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43. batalha?


Fic: Not So Little Anymore - acabou, é.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Alicia. – Eu sibilei, pegando a varinha, rapidinho, do decote. – Varinhas. Rápido. – Louis e Greg me obedeceram e pegaram as varinhas, meio desorientados, sem saber ao certo o que fazer. – Vasculhem tudo, procurem por elas. Estão em algum lugar.


- Mas, Rox... – Louis gaguejou. Seus olhos pareciam o dobro do tamanho. – Isso é mesmo sangue? – Me ajoelhei no chão e toquei com o dedo. Era molhado e pegajoso, mas não parecia sangue mesmo. Fiz a coisa nojenta de cheirar de perto. Parecia sangue, mas não sangue humano. Fiz a coisa absolutamente repulsiva de tocar com a língua.


- É. – Eu disse, enojada comigo mesma, só que preocupada e adrenada demais pra ligar praquilo. – Mas não é humano. Parece sangue de galinha. – Me levantei. Greg estava olhando por tudo, com a varinha em punho, parecendo um herói. Meu herói. – Acho que elas foram levadas, mas o sangue é só pra assustar.


- Nenhum sinal delas por aqui, Rox. – Greg disse, o tom de voz mais grave, como se ele estivesse prestes a chorar. Eu acho que era a mais calma do lugar, naquele momento. – Acha mesmo que foi Alicia?


- Tenho certeza que foi Alicia. Quem mais seria? – Eu disse. – Ela foi boa. Não percebi nada.


Ponderei por um segundo.


Se Alicia tinha levado Bibs, Cassie e Sabby, ela as tinha levado para um local que eu pudesse ir, mas tivesse que ir sozinha, sem algum professor, por exemplo, ou até mesmo com os garotos. Ela não ia se pôr ao risco de ir pra Sala Precisa ou permanecer no Palacete por muito tempo, e claro que ela não estaria pelo castelo. Então o local mais provável era a própria Irmandade, nossa Casa, já que todas as outras irmãs deviam estar na festa.


- Então eu tenho que ir pra lá agora. – Eu sussurrei, completando o pensamento. Louis parecia assustado pra caramba. Que mulherzinha.


- Ir? Ir pra onde? Roxanne, se tudo que você tá nos dizendo é verdade, então Alicia é uma doida maníaca, ela tem que ser parada de algum jeito, nós temos que chamar ajuda! – Eu olhei pra ele com as sobrancelhas erguidas.


- Você quer ser o cara que vai contar a McGonagall e aos outros professores sobre as sociedades secretas infiltradas em Hogwarts? Porque se você quiser chamar ajuda, você pode chamar ajuda, claro, a vontade. Mas ninguém vai acreditar em você. Eu vou permanecer nas minhas tradições, e vou fazer ao velho jeito da Tia Georgia. – Eu tinha que esvaziar o Palacete e mandar todo mundo de volta a Irmandade. Ou seria melhor manter todos lá e cuidar disso sozinha? Era difícil pensar sem Cassie e as outras. Se ao menos eu pudesse ter Victoire ali do meu lado.


- Suas tradições? Roxanne, ouça você mesma! Que raio de tradição é essa? Suas tradições não são essas! Conheço suas tradições. – Louis inflou as narinas e cresceu pra cima de mim. Greg fez menção de vir separá-lo de mim, mas um olhar meu o fez parar. – Você quis me contar isso tudo pra que? Pra que eu saiba que você se meteu com uma turminha muito louca que acha maneiro matar e seqüestrar pessoas e usar um monte de sangue de galinha pra assustar? Você quer ajuda, Rox? Quer que eu faça parte disso tudo? Pois eu farei. Mas eu preciso da sua palavra. Sua palavra de que não vai se machucar nisso tudo. E que vai deixar esse lance de ‘minhas tradições’. Porque essas garotas...? Elas não são suas irmãs. Sua irmã é com certeza a Vic, seu irmão é o Fred, sua família é minha família, suas tradições são as mesmas que as minhas. Sua tradição é passar o Natal na casa de nossa avó, é acordar sempre pisando com os dois pés ao mesmo tempo no chão, é fazer uma festa de sorvete suíço, Lullaby Smith e fotos com a Victoire todo dia 14 de março desde quando você tinha três anos de idade. Isso são suas tradições. Essa... Irmandade, ou seja lá como você chama? Isso não é real. Isso não é algo que valha a pena se arriscar.


O grande problema de Louis é que ele me conhecia desde que eu tinha nascido, então ele sabia o que eu estava pensando. A verdade é que, realmente, eu estava cansada de Irmandade e tudo o mais, mas eu já me sentia parte daquilo, parte da guerra, parte de tudo, como se fosse assim desde sempre. E eu não podia abandonar tudo aquilo agora. Não agora que precisavam de mim.


- Eu tenho que ir rápido pra Casa se quiser achá-las. – Eu disse, meio ignorando os dois, abrindo a porta da salinha e dando de cara com uma festa que era pra ser minha, mas acabou dando em desastre. Eu fui abrindo espaço entre as pessoas às cotoveladas, a varinha sempre pronta, até que fui segurada com força pelo braço. Já virei enfiando a varinha no peito de seja-lá-quem-fosse. Podia ser Greg, eu nem liguei. Qualquer um que fizesse um movimento em falso comigo, naquela noite, ia se dar muito mal.


- Ei, acho melhor afastar isso. – Disse pra mim um total desconhecido. Ele era uns seis metros mais alto que eu; ok, não seis metros, mas o cara era tipo bem maior. Mais de uma cabeça de distância. Eu me senti uma anã perto dele, tá bom assim? Enfim, ele era moreno e bonitinho. Ok, bonito. Ok, o cara era tipo um Deus, algo digno de Kevin Walker, Louis Weasley e Greg Hastings. E ele tinha um olhar doce. – Missão de paz, certo? – Ele falou de novo. Sua voz era grave, mas gentil. – Roxanne, não é?


Assenti com a cabeça. Ele era mesmo uma graça.


- Então, meu nome é Bryan. – Ele se abaixou um pouco e falou no meu ouvido pra que só eu pudesse ouvir. – Eu sou o líder dos Dragões.


OMG. Minha boca se abriu totalmente de espanto. Eu tinha ouvido falarem e falarem dos Dragões, mas nunca tinha visto um deles. E agora o líder deles estava ali na minha frente, falando no meu ouvido. E cara, as histórias que eu fiquei sabendo sobre esses caras... Eles são tipo... Fodões. A Cassie sempre que comentava neles, falava cheia de admiração. Ele se afastou e sorriu.


- Putz, mil desculpas! – Eu falei, estendendo a mão. – Roxanne Weasley, um prazer em te conhecer, Bryan Wherefield. Quer dizer, Bryan. – Porra, chamar o cara pelo nome inteiro era estranho. – O que faz aqui? – Eu percebi que a medida que eu ia me acalmando perto dele, alguns garotos foram chegando perto e parando em volta dele. Deviam ser seus colegas Dragões.


Ah, eu estava rodeada de dragões! QUE DELÍCIA.


- Sua amiga Sabinna é uma velha conhecida nossa. – Ele lançou um olhar rápido para um dos garotos que coçou a nuca, levemente envergonhado. Sabinna tinha muito mais amantes do que eu tinha imaginado. – E eu sei que você está tendo problemas com algumas garotas da Irmandade que se rebelaram e tal. – Arregalei os olhos e logo me lembrei das palavras que Cassidy me disse uma vez: Quando algo está prestes a acontecer, os Dragões já estão sabendo faz tempo. – Queremos te ajudar.


- Ajudar como? – Eu perguntei.


- Lutando. – Bryan disse, puxando seu casaco de couro – que deve esconder um belo corpo, eu pensei – e mostrando sua bela varinha – aquela varinha?, a leitora pervertida deve estar pensando, mas não, não aquela varinha – alojada no bolso interno. – Com todos os meus homens. – Isso soou meio gay. – Até isso tudo acabar.


- Não acho que garotos sejam permitidos dentro da Casa. Mas acho... – Olhei para todos aqueles garotos atléticos, fortes e sorridentes pra mim – não aqueles sorrisos que eu estava acostumada a receber nos últimos tempos, sorrisos maliciosos; eram sorriso de simpatia, e eram muito mais agradáveis do que os primeiros – e me senti mais bem-apoiada. – que podemos abrir uma exceção.


- Ótimo. – Ele disse, esfregando as mãos.  – Vamos fazer o seguinte? Eu vou juntar minha turma. Nos encontramos na entrada da sua Casa, ok?


- Como você sabe...? – Eu perguntei e, mais uma vez, ele lançou um olhar ao garoto que aparentemente conheceu Sabinna em níveis mais profundos. Dei uma risadinha. – Ok. Parece legal. Te vejo lá em quinze minutos.


- Estaremos lá em bem menos. – Ele piscou e saiu andando com todos os outros o seguindo.


- Uau. – Eu sussurrei. Como eu não via esses caras em meus dias normais em Hogwarts? Ou tipo há alguns meses? – Ok, foco.


Corri como uma condenada para o palco e interrompi a música. Sorri pra todo mundo e falei no microfone bem rapidinho.


- Reunião das irmãs, na Casa, agora. – E sai correndo pra Casa, logo ouvindo os cochichos entre todas as garotas e o barulho absurdo de centenas de saltos batendo com força no chão.


Era quase uma marcha. Aquilo é que me provou que estávamos em guerra.


 


 


 


 


Estavam todos lá, na entrada da Casa, do lado de fora do Estádio: Todos os Dragões, adoravelmente corajosos e segurando suas varinhas, e todas as Irmãs, idiotamente suspirantes pelos Dragões. Eu estava na frente da multidão, torcendo os dedos, em parte por confusão, por não saber o que dizer a toda aquela gente; também por ansiedade, vontade de achar minhas amigas; e, principalmente, nervosismo por não estar vendo Greg e nem Louis ali.


- Então... Gente... – Eu falei meio baixo e ninguém calou a boca. Os Dragões estavam ‘confraternizando’ com as Irmãs, e elas não pareciam estar achando ruim. – Ei, galera...? – Mesma merda. Eu olhei em volta, morta de vontade de gritar meu nome naquela entrada e correr atrás das meninas. Mas eu sabia que, se Alicia estivesse ali dentro com elas, como eu suspeitava, ir sozinha seria mais do que arriscado. Podia ser suicida.


Ou homicida.


De repente Bryan se postou do meu lado e tocou a varinha no pescoço. O grito de CALEM A BOCA! que ele deu foi algo de tremer as estruturas do castelo. A voz dele já era grave e acabou ficando meio alta. Dei um sorriso de ‘WTF?’ pra ele e ele deu de ombros, adoravelmente, como tudo que fazia.


- Sei lá, achei uma boa ideia. – Ele disse.


- Claro, pra acordar os mortos. Mas obrigada. – Ele piscou antes de voltar à multidão e isso me fez perder o fio da meada. – Er... É o seguinte. Nossa líder... Bem, ao menos líder da Irmandade... A Cassie... Foi seqüestrada. – Um monte de ‘ooooh’s e coisinhas do tipo, vocês imaginam. – Junto com mais duas irmãs. E acho que foi Alicia Cunningham. – Mais ‘oooooh’s. – Outra coisa, ahn... Acho que vocês deveriam saber que Alison Travier se suicidou hoje. A irmã dela, Sophie, está dentro da Casa, presa por motivos de força maior. – Mais murmúrios. Gente inquieta é um saco. – O que eu preciso é que todas... E todos... – Dei uma rápida olhada para Bryan, que sorriu, me encorajando (ah, se eu o tivesse conhecido seis meses antes...). – que estão aqui entrem comigo por essa porta, achem Alicia Cunningham e a detenham. Viva ou morta. – Nessa hora ninguém disse nada. – Ahn... Perguntas? – Uma garota ruiva, de cabelos longos tipo até a bunda levantou a mão. – Oi, você.


- Seguinte, eu entendo que a Cassidy tenha sido seqüestrada, e eu já estou sabendo da tal da Alison Travier suicida e tal, e porra, quem aqui não sabe que a Alicia é uma doida de pedra e que ela quer a Irmandade desde que entrou? – As outras murmuraram em concordância. – A pergunta é: O que fez de você a líder da revolução? Por que qualquer uma de nós tem que ouvir o que você diz? Você não é ninguém. Que eu saiba, é só uma vagabundinha que entrou na Irmandade por legado, porque tem sangue Johnson, e que tirou a sorte grande em dar pro Kevin Walker e pro Gregory Hastings.


Eu cruzei os braços e sorri. Fui andando devagarinho, abrindo caminho, até chegar na garota, que estava bem no meio de todas. Olhei pra ela, praqueles olhos castanhos escuros dela, que sorriam de deboche pra mim. Franzi o cenho, fiz um biquinho rápido enquanto ponderava as conseqüências dos meus atos.


Aí fechei bem a mão e dei um soco no nariz dela.


Voltei pra frente da multidão enquanto as outras acudiam a pobre desacordada.


- Acho que isso é um bom motivo. – Os Dragões me olharam com admiração pura, principalmente Bryan, que ria como um maluco. – Alguém mais tem um problema comigo? – Ninguém se pronunciou. – Ok, chega de perder a porra do tempo.


Parei na frente do paredão do Estádio e enfiei a varinha com força. A voz de sempre fez a pergunta de sempre.


- Identificação, por gentileza.


Eu dei uma risadinha.


- Roxanne Kimberly Johnson Weasley e convidados. – A porta se abriu e eu olhei pra trás. Ninguém se movia.


- Devemos? – Uma garota sussurrou, amedrontada.


- Estão esperando o que, porra? Um convite por escrito? – Então eu entrei.


 


 


 


 


Guerra é uma coisa que mexe com uma pessoa. Escrevam isso.



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