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37. happy b-day.


Fic: Not So Little Anymore - acabou, é.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ele só parou de correr quando estávamos no Salão Comunal da Gryffindor, ofegantes e cansados. Eu estava com a barriga doendo de tanto rir. Ele me deitou cuidadosamente no sofá e sentou-se no chão, arfante. Eu ainda gargalhava. Ele olhou pra mim e sorriu.


- Ainda não acredito que bateu no meu primo! - Eu falei meio histericamente, meio alto demais. - Greg, você é... Ai, eu nem sei. Você é o cara. - Eu disse, e ele me olhou com aquele olhar de autocontrole de novo. Como eu pude ficar com Louis correndo o risco de nunca mais ver aquele olhar cair sobre mim novamente?


- O que pretende agora? - Ele perguntou com a voz baixa, correndo os olhos pelo meu corpo várias vezes. Eu levantei as pernas e repousei-as na parte de cima do sofá, cruzando-as. Ele mordeu o lábio ao ver minha saia descendo levemente com o poder da gravidade (?). Eu podia sentir o calor que vinha dos olhos dele.


- Sinceramente? Eu tenho vivido muita coisa nos últimos dias. Tudo que quero é deitar e... Não fazer nada. - Eu disse. Ele levantou-se e me pegou no colo cuidadosamente, dessa vez, sem me jogar por cima do ombro como o Papai Noel fazia com seu saco de brinquedos (?). Sorriu pra mim e tocou o nariz no meu. Me beijou e eu viajei naquele beijo tão gostoso. Fechei os olhos e esperei ele separar os lábios dos meus. Ele me deitou na cama sem parar de me beijar. Ele só parou de me beijar quando eu senti que ele estava se empolgando; Mas eu estava cansada. Ele separou os lábios dos meus em um segundo longo que pareceu durar uma eternidade e me olhou com a expressão de autocontrole. Com o sol batendo na parte de trás da cabeça dele, ele parecia ter uma aura brilhante ou algo assim, como um anjo. Sorriu pra mim. Seu sorriso brilhava mais que o sol. Eu vi seus olhos. Eles brilhavam mais que o sorriso.


- Eu amo você. - Ele me disse. Então deitou a cabeça no meu peito e ali ficou, abraçado em mim. Eu mexi nos cabelos dele, senti o seu cheiro, e fiquei tão embriagada com ele que adormeci sem nem perceber.


Mal tinha fechado os olhos e já acordava de novo, e a sensação era de que eu dormira por anos a fio. Ele estava sentado ao meu lado, me observando dormir, como sempre. Eu já tinha me acostumado com isso. Ele tinha essa mania. Parece o Edward Cullen, haha.


- Que horas são? - Eu perguntei. Ele sorriu.


- Umas três da tarde. Não faço idéia. Perdi a noção do tempo. - Ele disse, e então olhou pra fora da janela. - Está nevando.


Não sei se já falei isso nessa narrativa, mas eu acho que agora é uma hora interessante pra parar e fazer alguns comentários explicativos. Quando eu era pequena - eu devia ter uns quatro ou cinco anos, eu não lembro bem - eu, meu irmão e meus pais morávamos em uma casa vizinha a casa de tio Bill, tia Fleur e meus primos - isso foi antes de eles se mudarem para aquela mansão enorme que vocês devem se lembrar bem. No inverno, aquele lugar parecia um freezer e nevava muito. Direto. E como éramos pequeninhos, a neve muita vezes vinha na altura da nossa barriga. Mas eu não me importava. Adorava sentir aquele friozinho da neve entrando nas minhas roupas - não me pergunte o porquê, porque até hoje eu não entendo isso direito. O negócio é que eu acho que era tão divertido porque sempre que nevava eu ia pra rua brincar com Dominique, Victoire e Louis.


Eu lembro bem que eu amava neve. Sempre achei linda, fofinha e gelada (adorava coisas geladas). Louis tinha mania de colocar um punhado de neve no topo da minha cabeça quando eu me estressava, pra eu ‘ficar fria’. Eu normalmente ria muito com isso. E, quando eu adquiri mais idade, eu comecei a achar a neve muito romântica. A neve era algo puro, que parecia ser digno de um momento amoroso. Mas normalmente eu pensava que esses momentos tinham de ser com Louis, e não com... Qualquer outro garoto da face da Terra.


E agora, deitada na cama de Gregory, com a neve caindo forte do lado de fora do castelo, não me pareceu certo que ficássemos ali dentro, enfurnados. Tínhamos que sair e nos divertir.


- Vamos lá pra fora, então. - Eu disse, me levantando. Não tinha nenhum casaco forte ali na hora. Greg cruzou os braços.


- Está um frio dos invernos lá fora, Rox. Vamos virar picolés. - Ele disse. Eu olhei pra ele por cima do ombro.


- Não se preocupe, amor. Eu estou quente o suficiente pra derreter nós dois. - E dei uma risadinha. Aaaaaah, aquela cara de autocontrole deliciosa apareceu. Ai um sorrisinho. Mas ele balançou a cabeça.


- Vamos ficar doentes. - Ele disse. Eu fechei os botões do sobretudo e sorri.


- Eu vou lá pra fora, você querendo ou não, Hastings. - Ele sorriu. Alguém aí já tinha reparado como o sobrenome do Greg era sexy? Eu nunca tinha. E era tão bom de falar... Eu comecei a sair do quarto quando um pensamento bem engraçado me ocorreu: Roxanne Hastings soa bonito?


- Merlin, que garota teimosa. - Ele disse com uma risada antes de descruzar os braços e me seguir porta afora. Eu ri sem olhar pra ele. Desci pelo corrimão que nem uma criança e ele ficou me olhando com estranha fascinação.


- Sabe, acho que vou fazer melhor. Acho que vou tirar a roupa e ir nadar no Lago. Que tal? Ouvi dizer que lá nunca esfria, por causa da Lula Gigante. - Eu disse enquanto ele descia a escada devagar, pausadamente, com uma postura quase de realeza. Eu desabotoei o sobretudo e joguei-o pra cima de Greg.


- Vai morrer trincada, Roxanne! - Ele disse, segurando o riso e o sobretudo. Eu parei e pensei.


- Então me pegue se for capaz! - Eu gritei antes de sair correndo.


Não vou me demorar muito nessa parte da corrida, apesar de que seria entendível se eu o fizesse. Eu e Greg nos divertimos como loucos naquela tarde. Eu não fui nadar no Lago, é óbvio, mas nós corremos até a borda dele. Ele me agarrou e me beijou várias vezes enquanto eu ria. Depois nos demos conta que podíamos, e fomos até Hogsmeade brincando um com o outro. Ele pegava a neve nas mãos e depois colocava as mãos nas minhas costas: Eu fingia irritação, mas era uma sensação deliciosa. Pra estranhamento geral das outras pessoas, compramos sorvetes e os comemos sentados na calçada. Na mesma calçada que eu e Beatrice, Sabinna e Cassidy nos sentamos, quando eu e Greg nos olhamos pela primeira vez.


- Sabia... - Eu comecei, entre lambidas no meu sorvete de pistache. - Que na primeira vez que eu quis transar com você, eu estava sentada nessa calçada? Bem aqui. Olhava você lá. - E apontei para onde ele estava com os amigos, semanas antes. Ele riu.


- Você quis transar comigo na primeira vez que me viu? - Ele estava comendo um sorvete de laranja, algo muito esquisito, se você for pensar bem. Eu dei de ombros.


- Não exatamente. Mas eu certamente pensei “Cara, se esse garoto viesse até mim agora e pedisse pra transar comigo nessa calçada, eu transaria com ele”, sabe? Mas acho que deve ser isso que toda garota pensa quando vê você. - Eu dei de ombros de novo, olhando meu sorvete. - Mas não finja que não lembra. Sei bem que estava me observando intensamente naquele dia. - Ele me observava com uma certa fascinação no olhar. Eu virei-me pra ele. - O que você pensou, naquele dia, quando me viu aqui?


- Bom, se vamos falar disso, tenho que começar dizendo que eu lhe defendi piamente naquele dia. Meus amigos ficavam fazendo comentários pejorativos sobre você e suas amigas e eu as defendi com muita bravura. - Ele disse, como se brigar com os amigos fosse algo tipo matar um dragão. Eu beijei-lhe na bochecha.


- Obrigada por isso. Continue. - Eu respondi.


- Enfim, meu amigo Edward estava perdidamente apaixonado pelas pernas da Sabinna. Não nego que de início as minhas atenções estavam focadas nela... Não me olhe desse jeito! - Ele disse, levantando a mão esquerda, quando eu olhei pra ele com uma expressão maniacoassassina (essa palavra existe?). - Não negue, Sabinna é muito atraente. Mas daí eu vi você... E você me viu. Joseph me disse que eu parecia ter entrado em uma espécie de transe... - Ele parecia pausar pra pensar nas palavras certas, ou talvez lembrando-se do que tinha acontecido exatamente. - Aí ele viu você e entendeu de cara. - Ele deu um suspiro. - Joseph me conhece desde que eu nasci. O cara sabe quando eu estou... - Ele encolheu os ombros de um jeito tímido que me fez perder, subitamente, do nada, todo o ar dos pulmões. Achei que fosse desmaiar, é sério. - Ah, você sabe.


- Apaixonado seriamente por uma desconhecida? - Eu perguntei. Ele me jogou um olhar de ‘não-seja-boba-Roxanne-sua-tolinha-ingênua’ que me fez, de novo, passar mal. Ou bem. Não sei direito.


- Eu reconheci você, Rox. Eu lembrei que você era a minha ex-mulher de anos atrás. Só não conseguia dizer... Se o que eu tava sentindo era uma paixão fulminante ou só aquela estranha sensação de quando se vê alguém que não se via há muito, muito tempo. - Ele disse. Eu penteei o cabelo dele pra trás.


- E você descobriu? - Eu perguntei. Ele balançou a cabeça.


- Quando vi você provando aquele vestido com as amigas... Eu soube que era uma paixão pelo que eu vi. A coisa mais maravilhosa, esplêndida e deliciosa daquele dia inteiro.


- Garotas histéricas tirando e colocando roupas? - Eu perguntei, atônita. Ele empurrou meu ombro de leve.


- Não, sua boba. Seu sorriso. - Ele disse, e então passou o dedo nos meus lábios. Bem devagar, como se fosse a última vez que fosse tocá-los, então queria lembrar bem deles, seu tamanho, sua textura, seus trejeitos. Eu não soube bem como reagir. Eu nunca tinha visto um olhar tão profundo, pleno e verdadeiro em toda a minha vida. Claro que vinha dos olhos dele. Eu deixei meu sorvete cair no chão, mas nenhum de nós dois pareceu perceber.


- Tem noção...? - Eu tentei começar uma frase. Ele aproximou-se de mim e passou os lábios pelos meus. Meus braços estavam tremendo tanto...


- Eu amo você mais do que jamais amei qualquer outra coisa. - Ele me disse, os lábios em movimento tocando os meus. Estávamos juntos na calçada, os olhos fechados, e meus punhos cerradíssimos no esforço pra não tremer muito. - Eu amo você mais do que eu posso amar qualquer coisa. - Ele continuou, ainda com os lábios nos meus. - Eu amo você... Mais do que minha vida. - Ele me disse, e eu, de súbito, comecei a chorar.


Acho que é plausível de eu ter começado a chorar, afinal, que tipo de garota maravilhosa eu era pra merecer aquelas palavras menos de 24 horas de ter traído aquele garoto? Eu não sabia, mas ele parecia ter certeza de que tipo eu era.


Ele beijou minha bochecha e enxugou minha lágrima. Sabe o nível de romantismo, sensibilidade e amor que um cara precisa ter pra enxugar uma lágrima com um beijo? É bem alto.


- Por que você tá chorando? - Ele me perguntou. Eu dei de ombros e funguei.


- Acho que é porque eu sou bobinha mesmo. - Eu respondi, e ele sorriu. Abraçou minha cintura e deitou a cabeça no meu ombro.


- Eu quero ter uma filha igual a você. - Ele disse suavemente. - Eu quero ter uma filha com você.


- Isso é bom. Porque eu acho que estou grávida. - Eu respondi. Ele me olhou lentamente. Eu sorri de leve.


Achei que era a hora de ele saber, já que, afinal, ele era o pai dos meus filhos; Agora, literalmente.


Ok, eu não tinha certeza. Não tinha certeza se estava grávida: Tudo que eu senti foram uns quilos a mais e enjôos matinais bem desagradáveis. E eu não tinha certeza se Greg era o pai: Afinal, nos últimos três meses, eu estive transando com três caras diferentes.


Cara, como eu sou vadia!


Mas eu não esperava que a reação de Greg fosse aquela. Ele, do nada, começou a rir e me abraçou com tanta força que achei que, se eu estivesse grávida, o bebê ia pular pra fora da minha boca (?). Ignorem esse último comentário.


- Tá falando sério? - Ele me perguntou, bem baixinho, no meu ouvido. Eu sorri, tentando respirar.


- Acha que eu ia brincar com um negócio desses? - Eu perguntei com dificuldade. Ele me segurou, olhando para o meu rosto, como se quisesse fundir o corpo dele com o meu de tão perto que estávamos.


Bem, não que ele nunca tivesse feito isso antes, certo? Mas vamos deixar os comentários pervertidos pra mais tarde.


- Você deveria ir checar isso. Ir no St. Mungus. Já avisou seu irmão? Sua família? - Eu não pude me impedir de rir.


- Ei, te acalma, Hastings. Eu nem tenho certeza ainda. Eu na verdade estava esperando... - Na real, eu não sabia direito o que eu estava esperando. As férias começariam em menos de um mês, e em menos de um mês, se eu estivesse grávida, não ia aparecer barriga, então não ia dar pra saber no olho (Certas coisas uma garota sabe só de olhar, ok? Confiem em mim).


E meus planos para aquelas férias de verão incluíam: Convidar Greg pra ficar lá em casa, dar algumas festas para as meninas da Irmandade, farrear muito, transar com Gregory todos os momentos possíveis em todos os lugares possíveis. Não incluía nenhuma mini-Rox.


Ou mini-Louis. Ou mini-Greg. Ou (Merlin, me salve dessa possibilidade, por favor) um mini-Kevin. Não envolvia nada mini. (Até porque, se envolvia sexo com o Greg, não podia ser nada mini mesmo. OMG, o que eu estou dizendo?)


Ele me olhava, esperando eu terminar a frase.


- ...As férias chegarem. Aí faria tudo com calma. - Eu respondi. - Droga, meu sorvete caiu no chão.


- Você está grávida. - Ele disse atônito, ignorando meu ultimo comentário, olhando o chão com uma concentração imensa.


Ele ainda não tinha perguntado, e eu não tinha intenção nenhuma de falar sobre isso. Mas era natural que a pergunta saísse dos lábios dele.


- É meu? - Ele perguntou sem olhar pra mim.


- Eu quero que seja. - Eu respondi, achando que seria a melhor resposta praquela pergunta sem que eu tivesse que mentir. Ele olhou pra mim e acariciou meu rosto, sorrindo.


- Mesmo que não seja, eu vou criá-lo como se fosse meu. - Ele disse. Soou meio estranho pra mim.


- Pretende mudar-se pra casa dos Weasley, Hastings? - Eu perguntei, meio debochada. Ele cruzou os braços e olhou pra cima.


- Eu também atinjo minha maioridade esse ano. E de presente, meus pais decidiram me dar uma casa no centro de Londres. - Ele disse com o cenho franzido, fitando o céu cinzento de neve daquele dia. - Era esse o plano desde o meu terceiro ano. Meu pai já tinha até planejado como ele seria. Mas eu disse pra ele não fazer isso.


- Por quê? - Eu perguntei, prestando muita atenção nele. Ele deu de ombros.


- Porque queria perguntar pra você antes. Não ia fazer nada sobre a nossa casa sem antes consultar você, é claro.


Momento pra parar e cair no chão de surpresa.


- Você... - Eu ia dizer “Você quer que eu vá morar com você?”, mas as palavras escaparam do meu cérebro e foram pra algum confim estranho do meu pulmão, e eu perdi o fôlego de novo. Ele deu de ombros.


- Se você não aceitar, não quiser morar comigo... - Ele deu de ombros de novo, dessa vez acompanhado de um suspiro longo. - Não faz sentido eu construir uma casa pra morar sem você.


- Eu... - Eu ia dizer “Eu quero mais do que tudo na vida”, mas as palavras foram parar dentro de alguma artéria do meu braço (?).


- Entendo se não quiser. É um grande passo. - Ele disse, ainda sem olhar pra mim, ainda de testa franzida. Ah, como ele ficava charmoso fazendo aquilo.


- Quando? - Ah, finalmente uma pergunta decente e completa. Ele olhou pra mim com os olhos de um jeito cansado e eu sorri.


- Quando você quiser. - Ele respondeu.


- Posso mandar um berrador para meus pais dizendo pra eles arrumarem minhas coisas agora? - Ele caiu na gargalhada.


- A casa precisa ser construída antes. - Ele disse. Eu dei de ombros.


- Podemos ficar na casa dos seus pais enquanto isso. Afinal... - Eu chequei um relógio enorme que ficava do lado de dentro da sorveteria. - Dentro de curtas oito horas e meia, por ai, eu vou ser uma maior de idade. Posso fazer o que eu quiser.


- Tipo transar com o namorado no banheiro de Hogwarts?


- Eu já podia fazer isso antes.


Houve um momento em que ele me olhou com um misto de admiração, fascínio e felicidade. Eu beijei seus lábios devagarinho.


- Devíamos voltar pro castelo. - Eu disse. Ele me ajudou a levantar e virou-se de costas pra mim.


- Eu levo você. Vem. Sobe. - Ele praticamente ordenou, e eu subi nas suas costas. Deitei a cabeça no seu ombro enquanto ele me levava com facilidade de volta pra Hogwarts.


Seu cabelo tinha cheiro de hortelã.


 


 


 


 


Mal estávamos de volta ao castelo, e nos jardins, já fomos bombardeados por um grupo de garotos que eu reconheci de cara. Lembra os garotos que estavam com Greg no dia em que nos ‘conhecemos’? Então. Eram eles.


- Greg, porra, procuramos você por tudo que era canto, cara. - Disse um deles, que tinha cabelos escuros e olhos claros, uma combinação linda. Ele olhou pra mim, que estava em cima das costas de Greg ainda.


- Será que pode nos dar licença um instantinho, gata? É que o assunto com o Gregzinho aqui é particular. - Disse um outro que tinha cara de quem transava todos os dias; Eu desci das costas de Greg e já ia me retirar quando Greg me segurou.


- Não se ofenda, meu amor. - Ele disse suavemente. - É que tem certas coisas... - Eu pus o dedo nos lábios dele.


- Fica tranqüilo, meu garoto. Eu entendo. Te vejo mais tarde? - Eu perguntei. Ele deu de ombros.


- Quando? - Ele disse. Eu mordi o lábio inferior e olhei pra cima, fingindo pensar, e daí sorri.


- Que tal um sexozinho de aniversário, na virada de hoje pra amanhã? - Eu perguntei com muita naturalidade. Gregory ficou absoluta e completamente vermelho, o que foi muito gracinha. Seus amigos pareciam atônitos com a minha cara-de-pau tremenda. Eu beijei ele com vontade na frente deles, sem pudor nenhum. Sabe aqueles beijos desentupidor de laringe? Um desses. Daí dei um aceno de cabeça para os meninos e sai de perto deles.


Consegui ouvir os garotos zoando com Greg quando eu dei uma certa distância. Consegui ouvir um ‘Alguém vai se dar bem hoje, ahn?’ por cima das risadas.


Ai foi a vez de Beatrice aparecer, do nada, e me encher de informações.


- Amor, ainda bem que você está aqui, te procurei por toda parte. Bem, eu já falei com o Trevor - um amigo meu que era da Tigres, sabe, o maior gatinho, você tem que conhecer, se não tivesse o Gregory com certeza ia ficar interessada - sobre a festa e ele disse que é altas idéias. Então eu marquei pra daqui a dois dias, que é sexta-feira,  e é muito mais legal fazer uma festa numa sexta-feira, certo? Aí todo mundo relaxa do dia de aula, aquela coisa toda. Eu falei com uns amigos meus que tem uma baita banda, muito legal, eles fizeram uma festa legendária no ano passado na Irmandade, você tinha que ver, até hoje tem gente com as seqüelas e memórias da festa, e eles vão tocar na sua festa. Comida e bebida a gente vê na Casa mesmo, e eu já comecei a fazer as listas de convidados. Já vi que vai encher total. Você tem que me ajudar, obviamente. Ah, amor, eu quase esqueci, tenho que ir na Biblioteca pegar uma parada de Adivinhação. Se liga que a professora realmente quer ver minha caveira. Te amo, te vejo depois, Srta. Hastings-tenho-quase-dezessete-anos-e-poderei-fazer-o-que-eu-bem-entender. Tchau-tchau! - Ela me beijou com o batom vermelho e saiu correndo.


Isso porque eu não queria uma festa muito grande, certo?


Que cheiro esquisito! Parece... Guelricho queimado. Não. É guelricho queimado. Mas por que raios alguém queimaria...


Ah, não. Puta que pariu. Era Louis. Ele estava sentado em um canto do jardim, um canto bem reservado, com umas gurias da Slytherin e uns guris da Gryffindor mesmo. E ele estava fumando guelricho. (Os bruxos também tem suas ervas, certo?)


Houve um incidente com cigarros de guelricho uma vez, na Páscoa. Tio Bill tinha guelricho pra caramba no armário e todos sabem o quanto guelricho queimado produz um cheiro que espanta os mosquitos e outros insetos irritantes. É realmente um negócio insuportável. Era verão e os mosquitos estavam quase matando eu e Louis, então ele resolveu queimar algum guelricho. Eu pensei na possibilidade de fazer um cigarro com aquilo, então, de brincadeira, enrolei um pouco da plantinha em um papel e pus fogo.


Eu e Louis fumamos aquela porra por uma noite inteira. Você não tem noção de como é bom. Mas vicia e faz mal, afinal, é guelricho! Eu parei no dia seguinte, e nunca mais fiz isso. Mas Louis meio que viciou naquilo. Prometeu que pararia: E realmente parou.


Mas parece que tinha voltado. E eu tinha medo do que podia acontecer com Louis doidão. Então marchei até ele e arranquei a porcaria do cigarro da mão dele.


- O que tu pensa que está fazendo, Louis Bill Weasley II? - Eu perguntei com firmeza, parecendo vovó Molly falando. Ele me fitou com os olhos levemente vermelhos, e eu não soube dizer se ele tinha chorado ou se ele só estava chapado.


- Me divertindo pra caramba, obrigado. Mas você nos interrompeu, e isso foi mal. - Ele disse, e as meninas riram.


- Você nos prometeu que ia parar. - Eu disse, ignorando as vadiazinhas que estavam ali. Me abaixei pra olhar Louis mais de perto. - Prometeu pra mim e pro seu pai que ia parar com o guelricho.


Eu toquei em um ponto delicado de um jeito meio bruto. É como se eu pegasse uma pedra e jogasse em cima de uma perna quebrada, sabe? Louis me olhou meio embriagado.


- Bem, visto que você me trocou pelo babaca do Greg e meu pai... Ah, é! - Ele levantou-se bruscamente, meio cambaleando, e explodiu na minha frente. - MEU PAI MORREU, NÃO É? - Eu não agüentei e comecei a chorar. Ele me olhava com raiva, mesmo. Segurou meus ombros com toda a força que tinha: E não era pouco não. Me sacudiu. - Por que não pode me deixar em paz, Roxanne? Não vê que você não me ajuda em nada?


- Não vou deixar você fazer isso você mesmo, Louis! - Eu disse, me soltando do aperto dele. - Pelo amor de Deus, guelricho? Eu não vou permitir isso nem em um milhão de anos!


Ele cruzou os braços e riu. Riu alto, mesmo. Gargalhou.


- Vamos ver como você vai me impedir. Vai fazer o que? - Ele disse, sorrindo. - Contar pra minha mãe?


- Eu poderia fazer isso. - Eu disse, meio insegura. Ele jogou a cabeça pra trás e riu.


- Aquela lá está pior do que eu. Ué, minha irmã loirinha gostosa não te contou? Mamãe está doida. Fica mais chapada que eu e você ficamos naquela noite, bebe feito uma condenada. Minha mãe tentou até se matar, sabia? - Ele disse, tirando o que eu reconheci como um cigarrinho de guelricho do bolso interno das vestes e acendendo-o com a varinha.


- Você vai ser expulso. É isso que quer? - Eu perguntei, tentando segurar o choro. Ele sorriu e soltou a fumaça pro lado.


- Todo o meu esforço até hoje feito foi pra deixar minha família feliz. Minha família acabou. Eu vou me esforçar pra que? - Ele perguntou, e eu não pude fazer outra coisa. Dei um tapa com força no rosto dele, fazendo ele cuspir o cigarro no chão.


- Sua família acabou? Você enlouqueceu, Louis? - Eu gritei. - Quer dizer que tudo virou um nada? Vovó Molly, vovô Arthur? Tia Hermione e tio Rony, e o filho que ela está esperando? Tio Harry, pelo amor de Deus, e tia Gina? Meus pais? Meu irmão? Suas irmãs? Nossos primos, todos? - Eu berrava com tanta força que Louis estava realmente surpreso. Não preciso nem dizer que todos em volta observavam atentamente. Eu não liguei, sinceramente. - Você devia se envergonhar, Louis. Você é uma criaturazinha medíocre e patética. Você perdeu seu pai e agora quer dar a todo o resto do mundo motivos pra detestar você, sentir nojo de você? - Bati palmas cheias de sarcasmo. - Parabéns. Você realmente consegue tudo o que quer. Fico imaginando o que tio Bill diria sobre isso.


Virei as costas e sai andando. Mas o ultimo olhar que eu troquei com ele eu sabia qual era. Eu tinha acordado o meu velho e bom Louis que estava morto dentro daquele corpo. Ele finalmente se tocou da realidade, das besteiras que estava fazendo. Ele correu atrás de mim.


- Roxanne... - Ele pediu suplicante. - Olhe pra mim... Roxanne... - Ele tentou me segurar, mas eu me soltei. - Por favor, não faz isso...


- Fique sozinho por um tempo. - Eu disse pra ele. - Pense em tudo o que fez e está fazendo. Quando voltar a ser meu primo, Louis Bill Weasley II... - Eu nem mesmo parei pra olhar pra ele. - Sabe aonde me encontrar.


Corri e me atirei nos braços de Greg. Chorava compulsivamente. Ele me segurou enquanto eu me segurava pra não cair no chão, porque o enjôo e a tontura estavam me matando. Seus amigos tentaram me ajudar, mas eu estava realmente mal. Greg me olhou com os olhos arregalados de preocupação. Eu desviei a cabeça para o chão e vomitei. Ele apertou meus braços e os amigos dele desviaram-se, mas não ficaram cheios de nojinho: Um deles limpou a sujeira do chão com a varinha, e o outro segurou meu cabelo pra trás delicadamente.


Amigos do seu namorado podem ser um amor de vez em quando. Anotem isso.


- Me leva pra Enfermaria. - Eu disse, antes de vomitar de novo e desmaiar.


 


 


 


 


Eu não me surpreendi quando acordei, na Enfermaria, com Greg sentado ao meu lado, me vendo dormir com aquele fascínio de sempre. Sorriu quando eu abri os olhos. Eu achei que tinha sorrido, mas meus músculos estavam meio molengas.


- Oi, meu amor. – Ele disse, passando a mão na minha testa e tirando meu cabelo do rosto. E sorria. – Você está bem? – Eu assenti com a cabeça. Ele segurou minha mão. Parecia estar fazendo um esforço enorme pra alguma coisa. – Madame Pomfrey... Examinou você. – Ele apertou minha mão. – Você não está grávida, Rox. – Ele suspirou e sentou na poltrona ao lado. Praticamente desabou nela.


Eu respirei fundo, mas não veio ar para os meus pulmões.


- Eu não estou grávida? – Eu perguntei, meio abobada. Era bom ou era ruim? Eu não sabia dizer se chorava ou se ria. Mas Greg parecia especialmente desapontado. – O que foi?


- Eu me sinto mal por estar contente. – Ele disse, apoiando a testa na mão. – Se você estivesse grávida, não seria meu. Nossa primeira vez foi a menos de dois meses, não poderia ser meu. Então só restaria...


- Louis ou Kevin. – Eu completei. Me sentei na cama e olhei pra ele. Estávamos sozinhos. Já era noite. – Eu quero um filho seu. E de mais ninguém. Não faria sentido... – De repente, aquela decepção me atingiu em cheio e eu comecei a chorar. A verdade é que, mesmo que não fosse de Greg, eu ia amar essa criança, óbvio. E desde que eu percebi aqueles sintomas típicos de gravidez, eu tinha começado a gostar da idéia: Ainda mais agora que Greg me convidara pra morar com ele. Ele me abraçou.


- Eu vou dar um filho pra você. – Ele disse, sentando-se ao meu lado. – Você e eu vamos ter filhos lindos, lindos. – Ele disse, no meu ouvido, enquanto eu enterrava o rosto no ombro dele e soluçava. – Procure se acalmar, meu amor.


Deitei a cabeça de volta no travesseiro.


- Quando vou poder sair daqui? – Eu perguntei. Ele deu de ombros.


- Madame Pomfrey disse que só estava esperando você acordar. Podemos ir. – Ele respondeu. Eu me sentei de volta e desci da cama.


- Vamos? – Eu perguntei, segurando a mão dele e sorrindo. – Quero ir pro seu quarto.


Ele sorriu e levantou-se, indo até mim e me abraçando de novo.


- Feliz aniversário, meu amor. – Ele disse. Eu sorri.


- Obrigada. – Foi o que eu consegui responder.


- Quer ver seus presentes agora? – Ele perguntou rindo. Eu dei um pulo.


- Simsimsimsimsimsim! – Eu gritei, histérica. Ainda bem que não tinha mais ninguém na Enfermaria. Ele sorriu e pegou a mochila, e de lá, tirou uma caixa de veludo quadrada. Entregou-a pra mim.


- Pode abrir. – Ele disse timidamente. Eu sorri e abri.


Sabe todas as vezes que vocês passam na frente de uma joalheria e vêem na vitrine um colar de diamantes liiiiiiiindo, e que nunca sai da vitrine porque nunca ninguém compra, e você fica pensando ‘Meu Deus, isso deve custar mais do que uma fortuna. Mas um dia vai ser meu’?


Era exatamente esse colar que Greg me deu.


- Acho que vou desmaiar de novo. – Eu disse, admirando o colar nas minhas mãos. Greg sorriu e deu de ombros.


- Eu te seguro de novo. – Eu me joguei nos braços dele e o beijei. – Guarde seus beijos pra depois, Rox. Ainda não acabou. – Eu arregalei os olhos e olhei de Greg para o colar e vice-versa.


- Tem mais? – Eu perguntei, assombrada, e Greg gargalhou.


- Muito mais. – Ele disse, e me beijou de novo.


Algo me dizia que eu ia acabar na cama de Greg.



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