Eu fui até ele. Ele estava com uma roupa muito parecida daquele dia, no natal, quando saímos pra boate do tio Greg (como tem Greg nessa história...). Parei na frente dele e esperei ele me olhar. Ele me olhou com aqueles olhos azuis perfeitos e sorriu.
- Voltou a ser meu Louis? – Eu perguntei, cruzando os braços.
- Eu nunca deixei de ser. Só não sabia disso. – Ele disse, e tirou algo das costas. – Feliz aniversário, prima. – Um embrulho de presente quadrado. Eu sorri e agarrei o presente, tirando o papel de embrulho cuidadosamente. Dentro havia uma caixa, e dentro da caixa, uma pilha de fotos. Fotos de Louis e eu, que eu vivia me perguntando aonde estariam. – Achei que fosse gostar de lembrar desses tempos.
Fotos de quando eu e Louis éramos bebês. Fotos de quando tínhamos uns dois anos, ainda usando fraldas, brincando juntos. Uma foto de Louis chorando e eu o abraçando. Uma foto de quando entramos em Hogwarts. Uma foto do natal do segundo ano, quando todos nós sabemos o que aconteceu. Não consegui conter as lágrimas, e abracei Louis com tanta força que devo ter sufocado o garoto.
- Obrigada, obrigada, obrigada! – Eu disse, segurei o rosto dele e beijei sua bochecha.
- Mas isso não muda nada, ok? – Ele disse, me olhando nos olhos. – Eu ainda te amo. Como sempre amei.
- Tudo bem. Sei que vai saber se comportar. – Eu disse, acariciando o rosto dele. – Com licença, primo. Tenho uma festa pra comandar. – Eu disse, e nós rimos.
- Arrasa, prima. – Ele disse e eu fui abrindo caminho entre as pessoas. Uma mão segurou meu braço e fui obrigada a virar. Alicia.
- Oi, Licia! – Eu disse, abraçando-a. – Obrigada por ter vindo.
- Dã-ã? Você é minha amiga, e eu nunca perco festas. Ainda mais no Palacete. – Ela disse, dando aquele sorriso sincero que eu tinha quase certeza que ela só conseguia ter comigo. – Quero te apresentar algumas pessoas.
Ela me guiou até uma sala reservada do Palacete, aonde a música parecia ser só um ruído distante. Meus ouvidos zumbiam. Lá estavam três garotas: Duas gêmeas loiras e lindas, com vestidos brancos parecidos e uma morena de olhos muito, muito azuis. Batons vermelhos nos lábios.
- Rox, essas são minhas amigas, Sky e Juliet Dale, e Alexandra Zabini.
- Pode chamar de Alexa. – Disse Alexandra, a que tinha os olhos azuis. Foi até mim e me abraçou, sorrindo. – Feliz aniversário, Roxanne. Seu presente está na caixa de presentes. – Tapou a boca lateralmente e colocou-a perto do meu ouvido. – É algo pra você e pro seu namorado. – Deu uma risadinha e sentou-se novamente.
- Felizíssimo aniversário, Rox! Ah, eu sou a Sky. – Disse Sky. Deu um sorriso que pareceu imensamente mais sincero do que o sorriso de Alexandra. Me abraçou forte e me beijou a bochecha. Não deixou marca na minha bochecha. – Dezessete anos, ahn? Ai, estou muito feliz por você, irmã. Eu só farei dezessete no ano que vem. Aliás, nós. – Ela olhou de esguelha pra Juliet e também aproximou-se do meu ouvido. A irmã dela estava de braços cruzados, olhando para um ponto fixo na parede. Mas parecia estar muito distante dali. – Não ligue pra Julie. – Sky sussurrou no meu ouvido. – O namorado dela terminou com ela. De novo. – Segurou minha mão. – Ei, porque não vamos pra festa? – Ela disse, olhando pra Alicia, que concordou sorrindo e segurou minha mão.
- Vocês não vem? – Alicia perguntou para Alexa e Julie por cima do ombro. Julie não se mexeu. Alexandra deu de ombros.
- Não gosto muito de dançar. – Ela disse, e demos de ombros também. Voltamos para o salão.
Kevin estava lá. Chegou em Alicia e postou a mão na sua cintura, levando-a para longe. Não a vi mais.
- Esse namorado da Alicia é muito gostoso, não acha? – Perguntou Sky, enquanto abríamos caminho para o meio da pista de dança. Eu ri alto.
- Já peguei! – Eu gritei.
- Eu também! – Ela gritou em resposta, e caímos na gargalhada.
No meio da pista, Sky pegou a varinha e levantou-a para o alto, e dela saíram algumas faíscas.
- Roxanne! – Ela gritou, e as pessoas em volta fizeram a mesma coisa. Era uma festa de faíscas coloridas e gente gritando meu nome. Foi algo lindo, mágico (dã, óbvio) e eu nunca me senti tão bem. Era um gosto novo, algo que eu não conhecia. Toda aquela gente estava ali por minha causa. No dia seguinte, a minha festa seria o assunto principal do colégio. Minha festa. Sky abriu a boca e riu pra mim, e nós duas giramos no lugar.
- Pessoal, pessoal, - O vocalista da banda disse, a banda parando a música de repente. - Um minuto de atenção. Primeiramente, quero agradecer à minha melhor amiga, Beatrice, por ter nos chamado pra tocar nesta festa, que está o máximo! E agora... Uma musiquinha especial pra nossa estrela da noite... - Ele apontou pra mim e abriram espaço, me destacando na multidão. O vocalista era um Deus, com D maiúsculo. Usava um casaco de couro preto lindo, uma calça jeans surrada e tênis limpíssimos. Seu cabelo loiro-escuro caia um pouco por cima dos olhos azuis lindíssimos. - A nossa estrela, essa coisa gostosa que é o motivo pelo qual todos nós estamos aqui essa noite, ignorando nossas lições-de-casa... ROXANNE! - Gritos. Aplausos. Gente sorrindo.
Aquilo era um sonho ou coisa assim?
A música chamava-se Roxanne. E eu a conhecia por ser uma das músicas preferidas de tia Hermione, e era supervelha, mas eles tocavam de um jeito superatual. Sky segurou minha mão e dançamos. Ela fazia um lance muito charmoso com os lábios quando dançava. Depois piscou o olho e me soltou. Um par de mãos agarraram minha cintura e me viraram para o garoto que eu mais queria ver na noite: Gregory, óbvio.
Ah, espera. Não era Greg. Era Louis.
- Me concede essa dança, prima? – Ele perguntou, o rosto transbordando aquele jeitinho que eu tanto amava. Eu sorri e pensei “Afaste um pouco o rosto, Roxanne”, mas meu cérebro não me atendeu. Continuamos com a proximidade suspeita e perigosa dos nossos rostos. Assenti com a cabeça.
Dançamos. Ele subia e descia as mãos na minha cintura, acariciando minhas costas. Eu sorria e envolvia seus ombros com as mãos. A proximidade dos rostos continuou.
- Você viu o Greg? – Eu perguntei para ele, preocupada. Greg não sabia que ‘Louis’ tinha voltado. Ele negou com a cabeça.
- Falei com ele no Salão Comunal. Ele disse que estava preparando algo e que ainda ia demorar. – Ele disse, e sorriu pra mim perfeitamente.
Eu não sabia o que dizer. Que me importava Greg? Eu estava com Louis ali. A menos de um palmo de distância, os lábios dele. Eu queria beijá-lo. Eu ia beijá-lo. Eu rocei o nariz no nariz dele...
- Não. – Ele disse, me afastando com um sorriso. – Não faz isso, Rox. Não vou deixar você fazer besteiras hoje. – Ele bagunçou meus cabelos e me deu outro sorriso. – Vamos só dançar, ok?
Não pude deixar de soltar um suspiro decepcionado. Mas depois que a adrenalina passou, eu me toquei da besteira que eu poderia ter acabado de fazer. De novo.
- Certo. – Ai, meu Deus, o que eu estava pensando? Deitei a cabeça no ombro dele e deixe que ele me conduzisse, assim que a música abaixou o ritmo. – Desculpe.
- Tudo bem. Eu sei o quão irresistível eu posso ser. – Ele disse, e eu dei uma gargalhada.
- Idiota. – Eu falei, apertando meu abraço.
- Olhe, preciso ir no banheiro. Fique aqui que eu já volto, certo?
Assenti com a cabeça e vi ele indo em direção ao banheiro. Acompanhei-o com o olhar até ele sumir na multidão. Fiquei ali, como o prometido. Um garçom bem-vestido passou na minha frente e me ofereceu uma bebida que com certeza era whisky-de-fogo. Eu aceitei, impressionada com a capacidade de Beatrice em organizar a festa perfeita em menos de dois dias.
- Posso me aproximar agora? – Perguntou uma voz conhecida de todas nós. Aquela voz que sorria.
Sim, garotas. Dessa vez essa Gregory.
- Claro que pode. – Eu falei, virando o rosto para ele e dando-lhe meu sorriso mais sincero, ao que ele retribuiu. – Quer? – Eu ofereci minha bebida. Ele levantou o copo que já tinha na mão.
- Se entendeu com seu primo? – Ele perguntou, segurando minha mão. Eu assenti.
- Ele voltou a ser meu primo Louis de sempre, então... – Dei de ombros.
- Você era loucamente apaixonada pelo seu primo Louis de sempre. – Ele me disse, virando a cabeça lentamente com a testa franzida. Parecia realmente muito sério. – Eu agüentei isso, Roxanne. Agüentei suas traições porque achei que esse brilho... – Ele levantou a mão que segurava a taça e indicou meus olhos com o dedo indicador. – Esse brilho fulgaz que aparece nos seus olhos toda vez que fala nele nunca mais voltaria a aparecer. – Ele soltou minha mão e deu um gole da sua bebida. Ele parecia estar prestes a terminar comigo, mas ainda assim, era a coisa mais gostosa do mundo. – Pense nisso. Na próxima vez, talvez eu não queira mais ver esse maldito brilho. – Ele estava profundamente irritado, dava pra ver. Me deu uma bela olhada da cabeça aos pés e deu um sorriso de canto. – Você está maravilhosa. – E saiu dali de perto.
Wow. O que foi aquilo? Me apoiei na viga atrás de mim pra não cair com a tontura; Me faltou o ar. Não só pelo jeito de Greg, pela quase ameaça de me deixar ou qualquer coisa, mas principalmente... Nossa. Greg bravo era tão sexy.
Louis abriu caminho às cotoveladas na multidão e parou na minha frente com os olhos arregalados.
- Rox, precisa vir comigo. – Segurou minha mão e me puxou, me dando tempo ainda de dar uma rápida olhada em Greg, com uma das mãos dentro do bolso lateral da calça e a outra segurando um copo cheio. Me olhava com estranha ternura. Eu corri pra acompanhar Louis na direção do banheiro.
- Wow, wow, wow, não vou entrar aí. – Eu disse, assim que paramos na frente do banheiro. – Deve ter caras com seus pintos pra fora aí. – Louis sorriu pra mim e deu um chute na porta do banheiro. Entrou e eu não ouvi nada. Só vi uns quatro garotos saindo afobados do banheiro e fechando seus zíperes e botões da calça apressadamente. Cai na gargalhada.
- Problema um: Resolvido. Podemos? – Ele disse, fazendo um gesto sofisticado pra que eu passasse a sua frente. Eu ri novamente e entrei.
Tropecei em algo molenga no chão. Louis me segurou pra eu não cair, e eu vi que a coisa molenga era um garoto: Um garoto com algo brilhante no seu nariz.
- Mas que porra...? – Eu perguntei, franzindo o cenho. Louis sorriu meio ironicamente.
- Pó de Flu. Pra quem não sabe usar, é uma droga pesada. – Ele disse, dando de ombros. Eu levei a mão a testa, e tirei meu cabelo do rosto. Louis me olhava atentamente.
- Puta que pariu, Lou! O que eu faço com... Isso? – Eu disse, estendendo as duas mãos pra indicar o garoto desacordado que jazia imóvel no chão do banheiro. – Não posso tira-lo daqui ago...
Uma porta do banheiro fez um barulho estranho. Algo que estava do lado de dentro do espaço para o vaso sanitário batia na porta.
- Mas que porra...? – Eu perguntei de novo, subindo o vestido até a altura da coxa, fazendo Louis suspirar. Peguei a varinha que estava presa no elástico da cinta-liga e revirei os olhos. – Não aproveite-se da situação. Alorromora! – Eu gritei, e a porta se abriu com um estrondo. – MAS QUE PUTARIA É ESSA AQUI?
Ahn, dentro do banheiro, estava Alicia Cunningham, semi-nua, quase nos finalmentes com um completo desconhecido. É, não era o Kevin. Definitivamente não. Ela não pareceu envergonhada: Na verdade, ela riu. Quem não parecia legal era o cara.
- Rox, boas meninas não devem entrar no banheiro dos meninos! – Ela disse, rindo com a mão na frente. O garoto recompôs-se e foi saindo. – Ah, amorzinho, fique. – Ela disse, agarrando-se às vestes dele e fazendo um biquinho. O garoto esquivou-se e saiu, envergonhadérrimo. Ela subiu a calcinha dos tornozelos e arrumou o vestido. – Bom... Vamos para o próximo, então? – Mandou um beijinho no ar e saiu do banheiro.
O garoto chapado no chão deu um gemido. Louis estava com o pé em cima da sua mão.
- O que... Raios... Foi isso? – Eu perguntei, atordoada?
- Acho que foi Alicia sendo Alicia. – Ele disse, pondo as mãos no bolso de um jeito displicente que lembrava muito meu pai. – Todo mundo sabe que ela é tarada. Só não imaginei que fosse trair o namorado. – Ele apontou pra mim e riu. – Aliás, você pegou ele, não é? – Eu bati no ombro dele enquanto ele ria.
- Não brinca, Lou, a parada é séria. Temos uma ninfo e um chapado no banhei...
BAM! A porta se abriu com um estouro e dela irrompeu Sabinna, afobada e com os olhos arregalados. Parou por um momento ao ver eu e Louis no banheiro, e nos olhos de cima a baixo. Provavelmente percebeu que estávamos totalmente vestidos, então não achou nada de mais. Aparentemente não percebeu o garoto chapado no chão.
- Temos um problema. – Ela disse, ainda com a mão na maçaneta. – Um problema grande.
- Na verdade, temos três. – Eu disse, mas ela já tinha saído de vista. Segui-a com Louis atrás de mim. Parei. – Ahn, Lou... Se não se importa, acho que eu ficaria melhor indo com a Sab... E só com ela. – Ele franziu o cenho, mas assentiu. Eu toquei o rosto quente dele e sorri. – Obrigada por... Você sabe. Voltar a ser o meu Louis. – E sai correndo para seguir Sabinna, com mil coisas fervilhando na minha cabeça. Ela me levou até a outra extremidade do Palacete, aonde ficava o banheiro feminino. Abriu a porta com um chute e entramos.
Beatrice segurava Sophis pelos braços, e Cassidy segurava uma das gêmeas, que gritava e chorava, pelos pulsos. As duas me olharam com gratidão.
- Ei, ei, ei, o que tá... Cala a boca um instante? – Eu pedi para a gêmea que gritava e chorava. Ela não parou. Peguei a varinha de novo. - Silêncio! – Eu disse, e ela calou-se como se algo tivesse entalado em sua garganta. Virei-me pra Sophis. – Ora, ora. Por que é que eu não estou surpresa em te ver aqui, Travier?
- Por favor, Roxanne... Posso explicar... – A gêmea começou a gemer furiosamente, como se tentasse falar, mas um pedaço enorme de esparadrapo estivesse grudando sua boca. – A culpa é dela! A culpa não é minha se a Juliet não consegue segurar o namorado e ele prefere a... ARGH! – Ela gritou histericamente quando Juliet projetou-se pra frente e chutou a canela dela, mesmo sem poder falar. Eu tive que segurar um riso. – Sua selvagem! Como ousa...
- Ei, Travier, segura sua onda. Bia, leva essa coisinha daqui. – Foi quando eu vi que Sophis estava com uma faca saindo do bolso da calça, indo na direção da mão dela. Ela ia atacar alguém. Ah, merda. Arregalei os olhos. – BIA, SOLTA ELA AGORA! – Beatrice foi para o lado, eu gritei o primeiro feitiço que me veio a cabeça. - Expelliarmus! - Eu disse, e acertei Sophis em cheio. Sem a varinha, ela projetou-se pra trás e bateu na porta com força. A faca escorregou da sua mão e caiu no chão. Todas arregalaram os olhos. Sophis fugiu antes que pudéssemos fazer qualquer coisa.
- Não acredito na audácia daquela... – Sabinna urrou de ódio e deu um murro no espelho. A mão dela continuou intacta, mas o espelho rachou-se em várias partes.
- Pode me soltar agora, por favor? – Disse a ofegante Juliet Dale, extremamente calma. Nem parecia a mesma. Cassidy olhou pra mim e eu assenti, então ela soltou Juliet. A mesma sentou-se em cima da pia e cruzou as pernas.
- Julie... Pode me contar que porra foi essa? – Eu perguntei, atônita. Ela virou e olhou-se no espelho enquanto falou comigo.
- Robert, meu namorado, terminou comigo pra ficar com a Sophis. Eu fui tirar satisfações com ela e ela disse: “Deveria se preocupar com a sua irmãzinha pinguça que está praticamente caindo de cima da mesa”. Aí eu perdi o controle e fui pra cima dela. - Ela fez um biquinho para o espelho. – Ai suas amigas nos pegaram e nos trouxeram pra cá. – Ela virou o rosto e deu-nos um sorriso sarcástico. – O que não foi nada leg...
- Calma, calma. “Caindo da mesa”? – Cassidy perguntou, pondo as mãos na cintura. Juliet deu de ombros.
- Minha irmã tem problemas com bebida. Ela se excedeu um pouquinho e... Bom, vamos nós mesmas ver? – Ela disse, sorrindo e pulando da pia. Saímos do banheiro guiadas por ela e fomos até uma das mesas de bebidas, aonde estava, de pé, EM CIMA da mesa, Sky Dale, com uma garrafa do meu Bourbon favorito na mão, quase vazia, e com o vestido caindo dos ombros. Ria alto e alguns garotos jogavam galeões para ela, rindo.
- Seus filhos da puta, estão encorajando ela? – Disse Sabinna, indo pra cima dos garotos.
- Ei, querida, acalme-se, é um festinha! – Um deles disse, meio alegrinho, passando a mão em Sabinna. Cassidy enfureceu-se e foi pra cima do garoto. As duas sacaram as varinhas.
- Dou-lhes três segundos pra desaparecer da minha frente sem seus pintinhos transformados em bolinhas de gude. – Ela disse, e Sabinna riu alto.
Os garotos fugiram, obviamente.
- Mana, desça daí agora, fazendo um favor? – Disse Juliet, estendendo a mão para a irmã. Sky parou por um momento para pegar o foco dos olhos e sorriu para a irmã.
- Mas mana... Eu tô me divertindo taaaaaaanto! – Ela disse, segurando-se na garrafa como se fosse um filho.
- Mana... Você precisa descer. – Ela disse, estendendo a mão mais alto. Eu avancei para ajuda-la, mas Cassie segurou meu ombro e balançou a cabeça para mim. – Mamãe disse que você precisa descer.
Por um momento, ela pareceu chocada. Juliet continuou com a mão estendida e Sky arregalou os olhos.
- Mamãe quer que eu desça? – Sky perguntou, meio gemendo. Juliet assentiu.
- Mamãe pediu pra você parar, lembra? Ela me pediu pra não deixar você fazer mais isso. Vem, mana. Desça. – Ela disse. Sky demorou um pouco. Abaixou-se e entregou a garrafa semi-vazia para Beatrice, então segurou-se na mão de Juliet e desceu da mesa. Caiu em cima dela, abraçando-a, e chorava. Juliet sorriu e afagou os cabelos da irmã. “Eu cuido dela”, ela sibilou para nós, levando-a para uma das salas silenciosas que o Palacete tinha.
- Uau. – Eu disse. – Alguém entendeu alguma coisa? – Rimos e demos de ombros. Senti alguém cutucando-me no ombro. “Por favor, seja você, Greg”, eu pedi mentalmente, mordendo o lábio. Virei-me.
Era Greg. Graças a Merlin.
Olhei em volta e minhas amigas já tinham sumido. Eram rápidas demais. Greg sorria pra mim.
- Me perdoa? – Ele pediu. Eu franzi o cenho.
- Te perdoar pelo quê? – Eu perguntei. Ele revirou os olhos, e parecia complicado falar aquilo.
- Olha, não é que eu seja... Ou esteja... Ciumento. – Ele disse, pondo as mãos nos bolsos. – Mas você e Louis... Esse... Brilhinho nos seus olhos, toda vez que o vê... Não é nada parecido... Ah, desculpe por tudo. Por ter falado com você daquele jeito agora a pouco: Eu fui muito grosseiro. Me perdoa? – E ele deu aquele sorriso-Roxanne, que era um sorriso que era só pra mim, e era só meu. Eu sorri o meu sorriso-Greg, que eu sabia que era só pra ele, e era todo dele. Joguei meus braços em torno dos ombros dele e pulei no colo dele, rindo. Que coisa de criança, né? Meio idiota. Ele me segurou e me beijou em todos os lugares possíveis.
- Diz? – Eu pedi, com o rosto praticamente colado no dele. Ele fez aquela cara de autocontrole que eu tanto amava e ameaçou de me beijar, o que eu odiava quando ele fazia, porque me deixava com muita vontade de beijar ele.
- Eu te amo. – Ele disse, passando a mão pelas minhas costas e sorrindo. Olhou pros lados e me levou até uma viga enorme, longe de tudo e de todos. Me prensou contra a viga gelada e beijou meu pescoço. – E sempre vou amar.
Ah, gente. Qualé. Me dêem uma folga. Era meu aniversário, e meu namorado era Gregory Alexander Hastings III. Alguém aí ia resistir?
