Eu estava na minha casa, fora de Hogwarts. Estava com um vestido vermelho que ia até meus pés, e minhas costas estavam totalmente nuas. Eu não sabia porque estava ali, nem como tinha ido chegar ali. Mas estava ali.
- Roxanne. – Disse Greg. Ele estava sentado no sofá, todo de terno e gravata, com uma taça de vinho nas mãos. Muito gato. – O que faz aqui? – A voz dele estava rouca e sexy.
- Roxanne! – Eu ouvi Alicia exclamar. Ela estava na escada, só de sutiã e um shortinho muito pequeno. Ela me olhou meio assustada. – Não sabia... Ah, meu Deus, Greg? – Ele acenou a cabeça pra ela e sorriu.
- Não se preocupe, meu amor. Está tudo bem. – Ele disse. Ela sorriu e correu até ele. Subiu no colo dele e beijou-o de forma quase obscena. Eu senti vontade de vomitar.
- GREGORY! – Eu berrei, tentando ir até ele, mas algo me segurou. Alguém me segurou. Alicia e Greg me olharam, e Greg sorriu.
- Se você pode me trair, eu também posso traí-la, querida esposa. – Ele disse, soltando uma gargalhada, e Alicia também riu. Eles se beijaram de novo. Eu comecei a chorar.
- Não chore. – Uma voz sussurrou atrás de mim. Louis. – Vem comigo. – Ele me levou pelo braço enquanto eu via Greg arrancar a roupa de Alicia com os dentes e beijar os seios dela. Ele me conduziu pelas escadas enquanto eu via Greg, já despido, penetrar Alicia com intensidade. Ele estava fechando a porta quando eu vi os dois gritarem de prazer.
Dentro do meu quarto, estava tudo igual ao que eu deixara. Louis estava com a roupa de Hogwarts. Eu franzi o cenho, limpando o rosto. Os gemidos que eu estava ouvindo cessaram totalmente: Estava tudo silencioso.
- Você está bem? – Ele perguntou. Eu percebi que não conseguiria me controlar.
- Venha cá e me faça esquecer aquele biltre. – Eu disse. Ele não pensou duas vezes: Foi até mim e desceu as alças do meu vestido, que foi totalmente para o chão. Por baixo, eu não usava nada. Ele apagou a luz com um estalar de dedos (algo que meu pai instalou na casa inteira por causa de Fred) e me prensou na parede exatamente como antes. Eu estourei os botões da blusa dele, ouvi o tecido se esgaçar, abri o cinto dele com quase desespero, e deixei que ele tirasse as calças com a cueca junto. Eu me apoiei nos ombros dele e envolvi a cintura dele com as pernas de novo, como fizera antes. Ele me penetrou com desespero.
Meu Merlin. Se isso foi um sonho, um sonho pervertido, peço que me acorde. Porque eu não vou conseguir me controlar em vida se transar com Louis na minha mente.
Foi estranho, mas Merlin atendeu meu pedido e me acordou. Eu estava deitada em Gregory, suada e excitada. Ele estava com a camisa aberta e eu deitava em seu peito. Ele sorria pra mim.
- O que houve? – Eu perguntei. Nem me dei ao trabalho de levantar a cabeça.
- Você voltou pra cá e quis ficar um pouco comigo, mas praticamente desmaiou de tanto sono. E agora... – As faces dele ficaram vermelhas. – Você estava gemendo como louca e gritando meu nome.
Não que as duas coisas tivessem qualquer ligação, não é?, eu pensei, mas preferi sorrir.
- Culpa sua de ser tão delicioso. - Eu disse, imaginando que ia me sentir mal por todas aquelas mentiras. Sabe aquela palpitação estranha que você sente quando está contando uma mentira? Aquela adrenalina, aquela expectativa em querer saber se a pessoa vai cair ou não? Não ocorreu, pois eu sabia que Gregory acreditaria em qualquer coisa que eu dissesse. Isso certamente deixava a mentira mais fácil; Mas me fazia sentir estranha. - Que horas são?
- São... Ah, quase quatro horas. - Ele disse, meio entediado. - Tenho uns deveres de Transfiguração a fazer, certo?
Eu me sentei na cama, o cabelo jogado pro lado esquerdo da cabeça.
- Como assim? - Eu perguntei, meio intrigada. Ele deu de ombros.
- Sabe, Transfiguração. A matéria que a diretora da nossa Casa, e de Ho... - Ele disse, meio que debochando. Eu sacudi a cabeça.
- Não, não, você entendeu. - Eu disse. - Realmente não vamos conversar sobre o que aconteceu? - Ele deu de ombros de novo.
- Não há o que conversar. Alison é minha irmã Danielle que foi seqüestrada, e acima de tudo, é uma assassina. Não significa absolutamente pra mim. Nada mudou. Só sei que é ela. - Ele disse. Quanta insensibilidade. - Não quero, não preciso e não vou falar de Alison Travier mais do que o estritamente necessário, Rox. Ela me dá... Repulsa. - Ele disse, olhando para a janela.
- Pensei que um assunto de tamanha importância significasse algo pra você. - Eu disse. Ele sorriu, sem olhar pra mim, e franziu o cenho. Na luz do sol, seus olhos transmitiam ainda mais mistério do que antes.
- Prefiro conversar sobre você. - Ele disse. Eu suspirei, olhando para os lençóis.
- Quer alguma ajuda com os exercícios de Transfiguração? - Eu perguntei, visivelmente desapontada. Eu realmente queria discutir aquela situação com Greg, pois sabia que cedo ou tarde toda aquela avalanche ia cair sobre ele, e eu queria estar preparada quando acontecesse.
Certo, eu admito. Também era um jeito de tirar minha cabeça de Louis. Mas Greg não sabia e não precisava saber disso.
- Não, obrigado. Por que não vai falar com... Cassidy e Sabinna e Beatrice? Elas estavam procurando você agora há pouco. - Ele disse, apontando pra baixo.
Peraí. Greg estava me dispensando?
- Me dispensando, Greg? - Eu perguntei rindo. Ele olhou pra mim com o cenho franzido.
- Se você quiser ficar e me ver estudar, eu adoraria. Mas eu acho que seria mais divertido pra você ficar com suas amigas, não é? - Ele sorriu e meu braço se arrepiou.
- Tem razão. - Eu disse, me levantando da cama. - Talvez elas queiram minha companhia, não é? - Eu peguei meu casaco no chão. Greg fez um movimento com o braço. - Gregory, olha, sinceramente? Não entendo porque você ainda se dá ao trabalho. Por que não fala logo que não tá afim de ficar comigo? Que prefere ficar sozinho? Porque, de boa, não gosto de um namorado que prefere a solidão. - Eu olhei pra ele. Ele baixou os olhos para o lençol e suspirou. Eu sentei novamente ao lado dele, jogando minhas coisas no chão. - Eu sei que estamos passando por momentos difíceis, meu amor. Mas... Preciso que você tenha plena certeza que pode contar comigo, sabe? Preciso que saiba que estarei aqui. - Eu pus a mão na bochecha dele e ele me olhou. Seus olhos estavam vermelhos.
- Desculpe, Rox... - Ele disse, com a voz tremendo, e eu sabia que ele ia chorar. Abracei-o com toda a força.
Ver um amigo chorar é ruim. Ver o namorado chorar é horrível. Agora, ver seu melhor amigo, que é seu namorado, seu marido, e é tão amável quanto Greg chorando, é algo de quebrar o coração de qualquer um.
- Eu não sei o que fazer agora... - Ele sussurrou no meu ouvido, entre soluços. Eu fiz carinho nos cabelos dele enquanto sentia lágrimas brotando nos meus olhos.
- Não se preocupe com isso agora. Não se preocupe. Fique aqui comigo. - Eu disse. Ele apertou meus braços com tanta força que doeu um pouco, mas não me importei.
O que importava era ele, naquele momento.
- Deite aqui, meu amor. - Eu disse. Soquei o travesseiro pra ele ficar fofo e deitei Gregory ali. Ele estava chorando de verdade. Levantei e tranquei a porta, fechei todas as cortinas e apaguei todas as luzes. Deitei do lado dele, com o rosto perto do dele. Ele tateou a cama e achou minha mão: Segurou-a contra o peito com força. Eu senti seu coração acelerado.
- O que eu faço agora? - Ele perguntou. Eu respirei fundo.
- Tente dormir. - Eu disse. Ele deitou a cabeça e me olhou bem de perto.
- Não quero dormir. - Ele disse, me dando um sorriso triste, porém sincero. - Você pode desaparecer se eu dormir. - Eu sorri.
- Não vou. - Eu disse, fechando os olhos. - Pense em um lugar feliz e sem preocupação. - Um instante de silêncio total. - Aonde está pensando?
- Um lugar feliz e sem preocupação? - Ele perguntou. Eu resmunguei um ‘Aham’. - Aonde você estiver.
Dormimos.
Quando acordei, era madrugada. Greg estava no vigésimo oitavo sono. Eu tinha que ir pro meu dormitório. Peguei um pedaço de papel e escrevi rapidinho:
“Não desapareci, certo? Fui pro meu dormitório. Prometo que volto de manhã. Alguma dúvida de que eu te amo?
Sua Roxanne.”
Peguei minhas coisas e fui. Mal sai do dormitório dele e dei LITERALMENTE de cara com alguém. Dãã, quem poderia ser?
- Oi, prima. - Disse Louis, me segurando pela cintura pra eu não cair. Eu sorri, meio sem graça.
- Oi, primo. - Eu falei baixinho. - O que tá fazendo acordado a essa hora?
- Pergunto o mesmo pra ti. - Ele disse, sem soltar minha cintura. Tinha um sorrisinho no rosto que me agradava e irritava ao mesmo tempo.
- Eu estava... Indo pro meu quarto. - Eu disse. Ele sorriu.
- Bem... O Trevor Frederic tá fazendo meio que uma reunião no dormitório dele. Coisa idiota de guris, não me agrada. Ficam falando dos próprios genitais e posições sexuais meio estranhas. - Eu não segurei uma risada. - Enfim, tô com o quarto só pra mim por essa noite. Quer dormir lá?
Eu mordi o lábio inferior, totalmente insegura. Medo? Não. Só insegurança mesmo.
- Louis... Não acho que seja uma boa idéia... - Eu disse. Ele levantou a mão esquerda e fechou os olhos.
- Prometo fazer o melhor de mim pra tentar me comportar, prima. - Ele disse. Como eu ia recusar?
- Tá, tá. Mas vamos logo. - Eu sussurrei, e ele pegou minhas coisas. Seguimos pro dormitório dele tentando fazer silêncio.
Eu sabia o que ia fazer. E sabia que mentiria depois. A adrenalina não me atingiu, de novo.
- Anda logo, Louis. Fecha essa porra de porta. - Eu disse, enquanto via Louis rindo. Ele trancou a porta bem trancada mesmo: Deu umas sete voltas na porta. Depois sorriu pra mim, que estava sentada na cama. - Olha, sobre o que houve hoje de tarde... Foi uma fraqueza minha, certo? Não vai acontecer de novo. - Eu disse, sem muita convicção.
- Mentir é errado, Rox. Especialmente mentir pra si mesma. - Ele disse. Sentou-se ao meu lado na cama. - Você sabe que vai acontecer de novo, e você vai mentir de novo pro Gregory. E vai continuar mentindo, e ele vai continuar acreditando. E você vai se sentir tão horrível que vai querer se punir, vivendo no que você sabe que é uma mentira. Vai continuar com Greg. Mas você sabe o que quer, e vai continuar vindo a mim todas as vezes que se desprender dele. E eu vou continuar aceitando você, todas as vezes. - Ele dedilhou minha coxa e subiu pela minha barriga, desabotoando meu casaco e exibindo minha blusa branca.
- Para, Louis. - Eu falei, tentando parecer firme. - Eu não vou trair o Gregory. Não faça isso... - Ele pegou a varinha e acenou-a pro teto. As luzes se apagaram. - Vão nos ouvir... Vão nos pegar...
- Ninguém vai nos ouvir. Por mais que você faça barulho. - Ele mordeu meu pescoço com muita leveza. Eu tentei recuar, então ele segurou meus pulsos de novo. Deitei de costas na cama e ele deitou por cima de mim.
Minha roupa foi tirada tão rápido que eu nem me lembrei que estava usando alguma quando cheguei lá.
Claro que eu pedia pra Louis parar, mas a mentira no meu pedido era tão ÓBVIA que Louis só sorria. Beijou e lambeu e mordeu meu corpo como se eu fosse de chocolate. A pele dele parecia de veludo, quente e macia, suave. Segurava os cabelos dele com desespero, tentando fazê-lo parar: Mas na realidade, eu só queria que ele continuasse.
Quando ele estava por cima de mim, eu não sentia seu peso em momento nenhum; Mas quando ele me segurou e me deixou ajoelhada por cima dele, eu fiz questão de pesar em cima dele, de forçar o corpo pra baixo. Arranhei o corpo dele e até devo tê-lo machucado. Estava com raiva de estar me entregando. Ele pareceu não estar dando importância aos arranhões e mordidas.
Depois ele me segurou e me levantou. Me apertou contra a parede e eu tinha certeza de que iam ouvir os meus gritos. Ninguém veio. Ninguém ouviu. Ninguém sequer bateu na porta.
Eu sei que deixei algumas cicatrizes no corpo dele naquela noite. Bem feito. Ninguém mandou fazer aquilo comigo.
- Vou mentir pra ele. - Eu disse, quando finalmente terminamos. Eu arfava. Ele ainda gemia. - Pra ele e pra qualquer um que pergunte sobre nós.
- “Nós”? - Ele perguntou.
- Nós. - Eu disse, me apoiando em cima dele. - Acha que vou parar agora por quê? Você já me fez mentir e virar uma pessoa horrível. Me deixe aproveitar.
Transamos de novo, aí eu dormi.
