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7. Capítulo 7


Fic: Cliché Love Story


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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”Quando tudo em sua vida está no caminho certo, é fácil acreditar que as coisas acontecem por uma razão, é fácil ter fé. Mas quando as coisas começam a dar errado, então é muito difícil se segurar a essa fé. É difícil não se perguntar de quem são as razões para estas coisas acontecerem” – Taken (Steven Spielberg)

Capítulo 7


Os dias de sol estavam previstos a continuar existindo até a segunda-feira da próxima semana. Imagine só. Acho que o sol mexe com o humor das pessoas de uma maneira incrível. Inclusive comigo. Na quinta, Jane Miles, que faz espanhol comigo e com a Marlene, veio falar conosco no final da aula. Espera, eu acabei de falar ‘conosco’? Não fui eu quem fiz piada com Potter por falar essa palavra? Deus. Lily Evans deveria ser um sinônimo para a palavra patética.

Continuando, Jane veio falar comigo e com Lene. Ela veio nos convidar para a festa dela no sábado. O aniversário de dezesseis anos dela, para ser específica. A festa ia ser num salão alugado e tudo (mas nada de Super Sweet 16, que nem no programa da MTV americana), mas ainda assim, ia ter música ruim, álcool e gente embriagada. Meu lado anti-social sempre me leva a faltar esse tipo de evento, mas eu disse que sim, claro que eu ia. Explicação: é o efeito do sol.

Jane também me disse que James ia estar lá. Como se eu dependesse da presença dele para comparecer ou alguma coisa assim. Mas talvez tenha sido porque James e os outros garotos do time tinham ido para Sheffield, na noite de quarta-feira, para jogar um torneio de futebol. E então eu “poderia achar que ele não ia chegar a tempo, mas ele ia”. Só porque eu era “mais amiga dele”. Palavras de Jane. Enfim. Deixa assim.

E eu nem estou chateada com o fato de que é sexta-feira, e é dia de ajudar Clarissa Vermont a estudar história. Talvez porque o nosso último (que foi o primeiro) encontro de estudos não foi exatamente desagradável. Ela estava realmente preocupada em estudar e entender a matéria, e não em ser maléfica. Não posso dizer que Clarissa foi simpática, ela foi ‘neutra’.

- Alguém quer pastéis? – Alice perguntou, chegando na nossa mesa com Frank; cada um carregando uma sacola da Pastelaria Golden, já que sexta-feira é o dia de encomendar comida da rua.

- Graças a Deus – eu falei, sentindo o cheiro de fritura invadir minhas narinas e me deixando com ainda mais fome do que eu estava há dois minutos.

- O dia está tão bonito hoje. Gostaria que tivéssemos mesas ao ar livre – Marlene comentou, pegando o pastel de queijo cheddar dela. É, queijo cheddar. Ew.

- Porque seria ótimo, já que poderíamos usá-las em sessenta e cinco dias dos 365 do ano – falei, pegando meu próprio pastel. Mais de uma pessoa pediu pastel de frango, como podem gostar disso?

- Que mania irritante essa sua de responder com ironia – Lene reclamou. – Quer dizer, de sempre responder com ironia.

Eu dei de ombros. Esse é o tipo de comentário que minha mãe costuma fazer. E Petúnia, quando ela ainda não evitava gastar saliva falando comigo. Se bem que recentemente isso até mudou um pouco; ela fala comigo.

- Planos para hoje à tarde? – Mary McDonald (a outra MM, além de Marlene, da mesa) perguntou.

- Levar o resultado do meu exame de sangue na minha médica – Alice respondeu, infeliz.

Acho o máximo tirar sangue. Na verdade, acho o máximo ver o sangue enchendo a seringa, ou sei lá o que é aquilo. Assim como eu acho o máximo aquelas máquinas e aparelhos que os médicos usam (tipo pra Raio-X ou Ressonância Magnética), desde que eles não revelem nada de errado comigo. Eu já pensei em estudar medicina, porque eu adoro procedimentos médicos e assistir na televisão também, mas eu não suporto a aula de biologia, então provavelmente não ia funcionar. E a faculdade de medicina é difícil, cara e longa. E eu nunca, jamais, ia conseguir me recuperar se um paciente morresse nas minhas mãos – se eu não conseguisse salvá-lo, ou se eu errasse no diagnóstico, ou até mesmo se eu acertasse, mas não tivesse o que fazer.

God, que tipo de reflexão é essa? Talvez eu devesse parar de assistir House/ER/Scrubs quando não tem nada para fazer (e na verdade, eu assisto Dr. Hollywood também, mas isso não tem nada a ver. Apesar de ser bem legal assistir o procedimento da lipoaspiração).

Meu Deus, eu devia calar a boca.

- Está tudo bem? – perguntei, pondo fim no meu monólogo mental.

Alice concordou.

- Não entendi direito o motivo para os exames – ela explicou – mas foi minha nutricionista que mandou, então eu fiz. Pelo menos estou só indo levar o resultado, não indo fazer.

- Até porque se fosse fazer o exame hoje, não poderia estar comendo pastéis – Frank comentou.

- Verdade – ela concordou. – E vocês, vão fazer algo melhor do que eu?

- Estudar com Vermont – respondi.

- Tudo bem, não é melhor do que o que eu vou fazer – ela disse, solidária.

Eu não respondi nada, e o restante dos meus amigos continuou a discutir o que eles fariam à tarde. Dormir, ver TV, ir para o curso de francês, fazer compras...

Depois do almoço, Lene e eu fomos andando juntas para a aula, já que nós duas tínhamos aula no prédio A.

- Você tem história agora, não é? – ela perguntou sorridente.

- Sim. Vai me dizer o quanto eu sou sortuda?

- Não – ela respondeu. – Não me importo mais com o professor Turner. Alice disse que o viu jantando na Patsy’s ontem. E disse que ele estava com uma garota linda, muito parecida com a Shakira. Só que mais nova.

- Então quer dizer que a noiva é uma sósia da Shakira? Fala sério.

- Noiva? Lily, ele tem uma noiva e você nunca me contou? – ela parecia chocada. Como se sair comentando a vida pessoal dos meus professores, mesmo que seja um muito gato, fosse minha obrigação ou coisa assim.

- Foi mal, achei que soubesse disso – falei, só pra ela parar de falar. – A questão é: parecida com a Shakira? What the hell?

- A Shakira é linda, qual é – Marlene defendeu.

- Sei que ela é bonita, mas... Ela é tão brega. Eu nunca ia conseguir levar uma pessoa igual à Shakira a sério.

- Só porque você não gosta, não quer dizer que a Shakira seja brega, ou uma artista ruim – Lene disse. – E além disso, você não conhece uma pessoa com base na aparência dela.

- Tá, tá. Vocês têm certeza de que era só parecida com a Shakira, mas não era ela? – Marlene só revirou os olhos para a minha pergunta imbecil. – Aposto que deve ser uma moça muito legal, então – falei, só para ela parar de azucrinar. De novo.

- Diga a ele que estou muito chateada. Eu estava esperando para terminar a escola e estar livre dos julgamentos, mas agora... Bem, você já viu aquele aluno de intercâmbio... Da onde ele é mesmo? Peru?

- Chile, Marlene. – eu revirei os olhos. – Não são nomes nem um pouco parecidos. E além disso, só pra você saber, Mary disse que ele já está dando em cima da Narcisa Black (N/A: sei que a Cissa estudou em Hogwarts antes dos Marotos, da Lily e Cia., mas eu gosto de nomes deixados prontos pela J.K., já que inventá-los é tão difícil. E a fic é UA mesmo, então whatever).

- Por que alguém ia dar em cima dela? Ela é a pessoa mais terrível, maléfica e coração de pedra do mundo.

- Mas é bonita – eu falei. – E isso é só o que importa para os homens.

- Tem razão – ela concordou. – Vou entrar para o convento.

- Lene, cale a boca, por favor. Vai para a sua amada aula de biologia, a melhor matéria ever, e para de pensar besteira.

Lene gargalhou, e depois virou à direita, em direção à sala de biologia, enquanto em segui o caminho para minha própria aula. Só que fui interrompida no caminho pela Srta. Rolland, minha professora de inglês.

- Lily, que bom encontrar você! – ela falou, animada. Cara, ela realmente sabe usar as roupas de inverno: definitivamente é a professora que se veste melhor na Marion Collins, e as botas que ela usa são as mais bonitas que eu vejo no meu dia-a-dia.

- Ei, Professora Rolland. É bom encontrar você também – falei. Como se não nos víssemos quase todos os dias da semana. Mas a educação manda ser simpática e responder.

- Eu precisava mesmo falar com você. Sei que já perguntei isso e você já disse “não”, mas preciso perguntar novamente: não quer fazer parte do jornal?

Aí você se pergunta: mas eu não adoro escrever? Eu não queria muito uma vaga no New York Times? Eu não sou louca para trabalhar num jornal? Verdade. Não que o Collins News possa ser comparado a um NY Times ou qualquer outro dos grandes, mas ele é bem estruturado – a equipe tem uma “redação”, recursos para as impressões quinzenais em boa qualidade, coisas assim. O problema é a redatora-chefe: Narcisa Black (sim, aquela que o aluno chileno curte). Eu não gosto muito dela, e tenho certeza de que o sentimento é recíproco... E, bem, sei que não é exclusividade minha, mas eu não sei se agüentaria trabalhar sob o comando dela. No futuro, sei que vou trabalhar com pessoas que não vou suportar, mas aí vou estar ganhando dinheiro e dependendo disso, então vai ser diferente.

- Professora... Desculpe. Não dá.

- Lily, nós realmente poderíamos fazer um bom uso do seu inglês excelente e boa escrita. Nós estamos precisando de alunos no jornal – ela falou, quase implorando. – Pelo menos pense a respeito. Lembre-se que atividades extra-curriculares são importantes para garantir seu futuro...

Ei, isso é jogar sujo. Me fazer pensar no futuro e, conseqüentemente, ficar nervosa, não é algo muito justo.

O sinal de início da aula soou, me salvando de uma resposta.

- Tudo bem, vou pensar melhor – concedi. – Mas não garanto nada. E eu realmente preciso ir para a aula, ou vou ficar de fora. – Mentira enorme; poucos professores deixam alunos fora da sala se o atraso for de até cinco minutos.

- Claro, eu preciso ir dar a minha aula também. Mas pense, por favor – ela pediu mais uma vez.

Eu assenti e continuei a fazer o caminho até a sala de Turner.

Por que será que eu tenho tanta certeza de que vou acabar aceitando essa vaga no jornal?


x


Eu já falei que o prédio C me deixa nervosa com seus corredores desertos e falta de alunos nas salas de aula. Mas nada se compara à pequena biblioteca do prédio C. Quando você entra lá, tem uma mulher num guichê – a mulher que cuida das fichas e empréstimos de livros e tudo o mais – mas se você precisar chegar em qualquer sessão além da de idiomas, reze um pouco antes. É raro alguém precisar de algum dos livros das outras seções, e é por isso mesmo que eles estão na biblioteca do prédio C. Cada seção (depois da de idiomas) tem algumas lâmpadas com o tempo controlado – você aperta o interruptor e precisa achar seus livros antes que o tempo acabe, ou então precisa voltar a ligar a luz (como naquelas torneiras, sabe?) Isso é para não gastar energia, é claro, o que faz sentido, já que, como eu disse, pouca gente procura livros lá, mas se você precisa... Bem, é bom rezar. Sam e Dean Winchester, de Supernatural, me ensinaram como lidar com as criaturas do sobrenatural, mas não me ensinaram a ser menos medrosa (e na verdade quando eu comecei a assistir essa série, o motivo era porque os dois são muito, muito gatos. Mas ainda é válido).

Não sei o que me deixou tão paranóica com aquela biblioteca. Tem vários motivos que poderiam me deixar paranóica com outras coisas, como todos os episódios de Law & Order: Special Victims Unit que eu já assisti ou aquele filme pavoroso dos Sinais, que realmente me deixou morta de medo quando eu o assisti aos dez anos. Mas o que me deixou paranóica foi a biblioteca solitária da Marion Collins. Vá entender.

Tudo isso para falar que eu fui buscar um livro na biblioteca, por causa de Clarissa. Eu fui à biblioteca principal, é claro – grande, linda e muito bem-iluminada – mas a garota do guichê me disse que naquele momento eu só ia achar o tal livro na outra biblioteca. Então eu fui, com a esperança de que a mulher no guichê da biblioteca do prédio C fosse comigo buscar o livro na prateleira, mas ela só me disse em qual estante estava. E eu tive que enfrentar o meu medo irracional.

E eu fui, extremamente corajosa, buscar “Iluminismo: origens e heranças” (N/A: Eu que inventei o nome, sintam a criatividade!) para estudar com Vermont.

Cheguei à sala de estudos que estamos usando e abri a porta. Clarissa está encostada virada apara a parede do fundo, ao telefone.

- Por que você está me ligando? De novo? Já pedi para parar. – Ela fez uma pausa para respirar. – VOCÊ NÃO TEM NADA PARA FALAR COMIGO! Eu ODEIO você, seu idiota. – E então afastou o celular da orelha e encerrou a chamada. Ela virou e não parece feliz em me ver.

- Desculpe, eu não tive tempo de avisar que já tinha entrado – eu me justifiquei. – Não queria ouvir sua conversa.

- Tá – ela concordou, indo até a mesa e sentando na cadeira em frente.

- Está tudo bem? – perguntei, sentando na outra cadeira, do outro lado da mesa.

- Por que se importa? – ela perguntou, fria. – Não é porque está sendo minha tutora que vamos virar Best Friends Forever – ela disse, irônica.

- Eu sei – respondi, tentando não soar fria da mesma maneira, mas fazendo um péssimo trabalho. – Só estava sendo humana. Você estava descomposta ao telefone e eu perguntei se estava tudo bem. Talvez eu pudesse ajudar.

- Mas você não pode. Ninguém pode. Talvez a companhia telefônica bloqueie o número do idiota, mas nada nunca vai me deixar esquecer. – Dessa vez ela soou menos fria e mais... Machucada. – Tem vezes que a vida pode ser realmente maldosa com você. E a sua memória também. Isso é tão injusto.

Ela balançou a cabeça e depois a apoiou nas mãos, escondendo o rosto. E começou a chorar. Clarissa Vermont está chorando na minha frente.

- Ei... Calma – eu disse, completamente sem reação. Eu não sei o que fazer. Não quando é essa garota que está chorando na minha frente.

- Quer ouvir uma história, Evans? – ela perguntou, levantando o rosto de repente. Seus olhos já estavam vermelhos. Ela enxugou as lágrimas.

- Claro – eu respondi. Porque nenhuma outra idéia soava bem. Você não pode discordar de alguém com o rosto molhado de lágrimas.

- Então... Tinha uma garota, uma garota comum. Ela gostava de um cara, um cara popular que namorava a cheerleader principal, como ditam as regras da escola – ela falava rapidamente, embora de maneira compreensível. – Mas um dia essa garota ficou com o garoto, numa festinha em que a namorada dele não estava presente porque precisava estudar para a prova de recuperação. – Ela fez uma pausa. – Está acompanhando ou quer que eu dê um nome para essas três pessoas?

- Vou conseguir acompanhar melhor se você der nomes.

- Certo. A primeira garota se chama Clarissa, o garoto é Michael, e a cheerleader é Tina – ela falou diretamente.

-Clarissa, essa história é sobre vo...

Ela me interrompeu:

- É sobre Clarissa – ela falou. – Então, Clarissa ficou com Michael numa festinha qualquer. Algumas semanas depois, ele terminou com Tina... E o que se ouvia pelos corredores é que ela tinha descoberto que Mike tinha beijado Clarissa numa festa e ele disse que tudo bem, porque não queria mais mentir para ela. Então Michael convidou Clarissa para ir com ele ao baile de inverno. Ela ficou surpresa, porque desde a noite em que tinham ficado ele a tinha evitado com todas as forças.

Ela parou por alguns segundos.

- Pode continuar – eu incitei.

- Mas ela disse que sim, é claro. Porque ela realmente gostava dele. E a garota ficou ansiosa, esperou, procurou o vestido mais lindo... E Michael estava tão incrivelmente bonito quando eles se encontraram na porta da escola (porque o baile era no ginásio) e ele disse que ela estava linda... E ela estava nas nuvens. – Clarissa abriu um sorriso que não combinava nem um pouco com o tom de voz que ela usava para contar a história. – E ela estava se divertindo tanto, Evans, que ela achou que era a melhor noite que já tinha vivido. Que estupidez.

Clarissa se calou e eu vi uma lágrima solitária escorrer de seu olho esquerdo. Ela a enxugou antes de continuar a narrativa.

- Foi depois de quase duas horas de baile que começaram... Os garotos todos começaram a assoviar e berrar coisas rudes quando eu... Quando ela... Tudo bem, você já entendeu. Quando eu passava. Coisas horríveis. Tipo, até mesmo seniores, e eu era muito mais nova do que eles. Eu tinha completado treze anos a muito pouco...

Então, Clarissa chegou na Marion Collins com essa idade. O que faz com que eu me pergunte se ela está me contando o motivo de ter vindo estudar aqui. Não faz nem dois anos que essa garota veio para cá e mesmo assim tanta gente a detesta...

Mas a escolha foi dela.

- E as pessoas cochichavam quando eu passava, e Michael parecia nem ligar. Como se fosse muito natural. Até que Tina, a cheerleader, apareceu e disse: “Nossa, Clarissa, eu nunca imaginei que você tirava esse tipo de foto e largava na internet. Sério”. E me estendeu um ‘folheto’ que estava circulando. Evans, eles tinham feito uma montagem usando meu rosto, sorrindo, e um corpo de outra mulher, nua. Eu quis morrer – ela falou. Não é difícil perceber o quanto isso a machuca, o quanto isso dói. – Michael falou que nunca achou que eu fizesse o tipo puta, exatamente nessas palavras, e isso foi tipo um tapa na cara, entende? Eu fui completamente humilhada. E voltei para casa correndo, na hora, mas consegui enfrentar a segunda-feira depois do baile. Eu achei que conseguiria.

Ela parou de novo, enxugou mais uma lágrima. Eu esperei.

- Mas eles ainda tinham os papéis com aquela montagem, eles riam e eram grosseiros quando eu passava. Então Tina passou por mim e perguntou se minha mãe estava orgulhosa de mim. Eu perguntei por que ela estava fazendo isso. E ela parou na minha frente e me olhou com superioridade antes de falar que assim eu “ia pensar duas vezes antes de ficar com o namorado dela de novo”. Michael teve o timing perfeito e apareceu no corredor. Ela o cumprimentou com um beijo, sorridente, e eu entendi. Entendi que ele estava envolvido naquilo. Eu perguntei para Michael se ele tinha participado. Ele falou que tinha, e acrescentou que Claire, uma das minhas amigas mais próximas, que sabia tudo de tecnologia, tinha participado. Tinha feito a montagem para eles. Naquele momento eu tinha perdido o respeito, eu tinha perdido o garoto de quem eu realmente gostava e tinha perdido minha amiga.

Quando as pessoas são amargas com tudo e todos, nós certamente sabemos como criticar. Como olhá-los com desprezo, como achá-los insuportáveis. Não estamos errados, mas erramos ao não nos perguntarmos se existe algum motivo por trás de toda a amargura. Não acho que nada justifique você viver com ódio por tudo, porque se você não busca felicidade como a vida pode fazer sentido? Mas às vezes saber uma história de vida ajuda a entender porque determinada pessoa não é a mais animada, a que ri de tudo, a que está dentro de qualquer plano.

- Então eu chorei muito, Evans. Muito. Foi extremamente doloroso e eu me descontrolei. Eu fiz algo de que eu me arrependo amargamente. Evans, eu peguei um pote de analgésicos e uma garrafa d’água... Eu tomei só dois, porque minha mãe me encontrou na frente do armário de remédios no momento certo. E foi por uma coisa tão imbecil. Eu estive disposta, mesmo que por míseros minutos, a tirar minha vida por causa de adolescentes idiotas. – Clarissa estava chorando livremente, enquanto eu tentava absorver essa revelação. Nem nos meus dias mais sombrios eu poderia imaginar... Isso. – É claro que eu me arrependi assim que minha mãe gritou comigo, jogou todos os comprimidos dentro do lixo e veio me abraçar. E eu chorei mais ainda no ombro dela. Mas poderia...

Ela não falou mais.

O que aconteceu com essa garota é algo quase incompreensível para mim. Não faz sentido algo assim acontecer. Simplesmente não faz.

- Eu... Nossa, eu nunca poderia imaginar. Eu não faço a menor idéia do que você sentiu, mas eu lamento que tenha acontecido.

- Eu estou aqui, eu tive uma segunda chance. Certo? Meus pais me mandaram para a reabilitação; foi curta, mas funcionou. Eu ainda vou à psicóloga toda semana, ela faz muitas perguntas chatas e quer saber todos os detalhes da minha vida, mas eu não acho que chegaria nesse ponto de novo. Sabe, minha mãe foi na escola, berrou muito, os alunos envolvidos foram suspensos... Eu nunca mais os vi. Só que Michael começou a me ligar na semana passada. Nenhum aluno da minha antiga escola, além da melhor amiga que eu tenho até hoje, sabe o que aconteceu, mas de qualquer jeito ele não deveria me ligar. Certo?

A pergunta me pegou desprevenida.

- Eu... Não sei. Acho que tem razão.

- Bom, Evans. Fica mais fácil para você entender o que se passa comigo agora? Porque eu mantenho as pessoas tão afastadas, porque eu tenho problemas com confiança, porque eu não dou chance para que elas me machuquem?

Eu assenti.

- Clarissa... Eu sei que não vamos ser amigas ou trocar confidências, mas se algum dia precisar de alguém para conversar, eu estou aqui. E obrigada por confiar em mim. Suponho que não queira que essa história se espalhe?

Ela assentiu em silêncio. Piscou os olhos e balançou a cabeça, como se assim pudesse afastar todos aqueles pensamentos da cabeça. Seria muito mais fácil se fosse assim.

- Então, Turner contou a você sobre a minha nota?

Wow. Isso é uma mudança bem brusca de assunto.

- Não. Seria antiético comentar as notas de um terceiro sem a presença desse – respondi. Muita formalidade. Para quê?

- Mas você é minha monitora... – Eu dei de ombros. – Bem... Foi um B-.

- Sério? – perguntei, surpresa. – Nossa, isso é ótimo! – soei o mais animada possível, depois da história que acabei de ouvir.

- É mesmo. Obrigada, devo acrescentar. E agora estou estudando bem antes, porque a próxima nota vai ser um A. Você vai ver.

- Acredito – falei. – Trouxe isso, vai ajudá-la. – Eu mostrei o livro que tinha buscado na biblioteca. – Sabe que me interesso por história, então eu sempre ia atrás de mais material... Joseph, que ajuda minha irmã em... bem, tudo, porque ele é genial, me indicou essa coleção. É ótima.

- Ok –ela disse, pegando o livro e dando uma folheada.

- Clarissa? – chamei, quando ela olhava as páginas do livro distraidamente. Ela ergueu a cabeça. – O que vai fazer depois que terminarmos aqui?

Ela pareceu confusa.

- Ir para casa e dormir?

- Talvez... Gostaria de ir ao cinema depois? – eu ofereci.

- Evans, você não precisa fazer esses convites por pena...

Eu me apressei em interrompê-la:

- Não é pena. A verdade é que ninguém quer ver esse filme comigo e logo ele vai sair de cartaz. E eu me recuso a ir ao cinema sozinha.

- Hm. Que filme?

Eu dei um sorriso antes. Posso imaginar a resposta dela. “Não”.

- Quem Quer Ser um Milionário?, sabe, de Danny Boyle. (N/A: Lembram que ela queria assistir esse? Capítulo 4 ;P)

- Sim, aquele que foi indicado a vários Oscar. Mas não é sobre a Índia?

- Sobre um indiano, sim – falei. É aqui que eles desistem.

- Tudo bem.

- Sério?

Ela assentiu. Completamente inesperado, mas ainda assim, legal.

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N/A: Primeiro: desculpem a demora. Eu acabei de escrever esse capítulo agora, revisei e estou postando. Além da minha falta de tempo, eu tive aquele desânimo com a fic, vocês sabem. Aliás, eu tenho as melhores leitoras do mundo. As respostas de vocês para as minhas perguntas me deixaram quase saltitando, muito muito obrigada! <3
Agora, sobre o capítulo: eu sei, sem James. Mas tem outras coisas que são importantes na história, tipo a Clarissa. Mais tarde vocês vão entender a importância de a Lily conhecer a história dela e se aproximar dela. Ela é importante na história dos meus protagonistas (: (apesar de ela ser super 90210 style, eu gosto).
Ah, eu ganhei uma capa da Cecília Potter, isso me deixa tão emocionada *-* Se tenho mais leitoras que gostam de brincar com imagens (tipo eu :D) que querem fazer capas pra Cliché, fiquem à vontade n_n

Comentários:
Luise Weasley Black: você nem deve lembrar, mas perguntou sobre a menina que a Lily tava dando aula de história. Tá aí. Imaginou algo assim? E sobre o seu comentário respondendo minhas perguntas... Cara, obrigada! Meu Deus, você sempre comenta coisas que me deixam muito feliz *-*
Gih Meadowes: eu acho que as pessoas que te surpreendem são aquelas que mais valem a pena conhecer, certo? E como tu veio pra cá e nunca tomou chimarrão (tu provavelmente não ia gostar, eu tive que me acostumar primeiro. Hihi)? Super obrigada por tudo e eu te amo <3
Gaby Black: obrigada (: Sobre o Oasis: Liam é o vocalista, Noel é guitarrista e o gênio por trás da maioria das músicas. Sabe, também acho eles metidos, apesar de pessoas que foram vê-los no hotel quando eles vierem para cá esse ano terem me dito que eles ficaram horas na rua atendendo os fãs, dando autógrafos e tirando fotos, e foram super legais com eles e tal... Bom, eles sabem quem banca o estilo de vida, certo? Mas enfim. O Liam (o vocalista!) já confirmou o fim da banda :B E, ah, você perguntou faz tempo, mas aquele pessoal na foto da capa é o do novo Melrose Place. Nunca vi, mas achei a foto bonita :)
nath krein: eu acho que sei o que você queria que acontecesse nesse capítulo, mas não teve. Não vai demorar muito, mas não é imediato. Se é o que eu estou pensando :P E muito obrigada mesmo pelas suas respostas pras minhas perguntas.
Lisa Prongs: valeu Lisa. Acho que já te agradeci pelo twitter também, mas mesmo assim, obrigada de novo! E a minha capa tá na sua fic mesmo, né? Ela nem é muito bonita, eu deveria ter feito uma capa muito mais bonita para a PCLE, mas na época eu tinha achado o máximo :P
Tainá Rodrigues: que bom que você continuou lendo mesmo depois de ter achado chata, então, e gostou *-* E eu acho que não é saudável duas irmãs quererem se matar só de se olhar, não me interessa de a JK fez mais ou menos assim, eu mudei. Haha. Obrigada pelas respostas.
Flá Dawson: eu entendo o que você tá passando, Flá, eu também tenho mil coisas para fazer (mas eu deixo de fazê-las para ver os novos episódios de House nas terças de tarde, admito). Obrigada pelo comentário, e fico feliz por você dizer que essa fic é uma das únicas que você gosta, isso significa muito.
Nandinhaa M.: James com a Emmeline? Você acha mesmo? :) Há, se quiser um amigo que toque violão emprestado, eu tenho vários, é impressionante o.o Hahaha, é a moda deles faz algum tempo. Ahh, e obrigada por chamar minhas perguntas de sem-noção *-*
Cecília Potter.: nossa, muito obrigada! *-* Essa foto é uma cena de ‘Ela é a Poderosa’, não? (:

Muito obrigada. Amo vocês que lêem *-*

F.

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