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42. eu avisei.


Fic: Not So Little Anymore - acabou, é.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Quando eu voltei para o meu corpo – nossa, como era bom não ter que ver Sophis quando me olhasse em qualquer lugar! – ainda estava toda vermelha de tanto chorar. Sabe quando você está passando por momentos tão complicados que não tem tempo pra chorar? Eu estava em uma dessas, e finalmente tinha tirado meu momento pra me desabar em lágrimas. Sentei no sofá da Casa com os joelhos pra cima, juntei-os bem forte com o meu corpo, coloquei o braço no encosto do sofá e enterrei o rosto ali. Chorei por uns dez minutos, incessantemente.


- Roxanne?! Roxanne! – Eu ouvi alguém chamando, aos berros. Levantei o rosto e esfreguei meu rosto, limpando as lágrimas misturadas com maquiagem. Não estava exatamente apresentável. Beatrice entrou segurando-se na viga. – Meninas, ela tá aqui! O que... O que houve?


Eu desviei o olhar. Sabinna, Cassidy e Beatrice entraram totalmente no Hall, devagarinho. Todas estavam com olhares desconfiados.


- Alicia matou Haley Scott, me deu uma poção Polissuco que veio dentro daquele livro maldito, e me mandou transformar-me na Sophis, pra poder matar a Alison. Eu fui lá, mas a Alison estava bêbada e se jogou da janela. Eu não a empurrei, eu juro.


De repente, do nada, as três sacaram as varinhas e apontaram pra mim.


- Qual o nome verdadeiro da Cassidy? – Perguntou Sabinna, se adiantando e segurando meu braço com força, colocando a ponta da varinha no meu pescoço. Eu peguei a minha, por reflexo.


- O-o quê?! – Eu perguntei, assustada, e Sabinna apertou a ponta da varinha contra meu pescoço.


- Qual-o-nome-verdadeiro-da-Cassidy? – Ela perguntou, me olhando com os olhos azuis-claros bem de perto.


- É Cassandra, mas por que...? – Antes de eu terminar, Sabinna me soltou, saiu de perto de mim e guardou a varinha. O mesmo fizeram Cassie e Bia. Em seguida, as três correram e me abraçaram.


- Ah, Rox, graças a Deus, por um momento achamos que era você lá embaixo! – Disse Bia, me apertando com força.


- Ahn? – Eu perguntei, surpresa, mas ainda assim, feliz por estar com minhas amigas.


- Uma das irmãs disse que viu Alicia roubando Poção Polissuco. Quando descobrimos o que houve com a Alison... Achávamos que era você. – Disse Cassie, com o tom mais preocupado que já ouvi dela.


- Ora essa. Porque Alicia haveria de querer me matar? – Eu perguntei, me afastando. Todas nos sentamos.


Sabinna e Cassidy trocaram um olhar profundo.


- Cassidy não pode ter filhos. – Disse Sabinna, dando um suspiro triste. – Isso significa que ela não terá herdeiros, ou seja, nenhuma sucessora pra Irmandade. – Mais um suspiro. – Exceto minha filha.


- O... O que sua filha tem a ver com isso? – Eu perguntei, meio tonta. Era estranho lembrar que Sabinna tinha uma filha.


- É minha filha com o irmão da Cassie. Ela é sucessora direta dos Jacklore. E também é nossa última esperança.


- Última esperança pra que? – Eu perguntei, cruzando as pernas. Por que ninguém conseguia ir direto ao assunto por aqui?


- Olha, Rox, é complicado. – Disse Cassidy, segurando minhas mãos. Saudades de quando ela fazia isso o tempo inteiro. – Alicia encontrou uma ligação, mesmo que umas sete gerações de distância, entre nossas árvores genealógicas. Isso quer dizer que se não encontrarmos a filha da Sab... Minha sobrinha... – Ela deu um suspiro e pareceu a beira de lágrimas. – Alicia poderá tomar o controle da Irmandade.


- Não responde minha pergunta. – Eu disse, acariciando a mão de Cassie com o polegar. – Por que Alicia haveria de querer me matar?


Sab, Bia e Cassie trocaram um olhar. Cassie tentou sorrir, mas sorriu tão triste que chegou a me doer.


- Ela encontrou uma ligação mais... Próxima... De umas quatro gerações... Entre a sua família e a minha.


- Os Weasley?! – Eu berrei, soltando as mãos dela e levando a mão ao peito e depois a boca.


- Não, os Johnson. – Ela disse, com uma risada que finalmente pareceu normal. – Sua mãe deveria ter tomado o lugar de direito dela, mas ela estava muito preocupada com o Quadribol.


- Georgia odeeeeeia Quadribol, então não aceita nenhuma menina que esteja no time oficial. – Explicou Bia, dando uma reviradinha de olhos.


- Então você seria a mais próxima. Por isso é tão importante. Por isso que Alicia quer você fora da jogada.


Sacudi a cabeça.


- Não, não, não, vocês entenderam tudo errado. Alicia... Alicia me ajudou. Ela... Ela me deu aquele livro com Polissuco pra que eu pudesse me transformar na Sophie e matar a Alison! Ela queria ajudar a gente!


- Ajudar? Chama assassinato uma forma de ajudar alguém? – Perguntou Cassidy. Olhei pra ela carregada de sarcasmo.


- Olha quem fala, senhorita ‘Mataremos-Alison-pelo-bem-maior’. Fiz um favor a vocês me livrando da Travier logo de cara. – Eu disse, me levantando e cruzando os braços. – De qualquer modo, nem tive que fazer nada. Ela tava absolutamente chapada e simplesmente pulou da janela. Estava doida há tempos e todo mundo sabia.


- FODA-SE A TRAVIER, PORRA! – Berrou Sabinna do nada, levantando-se também. – Por que ainda estamos discutindo sobre ela? Temos problemas maiores...


- Gente... – A Beatrice disse, de repente, olhando pro chão.


- Quê? – Perguntou Sabinna, ríspida.


- A festa.


PUTAQUEOPARIU, verdade! Tecnicamente, a festa tava rolando ainda! No ato, começamos a rir do nada. Rir mesmo, gargalhar. Saímos correndo, pulando por cima das coisas, e voltamos pro Palacete.


Incrivelmente, a festa ainda bombava. Eu fiquei mais de uma hora fora. Eu, a aniversariante. E a festa ainda bombava. Bando de gente idiota.


- Achem o Greg e o Louis. Precisamos sair daqui! – Eu gritei por cima da música. As três assentiram e correram pra pontos opostos do salão. Greg me achou logo de cara.


- Roxanne! – Ele me disse, dando-me aquele sorriso maravilhoso e segurando meu rosto, me fazendo esquecer momentaneamente que estávamos em perigo. – Aonde você tava? Eu te procurei por tu...


- Agora não, Greg. Temos que sair daqui, ir pra algum lugar mais reservado!


Ele segurou meu braço e fez aquela cara de bravo que todas nós amamos. Me segurou bem perto.


- O que tá acontecendo, Roxanne?


Eu fiz uma cara de impaciência e bati o pé no chão.


- Você quer saber tudo? Quer saber daonde eu arranjei tantas amigas e porque eu saio de repente? – Eu perguntei, olhando no fundo dos olhos dele. – Então vem comigo. Tá na hora de você saber tudo.


Puxei ele e sai do Palacete. Acho que tava na hora de algumas coisinhas serem esclarecidas. A fidelidade agora era mais importante do que o sigilo. E eu era fiel a Irmandade, mas eu não ia mais mentir nada pra Greg. Nem que tivesse que ser eu a próxima assassinada.


 


 


 


 


- Não, Roxanne. Isso tá fora de cogitação! – Sussurrou Cassidy, impaciente, lançando olharezinhos desconfiados para Greg e Louis.


Estávamos todos no Salão Comunal da Gryffindor: Bia, Sabbie, Cassie, Greg e Louis. Eu implorava que elas me deixassem contar a verdade para eles, afinal, Alicia queria me matar! E vai saber se ela não usaria meus dois grandes amores pra me atingir?


- Mas... Cassie... – Eu olhava suplicante para Bia e Sab, procurando apoio. Infelizmente, elas pareciam muito divididas. – Pense coerentemente. Alicia está querendo... Nos matar. – Apontei pra mim e para Sab, e para a barriga dela, e para Cassie. – Vai saber o que ela não vai fazer pra chegar até a gente? Greg e Louis devem saber... Até porque eles não tem culpa de nada!


Cassidy segurou os cabelos e começou a andar de um lado para o outro.


- AAAAH! NÃO SEI, NÃO SEI, NÃO SEI!


Segurei o braço dela e a abracei com muita força, antes que ela chorasse.


- Cass...


Eu ia dizer “Cassie, vai ficar tudo bem”, mas não deu tempo. Sabinna separou-me dela, e ficou olhando pra Cassidy. As duas deram um olhar de entendimento, coisa delas. Sabinna colocou a mão na nuca de Cassidy e puxou-a pra frente, dando-lhe um beijo forte e intenso.


PUTA QUE PARIU!


Beatrice abriu a boca ENORME pra mim, assombrada. As duas só intensificaram o beijo. Tocaram as testas e eu ouvi o que elas disseram uma pra outra.


- Vai ficar tudo bem, tá certo? – Sabinna disse.


- Eu sei, eu sei. Sei que vamos encontrar ela. – Respondeu Cassidy. As duas deram as mãos e viraram pra nós. – Desculpa ter escondido isso por tanto tempo. Mas eu e a Sab estamos... Bem... Namorando. Faz tempo.


- Mas... – Começou a Bia. – E o Scorpius? E o James?


As duas riram.


- E quem disse que não nos divertimos com eles?


Nos olhamos e caímos na gargalhada. Quase esquecemos do assunto em questão.


- Ok, ok. Acho que Greg e Louis tem o direito de saber o que tá acontecendo. Você tem nossa permissão, Rox. – Disse Cassidy, sentando-se com Sabinna no sofá e começando a cochichar com ela. Bia sorriu pra mim e me abraçou.


- Vai ser complicado... – Eu comecei. Ela riu.


- Ninguém disse que seria fácil, amiga. – Ela me disse, apertando meus ombros. – Nossa, Rox. Quando conhecemos você, era só uma menina, uma menina apaixonada, boba e ingênua... E agora... Ai, Rox! Você cresceu tanto em tão pouco tempo. – Ela disse, me abraçando de novo.


- Tá, Bibs, pare, antes que eu comece a chorar! – Eu disse rindo e fungando. Ela riu também e esfregou os olhos. – Amo você, certo?


- Também amo você. Vai lá. Seja corajosa. – Ela disse, batendo na minha bunda. Eu ri e fui para a outra sala, aonde Louis e Greg estavam quietos, sentados no sofá, cada um olhando pra um lado da sala. Eu olhei para eles e fechei as portas atrás de mim, deixando-nos sozinhos no Salão. Sorri. Os dois sorriram pra mim, os seus famosos sorrisos-Roxanne, que eu sabia que eles só podiam sorrir pra mim. Sentei-me na poltrona na frente deles com as pernas cruzadas, pensando em como eu ia explicar aquilo. Contaria tudo? Ou só a parte que importava? O que eu fazia, porra? Não tinha a técnica de Cassidy pra contar uma história, como ela fez comigo quando eu fui escolhida pra Irmandade.


Respirei fundo.


- Vou tentar ser direta e objetiva, apesar de ser complicado. Existe uma sociedade secreta dentro de Hogwarts, a Irmandade, que é uma sociedade milenar, criada por duquesas contra a opressão dos maridos. É uma longa história, quem sabe um dia eu possa conta-la melhor a vocês. Só meninas são aceitas, as melhores bruxas de Hogwarts, e é uma sociedade muito, mas MUITO poderosa. A questão é que o poder mor, a “direção” da Irmandade só pode ser passado de filha pra filha, só que Cassidy, que no momento é quem detém o poder, não pode ter filhos. Entretanto, o irmão dela e a Sabinna tiveram uma filha, que foi dada para adoção, e essa filha é a herdeira por direito do ‘trono’. Só que a Alicia é uma filha da puta ambiciosa e quer o trono, e ela encontrou duas ligações da família da Cassidy: Uma de umas sete gerações com a família dela, e uma ligação de umas três gerações com a minha família. Não os Weasley, os Johnson. Minha mãe não entrou porque gostava de Quadribol. Enfim, o negócio é que ela tá totalmente maluca. E ela quer me matar, e matar a filha da Sabinna, ou pelo menos acha-la antes de nós. E quer matar a Cassidy. E quer matar a Sabinna. Mas principalmente, quer me atingir, de todo modo possível. E pra isso, ela vai usar de todos os métodos possíveis, inclusive usar as pessoas que eu mais amo no mundo pra chegar até mim. Então, apesar de ser uma sociedade secreta, abrimos uma brecha e estamos revelando tudo a vocês porque são muito importantes pra mim, e, se for pensar bem, estão em perigo tanto quanto a gente. Então...


Respirei fundo.


- Eu queria que soubessem.


Houve um longo silêncio. Uns cinco minutos. Greg estava de cenho franzido, olhando pro chão, concentrado. Era muita informação mesmo. Louis estava absolutamente atônito. Eu também estava. Tentei resumir, mas era complicado.


Depois de cinco minutos de silêncio, Greg olhou pra mim e sorriu.


- Não se preocupe. Alicia não vai conseguir chegar nem perto de vocês. Eu prometo.


Sacudi a cabeça.


- Não acreditou em uma palavra do que eu disse, acreditou?


Ele segurou minha mão e acariciou meu joelho com a outra. Louis ficou ligeiramente incomodado.


- É óbvio que acreditei. Não acredito que você inventaria uma história dessas. Só que não estou tão surpreso quanto eu acho que você pensava. Eu já esperava que fosse algo muito bizarro ou surreal. Acabou sendo os dois. Enfim... Acredito em você.


Então ele me puxou pelo queixo e me beijou. Acho que em parte era pra enciumar Louis, que no momento, se levantou.


- Também acredito em você, prima. – Mas ele não olhou pra mim. Acho que estava olhando pra outra sala, através do vidro da porta, aonde Cassidy e Sabinna estavam se beijando. De qualquer modo, ele tava pasmo. – Que porra...?


- Oras, Louis, Cassidy e Sabinna estão namorando, não sabia? – Eu disse rindo, enquanto Greg me falava coisas no ouvido que não vou dizer o que eram.


Louis virou a cabeça pra mim com uma cara sarcástica.


- Mesmo que eu aprecie a informação de que nossas amigas estão saindo do armário... Não vi nada disso. Olha.


Eu me levantei da poltrona e vi através do vidro. Aliás, não vi nada, na verdade. Estava tudo escuro. Puro breu. Não dava pra ver absolutamente nada.


Abri as portas e a sala se iluminou, de repente.


O chão estava coberto de sangue, e nenhuma das minhas amigas estava ali.



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