Não observou o cadáver atrás de si. Não significava mais nada, era apenas um pedaço feio de carne morta. Suas luvas cobertas de sangue, como se tivessem sido mergulhadas em um balde de tinta vermelha. Mas tudo que acontecera foram suas mãos em meio às tripas, rins, pulmões. Tudo que um corpo aberto ao longo do abdome mostraria.
Apenas gostava de ver os órgãos revirados, misturados, despedaçados. Como se fossem apenas uma mistura intrigante e gosmenta. Oh não, ele não ousaria por a boca, comer seria nojento. Não era um primata...
Andou tranqüilamente até o banheiro, em passos precisos. O ar estava estranhamente leve. Face a face com o espelho, em cima da pia de mármore, lavou suas mãos. Ou melhor, suas luvas.
Uma onda de prazer vibrava seus músculos, sensação inebriante. Mas não, ele não estava feliz. Nem sequer permitia-se sorrir. Ia além do obvio, todo o ritual era apenas a necessidade, os rápidos minutos de realização.
Quando colocou-se para fora do apartamento, cujo o dono encontrava-se um pouco debilitado, não teve o trabalho de esconder o corpo, somente o de encobrir as pistas.
Era um Deus em meio a insetos. A noite era sua única testemunha, o cálido vento sussurrava como seu cúmplice. Pisava na linha fina do limite e a ultrapassava deixando marcas de seus passos. Em sua cidade nada poderia pegá-lo ou abate-lo. Ele era o espírito esquerdo e o errado. Era a sombra dos prédios, a pouca luz dos becos e a última parada.
N/A:
Oi, espero que gostem do que estão lendo. Acho que precisam de algumas explicações em relação ao tamanho do capítulo...
Os capítulos negativos são apenas trechos de como eram a vida deles antes do hospício, o que os levou até lá.
Obrigado, e por favor comentem :)