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33. ótima escolha?


Fic: Not So Little Anymore - acabou, é.


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PERAI, COMO ASSIM?


- Tá maluco, Greg? – Eu perguntei, me separando dele e olhando-o nos olhos. Ele sacudiu a cabeça.


- Não, não, eu SEI que é ela. Sua mãe... – Ele apontou pra Sophis. – Ah, sua mãe, aquela puta, ela ROUBOU minha irmã, ela ROUBOU nossa Danielle! – Eu arregalei os olhos. Sophis arregalou os olhos.


Cara, será que nunca vamos ter um dia normal nessa história, não? Assim, um dia pacífico, sem escândalos?


- Greg... Tenta se acalmar? – Eu implorei, e ele olhou pra mim, os olhos cheios de tristeza.


- Rox... Ela é minha irmã... Minha pequenininha, minha irmãzinha! – Ele virou-se para Sophis. – Posso apostar um dedo meu que ela tem uma marca na nuca, em forma de X, não tem?


- Tem. – Eu falei. – Eu mesma vi. – Eu respirei fundo.


Ele olhou para o teto. Respirou fundo. Suas mãos tremiam fortemente. Ele respirou fundo algumas vezes. Quando eu tentei pegar sua mão, ele afastou-se como se eu fosse algo elétrico. Eu me assustei com isso. Virou as costas e seguiu para a saída do Salão. Eu o segui.


- Greg, por favor, olhe pra mim... – Ele abriu as portas e foi saindo. Eu corri para segui-lo. – Greg, por favor?


Ele virou-se pra mim e seu rosto estava molhado de lágrimas.


- Me deixa em PAZ, Roxanne? – Ele gritou. Eu recuei. Não ia desistir assim.


- Não. – Eu falei com firmeza. – Não vou te deixar sozinho enquanto você está nesse estado.


- Por quê? – Ele perguntou. Eu ri e me aproximei. Acariciei seu rosto.


- Por quê? Porque você é meu marido e eu te amo acima de tudo. – Ele pareceu relaxar um pouco. – Porque você me ajuda quando eu estou mal, então eu vou ajudar você agora. Cale a boca agora. – Eu disse. Limpei o rosto dele. Ele deu uma risadinha.


- Só você... – Ele me agarrou de novo e me apertou contra o corpo dele. – Promete que não vai me deixar?


- Eu juro. – Eu falei. O coração dele batia superacelerado contra o meu peito. Ele me apertou com força. – Vai querer ir atrás dela? – Eu perguntei. Ele sacudiu a cabeça.


- Agora não. Na verdade, eu queria ficar sozinho um pouquinho, Rox. – Ele disse, de um jeitinho meigo. Eu assenti. – De verdade. Mas depois eu te chamo e a gente pode ficar no meu quarto um pouquinho.


- Tudo bem, meu amor. Eu entendo. Mas qualquer coisa, mande alguém me chamar, tá? – Ele assentiu e me deu um beijo.


- Eu te amo.


- Eu te amo.


 


 


 


 


Nos momentos em que você quer ficar sozinha, sempre aparece a última pessoa que você queria ver. Eu estava na borda do Lago, que estava MUITO gelado, jogando pedras e vendo as ondinhas que se formavam (?). Não tinha ninguém num raio de um quilômetro além de mim. Pelo menos era o que eu achava.


- Oi, prima. – Disse Louis, sentando-se do meu lado. Ele estava usando um cachecol azul que EU fiz pra ele quando a gente tinha sete anos. Eu fingi que não vi ele ali. – Tudo numa merda também? – Ele perguntou. Eu ri, olhando pro chão.


- E por acaso tá tudo uma merda pra você? – Eu perguntei. Ele deu de ombros.


- Sophis disse que nunca mais quer ver minha cara e me deu um soco. – Ele disse, apontando pra bochecha. Eu ri alto.


- Por quê? – Eu perguntei. Incrível, né? Em um momento, eu odeio ele: No segundo seguinte, ele volta a ser meu primo Louis, meu Lou, meu amor. Ele deu de ombros.


- Nada de mais. Ela tentou me beijar e eu me esquivei, dizendo que não beijaria ela nem em um milhão de anos. Ai ela perguntou por que não, e eu disse que era porque eu amava você, e não ela. – Ele deu de ombros. – Desde quando isso é motivo pra bater em mim? – Eu cai na gargalhada.


- Você é mesmo um idiota. – Eu falei. – Bem, pra mim tudo uma merda porque descobrimos hoje que a Alison, além de ter matado a irmã da Alicia, é irmã de sangue do Gregory. – Ele abriu a boca de espanto. Eu assenti. – É, eu sei. Foda de processar. Mas parece que é verdade mesmo.


- Caraca. – Ele falou, olhando pro nada. Assentimos e ficamos assim, em silêncio, por uns minutos. – Olha, Rox, foi mal mesmo. Eu tenho estado um filho da puta com você. Aliás, com todo mundo. Me perdoa? – Ele disse, fazendo biquinho. Eu sorri. Como não perdoa-lo?


- Perdôo, meu amor. – Eu disse, segurando a mão dele. Ele sorriu.


- Tem sido difícil. – Ele disse. – Sinto falta dele.


- Eu também. Sinto muito. – Eu disse, sentindo um nó na garganta. Fazia tempo que não falávamos de tio Bill. – Como está a tia Fleur?


- Bem melhor. Parou de usar preto semana retrasada. – Ele falou.


- Isso é um grande passo.


- Com certeza é.


Ficamos em silêncio, de mãos dadas, lembrando do tio Bill.


- Não chore. – Ele me pediu.


- Vou tentar. – Eu disse, dando uma fungada.


- Eu te amo, prima. – Ele disse. Eu encostei a cabeça do ombro dele.


- Eu te amo, primo. – Eu respondi. Ele tirou minha cabeça do ombro dele delicadamente e deitou-se no meu colo, me olhando. Sorriu pra mim. Eu comecei a acariciar os cabelos loiros dele.


- Como o Greg está? – Ele perguntou.


Quem é Greg?, eu pensei.


- Ele tá bem, eu espero. Pediu pra ficar sozinho um pouco. – Eu dei de ombros. – Deve ser uma merda ser irmão da Alison.


- Por que você estava sozinha aqui? – Ele perguntou.


- Estava pensando em você. – Eu respondi, sinceramente. – E nos meus sentimentos por você e pelo Greg.


- Que sentimentos? – Ele perguntou.


- Ah, você sabe. Essa confusão de não saber se quero ficar com você ou com ele. – Eu disse. Ele levantou a cabeça do meu colo e sentou-se do meu lado de novo.


- Não faça nada que não queira.


Sabe, tem certas horas na vida em que você simplesmente não liga. Não liga pra valores, moral, reputação, segredos, mentiras ou o diabo. Não liga pra porra nenhuma. Eu tive um desses momentos naquela hora. Abracei Louis com toda a força dos meus braços.


- Eu te amo, eu te quero, eu preciso de você, Louis, fica comigo... – Eu sussurrei com desespero no ouvido dele, sem ouvir o que saia da minha boca. – Eu te amo... Por favor... Fique aqui comigo...


Ele me apertou com força contra o corpo dele. Era quente e macio, como sempre foi. Eu enterrei o rosto no ombro dele, tomada por uma vontade estranha de chorar, e chorar, e chorar.


- Quer casar comigo? – Ele me pediu no meu ouvido. Eu sacudi a cabeça.


- Quando você quiser, meu amor. – Segurei o rosto dele e toquei nossas testas. – Eu amo você. Só você. Sempre amei, sempre vou amar. Quero ter filhos com você. Quero... Quero fugir com você. Agora! – Eu levantei, segurando a mão dele. – Quer fugir comigo desse lugar? Como meu pai e nosso tio fizeram! – Eu peguei um monte de folhas secas do chão. Louis sabia daonde eu estava tirando todo aquele diálogo. Ele levantou-se, rindo. Eu joguei as folhas pro alto e estiquei os braços acima da minha cabeça. – Vamos fugir, primo? Vamos para os alpes suíços, começar uma vida nova! Vamos comer mel direto da colméia? Vamos lutar na neve e escrever nossos nomes em rodapés de madeira de todas as igrejas? Vamos! – Ele riu alto. Eu ri com ele.


Eu e ele tivemos exatamente aquela mesma conversa, dez anos antes, quando bebemos acidentalmente vinho do padre John achando que era suco.


- Vamos, Rox! – Ele disse, pegando minha mão e me pegando no colo. Me jogou sobre o ombro dele como se eu fosse um saco de Papai Noel e eu ri, segurando a barra da sua blusa. – Mas temos que ir a Espanha antes, comprar um vestido para você.


- Sim! – Eu gritei nas costas dele. – Um vestido espanhol, como o que minha mãe usou no casamento! – Ele me segurou pela cintura e me pôs no chão de novo. Ninguém em um raio de um quilômetro, mais ou menos. Nós dois sozinhos, a beira de um lago, fazendo planos de criança. Nos encostamos na árvore enorme que mais parecia um muro de tão grossa. Mesmo que alguém pudesse nos ver ali, a árvore nos escondia. Ele me segurou pelo corpo, com as mãos perto dos meus seios. Quando tivemos aquela conversa, dez anos antes, eu não tinha nada nem parecido com peitos. Dez anos depois, aquilo parecia bem mais suspeito do que realmente era. Eu segurei-o pelos cabelos.


Dois primos de dezesseis anos que se conhecem desde que nasceram, com os rostos a poucos centímetros um do outro. Trocando o ar frio que saia de seus narizes. Acho que nós todos sabemos como isso ia terminar.


- Por favor, não me beije. – Eu pedi. Ele sorriu.


- Você não quer que eu te beije? – Ele perguntou. Eu sacudi a cabeça.


- Quero. Mas é errado. – Eu disse. Ele acariciou minhas costas e passou os polegares pelos meus seios. Meu corpo inteiro se arrepiou.


Essa parte da conversa era totalmente nova pra nós dois.


Eu fitei o chão e ele me apertou contra o corpo dele.


- Eu não vou deixar você fazer isso consigo mesma. – Ele disse, sério. – Não vou deixar você se privar de algo que deseja por causa de um cara como o Gregory. Não vou, Roxanne. – Eu sacudi a cabeça de novo.


- Não vou trair o Gregory. Me recuso a ser igual a Daisy. – Eu disse, ainda fitando o chão.


- Então termine com ele. Diga que tudo foi um erro. Diga que me ama... – Ele disse, segurando meu queixo com firmeza, inclinando-o para o lado, e beijou meu pescoço com tanta suavidade que meu corpo inteiro se arrepiou de novo. – E que é a mim que você quer... É a verdade, certo?


- E... E se eu não conseguir falar a verdade? – Eu disse, cerrando os pulsos ao lado do corpo, me controlando para não gemer. Porra, por que Louis tinha que ser... Daquele jeito? – E se eu for uma pessoa tão... Tão repulsiva... Que prefira viver numa mentira? – Ele me olhou bem de perto, nos olhos.


- Então eu vou obrigar você a viver numa verdade. – Ele disse, descendo as duas mãos para minha cintura. Pegou minhas coxas pela parte de trás e ergueu meu corpo, passando minhas pernas em volta do corpo dele. Eu me segurei nos ombros dele e não pude fazer nada. Ele me conduziu até aquele muro de árvore e me prensou contra ela. Eu não pude conter um gemido enquanto ele tirava meu sobretudo.


- Alguém vai... Vão nos pegar aqui, Louis. – Eu disse. Ele beijava meu pescoço enquanto abria os botões da minha blusa. – Não faça isso, Louis, por fa... Vor? – Eu arfei a última sílaba com dificuldade.


- Ninguém vai nos pegar aqui, Roxanne. Eu juro. – Ele disse. Eu forcei o corpo pra frente, numa inconsciente tentativa de fundir nossos corpos. Eu senti o volume na calça dele e senti o que o destino me reservava.


- Louis... Por favor, não me obrigue... – Eu pedi, apertando os cabelos dele. Ele forçou o corpo contra o meu de novo, com a camisa branca já aberta: Estávamos os dois com as blusas abertas ainda nos nossos corpos, e eu senti o tórax quente e musculoso dele contra meu peito. Mordi as costas da mão pra não gritar. Eu já tinha fechado os olhos há muito tempo. – Eu não posso, Louis. Por favor... Pare.


Ele parou. Parou com o rosto a milímetros dos meus, aqueles olhos azuis lindos me fitando com desejo impregnado. Me deu um beijo forte: A língua dele explorou cada mínimo canto da minha boca. Eu não pude recusar aquele beijo, obviamente, mas tentei afasta-lo de mim, admito. Ele segurou meus pulsos e prendeu-os no tronco da árvore. Minha excitação era quase incontível, e eu tinha que me controlar profundamente pra não gritar. Não por ajuda. Mas por Louis.


Quando soltou minha boca, soltou meu corpo na frente do dele. Eu não me dei ao trabalho de tentar cobrir meu peito. Ele já tinha me visto nua mais de uma vez. Mas não sob aquelas circunstâncias. Ele deu uma bela olhada em mim, ainda sério.


- Termine com ele, Roxanne. Ou na próxima vez, não vou atender seu falso pedido de que eu pare. Você sabe que quer isso, talvez mais do que eu. – Ele fechou os botões da blusa e pegou o sobretudo e a mochila, e jogou cada um por cima de um ombro. – É um aviso. – Ele me deu um último selinho rápido e saiu andando. Eu fiquei ali, com a cabeça encostada na árvore por mais alguns minutos, arfante.


Ok, eu trai Greg. Temos que convir que não foi totalmente culpa minha, mas eu poderia ter chutado Louis. Eu tinha gostado daquilo. Mas não, eu não ia contar pra Greg. Algo na minha personalidade repulsiva não ia me deixar contar.


Alguns minutos passados, comecei a voltar ao normal. Meu coração deu uma desacelerada, minha respiração recomeçou a se reestabilizar, e o comichão da minha barriga começou a desaparecer. Eu passei a mão pelo rosto, secando o suor que brotava ali. Olhei pra baixo e vi meu sutiã estilo onça cor-de-rosa, que dava aos meus seios uma impressão de serem três vezes maiores. Até consegui rir.


- Boa escolha de sutiã, Roxanne. Ótima escolha. – Eu falei pra ninguém, ou melhor, pra mim mesma, antes de começar a recolher minhas roupas.



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