Intimidante foi a primeira palavra que veio à mente de Gina quando olhou para Scarglas pela primeira vez. Escura, tímida e solitária foram as primeiras impressões. O modo como a cidade assomava à frente deles, fria e ameaçadora, perturbou Gina. Fazia com que pensasse em bruxaria e assassinato, mas não pôde saber o motivo.
Scarglas ficava em uma pequena elevação no meio de uma área brutalmente desmatada. Seus muros externos eram grossos e altos. Um fosso largo circundava os muros e ela sabia que provavelmente era perigosamente profundo. Vários metros depois do fosso havia um outro muro da altura de um homem.
Em linha direta com os quatro cantos do muro ela pôde ver os topos de quatro guaritas de madeira. Tudo em Scarglas indicava uma constante preocupação com invasores e guerras.
Nenhum inimigo poderia se aproximar dos altos portões de ferro de Scarglas. O caminho estreito entre o fosso e os muros era pontilhado por pequenas cabanas. Mais um obstáculo. Mesmo que os telhados pegassem fogo, isso prejudicaria ainda mais os invasores e Gina duvidava que o fogo ultrapassasse os muros da cidade.
Ela gostaria de saber há quanto tempo os Potter possuíam Scarglas. Construir um lugar daqueles levaria muito tempo e muito dinheiro, coisa que poucos escoceses tinham. Se a tribo possuía essas terras há muito tempo, como nunca ouvira falar deles? Gina sabia que seu conhecimento a respeito das várias tribos não era extenso, mas qualquer tribo assim poderosa e com tantos inimigos deveria ser muito conhecida. E ela nunca ouvira falar nada deles.
Gina foi percorrida por um calafrio ao atravessarem os portões. Scarglas era certamente forte o suficiente para protegê-la de Malfoy se ele viesse a saber onde ela se encontrava. Infelizmente, para esconder-se de um homem colocava-se no caminho de muitos outros que gostariam de acabar com aquele lugar.
Era hora de repensar no seu plano.
Harry a estava ajudando a apear do cavalo quando um homem alto apareceu. Ele abriu as portas pesadas e decoradas com pregos de ferro como se não pesassem nada. Apesar dos cabelos brancos, o homem se parecia com Harry. Gina se preparou para conhecer o homem que, aparentemente, cuidava de crianças e dos inimigos com o mesmo abandono. E ficou admirada quando ele a ignorou por completo.
— Estiveram lutando, não é, rapaz? — o homem perguntou, olhando rapidamente para Simon. — Perderam o rapaz?
— Não. Simon está apenas ferido — respondeu Harry. — Foram os Riddle.
— Alguma armadilha?
— Não. Acredito que nos encontraram por acaso e pensaram que tinham homens suficientes para nos vencer.
— Ora! Os Riddle sempre foram uns tolos. Então trouxeram uma prisioneira? — O homem franziu o cenho ao olhar para Gina. — Ela não se parece com um Riddle.
— Não a pegamos dos Riddle — Harry esclareceu.
— Ah, então você finalmente arranjou uma noiva? Isso me agrada, lady. Eu estava começando a ficar preocupado.
Gina notou que o rosto moreno de Harry enrubesceu.
— Preocupado com o quê? — Gina perguntou, mas foi ignorada por ambos.
— Ela não é minha noiva. Nós a encontramos perdida e a pé. Decidimos mantê-la até que nos diga a que tribo pertence, para podermos pedir um resgate. — O olhar licencioso que o pai endereçava a Gina fez com que Harry a pegasse por um braço e a puxasse para mais perto dele. — Pai, esta é Gina. Gina, este é meu pai. sir James Potter.
— Gina do quê? Ou de onde? — Fingal quis saber, olhando para ela.
— Apenas Gina. E só isso o que direi.
— Ainda bem que ela não é sua noiva, Harry — Fingal resmungou, olhando para ela de um modo que fez com que Gina desejasse lhe dar um soco. — É muito pequena, veste-se como um rapaz e tem cicatrizes.
Não foi fácil, mas Gina resistiu ao desejo de cobrir as cicatrizes com as mãos. O homem era arrogante e rude, mas esse não era o motivo para que começasse a odiá-lo. Fora o modo como se referia a Simon que fez com que Gina desejasse chutá-lo. Não parecera nem um pouco preocupado ao pensar que seu próprio filho pudesse estar morto. Mal olhara para o rapaz e, quando soube que Simon estava apenas ferido, nem perguntara sobre a gravidade dos ferimentos.
— Precisamos pôr Simon numa cama — Gina disse, olhando para Harry. — Preciso examinar seus ferimentos.
— Lily verá o rapaz — sir Fingal declarou, olhando em direção dos muros.
Acompanhando seu olhar, Gina avistou uma pequena e rechonchuda mulher que corria na direção deles. Seus cabelos castanhos estavam embaraçados e caídos sobre o rosto redondo, e suas roupas pareciam tão em desordem como os cabelos. Ela parou a alguns passos para pegar alguma coisa que deixara cair e colocou em uma cesta que balouçava, pendurada no braço. Se seus curativos estavam naquela cesta, não deviam estar adequadamente limpos.
Gina estava prestes a dizer para a mulher manter-se afastada quando olhou bem para o rosto dela. Havia uma delicadeza naqueles traços, uma doçura que Gina adivinhou profunda. Lily olhou confusa quando viu os vários homens com ataduras. Gina percebeu um toque de decepção e medo nos olhos da mulher, o que a fez sorrir internamente. Era óbvio que Lily era a curandeira de Scarglas e Gina invadira seu território.
O fato de Lily parecer preocupada em vez de furiosa fez com que Gina entendesse que ela não tinha muita segurança na posição que ocupava, posição essa que ela devia ter reivindicado por si própria. Lily não lutaria se lhe pedisse para se afastar, mas Gina sabia que a mulher se sentiria excluída e desprezada se ela fizesse isso.
-— Eu cuidei das feridas, sra. Lily — Gina disse, notando que os grandes olhos castanhos da mulher a fitavam com curiosidade. — Houve uma batalha que deixou alguns homens feridos e sangrando, então pensei que eles fariam o resto da viagem mais seguros se eu tratasse dos ferimentos.
— Você tem alguma habilidade em tratar feridos?—Lily perguntou.
— Um pouco. Tive algum treinamento. Tive aulas com alguns renomados curandeiros.
— Quem? Talvez eu conheça algum pelo nome. - Gina pensou algum tempo antes de responder.
— Passei algum tempo com lady Papoula Pomfrey quando eu era mais jovem.
Gina achou que dizer esse nome não daria nenhuma pista a Harry.
Lily suspirou e pôs as duas pequenas e gordas mãos sobre os generosos seios o que fez com que vários objetos caíssem da cesta.
— Oh, feliz de você! Lady Pomfrey é uma curandeira renomada. Como eu gostaria de tê-la conhecido antes de vir para Scarglas.
Sem saber ao certo se Lily quisera dizer que nunca mais teria a oportunidade de conhecer a famosa curandeira, Gina a ajudou a pegar o que tinha caído no chão para devolver à cesta. De algum modo teria de impedir que a mulher usasse aqueles itens imundos nos homens feridos. Não queria envergonhar a mulher nem fazê-la perder seu lugar na tribo, mas teria que ensinar algumas coisas a Lily antes de deixar Scarglas.
—- Talvez a senhora tenha que encontrar uma cesta com tampa ou usar uma sacola como a que eu uso — Gina afirmou. — Livraria a senhora do serviço extra de ter que limpar tudo o que cair no chão. — Gina percebeu, pelo olhar de Lily, que ela não pretendia lavar e nem limpar nada antes de usar.
— Oh, é claro — Lily concordou. — Eu estava com tanta pressa de ver os rapazes que apenas joguei as coisas dentro da primeira coisa que encontrei.
Gina suspirou, aliviada por ter conseguido falar o que queria sem magoar a mulher. Seria difícil ensinar o que sabia fingindo acreditar que Lily já tinha conhecimento dos procedimentos, mas tentaria. Seu instinto lhe dizia que Lily não se ofendia com facilidade, mas só falaria diretamente quando as duas estivessem sozinhas ou quando Lily perguntasse alguma coisa. De algum modo, sabia que Lily precisava muito do lugar que ocupava na tribo e Gina nunca seria tão cruel a ponto de dispensá-la, especialmente porque não ficaria em Scarglas durante muito tempo.
— Simon precisa de uma cama, senhora, para que nós possamos examinar seus ferimentos. A viagem pode tê-los aberto.
— Certamente, certamente... — Lily olhou para os dois homens que tiravam a cama de Simon de cima da carroça. — Vocês dois podem, por favor, trazer Simon para nós? — Lily pegou o braço de Gina e a conduziu para perto de Simon. — Será maravilhoso conversar com alguém que foi treinada por lady Papoula Pomfrey. Maravilhoso. Estou sempre tentando encontrar curas, você sabe. É meu dever manter os rapazes sadios. Recentemente, preparei um creme que faz com que as cicatrizes desapareçam. Vou lhe dar um pouco. – Um olhar por sobre os ombros fez com que os olhos de Gina encontrassem os olhos de Harry e Gregor, que menearam a cabeça afirmativamente. Ela entendeu que os sentimentos de Lily eram protegidos por muitas pessoas. Mas as curas de Lily obviamente deviam ser evitadas. De algum modo Gina teria de convencê-las que as cicatrizes não atrapalhavam sua vida. Como era mentira, não seria fácil. Gina afastou esses pensamentos e acompanhou Lily até a casa. Agora, o mais importante era cuidar de Simon.
— Pensei que você tinha dito que ela é uma refém — resmungou sir James, olhando para Gina e Lily.
— Ela é — respondeu Harry, caminhando em direção da casa, com Gregor e o pai de cada lado dele.
— Ela não age como refém. Não é seguro deixar que uma refém trate dos nossos homens.
— Gina é realmente muito habilidosa. E não usará seus conhecimentos contra os feridos.
— Como pode ter certeza disso? Você nem sabe quem ela é. Ela pode ter sido enviada para cá por um dos nossos inimigos, pode estar aqui para matar você ou eu, ou para nos espionar.
Harry considerou essa possibilidade ao entrarem na grande sala, mas não ficou convencido. Isso não era comum, pois ele fora ensinado desde pequeno a não confiar nas mulheres. E não queria acreditar que deixara a luxúria e um par de olhos cor de mel acabarem com seu bom senso.
Quando ele, Gregor e seu pai sentaram-se à mesa, duas empregadas trouxeram cerveja, pão e queijo.
Harry achou que podia confiar em Gina para tratar dos enfermos. O modo como curara os ferimentos de Simon e dos demais homens revelou que ela era ótima curandeira. Nunca usaria seus conhecimentos e habilidades para causar o mal.
Em compensação, precisava prestar muita atenção em cada palavra que ela dizia. Embora não acreditasse que ela tivesse sido enviada para espioná-los, tinha que ser cuidadoso. Mulheres, especialmente as jovens e belas, eram ótimas espiãs. Nunca poderia se esquecer disso.
— Como você pegou a moça? — James perguntou. Gregor respondeu e Harry apenas escutou, enquanto bebia um pouco de cerveja e comia pão e queijo. Sabia que Gregor se divertiria contando o que ocorrera. Mais tarde, quando tivesse sufocado a atração que sentia por Gina, tudo seria muito engraçado. Por enquanto, Harry achava que a aparição de Gina em sua vida era uma maldição. Mas seu pai ía achar engraçado o que Gregor acabara de narrar. James via inimigos em cada canto e era extremamente cauteloso.
— Isso é muito suspeito — resmungou James. — Acho que devemos mandá-la embora.
— Não — disse Harry. — Não podemos deixar uma mulher como ela abandonada no meio do nada. Há muito perigo lá fora.
— Você pode ter trazido o perigo aqui para dentro da nossa tribo. Já disse que ela pode ser uma espiã enviada para saber das nossas fraquezas e descobrir um meio de trazer o inimigo para dentro dos nossos portões.
— Então a manteremos sob vigilância até descobrirmos quem ela é e podermos pedir o resgate.
— E por que ainda não descobriu quem ela é?
— Ela não me disse. Disse que não me ajudará a esvaziar os bolsos da sua família.
James praguejou.
— Então faremos com que ela nos conte. Tenho várias maneiras de fazer uma pessoa confessar.
Harry nem queria pensar nos métodos usados por seu pai. Quando James sentia-se ameaçado, ele podia ser insensível e até cruel. Ele via ameaças e insultos em todos os lugares e freqüentemente agia sem pensar, uma das razões de estarem sempre cercados por inimigos. As únicas coisas que faziam com que James parasse de ver traição e roubos eram dinheiro e mulheres. Harry decidiu que para impedir que seu pai pusesse os olhos em Gina devia convencê-lo de que ela poderia lhes render muito dinheiro, que ela poderia enriquecê-los.
— Não há nenhuma necessidade de nos expormos — afirmou Harry. — Teremos apenas que ser cautelosos e prestar atenção em tudo que ela fala. A verdade surgirá. Poderá ser aos poucos e em pedaços, mas aparecerá.
— Como pode ter tanta certeza?
— Já está acontecendo. Sei que o irmão dela é proprietário de terras, que há uma mulher chamada Mione que lhe é muito próxima e ela tem o tipo de conexões que a lígam a lady Papoula Pomfrey, uma legendária curandeira. Quando eu puder falar com Simon, suspeito que descobrirei mais coisas, pois eles conversaram muito.
— Bem, isso pode funcionar. Nenhuma mulher sabe guardar segredo. Mas você tem certeza de que ela poderá render um bom resgate? Ela não se veste como uma mulher fina e não tinha a escolta que uma lady deveria ter.
— Suas roupas são de muito boa qualidade e suas armas também. Seu cavalo é de raça, é um cavalo caro. Apesar de ser estranha e ter muita habilidade com armas, tem atitudes de pessoa de sangue bom. Sim, alguém pagará para tê-la de volta e é melhor que ela volte intacta e sem histórias de crueldade para contar.
Harry suspirou aliviado quando seu pai concordou e distraiu-se observando Bonnie, uma empregada que era o atual objeto de seu desejo. James abandonara o papel de guerreiro sem coração para tornar-se um devasso, famoso em toda a cidade.
A constante mudança de humor e a incapacidade do pai em fixar sua atenção em alguma coisa por muito tempo permitiram a Harry tomar o seu lugar como líder. O fato de James não ter se importado com isso deixou claro que ele na realidade não queria o fardo de liderar sua tribo. Algumas pessoas até duvidavam que James estivesse em seu juízo perfeito.
Harry observava o pai mudar de humor de um minuto para o outro e temia que ele estivesse realmente ficando louco. Era esse medo que fazia com que Harry cuidasse de tudo com muita restrição e autocontrole. Quando ele sentia emoções mais fortes procurava expulsá-las da sua mente, pois temia ser igual ao seu pai. Gina despertara essas emoções, dentro dele e por causa disso decidira ignorá-la.
— Você realmente acredita que limpeza é necessária? — Lily perguntou, olhando para o adormecido Símon.
— Sim — respondeu Gina, sentada em uma cadeira ao pé da cama do rapaz. — Não sei lhe dizer o porquê, mas feridas mantidas limpas curam-se mais rápido e melhor. Elas não ficam pútridas arriscando a vida dos doentes. Há também menos risco de febre e de infecção, o que diminui o risco de morte. Eu gostaria de descobrir o motivo, mas ainda não sei.
Lily concordou.
— Confesso que tenho pouca prática. Quando cheguei aqui, não havia ninguém que quisesse ser curandeira e eu peguei o lugar para mim. Será muito útil aprender com você, que pelo que vejo possui muita habilidade e conhecimento. — Ela sorriu para Gina. — Contudo, sou muito boa para fazer poções e pomadas e tenho certeza de que algum dia descobrirei a cura para alguma coisa.
Antes que Lily sugerisse novamente que Gina podia tentar curar suas cicatrizes, Gina perguntou:
— Como você veio parar aqui? Você não é de Scarglas. Você não é uma Potter, é?
— Não. Eu vim para cá há dez anos, mais ou menos. Eu sou uma McGonagal. Bem, eu era uma McGonagal. Eles não me quiseram mais — Lily suspirou. — Ainda não entendi onde eu errei. Minha pomada deveria ter funcionado. E tenho certeza de que misturei a poção certa. Eles deviam ter estômagos muito delicados para sofrerem um efeito tão rápido e feroz. Tentei explicar para o líder que a poção não era um veneno e que é bom expurgar o corpo de vez em quando, mas ele não quis escutar. Ele me mandou embora com todos os meus pertences.
Gina tentou imaginar os resultados da poção e da pomada de Lily e não foi um quadro muito bonito.
— E então você veio para cá? Você conhecia os Potter?
— Oh, não! Eu nunca havia ouvido falar deles. O velho líder me encontrou fugindo da cidade. — Lily sorriu. — Estava apenas tentando ser útil e livrar aquela mulher vil dos piolhos que infestavam sua cabeça. Quando fugi, encontrei o velho líder e... bem, ele era tão charmoso e tão ardente... Foi muito desconcertante chegar aqui e descobrir que ele tinha uma esposa, mas eu precisava de um lar. Então fiquei e assumi o lugar de curandeira. Meu filho agora tem nove anos e está procurando seu lugar na tribo. Esta semana ele está trabalhando com o homem que faz armaduras, para ver se aprende o ofício.
— Você tem um filho com o líder?
— Sim. O meu Ned. Um menino adorável e a alegria da minha vida. Eu tinha medo de ser mandada embora pela esposa do líder, mas ela morreu antes de minha gravidez ser notada. – Antes que Gina pudesse perguntar mais alguma coisa, uma mulher gorda, de cabelos escuros, entrou no quarto, pôs uma grande bandeja com comida e vinho sobre a mesa perto da lareira e saiu sem dizer uma só palavra. Apenas olhou para Lily. Gina sentou-se perto da mesa e acenou para que Lily fizesse o mesmo. Por um momento, tomou vinho e pegou um pedaço de pão.
— Quem era aquela mulher? — perguntou, pegando um pedaço de carne de carneiro.
— Gare — respondeu Lily. — Ela não gosta de ninguém. Era uma Mackenzie, mas fugiu da sua tribo. Ela é viúva e quando seu terceiro marido morreu, muitos pensaram que ela os matava. Ela não gosta das mulheres que partilham a cama do velho líder, especialmente as que fizeram isso quando sua esposa ainda era viva. Suspeito que veio trazer a comida porque estava curiosa para ver você. Ela está aqui há uns doze anos. Casou-se com Angus, o chefe da estrebaria, há dez anos, e ele ainda vive, portanto acho que os outros maridos morreram de doença mesmo.
— Então agora ela é também uma Potter. Mas quem são os Potter? Nunca ouvi falar neles e eles devem ter essas terras há muito tempo, já que foi um parente que as deu ao velho líder.
— Ele não era um Potter. Os Potter são uma tribo nova — Lily riu. — Muito nova. Foi o velho que a iniciou. Ele rompeu com esse parente e decidiu começar uma nova tribo com o nome dele. James veio para cá alguns meses antes de seu primo morrer, um primo muito distante que o nomeou seu herdeiro. James casou-se com a filha do homem e ficou com tudo, embora ela tivesse sido prometida a outro. Ela deu um filho a James e morreu.
— E qual era o nome da tribo do parente dele? – Lily ficou pálida e sussurrou:
— Não posso pronunciar o nome. É proibido.
— Ninguém vai nos ouvir, Lily. – Lily meneou a cabeça.
— É proibido. Se o velho souber que alguém falou esse nome, ele ficará furioso e isso pode durar horas. Não. É melhor que você nos conheça a todos como Potter.
Gina começou a pensar que todos que moravam ali eram um bando de lunáticos, sendo o velho líder o pior deles. Lunáticos, quebrados e rejeitados. Os banidos e os maltratados. Sua curiosidade foi ficando cada vez maior. Antes que deixasse Scarglas, Gina estava determinada a descobrir quem exatamente eram os Potter e por que tinham dado as costas ao parente. Uma pequena voz lhe dizia que seu interesse fora despertado por causa de um homem moreno e alto. Um guerreiro de nome Harry.