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Visualizando o capítulo:

2. Verão, férias, A Toca e Scorpi


Fic: Lily Tells It Like It Is


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Hello! Finalmente saí do meu castigo, ganhei meu computador de volta, então resolvi colocar o capítulo 2. 
Obrigada todo mundo que leu e não deixou review. DEIXEM DA PRÓXIMA VEZ! xD 


Capítulo dois é grandão :B ... Falando sério, 24 páginas no Word. Eram 3 capítulos que eu morfei em um só, porque eu não quero que a fic tenha mais de 50 capítulos e do jeito que as coisas iam...


Disclaimer: Harry Potter não me pertence, como vocês bem sabem. JK Rowling tem tudinho. (aquela sádica egoísta que matou o Fred...)


Anyways, siga em frente e boa leitura!


P.S. A lista que segue abaixo seria uma lista que na minha história, a Lily e a Rose fizeram dos primos delas quando a Lily tinha nove anos. Some 4 anos à idade de todo mundo da lista e você tem a idade certa no momento em que a fic se passa. Okay?


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Quando nossos parentes estão em casa, nós temos que pensar em todas as suas qualidades, ou seria impossível aguentá-los”


George Bernard Shaw


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Minha Lista de Primos


Clã Weasley-Potter Potter-Weasley?


Que diabos, Rose!


.
.
.
.
.


Minha Família


By Lily Luna Potter


(comentários de Rose Elizabeth Victoria Weasley)


 


Por que nós estamos fazendo isso mesmo, Lily?


Porque eu não consigo lembrar o nome de todos eles!


Eles são sua própria família, Lilian! Como é que você não lembra?


Não é exatamente minha culpa que eles são muitos, é, Rosalie?


Bem, tenho que concordar aí.


É, diga-se de passagem, vovó e vovô gostavam da coisa.


Que coisa?


Quer dizer que eles não te contaram ainda como os bebês são feitos?


Ah, essa coisa. Aliás, como é que VOCÊ sabe? Você só tem nove anos! Eu passei anos pedindo pra os meus pais me explicarem e só consegui resposta quando eu perguntei pra Tia Ginny!


Eu vi o Teddy e a Victoire se beijando de um jeito muuuuito estranho e quando eu falei pro papai ele se engasgou e aí a mamãe teve que me explicar como eles são feitos.


É nojento, né?


Muito. Podemos voltar pra lista?


Vamos fazer assim, filhos por casal, idade do lado. Até eu fico confusa às vezes.


OKAY!


 


1) Tio Gui e Tia Fleur:


Victoire(17), Dominique(13) e Louis(10).


Descrição opcional: Loiros e lindos e meio franceses. Sabemos. A Vicky é legal. A Dominique é um saco. O Louis não fala muito.


Gostei. Resumido.


 


2) Tio Charlie não teve nenhum filho.


Graças a Deus.


 


3) Tio Percy e Tia Audrey:


Molly(3) e Lucy(2)


Descrição opcional: Molly: Ruiva, sardenta, pequena e chata. Mandona. Lucy: Morena, fofa, doce e chorona.


Você é boa nisso, eu vou deixar as descrições pra você.


 


4)Tio George (ou Tio Fred? Qual nasceu primeiro? Não sei, deixa assim) e Tia Angelina:


Frederic (13) e Roxanne (13)


Descrição opcional: Gêmeos. Fred é ruivo, sardento, bronzeado e alto. Roxy é morena, mais bronzeada e mais alta. Brigam como cão e gato. São ótimos em quadribol. Adoram uma pegadinha.


Frederic. AHUSHUAHSUAUSA! Ninguém chama ele de Frederic!


Lilian, concentre-se na tarefa em mãos.


Desculpe.


 


5) Tio Fred e Tia Katie:


George(5)


Descrição não mais opcional: Acho que você pode deixar só como descrição Lily. Ruivo. Sardento. Baixinho. Põe lenha na fogueira das discussões do Fred e da Roxy.


Peste.


 


6)Tio Ron e Tia Hermione(Papai e mamãe):


Rose(11) e Hugo(9).


Descrição: Preciso me botar na lista? Sim. Eu vou ter que me botar depois. É só pra ficar a família inteira. Okaay! Rose: Ruiva, sardenta, linda, inteligente, maravilhosa, próxima Melhor Curandeira do Ano... Ela se acha, mas é gente boa. Hugo é ruivo, sardento, mais baixo que eu (HÁ!), e meu melhor amigo!


Achei que EU ERA SUA MELHOR AMIGA, LILIAN!


Rose, você é um cara?


Não.


Eu disse melhor amigO. Como, em melhor amigo menino!


Ah, assim sim.


 


7) Mamãe e Papai (Tia Ginny e Tio Harry):


James(12), Albus(11), Lily(9)


Descrição: O JAMES É UM BOBO, CHATO, IMPLICANTE, NOJENTO cabelo castanho escuro e olhos castanhos. Sim, ele é chato e implicante e vive aprontando com o Al e o Fred. O Al é legal. Cabelo preto, olhos verdes, ocasionalmente usa óculos. Tímido. Gentil. Meu melhor amigo, não me olha assim, Lily, você que veio com o papo de melhor amigo menino. Tanto faz. E Lily! Linda, maravilhosa Lily, a princesa da casa, todos amam a Lily porque ela é fofa e doce e meiga e querida, e ninguém resiste à sua carinha de anjo é melhor eu cortar aqui antes que ela pegue impulso. E se quando ela pega ela fica pior que a Dominique. Estou ofendida. Não sou mais sua amiga! Brincadeira, Lilyzinha.


 


Acabamos?


Acabamos.


Bom trabalho, Rose! Ficou perfeito!


Sim. Só falta botar a data aqui...


 


23 de Julho de 2017


Domingo


2º quarto à direita, 3º piso - A Toca.


Ass: Lilian Luna Potter


Rosalie Elizabeth Victoria Weasley


 


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Capítulo 2


Verão, férias, A Toca e Scorpius Malfoy


 


24 de Julho. Sábado. Dia de dizer adeuszinho pra minha doce e amada Londres e ir pra casa da vovó. Vou deixar todo o agito da cidade grande. Tá legal, não que eu tenha idade ou permissão pra ir curtir o agito da cidade, é só que eu gosto de pensar que se eu tivesse os dois eu teria um agito pra curtir. É meio que reconfortante. E bom, na casa da vovó, mesmo que você tenha 18 anos a sua maior diversão é, sei lá, desgnomizar o jardim.


 


Hora de largar todos os barulhos dos carros, os maloqueiros de esquina, e a vendinha de chiclete. Largar tudo isso, pra ir pra calmaria de um campo. Um campo verde. Um campo verde e grande. Um campo verde e grande com uma casinha no meio, um campo de quadribol e gnomos. Sim, gnomos por toda a parte. E pior ainda: Primos. Muitos, muitos primos. Mais primos que gnomos. E isso é dizer alguma coisa. Se eu fosse pensar em quais eu amo mais, eu escolheria meus primos, claro. Mas se fosse pra escolher o que eu preferia... Eu escolheria os gnomos. Cara, dá pra, tipo, totalmente chutar eles lá pro raio que o parta e a sua vó só vai te achar a maior prestativa.


 


Todo ano antes de ir pra Toca eu faço uma ceninha. Porque eu simplesmente não posso desistir assim tão fácil de Londres. A minha mãe vai me arrastando escada abaixo até o carro e eu fico me agarrando em tudo quanto é coisa que eu vejo pela frente. Como a porta do meu quarto, o corrimão da escada, o abajur e um vaso de plantas (que já são colados no chão com um feitiço, devido a histórias passadas), a mesa da cozinha, a porta do hall, meu pai. Essas coisas. Mas no final eles sempre conseguem me atirar dentro do carro. E eu fico com cara de emburrada o dia inteiro – como eu to fazendo agora - porque eu, tipo, totalmente odeio ir pra casa da vovó! E vou dando tchau pras coisas à medida que elas passam.


 


Como eu to fazendo agora.


 


- Tchau London Eye... – eu falei com pesar, e ouvi meu pai suspirar alto.


- Lily, pare com isso. – ele pediu – Quando eu tinha a sua idade eu adorava ir pra casa da sua vó.


- É, pai, - eu rebati – mas você morava com três morsas sem cérebro. Quer dizer, duas morsas e um cavalo. E naquela época tinha no máximo 9 pessoas morando lá. Agora deve ter umas trinta!


- 28. – Al falou com cara de tédio, olhando pela janela do carro – 29 quando o Teddy vai pra lá.


- Viu? – eu falei em tom de súplica – Me deixa ficar! Eu posso ficar com a Elizabeth.


- Ela está nos Estados Unidos, Lily, lembra? – minha mãe falou naquele tom “não vou me irritar com você, mocinha”. O que só costuma ME irritar mais ainda.


- Com a Erika!


- Ela está na Suíça.


- Andy!


- Bulgária.


- Casey!


- Itália.


- Edmund?


- LILIAN! – meu pai gritou, meio incomodado.


- Com a Rose então? – era minha última tentativa. Minha mãe sorriu e disse:


- Claro, querida. – e eu fiquei tipo: ALELUIA!


- Valeu, mãe!


 


Aí eu me toquei. A Rose era minha prima. E ela ia estar lá também.


 


- Mãe! – eu reclamei.


- Sim, Lily? – ela perguntou toda com tom de quem não fez nada.


- Esquece.


 


Porque eu olhei no relógio e vi que a gente já estava a mais ou menos uma hora dentro do carro, e que a paisagem estava começando a virar... Pasto. E quando “pasto” começa a aparecer não adianta mais nem reclamar, porque eles não vão voltar. Mesmo que você grite que esqueceu de pegar papel pra escrever, ou o tinteiro, ou seu bichinho de pelúcia preferido, ou uma blusa, ou sua calcinha da sorte, ou seu gato dentro de casa. Porque eu já tentei tudo isso antes. Eles simplesmente não voltam.


 


Exceto uma vez que eu realmente esqueci o meu gato lá dentro, mas dessa vez não, ele tá aqui, ronronando no meu colo, cravando as patinhas cheias de unhas dele na minha blusa azul. Eu dei um tapa nele, e ele me olhou todo traído, pulando o banco e indo sentar em cima do negócio do porta-malas. O nome do meu gato é Chris. Bem, na verdade é Duque Christopher Edward Gabriel Julian Arthur Emett Jasper de Godric’s Hollow. Porque eu li em algum lugar quando pequena que gente da realeza tem nomes grandes. E naquela época eu morava em Godric’s Hollow. E eu queria que meu gato fosse um chique. Aí eu nomeei ele daquilo ali, mas ele nunca vinha quando eu chamava, e eu – admito – me esquecia de alguns dos nomes as vezes porque, hey, é muito nome, tá?


 


- Lily, como estão as suas vestes? – minha mãe me perguntou distraidamente, enquanto olhava a paisagem.


- Ah, sei lá. Acho que boas.


- Não estão curtas?


- Não. Sim. Não sei. Talvez. – eu realmente não presto muita atenção nas minhas vestes. Não quanto ao comprimento. Eu só noto realmente quando eu vou colocar a blusa e quase morro sufocada. E aí a minha mãe tinha que ir toda sem noção e falar:


- Acho que você precisa de outra blusa, a sua vai ficar apertada nos seios.


 


E eu fiquei tipo: O.O MANHÊ? OI? VOCÊ TÁ FALANDO DE PEITOS NA FRENTE DOS MEUS IRMÃOS E DO MEU PAI! E NÃO SÓ DE PEITOS! DOS MEUS PEITOS! QUE NOJO! Acho que o Al e o James também pensaram a mesma coisa, porque eles fizeram uma cara de absoluto nojo e depois olharam pra janela. E não olharam mais pra mim. Eu duvido que eles vão conseguir olhar pra mim de novo sem lembrar disso. Eu duvido que eu esqueça isso. Nós os três estamos traumatizados.


 


Valeu mãe. Valeu mesmo.


 


- Mãe! – eu gritei, completamente corada. Você não quer que sua mãe fale de seus peitos na frente dos homens da casa. Hum... Você não quer que sua mãe fale de seus peitos ponto.


- Que é? É uma parte natural da vida, Lily, os homens ficam com a voz mais grossa, nossos seios crescem...


- Mãe! – dessa vez foi o James que gritou. – Se você vai falar dos peitos da Lily deixa eu me atirar do carro nesse momento. – e o Al balançou a cabeça freneticamente concordando. Ela apenas revirou os olhos.


- Como vocês são infantis...


 


Mas funcionou, porque depois disso ela parou. Só falou que ia ter que comprar vestes novas pro James e pro Al, e não porque os peitos deles cresceram, porque eles cresceram ponto. Fala sério. A minha mãe sempre foi desbocada e meio sacana, mas falar dos meus peitos já é demais. Como ela se sentiria se eu saísse falando pro Tio Ron dos peitos DELA? Não sei se ela ia ficar assim tão feliz! Será que eu teria coragem de fazer isso? Imagina!


 


Eu jantando com todo mundo n’A Toca.


 


- Tio Ron, os peitos da mamãe cresceram muito quando ela tinha a minha idade? – ele engasga e todo mundo começa a falar ao mesmo tempo.


- Pergunta pro seu pai. – ele disse socando um monte de comida na boca. Fez-se silêncio mortal na mesa e todo mundo fica encarando meu pai. Ele cora e engasga e grita:


- Eu não sei, eu não ficava olhando! – aí o Tio George insiste:


- Ah, fala sério, você nunca olhou mesmo? Nem uma olhadinha? – minha mãe acotovela as costelas dele, mas aí todo mundo olha pro meu pai e ele diz:


- Bem... – aí o Tio Gui tem um acesso de raiva, e se levanta da cadeira berrando:


- VOCÊ FICAVA OLHANDO! – aí o meu pai tenta se explicar, mas os cinco irmãos da minha mãe voam pra cima dele e tentam esgoelar meu pobre pai, menos o Tio Ron, que fica olhando de boca aberta do meu pai pra minha mãe com um monte de comida meio mastigada aparecendo. Aí minha mãe pula na briga pra defender o marido, minha vó faz um feitiço e todo mundo fica de calcanhares grudados no teto, e de castigo. Inclusive eu, que comecei tudo.


 


Eu sacudo minha cabeça e a cena vai embora. Não, não vale a pena. Eu comecei a rir sozinha pensando de novo na cara do Tio Ron. Todo mundo se virou para olhar pra mim como se eu fosse louca.


 


- Não foi nada. – eu disse, voltando a afundar no banco.


 


Depois de nossa viagem meio que insuportável, nós chegamos n’A Toca. E sim, é tudo aquilo que eu falei. Só que a casinha meio que virou um casarão, porque como eu falei, além da casa que a vovó mora integralmente, também é meio que a casa de campo de toda a família. Eles fizeram mais andares no penúltimo verão. Geralmente os adultos dormiam em casa e as crianças acampavam no jardim. Mas aí até a última criança virou adolescente, e ninguém mais acha graça em ficar olhando pro céu enquanto os mosquitos te atacam e o frio te consome. Quero dizer, era legal sabe, eu dividia uma barraca com a Rose e ficava ouvindo ela falar dos caras gostosos que tinha em Hogwarts, e das encrencas em que ela e o Al se metiam. Mas às vezes os gnomos achavam legal invadir a nossa barraca, e a gente acordava com dentadas nos dedões do pé ou congelando só pra ver que não tinha mais barraca nenhuma.


 


Meu pai estacionou o carro e mandou todo mundo descer. E foi muito engraçado, porque o James esqueceu de tirar o cinto e foi sair, e acabou se enroscando todo. Eu empurrei o Al pra ele sair logo, e ele ficou gritando comigo, mas depois desse pequeno drama nós todos conseguimos sair ilesos (ou quase). Eu peguei o meu malão – que a minha mãe enfeitiçou pra ficar mais leve – e o meu gato no colo – que ainda me olhava todo emburrado – e fiquei encarando a construção completamente torta e totalmente estranha que era A Toca. Agora com mais andares parecia simplesmente mais torta ainda. Eu sorri. Era totalmente a cara da vovó e do vovô.


 


- Anda logo, Lily! – James gritou, me empurrando.


- Isso vindo do cara que se enroscou no cinto de segurança. – eu murmurei alto o suficiente pra ele ouvir.


- Cala a boca, Lilian.


- Não falei nada.


- Claro que falou, você tava tirando com a minha cara.


- Eu não preciso tirar com a sua cara, James, você faz isso sozinho. – ele abriu a boca pra responder, mas depois fechou, parecendo pensar no que eu disse. Depois segurou a barriga.


- To com fome. – eu revirei os olhos.


- Novidade.


- Não é minha culpa, cara, eu fico com fome!


- Igualzinho ao seu tio. – ouvi minha mãe falar enquanto balançava a cabeça rindo.


 


Nós entramos na cozinha, que também era maior do que da última vez, mas que – surpresa – estava cheia de gente, fazendo-a parecer ainda mais apertada. Todos os meus tios e primos estavam ali tomando café da manhã. Meu Tio Ron era o mais perto da porta, logo, o primeiro a nos ver. Ele estava com a boca cheia de comida quando nos deu oi, o que totalmente fez a Tia Hermione reclamar e o Hugo começar a rir. E logo todo o resto que estava muito ocupado xingando/comendo/gritando/rindo/fazendo qualquer outra coisa muito barulhenta, dirigiram seus olhares – e gritos – para nós cinco. Meus Tios Fred e George berraram “OLHA, OS POTTY CHEGARAM”, mas ninguém entendeu muito bem porque eles disseram isso, e a Tia Katie e a Tia Angelina os acotovelaram pra que eles calassem a boca. Fred e Roxanne estavam discutindo (como eles faziam a 17 anos) sobre que nome colocar na coruja nova que os dois iam dividir, enquanto George (em toda a sua glória de peste de nove anos) só olhava de um pro outro e ria, bisbilhotando na conversa sem que eles se dessem conta, e incitando a briga colocando um comentário aqui e lá. (é, o nome do filho do Tio Fred é George, e o nome do filho do Tio George é Fred. Nós não sabemos por que eles fizeram isso, acho que foi uma pegadinha um no outro. Algo a ver com uma aposta quando eles tinham 18 anos, eu não sei, nunca me disseram direito.) Tio Percy e Tia Audrey estavam tentando fazer Molly e Lucy comerem as panquecas delas, mas não estava funcionando muito, elas pareciam mais interessadas em fazer uma cabana com elas (muito normal pra crianças de oito e seis anos, acho). Tio Gui estava reclamando de como o Teddy e a Victoire não paravam de se agarrar na sala, fazendo a Tia Fleur revirar os olhos e murmurar um “ciumeeent!”, enquanto Dominique tagarelava sobre como o namorado dela era absolutamente insensível, que não escreveu pra ela nenhuma vez, gesticulando muito, e quase meteu um cotovelo no olho do Louis, que comia sem fazer barulho do lado dela. Tio Charlie levantou o braço super musculoso pra nos cumprimentar, e eu pude notar que meu eternamente solteiro tio tinha arranjado uma nova tatuagem de dragão. E a vovó também notou, porque começou a ralhar com ele no mesmo instante. Ela estava sentada na ponta da mesa, os cabelos ainda meio alaranjados estavam parcialmente escondidos por um lenço, e o vovô do lado dela com uma cara sorridente e enrugada, os poucos cabelos que ele tinha estavam completamente brancos.


 


- Ah, Lily, que bom que você chegou, - minha Tia Hermione falou, parecendo preocupada – vê se você consegue tirar sua prima do quarto, ela não saiu de lá desde que chegou.


- Que esquisito... – eu falei, mais pensei alto. Tio Ron soltou algo parecido com um rosnado.


- Ela tá assim desde que recebeu aquela cartinha.


- Ah, Ronald, cala a boca, você nem sabe do que se trata! – ela disse batendo no braço dele, e ele voltou a comer, agora mais mau-humorado do que nunca.


- Que cartinha? – eu perguntei, mas ninguém me respondeu. De repente as pessoas fizeram silêncio, e a Rose desceu as escadas, marchando na cozinha com a coruja no braço, e uma carta na mão. Ela me viu e sorriu.


- Oi, Lily! – depois andou até a janela e abriu-a, colocando a carta no bico da coruja – Zahrah, você sabe o que fazer. – e depois ela saiu voando. A coruja, quero dizer, não a Rose.


- Você vai me dizer o que está acontecendo? – eu sussurrei pra ela. Ela abriu um sorriso mega convencido e sentou numa cadeira vazia do lado do Hugo.


- Depois.


- Como vão, queridos? – minha vó falou, andando até nós. Eu não sei como, mas ela deu um jeito de abraçar eu, o Al e o James ao mesmo tempo, e conseguir força o suficiente pra quase nos quebrar ao meio. Depois fez o mesmo com meu pai e minha mãe, parando pra dar uma bronca nela por nós estarmos atrasados. Minha mãe começou a resmungar algo como “a culpa nunca é do Harry, é sempre minha”. – Sentem aí. – e aquilo soou como uma ameaça de morte a todos os outros se eles não começassem a falar de novo.


 


Minha mãe e meu pai sentaram um do lado do outro, perto do Tio Ron. E eu e o Al achamos duas cadeiras vazias entre a Rose e a Dominique. Nós dois nos olhamos, e corremos até as cadeiras, brigando pelo lugar do lado da Rose, mas ele é mais forte e ganhou, e eu tive que sentar do lado da Dominique. O James apontou pra mim e começou a rir, andando despreocupado até a cadeira do lado da Roxanne. Eu olhei para aquela magnífica loira morango do meu lado e vi ela abrir os lábios super cheios de gloss pra mim em um sorriso perfeito, balançando os cílios cheios de rímel em cima dos olhos super azuis. Esse era o problema da minha prima Dominique. Ela era linda de morrer, possivelmente a criatura mais linda da face da terra. E ela era completamente ciente disso.


 


- Lily, chéri! – ela gritou jogando os braços ao meu redor e me dando um abraço. Eu notei que ela botava a sílaba tônica do meu nome na última sílaba, em vez de na primeira, como era o certo. – Você viu como meu cabelo ficou magnifique? – ela disse, fazendo questão de sacudi-los na minha cara. Eu me desvencilhei com dificuldade sorrindo meio falsamente. Imagino que ela deva ter cortado, só era meio difícil ver com ela tapando minha visão.


- Tá lindo, Nicky.


- Ah, eu sei. Je vais t’expliquer, pra ter um cabelo como o meu assim... Só nascendo com o charme! – ela disse virando a cabeça repentinamente, jogando toda aquela cabeleira perfeita em mim de novo e abrindo a boca para rir uma risada sonora e melodiosa e perfeita. Eu vi o James trancar o riso, e lancei um olhar mortal pra ele. Ele só socou uma torrada inteira na boca.


- Legal, Nicky. – eu disse comendo uma grande garfada de ovos fritos, só pra ver se ela calava a boca, mas não. Ela precisa de uma cara pra esfregar toda a sua perfeição.


- “Legal” não, chéri, Magnifique! – ela disse rindo muito alto. Eu revirei os olhos. Outra parte da coisa com a Dominique é que ela acha “um must” falar metade das palavras em francês. Mesmo que ela não seja francesa. E mesmo que até a Tia Fleur, que é a francesa de verdade, tenha perdido grande parte do sotaque. O ruim é que nem dá pra tirar com a cara dela, porque ela sabe exatamente o que tá falando. A Tia Fleur e os pais dela ensinaram os três filhinhos lindos e maravilhosos dela a falar francês perfeita e fluentemente.


 


 Que pé no saco.


 


- E então, Lily, indo pro terceiro ano? – vovó perguntou, embora todo mundo soubesse perfeitamente disso naquela mesa.


- É. – eu respondi. Dominique tomou isso como mais uma desculpa para falar dela mesma.


- Ah, chéri, eu me lembro do meu terceiro ano! Foi absolutamente...


- Magnifique? – Fred perguntou, debochado. Mas Nicky não registrou o sarcasmo, ela só disse:


- Oui! – e sorriu bobamente. Nós tivemos que nos segurar para não rir quando o Louis olhou pra ela e disse:


- Dominique, você sabe que eles estão tirando com sua cara, não é? – ela se fez totalmente de surda e começou a contar de seus “anos de ouro”, e fez questão de fazer parecer que tinha sido há muito tempo atrás, mesmo que ela tenha recém feito 17 anos no início do mês. Todos nós fomos salvos quando a Victoire entrou na cozinha puxando o Teddy – cujos cabelos estavam completamente azul céu – e mandou a irmã mais nova dela calar a boca.


- Deus, Nicky, desse jeito eles vão se cansar da sua voz!


- Vão? – Hugo murmurou baixinho, fazendo eu e o Al rirmos, e a Rose acotovelar ele. – Ai!


- Pode parar com a pouca vergonha... – Tio George falou em tom de brincadeira, apontando pro Teddy, que agora tinha as mãos na cintura da Vicky. – Que nós estamos aqui, e nós somos a família da noiva, Sr. Lupin. Estamos de olho no senhor! – ele falou e o tio Fred adicionou um gesto estranho,  uma coisa esquisita com os dedos, apontando dos olhos dele pro Teddy, mas ele só riu e deu um beijo estalado no topo da minha cabeça.


- Fala, pequena!


- Oi, Teddy! – eu gritei absolutamente feliz e, tenho certeza, com uma cara de abobada. Pra completar o look “sou débil” só faltou a língua de fora. O Teddy é o afilhado do meu pai. Ele é tipo, o irmão mais velho que eu nunca tive. O irmão mais velho legal, descolado, divertido, e stylish que eu nunca tive. Porque sinceramente, meus irmãos não são nada disso. Ele acenou com a cabeça pros meus pais e deu oi pro meu irmão.


- E aí, tem espaço pra mim? – ele perguntou abrindo um sorriso. A vovó se levantou, toda sorrisos e foi abrir um espaço pra ele entre a Victoire e o James. Pra vovó não existe partido melhor que o Teddy, ela sempre cuidou dele como se fosse neto dela, e quando ele começou a namorar a Victoire ela começou a gostar ainda mais dele. A mamãe diz que ela trata o Teddy como ela tratava o papai. E isso é dizer alguma coisa.


- Claro que tem espaço pra você, querido.


- E se não tivesse a mamãe criava um. – Tio Fred falou sorrindo, cheio de comida na boca, ganhando um tapa na cabeça da vovó.


- Não fale de boca cheia, Fred. – eu tinha a impressão que ela queria falar “não fale ponto”.


 


 Aí o Tio Gui começou a resmungar alguma coisa, que devia ter sido algo reclamando do Teddy, e a Tia Fleur, a vovó e a Victoire começaram a brigar com ele, e todo mundo se virou pra olhar o Tio Gui levar bronca, até a Dominique – que sempre baixava a bola quando a Victoire estava na mesma sala que ela. Eu aproveitei esse momento de discussão geral da família pra me inclinar na cadeira e falar com a Rose.


 


- De quem era, o que dizia e quando chegou? – ela corou e baixou a voz.


- Lily! Depois!


- Depois não serve, eu quero saber agora! – eu admito que pareci uma criança birrenta, mas eu precisava saber!


 


A Rose apenas olhou pros dois lados, e parou pra escutar por um segundo. Nós notamos que de algum jeito a conversa tinha mudado pra como a minha mãe tinha milhões de namorados na época de escola. E enquanto minha mãe tentava espancar ele, o meu Tio Gui acusou meu pai de gostar desde o início da minha mãe, e que todos os anos que ele ficou entocado na, ahn, Toca, foi pura armação pra pegar a minha mãe. Eu acho que era brincadeira, mas ninguém notou e isso deixou todo mundo tipo: Ahn? E enquanto todo mundo discutia, a Rose agarrou a minha mão e saiu me arrastando pro andar de cima. Ela entrou correndo no quarto que – eu sabia – costumava ser da minha mãe e que nós dividíamos no verão, e tirou a carta de dentro do bolso da saia. Ela esticou na minha direção e eu olhei pra ela com uma sobrancelha levantada. Ela parecia muito ansiosa. Talvez até demais. E era tudo muito estranho, porque ela nem reclamou quando eu insisti pra ler a carta. Na verdade ela parecia louca pra que eu lesse. Me olhava com um olhar totalmente cheio de expectativa, o que era muito estranho, vindo da Rose.


 


- Você tá esquisita... – eu falei desconfiada e ela revirou os olhos.


- Só lê! – então eu abri o envelope, puxei a carta, e li.


 


Rose,


 


Hey. Eu espero que você tenha vivido o suficiente pra poder ler a carta. Quero dizer, seus pais não te mataram ou coisa assim, certo? CERTO? Eu assumo que não. Certo. Eu não acho que escrever seja uma boa idéia, mas eu estou tendo um certo surto e não consegui me parar a tempo. Então... Sei lá. Como você está? Essa é uma pergunta idiota, eu sei. Você está provavelmente se divertindo com a sua família, e coisas de Weasley assim.


 


Bem... O verão aqui em casa começou como um inferno e só tende a piorar. Astoria achou uma carta do Al semana passada e fez o maior escândalo. E o Draco só ficou olhando pro teto com cara de tédio como ele sempre faz. Ela ameaçou me mandar pra casa do Lúcio, mas o Draco não deixou. Eu achei que ele ia dar um ataque, mas ele me olhou como se soubesse de tudo o tempo todo, como se a coisa toda fosse tão ridícula (o que me surpreendeu, porque a coisa É ridícula. Ele teve bom senso!) que nem merecia a atenção dele e disse: “Carma”. Depois subiu pro quarto dele, deixando a minha mãe furiosa, que saiu berrando atrás dele pra me deixar de castigo.


 


E isso é muito, muito estranho. Então... Não se preocupe, mandar cartas não vai me arranjar encrenca, porque eu já estou meio encrencado. Eu admito que é meio engraçado ver a Astoria soltando fumaça pelas orelhas cada vez que olha pra mim, mas também é estranho, porque eu fico quase chateado. A mulher é uma vaca mas ainda é minha mãe


 


Por que eu to te contando essas coisas?


 


Vai fazer suas coisas de Weasley e não pensa em mim! Que droga, Rose!


 


Bem, eu sou monitor da Sonserina. Parabéns pra mim.”


 


Eu acabei de ler e tenho certeza que se eu pudesse ver minha cara ela estaria mais ou menos assim: .O. Eu não poderia estar mais chocada. Eu olhei pra Rose, que ainda me olhava com ares de expectativa, e agora parecia também nervosa. Eu tinha uma grande – uma enorme – idéia de quem tinha escrito a carta, mas parecia tão – repito, TÃO – improvável, e estranho, que eu tive que perguntar pra confirmar.


 


- Rose, essa carta é do Scorpius? – ela balançou a cabeça freneticamente pra cima e pra baixo.


 


Quando nós duas descemos, notamos que ninguém mais estava discutindo, muito menos falando. Meu pai estava completamente vermelho, e a minha mãe também, mas parecia ser de raiva, e não de vergonha. E o Tio Gui estava com uma marca rosa muito sutil na bochecha esquerda, que eu desconfiava ser obra da minha mãe. Quando nós entramos na cozinha e tentamos parecer normais – e não as duas adolescentes que não paravam de berrar como há 5 minutos – todos os olhares se voltaram para nós. As orelhas do Tio Ron estavam vermelhas, e a Tia Hermione tinha uma coisa levemente desesperada no olhar. Quando eu sentei na cadeira ela se levantou subitamente, olhando nervosa pra mim e disse com voz de quem não quer nada:


 


- Eu vou pegar mais salsichas. Lily, querida, por que não me ajuda?


 


Eu achei tão estranho alguém precisar de ajuda pra pegar salsichas na cozinha que deduzi que ela devia estar querendo falar comigo. Sem o Tio Ron por perto. Eu olhei pra Rose meio que pedindo permissão, e ela só balançou a cabeça afirmativamente. E como ninguém contestou, eu meio que assumi que a briga tinha sido feia. Quando nós saímos de perto da mesa, ela despejou uma tonelada de perguntas em cima de mim, eu mal assimilei algumas, só entendi palavras como “quem” “namorado”, “esconder”, “por favor” e “confusa”. E eu acho que ela sacou pela minha cara de besta que eu não tinha sacado nada, então ela suspirou e começou a sussurrar pra mim.


 


- A Rose por acaso tem um namorado? – eu quase respondi que sim, mas aí eu lembrei que era mentira, que isso era só o que eu achava que rolava entre ela e um certo sonserino. Mas como não era nada oficial...


- Não. – eu falei descaradamente. Não é que eu seja uma mentirosa descarada, é só que era melhor pra Rose desse jeito


- Um... Rolo? – ela tentou com uma careta estranha. Droga, essa mulher era inteligente demais.


- Não. – eu falei, e admito, rápido demais pra ser verdade. Eu abri a boca pra dizer “Não sei”, porque bem, eu não sei de verdade o que tá rolando entre a Rose e o Scorp, mas a Tia Hermione suspirou meio sorrindo e fez um sinal pra eu não falar.


- Esquece. Eu não posso mentir sobre o que eu não sei. – e piscou pra mim, apenas para falar ainda mais baixinho. - Lily. Seu tio Ron vai te perguntar a mesma coisa. E mesmo que você diga que não, ele não vai acreditar. E ele vai querer saber o que diz na carta. Eu consegui convencê-lo de que não era nada importante e eu preciso que você invente uma história. – e depois bufou, meio irritada – Ah, Lilian, você sabe como seu tio é ciumento, se ele descobre...


- Isso não vai rolar, tia. Na boa, eu minto bem. – não sei se eu devia ter dito isso pra minha tia, mas... Ela sorriu pra mim e saiu andando. Por isso eu tive que chamar ela de volta. – Tia!


- Sim, Lily? – ela disse se virando parecendo leve e distraída.


- As salsichas? – eu apontei pro prato em cima do fogão e ela corou, voltando pra pegar.


- Ah, é. Obrigada.


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Faz uma semana que a gente chegou. Recebemos as cartas com as nossas notas. Fui bem, de um modo geral. Minhas notas em Poções poderiam ter sido melhores, mas eu passei. O mesmo pra Herbologia (por algum motivo, eu sou uma droga em herbologia). Os NOM’s do James chegaram também. Óbvio que ele passou. O James pode ser um animal como pessoa, mas ele é muito inteligente. A nossa única grande preocupação era com Poções. Nós herdamos a inaptidão nata do meu pai pra nos ferrar em Poções. O Al é bom (eu e o James suspeitamos que é por causa do Severus no nome dele, mas deixa quieto, não queremos desencorajar o bichinho), mas também não é lá um Macumbeiro Supremo (como nós chamamos nossa querida professora de Poções). De qualquer jeito, o James passou. Em Poções. Com méritos. Foram nove NOM’s, se não me engano. E isso deixou a família muito feliz. O James vai ganhar a vassoura que ele tanto pediu e implorou pra ganhar no Natal passado que o papai e mamãe não deram pra ele. E a Rose, naturalmente, foi feita monitora. Festa dupla. Hurray.


 


Depois do café minha vó despachou todas as crianças pro jardim, dizendo que nós precisávamos aproveitar o sol enquanto tinha, porque ela achava que ia chover mais tarde. Então os meninos foram jogar quadribol. Bem, a Roxy e a Dominique também foram, mas ninguém queria a Dominique no time deles, porque quando ela lembrava que estava num jogo e parava de se olhar no espelhinho de mão, ela agarrava a goles e não passava pra ninguém e, cá entre nós, a tática da jogadora bonita só funciona quando você não está jogando em família. Aqui ninguém presta muita atenção na beleza dela, tá todo mundo acostumado. Depois de um pequeno período de discussão, os times acabaram assim: James, Teddy, Roxanne e Hugo contra Al, Fred, Louis e Dominique. A Nicky e o Hugo são ruins, o James, o Teddy, a Roxy, o Fred e o Al são muito bons, e o Louis joga bem, então a coisa ficou mais ou menos equilibrada.


 


Não tem muita coisa acontecendo, realmente. Eu estou no meio das minhas férias, então eu não tenho nada pra fazer a não ser meu dever de casa de férias. E é verão... O verão sempre nos deixa... Lentos? É, eu acho que é essa a palavra. Quando não temos que desgnomizar o jardim nós só jogamos Quadribol, e eu nem sou muito boa. James fica dizendo que eu sou muito fominha, que eu nunca passo a bola pra ninguém, e ainda a perco, e nós geralmente discutimos, e xingamos, e (ocasionalmente) trapaceamos, até os meninos começarem a se pegar a pau. E depois algum adulto responsável tem que interromper.


 


O que eu posso dizer? Não junte um monte de meninos cheios de testosterona e jogue-os em um campo de Quadribol no meio do verão, a não ser que você queira caos, destruição e brigas. De alguma forma, eles sempre acabam rolando no chão enquanto se espancam. Bem... Nós, meninas, não somos muito melhores, pra falar a verdade. Uma vez a Dominique e eu nos metemos nessa briga enorme, porque eu disse que Lucien Deveraux era gostoso e ela me mandou cair fora porque ela já amava ele. O James e o Fred tiveram que nos separar e até hoje meu couro cabeludo tem medo da Nicky. Sério. Dói quando ela está perto. Não estou mentindo.


 


Quando não estamos jogando quadribol, estamos discutindo, brigando, pregando peças nos outros, enchendo o saco das pessoas, envergonhando os outros, e contando vantagem. Não que nós não façamos isso ENQUANTO jogamos, claro... Bem... Resumindo… Nós somos demônios em forma de gente. Não nos odeie. Nós não somos maus. É que nós estamos entediados!


 


Bem... Como eu e a Rose não somos muito boas, nós nos sentamos em um banco de pedra embaixo do caramanchão e ficamos vendo o jogo. A Victoire tinha ficado de juíza, mas o máximo que ela faz é deixar todo mundo meio furioso, porque geralmente ela rouba pro time do Teddy. Bom pro James, mal pro Al. Todo mundo sabe que ela faz isso, mas ninguém reclama de verdade, porque todo mundo sabe que um jogo com expulsões e bate-boca com o juiz é muito mais emocionante. Quando a Vicky apitou pro jogo começar, as vassouras levantaram no ar e o James já começou roubando a bola da Dominique e fazendo um gol.


 


Eu tava lá de bobeira pensando em nada muito interessante quando de repente – e eu realmente não sei por que, eu não tava pensando em nada nem perto – a carta da Rose me veio à cabeça. E antes que conseguisse segurar minha língua, eu soltei:


 


- Rose, o que tá rolando entre você e o Scorp? – ela corou furiosamente e abaixou a cabeça, olhando para o próprio colo.


- Nada! Ele é meu... Amigo? – aquele tom de pergunta deixava tudo muito claro pra mim.


- Você gosta dele.


- Não, Lily, é só...


- Não foi uma pergunta, Rose. – eu disse em uma voz levemente cantante, balançando as pernas, batendo o salto da minha sandália na grama verde. Eu não sabia que alguém podia ficar tão vermelha até ver a cara dela. Era um nível de vermelhidão simplesmente sobre-humano. Tanto que me fez rir. – Se você visse sua cara...


- Não é nada disso, Lily! – isso me fez rir ainda mais.


- Você respondeu meio atrasada!


- Não está acontecendo nada entre nós, Lilian. – ela disse em um tom que era quase decepção.


- Nada?


- Nada. – ela confirmou.


- Nem uns amassinhos no armário de vassouras? – eu perguntei fazendo biquinho. Ela riu.


- Nem beijinho de boa noite. – eu fiz uma careta azeda.


- Droga.


- Por que a pergunta?


- Sei lá... É que depois de ler a carta que ele te mandou eu fiquei pensando... – e aí ela totalmente entregou o jogo e despejou tudo o que tava na cabeça dela e que ela não queria me contar.


- Eu sei! Ele se abriu comigo! A primeira vez que ele fala da família assim tão sinceramente. Bem, quase. Mas você entendeu! A única vez que eu ouvi ele falar da mãe e do pai foi pra xingar os dois de coisas não muito agradáveis se você me entende. E ele parecia tão confuso, tão doce... E tão triste... Eu senti que ele precisava de mim, que ele queria que eu escrevesse, era quase como se ele estivesse...


- Apaixonado? – eu completei pra ela.


 


A Rose simplesmente ficou olhando pra minha cara com uma expressão completamente vazia por uns dois minutos, e eu fiquei encarando ela de volta. Depois ela se levantou em um pulo e começou a andar de um lado pro outro.


 


- Claro que ele não está apaixonado, Lilian, que idéia mais boba.


- Por que não?


- Porque... – ela parou por um momento, só pra admitir em seguida – Porque sou eu, Lily! A Rose! – ela disse pegando de repente a saia preta que ela usava e sacudindo-a – Eu não sou exatamente uma Dominique. – eu continuei encarando ela, muito séria.


- Graças a Deus, diga-se de passagem.


- Lily, é sério! Olha pra mim!


- É, olha pra você. Você é inteligente, Rosie. E mais bonita que muitas das piranhas daquele colégio. Por que ele NÃO gostaria de você? – ela suspirou e sentou do meu lado de novo.


- Ah, Lily... – ela disse frustrada, parecendo muito a Tia Hermione quando tá brigando com o Tio Ron.


- OI! MENINAS! – nós ouvimos uma voz berrar de trás. Nós nos viramos para olhar, só pra ver o próprio pai da Rose chamando da varanda. Falando do diabo... - A SUA VÓ ESTÁ CHAMANDO! – ele berrou como um ultimato, e voltou marchando pra dentro de casa.


 


A chuva veio tão rápido quanto a vovó disse que viria. Em questão de minutos o céu azul fechou, e ficou coberto por nuvens pretas. Já passava do meio dia e o Tio Ron não parava de reclamar de fome. Eu e a Rose voltamos pra casa assim que sentimos o vento se intensificando, fomos para a sala jogar xadrez, Tia Audrey e Tia Hermione ajudavam a vovó a fazer o almoço. Assim que eu voltei para a cozinha depois de uma derrota humilhante aplicada cruelmente pela Rose nós tentamos nos meter no jogo de cartas que os adultos jogavam.


 


Acho que é importante – interessante talvez – dizer que a maior parte do tempo passado n’A Toca, é passado na cozinha. Deve ter algo a ver com a atmosfera acolhedora de família unida que a coisa passa. Ou talvez seja porque é o único cômodo grande o suficiente pra abrigar as vinte e nove pessoas ao mesmo tempo. Uhm... Acho que fico com a segunda opção. Nós tínhamos acabado de ser expulsas da mesa de apostas pela minha mãe furiosa por perder uma rodada quando minha vó me chamou para ajudar no almoço. A Dominique logo irrompeu na cozinha, quase derrubando a porta no processo, xingando Deus e o mundo porque o cabelo dela tinha ficado “DESTE TAMANHO” – note que ela gesticulou balançando as mãos exageradamente na volta da cabeça – por causa do vento. Vicky apareceu com uma cara de tédio logo depois, dizendo que o time do Teddy tinha perdido, e pedido revanche. Eu revirei os olhos já imaginando de quem fora a idéia – COFJAMESCOF – e comecei a picar as cenouras que a vovó tinha colocado na minha frente. Não deu cinco minutos, nós ouvimos um trovão e o barulho de chuva forte batendo no telhado, e os meninos e a Roxy ainda estavam lá fora.  Minha mãe sabia que nenhum deles ia voltar até que a partida tivesse um vencedor, então ela mandou meu pai mandar todos pra dentro de casa. A próxima coisa que eu vi foi um bando de caras altos ensopados e cheios de lama invadirem a cozinha da minha vó, liderados pela Roxy, que de algum jeito tinha ficado razoavelmente limpa.


 


- Vocês jogaram sujo mesmo, ein? – eu falei com uma sobrancelha levantada. Meu pai riu, mas ninguém mais achou graça da minha piadinha. Eu só vi o Al e o James se entreolharem com um sorriso malvado no rosto, e eu sabia o que se passava na cabecinha maluca deles. Por isso eu larguei a faca que eu tinha na mão e tentei correr pra sala, mas eles eram mais rápidos.


- Lily, minha irmãzinha querida! – James gritou.


- A gente gosta tanto de você! - e os dois me abraçaram. Me encharcando também. E me cobrindo de lama também.


- Seus idiotas! - depois me soltaram e andaram até o balcão, pra roubar um pedaço da torta que a vovó tinha feito de sobremesa.


 


Mas a vovó tem um super sexto sentido quando se diz respeito à comida dela, e apareceu bem na hora, enxotando todos da cozinha, mandando todo mundo pro banho. Ela bufou, revirando os olhos e abanou a varinha por cima do ombro, e um pano começou a limpar o chão e se torcer na pia depois. Ela me olhou de cima a baixo e torceu o nariz. Pra falar a verdade eu até tinha esquecido que eu tava cheia de lama.


 


- Lilian, pelo amor de Deus, vá se lavar!


- Eu adoraria, vovó, o que acontece é que todos os banheiros estão ocupados! – eu falei, toda mau-humorada. Eu ODEIO ficar suja. Aí ela me lançou um sorriso secreto, inclinando a cabeça na minha direção e sussurrando:


- Não o do terceiro andar.


- Vovó, não tem um banheiro no terceiro andar. – eu falei confusa.


- Sabe o depósito? – eu balancei a cabeça afirmativamente. Todo mundo sabe que é lá que o vovô guarda as tralhas dele que a vovó manda jogar fora quando ele não joga. Ela olhou pros dois lados, e manteve o olhar fixo na ponta de escada quando falou - Não é um depósito.


 


Eu fiquei encarando ela durante alguns segundos, e só depois eu saquei o que ela tava falando. Todo mundo dizia que era lá que o vovô guardava as tralhas dele, mas eu não lembro de ninguém realmente ter visto o vovô guardar alguma coisa lá. Eu abri a boca, pasma e a vovó piscou pra mim, voltando ao fogão e mexendo uma panela. Eu saí correndo escada acima antes que alguém pudesse perguntar onde eu tava indo. Quando se divide uma casa de dois banheiros com 29 pessoas, pequenos segredinhos como esse valem ouro.


 


Eu demorei longos 30 minutos no banho, sendo que mais ou menos 20 foram apenas para tirar a lama do meu cabelo. Eu geralmente demoro umas duas horas, fico lá embaixo d’água pensando em que roupa eu vou botar depois, ou no que eu esqueci de fazer. Eu geralmente não me lembro, mas se fosse tão importante eu não teria esquecido. Menos aquela vez que eu esqueci de alimentar o Christopher. Isso era importante, especialmente porque como vingança ele cravou as unhas no meu travesseiro e despedaçou a minha fronha preferida. Tinha patinhos nela. Eles eram amarelinhos. Que saudade da minha fronha. Bem, de qualquer forma, isso é quando eu estou em casa. Quando eu venho pra Toca sempre tem uma fila de no mínimo cinco pessoas esmurrando a porta e jurando pôr a coisa abaixo se eu não for rápido. Eu achei melhor me apressar, antes que suspeitassem e eu perdesse meu refúgio, e banheiro. Quando eu desliguei o chuveiro, constatei com horror que tinha esquecido de pegar minhas roupas. Eu tinha duas opções.


 


A) Sair enrolada na toalha até meu quarto no quinto andar, e correr o risco de tropeçar, deixar a toalha cair e ser vista pelada pelos meus primos esperando na fila do banheiro do quarto andar.


B) Convocar minhas roupas e correr o risco de ter minha saia nova confiscada pelos meus primos, que possivelmente vão enfeitiçá-la para que eu fique verde quando eu a coloque. Ou algo assim.


C) Sair correndo até o quarto da minha mãe que fica no segundo andar, roubar uma roupa dela, correr para o meu quarto vestida, e depois devolver as roupas dela! Ou ficar com elas, sinceramente as roupas da minha mãe são lindas e ela é quase do meu tamanho, talvez um pouquinho mais alta...


 


C!


 


Eu abri a porta do banheiro e saí correndo feito uma alucinada escada abaixo, e quando eu tava quase chegando... Eu ouvi a voz confusa do meu primo mais novo perguntar, e quando me virei, lá estava ele, coçando a cabeleira ruiva em toda a sua glória sardenta de nove anos.


 


- Er... Lily, por que você tá enrolada em uma toalha e com os cabelos pingando? – eu engoli em seco antes de dizer:


- É um jogo. Você ganha um cookie se não falar nada pra ninguém. – Georgie me encarou desconfiado por um minuto, pra dar de ombros em seguida e sair correndo escada acima berrando que ele queria de chocolate. Suspirei profundamente. Salva pelo cookie.


 


Girei a maçaneta e entrei no quarto dos meus pais. Esse cômodo definitivamente não é meu lugar preferido na casa. Minha mãe e meu pai são extremamente bagunceiros, e isso piora nas férias. Tinha roupas atiradas pra tudo quanto era canto e a cama não estava arrumada. Eu olhei com nojo para uma pilha de roupas ao lado da porta, e notei que algumas delas tinham manchas. De que eu não sei e nem sei se quero saber. O quarto não era grande, mas não era tão pequeno assim, e eu consegui pular algumas pilhas mais até chegar ao armário. Comecei a procurar pelas coisas da minha mãe (o lado direito) e achei uma camisa azul bem bonitinha que servia direitinho em mim, e uma saia jeans que ficava um pouco larga, mas que dava pro gasto.


 


Olhei para os dois lados do corredor, e ia sair correndo até o meu quarto, mas escorreguei numa camisa do papai que eu não tinha visto e caí com tudo de bunda no chão em cima de alguma coisa que deveria ser frágil, porque fez um leve “PECK” embaixo de mim. Eu me levantei em um pulo e fiquei olhando para o montinho de pano verde em cima da tal coisa, sem saber se tirava de cima e via o que eu tinha quebrado, ou saía correndo e fingia que não tinha sido eu. Normalmente eu faria a segunda opção, mas a minha curiosidade gritou mais alto que o meu medo. Eu estiquei o braço e segurei a camisa, e pensei “Ah, dane-se” antes de puxá-la e dar de cara com um porta-retrato com uma foto dos meus pais nos seus 17,18 anos. Eles sorriam e fazia caretas e no final das contas meu pai começava a fazer cócegas na minha mãe. Eu fiquei lá uns dois minutos só no “aaaawww”, até ouvir um barulho atrás de mim. Eu me virei, escondendo a moldura quebrada atrás de mim e sorri para a pessoa à minha frente.


 


Teddy.


 


- Graças a Deus é você, Teddy! – ele começou a rir, seu cabelo turquesa se destacando entre todo o marrom do corredor.


- O que você quebrou dessa vez, Lily? – ele me conhece demais pro seu próprio bem. Uhm, precisamos dar um jeito nisso qualquer dia desses.


- Eu juro que não fui eu, foi tudo culpa do James! Se ele não tivesse me abraçado todo cheio de lama eu não teria que tomar banho e não teria esquecido minhas roupas no meu quarto, então eu não teria que vir correndo até o quarto da mamãe e roubar uma roupa dela e não teria tropeçado na camisa do papai, e por sinal, se ele não fosse tão bagunceiro e deixasse as coisas dele por aí eu não teria...


- Lily. – ele me cortou com um sorriso.


- Conserta? – eu pedi estendendo o porta-retrato. Ele puxou a varinha e em um piscar de olhos estava como novo. – Obrigada, Teddy! Você é o máximo!


- É o que dizem, pequena. – ele falou brincalhão e espiou pra dentro do quarto dos meus pais, fazendo uma careta. – Sabe, o quarto deles É uma bagunça. – ele apontou a varinha para umas camisas do lado da cômoda e falou um feitiço e elas se ergueram no ar por alguns segundos antes de esticarem e caírem no chão de novo. Ele deu de ombros. – É, nunca fui muito bom com feitiços caseiros. A vovó diz que eu herdei isso da minha mãe. Sei lá. Sua vó está chamando pro almoço. – ele terminou sorrindo.


- Okay! – eu fui correndo feliz e saltitante até a cozinha.


 


Porque sinceramente, é impossível não ser feliz e saltitante quando o Teddy está por perto.


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Hoje eu acordei ao som de gritos no andar de baixo, de um sonho muito maluco onde a Rose segurava a mão de Scorpius Malfoy e os dois fugiam de um Tio Ron furioso segurando um bastão de quadribol, a Tia Hermione ia correndo atrás deles com um vestido longo totalmente branco, enquanto meu pai segurava um prato com gelatina verde e me dizia pra arranjar uma namorada sonserina pro James, porque ele sinceramente achava que uma sonserina daria um jeito nele, e a minha mãe tentava convencer meu avô a fazer uma piscina de macarrão pra ela. Eu olhei para o lado e vi que a Rose – com quem eu dividia o quarto – já estava de pé e terminando de arrumar sua cama. Quando ela me viu abriu um sorriso feliz e me desejou bom dia.


 


- Bom dia pra quem? – eu resmunguei com uma voz rouca de quem recém acordou. O que posso dizer? Eu odeio acordar cedo.


- Credo, Lily, eu fico com pena de quem te acorda de manhã.


- Tá falando da Andy ou da mamãe?


- Bem, você não pode azarar sua mãe então... Da Andy.


- Ela supera. – eu murmurei me atirando de novo na cama. Eu estava pronta pra dormir de novo, mas a Rose não ia deixar. Ela puxou meu lençol e atirou-o longe, e abriu as cortinas enquanto eu reclamava. O sol invadiu o cômodo antes escuro com força total e eu fiquei cega momentaneamente. – AAARGH, ROSE! Fecha essa droga!


- Não. – ela falou simplesmente ainda com aquele tom absurdamente feliz. Os olhos azuis brilhavam com um quê malicioso.


- Você gosta de andar por aí cegando as pessoas ou é só comigo? – perguntei assim que meus olhos começaram a se acostumar com a luz.


- É só com você. – eu finalmente consegui olhar pra ela. Ela estava... Feliz demais. Não parecia nem a minha prima. Eu comecei a desconfiar.


- Você tá esquisita, tá toda alegrinha! Viu pomo de ouro, foi? – eu falei debochada e ela revirou os olhos, esticando sua colcha. Aí de repente a lembrança do meu sonho me fez estreitar os olhos, sorrindo implicantemente – Ou será que viu uma coruja negra voando na sua direção com uma cartinha no bico... – ela se virou rapidamente e toda corada.


- LILY!


- Eu sabia! Pra te fazer abrir esse sorrisão tinha que ter homem na história!


- Ora, Lilian, cale a boca!


- Claro que tem! Aposto como ele apareceu ontem à noite na sua janela e vocês fizeram coisas no depósito!


- LILIAN POTTER, CALA A BOCA AGORA MESMO!!                              


- A ROSE SE AGARROU COM SCO – e aí ela pulou em cima de mim e tapou minha boca com a mão.


- Você tá maluca??? Quer que o meu pai escute??? – ela sussurrou furiosamente. Eu resmunguei e ela finalmente tirou a mão da minha boca.


- Não, Rosie, eu só quero que você me diga o que que tá pegando. – ela bufou.


- Precisava armar um barraco?


- Rosie, Rosie... Quando você vai aprender? Tudo é mais divertido com um barraco! – eu falei balançando a cabeça e ela não conseguiu resistir e começou a rir. Cruzou os braços e sentou-se na cama dela do lado da minha.


- Uma carta. – eu pulei e fiquei de joelhos, meus olhos brilhavam com expectativa.


- E o que dizia?


- Que ele ia comprar o material amanhã.


- Então é amanhã que nós vamos, baby! – eu falei segurando sua mão e pulando da cama, correndo escada abaixo. – MANHÊÊÊÊÊÊ!


- Bom dia, querida! – minha mãe falou sorrindo quando eu invadi a cozinha em meu pijama rosa roubado dela arrastando minha pobre prima atrás de mim.


 


A cozinha ainda não estava totalmente cheia. Faltavam adultos e crianças, mas quase todos os meus primos estavam lá, e também os meus irmãos, com cara de sono. James tinha acomodado a cabeça nos braços e dormido em cima da mesa, Fred e Roxanne tinham as cabeças encostadas e pareciam tão acordados quanto o James. Al tinha olheiras enormes e os cabelos estavam completamente espetados pra cima, ele olhava fixamente para um ponto na mesa com os olhos levemente arregalados e a boca meio aberta. O Al é assim, demora um pouquinho até pegar no tranco. Hugo balançava na cadeira, parecendo apenas acordar quando a cabeça pendia pra frente. Quanto aos adultos... Bem, a vovó estava de pé e na ativa, cozinhando todo o tipo de coisa e meus pais estavam sentados um do lado do outro tomando café e dividindo o jornal, Tia Angelina tentava acordar o Tio George, que babava em seu ombro e Tia Audrey entrou na cozinha logo depois da gente, empurrando Molly e Lucy sonolentas.


 


- Mãe! Podemos ir comprar nosso material amanhã, podemos, podemos, podemos, podemos, por favor, siiiim? – eu pedi juntando minhas mãos e implorando. Ela me deu um beijo na bochecha e disse:


- Pergunte ao seu pai. – eu sorri convencida. Isso seria fácil. Sinceramente, meu pai nunca me negava nada. Eu sou a garotinha do papai, um olharzinho de cachorro abandonado e ele derrete todo. Era exatamente por isso que os meus irmãos me mandavam em missões para pegar mais cookies e também o motivo de a minha mãe nunca deixar eu pedir nada importante pro meu pai.


- Papai?


- Claro, querida. – não falei?


- Valeu, pai! Você é o melhor! – eu falei pulando em seu pescoço e o abraçando de um jeito que deixou nossas bochechas grudadas. Ele começou a rir e eu larguei ele, indo sentar ao lado do James. Rose sentou ao lado do Al e passou a mão na frente de seus olhos, ele meramente piscou e olhou para ela, para voltar a olhar para a mesa com o mesmo olhar fixo e perdido.


- Lily, acorde seus irmãos. – minha vó pediu, depositando um prato com gelatina verde no meio da mesa na minha frente. Wow, gelatina verde. Isso me lembra uma coisa.


- Falou, vó. – eu me levantei e me inclinei sobre a mesa, puxando o prato de panquecas – Ei, vocês querem saber o que eu sonhei hoje? – e passei o prato de panquecas perto do nariz do James da direita pra esquerda três vezes, até que no que seria a quarta, ele agarrou a minha mão e tirou o prato de mim, jogando todas as panquecas no próprio prato.


- James! Não seja um porco! – minha mãe repreendeu. – Outras pessoas querem panquecas!


- Outras pessoas você quer dizer você, né mãe? – ele falou brincalhão e ela girou os olhos para cima.


- Do que você tá falando? Claro que quer dizer eu! Devolva esse prato agora!


- Ô, manhê! Fala sério, assim você vai ficar gorda!


- Vê se se liga, meu filho, não sou eu que estou criando pneus! – e eles começaram a brigar pelas panquecas, e meu pai se virou para mim sorrindo.


- O que você sonhou, Lily?


 


Era sempre assim na minha família. As pessoas começam a brigar ou a falar de alguma coisa e geralmente esquecem de mim. Porque é muita gente, entende? Prevalece a regra do quem grita mais alto, e o mais rápido pra agarrar o prato de panquecas. E isso também vale pra quando é só a gente lá em casa, em Londres, porque meus pais não são aquele tipo de pais severos e chatos, sabe? Diabos, a gente já mandou o papai ficar de castigo virado pra parede, e disse pra mamãe que ia dedurar ela pra vovó se ela não nos deixasse ir pro parquinho, e sempre foi assim, eles sempre foram super parceiros. E quando eles brigam desse jeito, ou começam a falar alguma coisa, eu fico ali perdida no meio.


 


E o meu pai sempre nota e me salva.


 


É por essas coisas que ele é meu herói. Não porque ele salvou o mundo. Na boa, isso até os ecochatos fazem. Ser um pai bom como ele é mil vezes mais difícil.


 


- Bem... Foi muito louco mesmo! – e eu comecei a contar meu sonho pra ele, e as pessoas realmente pararam para ouvir, eles tinham até acordado! Quando eu cheguei na parte da piscina de macarrão o Tio George se levantou de um pulo e seus olhos brilharam com maldade. Meu pai começou a rir descontroladamente enquanto James fazia uma cara de nojo.


- Fala sério, eu namorar uma sonserina!


- Você namorar! – Fred falou, debochado.


- Haha, Fred, muito engraçado. Pra sua informação eu já namorei antes.


- Oh, eu me lembro dessa. – Al falou, fingindo entusiasmo. Finalmente pegou no tranco. – Não foi aquela que durou... Quanto foi? Uma semana?


- Duas. – eu disse, rindo. – Começou na segunda e na sexta ele traiu ela com aquela...


- Aquela loira da Corvinal, não foi? – Roxy perguntou, entrando na nossa onda de zoar a semvergonhice do James.


- Ou foi a morena da Lufa-lufa?


- Acho que nem ele se lembra. – isso não deixou ele muito feliz. Principalmente porque a mamãe tinha usado sua autoridade de mãe e falou o famoso “Me dá, porque eu mandei.” e pegou as panquecas.


- Ah, calem a boca.


- Sabe... – meu pai falou, pegando a gelatina verde. – Na verdade eu acho que uma sonserina realmente podia dar um jeito no seu irmão.


 


 Okay, isso foi muito estranho. Foi igualzinho ao meu sonho. Só que minha mãe não estava pedindo uma piscina de macarrão para o vovô, não tinha ninguém sendo perseguido com bastões de quadribol, ou minha Tia Hermione toda de branco. Exceto que neste exato momento, minha Tia Hermione em pessoa desceu as escadas em sua camisola... Branca. E meu Tio Ron estava usando jeans, camiseta e tinha... Um bastão de quadribol na mão. Eu olhei para a Rose e encarei ela, levantando a sobrancelha, ninguém mais parecera notar qualquer coisa. Eu me inclinei sobre a mesa, e sussurrei para a minha prima.


 


- Falou, ISSO foi MUITO estranho. Se a mamãe pedir uma piscina de macarrão, o Scorp tá definitivamente te querendo, prima. – eu falei e ela revirou os olhos, embora sorrisse.


- Alguém quer jogar quadribol? – Tio Ron perguntou sorrindo.


- Nós! – meu pai e minha mãe se levantaram ao mesmo tempo.


- Você vai comer poeira dessa vez, Weasley! – meu pai falou com um sorriso brincalhão.


- Foi o que você disse da última vez, Potter, e olha no que deu...


- É, mas eu não tinha a minha esposa comigo, meu caro...


- Tem sempre uma grande mulher voando atrás de um grande homem... – minha mãe falou, segurando o queixo do papai e o puxando para um beijo que fez o James e o Al reclamarem com nojo. Eles apenas riram e minha mãe sorriu, quando o papai a envolveu em um abraço.


- Vocês beijam suas namoradas, eu não posso beijar a minha? – ele falou, sorrindo aquele seu sorriso feliz marca registrada.


- EU vou jogar, se vocês quiserem ficar se agarrando aqui não tem problema, mais gols eu faço! – Tio Ron falou, implicante, e minha mãe se soltou do meu pai.


- Mexa essa bunda bonita, Potter! – ela falou, dando um tapa na bunda do meu pai e empurrando-o para fora.


- Bem... – eu ouvi a Rose dizer, olhando a cambada ir para fora. – Pelo menos ele não está ameaçando ninguém com aquele bastão de quadribol. – e nós duas caímos na risada.


 


 


- Você poderia andar mais rápido, James? – reclamei, gritando para o meu irmão mais velho, que se arrastava atrás de todo mundo.


 


Como prometido, aqui estamos. O Beco Diagonal! Um belo exemplo de atividade do dia-a-dia tornada um suplício por causa da fama dos meus pais. Está apinhado de gente, é claro. Está apinhado de gente olhando para a gente e apontando e sussurrando: “Olha quem é!” Uma garotinha que não deveria ter mais do que cinco anos saiu correndo de Deus sabe onde e se agarrou na perna da Tia Hermione e não queria soltar. Aí a mãe dela apareceu cinco minutos depois e tirou ela de lá, muito envergonhada e pedindo desculpas. Todo o ano desde o primeiro ano de James é assim. Por onde nossa caravana passa, a massa vai à loucura. É aquele pobreril louco se jogando aos pés do meu pai e a ricalhada toda se apresentando. Uma doidera só! Precisava ver, o primeiro ano do James foi todo assim, com direito a foto de paparazzi saindo na Bruxa Semanal e tudo. Um saco.


 


- Eu estou com fome, Lily, eu estou fraco! – ele falou, colocando a mão no estômago.


- Você comeu CINCO panquecas e DOIS ovos fritos há duas horas atrás! Como é que você está com fome? – Rose perguntou, incrédula. Ele deu de ombros.


- Sei lá, eu só to! MANHÊ! A GENTE PODE PARAR PRA COMER? – ele gritou para a mamãe, que ia lá na frente batendo papo animadamente com Tio Ron e o papai sobre a nova vassoura que eles viram na vitrine da Artigos de Quadribol.


- Assim que nós comprarmos os uniformes. – ela falou para mim, e depois disse pra passar adiante. Eu não sei como, mas no final das contas eu ouvi o James gritar:


- O manhê, por que você quer abusar de unicórnios? – o papai teve um ataque de riso e teve que se apoiar na vitrine de uma loja para não cair. A minha mãe bateu a mão na testa e ignorou os olhares esquisitos que nós ganhamos das pessoas na rua. Teve uma bruxa velha em particular que parecia só ter um olho que ficou nos encarando feio. Seja lá quem for eu acho que ela não gostou de saber que a minha mãe queria abusar de unicórnios. Boa, James! Agora tem uma velha louca que mete medo nos odiando!


- Cala a boca, James! – eu berrei para trás na fila em que nós nos encontramos. – Ela disse que a gente pára pra comer assim que comprarmos os uniformes, e não abusar de unicórnios, seu idiota!


- Hey, a culpa não é minha! Foi o Hugo que falou!


- Aqui estamos! Madame Malkin!


 


Depois que meus pais concordaram em vir hoje, nós falamos com o resto da família, e todos resolveram ir junto. Como é muita gente pra comprar o material, nós meio que nos dividimos em dois grupos. Então enquanto o Tio Ron e a Tia Hermione vieram com a gente, Tio George e Tia Angelina foram junto com Tio Gui e Tia Fleur. Eles iam começar pelo material de poções, e depois passariam na loja do Tio George, e iam nos encontrar na Floreios de Borrões – acho que a única loja grande o bastante para ocupar todos os Weasley e Potters.  É claro, algumas pessoas que não precisavam de material de forma alguma resolveram vir mesmo assim. COFTEDDYEVICTOIRECOF! Mas eles não estavam ocupando espaço algum em loja alguma. Os dois desapareceram antes mesmo de nos separarmos nos dois grupos. Não posso nem imaginar onde eles estão ou o que estão fazendo.


 


Estou te dizendo, se eles não me escolherem para madrinha da criança eu vou ficar realmente magoada.


 


Mas de qualquer jeito, quando eu ia entrar na Madame Malkin, a Rose puxou meu braço e pediu pra esperar. Todos passaram na nossa frente, inclusive o James, que estava resmungando sobre como parecia que ia abrir um rombo na barriga dele. Ele estava ficando impaciente e irritadiço, como de costume. Meu irmão não lidava muito bem com a fome. Ele perguntou se a gente não ia entrar e eu falei que já estávamos indo. Eu não sei como, mas eu sabia exatamente sobre o que a Rose queria falar comigo, e porque ela parecia tão decepcionada. O dia inteiro nós não tínhamos visto nenhum garoto loiro de cabelo platinado e olhos prateados. A porta da loja se fechou com um leve ruído e eu me virei para ela no mesmo instante, uma sobrancelha levantada.


 


- Rosalie Elizabeth Victoria Weasley – eu falei debochada. (N/A: Eu sei que o nome da Rose é só Rose, mas eu quis aumentá-lo só para ser mais legal de dar bronca. Nomes grandes são legais pra isso) Ela torceu o nariz. Pouquíssimas pessoas a chamavam pelo nome. A verdade é que pouquíssimas pessoas sequer sabiam que o nome dela não era só Rose. Eu mesma só usava pra implicar com ela, porque ela não é lá muito a fim do nome. A Dominique vive dizendo que Rosalie é nome de velha. – Você por acaso está achando que ele te deu um bolo?


- Bolo? Pra alguém dar um bolo em alguém, Lily, eles precisam ter um encontro marcado. Eu não marquei nada com ele! E não tem nada acontecendo entre nós pra sua informação. – ela falou toda corada.


- Eu sei. Só que você está completamente apaixonada por ele.


- Exato. – ela disse convencida. E depois arregalou os olhos se dando conta do que falou – Lily!


- Rose... – eu falei passando o braço pelos ombros dela. Ela não precisava falar nada. Eu sabia o que estava incomodando ela. Eu via através das palavras idiotas que nós duas sabemos não ter o mínimo significado. – Eu tenho certeza que ele não perderia a chance de te encontrar por nada nesse mundo. - ela baixou a cabeça por um momento, e quando levantou, sorria.


- Vamos logo, Lily.


 


Ela me ofereceu o braço, e eu engatei o meu. Rindo, eu abri a porta, e nós duas entramos na loja. Os adultos estavam se acomodando em pequenos sofás, parecendo entediados, e quando nos viram apontaram na nossa direção. Na mesma hora, duas atendentes nos atacaram com fitas métricas e nos arrastaram até alguns provadores. E enquanto a mais velha delas me fazia subir em um banquinho, a cortina do lado se abriu. E ele estava lá. Scorpius Hyperion Malfoy


 


Eu apenas olhei para a Rose, esperando uma reação que não veio. Ela estava estaqueada no mesmo lugar, olhando para ele sem nem piscar. Eu não queria estragar o clima deles, então fui fechar a cortina perto de mim, mas a Rose agarrou meu braço e não deixou. Eu podia ver que ela estava nervosa, porque ela estava tremendo. Eu arrisquei olhar pra ele, só pra ver se a reação tinha qualquer chance de parecer com a dela. Eu quase morri de rir.


 


Era igualzinha.


 


Sabe, ele estava muito bonito. Sempre foi. Bonitão assim. Ele tem os olhos prateados e o cabelo platinado da família, e agora a franja lisa e despenteada lhe caía nos olhos. Ele tinha crescido uns bons dez centímetros desde a última vez que o vi, e parecia menos desajeitado do que antes. Ele devia estar um pouco mais alto que Al. Era magro, talvez um pouco demais, e o uniforme com o verde e prata da Sonserina que ele estava experimentando lhe caía perfeitamente. Ao todo, ele não tinha mudado. Mas a expressão de tédio que ele geralmente usava não se encontrava no rosto dele. Não, ele olhava meio abobado para a Rose, a boca levemente aberta. Ele piscou algumas vezes antes de sequer tentar falar qualquer coisa. Virando o rosto para a Rose eu vi que o peito dela subia e descia rapidamente, e ao olhar de novo pra ele, eu vi a maior secada que eu já vi algum dar na Rose a minha vida inteira. Foi sutil, só pra constar. Foi muito sutil. Foi tão rápido que se eu já não suspeitasse desde sempre que eles estavam de rolo, eu teria achado que tinha visto coisas. Eu acabei soltando uma espécie de ronco enquanto tentava não rir, e infelizmente isso acabou acordando os dois. Ele olhou para o braço da Rose e seguiu-o até mim. E depois corou até a raiz dos cabelos. Eu podia jurar que o olhar que ele me lançou perguntava “Você viu?” e eu sorri presunçosa. “Pode crer”.


 


- Oi. – ele falou simplesmente, e depois voltou a olhar pra ela. Eu gentilmente descolei a mão da Rose do meu braço.


- Er... Oi, Scorp. – ela disse, corando também, e colocando o cabelo para trás da orelha de um jeito nervoso e atrapalhado, enquanto olhava deliberadamente para o chão. A atendente apenas olhou de um para o outro e sorrindo bobamente como se dissesse “Ah, amor adolescente” passou direto pela Rose e entrou no meu cubículo, fechando o cortinado e ajudando a outra a tirar minhas medidas. Eu fiquei esperando a conversa continuar, meus ouvidos aguçados, esperando para entreouvir tudinho.


- Como está sendo o verão? – ele disse, e eu notei que a voz preguiçosa usual dele não estava nem um pouco preguiçosa. As mulheres da loja saíram para buscar uma blusa nova para eu experimentar e eu aproveitei o momento para espiar entre o cortinado. Na verdade, Scorpius parecia uma pessoa completamente diferente. Parecia inseguro e nervoso e ficava engolindo em seco e mexendo na varinha no bolso da calça.


- Ah, ah, está... Está ótimo. Muito... Divertido.


- Que bom... – os dois ficaram em silêncio por um momento. Aí disseram ao mesmo tempo:


- Recebi sua carta! – e aí começaram a rir, e a tensão antes palpável pareceu se dissipar.


- Como tem ido as coisas? – ela perguntou, parando de trocar o peso de uma perna para a outra.


- Uma droga. É uma gritaria louca lá em casa.


- É, lá em casa também. – ele pareceu preocupado.


- Aconteceu alguma coisa ou...?


- Não, não! Eles sempre gritam. – ela falou, e depois pareceu ficar pensativa. – Na verdade, você tem que se preocupar é quando eles não gritam. – e os dois riram.


 


E depois eu vi duas pessoas entrarem em cena, uma um pouco antes da outra. A primeira foi minha Tia Hermione, que freou os calcanhares subitamente ao reconhecer com quem a filhinha dela estava conversando. Ela olhou para o meu cortinado com uma sobrancelha levantada e o olhar dela dizia tudo. “É ele o rolo da Rose?”. Eu balancei a cabeça lentamente, esperando que ela pudesse ver através da fresta. Por um momento eu achei que ela fosse cair dura e não levantar mais, mas ela é Hermione Granger-Weasley, não é? Ela é durona. Ela olhou para Rose como se nada estivesse acontecendo, como se não fosse o filho do inimigo de escola dela parado na frente da filha dela, no maior climão.


 


- Rose, você tem que experimentar o uniforme. – e depois virou-se para Scorp com um sorriso doce. – Ah, e esse é...?


- Ah, é... – Rose começou a corar e gaguejar de novo. – Mãe, esse é... É o... Scorpius.


- Scorpius...? – ela insistiu.


- Malfoy. – ele falou baixinho. Ela balançou a cabeça afirmativamente, ainda um pouco chocada e ele sorriu desconfortável, acenando com a cabeça. – Boa tarde, Sra. Weasley.


- Boa... Boa tarde.


 


E depois a Senhora Malfoy em pessoa irrompeu no meio da loja e chegou à minha visão. Astoria, eu sabia que era o nome dela. E pelo que o Scorp falava, ela era uma vaca completa. Eu só a conhecia de vista, quando ela o deixava na estação. E mesmo isso ela parou de fazer depois do terceiro ano. Ela era alta e esguia e tinha cabelos escuros, castanhos. Chanel, sem volume algum, rente ao pescoço. Usava um conjunto de vestes esmeralda um tanto pesadas para o verão. Ela era bonita, é claro. Diabos, ela era magnífica. Agora eu podia ver de onde o Scorpius tinha herdado aquele ar clássico. Ela tinha uma pele de porcelana perfeita, olhos amendoados e azuis. Um nariz longo e fino, levemente empinado, que dava a ela um ar arrogante. Tanto faz se você olhasse o conjunto inteiro ou cada parte dela em separado, tudo nela era absoluta perfeição. Ela tinha uma beleza extremamente clássica, e seus traços lembravam o de uma dama antiga, tapada de elegância, era como se existisse uma túnica de classe que a cobrisse da cabeça aos pés. Eu fiquei embasbacada com a beleza dela, e ao mesmo tempo me senti mal. Um calafrio correu minha espinha. Tinha algo emanando dela. Uma frieza excepcional que congelara meus ossos. Ela não tinha falado nem uma palavra, mas eu já não gostava dela.


 


O próximo gesto dela então... Confirmou as minhas suspeitas. Ela era uma perfeita dama da sociedade. Ela olhou para a Rose e para Tia Hermione com aquele seu olhar de gelo, levantou uma sobrancelha fina na direção delas, e sem dizer uma palavra, sem fazer qualquer outro gesto, nós três sabíamos que ela não nos suportava. Ela olhou para Scorpius com um olhar sem nenhuma expressão e disse em uma voz baixa, autoritária e melodiosa:


 


- Vamos.


- Eu encontro vocês lá fora. – ele falou com tanta frieza na voz quanto a que emanava dela. Eles se encararam por um segundo, e sem explicação nenhuma eu tive vontade de chorar. Ela deu meia volta e saiu andando, seus passos mais parecendo uma dança graciosa, o barulho de seus saltos ecoando pelo ambiente. Eu suspirei, respirando finalmente, embora não tivesse notado que tinha prendido a respiração. O ar pareceu ficar leve novamente e Scorpius olhou para mim, sorrindo com graça. – É feio ficar bisbilhotando a conversa dos outros, Lily.


- Ahn? – eu olhei para frente, e notei que no meio da coisa toda eu tinha soltado a cortina, e ela estava parcialmente aberta, o bastante para que eu aparecesse. Eu corei profundamente e ele riu. – Foi mal.


- Não foi nada. - depois virou-se para a Tia Hermione e dirigiu a ela um sorriso de desculpas.


- Sinto muito por isso, Sra. Weasley. – e antes que ela pudesse responder qualquer coisa, ele sorriu para Rose e murmurou um “te vejo na escola”. – Mande lembranças aos seus pais, Lily, e diga ao Al que “A mulher dragão perdeu um dente”. Ele sabe o que significa. – e embora eu não tenha dito nada, eu meio que suspeitei do que se tratava. Acenei, ainda com vergonha da minha indiscrição total xeretando na vida dele, e depois virei para as minhas Weasleys preferidas no mundo.


- Vocês estão bem?


- Ah, meu Deus... – ouvi a Rose falar finalmente quando Scorpius fechou a porta da loja, após um breve aceno de cabeça para o meu pai. Seus olhos estavam arregalados e assustados – Ela é horrível não é? – e eu soube exatamente do que ela estava falando.


- É. – ouvi minha Tia Hermione murmurar.


- Você tá legal, tia? – perguntei preocupada, olhando o rosto pálido dela.


- Vou ficar. Deus, eu não me sinto tão intimidada assim desde que Jessica Sanders me desafiou para um duelo pelo seu tio no sétimo ano! – ela falou, empurrando Rose em um dos provadores, enquanto nós três ríamos. Uma das mulheres da loja chegou com uma blusa para mim e me alcançou com um “Aqui está, querida”.


- Obrigada.


- Vou chamar sua mãe, Lily. – tia Hermione falou, andando até a salinha ao lado, onde os adultos estavam, agora muito concentrados, conversando baixinho. O cortinado à minha frente se fechou, e na mesma hora o do meu lado se abriu. Rose colocou a cabeça para a minha parte do provador.


- Pobrezinho, ele tem que conviver com aquela mulher!


- Eu sei! Eu quase passei mal! Você viu o jeito que ela olhou pra ele?


- Sim! Parecia que ia quebrar o pescoço dele.


- Olha, Rose, eu sei que eu não sou exatamente alguém que enxerga a alma das pessoas, mas aquela ali...


- Aquela ali tem um rótulo no meio da testa escrito VACA em tinta permanente. – eu ouvi uma voz diferente falar, e a minha mãe estava no provador, se metendo na nossa conversa.


- Mãe! Eu podia estar pelada!


- É, querida, eu te conheço desde antes de você nascer, eu vi esses aí crescerem. – ela falou apontando para o meu peito – Não há nada que você possa esconder de mim. – eu revirei os olhos. Minha mãe podia ser tão inconveniente! – Agora, se as duas conseguirem, fofoquem enquanto experimentam os uniformes. O James está ficando insuportável!


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Esse foi o capítulo 2. Espero que vocês tenham gostado. E lembrem-se, reviews são muito bem vindos.
Besos! 

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