Wow, wow, wow. Era um pouquinho demais pra minha cabeça. Sabinna, grávida?
- Omfg, Sabbie, você tá grávida? – Eu perguntei, um pouco atônita. Ela engoliu em seco.
- Nããããão! Ela deu pra ele muito tempo atrás. Tipo um ano, um ano e meio, no meu aniversário. – Disse Cassidy em um tom de puro sarcasmo. As pessoas passavam a nossa volta e nem imaginavam o que estava rolando. – Só esqueceu de contar que tinha engravidado de uma menina. Porra, SABINNA! Você sabia que eu precisava dessa garota!
Ok, acabou de ficar ainda mais esquisito.
- Mas... Cassidy, eu não quero que minha filha... – Ela olhou pra cima. – Não queria que ela fosse como nós.
- Sabinna, sua idiota, eu preciso dessa criança ou será a Cunningham a tomar o lugar! – Ela disse, e de repente, Sabinna arregalou os olhos. Bia e eu continuamos quietas.
- Cunningham não poderia tomar o lugar. Georgia não deixaria. – Ela disse, mas Cassidy balançou a cabeça.
- Ela encontrou um ponto de ligação forte entre as famílias. Ela pode tomar o lugar. – A conversa não fazia o menor sentido.
- Então é oficial? Você não pode mesmo...? – Sabinna perguntou. Cassidy assentiu com a cabeça e fitou o chão. – Ah, minha amiga, eu sinto tanto! – E as duas se abraçaram.
Cara, só eu tô completamente desnorteada? Uma hora, elas se xingam e se batem, depois se abraçam? Que porra é essa?
- Que nome você deu? – Perguntou Bia, subitamente. As duas outras se desabraçaram (essa palavra existe?) e Sabinna suspirou.
- Penelope. – Ela respondeu, dando um suspiro ainda maior. – Desculpa, Cassie... Eu não fazia idéia...
- Tudo bem, tudo bem. A gente precisa ir atrás dessa garota agora. – Cassidy disse, pegando a mão de Sabinna e correndo, sem dar mais nenhuma explicação. Bia olhou pra mim e deu de ombros.
- Depois elas nos explicam. – Ela falou, sem muita convicção. – Mas e ai, o que vai querer fazer pra amanhã? A gente tava pensando numa festa. – Ela sorriu, e eu franzi o cenho.
- Festa do quê? – Eu perguntei. Ela riu e pôs as mãos na cintura.
- Rox, acha mesmo que nós iríamos esquecer do seu aniversário? – Ela disse, apertando minhas bochechas.
PUTA MERDA! Com todas essas coisas acontecendo, eu esqueci completamente. Amanhã, eu faria meus dezessete anos, ou seja, eu seria oficialmente dona do meu nariz: Poderia beber a vontade, usar a varinha fora de Hogwarts, trabalhar e até fumar aqueles cigarrinhos de Pó de Flu que meu pai costumava fumar na adolescência.
A pergunta mor era: Uma festa? Juntar Greg, Louis, Kevin, Alicia, Bia, Cassie, Sabinna e as Travier sob o mesmo teto, por uma noite na Sala Precisa transformada em salão de festas? Não. Não mesmo. Mas eu queria uma festa... Eu precisava de um plano. Um plano rápido.
- Ahn, eu não pensei em nada em especial... Queria fazer algo com vocês, claro, com o Louis, o Greg... A Alicia e o Kevin, claro... – Eu disse, contando nos dedos. Era engraçado isso. Eu era absolutamente popular, mas na hora de contar meus amigos, eles cabiam todos nos dedos das mãos. Isso me fez parar pra pensar por um instante. Eu realmente não tinha muitos amigos. Eu achava que as Travier eram minhas amigas: E todos sabem o quão errada eu estava. Eu achava que Kevin era um namorado perfeito: E todos sabem o quão errada eu estava. Eu achava que eu amaria Louis pra sempre: E todos sabem o quão errada eu estava. Eu achava que Greg seria o garoto pelo qual eu passaria o resto dos meus dias, na saúde e na doença, fielmente. Bem, eu até poderia estar cera sobre isso, mas eu mesma quis mudar. Lembrar da traição me deu náuseas.
- Nada da Irmandade, então? – Ela perguntou. Eu sacudi a cabeça.
- Estava pensando na Sala Precisa. – Eu falei, mas ela repetiu meu gesto com a cabeça.
- Tenho uma idéia bem melhor. Nós podemos usar o Palacete.
Ahn?
- Ahn? – Eu perguntei. Bia sorriu.
- O Palacete, oras. É um salão que existe no subsolo de Hogwarts, construído por uma outra Irmandade; Só que aquela era toda de garotos. – Ela mordeu o lábio inferior e revirou os olhinhos de excitação. – O nome era ‘Tigres & Presas’. Só os melhores, mais bonitos, mais fortes e mais inteligentes de Hogwarts. Muitas da Irmandade se casaram com os garotos da Tigres & Presas. A diferença é que a nossa prevaleceu secreta até hoje.
- E a deles não? – Eu perguntei, apesar de a resposta ser um pouquinho óbvia. Ela sacudiu a cabeça, assentindo.
- Sim. Aliás, não. – Ela franziu o cenho e eu ri. – Ah, sei lá. Não se manteve secreta. Uma das garotas da Irmandade, que tomou um pé na bunda histórico de um dos Tigres espalhou por ai que ele participava de uma Irmandade. E acabou confessando sem querer sobre a nossa Irmandade.
- O que aconteceu com eles? – Eu perguntei, meio receosa da resposta. Bia deu de ombros.
- Bem, com ele sei que não aconteceu nada. O Tigres & Presas deixou de ser secreto e em dois meses a Irmandade se separou. Houve uma cisão enorme e simplesmente desapareceu. Contudo o Palacete ficou sob nosso comando, mas raramente precisamos usá-lo. Ele fica no subsolo de Hogwarts e é lindo. – Ela desviou o olhar.
- E a garota? O que aconteceu com ela? – Eu perguntei, desconfiada. Ela revirou os olhos e sorriu.
- Olha, por que não deixamos esse assunto desagradável pra lá? O que importa é que nós temos o Palacete e podemos fazer uma festa incrível pra você. O que acha? – Ela perguntou, ansiosa, meio ofegante. Eu percebi o quão desconfortável ela ficou com a história e resolvi não insistir: Mas é claro que eu ia investigar. Sorri de volta pra ela e assenti com a cabeça.
- Seria ótimo. – Eu respondi, e ela bateu palmas.
- Fabuloso! Vou agora mesmo organizar tudo. Vejo você depois, Rox! – Ela disse, e saiu correndo, e eu fiquei ali, cheia de dúvidas me ocorrendo.
Até aqueles braços fortes e quentes que eu conhecia bem me envolverem e algo no meu estômago revirar. Eu não estava pronta para Greg naquele momento.
- Bom-dia, meu amor. – Ele disse no meu ouvido, como se sorrisse, e beijou minha bochecha. Eu sorri, porque não podia evitar, e me virei. Os olhos dele esbanjavam beleza e aquele mistério delicioso. Eu mordi o lábio, sentindo uma vontade forte de vomitar, chorar e gritar. Que pessoa horrível eu era traindo Gregory! Eu enterrei a cabeça no ombro dele e caí no choro. Ele não soube muito bem o que fazer de início, então me abraçou com mais força e acariciou minha nuca com a ponta dos dedos. Eu me senti com nojo; Não dele, dã, é óbvio que não. Mas de mim. Cara, eu era a pior pessoa do mundo. Eu era a pessoa mais nojenta do mundo. Como Daisy conseguiu...?
- Me perdoe, Greg? Me perdoe por ter feito isso com você? – Eu solucei. Ele balançou a cabeça.
- Perdôo. – Ele disse. Eu tirei a cabeça do ombro dele e encarei-o por um segundo. Ele assentiu com a cabeça. – Eu sei, Rox. Eu sei.
- Você... Sabia? – Eu perguntei, assustada. Ele sabia de eu e Louis? Como ele poderia saber?
- Sim. Louis me contou. – Ele falou. Eu recuei um passo. Ele sabia. Louis me traiu de novo. Ele contou a Greg. Gregory sabia. Ele ia terminar comigo. Eu estava acabada. Mas Greg estava com um ar tranqüilo demais pra quem vai terminar com a namorada.
- E vai me perdoar? – Eu perguntei, e ele assentiu novamente.
- Sim. Acho que estamos quites. – Ele disse, chegando perto de mim e segurando minha mão. Eu engoli em seco. Ah, não. Greg me traiu? Aquele sonho fora algo profético? Diga que não. Minha cabeça girava. Era um sonho. Diga que era um sonho.
- Você também...? – Eu perguntei, sentindo algumas lágrimas fazerem cócegas no meu rosto. Eu quase sorri. Imaginar Greg me traindo, mentindo, enganando qualquer tipo de ser vivo no mundo era como pensar... Em Lucy sendo uma pessoa legal verdadeiramente. Ele sorriu e olhou para baixo, e daí me deu aquele olhar meio zombador, meio envergonhado, mas totalmente charmoso que eu adorava, e segurou minhas mãos. - Você mentiu pra mim, Gregory? - Ele deu de ombros e olhou pra cima.
- Bem, lembra-se daquela trufa de pêssegos que sumiu misteriosamente da sua mochila semana passada? - Ele disse. Eu franzi o cenho. - Desculpe. Fui eu. Não pude resistir. Prometo que te compro outra ainda hoje. - Eu senti mais uma lágrima escorregar pelo meu nariz. Eu não pude conter um riso. Eu não sabia se estava rindo por causa da indiferença de Greg por causa da situação, ou se estava rindo de nervosismo, ou por causa de ambos. Só sabia que estava rindo. - Sério, Rox. Eu sei porque fez aquilo. - Ele disse, ainda sorrindo. - Sei que é complicado para você administrar tantos sentimentos. Por isso, eu perdoarei você. E, mesmo que eu tenha descoberto... Por Louis... - Ele deu uma reviradinha de olhos aqui, e eu sorri com os olhos. - Você teve a coragem de vir até mim e me “confessar”... E me pedir perdão. - Ele me deu um beijo na testa com toda a ternura do mundo. - Por isso, vou perdoar você. E tentar ser compreensivo com esse turbilhão de sentimentos que é Roxanne Kimberly Johnson Weasley.
Você é uma pessoa horrível. Você não merece Greg. Ele é uma pessoa maravilhosa. Ele merece alguém melhor do que você, foi o que eu disse a mim mesma. Mas algo do meu subconsciente lutou contra aquele pensamento. Mas ele ama você. E você o ama também. Então, que escolha vocês têm?
É verdade. Que escolha eu tinha, senão ficar com ele?
- Você é o melhor presente de aniversário que existe, sabia disso? - Eu perguntei a ele, quando nossos olhos se encontraram de novo. Ele deu de ombros.
- Não diria o melhor que existe, mas eu não sou pouco não. - Ele falou, e nós dois rimos. - Afinal de contas, o que você vai querer fazer?
Me lembrei de Bia e na festa e decidi que aquilo não era uma boa idéia. Não era mesmo. Eu tinha planos melhores.
- Beatrice e as garotas queriam uma festa... Mas eu prefiro algo mais fechado. Que tal... - Eu parei pra pensar por um instante. - Um piquenique de reconciliação, à meia-noite, nos jardins? - Ele sorriu e balançou negativamente a cabeça.
- Desculpe, amor. Mas eu prometi às suas amigas que não deixaria você desistir da idéia da festa por nada nesse mundo. - Ele deu uma risada. - Elas me torturaram, sabe. Tenho cicatrizes nas minhas costas pra provar.
- Acho que está confundindo, Greg. As cicatrizes que você tem nas costas foram feitas por mim. - Eu disse, mordendo o lábio e fazendo uma cara de menininha levada. Ele sorriu.
- O que quer fazer agora, então? - Ele perguntou. Eu levei o dedo aos lábios e parei pra pensar. Segurei a mão dele com firmeza.
- Vem comigo. Tenho algo pra terminar. - Eu disse, correndo na direção oposta a dele. Ele correu para me seguir, mas não soltou minha mão. Ele estava com o cenho franzido e eu ainda acreditava que estava em um sonho. Era humanamente impossível alguém ser tão perfeito quanto ele.
As leitoras mais atenciosas devem ter constatado que eu fui atrás de Louis, certo? Bem, caso não tenha percebido, eu fui atrás de Louis sim. Precisava dar um tapa certeiro na cara dele e dizer que o homem da minha vida era Gregory Alexander Hastings III, e que só ele me fazia gritar na cama e que eu o amava demais. Eu vi Fred se pegando com Molly em um canto e não me senti nem um pouco acanhada de interrompê-los. Cutuquei o ombro dele com força, segurando a mão de Greg com a outra mão. Ele pigarreou quando me viu, e minha prima, linda, riu.
- Roxanne... Quer me explicar o que raios pensa que está faz... - Ele viu minha expressão de “banque-o-irmão-mais-velho-metido-a-máquina-sexual-outra-hora-Fred” e ficou quieto.
- Louis. Onde está aquele filho da mãe? - Eu perguntei, apertando um pouco a mão de Greg. Fred apontou pro lado.
- Salão Principal. - Eu assenti com a cabeça e andei na direção do salão a tempo de ouvir ele reclamar pra Molly. - Não acredito que ela nos interrompeu pra perguntar isso...
Eu sorri. Bem-feito pra ele. Ninguém mandou ser tão chato.
Eu dei um chute na porta do Salão e ela se abriu com estrondo. O que vi foi mais estrondoso ainda.
Sentado na mesa (veja bem, na MESA, não no BANCO da mesa) da Slytherin, estava Louis. Em volta dele, sentadas na mesa e no banco, estavam três garotas absolutamente maravilhosas dando o maior mole pra ele. Sentada em uma de suas coxas, Sophie Travier. Ele segurava sua cintura com uma mão e acariciava o rosto de outra garota com a outra mão.
Só um momento. Desde quando Louis é o cafetão de Hogwarts?
Eu andei até ele, sentindo minha confiança indo embora, e parei na frente dele. Ele me olhou de um jeito meio sedutor, mas que não me mexeu nem um pouco.
- Posso ajudá-la? - Ele perguntou com a voz rouca. Cara, desde quando Louis era o cafetão de Hogwarts com essa voz tão... Ah, vocês sabem. Estilo do Chuck Bass, haha. - Gostaria de se juntar a festa?
- É, junte-se a festa, irmãzinha. - Disse uma das garotas em volta de Louis, que era muito peituda. Com certeza ela não estava ali por ter um cérebro privilegiado. Reconheci seu batom. Aliás, olhando melhor, eu reconheci o batom de todas aquelas garotas. Claro que reconheci, era igual ao meu.
- Me sinto lisonjeada pelo convite, mas eu vou recusar. Vim aqui pra dizer que você é um porco nojento e mentiroso, Louis, desmerecedor de qualquer tipo de afeto de minha parte, inescrupuloso e repulsivo. Que lembrar que você já me tocou me dá nojo. Que você é... - O amor da sua vida? - Patético. E nunca vai amar ninguém que não seja você mesmo. Ou, é claro, seu pênis medíocre. - Eu disse, e Sophis riu muito baixinho. Um instante longo de silêncio.
- Era só isso? - Ele perguntou. Eu ia virar as costas quando senti a mão de Greg soltar da minha.
- Só mais uma coisa. - Gregory disse. A voz dele era muito mais sexy do que a de qualquer outro rapaz do mundo. Ele virou o pescoço e estralou-o por um segundo. Olhou pra mim e piscou, e sem nem terminar de voltar o pescoço para Louis, ele desferiu uma porrada certeira no nariz dele. Louis caiu pra trás, e como eu percebi após um ligeiro diagnóstico feito por mim, ele estava desacordado. As garotas começaram a tentar acordá-lo. Eu tapei a boca pra não rir alto. Greg massageou a mão e sorriu pra mim. Segurou minha mão.
- É melhor corrermos. Não vai querer estar aqui quando McGonagall chegar e ver a bagunça que fizemos. - Então ele me jogou por cima do ombro dele como se eu fosse feita de plumas e eu ri alto, então ele correu comigo, me segurando com todo cuidado.
Greg nocauteou Louis. Por minha causa.
