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2. Capítulo 02


Fic: Chances


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Capítulo 02


 


 


22 de Dezembro


Sexta-feira


Snape acordou, não reconhecendo, num primeiro momento, onde estava.


"Mas... que cama é essa?"


E um barulho vindo da cozinha o fez entender.


"Sara."


Ele levantou da cama, transformando-a novamente em sofá. Saiu da biblioteca, foi às escadas, entrando no quarto, direto para o banheiro.


***


Sara viu quando Snape passou pela sala, indo às escadas. Suspirou. Ainda tinha uma semana para conviver com ele. Tinha reprimir os pensamentos impróprios que enchiam sua mente desde o quase-beijo da noite anterior.


"Ele é insuportável, fechado, estúpido e muito mais velho do que eu."


Mas, outra voz lhe dizia:


"Mas ele é um homem sério, inteligente, sexy... muito sexy. E nem vem com esse negócio de 'mais velho'!"


À o que ela pensava:


"Verdade. Mas eu não sei nada sobre ele... e é melhor continuar assim, enquanto eu não o conhecer, não souber se ele tem um lado bom, tudo estará sob controle."


Mas a outra voz alertava:


"Desde que ele não chegue muito perto, não a envolva nos braços e tome-lhe os lábios..."


- Ok, já chega... - ela murmurou, suspirando.


- Falando sozinha, Srta. Lestrange? - perguntou Snape, entrando na cozinha, sentando-se, sem fazer qualquer comentário a respeito de como a cama fora aparecer na biblioteca.


- Bom dia, Sr. Snape. - disse ela, desanimada. "Por que ele tem que ser tão desagradável logo pela manhã..." - E, não estou falando sozinha, apenas pensei alto. Me desculpe.


- Não precisa se desculpar. - murmurou ele, um tanto surpreso, para não dizer sem graça, com o pedido de desculpas.


***


E o dia todo se passou como de costume.


Snape enfurnado no laboratório.


Sara procurando com o que se entreter.


***


A noite caía.


Sara estava na biblioteca, pensando no que faria para o jantar. Cozinhar tinha se tornado seu passatempo, pois Snape não mais pedia sua ajuda com as poções, preferindo ficar sozinho, trancado no laboratório.


Foi quando ela o viu atravessar a sala correndo, a mão direita sobre o antebraço esquerdo. Um arrepio lhe subiu a espinha. Ela sabia o que aquilo significava. Foi até ele.


- Sr. Snape...


Ele parou, olhando para ela, sério, tentando controlar a dor.


- Eu não sei a que horas retorno. Se baterem na porta, ou a chamarem via Floo, não atenda.


- Mas e se for você e... e estiver precisando de ajuda? - a voz lhe falhara, o tom saíra nervoso.


Snape olhou para ela, não compreendendo a apreensão presente na voz feminina. Se aproximou.


- Eu estarei bem. Apenas faça como lhe digo. Não sabemos quem tem conhecimento da sua existência e se a pegarem...


- ...você estará comprometido, assim como meu irmão. - completou ela.


Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça e foi para a porta.


Sara levou a mão ao peito, tentando controlar as lágrimas que enchiam seus olhos.


Snape percebeu.


- Eu enviarei lhe um Patrono, quando estiver chegando, para que saiba que sou eu. - a voz calma.


Ela apenas confirmou, em silêncio.


Quando ele saiu e a porta bateu, Sara permitiu-se chorar, compreendendo o que ele lhe dissera:


"Um Patrono? Então, ele realmente serve à luz*, ele tem mesmo algo de bom."


O que só tornava seus sentimentos ainda mais confusos.


***


23 de Dezembro


Sábado


2hs da madrugada.


Sara não conseguia dormir. Saiu para o corredor, percebendo que a porta do quarto de Snape estava entreaberta. Não pôde controlar a curiosidade e foi até lá. Entrou, observando o ambiente. Uma cama grande, com as cobertas em desalinho, umas roupas sobre a cama, duas capas numa cadeira, uma pequena mesa com duas cadeiras. Nunca pensou que ele pudesse ser bagunceiro, os estoques do laboratório estavam sempre impecavelmente organizados. Ela sorriu e resolveu ajeitar. Primeiro as roupas que estavam sobre a cama, depois a cama... onde ela pode sentir o cheiro que sentira na cozinha na outra noite, novamente. Sara pegou o travesseiro e o levou ao rosto. Largando-o rapidamente, terminando de arrumar o quarto e saindo.


Desceu para a biblioteca, achou umas revistas de poções em que Snape havia publicado algumas pesquisas, ficou lendo.


***


4hs da madrugada.


Foi acordada por um patrono corpóreo em forma de cavalo lhe fucinhando o rosto. Sentou e olhou para ele, mas este não disse nada, apenas a indicou a porta dos fundos da casa.


- Mas o quê você quer?


E ela ouviu barulhos no pátio, levantou, correndo à janela.


- Snape?


Era ele, caído no chão do pátio dos fundos, aparentemente desmaiado, apesar dos espasmos. Ela correu até ele e o cavalo sumiu. Conjurou uma maca e levou-o para dentro.


- Sara... - ele murmurou.


- Sim, sou eu... - ela registrou o fato dele tê-la chamado pelo nome. - Não fale nada, eu vou levá-lo para o quarto e...


- Não... está bagunçado.


- Não mais. Eu... arrumei.


Ele a olhou torto. Sara ignorou. Flutuou a maca até o quarto dele, colocando-a ao lado da cama.


- Vou buscar algumas poções, não se mova! - ela saiu.


Snape se esgueirou até a cama e ficou imóvel.


- Não durma! - gritou Sara ao voltar para o quarto. - Beba! - e o fez beber dois vidros e um pouco de água. - Agora esta.


Ele obedeceu, sem nem ao menos perguntar o que eram. Em menos de dois minutos ele adormeceu profundamente e Sara tratou de despí-lo das vestes sujas, algo que ele não permitiria se estivesse acordado.


- Por Merlim...


Ele tinha um corte bastante profundo que ia da cintura aos quadris, ainda sangrando.


Sara tratou dos ferimentos e, por fim, sentou ao lado dele na cama, afagando-lhe os cabelos. Aproximou seus rostos e tocou seus lábios, levemente, sentindo os dele, finos e macios nos seus, e repetiu o gesto muitas vezes, antes de ir para seu próprio quarto e dormir de cansaço.


***


Já passava das 9hs quando Sara acordou. As lembranças da madrugada surgindo em sua mente. Sentou-se rápida na cama, levantando e se vestindo. Correu ao quarto de Snape. Mas ele não estava na cama.


- Srta. Lestrange? - perguntou ele, surpreso por vê-la ali.


Ele saía do banheiro, com apenas uma toalha na cintura, os cabelos molhados.


- Me desculpe, Sr. Snape, eu apenas vim ver se está tudo bem... - ela corou de vergonha dos pés à cabeça.


- Sim, está tudo bem. - respondeu ele, o tom de desentendido, sem querer realmente pensar no que ela fizera em seu favor naquela madrugada, muito menos falar sobre.


- Ok. Eu vou... vou descer e preparar o café.


E ela saiu.


Snape respirou fundo.


"Se arrependimento matasse..."


Ele não queria ter pedido ajuda à ela, pensou que conseguiria se arrastar até sua própria cama sozinho! Mas não... ao aparatar para casa, todas as forças que ainda lhe restavam se esvaíram e ele se viu caído no pátio, no meio da neve, sem forças nem para se pôr em pé. A primeira coisa que lhe veio na mente foi Sara e seu sorriso doce, Sara e suas mãos delicadas e habilidosas, Sara e seu corpo, seu cheiro... e foi então que resolveu tentar lançar um Patrono, com os pensamentos nela, e funcionou. Para o alívio de seu corpo e o desespero geral do seu coração.


Agora sabia, tinha certeza, se não a mandasse embora logo, acabaria fraquejando. Acabaria por... Não. Não usaria a palavra "apaixonado", muito menos "amor". "Estou velho demais e ocupado demais para pensar nessas coisas! De qualquer forma, amanhã já é a noite da ceia de natal, ela provavelmente não a passará aqui. E depois serão apenas mais cinco dias, cinco longos e provocantes dias..."


Tratou de afastar os pensamentos e se vestir.


***


Sara ajeitava a mesa do café, o coração apertado. Depois de tudo o que acontecera na noite anterior, ele a tratava como se nada tivesse acontecido!


"Mas nada realmente aconteceu! Ele não sabe que eu o beijei, não sabe que eu o afaguei os cabelos e fiquei ao seu lado até que os espasmos cessassem."


Suspirou, pesarosa.


Ouviu os passos firmes dele na escada, secou uma lágrima que insistira em cair.


Snape entrou na cozinha, sentou-se à mesa e ficou a observando. Percebera que ela chorava e que tentava disfarçar.


- Aconteceu alguma coisa, Srta. Lestrange?


- Não... eu apenas estou com saudades de minha irmã. - mentiu ela. - Amanhã vou passar o natal com ela, se não se importa. - completou, lembrando que ainda não o tinha comunicado.


- E por que eu me importaria? A senhorita não é minha prisioneira, é uma hóspede. - respondeu ele, a voz entediada.


Sara não disse nada. Os pensamentos a fizeram corar e sorrir levemente.


"Bem que eu gostaria de ser sua prisioneira, Sr. Snape... uma presa de guerra, com que você se deleitaria todas as noites..."


Balançou a cabeça, tentando não pensar no final da frase.


Snape reparou que ela corara, apesar de não ter entendido por quê. Na verdade, ele só podia afirmar que ela ficava ainda mais linda com as bochechas rosadas e o sorriso travesso que surgira nos lábios delicadamente desenhados, que ele sentia cada vez mais vontade de tocar com os seus.


***


Ao cair da noite, durante o jantar, Sara percebeu que Snape trouxera para a mesa um vidro de poção para dormir sem sonhar.


- Ainda se sente indisposto, Sr. Snape?


- Um pouco.


- Eu me espantaria se não estivesse. - ela sorriu, triste. - Não dá para se brincar com os efeitos de repetidas Cruciatus. - Snape a olhou, estranhando que ela reconhecese os sintomas. - Meu irmão costuma levar três dias para parar de tremer. E ele diz que as dores se arrastam por uma semana.


- Verdade. - concordou ele.


- Verdade? - estranhou ela. - Mas o senhor não me parece estar sentindo qualquer dor.


- Depois de um tempo você se acostuma a conviver com a dor, Srta. Lestrange.


Sara sentiu seu coração apertar. Ela se pegou pensando quantas vezes ele já não teria chegado em casa da maneira que chegou ontem, precisando de ajuda, e não tinha ninguém aqui para cuidar dele.


- Me perdoe a indiscrição, mas... não mora ninguém aqui com você?


- Como a senhorita já pôde perceber, não.


- E seus pais, familiares...?


- A maioria está morta. Minha mãe mora longe daqui, por segurança. O caso dela é o mesmo que o seu: ninguém sabe que ela ainda é viva.


- Mas e... quando você precisa de ajuda, como ontem?


- Geralmente, eu espero minhas forças voltarem e me arrasto até em casa. - murmurou ele, em resposta.


Sara ficou o olhando, espantada.


- Mas sua mãe poderia...


- Minha mãe, como todas as mães do mundo, ficaria apavorada se me visse no estado em que eu estava ontem. Ela não precisa saber pelo que passo. - falou ele, num tom de quem dava a conversa por encerrada.


Ela nada mais disse. E, ao observá-lo comer, pôde perceber que as mãos dele, sempre tão firmes, tremiam um pouco, e que ele não erguia a cabeça da forma aristocrática que ela conhecia.


***


Ela o viu beber todo o vidro de poção antes de se levantar da mesa, desejando-lhe uma boa noite e seguindo para o andar superior. Ela ajeitou a cozinha e subiu as escadas. Parando no meio do corredor, uma vontade imensa de repetir a loucura da outra noite.


"Ele tomou a poção. Ele não vai acordar. Não vai saber que eu estive ali e que o beijei."


E, com um sorriso nos lábios, ela se virou e abriu devagar a porta do quarto de Snape.


Ele dormia sem a camisa, apenas com calças confortáveis de pijama. Sara se proximou, sentando na beira da cama, inclinando seu rosto sobre o dele, acariciando-o, beijando-lhe os lábios.


Como queria que ele lhe pudesse corresponder! Mas isso não aconteceria. Se estivesse acordado, Snape a escurraçaria não apenas de seu quarto, mas também de sua casa.


Demorou-se um tempo ali, até que sentiu o sono a dominando e partiu para seu próprio quarto, antes que cedesse à tentação de se deitar ao lado dele e adormecer com o corpo enroscado nele.


***


24 de Dezembro


Domingo


Noite da ceia de natal.


O dia se arrastava, mais parecia que o fazia de propósito!


***


18hs


Sara estava impaciente. Aguardava o sinal de Ninfadora para que aparatasse para o que a irmã chamara de "A Toca", aparentemente era o nome carinhoso com que chamavam a casa da família Weasley.


E um grande animal quadrúpede entrou pela janela da casa de Snape, parando em frente a Sara.


- Mana, aparate, agora! - disse o animal corpóreo feito de luz, a voz de Dora.


E Sara obedeceu, tendo em mente a irmã e o nome da casa da família Weasley.


***


Snape terminava de engarrafar uma poção cicatrizante que estivera preparando nos últimos três dias. Ele percebera como ela estivera impaciente e inquieta durante todo o dia. E sentiu um peso no peito - que ele não nomearia, - ao vê-la descer as escadas com uma pequena maleta. Sabia que Sara voltaria no dia seguinte, mas isso não impedia de sentir-se... - não ele não daria um nome àquele sentimento.


E, quando ela aparatou, ele saiu do laboratório e parou no meio da sala vazia e silenciosa. Nunca se sentira tão abandonado antes. Logo ele, que adorava morar sozinho!


"Exatamente, eu adorava morar sozinho. Antes dela aparecer..."


***


Sara abriu os olhos após passar a tontura e o desconforto da aparatação e o que viu a fez entender o porquê do carinhoso nome dado àquela casa. A casa da família Weasley realmente assemelhava-se à uma toca, só que com vários andares disformes. Era óbvio que a única coisa que mantinha aquela construção em pé era magia!


- Sara! - gritou Dora, correndo em direção à irmã.


- Dora! - elas se abraçaram. - Como você está? E o responsável por esse sorriso, cadê?


- Sua boba! Estou ótima, é claro! E Remus está lá dentro! Vamos!


Andaram até a estranha construção.


- Tem certeza de que isso aqui é seguro? - murmurou Sara.


Dora gargalhou.


- Eu sei que é difícil acreditar que isso não caia, mas acredite, Sara, A Toca é tão segura quanto as pedras do castelo de Hogwarts!


Entraram na casa pela porta da cozinha. Uma mulher ruiva, que cozinhava algo no fogão, se virou para cumprimentá-la.


- Você só pode ser Sara! Tonks tem falado de você por três dias ininteruptos, posso dizer que a conheço há anos! Prazer, querida, sou Molly Weasley.


- Prazer em conhecê-la, Sra. Weasley.


- Então, finalmente vou conhecer a desconhecida Sara! - disse um homem de sorriso cansado entrando na cozinha.


- Remus Lupin? - perguntou Sara


- Como sabe? - estranhou ele.


- Você é muito o tipo da Dora!


- Mesmo? Então, só posso afirmar que sua irmã tem um péssimo gosto para homens.


- Não se menospreze, Remus. - disse Dora, ralhando. E olhou para a irmã. - Sara, você deve estar com fome, não?


- Um pouco, mas prefiro esperar pela ceia. Precisa de alguma ajuda, Sra. Weasley?


- Ah, querida, você acabou de chegar! Não vou colocá-la para trabalhar na cozinha.


- Sara adora cozinhar, Molly! Vou apresentá-la a todos, em seguida você vem para cá, ok?


- Com certeza! - disse Sara.


***


A ceia foi incrível!


Cozinhar ao lado de Molly Weasley havia sido um aprendizado. Ela sabia como lidar com as coisas práticas, como ajeitar uma comida queimada, como dessalgar algo muito salgado. Também, ela criara sete filhos!


Todos foram muito atenciosos e educados com Sara, e ela os adorara. Mas havia alguém que não saía de seus pensamentos. Um homem de olhos, vestes e personalidade escuros.


A neve cessara por um momento e Sara aproveitou para dar um passeio pelo jardim dos Weasley, permitindo à irmã e o namorado um tempo a sós.


"Será que Snape encontrou o que eu deixei pra ele?"


O toque dos lábios dele sobre os seus lhe arrepiava ao lembrar. Mesmo que tenham sido toques superficiais, ela tinha que se contentar com eles. Era o máximo que conseguiria...


- Posso saber quem é o dono dos pensamentos? - perguntou Dora, se aproximando.


- Ah, Dora... não é ninguém, eu apenas...


- Não minta, Sara. Eu a conheço há anos... quem é o felizardo?


- Não... não é nenhum felizardo, mana. Eu diria mais que se trata de um amor platônico. - riu ele, sem graça.


- Ele não existe?


- Sim, ele existe. - ela riu de Dora. - Mas não tenho meus sentimentos correspondidos.


- Então, ele é cego.


- Não. Ele é apenas... um homem difícil.


- Um homem difícil? - Dora, olhou para o céu, sua testa se franzindo ao pensar que... - Sara, por acaso é na casa dele que você está hospedada?


- Sim... – ela olhou para o chão, não podia mentir para a irmã.


- Não. Não. Me diga que não é... o Snape?


Sara olhou para a irmã, hesitando por um segundo, que Dora compreendeu como "sim".


- Não... ele não, Sara! Snape não é apenas difícil, ele é insuportável! Como você... como você pode sentir qualquer tipo de sentimento bom a respeito dele?


- Eu... não sei. No início eu também o achei insuportável, mas com o passar dos dias... eu pude perceber que havia um homem sozinho e triste debaixo daquela máscara de indiferença e acabei sentindo que deveria fazer algo para tentar animá-lo.


- E conseguiu?


- Não... - ela sorriu, triste, olhando para o chão. - Ele é realmente irritante, sabe? Eu preparei cafés da manhã maravilhosos, com pães, bolos, capuccinos, sucos, chás, biscoitos... mas nada, absolutamente nada, fez o homem sequer sorrir, minimamente que fosse.


- Então, minha irmã, como você foi se apaixonar por ele dessa forma? - Dora olhava para ela, incrédula. Podia ver nos olhos de Sara ela amava o homem de quem falava. Mas Dora não conseguia digerir que o alvo dos sentimentos da irmã fosse Snape.


- Não sei, quando eu percebi já estava o beijando...


- Vocês se beijaram? - perguntou Dora, num susto.


- Não exatamente... ele tomou uma poção para dormir sem sonhar noutra noite e eu aproveitei para...


- Você se aproveitou do Snape, enquanto ele dormia? - Dora tentou controlar uma risada, mas a imagem de Severus Snape sendo abusado enquanto dormia era muito hilária.


- Pois é... e na noite retrasada ele foi chamado pelo Lord das Trevas e voltou muito ferido. Eu tratei dele e não consegui deixar de sentir um aperto no coração ao imaginar que ele chegasse quase todas as noites naquele estado e não tivesse ninguém ali para ajudá-lo.


Dora não disse nada. Nunca pensava em Snape como um homem que sofresse com aquela guerra, como todos os outros membros da Ordem. Na verdade, ninguém pensava nele de outra forma que não fosse como um espião em quem não podia-se acreditar totalmente.


- Por que você o chama de Lord das Trevas? - perguntou ela, depois de um tempo.


- É o costume. Nos últimos tempos tenho morado com meu irmão e em seguida com Snape, portanto... fica difícil lembrar de chamá-lo de Você-sabe-quem. - Dora ficou olhando para ela, fixamente. - O que foi, Dora?


- Nada, apenas estou tentando imaginar você e o Snape... vocês até que fazem um casal legal, sabe? Ele é um homem muito inteligente e não posso negar que é muito poderoso, ninguém na Ordem seria páreo para ele num duelo... e você é tão inteligente quanto, e tem uma paciência incrível - o que é extremamente  necessário para se conviver com ele numa boa.


- Não somos casal nenhum, Dora. Ele não tem qualquer interesse me mim.


- Snape não é cego, Sara. E ele tem estado tantos anos sozinho que acho que deve estar faminto por um pouco de atenção e carinho... tá certo que não posso dizer que eu esteja à par da vida amorosa dele, mas acredito que ele não tenha nenhuma. Afinal, quem conseguiria suportá-lo?


- Eu consigo. Mas admito que até à mim ele consegue tirar do sério, às vezes.


- Você devia conversar com Dumbledore, Sara.


- Ele já esteve na casa de Snape. Acertamos que vou para Hogwarts no dia 1º de janeiro.


- Mesmo? Aproveite, então, e converse com ele. Dumbledore saberá te explicar como é exatamente que a cabeça de Snape funciona.


- É... só tenho que suportar a distância até dia primeiro...


- Continue fazendo-o beber poções para dormir sem sonhar todas as noites e aproveite! – ela ria.


- Não brinque com isso, Dora! Não é nada legal saber que só posso beijá-lo quando ele não está consciente.


- Eu nem posso imaginar. Mas, vamos afastar essa tristeza, hein? Vamos entrar que estou louca para comer aquela sobremesa que você fez de bombons e creme branco!


***


25 de Dezembro


Meia-noite e meia


Snape estava deitado no sofá da biblioteca há mais de três horas. Estava com fome, mas sabia que não havia nada à se comer na cozinha.


"Afinal, Sara não está aqui para cuidar de mim."


Ele se repreendeu, assustado, pelo pensamento quase no mesmo momento em que ele surgira:


"Mas o que foi que eu virei? Uma criança indefesa com fome e saudades?"


Ele se levantou, indo à cozinha. Acendeu a luz e percebeu que havia algo sobre a mesa, coberto com um pano. Um bilhete repousava sobre o pano. Snape o pegou e abriu.


"Sr. Snape


Imaginei que não cozinharia na noite de natal, portanto, preparei uma pequena ceia para o senhor.


Espero que goste.


Um feliz natal.


Sara Lestrange."


Ele retirou o pano e percebeu que ela fora modesta ao indicar que preparara uma "pequena ceia".


"Aqui tem comida para quatro pessoas, no mínimo!"


Sentou e tratou de experimentar de tudo um pouco. Não sabia dizer o que estava mais delicioso.


"Tudo que Sara faz é perfeito. Me pergunto como ela seria..."


E bufou ao perceber para onde se dirigiam seus pensamentos.


***


* o que eu quis ilustrar aqui é o fato de que os Comensais da Morte não podem lançar Patronos, pois eles lutam contra aquilo de que Patronos são feitos: felicidade e lembranças boas. J.K. Rowling explicou isso numa das entrevistas esclarecedoras pós-RdM.

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