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2. CAPÍTULO DOIS


Fic: Um Toque de Paixão


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry acabou de lavar as tigelas dos cachorros. Já levara os dois para passear, mas, enquanto ouvia as horas, deu-se conta de que precisava se apressar caso não quisesse chegar atrasado ao jantar com sua nova vizinha.


Foi ao quarto trocar de roupa. Correu os dedos pelos cabides de calças. Escolheu calças caqui em vez de jeans. Em seguida, puxou um cinto marrom, identificado pela etiqueta em braile com a qual rotulava suas roupas.


Passou pelos ternos emparelhados com camisas de manga comprida e gravatas que ficavam nos cabides de metal e sentiu os de plástico. Era seu sistema para localizar camisas casuais. Era melhor pegar uma camisa limpa. Aparecer com uma mancha de tinta ou comida na gola não passaria uma boa impressão.


Corria as pontas dos dedos pelos rótulos que indicavam as cores quando sua mão parou numa camisa de linha. Desde quando se preocupava tanto em passar uma boa impressão para uma mulher?


Terminou de se vestir e chamou os cães. Colocou um arreio em Merlin e uma coleira em Edwiges. A cadela tentou se colocar entre Merlin e ele, e quando Harry finalmente usou um tom severo, ela se encolheu como se tivessem batido nela com um pedaço de pau.


— Sinto muito, menina — disse ele, ao parar diante da porta de Gina. — Estou me esforçando ao máximo para fazer com que isso funcione.


— Fazer o que funcionar? — Gina abriu a porta a tempo de escutar seu último comentário.


Harry forçou uma risada.


—  Desculpe. Não costumo conversar com meus cães.


— Mesmo? — retorquiu num tom bem-humorado.


— Certo, talvez eu converse — admitiu.


— Eu não o culpo. Cães costumam prestar mais atenção no que você diz do que a maioria das pessoas.


A direção da voz de Gina mudou quando ela recuou para permitir que ele entrasse.


— Por favor, entre e fique à vontade. Mas você vai ter de me dizer sobre o que está falando.


— Ache uma cadeira — disse Harry a Merlin.


— Não sabia que se ensinava esse tipo de coisas a eles — comentou Gina enquanto Merlin conduzia Harry através da sala até uma larga cadeira de braços.


— Bom menino — disse ao cão. Para Gina, ele disse: — Não é um comando formal ensinado pela escola, mas da primeira vez que peguei Edwiges, outro usuário de cão-guia me sugeriu que seria um comando útil, juntamente com coisas como "Ache a porta". Algumas pessoas usam comandos específicos para achar um parente em uma loja grande.


— Há quanto tempo você tem Merlin? — perguntou Gina.


— Há duas semanas. Acabamos de nos formar na escola de treinamento.


— Puxa vida! — disse ela, claramente surpresa. — Eu pensava que vocês eram parceiros há muito mais tempo do que isso.


— Ele é um bom cachorro — disse com um sorriso. — E ajuda o fato de eu já possuir experiência anterior com um cachorro. Falando nisso, onde está Edwiges?— Ele estendeu a mão até seu lado direito, onde estivera tentando ensinar Edwiges a deitar, mas ela não estava ali.


— Sinto muito — disse Gina. — Eu estava fazendo carinho nela. Isso não é permitido?


—  Se o cachorro não estiver trabalhando, tudo bem. Ela deve estar adorando a atenção. Ela tem estado cada vez mais deprimida desde que a aposentei e peguei Merlin.


— Como você sabe? Ele deu de ombros.


— Não tem se alimentado bem. Cheira a comida, mas não come. E já foi bem mais animada. Vivia saltitando e balançando o rabo. Sempre percebi isso porque o corpo inteiro dela vibra da traseira para a frente quando ela está abanando o rabo.


— A idéia de um cachorro deprimido parece estrada, mas acho que faz sentido. Vocês dois trabalham juntos há oito anos, é isso?


— Sim. Acaba de completar 10 anos. — Suspirou. — Estou começando a achar que deveria me separar dela. As famílias que criaram os cachorros quando eles eram filhotes costumam adotá-los novamente. Quando isso não acontece, as escolas entram em contato com famílias interessadas em adotar um cão-guia aposentado.


—  Como você poderia abrir mão dela, depois de todo esse tempo que passaram juntos?


Ele ficou comovido ao perceber que ela compreendia seus sentimentos.


— Exatamente. Cuidar de dois cães não é fácil para um homem como eu, cego e que mora sozinho, mas não poderia simplesmente me livrar dela. Ela faz parte de minha família.


— Faço idéia — murmurou Gina. — Acho que também não conseguiria fazer isso. — O tom de voz de Gina mudou quando ela começou a falar com a cadela. — Você é uma linda cachorrinha. E que nome lindo!


Gina riu de deleite.


— Deixe-me adivinhar. Ela deitou e está convidando você a cocar sua barriga.


— Então você deixa qualquer pessoa cocar sua barriga? — disse ela a Edwiges. — Que decepção!


Harry riu.


— Você precisa me desculpar por fazer tantas perguntas — disse Gina. — Não deve agüentar mais responder a perguntas sobre seus cachorros ou sobre sua deficiência visual.


Ele deu de ombros.


— No primeiro ano isso me deixava maluco, mas acabei me acostumando.


— Então você nem sempre foi cego. — Foi uma declaração, não uma pergunta. — Por causa de algumas de suas reações, tive a impressão de que você já foi capaz de enxergar.


— Eu enxerguei até os 21 anos. Estava numa festa de fraternidade quando caí de um balcão e bati de cabeça.


— Puxa vida! Você tem sorte de ter sobrevivido.


— Muita.


— Uma festa de fraternidade — disse ela. — Eu não fiz faculdade. Essas festas são tão agitadas e imorais quanto ouvi falar?


— Estive em algumas que se encaixariam nessa discrição — disse ele com um sorriso amarelo. — Mas não estava bebendo naquela noite. Um cara tropeçou e esbarrou em mim. Caí por puro azar.


— Coitado! — disse ela com sentimento. — Você soube imediatamente que estava cego?


— Não imediatamente. — Hesitou enquanto recordava seus primeiros dias no hospital. Cho estivera com ele no dia em que perguntara ao médico sobre sua visão.


— Vamos mudar de assunto — disse Gina. — Acho que é sua vez de fazer perguntas.


Harry ficou decepcionado consigo mesmo ao perceber que permanecera em silêncio por muito tempo. Ele perdera todo o traquejo social. Receber clientes era muito diferente de jantar com garotas.          


— Desculpe. É que isso traz de volta muitas lembranças. Foi um período em que vivi... muitas mudanças. — Ele decidiu aceitar a oferta de Gina. — O que você faz?                                                            


Ele sentiu uma mudança sutil no ambiente, uma tensão que o surpreendeu. Ele esperara que fosse uma pergunta inócua.


— Não estou trabalhando no momento — respondeu Gina. — Mas tenho algumas entrevistas de emprego marcadas para esta semana. Assim, estou torcendo para ter como responder a esta pergunta em breve.


— Certo — disse Harry. Ela provavelmente acabara de ser demitida, e estava se sentindo constrangida ou humilhada. — Vou refazer a pergunta. Que tipo de trabalho você gostaria de fazer?


— As entrevistas de emprego que tenho marcadas são para o cargo de auxiliar em educação pré-escolar e em uma escola de ensino fundamental — respondeu. — Mas o que eu gostaria realmente de fazer é de entrar numa faculdade e aprender a lecionar.


— Com que faixa de idade você prefere trabalhar?


— Não tenho certeza — admitiu. — Gosto de crianças pequenas, mas sinceramente não conheço o bastante sobre crianças mais velhas ou adolescentes para saber se também gostaria dessas faixas etárias. Daí as escolhas de emprego.


— Então nunca trabalhou com crianças?


— Nunca. — Ele a ouviu se levantar. — Quer beber alguma coisa?


— Tem chá gelado?


— Açúcar ou limão?


— Só limão.


Ele ouviu os passos de Gina se distanciarem e, então, soarem no que pareceram azulejos de uma cozinha. O apartamento dela parecia ter a mesma planta do dele, embora invertida. O tamborilar das patas de Edwiges alertou-o que ela acompanhara Gina.


Era sua imaginação ou sua anfitriã sentira-se incomodada no momento em que ele perguntara sobre seu passado? Ela arranjara uma desculpa para se afastar logo depois e, certamente, não oferecera nenhuma informação sobre o que fizera antes de se mudar para Gettysburg.


Harry ouviu o som de cubos de gelo e, um minuto depois, Gina voltou com o chá.


— Há algum lugar em particular que você queira que eu coloque isto? — perguntou.


— Há uma mesa perto de mim?


— Tem uma mesinha de canto do lado direito da sua poltrona. Você pode colocar o copo nela.


Harry ouviu-a mover-se na direção referida quando o copo pousou na mesa, uma fragrância feminina o envolveu. Ela estava próxima.


Qual seria sua altura? Provavelmente era bem alta para uma mulher, considerando que quando estava de frente para ele sua voz não soava vindo muito de baixo.                                                                                       


— Pronto — disse ela. — Está na frente da mesa, no canto mais perto de você.


— Obrigado.


— O jantar vai demorar um pouco. Como eu queria evitar extravagâncias, assei um frango.


— Gosto de frango assado. Batatas? — perguntou, esperançoso.


—  Igualmente assadas. E cada uma com dois recheios.


— Aquele tipo que é amassada com creme de leite e queijo e, então, colocada de volta na concha? Ela riu.


— Concha, não. Casca.


— Tanto faz — disse ele, com um encolher de ombros. — Parece maravilhoso, especialmente para alguém acostumado com comida congelada.


— Aposto que cozinhar é difícil para você — disse com cautela.


Harry riu, e então pegou o copo de chá e tomou um gole.


— Conheço outro cara cego que é um cozinheiro fabuloso. Se bem que ele é parcial, o que facilita as coisas.


— Parcial?


— Uma pessoa que ainda tem parte da visão, mesmo que muito limitada. Alguns parciais possuem mais visão num olho que no outro. Outros enxergam em certos quadrantes de seu campo de visão. Como não tenho visão alguma, sou um total.


— Desculpe por ter interrompido você. Estava falando que seu amigo cozinha.


— Tudo bem. Eu só ia contar que mesmo quando eu podia enxergar, a culinária não ficava no topo da minha lista de atividades favoritas.


— Desde que era menininha, sempre gostei de cozinhar. Mas durante muito tempo não fiz isso.


Ele lamentou não ter visto seu rosto quando ela fez essa declaração tão estranha.


— Vida cheia?


— Algo assim — murmurou. — Você sempre morou aqui?


Ela claramente não queria falar de si mesma.


— Não. Eu cresci na região rural da Pensilvânia, perto de Pittsburgh. E você?


— Uma cidadezinha chamada Barboursville, lá na Virgínia.


— Fica perto de Williamsburg?


— Não. É vizinha de Richmond. Por quê?


— Um dos sócios de minha firma cursou faculdade na William & Mary. Como tínhamos ficado muito amigos nos tempos de escola, fui até lá visitá-lo algumas vezes.


— Esqueci que você trabalha num escritório de advocacia.


— Isso. Brikerman & Brikerman. Nosso escritório fica no centro da cidade, na Baltimore Street.


— Gosto da cidade. É encantadora.


— E conveniente.


— Conveniente?


— É fácil para mim andar por ela sem ajuda.


— Sim, claro. — Ela fez uma pausa. — Não pensei por esse ângulo. Como você não dirige, precisa ter os serviços básicos a uma distância que possa percorrer a pé. — Por seu tom de voz, ela pareceu estar falando mais consigo mesma do que com ele.


—  Muitas pessoas com deficiência visual vivem em grandes cidades, porque nelas as coisas são mais convenientes, isso sem falar no sistema de transporte público.


—  Também não tinha pensado nisso — admitiu Gina.


— Uma das coisas que me atraiu a Gettysburg foi a proximidade de coisas das quais preciso. A Main Street possui um comércio fervilhante por causa da universidade. Posso chegar a pé a bancos, médicos e lavanderias. A rua também tem uma mercearia e uma farmácia. E excelentes restaurantes.


— Você costuma ir à universidade?


— Vou a muitas apresentações de teatro e música. Às vezes, eles também oferecem palestras maravilhosas.


— Que bom! — disse ela, deliciada. — Adoro música.


— Toca algum instrumento?


— Não. Eu tocava piano quando criança É uma atividade que sempre quis recomeçar.


— Talvez esta seja sua chance — disse ele.


— Talvez seja. Então, o que há mais para se fazer em Gettysburg?


— Bem, espero que você goste de História da Guerra Civil.


Ela riu.


— Culpada. Foi uma das coisas que me atraiu neste lugar. Quero aprender mais sobre o campo de batalha e a guerra inteira.


— Eu posso apostar que você terá muitas oportunidades.


— O que mais?


— As coisas de sempre, com foco extra em História, talvez, Há uma Associação Comunitária de Concertos, uma biblioteca, uma sociedade de assistência, grupos de teatro, algumas igrejas, organizações empresariais e civis... Se você quiser se envolver em qualquer uma dessas organizações, garanto que será recebida de braços abertos.


— Eu nunca fiz nenhum trabalho voluntário. Não saberia o que fazer.


— Você não precisa ter experiência. — Ele se perguntou porque Gina parecia tão pouco confiante. — Se você comparecer a uma ou duas reuniões, ou se juntar a uma igreja, não vai demorar muito para que comecem a pedir sua ajuda.


— Isso seria bom. — Ele a ouviu se levantar. — O Jantar já deve estar ficando pronto. Por que não vamos Para a mesa?


O jantar foi delicioso, e a conversa simples e despretensiosa. Depois, tomaram café e beliscaram biscoitos.


Finalmente, ele se lembrou de que começaria o dia bem cedo na manhã seguinte. Estava se levantando quando o telefone tocou.


— Com licença. — Ouviu-a caminhar pela sala. — É melhor eu atender — disse, aparentemente depois de olhar a tela de identificação de chamada. — Alô? — disse numa voz cautelosa e calma.


Embora fosse falta de educação, ele não podia evitar escutar a parte de Gina na conversa.


— Olá, papai. — Sua voz soou com um prazer que Harry adoraria ter ouvido ser direcionado a ele. — Como vai? Sim... sim. Eu não pude ir. — A animação deu lugar a um tom claramente decepcionado. — Entendo. Quando vai ser? Parabéns. Não, acho que não terei tempo... Talvez no Natal. Preciso ver se posso me ausentar. Olhe, não posso conversar muito estou com uma visita.


Gina concluiu a conversa com uma palavra de despedida que soou artificial. Enquanto ela punha o fone de volta no gancho, Harry rapidamente pegou mais um biscoito para fingir que não estivera ouvindo. Ela voltou a se sentar, e depois de um momento de silêncio inquietantemente longo ele finalmente perguntou:


— Alguma coisa importante?


— Meu pai. Ele vai se casar de novo.


— Sinto muito. Quero dizer, achei que eram más notícias.


Ela arfou, e ele percebeu que ela estava quase chorando. Em algum lugar à esquerda de Harry, Edwiges ganiu, e ele a ouviu caminhar até os pés de Gina. Um momento depois Gina soltou uma risada trêmula.


—  Obrigada, menina. — Ela disse a ele: — Sua cachorrinha acaba de me dar um beijo. Acho que está preocupada comigo.


— Não é a única. — Sem pensar, segurou o braço que ele a ouvira colocar na mesa. Em seguida deslizou a palma pelo braço de Gina até finalmente estar cobrindo sua mão.


Sentiu-a pousar a outra mão sobre a sua e apertá-la gentilmente. E, então, ela retirou ambas as mãos.


— Agradeço sua preocupação, mas estou bem. Eu já devia estar acostumada com isso.


— Acostumada com... seu pai não ser mais casado com sua mãe? — Talvez o pai dela tivesse tido uma crise dos quarenta e tantos anos, se divorciado e arrumado uma mulher mais jovem, não necessariamente nessa ordem. Ele via muitos casos assim em seu trabalho.


— Meus pais se divorciaram quando eu tinha dois anos — disse Gina. — Essa sortuda será sua sexta esposa.


Ele não conseguiu esconder sua surpresa.


— Uau! Ele gosta de se casar. Para seu alívio, ela riu.


— Para dizer o mínimo. — Ela bebericou seu café. — Desculpe por isso ter atrapalhado nosso jantar. Ele sempre consegue me chocar quando conta sobre seu mais novo relacionamento, embora eu não saiba porquê. — Ela pigarreou. — Edwiges foi muito carinhosa. Ela sempre reage assim quando vê alguém triste?


— Quando sente que estou triste, ela faz a mesma coisa. Mas, até onde eu saiba, você é a única outra pessoa que teve a honra de receber um beijo canino lambuzado.


— Eu gostei — disse, levantando-se da mesa. — Quer levar alguns biscoitos?


— Talvez só alguns. Preciso confessar que já acabei com os que você me deu.


— Antes você do que...


Gina foi interrompida por um rosnado alto.


— Qual é o problema? — perguntou Gina. Ele suspirou.


— Acho que ela não gostou de algo que Merlin fez. ou talvez tenha sido apenas o jeito como ele olhou para ela. Não está lidando graciosamente com o fato de estar sendo substituída. — Ele chamou seu cão-guia, ouvindo os sininhos da coleira de Merlin tilintarem debaixo da mesa, onde ele estivera deitado.


— Pobre menina — disse Gina. — Posso imaginar como ela se sente. — Sua voz soou de baixo e ao longe, e ele concluiu que ela havia se agachado para acariciar Edwiges. — Não é divertido ser substituída, é?


— E é muito difícil para ela me ver sair de casa todas as manhãs com Merlin — disse Harry. Pensando que ver seu pai casar-se pela sexta vez dera a Gina muita experiência em ser substituída no afeto de alguém. — Como eu disse, realmente não quero me separar dela, mas se ela puder ser mais feliz com outra pessoa, não é justo da minha parte segurá-la.


Harry se levantou e tateou até achar a guia de Merlin. Ainda parecia estranho tocar aquele couro novo, depois de tantos anos segurando a guia desgastada de Edwiges.


Gina precedeu-o até a porta, e ele chamou por Edwiges. Como tinham apenas cruzado o corredor, Harry não se dera ao trabalho de colocar uma guia na coleira de Edwiges, mas ele não ouviu o tilintar de seus sinos.


— Edwiges, venha. Nada.


— O que ela está fazendo? — finalmente perguntou a Gina.


— Ah, ela ainda está deitada no tapete da cozinha.


— Edwiges, venha — tentou de novo. Mais uma vez, ele não ouviu nada. Ele sussurrou: — Cachorra, se eu tiver de ir até aí pegá-la, a coisa vai ficar bem feia para você.


Gina produziu um som abafado, como uma tentativa de segurar o riso.


― Parece que ela quer ficar mais um pouco.


― Não, obrigado. Seria um abuso. Vir jantar e depois deixar uma cachorra aqui para você cuidar.


― Eu não me importaria, juro.


Com clareza repentina, ele lembrou do telefonema que ela acabara de receber. Aquilo a deixara muito abalada, a despeito de seu esforço em fingir se recuperar. E Edwiges a confortara. Talvez ...                      


— Muito bem — disse ele sem pensar muito. — Se você realmente quiser, ela pode ficar. — Ele se virou novamente na direção da cozinha. — Mas ela ainda precisa vir quando eu a chamar. Edwiges! Venha! — ordenou com o tom de "Eu não estou brincando" que ele raramente usava. Dessa vez ouviu-a levantar-se, espreguiçar-se e, finalmente, caminhar até ele.


— Você é muito metida a esperta — disse a Edwiges quando ela parou ao seu lado. Ele segurou a coleira de Edwiges quando ela tentou colocar-se entre Merlin e ele. — Não, menina. Sinto muito. — Ele se ajoelhou. — Quer passar esta noite com Gina?


— Você podia vir pegá-la quando chegar em casa do trabalho amanhã — disse Gina. — Tenho uma entrevista às 13 horas, mas não ficarei fora nem por uma hora. Assim, ela não ficará sozinha o dia todo.


Nem Gina, pensou Harry, lendo nas entrelinhas.


— Por mim, tudo bem, se tiver certeza de que não será incômodo.


— Incômodo nenhum — disse num tom absolutamente honesto. — Vou adorar a companhia.


— Certo. — Ele fez um carinho na cadela e pegou a guia de Merlin. — Vamos ver como ela vai age quando eu caminhar até a porta.


Ele deu o comando de caminhar para a frente enquanto Gina abria a porta. Merlin conduziu-o através do corredor para parar em frente à porta.


— O que ela fez?


— Ela voltou para a cozinha e deitou-se no tapete de novo.


Ele riu, embora se sentisse vagamente magoado.


— Traidora.


Estendeu a mão direita para Gina, percebendo o quanto estava ansioso por sentir de novo o toque daquela pele.


— Obrigado pelo jantar. E, mais uma vez, pelos biscoitos.


Ela segurou a mão dele, e a emoção que crescera durante a noite explodiu em seu plexo solar.


Gina ficou imóvel quando eles apertaram as mãos. Absolutamente imóvel, como se estivesse congelada. O corpo de Harry recomeçou a voltar à vida ao toque suave da pele de Gina. Sua mão pequena e delicada quase foi engolida pela mão bem maior de Harry. Ele se manteve simplesmente segurando aquela mão, incapaz de soltá-la. Lentamente, esfregou o polegar pelas costas da mão de Gina e ouviu-a arfar alto.


Uma satisfação correu pelo corpo de Harry. Ela também sentia.


O que pensa que está fazendo? Não está interessado num relacionamento.Química, assegurou-se. Apenas isso. Não significava nada. E, mesmo assim... Ele ainda segurava com firmeza a mão de Gina.


O telefone tocou, agudo em meio ao silêncio que pairava no ambiente. Ele sentiu-a puxar abruptamente a mão.


— Deve ser minha irmã. Aposto que papai também acaba de falar com ela.


— Vou deixar vocês conversando — disse ele, ciente de que o momento havia se passado. — Que tal nos encontrarmos no corredor às 10h30 para levá-los para passear à noite? Então ensinarei a você os comandos dela.


— Combinado. — Ela tocou o braço dele por um breve instante. — Obrigado por ter vindo. Nos vemos daqui a pouco.


Gina correu de volta para seu próprio apartamento quando o fone tocou de novo, e ele a ouviu fechar a porta.

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