Capítulo 13
ELE HAVIA ESTRAGADO TUDO. DEPOIS DE TODO O PLANEJAMENTO, PREOCUPAÇÃO e cuidado, ele a tinha deixado escapar. Trabalhara duro para conseguir. Não, aquilo não era justo. Ele tinha o direito e o dever de tirar-lhe a vida.
Ela o havia enganado e fez com que ele se sentisse confuso ao sentir pena dela no momento em que ela caíra. Ela tirara sua concentração. Sim, fora exatamente isso o que acontecera.
Parou o carro ao lado do meio-fio e começou a dar murros no painel. Ele sabia que estava se comportando como uma criança fazendo birra, mas não se importava. Ele havia fracassado. Continuou a bater no painel até que a tremedeira passasse. Quando conseguiu pensar novamente com clareza, percebeu que as juntas de seus dedos estavam feridas.
O pânico não diminuiu até que alcançasse a segurança de sua garagem. Ficou no carro até que o portão da garagem se fechasse e estivesse a salvo em seu gélido casulo. Mesmo assim, continuou imóvel. Encostou as costas no assento e fechou os olhos enquanto pensava na sua situação, com a mente pulando de um pensamento para outro. Ele sabia que era apenas uma questão de tempo até que a polícia encontrasse o corpo que enterrara. Será que eles o ligariam ao crime? Caso positivo, ele ficaria preso pelo resto de sua vida e sua Nina, sua querida Nina... como ela seria capaz de sobreviver sem ele?
Mantenha a calma, disse a si mesmo. É possível que haja outras chances. Ele não podia ser pego. A fera não deixaria que isso acontecesse. Tudo acabaria bem.
Continuou seu monólogo interno enquanto se esgueirou para dentro de casa e abriu a porta do quarto para verificar se Nina estava bem. Ela dormia profundamente. Em silêncio, ele fechou a porta e foi até a lavanderia, ao lado da cozinha. Tirou a roupa, jogou-as na máquina de lavar e agarrou uma caixa de sabão em pó.
Sua mente recusava-se a ficar calma. Numa mistura de pavor e irritação, ele analisou sua atuação infeliz daquela noite. Da próxima vez, precisaria de um desempenho melhor.
Ele não podia deixar de pensar nela. Continuava a brincar com a imagem de seu lindo anjo de asa quebrada, caindo de forma tão graciosa. Ele a ouvira gritar de dor ou será que era apenas imaginação? Sua escolhida, seu anjo perfeito, era tão inocente quanto sua adorada Nina.
Fechou os olhos e curvou a cabeça. Sentiu o coração partido ao vê-la chorar. Ficaria completamente dividido entre a preocupação que sentia por ela e a raiva ao vê-la escapar.
— Não dá para ter as duas coisas — murmurou ele. E ele sabia, do fundo do coração, que precisava acalmar o demônio.
Nu em pêlo, foi até a garagem. Seu peito e seus braços ficaram completamente arrepiados. Havia um pequeno espelho numa estante perto da porta. Ele parou para se observar. Tinha um corpo tão perfeito quanto o de um deus grego, pensou ele, com orgulho. Trabalhara muito para chegar ali. Flexionando os músculos, sorriu para a própria imagem.
Durante pelo menos um minuto, ele ficou ali, imóvel. Sentiu um desejo, não, uma necessidade incontrolável de olhar as coisas dela. Só para ter certeza de que ainda continuavam no pequeno engradado de madeira onde ele as escondera, colocando alguns trapos velhos por cima. O engradado estava no canto. Não era um bom esconderijo e, na manhã seguinte, ele planejava encontrar um lugar melhor.
O martelo, a carteira de motorista da garota e seu spray de pimenta estavam exatamente onde ele os havia deixado. Ainda não conseguia entender por que havia trazido as coisas dela e, ao mesmo tempo, não conseguia se livrar delas. Ele pegou a carteira de motorista e leu o nome dela. Haley Cross. Na foto, ela estava sorrindo. A imagem que guardara dela na mente era a de um rosto contorcido pelo terror. Ele jogou o documento sobre o spray e pegou o martelo.
Foi sacudido pelo toque do telefone. Virou-se, com o martelo em sua mão. Demorou um segundo para perceber que o barulho vinha de seu jipe. Claro. O celular. Alguém estava tentando falar com ela. Paralisado, ele esperou, segurando o martelo no ar, até que o ruído parasse. No banco de trás, encontrou o celular e a pasta que pertenciam a ela.
Tremendo por causa do frio da noite, voltou rapidamente para a cozinha. Colocou o celular e a pasta dela sobre a mesa e foi até a pia para lavar as mãos e limpar os ferimentos dos dedos. Em seguida, preparou um drinque.
Jogando-se numa cadeira, abriu a pasta. Espalhou o conteúdo sobre a mesa e começou a ler.
