CAPITULO 19 – ÍNTIMOS?
Hermione submergiu nadando de olhos abertos, para ver o fundo do lago e ganhar confiança. Ignorou-o por uns dez minutos, até sentir algo a tocando, eram mãos que seguravam seu tornozelo e mesmo a contra gosto, ela debateu-se rindo.
Seu irmão tinha o hábito de fazer isso também. Mas não era seu irmão. Era seu marido. Estranho, não pensava nele desse modo. Marido.
Era uma brincadeira, disse a si mesma, sem perceber que começava a confiar demais nele!
Rony riu com ela, divertindo-se enquanto eles brincavam dentro da água. Em algum momento, a brincadeira foi embora, e se viu abraçando-a. O corpo molhado e escorregadio contra o seu corpo forte e voraz.
Hermione ainda ria quando percebeu a diferença. Não era uma brincadeira de irmãos. Não era sequer uma brincadeira! Era o abraço de um homem em uma mulher que pela lei lhe pertencia. Um arrepio cruzou sua espinha ao erguer o olhar e ver o azul profundo, perder a tonalidade clara para tornar-se azul escuro.
Não sabia o que era, mas havia perigo em seu olhar. O perigo de estar vestida apenas com a roupa de baixo, as peças de algodão surrado, que molhadas não ofereciam barreira a nada.
Apenas revelavam e ofereciam suas curvas ao olhar e ao toque. Hermione baixou os olhos, não conseguindo manter o olhar. Foi pior. Seus olhos captaram diretamente a imagem do peito largo e musculoso.
Músculos definidos, pele clara e macia, de quem vivera a vida longe do trabalho braçal. Ela colocou uma mão entre eles, empurrando-o com menos força que o desejado.
Há essa hora, em outra situação, estaria aos berros, empurrando-o e chutando, procurando avidamente algo para usar em sua defesa. Mas ali, no meio da água morna do lago, com os braços dele em volta da sua cintura, a única coisa que fez foi empurrá-lo insignificantemente com uma das mãos e virar o rosto, quando sentiu que ele a beijaria.
Foi a pior das decisões. Rony aproveitou aquela pele bronzeada pelo sol forte, e correu os lábios pelo pescoço delgado. Subiu pelo queixo provando o gosto de sua pele, e acariciando a bochecha. Ela empurrou com um pouco mais de força, juntando as duas mãos espalmadas sobre o peito, sentindo inadvertidamente, o bater acelerado do coração de Rony sob seus dedos.
Suas mãos subiram pelas costas, e apertaram o corpo frágil contra o dele com a audácia de quem sabia que estava sendo aceito. Ela não lutava. Era o melhor dos incentivos!
Por isso, segurou sua face e a obrigou a olhar para ele.
-Por favor, não faça isso – ela pediu baixo, havia algo em seus olhos que quase o fez parar. – Disse que não faria....
Sim, ele dissera. Mas não podia cumprir tal promessa. Baixando o rosto, abocanhou seus lábios entreabertos em um beijo profundo. Doce, e suave, para que ela entendesse que não era seu desejo forçá-la. Um beijo que a tornou mole em seus braços ele notou, as mãos em seu peito não empurravam mais, apenas tocavam. Segura, ela arqueou o corpo e ele aninhou-a firmemente contra si, desesperando-se de desejo com o contato revelador dos seios rijos contra seu peito, das pernas suaves, roçando as suas, com a cintura fina, a mais fina que vira na vida, em suas mãos.
Por baixo da água, Hermione tentou chutá-lo,mas escorregou, ficando tão perto e entregue que ele aprofundou o beijo, roubando-lhe a capacidade de pensar. Ela tinha escorregado, e ele precisou buscá-la para que o beijo não se quebrasse.
Um sereia pensou romântico demais. Uma escorregadia e molhada sereia. O que diria se a chamasse assim, pensou?
Esquecendo qualquer pensamento, ele praticamente dobrou-lhe o corpo enquanto roçava os corpos e a fazia nadar com ele. Sim, ele a levava para a margem, onde poderia deitá-la sobre a grama e possuí-la.
Ver seu corpo enxuto e deliciar-se com a boa sorte que o fizera ambicionar aquela fazenda!
Seu planos, contudo foram frustrados quando a bela criatura em seus braços encontrou apoio para os pés na parte mais rasa do lago. Ele gemeu quando a dor correu por sua canela e não a soltou apesar disso, separando os lábios e rindo dos seus esforços.
Como pudera subestima-la?
-Hermione...
-Me solte! – ela exigiu, empurrando-o com o controle readquirido, e ele desejou calá-la novamente e fazê-la esquecer das brigas.
O fez, selou os lábios nos seus, depois de agarrar sua coxa e erguer seus pés, para longe do chão e para longe do apoio. Desse vez, Hermione não correspondeu ao beijo mesmo que quisesse e estivesse arfante, simplesmente cerrou os lábios e não permitiu que a beijasse como queria.
Megera irritante, pensou, deixando a delicadeza e impondo sua presença. Se ela queria na marra, seria ao seu gosto!
Esse tipo de sentimento, Hermione reconhecia e não se confundia. A força era o que lhe impunham e era a única forma de defender-se desde que aprendera a falar!
-Eu disse não! – ela gritou depois de morder-lhe o lábio.
Rony afastou-se e a soltou, sentindo a dor e a confusão, a megera mordera sua boca! Sangue vertia e ele levou as mãos a ferida, vendo o sangue.
Seu torpor durou um minutos, tempo suficiente para ela sair da água a correr até suas roupas. Furioso desejou segui-la, mas a imagem o entorpeceu por um segundo.
Vestindo apenas as calças curtas de renda e algodão, e o colete íntimo de mangas longas, ambos grudados a pele e transparente, ele deliciou-se com a visão dos seios arrepiados pela brisa e quis crer que pelos toques íntimos, de costas, ela apanhou o vestido e ele admirou as nádegas redondas e firmes, os quadris arredondados e o triângulo de pelos que era apena uma pálida sombra através do tecido.
Os cabelos longos corriam por todo seu corpo, em todas as direções e ele tomou consciência que ela o mordera!
Saindo da água, tencionou segurá-la, mas Hermione afastou-se com passos urgentes, o vestido colocado de qualquer jeito sobre a pele molhada e ainda desabotoado nas costas, pois jamais poderia conceber a idéia de ficar mais um segundo que fosse ao seu lado!
Rony vestiu a calça, e somente ela, e correu atrás de Hermione, agarrando seu braço e fazendo-a parar:
-Mentiu para mim! - ela gritou, soltando-se com um puxão digno de um homem pesado e forte.
-Não menti! – defendeu-se tentando agarrar seu braço novamente.
-NÃO ME TOQUE! DEVERIA SABER QUE ERA COMO TODOS OS OUTROS HOMENS! ANIMAIS, TODOS OS HOMENS SÃO ANIMAIS!
Havia tanta raiva em sua face, tanto ódio que ele parou com as tentativas de tocá-la.
-Sou seu marido! Não vou desonrá-la, pois somos casados! – defendeu-se sem conseguir entendê-la – Não sou qualquer homem!
-SIM, VOCE É! VOCE É UM HOMEM, E ODEIO TODOS VOCÊS!
Ela parecia a beira das lágrimas, e ele achou que tinha mais, muito mais do que ficara sabendo.
-Ele... Ele te forçou, não foi? Forçou sua irmã e fez o mesmo com você? – perguntou sério.
-Não te interessa! – ela gritou, virando-se e correndo para longe.
-HERMIONE!
-ME DEIXE EM PAZ!
Rony ficou onde estava tomando ar e paciência. Ela que voltasse sozinha. Claro, muito simples.
Sentindo a fúria crescer dentro dele, foi atrás. Achando que a encontraria correndo para casa, surpreendeu-se ao vê-la apoiada contra uma árvore, respirando descompassadamente. Não chorava. Era altiva demais para chorar.
Gemeu quando o viu e tentou ir, mas ele a segurou com força dessa vez.
-Quero que ouça de uma vez, e não pense que vou repetir. – ele rosnou, chegando ao fim todo seu limite de compreensão – Não sou como os homens que conheceu, mas exige que me porte como eles, ao me tratar como os trata! E daqui pra frente, serei exatamente do modo que espera! – vendo seus olhos se arregalarem, ele continuou – Não vou tocá-la, pois nesse momento meu desejo morreu. Não a quero e jamais voltarei a olhar para você desse modo. Viva reclusa e sem paixão, é problema seu! Mas, na frente dos outros, será a mais dócil das esposas, está ouvindo? Pegue nossas coisas, arrume seu vestido, e voltemos como se nada houvesse acontecido.
Ela estava confusa. Muito confusa, desolada, talvez, mas Rony não se importava mais. Tinha raiva de suas recusas e ela já provara milhares de vezes que não o desejava.
-Entendeu? – insistiu, os lábios cerrados de raiva.
Por alguma estranha razão ela esperou que fosse beijada novamente. A força. No meio das árvores. E ele quase a beijou. Quase.
-Sim – respondeu virando o rosto e sentindo um alívio indiscutível quando foi solta.
Tentando não reparar em seu andar sedutor, ou notar a excitação ainda evidente em seu corpo, observou-a voltar para a margem do lago, apanhando e arrumando os pertences de ambos.
Ele vestiu-se e aproximou-se levando o cavalo pela rédea, andando ao seu lado, sem trocar uma só palavra.
NOTA DA AUTORA: mal posso esperar para a hora das ncs!!!hehe
NOTA DA BETA: Quase Rony, quase, uma hora você chega lá, rs, deu uma peninha dele!