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12. PRÓXIMOS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 12 - PRÓXIMOS


 


 


Já era de madrugada quando Rony acordou.


Ouviu um choramingo baixo e pensou se seria um sonho. Ficou deitado no escuro apurando os ouvidos esperando ouvir algum som que merecesse atenção.


Nada. Virando-se para o lado, ele maltratou o travesseiros com socos, tentando achar o sono. Estava cada vez mais difícil.


Na próxima semana os homens estavam querendo ir ao saloon e restava a ele se conter. Tinha que poupar o dinheiro, e não fazia sentido ser visto no cabaré tendo uma esposa jovem em casa.


Por outro lado, estava no limite. A prova estava em seu braço, em um ferimento que doía como o inferno. Uma das muitas vezes em que seu pensamento ficara perdido, distante e perdido nas lembranças de um corpo morno e frágil a sua disposição a apenas uma parede de distância. Tão disperso que isso lhe custara um ferimento.


Um homem tem seu limite, pensou, cobrindo o rosto com o braço enquanto afastava aquelas lembranças.


Nos últimos três dias ela se mantivera longe do seu caminho, fazendo de tudo para não cruzar a sua frente. Ele até gostava no sentindo de não haver brigas. Por outro lado, ela continuava fechada como uma ostra, e ele querendo mais que tudo que ela cedesse.


Mas ceder como, se era tratada como uma sócia?


Poderia tentar cortejá-la, mas tinha medo de fracassar, afinal, às vezes, ela lhe punha medo. E se isso acontecesse, a convivência seria infernal.


Ele fechou os olhos, precisando urgentemente dormir, quando ouviu novamente o som baixo e abafado.


 


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Hermione viu o corpo tombar para o chão quando aquele homem a soltou. Seu corpo pequeno, que sempre era protegido como uma flor caiu como uma boneca sem vida, os olhos abertos, mirando-a completamente sem vida. Seus gritos ecoando em seus ouvidos, os gritos que sua mãe deveria ter emitido ao ser brutalmente estuprada. Os gritos de seu pai inválido ao ver e não poder impedir.


Os gritos que ela guardara para si como recordação de um dia que jamais esqueceria. Esses gritos ficaram mais altos, e ela sentiu aquelas mãos sujas correrem por seus braços finos, segurando-a com força, rasgando sua camisola e mantendo-a presa entre ele e a cama. Podia sentir seu cheiro de álcool, tabaco e suor, podia sentir seu bafo e ver seus olhos injetados daquele torpor de loucura.


Não era Ann que havia morrido ali, era ela. Era seu corpo que estava sem vida, gelado e abandonado sobre a terra seca. Eram seus olhos que perdiam a cor e o calor abandonava a pele.


Ela se debateu, e tentou gritar, mas a morte estava agarrando-a com braços gelados e severos, e não tinha onde se abrigar, ou onde segurar, ela seria levada em suas asas diretamente para o inferno, pois sua alma morrera sem paz.


Ela tentou abrir os olhos, quando esses braços a tiraram da cama e a sacudiram com força, mas a única coisa que pode fazer foi entreabrir os olhos pesados e debater-se na tentativa de soltar-se e fugir.


Tentou apanhar a arma na mesinha, mas na luta, ela escapou de suas mãos e caiu ao chão, ficando fora de seu alcance.


Ela tentou gritar, mas a mão tapou seus lábios quando ela tentou morder, e ela chutou, debateu, empurrou tudo em vão.


O peso sobre ela era demais para seu corpo exaurido dos últimos meses de trabalho forçado sob o sol e sua má alimentação, vencida pela tristeza e saudade. O peso sobre ela a venceu e Hermione parou.


Não tinha mais forças, não podia com a morte.


Não podia mais lutar.


Imóvel, ela tentou respirar, mas estava cada vez mais difícil e sentiu a mão soltar seu rosto, e gentilmente afastar seus cabelos do rosto. Ela entreabriu os olhos e fitou na escuridão, descobrindo que não era um sonho.


Estava em sua cama, sobre os lençóis bagunçados, depois de uma luta corporal intensa, a qual perdera. Era um homem sobre ela, e quando num relance viu seus olhos, ela sentiu o peito rachar.


É claro que tinha que ser assim.


Rapidamente as lágrimas subiram aos seus olhos ao constatar que por mais que quisesse acreditar no contrário, não havia contos de fadas. O mundo é feio, e o pior restava a ela.


-Foi só um sonho - ouviu sua voz forte e rouca, tão perto que o hálito quente queimou sua pele unida das lágrimas.


Ela fechou os olhos quando ele soltou uma das mãos, e começou a tatear sobre a cama, e ela sentiu-o roçar em sua perna.


Rony agarrou o tecido das cobertas que estavam bagunçadas e reviradas e puxou sobre ela.


-Feche os olhos e durma – ele disse novamente, e ela abriu os olhos sem entender, ele a soltara e o corpo estava agasalhado e coberto – Foi apenas um sonho, volte a dormir.


Ela escondeu o rosto no travesseiro, confusa, e cansada demais para lutar. Quis dizer que não era apenas um sonho. Eles estavam mortos.


Mas não disse nada, apenas fechando os olhos e obedecendo.


Rony ficou no escuro por uns instantes, esperando que ela adormecesse. Seu braço latejava pelo esforço físico de segurá-la, mas tivera que detê-la antes que se machucasse.


Não era apenas um sonho, bem sabia. Eram pesadelos aos quais ele não podia compreender ou ajudá-la. Notando sua respiração apressada normalizar, ficou aliviado e ao mesmo tempo consternado.


Durante o dia nunca conseguia uma aproximação como a que tinha agora. Tão perto a ponto de aspirar o cheiro de terra e cozinha que ela exalava. Em outros tempos ele não gostaria desse cheiro, mas ali, naquela vida de campo, era o melhor dos aromas. Cheiro de cabelos lavados com água e sabão, cheiro de pele limpa e cálida.


Adormecida era apenas uma menina desprotegida. Uma criança cheia de medos e lembranças. Rony queria que ela falasse, dissesse do medo e da agonia, e contasse como se sentia, mas ela não o faria, sobretudo a ele.


Era tentador ficar ali, e deitar-se ao seu lado. Quem sabe acordando em seus braços, sem ser forçada a nada, ela cedesse?


Tomado pela tentação, ele se deitou no espaço ao redor, encostando a cabeça no mesmo travesseiro que ela usava e pondo o braço machucado sobre sua cintura.


O desejo se tornou mais forte ao sentir o balançar de seu corpo cada vez que ela respirava, o corpo morno aquecendo o seu como labaredas fortes demais para que um homem pudesse suportar. Sua nuca lisa, os cabelos ele afastou para ver melhor o pescoço e colo alvo.


Ele aspirou profundamente seu perfume, tentando lembrar se alguma outra vez em sua vida sentira aquele apreço por um perfume de mulher. Talvez não.


Ficou tenso quando seu corpo se moveu, e ela girou na cama, o sono um pouco mais inquieto e ele não pensou antes de aconchegá-la ao seu corpo. Ela se aquietou, os braços encolhidos contra o próprio corpo, deixando-se ser abraçada de um modo que o encantou.


Jamais suporia haver tanta fragilidade na mulher dura e gelada que o recebera em sua vida a contra gosto. Admitia, estava encantado pela curva suave de seus ombros, parcialmente revelado pela gola ampla da camisola pueril, atraído pela curva de seu queixo teimoso, e sem sobra de dúvidas, pelos lábios rosados e úmidos. Sem a rudeza e a linha tensa sobre eles, eram lábios convidativos e sedutores e era um milagre nenhum homem a ter querido para si antes dele.


Incapaz de conter o impulso, ele baixou o rosto, e encostou os lábios nos dela. Muito suave e virginal, para não despertá-la. Ela sequer se mexeu sem perceber nada.


Supunha ele que esse seria seu primeiro beijo. Dada a estranha emoção em seu coração, poderia ser o dele também.


Ela entreabriu os lábios em seu sono, e não o viu sorrir, apertando-a contra seu peito e fechando os olhos. Amanhã seria um novo dia, e aquela mulher não seria mais a estranha que o odiava.


Seria sua mulher, e o aceitaria.









Autora: tem marido que é cego, né gente? Tadinho do Rony!!!!!

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