos de artes marciais.


- Vamos mesmo aprender Artes Marciais? – perguntou Hermione olhando de maneira surpresa para o moreno.


- O que são exatamente essas Artes Marciais? – perguntou Gina em tom carrancudo enquanto olhava para o moreno.


- Hermione? – perguntou o moreno olhando divertido para a amiga que apenas o olhou mais carrancuda do que Gina.


- As artes marciais são sistemas de praticas para treinamento de combate, geralmente sem o uso do que os trouxas chamam de armas de fogo ou outros tipos de dispositivos mais modernos. – explicou Hermione no tom professoral que todos eles conheciam tão bem, mas os outros cinco prestavam total atenção a garota, com a exceção de Harry que estava sorrindo levemente. – Hoje as artes marciais, além de serem praticadas para o treinamento militar, policial ou de auto-defesa, também são praticadas como esporte.


- O que é pocilial? – perguntou Neville olhando de maneira curiosa para a garota que revirou os olhos antes de responder.


- É policial. São para os trouxas o que os aurores são para nós. – respondeu Hermione em tom calmo enquanto olhava para o garoto.


- Muito bem Hermione. – comentou Harry calmamente antes de voltar seus olhos para os outros. – O termo artes marciais teve origem ocidental e latina, sendo uma referência as artes da guerra e da luta. Sura origem também foi vinculada ao deus da guerra greco-romano Marte. Segundo essa mitologia, as artes marciais seriam artes ensinadas aos humanos pelo Deus Marte. As artes militares ou marciais são todas as práticas utilizadas pelos exércitos no desenvolvimento dos treinamentos militares e habilidades para o uso em guerras, não importando a origem do povo que a criou. É claro que existem livros inteiros relatando a origem mais especificamente dessas artes, por isso se alguém estiver interessado eu posso arranjar os livros, mas aqui vamos ficar apenas com o básico e vamos voltar para as Artes Marciais Mescladas.


- Você sabe lutar isso? – perguntou Gina com a voz curiosa interrompendo o moreno que apenas voltou seus olhos para a ruiva que corou levemente.


- Sim, eu sei. – respondeu Harry permitindo que um sorriso de canto aparecesse em seus lábios. – O MMA é considerado um esporte cujo nome técnico surgiu propriamente das artes marciais. Esse esporte possibilita ao praticante utilizar qualquer golpe ou técnica das mais diferentes artes marciais, tais como o boxe, o jiu-jitsu, o caratê, o judô, muay thay, entre outras artes marciais. Um bom lutador de MMA é aquele que domina boa parte dos principais golpes de uma grande variedade de artes marciais e sabe aplicá-los no momento certo.


- É tipo um vale tudo? – perguntou Hermione lembrando-se de ter visto uma dessas lutas na televisão quando estivera de férias.


- Muito pelo contrário, o principal intuito do MMA é preservar cada vez mais a integridade física dos atletas e praticantes, por isso os praticantes estão sendo cada vez mais bem preparados e ficando mais técnicos. – Harry respondeu calmamente sabendo muito bem que Hermione sempre seria aquela que ficaria com o pé mais atrás. – Acima de tudo, o MMA é um esporte e existe diversas competições envolvendo essa modalidade, mas isso não importa para nós, pois eu irei ensiná-la a vocês, não para que vocês se tornem praticantes, mas porque ela é uma modalidade que envolve todas as outras artes marciais, portanto se vocês por acaso se envolverem em alguma briga com alguém que saiba Judô pro exemplo, poderão muito bem se defender dessa pessoa. Mas antes que eu comece a ensinar vocês essa modalidade, vocês precisam ter um bom condicionamento físico, além de precisar ter uma base de golpes e movimentos das outras artes marciais. O MMA exige um contato físico muito intenso, por isso o risco de lesões são muito grandes.


- Nessas competições, quais são as regras? – perguntou Neville olhando interessado para o moreno, afinal aquela era uma oportunidade de aprender a lutar.


- As principais regras em campeonatos de MMA normalmente são as seguintes: os lutadores precisam usar luvas de dedo aberto que são fornecidas pelo evento. É obrigatório o uso de uma coquilha, que é um acessório para proteção genital. Também é obrigatório o uso de protetor bucal. É permitido o uso de sapatilhas, protetores para os joelhos, protetores para os cotovelos e bandagens para os tornozelos e punhos. Os lutadores também não podem aplicar em sua pele óleo ou vaselina. Mas principalmente é proibido: acertar a região genital do adversário, morder ou enfiar os dedos nos olhos dos adversários durante o combate.


- Quais são os golpes e técnicas que eles usam? – perguntou Hermione interessada, ela tinha um conhecimento razoável sobre artes marciais, mas nunca realmente havia praticado em sua vida e estava um pouco ansiosa para começar.


- Por ser uma verdadeira mistura de todas as artes marciais, não existem golpes e técnicas específicas ou mais utilizadas no MMA, os praticantes literalmente misturam os mais diversos golpes das mais variadas artes marciais como o caratê, o judô, o jiu-jitsu, o muay thai, kickboxing, wrestling, capoeira e muitos outros. – respondeu Harry arqueando a sobrancelha para a amiga. – Mas somente vamos começar quando vocês adquirirem um condicionamento físico melhor, a partir de amanhã vamos começar a aprender alguns golpes, quero que vocês estejam aptos a lutar MMA até o final desse ano letivo. Agora vamos que eu estou morrendo de fome.


Em seguida cada um deles dirigiu-se a um dos vestiários para poderem tomar banho, meia hora depois todos os sete adolescentes haviam saído da sala precisa e haviam se dirigido para o salão principal por vários caminhos diferentes para não chamarem a atenção.


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Harry encaminhou-se por um caminho mais longo que o levou ao salão principal em quase o dobro do tempo em que ele levaria normalmente, quando finalmente chegou ao salão principal o café da manhã já estava servido e encontrou Hermione sentada a mesa da grifinória no salão principal, a garota estava tomando o café da manhã ao lado de Gina.


O moreno sentou-se em silencio ao lado das duas garotas e assim como elas começou a tomar seu próprio café da manhã, servindo um prato mais do que cheio para ele, afinal fazer tantos exercícios como ele vinha fazendo dava muita fome, o moreno também observou que Gina não se fazia de rogada e comia quase tanto quanto o irmão, agora que Harry analisava melhor lembrou-se que a ruiva sempre fora de comer muito bem.


Assim que terminaram de tomar o café da manhã Hermione e Gina questionaram o moreno em voz baixa sobre o que ele e Sirius haviam conversado durante a noite no salão comunal, então Harry apenas sinalizou para que eles saíssem do salão principal e as convidou para darem um passeio pelos jardins, quando estavam isolados e sozinhos, o moreno contou a ambas as garotas tudo o que o padrinho havia dito sobre as suspeitas dele sobre Karkaroff e sobre Voldemort estar por trás daquilo, também falou as duas garotas sobre os dragões que eles teriam de enfrentar durante a primeira tarefa do torneio tribruxo na terça-feira.


Gina e Hermione ficaram chocadas com o que o moreno lhes revelava, a ruiva estava tentando entender o que exatamente Voldemort iria ganhar inscrevendo o moreno no torneio, tudo bem que havia a possibilidade dele acabar se ferindo gravemente, mas havia ainda a possibilidade de Harry vencer o torneio e se tornar ainda mais famoso do que antes, mas ao final as duas garotas acabaram concordando que o principal problema no momento eram os dragões.


- Vamos apenas tentar manter você vivo até a noite de terça-feira. – disse Hermione um pouco aflita enquanto caminhavam pelos terrenos do castelo. – Depois que você tiver passado pela primeira tarefa nós podemos passar a nos preocupar com Karkaroff.


Os três acabaram dando quatro voltas em torno do lago enquanto as garotas pensavam em um bom feitiço que fosse capaz de dominar um dragão, mas nada ocorreu as duas garotas de modo que Hermione acabou sugerindo que eles se recolhessem até a biblioteca para poderem pesquisar, depois de alguns instantes em silêncio Gina e Harry acabaram concordando e seguindo a morena até o andar em que ficava a biblioteca.


Assim que entraram no local eles se dirigiram para as prateleiras em que haviam visto Hagrid pegar alguns livros quando o meio gigante estava tentando chocar o ovo de Norberto quando Harry estava em seu primeiro ano.


Hermione, Gina e Harry pegaram todos os livros que falavam sobre dragões nas prateleiras e os levaram até uma mesa nos fundos que encontrava-se completamente vazia, então os três começaram a pesquisar, embora Harry estivesse ali apenas para passar o tempo, embora ele lesse realmente o que estava escrito sobre aqueles animais, afinal como ele próprio havia dito qualquer informação poderia ser bastante útil, como o fato de que os dragões era criaturas que se baseavam muito em sua visão uma vez que o olfato deles era prejudicado devido as labaredas de fogo que sempre eram expelidas de suas narinas.


- O corte mágico das unhas... O tratamento da podridão de escamas... Esses não servem, isto aqui é para gente louca que nem o Hagrid que quer criar dragões saudáveis. – comentou Gina depois de quase meia hora em que os três estavam folheando os livros a procura de algo útil para o moreno usar contra um dos dragões. – Olhem isso, os dragões são criaturas mágicas com classificação de extremamente perigoso e mortal aos bruxos, sendo impossível sua domesticação. O dragão é provavelmente o animal mágico mais famoso do mundo tanto entre bruxo como entre trouxas, ele encontra-se entre os mais difíceis de serem escondidos, em geral a fêmea é maior e mais agressiva do que o macho, embora ninguém deva se aproximar muito de nenhum dos dois exceto os bruxos com aptidão e treinamento excepcionais. O couro, o sangue, o coração, o fígado e o chifre do dragão possuem grandes propriedades mágicas, mas seus ovos são considerados como Artigos Não Comerciáveis Classe A. existem cerca de dez espécies de dragões registrados, embora saiba que elas ocasionalmente acabam se entrecruzando produzindo alguns raros híbridos.


- Em que livro você está lendo isso? – perguntou Hermione curiosa tentando enxergar por baixo para ver a capa, mas não conseguindo ver.


- Animais Fantásticos e Onde Habitam. – respondeu Gina levantando a capa e mostrando o livro vermelho que eles normalmente utilizavam em sala de aula. – Mas mesmo assim isso não ajuda muito ao que estamos procurando.


- Os dragões são criaturas extremamente difíceis de se matar, graças a magia muito antiga que impregna sua couraça grossa, pois quase nenhum, exceto os feitiços mais poderosos são capazes de penetrar no couro de um dragão. – Hermione retrucou em tom professoral enquanto olhava para a ruiva. – Mas se Sirius disse que um feitiço mais simples funcionaria...


- Podemos tentar alguns livros com feitiços simples então. – disse Harry interrompendo as duas e largando o livro com o titulo “Homens Aficionados por Dragões” em cima da mesa e se levantando para ir até as estantes onde ficavam os livros de feitiços.


Harry voltou para a mesa com vários exemplares de diferentes livros, em seguida os colocou cuidadosamente em cima da mesa ao lado das outras pilhas de livros que ele já havia retirado antes, logo pegou o primeiro e começou a folhear o livro prestando total atenção no que estava escrito e nos feitiços descritos, o moreno apenas dava uma olhada nos nomes dos feitiços, se ele já os conhecia apenas passava para a próxima, caso não tivesse conhecimento dele o moreno lia silenciosamente a explicação do mesmo.


- Bom, tem o Feitiço de Substituição... – exclamou Hermione baixinho murmurando mais para si mesma do que para Harry ou para Gina, a garota parecia bastante entretida consigo própria. – Mas qual seria a vantagem de se substituir um dragão pelo outro? A não ser que a pessoa substitua as presas dele por gengivas ou outra coisa qualquer para torná-las inofensivas. O problema é que como o livro diz muito pouca coisa atravessa o couro de um dragão. Eu poderia dizer para transfigurar o bicho, mas com uma coisa de mais de quinze metros a gente realmente não tem a menor esperança, duvido que até mesmo a Professora McGonagall consiga. A não ser que a pessoa lance o feitiço nela mesma, certo? Talvez dar a si mesmo poderes extraordinários? Mas isso não é um feitiço simples, quero dizer, ainda não estudamos nenhum desses durante as aulas, só sei que existem porque ando fazendo provas simuladas para os NOM’s...


- Hermione, por favor, quer calar a boca. – disse Gina entre dentes não agüentando mais os murmúrios da amiga. – Eu estou tentando me concentrar.


Harry apenas sorriu pelo canto da boca, afinal Hermione jamais mudaria e seria sempre a garota estudiosa, o moreno viu a ruiva massageando a testa e voltando a se concentrar totalmente em um livro que ela tinha a frente.


O moreno olhou para o exemplar de “Azarações Básicas Para os Ocupados e Aflitos” e voltou sua atenção para alguns feitiços mais do que interessantes que haviam no livro, azarações que ele pretendia testar qualquer hora dessas em alguns sonserinos, ou então guardar para sua querida professora Umbridge, que seria uma boa cobaia para o ano que vem, o moreno já estava guardando algumas azarações especialmente para a sapa velha.


- Aqui tem uma azaração para os cabelos, “Escalpos Instantâneos”, deve deixar a pessoa careca. – comentou Gina folheando distraidamente um livro de feitiços e azarações que ela estava olhando. – Mas dragões não possuem cabelos. Temos o “Bafo de Pimenta”, mas isso apenas acabaria aumentando o poder de fogo do dragão. “Língua de Espinhos”, isso é exatamente o que você está precisando Harry, dar ao dragão mais uma arma...


- Ah não, lá vem ele outra vez, por que será que ele não pode ler naquele navio idiota. – exclamou Hermione irritada interrompendo as palavras da ruiva que ergueu os olhos para a amiga e olhou na direção em que Hermione estava olhando furiosamente, o moreno sorriu levemente divertido antes de acompanhar o olhar das garotas e encontrar Vitor Krum entrando com aquele mesmo jeito curvado pelas portas da biblioteca, o jogador de quadribol lançou um olhar levemente carrancudo para o local onde os três estavam acomodados e em seguida ele sentou-se num canto distante logo após ter pego uma pilha de livros. – Vamos Harry, Gina, vamos ir para a sala comunal, o fã clube dele não vai demorar e vão ficar chilreando sem parar.


Hermione levantou-se rapidamente e começou a recolher o pouco de coisas que ela havia trazido para a biblioteca, Harry e Gina trocaram um olhar divertido antes de também se levantarem e pegarem suas próprias coisas, além de alguns livros e dirigirem-se até o balcão onde Madame Pince estava, logo depois que eles registraram os livros que estavam levando, os três se dirigiram para as portas da biblioteca e foi exatamente como Hermione disse, um grupo de garotas passou pelos três nas pontas dos pés, uma delas inclusive estava usando um lenço da Bulgária amarrado a cintura, o que fez Hermione soltar um bufo impaciente.


Os três passaram o restante da manhã sentados nas poltronas do salão comunal a procura de um bom feitiço para que Harry utilizasse contra um dos dragões, embora o moreno estivesse mesmo era procurando feitiços que ele não conhecia naqueles livros, embora fossem muitos poucos os que ele já não dominasse.


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Na segunda-feira de manhã o salão principal estava completamente cheio, as conversas eram cochichadas entre amigos, muitos faziam comentários alegres sobre a tarefa do torneio tribruxo que seria no dia seguinte.


Um grupo de adolescentes encontrava-se levemente avariados, pois naquela manhã Harry havia ensinado alguns golpes mais simples para eles depois de terem terminado as cessões na piscina e nos aparelhos de ginástica, nenhum dos seis adolescentes realmente havia imaginado que seria daquela maneira treinar artes marciais.


Já o moreno de olhos verdes sabia muito bem que aquilo que os amigos haviam sofrido aquela manhã não seria nada se fosse comparar com o treinamento que ele pretendia aplicar muito em breve para eles, pois seria dez vezes mais duro e cansativo, além é claro do treinamento de sobrevivência que ele pretendia aplicar neles.


Novamente Harry encontrava-se isolado no salão principal enquanto estava sentado a mesa da grifinória, Gina estava sentada na mesa da corvinal ao lado de Luna, já Hermione estava sentada ao lado de Rony, a garota vinha se desdobrando em duas para poder dar atenção tanto ao próprio Harry quanto ao ruivo.


Harry terminou de tomar seu café da manhã depois de comer mais uma fatia enorme de bacon com torradas, o moreno estava vigiando disfarçadamente Cedrico durante todo o café da manhã, estava apenas esperando que o garoto se levantasse da mesa da lufa-lufa para poder falar com ele sobre os dragões, afinal mesmo tendo “mudado” um pouco sua personalidade, ainda achava que o cara devia saber sobre os dragões, afinal os outros dois campeões também sabiam devido aos seus diretores, não deixaria um colega no escuro daquela maneira.


- Vamos para a aula de Herbologia? – a voz de Hermione soou ao lado do moreno no exato instante em que Cedrico Diggory levantou-se da mesa da lufa-lufa e começou a se dirigir com alguns amigos para fora do salão principal.


- Mione, vejo você nas estufas. – disse Harry também se levantando e pegando sua mochila. – Vai andando que eu alcanço você...


- Harry, você vai acabar se atrasando, a sineta já vai tocar... – disse Hermione em tom mandão fazendo o moreno revirar os olhos antes de piscar os olhos para a garota.


- Eu alcanço você, Ok Mione? – disse o moreno novamente antes de se afastar da garota e dirigir-se para fora do salão principal.


Quando Harry chegou junto ao pé da enorme escadaria de mármore Cedrico já estava no topo da mesma, o garoto estava acompanhado por um monte de amigos do sexto ano. Como era normal, o moreno não estava nem um pouco a fim de conversar com o garoto na frente dos amigos dele, pois faziam parte daqueles idiotas que viviam citando o artigo de Rita Skeeter em voz alta sempre que o moreno se aproximava muito, os mesmos que ele faria questão de ignorar quando o mundo começasse a explodir por todos os lados.


Harry decidiu que utilizaria o mesmo plano que havia bolado da outra vez e seguiu Cedrico e os amigos dele um pouco a distancia, quando viu o garoto indo em direção a classe de Feitiços o moreno sacou a varinha e apontou cuidadosamente antes de sussurrar.


- Diffindo! – um lampejo transparente disparou da varinha do moreno e desapareceu no ar fazendo com que a mochila de Cedrico se rompesse, diversos pergaminhos, penas e livros se espalharam pelo chão, além de vários tinteiros terem se quebrado.


- Não se preocupem. – disse Cedrico em tom irritado quando os amigos se abaixaram para ajudar o garoto. – Digam a Flitwick que estou chegando, vão indo...


Harry sorriu para si próprio quando os amigos de Cedrico desapareceram na sala de aula e então o moreno adentrou o corredor que agora encontrava-se completamente vazio, com a exceção do próprio Harry e de Cedrico.


- Que falta de sorte. – comentou Harry em tom calmo e baixo atraindo a atenção do garoto para o moreno.


- Oi. – disse Cedrico enquanto apanhava um exemplar de “Um Guia de Transfiguração Avançada”, que estava manchado de tinta preta. – Pois é cara, minha mochila simplesmente se rompeu e ela é nova em folha...


- Eu descobri algo sobre a primeira tarefa, pensei que você talvez estivesse interessado em saber também. – disse Harry enquanto observava o lufa-lufano pegando as penas e as colocando dentro da mochila.


- O que você descobriu? – indagou Cedrico sem nem levantar os olhos enquanto murmurava alguns feitiços de limpeza em sua mochila e seus materiais.


- A primeira tarefa serão dragões. – comentou o moreno de olhos verdes arqueando a sobrancelha ao perceber que Cedrico era péssimo em feitiços domésticos.


- O que? – exclamou Cedrico incrédulo erguendo a cabeça pela primeira e encarando o moreno diretamente nos olhos.


- Dragões, Cedrico. – repetiu Harry olhando firmemente para o colega, sabia que o Professor Flitwick podia sair a qualquer momento para ver onde estava Cedrico. – São quatro dragões, um para cada um de nos, acho que nós teremos que passar por eles. Como os dragões são praticamente impossíveis de serem mortos por um único bruxo, ainda mais adolescentes, acredito que os dragões serão como guardiões e nós vamos ter de pegar alguma coisa que eles possam estar protegendo, embora eu não faça nem idéia do que possa ser.


Cedrico Diggory estava com os olhos completamente arregalados, o moreno pode perceber um pouco de pânico nos olhos cinzentos do colega de escola, mentalmente o moreno também percebera a presença de certo professor próximo de onde os dois estavam, na verdade o moreno vinha sentindo a aproximação do falso Moody desde que havia “voltado”, mas sempre cuidava para passar despercebido pelos olhos do comensal.


- Você tem certeza? – perguntou Cedrico com a voz um pouco abafada pelo pânico que havia se infiltrado no garoto.


- Absoluta. Eu os vi. – respondeu Harry com a voz séria olhando para o garoto. – Eles estão ao norte do castelo, bem ao fundo indo pela orla da floresta proibida.


- Mas como foi que você descobriu? – perguntou Cedrico cada vez mais surpreso com a revelação. – Nós não deveríamos saber...


- Não importa. – Harry falou depressa cortando a frase do garoto, afinal não pretendia revelar nada a Cedrico, pois Hagrid acabaria entrando em apuros se ele dissesse a verdade. – Mas eu não sou o único que sabe sobre eles. Fleur Delacour e Vitor Krum já devem saber a essa hora também, eu vi Madame Máxime e Karkaroff perto dos cercados dos dragões também.


Cedrico levantou-se com os braços cheios de livros, penas e pergaminhos sujos de tinta, a bolsa rasgada mal abrigava um ou outro livro, o feitiço de limpeza que o garoto tentara executar fizera mais estrago do que ajudara. O lufa-lufa observou Harry atentamente com uma expressão intrigada, o moreno viu algo que lembrava desconfiança nos olhos de Cedrico.


- Porque é que você está me contando isso? - perguntou Cedrico e em sua voz havia bastante suspeita, uma dúvida que o moreno entendia perfeitamente.


- Essa pergunta é justa, não é mesmo? – devolveu Harry em um tom levemente irônico enquanto balançava a cabeça em negação. – Acho que não seria justo, não acha? Somente você ficaria sem saber o que iríamos enfrentar amanhã... Acho que nós quatro em pé de igualdade fica melhor. Se apenas eu soubesse sobre os dragões, não sei se contaria a você ou não, mas como Fleur e Krum sabem, só achei que você merecia saber também...


Os dois garotos se encararam por alguns instantes, Cedrico continuava olhando para o moreno com um ar ligeiramente desconfiado, os dois somente desviaram os olhos quando ouviram um conhecido toque-toque as suas costas, quando Harry virou-se se deparou com Olho-Tonto Moody saindo de uma sala bem próxima, o moreno ocultou seu desejo de lançar alguns feitiços bem negros no professor enquanto mantinha uma fachada de preocupação na face.


- Venha comigo Potter. – rosnou o falso professor se aproximando dos dois garotos. – Diggory, pode ir andando.


- Hum... Professor, eu preciso ir sabe, estou atrasado para a aula de Herbologia. – começou o moreno, mas foi interrompido.


- Pode esquecer Potter. – rosnou novamente Alastor Moody enquanto seguia em frente ao moreno. - Na minha sala, por favor...


Harry acompanhou o professor sorrindo internamente, deixaria que aquele comensal da morte pensasse que estava o ajudando e o manipulando, mas no final seria Harry que o apunhalaria e ele não via a hora desse momento chegar. Harry seguiu o professor até o interior da sala de DCAT e em seguida o professor fechou a porta ao passarem, em seguida o comensal voltou-se para encarar Harry diretamente, o olho mágico fixo nele ao mesmo tempo em que o olho normal, os dois estavam concentrados diretamente em Harry.


- O que você fez acabou de fazer foi algo muito decente, Potter. – disse Alastro Moody em tom baixo, o moreno não estava muito a fim de responder e por isso se manteve em silêncio enquanto adotava uma fachada de espanto. – Sente-se.


Harry sentou-se rapidamente em um banco em frente de onde Moody estava, o moreno olhou com reconhecimento para todos os lados da sala, ele havia visitado aquela sala na época dos dois últimos professores. Lembrou-se que na sala do Professor Lockhart, as paredes eram cobertas de fotos em que o professor sorria e piscava um dos olhos. Quando Lupin a estivera ocupando, era mais provável os estudantes se depararem com um espécime fascinante de alguma criatura das trevas que ele arranjara em algum lugar para os estudantes estudarem durante as aulas.


Mas agora a sala encontrava-se apinhada com um número excepcional de objetos estranhos que o moreno sabia que o verdadeiro Moody utilizara na época em que ainda era um auror renomado. Sobre a escrivaninha havia algo que parecia um grande pião de vidro rachado, o moreno reconheceu imediatamente o bisbilhoscópio, porque ele próprio tinha um em seu malão mesmo que o seu fosse menor do que o de Moody, embora ele não precisasse mais desses tipos de objetos para rastrear seus inimigos.


Em um canto da sala em cima de uma mesinha havia um objeto que lembrava muito uma antena dourada de televisão e que não parava de girar, o objeto zumbia levemente. Havia algo que lembrava muito um enorme espelho pendurado na parede oposta de onde o moreno havia se sentado, mas não refletia a sala. Vários vultos escuros se moviam pela superfície, mas nenhum dele estava realmente em foco.


- Gostou dos meus detectores de presença das trevas, Potter? – perguntou Moody que estivera observando as ações do moreno atentamente, Harry havia percebido isso e decidira encenar e agir exatamente como fizera da outra vez.


- O que é aquilo? – perguntou Harry distraidamente enquanto apontava para a antena dourada que parecia uma televisão.


- Sensor de segredos. Ela vibra quando detecta alguma coisa oculta ou falsa. Não funciona muito bem aqui, é claro, há interferências mágicas demais, estudantes para todos os lados mentindo para justificar porque não fizeram os deveres. Está zumbindo aqui desde que eu cheguei. Precisei desligar meu bisbilhoscópio porque ele não parava de apitar. É extra-sensível, capta qualquer coisa num raio de um quilometro e meio. Naturalmente poderia estar captando mais do que mentiras infantis... – acrescentou Moody em um pequeno rosnado.


- E para que serve o espelho? – perguntou Harry ocultando qualquer emoção que pudesse denunciar que ele sabia muito bem os verdadeiros motivos dos aparelhos estarem funcionando de maneira equivocada, sabia muito bem que os detectores estavam mais do que sendo eficientes, pois eles apontavam para as falsidades do próprio professor.


- Ah, esse é meu Espelho de Inimigos. Você pode ver eles ali, rondando a superfície do espelho? Não estou realmente em perigo até que possa enxergar o branco dos olhos deles, então é aí que eu abro o meu baú...


Ele soltou uma sonora gargalhada enquanto apontava para um grande baú que estava embaixo de uma janela, o baú tinha sete fechaduras alinhadas e o moreno ficou fervendo por dentro de vontade de libertar o verdadeiro Moody dali de dentro, mas se segurou, pois ainda não era a hora para isso acontecer.


- Então Potter... Você acabou descobrindo sobre os dragões, não é mesmo? – perguntou Moody em tom rascante enquanto encarava seriamente o moreno. Quando Harry ficou em silêncio mostrando que não falaria como descobriu Moody deixou um esgar de sorriso escapar para seu rosto antes de falar novamente. – Tudo bem garoto. – disse Moody sentando-se em um banco próximo ao moreno e em seguida esticando a perna de pau com um pequeno gemido. - Tradicionalmente trapacear sempre fez parte do Torneio Tribruxo...


- Eu não trapaceei. – retrucou Harry em tom calmo e deixando uma expressão levemente preocupada escapar em sua face. – Foi... Acabei descobrindo os dragões meio que por acaso enquanto eu fazia um passeio pelos jardins...


- Eu não estou lhe acusando, menino. – interrompeu Moody sorrindo. – Eu venho dizendo a Dumbledore desde o começo que ele pode ter quantos princípios elevados ele quiser, mas pode apostar que o velho Karkaroff e Máxime não os terão nem um pouco. Ele com certeza devem ter dito a seus campeões tudo o que puderem para ajudar eles, pois eles querem vencer. Querem ganhar, entende. Eles querem vencer Dumbledore. Gostariam de provar para todos que ele é apenas um humano como todos nós... – Moody fez uma pausa enquanto dava uma risadinha asmática e seu olho mágico girava de maneira tão rápida que Harry sabia que se o encarasse iria sentir seu estomago girar. – Então Potter, já tem alguma idéia de como vai conseguir passar pelo seu dragão?


- Acho que sim, professor. – respondeu Harry em tom de respeito enquanto encarava o falso Moody com as sobrancelhas arqueadas.


- Eu fico muito contente em ouvir isso, Potter. Porque eu não iria lhe dizer como fazer. – disse o professor com rispidez. – Eu não demonstro favoritismo para ninguém, mas eu posso lhe dar alguns conselhos de ordem geral. O primeiro, você deveria explorar mais seus pontos mais fortes, onde você leva vantagem sobre os outros...


- Não tenho pontos fortes. – retrucou Harry apenas para ver a expressão do comensal da morte a sua frente se alterar.


- Perdão Potter... - rosnou Moodyb em tom ameaçador. –... Mas se eu estou dizendo que você tem pontos fortes é porque os tem. Porque você não pensa um pouco... o que é que você sabe fazer de melhor?


- Sou o melhor no quadribol. – disse Harry com firmeza e sem precisar pensar muito a respeito. – Sou o melhor piloto dessa escola...


- Muito bom Potter, vejo que herdou o orgulho de seu pai. – retrucou Moody olhando com severidade para o moreno de olhos verdes. – Você não pode levar uma vassoura Potter, mas pode levar sua varinha... agora meu segundo conselho de ordem geral é usar um bom e simples feitiço que lhe permita conseguir o que você precisa.


- Já entendi, professor. – disse Harry levantando-se rapidamente do banco e fingiu um olhar agradecido para Moody. – Obrigado.


- Vá moleque. – sussurrou Moody enquanto Harry saía porta a fora da sala de DCAT e se encaminhava para a aula de Herbologia.


Quando finalmente chegou as estufas número três alguns minutos depois de ter saído da sala do Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas a aula já decorria pela metade, o moreno balbuciou uma desculpa para a Professora Sprout que apenas resmungou e descontou dez pontos da grifinória pelo atraso do moreno antes de permitir a entrada dele na sala de aula, assim que entrou Harry dirigiu-se diretamente para a mesa em que Hermione estava dividindo com Rony e sentou-se ao lado esquerdo da garota.


- Onde você estava? – resmungou Hermione olhando de maneira repreensiva para o moreno de olhos verdes.


- Digamos que acabei encontrando o Professor Moody pelo caminho e ele me segurou na sala dele por alguns minutos. – respondeu Harry em tom neutro enquanto olhava o que os outros estudantes estavam fazendo, todos eles estavam por cima de um tipo agitado de arbusto tremeluzente que estavam podando.


- E o que ele queria com você? – perguntou Hermione em voz baixa e estalando de curiosidade, os olhos da menina estavam arregalados de ansiedade, o que fez o moreno rir suavemente, mas Harry detectou o corpo tenso de Rony ao lado direito de Hermione, o moreno sabia que ele certamente estava ouvindo a conversa.


- Me dar alguns conselhos de ordem geral para a primeira tarefa amanhã. – respondeu Harry em tom neutro, mas deixando transparecer um tom levemente preocupado. – Parece que ele não quer que eu morra tão cedo.


A afirmação do moreno havia sido levemente sarcástica, mas nem Hermione e nem mesmo Rony perceberam os significados ocultos que haviam naquela pequena frase, por fim o moreno apenas deu de ombros enquanto começava a fazer os exercícios.


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Depois do almoço Harry seguiu sozinho para a aula de Adivinhação enquanto Hermione seguia para sua aula de Aritmancia e Gina para a aula de poções, nem mesmo sabendo o que o esperava naquelas aulas o moreno acabava se acostumando com elas.


Assim que terminou de subir as escadas e adentrou a sala de aula suspirou, aquela continuava sendo a sala mais esquisita que ele já vira em sua vida e olha que ele vira muitas salas diferentes. Embora aquilo nem mesmo parecesse uma sala de aula verdadeira, parecia mais aquelas lojas trouxas onde se liam a sorte, ou melhor dizendo, um cruzamento de sótão com um salão de chá bem antigo. Cerca de vinte mesinhas circulares estavam espalhadas ao redor da sala, todas elas rodeadas por cadeiras forradas de chintz e pequenos pufes estufados.


O ambiente era iluminado por uma fraca luz avermelhada que vinha do teto, as cortinas das janelas estavam fechadas e os vários abajures, cobertos com xales vermelho-escuros. O calor sufocava qualquer um e a lareira estava acesa embaixo de um console cheio de objetos esquisitos de onde desprendia um cheiro de perfume denso que era enjoativo e doce ao mesmo tempo, uma grande chaleira de cobre estava sendo aquecida pelo fogo. As prateleiras em torno das paredes circulares estavam cheias de penas empoeiradas, tocos de vela, baralhos de cartas em tiras, incontáveis bolas de cristal e uma imensa coleção de xícaras de chá, que o moreno conhecia muito bem e que ao mesmo tempo não tinha boas recordações.


Harry foi um dos primeiros estudantes a adentrar pela sala e se acomodar em uma das mesinhas, logo os outros estudantes começaram a chegar e o moreno percebeu a entrada de Rony junto de Neville e dos outros colegas de dormitório, os quatro sentaram-se próximos ao moreno de olhos verdes, sendo que Neville sentou-se ao lado de Harry.


- Boa tarde, meus queridos. – a voz etérea e suave da Professora Trelawney saiu das sombras como  um sussurro.


Quando o moreno a viu novamente teve a mesma impressão de quando a vira pela primeira vez em sua vida, pois ela parecia um inseto enorme e cintilante, a professora era bastante magra e usava óculos imensos que aumentavam os olhos dela varias vezes, ela vestia o mesmo xale diáfano salpicado de lantejoulas. No pescoço ela usava inúmeras correntes e colares de contas, enquanto em seus braços estavam cobertos de pulseiras e anéis.


- Muito bem meus queridos, como vocês devem ter percebido hoje trabalharemos com as bolas de cristais, vamos interpretar o futuro através delas... – disse Trelawney com a voz etérea enquanto olhava para o moreno de olhos verdes com intensidade, Harry devolveu o olhar da professora com uma clara indiferença. – Vocês estão sentados em duplas, por isso cada um irá ler o seu futuro e depois passar a bola de cristal para o companheiro de mesa... Andem, podem começar.


Harry apenas sorriu distraidamente enquanto via a maneira como Neville empurrava a bola de cristal em sua direção, o moreno apenas balançou a cabeça antes de resolver se concentrar na tal bola de cristal, afinal pelo menos ele mataria um pouco o tempo, mas por mais que se concentrasse não conseguia visualizar nada, mas depois de alguns instantes o moreno percebeu a aproximação da professora.


- Oh querido. Eu sinto tanto, você deve estar vendo coisas terríveis em sua bola de cristal, não é mesmo? – a voz de Sibila soou realmente preocupada enquanto o olhava e o moreno apenas arqueou uma sobrancelha antes de precisar refrear um sorriso sarcástico quando levantou o rosto para olhar sua professora de adivinhação.


- Sim professora, estou vendo... – murmurou Harry enquanto voltava sua atenção para a bola de cristal para poder esconder o sorriso que tinha subitamente aflorado nos lábios do moreno, mas ele não havia sido rápido o bastante para que os colegas ao lado dele não vissem, o que incluía Rony que estava em uma mesa ao lado direito do moreno. – Estou vendo uma morte horripilante para mim professora... a bola de cristal está me dizendo que este ano eu vou ter uma morte pior do que aquela que eu tive no ano passado...


- Mas Senhor Potter... – Sibila Trelawney disse aparentando espanto na face, assim como todos os outros estudantes exceto aqueles que haviam visto o sorriso no rosto de Harry. – O Senhor ainda não morreu.


- Não estou morto, professora? – o moreno devolveu a pergunta fazendo uma cara de espanto digna de um Oscar da televisão, a cara de espanto do moreno foi tão engraçada que Neville e os outros três colegas de dormitório começaram a rir imediatamente, embora Rony estivesse fazendo um esforço enorme para se conter. – Mas como isso é possível? Eu achei que depois de todas aquelas terríveis previsões que a senhora fez para mim ano passado, eu já estaria morto a uma hora dessas... Mas ainda bem que eu não morri, não é mesmo?


A sala inteira começou a rir, inclusive Parvati e Lilá que eram sempre as defensoras da professora de adivinhação não conseguiram se segurar e deram risadinhas embora as estivessem escondendo com as mãos, até mesmo os corvinais estavam rindo a valer e ultimamente a maioria deles havia sido muito fria como o moreno.


A professora se afastou de Harry como se ele houvesse a ofendido tremendamente, mas logo ela voltava a falar com os estudantes normalmente como se não houvessem acabado de desafiar suas habilidades verbalmente por um dos alunos.


Durante o restante da aula a professora não se aproximou mais de Harry e ficou passeando entre os outros alunos enquanto ficava perguntando o que cada um deles estava vendo em suas bolas de cristais até que o sinal indicando o final da aula soou e todos os estudantes seguiram para as ultimas aulas daquele dia.


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Naquela noite Harry, Hermione e Gina se reuniram em um canto do salão comunal da grifinória e o moreno contou exatamente o que o professor de DCAT havia lhe dito, contou a elas também que ele havia informado Cedrico sobre a primeira tarefa e o que eles enfrentariam, esse ato rendeu alguns pequenos elogios da parte das garotas.


Harry lembrava-se muito bem da dificuldade que tivera para conseguir realizar um feitiço convocatório perfeito da primeira vez em que fora escolhido para o torneio. Ele e Hermione haviam ficado horas seguidas treinando, nem mesmo haviam almoçado na segunda feira enquanto o moreno tentava fazer os objetos virem até ele.


- É verdade o que você fez na aula de adivinhação, Harry? – perguntou Gina depois que o moreno terminou de contar para elas sobre o que Moody havia conversado com ele, além do que ele fizera ao avisar Cedrico sobre os dragões.


- Depende, o que estão dizendo pó aí? – retrucou Harry olhando com curiosidade para a ruiva, sabia muito bem o que os colegas de escola estavam dizendo.


- Estão dizendo que você ficou louco e enfrentou a professora de adivinhação, estão comentando que você falou algumas coisas esquisitas para ela. – Gina disse pensando nos boatos que estavam correndo pelo castelo.


- Na verdade, eu só tirei uma com a cara da Trelawney, já estava cansado dela ficar prevendo minha morte. – resmungou Harry e começou a contar para as duas garotas o que havia acontecido na aula de adivinhação.


- É assim que se faz. – disse Gina gargalhando gostosamente depois que o moreno terminou o relato, nem mesmo Hermione conseguiu se segurar depois dessa e começou a rir também, embora tenha sido um pouco mais comedida do que a ruiva.


- Bem, mas voltando ao que é mais importante, você já sabe o que vai fazer amanhã? – perguntou Hermione parando de rir e utilizando seu tom prático.


- Vou precisar de minha Firebolt, mas eu só posso levar minha varinha, portanto preciso de um feitiço simples para atrair a vassoura até mim. – disse Harry baixinho como se realmente estivesse pensando naquilo, a varinha estava na mão direita do moreno e ele a estava girando distraidamente e em seguida a apontou rapidamente para o centro do salão comunal onde haviam livros em cima das mesas. – Accio Livro de Feitiços.


O pesado livro de feitiços que estava em cima de uma mesa do outro lado do salão comunal disparou através da sala e o moreno o apanhou com a mão esquerda.


- Muito bom, Harry, você pegou mesmo o jeito desse feitiço. – exclamou Hermione olhando encantada para o amigo.


- Desde que funcione amanhã. – disse Harry em tom neutro. – A minha Firebolt vai estar muito mais longe do que esse livro, vai estar aqui dentro do castelo e eu vou estar lá fora na arena que foi montada nos jardins.


- Não faz diferença, Harry. – disse Hermione com firmeza na voz. – Desde que você se concentre para valer, realmente de verdade, a sua vassoura vai chegar lá.


- Tudo bem, mas acho que agora eu vou ir dormir um pouco. – disse Harry inclinando-se levemente e beijando as duas garotas na bochecha antes de se levantar e se espreguiçar rapidamente. – Boa noite Mione, Gina.


- Boa noite, Harry. – responderam as duas garotas em uníssono, mas Gina tinha os olhos levemente vidrados e tinha erguido uma das mãos até o local onde ele a havia beijado, o primeiro beijo que recebia de Harry Potter.


As duas garotas ficaram observando o moreno de olhos verdes desaparecer pelas escadas que davam acesso ao dormitório masculino, mas os olhares de todos os grifinórios estavam completamente centrados na figura de Hermione, o que fez a morena corar levemente enquanto voltava os olhos para a amiga.


- Esse maldito artigo... – grunhiu Hermione em voz baixa, afinal dois dias antes Rita Skeeter havia soltado mais uma das suas insinuando nas entrelinhas que havia algo oculto acontecendo entre Harry Potter e Hermione Granger.


- Porque nós duas não vamos lá falar com o Rony? – indagou Gina ignorando o comentário que a amiga havia resmungado.


- É, vamos. – concordou Hermione olhando para o outro lado do salão comunal onde Rony Weasley estava sentado em uma das mesas e escrevendo febrilmente em um pergaminho, provavelmente uma lição de casa de última hora.


Elas se levantaram e se dirigiram para o outro lado do salão comunal, quando chegaram próximas ao ruivo puderam ver que realmente se tratava de lição de casa, Gina simplesmente arrancou o pergaminho da frente do irmão enquanto ela e Hermione sentavam-se bem em frente ao garoto que olhou para ambas.


- Gina! – Rony rosnou em direção a irmã com um olhar nada amistoso, o que fez a garota revirar os olhos de maneira entediada. – Preciso terminar isso.


- Isso aqui você termina depois, primeiro você precisa parar de ser tão idiota. – Gina disse em tom firme.


- Cai fora. – resmungou Rony enquanto se acomodava melhor na cadeira em que estava sentado. – Não fui eu quem mentiu para o seu melhor amigo. – a voz do ruivo era levemente resmungona e em seguida o garoto apontou para si próprio. – Eu sou o honesto.


- Você realmente acha que o Harry colocou o nome dele no Cálice de Fogo? – a ruiva perguntou em um tom de voz levemente perigoso enquanto olhava para o irmão, Hermione mantinha-se em silêncio, afinal ela era amiga dos dois garotos e acabava ficando no fogo cruzado, principalmente precisando se desdobrar para passar algum tempo com ambos.


- Mas é claro que sim! - respondeu Rony com a voz levemente exaltada, embora não alta o suficiente para que os outros grifinórios pudessem ouvir. – É ele quem está sempre querendo se mostrar para os outros.


- Querendo se mostrar? – perguntou Gina no que era mais um silvo baixo e letal, a ruiva não podia acreditar que o irmão poderia ser tão idiota.


- O Potter não se importa com as regras. – Rony disse com convicção na voz enquanto encarava a irmã nos olhos. – Era ele quem tinha de salvar a pedra filosofal, era ele quem precisava encontrar a Câmara Secreta e era também ele quem tinha que procurar por Sirius Black...


- Isso foi diferente, Ronald... – disse Gina em tom cansado enquanto encarava o irmão nos olhos, nos momentos seguintes a ruiva passou um verdadeiro sermão no irmão que apenas a encarava. A ruiva explicou pausadamente que o moreno de olhos verdes tinha feito tudo aquilo apenas para ajudar as outras pessoas, inclusive ela própria, que o que ele fez não foi pensando na fama que isso poderia trazer para ele.


Gina estava tentando mostrar para o irmão que Harry jamais iria colocar seu nome no Cálice de Fogo, pois isso seria um ato extremamente egoísta e seria somente para o ganho pessoal do moreno, uma ação completamente descaracterizada depois de tudo o que ele já havia feito pelos outros. Afinal de contas, Harry havia recuperado a pedra filosofal para impedir que Voldemort ressurgisse e não porque ele a queria para si próprio. Ele havia procurado a Câmara Secreta e entrado nela para salvar a própria irmã do melhor amigo e ele havia arriscado muito quando salvou Sirius dos dementadores e das garras do Ministério da Magia...


- Como é que você sabe sobre isso? – perguntou Rony demonstrando pela primeira vez outra emoção que não fosse a carranca.


- Isso não importa Ronald. – retrucou Gina acidamente não querendo revelar para ninguém que o moreno de olhos verdes havia lhe contado muita coisa. – O que realmente importa é que você está completamente errado desta vez...


- É óbvio que você iria ficar do lado do Potter. – rosnou Rony interrompendo a frase da ruiva. – Você gosta dele desde que o viu pela primeira vez...


- Ronald Billius Weasley! – Gina gritou ficando repentinamente em pé enquanto seu rosto tingia-se de vermelho escarlate, nesse momento todos os alunos que ainda se encontravam no salão comunal se viraram para ver o motivo do berro da ruiva. – Como você ousa me acusar de...


Gina não conseguiu terminar a frase e apenas lançou o olhar mais irritado que ela já havia dado a alguém e caminhou em direção as escadas que levariam para o dormitório feminino, a ruiva estava completamente enraivecida e as bochechas estavam mais avermelhadas que o próprio cabelo dela, ainda não podia acreditar que seu próprio irmão podia acreditar que ela estava ao lado de Harry somente porque ela era apaixonada pelo moreno de olhos verdes. Isso era uma coisa extremamente idiota. Seu irmão era mesmo uma anta quadrada, um verdadeiro estúpido, mentalmente a ruiva xingou o irmão com alguns nomes ainda piores do que esses.


Mal a ruiva entrou em seu dormitório e percebeu que a amiga a havia seguido logo depois que ela havia deixado Rony e ela no salão comunal, Gina encaminhou-se até sua cama no dormitório e sentou-se soltando um suspiro exasperado.


- Rony é impossível. – Disse a ruiva no momento em que Hermione se acomodou ao lado da ruiva, as duas aparentavam cansaço.


- O Harry também não é muito melhor. – Hermione disse com um tom exasperado enquanto as duas se encaravam. – Nós duas sabemos que o Rony não acredita realmente no que está falando. Ele somente está com ciúmes.


- Odeio ver os dois tão bravos e brigados um com o outro. – Gina disse suspirando em tom de lamento, a ruiva sabia muito bem que o irmão estava morrendo de ciúmes do moreno, afinal Harry era o bruxo mais conhecido do mundo bruxo e o problema era que Rony era o melhor amigo dele. – Mais cedo ou mais tarde o meu irmão vai cair na real, afinal vocês três estarão sempre juntos, a amizade é mais forte do que qualquer outra coisa...


- Não sei não Gina, o Harry mudou muito depois que inscreveram o nome dele no torneio. – comentou Hermione em um tom levemente vago e preocupado.


- Ele somente amadureceu Hermione, o Harry percebeu que alguém quer realmente a morte dele e está tentando agir da melhor maneira possível. – disse a ruiva em tom vago não querendo compartilhar nada do que o moreno havia lhe dito.


- Não quero perder a amizade de nenhum dos dois, isso significa muito para mim. – Hermione comentou.


- Já descobriu o que sente pelo meu querido irmãozinho, Hermione? – perguntou Gina tentando mudar de assunto, pois a briga entre os dois amigos era um pouco deprimente demais para que elas discutissem.


- Ah... – disse Hermione olhando distraída para a janela e para a noite que se erguia imponente do lado de fora. – Ainda não sei como me sinto.


- E essas suas dúvidas não teriam nada a ver com... – nesse momento Gina sorriu zombeteiramente e apontou um exemplar do Profeta Diário que estava em cima da mesa de cabeceira de uma das colegas da ruiva, por coincidência a reportagem de capa era sobre o possível romance existente entre Harry Potter e Hermione Granger. -... Seu suposto amor por Harry Potter?


- Sinto muito mesmo Gina. – disse Hermione olhando com desgosto para o exemplar do jornal. – Rita Skeeter é realmente uma mulher mesquinha e estúpida. Por favor, me diz que você não acredita realmente que eu e...


- É claro que não Hermione. – disse Gina cortando a frase da amiga. – Eu sei que você jamais faria uma coisa dessas sabendo o que eu sinto pelo Harry. As duas garotas ficaram em completo silêncio por alguns minutos, então Gina resolveu abordar um assunto seguro. – Como você acha que os outros campeões vão se sair?


- Bem... – hesitou Hermione ficando pensativa por alguns instantes antes de dizer. – Krum vem estudando muito na biblioteca, o que quer dizer que ele provavelmente tem alguma espécie de plano ou então estaria perdendo muito tempo. Segundo o que dizem, o Cedrico é um dos melhores alunos em Transfiguração, mas não sei realmente o que ele poderia fazer que o ajudaria a passar pelo dragão, já a Fleur, na verdade não sei nada sobre ela, apenas acho que aquela fachada de delicadeza não passa disso.


- Espero que o Harry se de bem amanhã. – comentou Gina depois de alguns segundos pensando na resposta da amiga.


- Ele vai ficar bem, Gina. – disse Hermione com a voz suave e então encarou a ruiva com mais intensidade. – Mas me conta como está sendo essa súbita aproximação entre vocês dois, de verdade não esperava uma atitude dessa do Harry tão cedo, afinal até poucos dias antes da escolha dos campeões ele vivia olhando para a Cho.


- Eu fiquei tão surpresa quanto você, Hermione. – disse Gina olhando meio que sem realmente ver para as cortinas ao redor da cama. – Não sei o que o motivou a se aproximar de mim, somente espero que não seja um sonho e que ele não se arrependa.


- O Harry não se arrepende das decisões que toma Gina. – disse Hermione em tom baixo. – Seja o que for que tenha acontecido com ele, posso garantir a você que eu vi sentimentos muito profundos dentro dos olhos dele, ele realmente gosta de você.


- Eu sei. – disse Gina com um suspiro antes de se levantar da cama. – Acho que eu vou tomar um banho e dormir também, quero acordar bem cedo amanhã.


- Eu também. – concordou Hermione esse levantou, logo as duas se despediram e a morena dirigiu-se a seu próprio dormitório.


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A terça-feira amanheceu ensolarada e a atmosfera dentro da escola era de grande tensão e ao mesmo tempo excitação, afinal aquele era o dia em que aconteceria a primeira tarefa do torneio tribruxo, algo pelo qual os estudantes vinham ansiando fervorosamente.


- Você não está nervoso, Harry? – perguntou Neville no momento em que eles saíam do interior da sala precisa depois de mais uma manhã de treinamento, naquele dia Harry havia começado a ensinar alguns golpes mais básicos do caratê, que era uma das artes marciais mais fáceis para iniciantes aprenderem, afinal eles iriam precisar de uma boa base antes de iniciarem o MMA.


- Um pouco, Neville. – respondeu Harry sinceramente enquanto viravam um corredor a esquerda, estavam apenas os dois juntos naquele momento, os outros haviam seguido pelo outro caminho e depois ainda se dividiriam, afinal eles não poderiam chegar todos juntos ao salão principal ou seria muito suspeito.


Os avisos já haviam percorrido a escola no dia anterior, os estudantes iriam ter aulas no período da manhã, mas as aulas seriam interrompidas ao meio-dia, portanto logo depois do almoço os alunos iriam descer para o local que fora montado especialmente para a primeira tarefa do torneio, embora nenhum deles soubesse o que iria encontrar no local.


As aulas da manhã passaram voando aos olhos de todos, Harry assistira uma aula de transfiguração e outra de feitiços, em ambas as aulas o moreno ficara completamente entediado. Nos corredores muitos alunos desejavam boa sorte ao moreno, os mesmos que o haviam vaiado em dado momento, mas também havia os sonserinos que certamente não o iriam aplaudir.


- Vamos levar uma caixa de lenços de papel, Potter. – disse um garoto da lufa-lufa quando Harry saiu da sala do professor de feitiços. – Vou precisar secar os olhos quando começar a chorar por causa de sua morte...


- Você deve ser bem estranho já que vai chorar a morte de um homem. – retrucara o moreno em tom frio e sarcástico arrancando algumas risadas dos próprios amigos do garoto que havia tentado ofendê-lo.


O período da manhã fora mais ou menos dessa maneira, com o moreno sendo provocado e devolvendo as provocações com respostas sarcásticas, mas também com alguns alunos lhe desejando boa sorte, entre esses a maioria eram dos alunos de sua própria casa.


Ao meio-dia o moreno estava ao lado de Hermione e Gina, os três estavam almoçando calmamente enquanto as duas garotas diziam que tudo daria certo, Harry apenas balançava a cabeça em assentimento, mas naquele momento a Professora Minerva McGonagall entrou pelo salão principal e se dirigiu diretamente para onde o moreno estava sentado com as duas garotas, a professora foi seguida pelos olhares de todos os estudantes.


- Potter, os campeões precisam descer para os jardins agora. – disse a professora. – Você tem de se preparar para a primeira tarefa.


- Tudo bem, professora. – disse Harry enquanto mordia mais um pedaço de carne antes de se levantar. – Até mais Gina. Vejo você depois Hermione.


- Boa sorte, Harry. – disse Hermione em um sussurro baixo olhando para o amigo. – Eu tenho certeza que você vai se sair bem!


- Ah, eu vou sim. – replicou Harry exibindo um pequeno sorriso para as duas garotas, em seguida o moreno inclinou-se e sussurrou apenas para que Gina pudesse ouvir. – Não se preocupe ruiva, tudo vai dar certo, você vai ver.


Harry deixou o salão principal seguindo a professora de transfiguração, naquele momento a Professora Minerva não parecia muito com a usual mulher que ele estava acostumado em ver nas aulas, lembrou-se da expressão de Hermione e Gina, as duas garotas pareciam mais do que ansiosas quando as deixara na mesa da grifinória. Enquanto passavam pelos degraus de pedra e saíam para a tarde ensolarada de novembro, Minerva McGonagall colocou uma das mãos no ombro de Harry, aquele era um gesto raro em se tratando da professora.


- Ouça Harry, você não precisa entrar em pânico. – disse Minerva com firmeza como se estivesse tentando acalmá-lo. – Você só precisa manter a cabeça fria. Nós teremos bruxos especializados a mão para resolver a situação para caso ela se descontrolar. O principal é você fazer o melhor que puder e ninguém vai pensar mal de você por causa disso, portanto não precisa se desesperar lá dentro. Você está bem?


- Estou professora. – disse Harry olhando para uma das pessoas que ele mais admirava, mesmo ela sendo uma apoiadora ferrenha de Dumbledore. – Estou muito bem.


Eles continuaram o restante do caminho em completo silêncio, McGonagall conduzia o moreno pelo já familiar caminho ao moreno, exatamente para o local onde ficava a clareira onde estavam os quatro dragões, próximo a margem da Floresta Proibida, mas quando eles se aproximaram do arvoredo por trás do qual o cercado deveria estar claramente visível, o moreno viu a barraca que os organizadores do torneio haviam armado, a entrada estava voltada para quem chegava impedindo a visão da clareira onde estavam os dragões.


- Você deve entrar aí, os outros campeões já estão aí dentro. – disse a Professora McGonagall, a voz da bruxa estava um pouco tremula o que fez o moreno suspirar levemente. – somente precisa esperar sua vez, Potter. O Sr. Bagman está aí dentro também. Ele vai lhe dizer como... Bem, proceder. Boa sorte, Harry.


- Obrigado Professora. – disse Harry em tom baixo enquanto encarava a bruxa, quando McGonagall virou de costas e começou a se afastar o moreno disse. – Professora?


- Sim, Potter? – perguntou McGonagall voltando-se para o garoto, Harry pode ver a emoção brilhando nos olhos sérios dela, mas não comentou.


- Eu não sei quem colocou meu nome no Cálice de Fogo, professora. – começou Harry em tom sério e determinado, McGonagall apenas concordou com a cabeça, afinal conhecia o menino muito bem. – Mas quem quer que tenha feito isso, cometeu um grave erro, porque eu não vou morrer durante o torneio... Prometo a senhora que vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ganhar o Torneio Tribruxo e trazer essa honra para Hogwarts, mas principalmente agora eu quero ganhar para que possamos dizer que foi um grifinório que ganhou o torneio...


- Boa sorte Potter. – disse McGonagall exibindo um pequeno sorriso pelos lábios franzidos, em seguida ela virou novamente e partiu.


O moreno então voltou seus olhos para a barraca e em seguida afastou a cortina e adentrou encontrando todos os outros três campeões já ali dentro.


Harry viu imediatamente Vitor Krum parecendo ainda mais carrancudo do que o normal, o que Harry sabia ser a maneira em que ele trabalhava seu próprio nervosismo. Fleur Delacour estava acomodada em um canto da barraca sentada em um baquinho baixo de madeira, ela não estava parecendo nem de longe a garota habitualmente composta e orgulhosa, naquele momento a meio veela parecia muito pálida e suada. Já Cedrico andava de um lado para o outro e quando o moreno adentrou a barraca o lufa-lufano lançou ao moreno um sorriso meio tenso e breve, Harry apenas retribuiu com um sorriso meia boca, dissimulando um pouco de nervosismo.


- Harry. Que bom que você chegou. – exclamou Ludo Bagman alegremente enquanto se virava para olhar o garoto, Harry sabia muito bem o motivo dele estar sendo mais simpático com ele do que com os outros, afinal havia apostado todo o dinheiro que tinha com os duendes que o moreno iria vencer o torneio.


Ludo Bagman estava vestido com as antigas vestes do Wasp, algo que encontrava-se completamente deslocado e fora de lugar entre os quatro campeões pálidos e nervosos, realmente não combinava nem um pouco.


- Muito bom, agora que estamos todos aqui, vou dar a vocês algumas informações mais detalhadas! – disse Bagman mais animado do que qualquer um dos quatro realmente queria que ele estivesse. – Quando os espectadores acabarem de chegar, vou oferecer a cada um de vocês este pequeno saco. – ele explicou ele mostrando um saquinho de seda púrpura e o sacudiu em frente aos quatro campeões. – Desse saquinho vocês irão retirar uma miniatura da coisa que terão de enfrentar! São diferentes... Bem, hum... As variedade, entendem. Eu preciso dizer mais alguma coisa... Ah sim, a tarefa de vocês será apanhar o ovo de ouro.


Um pouco diferente dos outros campeões, o moreno não estava realmente nervoso com a prova que teria de enfrentar, até porque se ele fosse utilizar seus poderes e seus conhecimentos reais poderia muito bem matar o dragão rapidamente, mas como não queria se expor tão cedo aos olhos dos bruxos e principalmente, aos olhos de Dumbledore, o moreno sabia que precisaria continuar atuando com seus poderes limitados aos conhecimentos escolares.


Enquanto pensava o moreno observou os outros três campeões, Cedrico tinha acabado de acenar com a cabeça indicando que havia compreendido as palavras de Bagman, em seguida o garoto voltou a andar pela barraca como se daquela maneira ele pudesse fazer com que enfrentar o dragão ficasse mais fácil, o rosto do garoto da lufa-lufa parecia literalmente esverdeado. Já Fleur e Krum nem mesmo reagiram as palavras de Ludo Bagman.


Alguns segundos depois o som de passos ecoando do lado de fora da barraca chamou a atenção dos campeões, eles podiam ouvir as vozes excitadas dos donos delas, muitos davam risadas e fazia piadas parecendo completamente despreocupados, depois de mais alguns minutos Ludo Bagman se adiantou até o centro da barraca novamente e chamou os quatro campeões enquanto retirava o saquinho de sua túnica e o abria.


- Primeiro as damas. – disse Bagman oferecendo o saquinho púrpura para Fleur Delacour que enfiou a mão um pouco trêmula no interior e retirou uma figura minúscula e perfeita do dragão Verde-Galês. O número dois estava pendurado ao pescoço da figura do dragão em miniatura, Fleur apenas suspirou resignada.


O próximo foi Krum que se aproximou e enfiou a mão no saquinho retirando uma miniatura do Meteoro-Chinês vermelho, nele o número três estava pendurado ao pescoço da miniatura, o jogador de quadribol apenas olhou para a figura antes de ceder o espaço para Cedrico Diggory, que adiantou-se e retirou a figura do Focinho-Curto-Sueco cinza azulado, o número um estava pendurado no pescoço do dragãozinho.


Harry quase deixou um sorriso escapar através de seus lábios, mas conseguiu refrear-se a tempo enquanto se adiantava e retirava a figura do Rabo-Córneo-Hungaro com o número quatro pendurado em seu pescoço, diferentemente das outras três miniaturas de dragões que haviam ficado quietas nas mãos dos campeões, o Rabo Córneo Húngaro abriu as pequenas asas quando o moreno o olhou e arreganhou os dentes minúsculos, o moreno poderia dizer que aquele dragãozinho soltaria chamas pela boca se conseguisse.


- Então está decidido. – disse Bagman olhando um pouco preocupado em direção ao moreno de olhos verdes que fingiu não perceber o olhar do bruxo. – Cada um de vocês acabou de sortear o dragão que terá de enfrentar e a ordem em que irão fazer isso, entenderam? Ótimo, agora vou precisar deixá-los por um momento, porque eu irei fazer a irradiação. Senhor Diggory, o senhor será o primeiro, só o que tem a fazer é entrar no cercado quando ouvir o apito e pegar o ovo de ouro, certo? Ótimo. Agora... Ah Harry, eu poderia dar uma palavrinha com você lá fora?


- Sim senhor. – concordou o moreno com a voz sem nenhum traço de emoção, em seguida o moreno saiu da barraca acompanhado de Bagman que andou até uma pequena distância onde ficava o arvoredo e em seguida se virou para o moreno, Harry viu uma falsa expressão de amizade no rosto do bruxo, mas ignorou.


- Você está se sentindo bem Harry? – perguntou Bagman revelando preocupação na voz, preocupação essa que Harry sabia estar relacionada com a aposta que ele havia feito. – Posso buscar alguma coisa para você?


- Não senhor, eu estou bem. – respondeu Harry ainda sem nenhuma emoção na voz, olhava de maneira indiferente para o bruxo a sua frente.


- Você tem algum plano em mente? – perguntou Bagman abaixando a voz até pouco mais do que um sussurro. – Porque eu não me importaria de lhe dar algumas dicas, sabe. Se você quiser é claro. Afinal, você é a vítima aqui Harry, então qualquer coisa que eu puder fazer para te ajudar, basta você me dizer...


- Não. – disse Harry baixinho enquanto olhava diretamente nos olhos do bruxo. – Não quero ser grosseiro Senhor Bagman, mas eu já sei o que vou fazer.


- Ninguém precisa saber, Harry. – insistiu Ludo Bagman piscando amigavelmente para o moreno que apenas arqueou a sobrancelha.


- Não, eu já sei mais ou menos o que vou fazer. – respondeu Harry educadamente. – Mas obrigado mesmo assim.


- Meu bom Deus, eu preciso correr. – disse Ludo Bagman assustado no momento em que um apito alto e agudo soou em algum lugar, em seguida o bruxo corria apressadamente deixando Harry para trás, o moreno apenas riu desdenhosamente antes de entrar novamente na barraca no exato instante que Cedrico saía.


- Boa sorte, Cedrico. – disse Harry quando passou pelo garoto que apenas murmurou um agradecimento antes de sair.


Harry acomodou em um canto da barraca e ficou completamente em silêncio, assim como Fleur e Krum, poucos segundos depois eles puderam ouvir os berros dos espectadores, o que significava que Cedrico já deveria ter chegado até o cercado dos dragões e naquele momento ele deveria estar frente a frente com o Focinho curto Sueco.


Mesmo sabendo que tudo daria certo e que ele poderia acabar com o dragão rapidamente caso algo saísse fora de controle, a espera era pior do que Harry se lembrava, ficar sentado escutando enquanto a multidão gritava e urrava em apoio, ou então exclamava como se fossem uma única pessoa, realmente esperar não era algo em que o moreno gostava de ter de passar, ele preferia sempre agir rapidamente e atacar.


Enquanto os gritos aumentavam vindo dos espectadores Fleur levantou-se do local onde estava sentada e passou a andar de um lado para o outro circulando dentro da barraca, o moreno podia ver que o nervosismo da garota apenas estava aumentando por causa dos aplausos e dos comentários que Ludo Bagman fazia.


Harry lembrava muito bem de como os comentários de Bagman haviam feito com que ele se sentisse ainda pior do que já se encontrava, parecia que a mente formava as imagens horrendas do que estava acontecendo, embora estivessem em um nível mais assustador do que o real, já Krum continuou sentado e encarando o chão de maneira carrancuda, mas o moreno sabia que ele estava pensando em seu próprio dragão.


- “Minha nossa, essa foi por um triz, realmente por muito pouco.” – a voz de Bagman infiltrou-se mais alta e clara quando ele praticamente gritou de maneira empolgada. – “Ele está se arriscando muito dessa maneira, o campeão de Hogwarts é corajoso mesmo!” – de repente um coro de expectativa soou da multidão ao mesmo tempo em que Bagman gritava. – “Será que ele consegue agora... Ah, boa tentativa, uma pena que não tenha dado resultado”.


Harry sabia que não adiantava ficar escutando e dando atenção ao que acontecia do lado de fora, por isso recostou-se melhor contra a parede e fechou os olhos, abrindo-os apenas depois de mais de quinze minutos quando os urros ensurdecedores dos espectadores anunciando o fato de que Cedrico havia conseguido passar pelo dragão e havia se apoderado de seu ovo de ouro, o que se confirmou quando a voz de Bagman soou magicamente amplificada.


- “Realmente muito bom, excelente captura do Senhor Diggory!” – a voz de Bagman era excitada enquanto falava. – “E agora a nota dos juizes!”


As notas não foram irradiadas por Ludo Bagman, mas pelos gritos ensurdecedores da multidão deveriam ter sido altas, o moreno sabia que os juizes somente mostrariam as notas para os espectadores.


- “Um a menos, agora faltam três!” – exclamou Ludo Bagman depois de alguns minutos quando o apito tornou a soar alto. – “Senhorita Delacour, poderia fazer o favor!


Harry observou a maneira como Fleur tremia da cabeça aos pés enquanto deixava a barraca com a cabeça empinada e a mão apertando a varinha fortemente, por um momento o moreno quis se levantar e confortar a loira, mas sabia que não era o momento para aquilo, gostava muito daquela garota, afinal depois que a guerra terminara ela fora a única que compartilhara um pouco de sua dor, mesmo ela sofrendo apenas por causa de Guilherme Weasley, ela fora o mais próximo a uma amiga que ele tivera novamente, mas ainda não era o momento para se aproximar dela, até porque ela o ignoraria e o desprezaria naquele momento.


Krum estava sentado do lado oposto de onde Harry encontrava-se acomodado, o búlgaro evitava olhar para o moreno e Harry entendia muito bem o motivo, em alguns minutos os gritos da platéia voltou a encher os ouvidos dos dois.


- “Ah, não tenho muita certeza se isso foi muito sensato d aparte da Senhorita Delacour!” – a voz de Bagman soou animada pelos auto-falantes, sendo seguido por muitos aplausos dos espectadores. – “Ah, essa foi por muito pouco! Cuida agora... Ah, meu bom Merlin, eu pensei que ela tinha conseguido pegar o ovo!”


Durante os dez minutos seguintes, o moreno ouviu a multidão gritar entusiasmada enquanto apoiavam e empurravam a meia veela, incentivando a garota a seguir em frente, então os aplausos soaram estrondosos mais uma vez anunciando o sucesso da campeã de Beuxbatons, quando o silêncio preencheu a arena o moreno soube que as notas da garota estavam sendo mostradas a multidão pelos juizes, então palmas soaram novamente mostrando que ela havia recebido algumas notas altas, o que não era nenhuma novidade.


- “E aí vem o Senhor Krum!” – gritou Bagman quando o apito soou pela terceira vez, Harry observou como Krum saía da barraca com os ombros curvados e tensos deixando Harry sozinho dentro da barraca.


No momento seguinte o moreno fechou os olhos novamente e concentrou-se totalmente ignorando todos os sons que haviam ao seu redor, deixou que sua mente vagasse e tomasse consciência de todas as articulações de seu corpo, podia ouvir seu coração batendo brutalmente acelerado em seu peito, sentia o sangue correndo agilmente através de suas veias e mais do que tudo sentia a adrenalina vibrando dentro de si, o guerreiro dentro dele implorava por um pouco de ação a mais do que ele pretendia, mas o moreno sabia que ainda não era o momento certo de começar a batalhar para valer, tudo tinha seu tempo.


- “Muito ousado o Senhor Krum!” – Harry pode ouvir novamente quando foi normalizando sua respiração e abrindo os olhos, naquele momento um urro poderoso e terrível soou próximo de onde estava e o moreno sabia que se tratava do momento em que Krum atingira o dragão com o feitiço de conjuntivite. – “Que sangue frio ele está demonstrando Senhoras e Senhoras... Sim, Vitor Krum apanhou o ovo Senhoras e Senhores.


Os aplausos da multidão novamente irromperam através do ar invernal como se fossem espadas atravessando o ar, o moreno levantou-se de onde estivera sentado e postou-se na entrada da barraca, em sua mente ele repassou o que havia planejado nos dias anteriores, seu plano era praticamente a prova de falhas, mas o inesperado sempre poderia surpreender alguém quando essa pessoa menos pudesse esperar.


Quando ouviu o apito soar pela quarta vez naquela tarde o moreno cruzou a entrada da barraca e em seguida passou pelas arvores e atravessou uma abertura que havia sido colocado na cerca, no momento seguinte Harry já se encontrava na clareira onde o cercado dos dragões havia sido montado e pode ver centenas e mais centenas de rostos conhecidos e desconhecidos nas arquibancadas que nesse momento o estavam olhando.


No meio da multidão o moreno reconheceu Gina e Hermione que estavam acomodadas ao lado de Rony e Neville, mas Harry concentrou-se apenas no problema que ele tinha a sua frente e olhou para o enorme dragão. O Rabo Córneo Húngaro estava parado do outro lado da cerca deitado sobre uma ninhada de ovos, as asas dele estavam levemente fechadas e os olhos amarelados e malignos estavam fixos exatamente em cima de si, o dragão realmente parecia um enorme lagarto negro, um lagarto monstruoso e coberto de escamas enquanto sacudia com força o rabo cheio de chifres, deixando marcas fundas de cerca de um metro de comprimento escavadas no chão duro onde ele batia. Harry nem mesmo ligou para a barulheira infernal que vinha dos espectadores, não estava nem se importando se eram de apoio ou não, apenas concentrou-se no enorme dragão a sua frente, aquele era o momento de colocar seu plano em prática.


- Accio! – exclamou o moreno alto, mas na barulheira que a multidão fazia ninguém nem mesmo o ouviu, o moreno havia apontado sua varinha para uma pequena pedra que estava jogada próxima ao dragão, a pedra de cerca de cinco centímetros de comprimento voou velozmente em sua direção e Harry a apanhou no ar.


Por um momento o garoto considerou a possibilidade de convocar o ovo de ouro, mas sabia que deveria haver alguns feitiços de proteção que impediam o acesso ao objeto daquela maneira, afinal os campeões deveriam demonstrar arrojo passando pelos guardiões para poder pegar o ovo de ouro, somente assim eles seriam dignos.


Olhando para aquela pedra insignificante na sua mão, o moreno sorriu enquanto apontava sua varinha novamente para ela e murmurava o Feitiço de Desilusão, imediatamente a pedra ficou completamente invisível perante os olhos de todos, quem estava observando atentamente o que o moreno estava fazendo não entendeu exatamente o que ele pretendia, mas Harry nem mesmo prestou atenção a sua volta enquanto colocava a pedra novamente no chão e murmurava um feitiço de transfiguração de objetos tornando a pedra em um boneco do tamanho do moreno, era um boneco de pedra, mas mesmo assim um boneco, por último Harry utilizou um feitiço de controle que aprendera com Flitwick em seu sexto ano em Hogwarts fazendo com que o boneco pudesse se mover conforme o desejo do moreno de olhos verdes.


- Accio Firebolt! – Harry gritou logo depois apontando a varinha para o alto, sabia que não precisava apontar a varinha para a direção de onde o castelo ficava.


Enquanto aguardava que sua vassoura chegasse o moreno olhou de relance para o local onde sabia que se encontravam os juizes do torneio tribruxo, exatamente do local onde a voz de Ludo Bagman soava magicamente ampliada, Harry podia sentir a magia poderosa que exalava de Dumbledore, sabia muito bem que o diretor havia percebido o que ele tinha acabado de fazer e pela maneira como ele estava inclinado contra os outros juizes ele deveria estar compartilhando aquelas informações com seus colegas.


Mas o barulho que a Firebolt fazia enquanto cortava o ar a suas costas distraiu o moreno de sua analise e quando ele se virou viu a vassoura atravessando o ar velozmente em sua direção enquanto começava a sobrevoar a floresta, atravessando o cercado e por fim estacando imóvel no ar a menos de um metro de onde o moreno estava, apenas aguardando que ele a montasse, o barulho que vinha da multidão naquele momento era maior do que em qualquer outro momento desde que a tarefa havia começado, o moreno ouviu Ludo Bagman gritando animadamente, mas o moreno também não estava prestando nenhuma atenção a ele, apenas encarava de maneira reverente sua vassoura querida, havia muito tempo que não voava em cima dela, desde que havia retornado não tivera nenhuma oportunidade de matar a saudade de jogar quadribol, afinal desde que a guerra havia acabado ele não fazia outra coisa que trabalhar e pesquisar incansavelmente.


Aproximando-se o moreno passou sua perna esquerda por cima da vassoura e deu um forte impulso contra o chão, um segundo depois ele ganhava altura rapidamente, o vento passava cortando através de seu rosto e seus cabelos balançavam ferozmente, os rostos através da multidão haviam se transformados em meros pontinhos lá embaixo e o enorme dragão ficou pequeno, mas p moreno sabia que não podia ficar no ar por muito mais tempo, o boneco enfeitiçado já estava se movendo e logo ele estaria posicionado onde o moreno queria.


No momento em que apontou a Firebolt para baixo e começou a descer rapidamente o moreno conseguiu localizar o ovo de ouro brilhando entre os demais na ninhada cor de cimento, os ovos estavam agrupados em segurança entre as penas dianteiras do dragão, por isso colocou em pratica seu plano de ação.


A velocidade do mergulho que o moreno dava aumentou de tamanho e ele percebeu que o dragão o acompanhava com os olhos amarelos ferozes, quando o jorro de fogo disparou das narinas do dragão e estava para atingir Harry, este fez uma curva fechada desviado-se das chamas com destreza, a multidão berrou ensandecida, mas o moreno não estava nem se importando, muito menos com as palavras que ecoavam magicamente ampliadas.


- “Minha Nossa Senhora, como ele sabe voar!” – berrou Ludo Bagman no momento em que o moreno fez outra curva para fugir de uma segunda rajada de chamas oriundas do Rabo Córneo Húngaro. – “O Senhor está assistindo a isso, Senhor Krum?


Harry começou a dar voltas ao redor do dragão não se importando com as chamas que jorravam pela enorme bocarra da fera, o dragão jamais se afastava do cesto de ovos sempre acompanhando o moreno com os olhos. Quando o moreno deu a volta na frente do dragão o mesmo abriu a enorme boca pronto para cuspir chamas incandescentes em sua direção, mas quando Harry esquivou-se para a esquerda escapando da chamas encontrou com o enorme rabo cheio de chifres e espinhos vindo diretamente contra ele, o moreno já esperava aquele movimento do Rabo Córneo Húngaro e fez um giro de trezentos e sessentas graus escapando do golpe e evitando um corte profundo que ele lembrava muito bem que doía para caramba.


Harry utilizou novamente a tática de cansar o dragão começando a voar de um lado para o outro do cercado passando sempre rente ao alcance do Rabo Córneo e longe o suficiente para não ser atingido pelo dragão, deixando assim o animal frustrado e irritadiço. Quando o moreno escapou pela quinta vez seguida das garras e dentes do dragão, o mesmo rugiu de maneira exasperada e frustrada, então o dragão cuspiu fogo em direção do moreno que se desviou facilmente, foi nesse momento que algo chamou a atenção do Rabo Córneo Húngaro que o fez desviar os olhos do moreno de olhos verdes que estava voando na vassoura.


Harry havia cancelado o feitiço de desilusão que estivera utilizando no boneco de pedra animado e ele havia se tornado visível para o dragão e para a multidão que soltou um som surpreso, o boneco de pedra estava suficientemente perto da ninhada de ovos para representar um grande perigo aos olhos do dragão que se empinou totalmente, abrindo as poderosas asas negras de puro couro, eram tão grandes como as asas de um pequeno avião, no momento em que o Rabo Córneo Húngaro abria a bocarra e expelia uma labareda de chamas contra o boneco de pedra o moreno mergulhou velozmente enquanto cortava o ar em direção ao ninho de ovos.


Antes que o Rabo Córneo Húngaro sequer percebesse o que Harry estava fazendo, o moreno já tinha atravessado a distância que o separava do chão em menos de dois segundos, os ovos agora não contavam mais com a proteção das patas com garras do dragão e quando o moreno chegou próximo fez novamente um giro dessa vez de cento e oitenta graus e soltou as mãos da Firebolt agarrando o ovo de ouro com as duas mãos. Harry atravessou por baixo do dragão com velocidade subindo novamente pelo ar e parou bem em frente as arquibancadas, o ovo de ouro estava tão pesado como ele se lembrava, naquele momento o maior estrondo possível ocorreu nas arquibancadas, a multidão gritava e aplaudia fazendo muito estardalhaço, mas o moreno concentrou-se no local onde os juizes se encontravam, pois próximo a eles estavam os professores de Hogwarts. Harry voou lentamente até próximo de onde ficava a bancada e olhou diretamente nos olhos da professora de transfiguração e apontou o ovo em direção a ela, como se estivesse oferecendo aquela pequena vitória a ela, a mulher sempre tão séria e sisuda levantou-se aplaudindo-o entusiasticamente.


- “Pelas barbas de Merlin, olhem só para isso!” – berrava Ludo Bagman naquele momento em um arroubo de excitação. – “Por favor, Senhoras e Senhores, olhem só para isso! Nosso campeão mais jovem também foi o mais rápido ao apanhar o ovo de ouro! Isso certamente irá diminuir a desvantagem óbvia do Senhor Potter!


Ainda no ar Harry observou os tratadores de dragões entrarem correndo no cercado para poderem dominar a enorme fera, pelo canto dos olhos percebeu que Minerva McGonagall, Moody e Hagrid haviam descido das arquibancadas e estavam indo para o local onde ele supôs que os outros campeões tenham ido depois de terem terminado a prova.


Harry sobrevoou novamente as arquibancadas enquanto ouvia a algazarra que os espectadores estavam fazendo, o moreno podia ouvir o som de algo que lembrava muito a um instrumento musical, mas não se importou em localizá-lo enquanto descia suavemente e pousava no chão sentindo seu coração anda pulsando ferozmente pela descarga de adrenalina.


- Foi maravilhoso Potter. – exclamou Minerva McGonagall sorrindo como nunca o moreno havia visto no momento em que ele pousou ao lado dos professores, o moreno sabia que aquela professora nunca fazia elogios a toa, por isso devolveu o sorriso para ela. – Fico satisfeita em saber que você não vai precisar ser cuidado por Madame Pomfrey, ela já teve de fazer um curativo em Diggory... Ah Potter, foi um excelente feitiço de transfiguração aquele, realmente muito bom.


- Você conseguiu Harry. – disse Hagrid com a voz rouca enquanto o abraçava. – Você conseguiu mesmo, Harry! E ainda por cima contra o Rabo Córneo Húngaro, o Carlinhos disse que ele era o pior dos quatro dragões...


- Valeu Hagrid! – disse Harry em voz um pouco mais alta que a do amigo, afinal não queria que ele acabasse se entregando. O moreno encarou o Professor Alastor Moody, este também parecia muito satisfeito com o que ele havia acabado de fazer, o olho mágico dele estava dançando furiosamente nas órbitas.


- Devagar se vai ao longe, Potter. – rosnou Moody olhando par ao garoto. – Um excelente feitiço de desilusão esse que você fez, foi uma armadilha muito bem montada também, acho que nem eu poderia pensar em uma coisa melhor do que essa.


- Obrigado. – disse Harry simplesmente enquanto esperava que os juízes avaliassem a tarefa que ele havia acabado de passar.


- Muito bom mesmo Potter, mas agora para a barraca de primeiro socorros, por favor... – disse McGonagall voltando ao usual tom enérgico. – Deixe que Madame Pomfrey examine você, somente assim ela irá ficar satisfeita.


- Tudo bem, professora. – disse Harry e saiu do cercado ofegando um pouco e viu Madame Ponfrey parada em frente a uma barraca com um ar extremamente preocupado, o que fez um involuntário sorriso surgir no rosto do moreno.


- Dragões! – exclamou a enfermeira com a voz desgostosa enquanto puxava o moreno para dentro da barraca, esta era dividida em alguns cubículos, ele pode ver Cedrico Diggory através de uma lona, mas o moreno sabia que ele não estava machucado, pelo menos não seriamente. A enfermeira pediu para o moreno retirar a parte de cima da roupa e começou a examiná-lo enquanto falava. – No ano passado foram aqueles malditos dementadores, este ano são os dragões, o que será que vão trazer para essa escola no ano que vem? Você teve muita sorte, pois não sofreu nem um arranhão, tudo o que precisa é um bom descanso. – a enfermeira deixou o moreno sozinho e entrou no cubículo onde Cedrico estava. – Como é que você está se sentindo agora, Diggory?


Harry levantou-se e começou a se dirigir para fora da barraca, afinal odiava ficar sentado sem fazer nada, mas antes que pudesse chegar a entrada da barraca duas garotas entraram em disparada pela entrada, Hermione e Gina pareciam mais do que ansiosas, a ruiva colidiu contra seu peito com um impacto feroz.


- Graças a Deus você não se machucou. – exclamou a ruiva enquanto algumas lágrimas escorriam pelos olhos da menina.


- Eu disse que daria tudo certo, Gina. – sussurrou Harry baixinho enquanto limpava as lágrimas do rosto da menina, em seguida deu beijo suave na testa dela e a abraçou um pouco mais forte enquanto olhava para a amiga.


- Ah Harry, você foi genial. – exclamou Hermione aproximando-se mais e abraçando Harry mesmo que este ainda estivesse meio agarrado com a ruiva. A morena estava com algumas marcas de unhas pelo rosto mostrando que ela estivera apertando a face de medo. – Nossa Harry, você foi simplesmente fantástico.


- Obrigado Hermione. – disse Harry sorrindo para a amiga no momento em que Rony apareceu pela entrada da barraca de primeiros socorros, o sorriso sumiu do rosto do moreno ao mesmo tempo em que Gina se afastava do garoto ao qual estivera abraçada.


- Eu... – começou Rony, mas parou quando viu que a irmã havia acabado de se afastar de Harry, mas então ele apenas respirou fundo e voltou a falar com a voz séria. – Acho que quem quer que tenha colocado seu nome no Cálice de Fogo estava... Bom, eu reconheço que estava tentando acabar com você.


- Entendeu finalmente, foi? – indagou o moreno com frieza enquanto encarava o amigo, sabia que não conseguiria ficar bravo com ele por muito tempo. – Demorou muito.


As duas garotas estavam paradas exatamente entre os dois garotos, ambas estavam nervosas, afinal queriam que aquela briguinha entre os dois terminasse de uma vez, elas olhavam de um para o outro apenas esperando. O ruivo abriu a boca para dizer alguma coisa, mas ele tornou a fechá-la olhando para o moreno de maneira insegura.


- Eu... Sinto muito, Harry. – disse Rony depois de alguns segundos em completo silêncio encarando o amigo.


- Tudo bem. – disse Harry balançando a cabeça em afirmação, o olhar no rosto do moreno ainda era duro e frio. – Tudo bem, vamos apenas esquecer.


- Não Harry... – disse Rony dando um passo a frente. – Nós dois sabemos que eu jamais deveria ter sequer...


- Vamos somente esquecer tudo isso, Rony. – disse Harry em tom firme fazendo o ruivo assentir e dar um sorriso nervoso que o moreno apenas retribuiu enquanto as duas garotas começavam a chorar juntas.


- Não tem motivo para chorar... – exclamou Rony em tom chocado enquanto olhava de Hermione para a irmã.


- Vocês dois são tão burros! – exclamou Hermione antes de dar um abraço apertado nos dois garotos, Gina também abraçou o irmão antes de abraçar o moreno de olhos verdes novamente enquanto Hermione exclamava. – Como os garotos são complicados.


- Ei Harry, vamos logo, eles vai anunciar suas notas. – disse Rony balançando a cabeça e indicando o lado de fora.


Harry apenas assentiu enquanto a ruiva se afastava dele, o moreno pegou sua Firebolt e o ovo de ouro antes de seguir os três para fora da barraca, enquanto eles saíam da barraca Gina começou a falar rapidamente.


- Você foi o melhor Harry, ninguém foi páreo para você hoje. – a voz da ruiva era eufórica enquanto contava ao moreno o que havia visto no decorrer da tarefa daquele dia. – Cedrico transfigurou uma pedra do chão, igual ao que você fez, mas ele a transformou em um cachorro. Acho que ele estava tentando fazer com que o dragão avançasse no cachorro e não nele, até que foi uma transfiguração bem legal a que ele fez e funcionou de certa maneira, porque ele acabou conseguindo apanhar o ovo também, mas acabou se queimando no processo, o dragão meio que mudou de idéia no meio do caminho e decidiu que preferia pegar o Cedrico ao invés do cachorro labrador, por isso ele escapou apenas por um triz.


- Fleur Delacour tentou uma espécie de feitiço de hipnose, ela estava tentando colocar o dragão em transe, isso funcionou muito bem porque o dragão ficou sonolento por alguns instantes, só que ele acabou se recuperando e depois de ter rugido cuspiu uma labareda de fogo enorme e a saia dela acabou pegando fogo, ela conseguiu apagar com água que ela conjurou com a própria varinha, ela levou sorte que já tinha conseguido pegar o ovo, porque o dragão poderia ter avançado em cima dela. – Rony interrompeu o que a irmã estava falando e começou a dizer animadamente enquanto passava um dos braços por cima do ombro do amigo. – Já o Krum, você não vai acreditar Harry, mas ele nem sequer pensou em voar. Embora provavelmente ele tenha sido o melhor depois de você. Ele atacou o dragão com um feitiço no olho, não sei exatamente qual, só que o problema foi que o dragão começou a uivar e a andar agoniado e amassou metade dos ovos de verdade que tinha no ninho, ele perdeu muitos pontos por causa disso, afinal não podia danificar a ninhada.


O ruivo parou de falar quando eles chegaram novamente ao cercado dos dragões, o Rabo Córneo Húngaro já havia sido levado naquele momento, o moreno voltou seus olhos diretamente para a bancada dos juizes que estavam na outra extremidade.


- Cada um deles dá uma nota de um a dez. – explicou Hermione no tom professoral de sempre enquanto eles observavam o primeiro dos juizes, Madame Máxime erguer a varinha no ar e dela sair um comprida fita prateada que desenhou um enorme nove no ar. A multidão urrou e aplaudiu enquanto Hermione voltava a falar. – Nada mal. Você foi perfeito, mas como ela é de uma escola rival, não vai lhe conceder a pontuação máxima.


Bartolomeu Crouch foi o segundo juiz a se levantar e da varinha dele surgiu um número dez em alto relevo.


- Muito bom, Harry. – gritou Rony enquanto dava alguns tapas de leve nas costas do moreno que apenas sorriu.


O próximo juiz a mostrar a nota foi Dumbledore que também fez surgir um enorme dez fazendo a multidão aplaudir ainda mais alto e mais entusiasmada do que antes. Ludo Bagman foi o quarto juiz e da varinha dele também surgiu um enorme dez, nesse momento Harry deixou um esgar de sorriso escapar em seus lábios afinal Bagman daria dez a ele mesmo que ele não houvesse pegado o ovo de ouro. O último juiz a erguer a varinha foi o diretor de Durmstrang, Igor Karkaroff, que projetou um cinco no ar.


- O que? – berrou Gina olhando furiosa para o juiz como se ele você louco. – Cinco, seu monte de merda? Seu safado desonesto, você deu nota dez ao Krum.


- Está tudo bem Gina. – disse Harry sorrindo para a garota que imediatamente esqueceu a indignação que estava sentindo. – Vamos dar o fora daqui.


Enquanto os quatro saíam de dentro do cercado dos dragões a multidão aplaudia fervorosamente, quando atravessaram as enormes cercas a figura de Carlinhos Weasley surgiu a frente deles, o ruivo parecia mais do que animado.


- Você está em primeiro lugar, Harry. Krum está em segundo, você está quatro pontos na frente dele! – exclamou o ruivo quando chegou ao encontro deles. – Escutem, eu realmente preciso correr, preciso mandar uma coruja para a mamãe contando o que aconteceu, jurei para ela que iria escrever assim que a prova terminasse, mas foi simplesmente inacreditável. Ah foi, e me mandaram avisar que você ainda precisa ficar aqui por mais alguns minutinhos Harry, parece que o Bagman quer falar com você na barraca dos campeões.


O moreno se despediu dos amigos e disse que eles não precisavam esperá-lo, mas os três fizeram questão de esperar que ele terminasse o que fosse antes de irem juntos para o castelo, então o moreno entrou novamente na barraca dos campeões, o local estava do mesmo jeito que antes, mas ainda assim parecia mais informal e simpática. Fleur, Cedrico e Krum entraram quase juntos com o moreno, que percebeu que um dos lados da cabeça de Cedrico estava coberto com uma grossa pasta laranja onde ele havia sido queimado, o garoto sorriu para o moreno quando o viu.


- Foi legal, Harry. – disse Cedrico cumprimentando o moreno.


- Pelo que eu soube, você também. – disse Harry retribuindo o cumprimento e o sorriso ao companheiro de escola.


- Muito bom, todos vocês! - disse Ludo Bagman, entrando com estrépido na barraca e parecendo satisfeito como se ele próprio tivesse passado por um dos dragões. - Agora, só umas palavrinhas. Vocês têm um bom intervalo até a segunda tarefa, que terá lugar às nove e meia da manhã de 24 de fevereiro, mas vamos lhes dar alguma coisa em que pensar durante esse tempo! Se examinarem os ovos de ouro que estão segurando, verão que eles se abrem... Estão vendo as dobradiças? Vocês precisam decifrar a pista que está dentro do ovo, porque ela dirá qual vai ser a segunda tarefa e permitirá que se preparem! Ficou claro? Têm certeza? Antes de irem deixem-me lhe dizer que o Senhor Potter está liderando a competição com 44 pontos, seguido de perto pelo Senhor Krum que tem 40 pontos. Ok, podem ir, então!


Assim que o moreno saiu da barraca juntou-se aos amigos e eles recomeçaram a andar as margens da floresta proibida enquanto iam em direção a Hogwarts, no caminho os quatro iam conversando animadamente, o moreno percebeu que Rony estava evitando intencionalmente comentar sobre o que vira ultimamente entre ele e Gina, mas resolveu deixar por isso mesmo, afinal sabia que em algum momento eles iriam conversar. Rony e as duas garotas foram contando em grandes detalhes o que os outros três campeões haviam feito contra seus dragões.


Quando contornavam o arvoredo logo atrás do qual Harry havia ouvido os dragões rugirem pela primeira vez no domingo quando estava com Hagrid, apareceu quem ele sabia que estava espreitando. Rita Skeeter saltou do meio das árvores usando vestes em cor verde-ácido, a pensa de repetição rápida na mão dela mesclava-se perfeitamente com as vestes da bruxa.


- Meus parabéns, Potter! – disse Skeeter sorrindo de maneira radiante enquanto olhava para o moreno. – Será que você poderia me dar uma palavrinha? Como foi que você se sentiu enquanto estava enfrentando aquele dragão? Como você se sente agora depois de ter recebido notas tão altas dos juizes, exceto Karkaroff?


- Quer uma palavrinha, Skeeter. – rosnou Harry em tom frio e selvagem enquanto olhava para a repórter que recuou um passo. – Eu já lhe avisei uma vez, cuidado com o que escreve ou você pode acabar se arrependendo.


Em seguida o moreno deu as costas para a repórter e continuou o caminho ao lado dos amigos rumo ao castelo de Hogwarts.


 


 


 


 


Agradecimentos especiais:


 


laurenita: que bom que gostou do treinamento que o Harry está aplicando, mas isso é apenas um basicão para o que ele realmente vai ensinar para eles. Quanto ao fato da Gina ter poderes de feiticeira, digamos que ela vai ter poderes maiores do que o dos outros, mas isso somente mais para frente, já digo que vai envolver o lance dela ser a sétima filha e tal... Beijos.


 


xXxXxXxX: Capitulo completo, cara. Ah, o Harry vai treinar sozinho sim, já até mesmo apareceu uma pequena citação em um dos capítulos anteriores, mas em breve eu vou colocar uma parte do treinamento que ele faz sozinho. Bem, você me lembrou que eu estava esquecendo do treinamento mental dos amigos do Harry, por isso no próximo capitulo já teremos o começo disso, principalmente porque agora o Rony voltou as boas... Abraços cara.


 


gilmara: Fico feliz em saber que você é fã de carteirinha da Serie Mortal, mas fico mais feliz ainda pelo elogio, não sei se a fic é tudo isso, mas eu certamente vou trabalhar para ela ficar cada vez melhor. Acho que o capitulo já respondeu sua pergunta, então até mais. Beijos.


 


Anderson potter: Que bom que você está gostando dessa fic cara. Abraços.


 


O Rei dos Anagramas: Cara, que bom que você acha que essa é minha melhor fic, na verdade é a que eu estou mais gostando de escrever no momento, o Dumbledore ainda vai demorar um pouco para se ferrar, mas quando acontecer, o bicho vai pegar para o lado dele... Abraços.


 


 


Próxima Atualização (02/11): Alterando a Historia e Dark Angel – O Inimigo dos Deuses.

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