Batidas. Pressão. Apitos. Gritos. Um som estridente e longo, seguido pelo silêncio.
“Hora da morte 23:48 PM.” - saiu da sala em passos rápidos, tirando a luva de látex grudada as mãos. Tinha consciência de que sua equipe que permanecia no local, junto a cama, estavam abalados, derrotados. E esse era o erro deles.
Já deveriam ter aprendido que a morte é uma adversária muito forte para lutarem.
Perderiam, sempre. Mas ela sim era capaz de entender e de se deslumbrar com o apito final. O da derrota.
A morte é mais bela, mais prazerosa e muito mais consciente do que a plenitude do sonho que chamam de vida. E ansiava pelo momento da sua. Aconteceria naturalmente, deixaria fluir e assim sendo, finalmente viver.
Passava o tempo com desafios, e se prendia a cada um como a sua condição de existência. Não seria capaz de viver nesse mundo se perdesse. Era pequeno e fatídico demais.
Com olhos que refletiam o mais duro dos seres, e mais impuros pensamentos, entrou na sala de outro paciente. Sorriu sem se esforçar, pois não era difícil de esconder a liberdade de viver entre limites temidos por todos e apreciados por ela, omitidos naquele simples, agradável e simpático sorriso.