No último mês das férias de verão, Dumbledore fez uma visita a Snape em sua sala, numa noite fria e chuvosa. Snape havia acabado de preparar uma poção aquecedora, e após servir o diretor, sentou-se em sua mesa, esperando descobrir o que ele fazia ali.
_ Severo, quero que me faça um favor.
_ Sim... o que seria?
_ Preciso que vá até a sede da ordem da fênix.
_ Estão precisando de alguma coisa?
_ Não, não, quero que apresente a todos um novo membro da ordem.
_ Um novo membro?
_ Sim...Anna Willows.
_ O QUE? O SENHOR NÃO PODE FAZER UMA COISA DESSAS! NÃO PODE ARRISCAR A ORDEM DESSA MANEIRA...NÃO...
Dumbledore riu.
_ Controle-se Severo. Confio nela a minha própria vida. E sei que ela será de grande ajuda na ordem.
_ Desculpe diretor, mas ela mal saiu das fraldas, como pode ajudar em algo?
_ Ah sim, acredite em mim, ela é de grande interesse à ordem. Essa menina tem talentos que assombrariam a mais forte alma, e quando chegar a hora ela provará.
_ Mas diretor... e se ela deixar escapar...acho que não merece essa chance...
_ Há anos eu lhe dei uma chance Severo, e você se provou merecedor. Agora é a vez dela, embora as circunstâncias sejam um tanto diferentes.
_ Diretor...por favor, peço que reconsidere...
_ Vocês partirão amanhã de manhã. Devem chegar lá a noite.
_ Minerva não pode levá-la?
_ Peço que ponham suas diferenças de lado para fazer essa viagem, ok?
_ Mas...
_ Boa noite Severo. E obrigado pela poção, foi de grande uso.
Dumbledore levantou-se e saiu da sala, deixando para trás um Snape confuso e revoltado.
- x -
Naquela manhã, ainda inconformado e irritado, porém com uma ponta de uma satisfação inexplicável, Snape foi até o salão principal tomar um café. Anna já estava à mesa com seu pelúcio no colo, então ele se sentou do lado oposto do salão. Hagrid se juntou a eles logo depois, sentou-se ao lado da moça enquanto se servia de ovos.
_ Hagrid, não sei como agradecer. Quero dizer, não conheço ninguém direito para pedir um favor como esse...
_ Ah, não se preocupe... - falou o gigante pegando o pelúcio no colo. - ... é um prazer...além do mais, ainda não consegui soltar os outros na floresta...acho que ele vai ser uma boa companhia...
_ Acho que sim...hum...Hagrid, o que você pode me dizer sobre...a ordem...da...
_ Acho que você vai se enturmar bem, nossos membros são ótimas pessoas...muito prestativos...
_ São muitas pessoas?
_ Na verdade não...alguns professores, alguns pais de alunos, você irá conhecê-los, ótimos meninos...tem também pessoas do ministério, aurores sabe? E recentemente...perdemos um membro...padrinho do Harry...
_ Ah sei...Sirius era uma ótima pessoa...
_ Você o conheceu? Ah sim...ele passou uma temporada com minha família, a pedido de Dumbledore...Bicuço também...
_ O Bicucinho...aquele hipógrifo danado...sinto falta dele...
_ Bom...tenho certeza que você também lhe faz muita falta, mas acho que ele está bem.
_ É, acho que sim...
_ Bom, acho que é melhor eu ir logo...
Anna se levantou e Hagrid pegou sua mala. Caminharam até as portas de carvalho. Uma enorme carruagem negra puxada por um cavalo galês acinzentado já se encontrava parada em baixo de uma chuva de verão que não queria parar. Hagrid foi na frente, guardou a mala dela e voltou. Snape parou do lado deles, vestiu suas luvas, pegou sua mala e entrou na carruagem.
_ Bom...boa viagem então...e não se preocupe com esse pequenino.
_ Obrigada novamente Hagrid...
Anna vestiu o capuz de sua capa de chuva e fez os mesmos passos de Snape. Entrou na carruagem e se sentou a frente do carrancudo professor. Olhou pela janela e resolveu não tirar o capuz, era mais fácil não ter que encará-lo.
_ Eu não pedi por isso sabe? Não adianta ficar mal humorado.
_ Quer fazer o favor de ficar na sua?
_ Você parece meu avô...
_ Cala a boca...
_ Ranzinza...
Os dois permaneceram quietos até a carruagem alcançar os terrenos da estação de Hogsmeade. Até ali a chuva já havia parado, deixando um chão particularmente enlameado, dificultando a passagem dos dois. Snape saiu primeiro, pisando na lama e deixando Anna para trás. Ela conjurou uma grande tábua de madeira sob a lama e saiu da carruagem até o piso de pedra sem se sujar. O trem já havia dado o segundo apito da partida e os dois seguiram até uma porta de embarque. O trem levava um ou outro passageiro a Londres, mas a maioria das cabines estava vazia. Snape acomodou-se em uma no final do vagão e Anna seguiu para a frente do trem, sentando-se ao lado da velha gordinha do carrinho de doces. A viagem foi tranqüila boa parte do tempo, a não ser por uma chuva fina que alcançou o trem no meio do caminho, resultando num lindo arco-íris no final da tarde. O trem encostou na plataforma nove e meia no começo da noite. Anna foi encontrar um Snape sonolento e desesperado na saída da estação.
_ Você está louca? Sair assim do trem sem dar satisfação a ninguém.
_ Eu não sou criança, sei andar sozinha muito bem.
O rosto de Snape se abriu num sorriso gostoso.
_ Até parece.
_ Olha vovô, eu cresci em Londres e...
O rosto de Snape se fechou do mesmo modo em que se abrira, como num toque de mágica.
Snape agarrou o braço dela e foi puxando-a até a rua.
_ Fica quieta sua pirralha, ou te largo aqui mesmo.
_ O que está esperando então? Vai embora... - Snape continuou andando e puxando Anna pelo braço sem dar ouvidos a ela. - ... e solta meu braço seu brutamonte!
Snape continuou puxando-a. Anna tirou sua varinha do bolso e deu um cutucão na costela dele. Snape engoliu um grito de dor e soltou-a na hora.
_ Não vai dizer que eu não pedi. Vamos de metrô não?
A moça saiu na frente em direção a estação, deixando para trás Snape agonizando de dor.
Anna sentiu os primeiros resquícios do cansaço bater em seu corpo enquanto olhava a paisagem metálica passar pela janela do metro. A sua frente Snape despencara em cima de sua mala. O vagão estava vazio a não ser por eles e um mendigo que dormia ocupando dois assentos, coberto por jornais. Anna cutucou o professor, que não parecia querer acordar, então deu um beliscão na perna dele. Snape levantou a cabeça como se nada tivesse acontecido.
_ E aí, estamos chegando? - perguntou ela.
_ Daqui a pouco...
Snape olhou a sua volta, nada havia mudado desde que saíram da estação. O mendigo deu um longo suspiro em seu sono e Anna apoiava uma mão sobre o estômago, como se estivesse segurando-o.
_ Que foi? Passando mal?
_ Não...tô com fome...
_ Você comprou quase tudo no carrinho da velha do expresso de Hogwarts e já está com fome?
_ Nem vem...eu só comi um bolinho de abóbora...
,p>Snape abriu a parte externa de sua mala, tirou uma barrinha de chocolate de dentro e entregou para ela.
_ Come isso.
_ Hum...chocolate?
_ Mulheres e chocolate...é uma química misteriosa...
_ Você fala como se entendesse muito sobre o assunto.
_ ...?
_ Acho que se os homens realmente entendessem sobre o assunto, nós mulheres não comeríamos tanto chocolate...e eu não estaria com tanta fome...
O trem diminuiu a velocidade e Snape levantou-se carregando sua mala.
_ Chegamos.
Anna acompanhou ele até a rua. Não havia ninguém por perto, e isso fazia o tempo parecer mais frio do que estava naquela hora. Os dois pegaram a rua que saia em frente do metrô e seguiram reto até saírem em uma pracinha. As fachadas das casas eram cobertas por fuligem e não eram nada convidativas. Algumas tinham janelas quebradas que refletiam opacamente a luz dos lampiões, a pintura estava descascando em muitas das portas e havia montes de lixo na entrada das casas.
_ Coloque seu capuz, é melhor que ninguém nos reconheça.
Snape colocou a mão dentro da capa e tirou dela um objeto que parecia um isqueiro de prata e acionou-o. A luz do primeiro lampião apagou e foi assim com todos os outros da praça, até restarem apenas a luz de uma janela, protegida por cortinas e a lua cheia no céu. Snape avançou pelo gramado, atravessou a rua e subiu na calçada. Esperou Anna chegar a seu lado, inclinou o rosto até sua boca encostar em seu ouvido e sussurrou:
_ Memorize isso: A sede da Ordem da Fênix encontra-se no largo Grimmauld, número doze, Londres.
Enquanto ouvia as palavras de Snape, Anna observou as casa a sua frente e viu que nenhuma delas era a número doze...
_ Mas...
_ Xiiiu...agora pense no que acabou de ler.
Anna pensou e, mal chegara à menção do número doze da praça, uma porta escalavrada se materializou entre os números onze e treze, e a ela se seguiram paredes sujas e janelas opacas de fuligem. Anna imaginou um balão gigante em forma da casa inflar entre os números onze e treze, empurrando-as para os lados. Snape seguiu até a porta de tinta gasta e deu uma batida. A maçaneta de prata em forma de serpente se virou. Anna ouviu barulhos metálicos atrás da porta e esta se abriu com um rangido. Snape entrou rapidamente e num segundo puxou Anna para dentro e bateu a porta atrás de si.
- x -
Imediatamente um cheiro podre, um ar abafado, pesado e cheio de mofo entrou no nariz de Anna, e ela sentiu a garganta coçar. Estava em um hall que acabava em um corredor. As paredes estavam descascando e o tapete estava rasgado em diversos pontos. Algo naquela casa dava arrepios, talvez fosse a luz fraca que tamborilava nos lampiões a gás, ou simplesmente as figuras horrendas que dormiam em seus quadros. Snape foi caminhando a sua frente, os passos demorados, como de alguém evitando pisar em ovos. Então ele se virou e sussurrou:
_ Fale baixo e não faça nenhum barulho, eu digo, nenhum mesmo!
A moça concordou com a cabeça e seguiu-o. Passaram pelo corredor, onde uma cortina enorme e empoeirada ia do teto até o chão, tampando algo atrás de si. Desceram um par de escadas que levava a uma porta e entraram. Era uma cozinha pequena e fria, com alguns armários e um fogão. Seu ambiente revelava várias pessoas conversando entusiasmadas, que param automaticamente quando eles entraram. Tonks foi a primeira a se levantar e caminhar até ela. Anna se pegou totalmente surpresa.
_ Madrinha...o que você está fazendo aqui? Não me diga que...você também?
_ Desculpe querida, não podia falar nada...
_ Que bom te encontrar aqui.
Snape sentou-se à mesa, deixando Anna totalmente sem graça e pouco a vontade frente tanta gente.
_ Venha, conheça todos os membros...este é Remo Lupin.
Lupin se levantou e foi dar a mão a Anna.
_ Esta é Molly Weasley... - Molly levantou-se calorosamente e abraçou Anna.
_ Estes são seus filhos, Fred e Jorge, Gina, Rony (acanhado e ficando vermelho), Gui e Carlinhos. - Todos sorriram no mesmo instante, como se combinado.
_ Este é Harry Potter e esta é Hermione Granger.
_ Olá. - Falaram os dois em tons diferentes.
_ Alguns membros estão em missões especiais, mas tenho certeza que Dumbledore já a deixou a parte de tudo, ah, e por favor, sente-se. - Falou Lupin animadamente.
Anna agradeceu a todos e sentou-se ao lado de Gui.
_ Desculpe a indelicadeza, mas de onde você surgiu? - perguntou Fred.
_ Vou ficar em Hogwarts este semestre.
_ Por que? - Perguntou Gina.
_ Estou fazendo uma pesquisa sobre castelos antigos...
Fred e Jorge se olharam e um sorriso maldoso surgiu no canto de suas bocas.
_ E eu já estou a par de seu currículo, portanto, estando ou não estudando em Hogwarts, podem ir tirando o cavalinho da chuva!
_ Estão, nesse caso, saiba que nós conhecemos o castelo de Hogwarts como ninguém. Disponha. - Falou Fred.
Anna sorriu para os dois, e Molly veio em sua direção com um prato de comida e uma garrafa de cerveja amanteigada.
_ Nós já jantamos, mas fiquem à vontade, sobrou bastante comida.
Anna e Snape comeram como dois porcos. Aos poucos os membros da Ordem foram se retirando, até que sobraram apenas Snape, Anna, Lupin e um resto de vela que agora produzia uma luzinha tremeluzente e agourenta.
_ Acho que é minha vez de se retirar, hum...só temos o sótão vazio, agora que o velho Sirius não está mais entre nós, acho que vocês vão se arranjar bem lá.
E com um suspiro solitário e pesado, Lupin saiu da pequena cozinha. Snape seguiu seus passos após alguns segundos. Anna apagou o toquinho de vela com o dedo e foi atrás dele.
Subiram até o corredor com as enormes cortinas, uma outra escada com bizarras cabeças de elfos domésticos encolhidas na parede, que levava ao segundo piso da casa. No final do corredor havia outra escada que levava ao último corredor que estava com todas suas portas fechadas. Snape seguiu pelo último andar e Anna pensou se ele não estava enganado, porque não havia outra escada ali, mas quando chegou mais para a frente viu que do lado direito havia uma escada fina, que comportava apenas uma pessoa por vez. Snape subiu na frente e abriu a porta de madeira. Anna entrou no enorme sótão e sentiu um alívio ao ver que, comparado com o resto da casa, não era tão ruim assim. Havia duas janelas do seu tamanho, que iam do chão ao teto, uma de cada lado de uma cama de casal que já estava arrumada. Do lado direito um armário com as portas caindo, uma portinha que levava a um banheirinho, e do esquerdo um espelho velho. Na parede da porta (em frente à cama e às janelas), havia um quadro com o que parecia uma foto de família, corroído nas beiradas. Todos os bruxos que ali estavam agora dormiam.
Snape jogou sua mala em cima da cama e se atirou do lado esquerdo, com roupa e tudo.
_ Ah, pode cair fora, eu fico com a cama.
_ Se vira mimadinha, eu não pedi por isso.
_ Muito menos eu, e tira esse sapato imundo de cima dos lençóis.
_ Tem espaço de sobra, se quiser deita aí e me deixa em paz.
Anna pegou a mala dele e jogou do outro lado do quarto. Ela se partiu e suas roupas se espalharam pelo chão. Snape lançou um olhar furioso para ela, que tirou suas botas, colocou os travesseiros no meio da cama e deitou-se do seu lado.
_ E se encostar um dedo em mim vai acordar no St. Mungus com uma mamadeira no lugar do nariz.
_ Vai sonhando que eu vou relar um dedo em você.
Anna virou-se para ele e sorriu maliciosamente, seus olhos com um brilho particularmente agourento.
_ Bem que você queria.
_ Sabe, eu prefiro mulheres mais velhas, mais maduras, e mais...hum...experientes.
_ Acho que elas estão em falta na sua vida.
_ Acho que elas podem me oferecer muito mais do que você pode.
_ Acho que você não se importa com isso na verdade, quero dizer...se você é homem...está no seu sangue.
_ Acontece que eu sei diferir o que é bom do que é ruim...e, além do mais, vamos ser sinceros, você ainda é virgem, não é?
Anna fechou os olhos e passou a língua pelo lábio superior.
_ Hum...você ainda não viu nada.
Snape não conseguiu segurar uma gargalhada gostosa.
Anna tirou os travesseiros que os separavam e com apenas um movimento montou em cima dele. Sentiu o corpo do professor em baixo de si, ele não moveu um músculo com o peso dela, apenas encarou-a. Anna sorriu maliciosamente para ele.
_ Sabe o que eu acho?
Começou a desabotoar as vestes dele.
_ Acho que você precisa de uma noite de sexo selvagem, animal...
Afastou a camisa dele até deixar seu peito nu.
_ Precisa liberar esse tesão preso nesse corpo delicioso...
Deitou sobre ele e lambeu seu pescoço.
_ Eu posso de deixar louquinho...
Desceu até seu tórax e mordeu seu peito.
_ Posso fazer você ficar sem voz de tanto gemer.
Desceu sua mão até a cintura de sua calça e sentiu ele reagir.
_ Fala para mim que você também está doido de desejo.
Encostou sua boca na dele e acariciou sua barriga. Snape ficou louco, jogou-a na cama e deitou sobre ela, uma mão agarrando sua nádega, a outra segurando sua cintura. Foi beijá-la, mas Anna virou o rosto.
_ Viu como você é patético? Caiu direitinho...
Snape segurou o rosto dela pela bochecha com força.
_ Então você vai me dizer que não ficou nem um pouco arrepiada quando sentiu meu corpo contra o seu. Não sentiu nem um pouquinho tentada em provar o que eu podia te oferecer, não aproveitou nem um pouco desse showzinho para por as mãos em mim ?... É Srta. Willows, acho que não, você é muito ingênua, não passa de uma menininha frígida. Vai demorar muito para se tornar mulher e entender o que é prazer de verdade.
_ Se você fosse homem de verdade não estaria falando essas coisas agora. Teria tomado uma atitude muito antes, teria ido atrás do que quer. Pelo jeito você não consegue; ou é incapaz ou gosta de homem...mas acho que seu problema é físico mesmo, deve ser a idade. Não é à toa que fica emburrado o tempo inteiro. Agora, sai de cima de mim e se contenta, porque pelo jeito, eu já consegui provar o que queria.
Snape largou o rosto dela contra sua vontade, levantou-se e foi se trancar no banheiro.