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32. um x.


Fic: Not So Little Anymore - acabou, é.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Você... Não... Tem... Amor... Pela... Vida... TRAVIER! – Eu disse enquanto eu e Alison, deitadas no chão, nos estapeávamos. Meio óbvio que começou a juntar gente a nossa volta, mas quem disse que nos importamos? Alison tentava segurar meus pulsos, enquanto eu tentava estapear a cara nojenta daquela piranha idiota, mas nenhuma de nós conseguíamos fazer nada e só parecíamos duas gazelas lutando.


- VOCÊ... TÁ... DOIDA... ROXANNE?! – Ela gritou, bem quando eu (finalmente!) consegui acertá-la um tapa na testa. Ela deu um gemido de dor e franziu o cenho.


- Sua vaca! Sua vadiazinha mentirosa! Como ousa... Como ousa mentir para o meu marido, sua vaca? Já não basta ser uma assassina?! – Eu perguntei, e ela arregalou os olhos. Na verdade, o salão inteiro deve ter arregalado os olhos. Alison parou de se mexer. Eu me levantei. Alicia estava bem ali do meu lado, me olhando com um quase sorriso.


- A... Assassina? – Perguntou uma voz que eu conhecia bem. Sophie Travier. Ela correu entre a multidão e parou ao nosso lado. – Do que ela está falando... Alison?


Agora, eu devo reconhecer. Sophis tinha chegado a um nível totalmente diferente de falsidade. Era só impressão minha, ou ela estava mentindo descaradamente e se voltando contra a irmã? Sim. E o olhar que Alison lançou a ela me mostrou que ela não entregaria a irmã. Não desse jeito.


- Não sei do que ela está falando, Sophis. – Disse Alison, levantando-se também. Certamente não era maior que eu, e agora, descabelada e com a face esquerda começando a ficar vermelha, eu tinha certeza que era mais bonita que ela.


Vocês lembram o que eu senti na primeira vez que vi as irmãs Travier, não lembram-se? Que elas eram lindas, poderosas e glamurosas. Devo dizer, modéstia a parte, que quem era linda, poderosa e glamurosa, naquele momento, era eu. Era Alison quem estava estapeada, humilhada e sendo traída pela própria irmã. Era Sophis quem estava mentindo em frente a todos, correndo o risco de ser desmascarada também – talvez não por Alison, mas por mim ou Alicia – e ser acusada de cumplicidade com o assassinato de uma garota. Aliás, não uma garota qualquer: Uma Cunningham.


Claro que corria por todo o castelo um boato de que eu estava traindo meu namorado/marido com dois garotos que no momento eu estava odiando, mas isso é apenas um detalhe.


- Sua irmã matou uma pessoa, Sophis. – Disse Alicia. Todas as cabeças viraram-se para ela. – Matou minha irmã.


Passos apressados indicaram que os professores estavam se aproximando. Mas McGonagall foi a primeira a chegar. Sua expressão era assustada: Com certeza ela ouviu a acusação feita pela Alicia.


- Senhoritas Travier, senhorita Cunningham e senhorita Weasley... Meu... – Ela olhou para todas nós, desnorteada. – Minha sala, por favor.


- É, pessoal, circulando! – Falou Fred, subindo em um banquinho pra espantar o pessoal. Bateu palmas. – Acabou o show!


- Na verdade... – Alicia sussurrou no meu ouvido. – O show está prestes a começar.


 


 


 


 


Fechem os olhos e imaginem: A salinha da McGonagall, com quatro cadeirinhas. Da esquerda pra direita: Alison, eu, Alicia e Sophis, todas de batom vermelho-sangue, todas com as pernas cruzadas para o mesmo lado. E McGonagall, com um olhar meio desnorteado, como alguém que acaba de tomar um murro, olhando para nossos rostos, um por um. Passamos uns bons cinco minutos em silêncio total. Sem olhar umas para as outras. Apenas eu e Alicia trocamos rápidos olhares de assentimento.


- Srta. Cunningham... – Começou McGonagall, com muita cautela. – A senhorita tem consciência... De que fez uma acusação extremamente grave?


Alicia sorriu. Seu batom brilhou. Ela passou a mão por toda a extensão dos cabelos loiros, penteando-os para trás. Descruzou as pernas e recruzou-as. Aí falou.


- Tenho, professora. – Ela disse. Todo aquele ‘emperequetamento’ pra isso? Alison nem se mexeu. Sophis empertigou-se na cadeira, visivelmente desconfortável. Eu quase sorri.


- Srta. Weasley... – Ela olhou pra mim por cima dos óculos. – A senhoria tem consciência de que agredir uma aluna custará pontos para a sua Casa e uma detenção?


Eu sorri. Meu batom brilhou. Eu passei a mão por toda a extensão dos meus cabelos, penteando-os para trás. Descruzei as pernas e recruzei-as. Aí falei.


- Tenho, professora. – Eu disse. Uma imitação perfeita de Alicia. McGonagall respirou fundo.


- Srta. Cunningham... – Ela voltou a olhar fundo para Alicia. – O que levou a senhorita a fazer uma acusação tão grave à srta. Travier?


- Me baseei numa confissão expressa da srta. Travier, professora McGonagall. – McGonagall engoliu em seco. – Ontem, a srta. Travier, provavelmente tomada por algum tipo de nostalgia... Por conta de ser o aniversário de morte de minha irmã, Olivia... Confessou para a srta. Weasley de bom grado que havia assassinado minha irmã, por uso de uma Maldição Imperdoável. Não por acidente, mas por acaso, eu ouvi. – Eu olhei pra Alicia, meio pasma. Ela parecia mais a Rainha da Inglaterra falando daquele jeito. McGonagall respirou fundo. Sophis também: Com certeza percebeu que Alicia não citou ela na resposta.


- Srta. Travier... – Ela falou olhando pra Alison. – O que a senhorita tem a dizer em sua defesa?


Foram só alguns instantes de silêncio, mas soou como uma eternidade. Alison deu uma risada alta.


- Nada, obviamente, McGonagall. – Ela falou por fim. Sophis começou a chorar baixinho aqui. Alison segurou os cabelos e fez um coque bem estranho. Eu percebi que ela tinha uma marca em forma de X, como uma cicatriz, na nuca, perto do ombro esquerdo. Achei estranho. – É tudo verdade.


McGonagall parecia que ia cair no choro. Girou na cadeira e ficou de costas pra nós, olhando para o retrato ENORME de Dumbledore atrás dela. Ele sorriu para mim.


- Weasley, Cunningham e Travier, vão. – Ela disse. – Você fica, Alison. – Ela completou. Eu, Sophis e Alicia saímos, sem fazer barulho.


- O show começou. – Sussurrou Alicia no meu ouvido enquanto saímos. Por algum motivo, eu não pude conter um sorriso.


 


 


 


 


- Ahn... Alicia. – Falou Sophis. Nós tínhamos caminhado uns 5 corredores juntas, em silêncio absoluto. Alicia olhou pra ela, com um ar indiferente e até simpático. – Por que... Por que não falou pra McGonagall...


- Por que não te entreguei pra McGonagall junto com a sua irmãzinha nojenta? – Ela completou. Sophis assentiu. Alicia pôs as mãos nas costas e sorriu, olhando para frente. – Porque você não é como ela, Sophis. Pode ser uma vadiazinha mentirosa, mas... Não nego que é parecida comigo. – Ela deu uma risadinha. – E deve saber milhões de podres da sua irmã. Seria uma pena se você também fosse para Azkaban.


Sophis fez um barulho como se um caroço de azeitona tivesse ficado atravessado na garganta dela. Eu só observava, em silêncio.


- Acha... Acha que ela vai para Azkaban? – Sophis perguntou. Alicia deu de ombros.


- Se o que ela contou pra Rox for verdade, sim, ela vai. Ela matou uma pessoa, Sophis. E não uma pessoa qualquer. Você sabe que quando meus pais tomarem conhecimento disso... – Ela até riu. – Bem, você sabe o que eles são capazes de fazer. Mas foi muito bom você proteger-se e não confessar nada. Certas coisas, o mesmo sangue não pode interferir.


- Ela não é minha irmã de sangue. – Falou Sophis, em um tom totalmente diferente. Até agora, ela estava parecendo uma criança assustada, frágil e atrapalhada. Agora, estava mais... Como a Sophis que eu sabia que ela era. Linda, poderosa e glamurosa, segura de si. Fitou os meus olhos e os olhos de Alicia com uma espécie de raiva, mas nem eu nem Alicia podíamos dizer para quem ela a direcionava. – Ela é adotada. Minha mãe achava que não podia ter filhos, então adotou Alison assim que casou com o meu pai. Mas depois ela me teve... – Ela deu de ombros. Eu franzi o cenho.


- Ahn, Sophis. – Ela olhou pra mim. – Como Alison conseguiu aquela marca no pescoço?


Sophis deu de ombros de novo. Estávamos chegando no Salão Principal.


- Boa pergunta. – Ela disse, e abrimos as enormes portas do Salão. Ainda estavam almoçando, claro. Nos olhamos uma última vez e eu estava seguindo pra minha mesa quando Alicia me segurou.


- Vamos averiguar essa história de adoção. Me soou suspeita. – Ela disse, e eu assenti com a cabeça. Trocamos beijinhos na bochecha e eu corri pra minha mesa. Deslizei no banco até parar do lado do meu amor. Ele sorriu e me beijou rapidamente.


- Foi tudo bem com a McGonagall? – Ele perguntou. Eu dei de ombros.


- Acho que Alison vai ter mais problemas do que eu. Ela confessou ter matado a irmã da Alicia. – Eu falei. Ele fitou o prato que ainda tinha um pouco de comida.


- Coitada... – Ele disse. Eu franzi o cenho.


- Desde quando você se importa com a Alison? – Eu perguntei. Ele olhou pra mim e sacudiu a cabeça, sorrindo.


- Nada. É que ela me lembra alguém... Nada. – Ele voltou a olhar para o prato. Eu pus a mão no ombro dele.


- Quem ela te lembra, meu amor? – Eu perguntei. Ele sacudiu a cabeça.


- Ninguém que seja possível de ela ser. – Ele falou. Soou confuso, mas eu deixei estar.


- Alicia e eu vamos dar uma investigada nela. – Eu falei, começando a pôr comida no meu prato. Gregory mostrou-se interessado e me olhou com aqueles olhos lindos. Eu fiquei até meio sem ar quando os vi.


- Por quê? – Ele me perguntou. Eu dei de ombros.


- Alicia achou que a história que a Sophis contou sobre a Alison tá muito mal contada. – Greg engoliu em seco, mas eu não percebi direito. Podia ser impressão.


- Que... Que história? – Ele perguntou. Eu pensei que ele estava meio interessado DEMAIS, mas não ia ficar com ciúmes, né? Que coisa tosca de se sentir, ainda mais tratando-se da Alison.


- Ah, que a mãe dela achava que era histéril, então adotou a Alison, daí casou com o pai dela, daí teve a Sophis. – Dei de ombros. – Pra mim, só parece uma pessoa burra, cer...? Greg?


Greg estava olhando para o colo com os olhos muito arregalados. Engolia em seco. Eu pus as mãos nos ombros dele. Ele arfava.


- Greg, meu amor, você tá bem? – Eu perguntei. Ele levantou-se.


- Cadê a Sophis? – Ele perguntou. Eu girei no banco e me levantei.


- Greg, o que você...


- CADÊ A SOPHIE, ROXANNE?! – Ele gritou, me olhando nos olhos. Eu me assustei. Não estava acostumada com Greg daquele jeito: Aliás, eu NUNCA tinha visto ele assim. Os olhos dele estavam vermelhos. Eu apontei pra mesa da Slytherin. Ele correu até Sophis e eu corri atrás dele. Ele parou atrás de Sophis e segurou-a pelos ombros, girando-a. Ela protestou, mas ele ignorou-a e sacudiu-a.


- Sophie... Qual o nome de solteira da sua mãe? – Ele perguntou. Ela piscou, atordoada. Eu só observava, assustada.


- Hastings, o que você... – Ele sacudiu-a mais forte.


- Qual o nome de solteira da sua mãe, Sophie? – Ele perguntou, e eu vi que ele estava apertando os ombros dela com força. Ela abriu a boca meio sem entender.


- É... É Angelina Duncan! – Ela falou meio esganiçada. Gregory ficou olhando-a por mais alguns segundos e soltou-a. Cambaleou. Eu o segurei pelos braços.


- Greg, meu amor, o que tá havendo? – Eu perguntei, desesperada. Gregory estava chorando, o rosto vermelho. Ele me abraçou com força.


- Ela é minha irmã. – Ele sussurrou. – Alison é a minha irmã.



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