Quando eu estava apenas com a roupa de baixo, ele me olhou. Eu senti aquele amor intenso nos olhos dele. Ele deu uma boa olhada em mim, como se eu fosse uma descoberta preciosa e importante. Ele sorriu e apagou a luz.
Eu não ouvi direito ele se despindo, tampouco vi. Estava tudo escuro, tirando pela luz da lua entrando pelas janelas. Eu procurava sentir o cheiro dele profundamente. Senti a pele macia do peito dele juntar-se a minha. Ele estava respirando com dificuldade, e eu vi a expressão dele. A maior expressão de autocontrole que eu já vi, e provavelmente, foi a última vez que eu a vi naquela noite. Em seguida, aquele olhar transformou-se em malícia, e o Greg que apareceu naquele corpo foi totalmente diferente. Ele ainda era carinhoso, gentil e sexy. Só não era autocontrolado.
Sim, ele era um arraso na cama. Sim, aquela noite foi memorável. E sim, nós transamos a noite inteira. Sem mais detalhes, porque senão vai ter gente ai querendo o meu namorado.
Eu não lembro direito de ter dormido. Eu lembro de estar com ele, de estar me segurando pra não gritar (oh, yeah), e de ele parar. Ele deitou do meu lado e cobriu o meu corpo com o lençol. Acariciou meu rosto, rindo que nem um idiota.
- Você é... Per-fei-ta. – Ele disse, e eu me lembro de estar absolutamente exausta. Ele me abraçou e falou algo no meu ouvido. Aí eu lembro de estar acordando, com ele me olhando de um jeito que ninguém mais conseguiria me olhar.
- Bom dia, meu amor. – Ele disse assim que eu abri os olhos. A luz do lustre batia na parte de trás do corpo dele e ele parecia ter uma aura em volta dele. Nada demais, mas eu achei lindo.
- Bom dia. – Eu disse. Abri os olhos e ele sorria. – Ótimo dia. – Ele riu.
- Isso teria qualquer tipo de relação com algo a noite? – Ele falou, levemente cauteloso, bastante tímido. Eu passei a mão no rosto dele e balancei a cabeça, irônica.
- Imagine. Claro que não. Eu apenas acordo sempre de bom-humor... Ainda mais caindo a maior chuva! – Eu disse, me sentando na cama, segurando o lençol na frente do meu corpo. Cara, sabe AQUELE temporal? Então, era um desses. Devia estar correndo um rio por Hogwarts, sei lá. De repente, eu senti frio. Ele riu de novo e sentou do meu lado.
- Seja sincera. Você... Gostou? – Ele perguntou, segurando minha mão. Cara, será que o meus quase-gritos não disseram nada pra ele não?
- É óbvio que gostei. Eu amei, Greg. – Eu disse, passando o polegar no rosto dele. – Eu amo você. De todo o coração. É o melhor amigo que já tive. E o melhor namorado também. – Ele sorriu verdadeiramente.
- Você precisa colocar sua roupa. Vai pegar um resfriado se continuar... Assim... Por muito tempo. – Ele fez aquela cara de autocontrole ao me ver. Eu estava totalmente debaixo dos lençóis, sem nada de mais aparecendo. Então eu mordi o lábio inferior e expus minhas pernas e meus ombros e cruzei as pernas enquanto ele pegava minhas roupas. Quando ele virou-se pra mim, deixou tudo cair no chão.
- Na verdade, eu estou bem. – Eu falei, e ele fez uma cara muito sexy.
- Por que está fazendo isso, meu amor? – Ele praticamente gemia, eu JURO. Eu ri e levantei, usando o lençol como uma espécie de toga em volta do meu corpo.
- Porque quero deixar você completamente doido. – Eu disse, e o beijei. Aí veio um momento constrangedorzíssimo.
Primeiro, a porta se abriu bem rapidamente. Segundo, eu quase deixei o lençol cair no chão. Terceiro: Era um amigo de Greg que entrava no quarto. Quarto: O amigo era Louis.
Oh, MERDA!
- Ah, desculpe. – Louis falou. Não saiu do quarto: Continuou com a mão na maçaneta. Greg pareceu mais envergonhado do que nunca.
- Rox... Vista-se. – Greg me pediu, pegando minhas roupas no chão. Ele as entregou para mim e saiu do quarto. Louis olhou para mim e seus olhos brilhavam de lágrimas.
Enquanto me vestia, fui pra perto da porta e tentei ouvir. Aliás, eu consegui ouvir muito bem, pode crer.
- Como pôde, Gregory? Minha prima? No baile?
- Ela é minha namorada, Louis, eu nós queríamos! Você quer o que, que eu termine com a mulher que eu amo por causa de um lance inexistente entre você e ela?
- Não é um lance inexistente! Você sabe muito bem que eu amo Roxanne e que ela sentia o mesmo...
- EXATO! Ela sentia, ela não te quer mais, Louis, não entende? Ela está comigo agora, e se você não consegue aceitar isso numa boa, a culpa realmente não é minha!
Um barulho oco de um soco, um gemido de dor e barulho de algo grande caindo no chão. Abri a porta com raiva (quase derrubei) e vi Greg estirado no chão, com um filete de sangue descendo da boca.
- Louis Bill Weasley II! – Eu gritei, indo até Greg correndo, os saltos-altos estalando na escada. – Como... Ah, meu amor, você está bem? – Eu segurei Greg pelos ombros e ajudei-o a levantar-se. Ele olhou para Louis com raiva.
- Pensei que fôssemos amigos. – Ele disse, e eu senti seu braço tremer furiosamente. Louis riu.
- Amigos não transam com os amores dos amigos.
- Chega, Louis, agora basta. – Eu disse, me aproximando dele com o dedo levantado. – Você foi absolutamente além de todos os limites que eu podia suportar. Chega. Eu achei que ontem fora um pedido de desculpas... Mas não, você continua com as mesmas atitudes. Chega. Deixe eu e meu namorado em paz e fique longe de mim. – Eu senti meu queixo tremer, o que era um mal sinal. Virei de costas para ele e ia puxar Greg pela mão quando ouvi ele rir.
- Quer dizer que em nenhum momento você pensou em me seguir, ontem a noite?
É, eu paralisei. Me senti culpada. Eu podia mentir dizendo que não, não tinha pensado em segui-lo, mas Louis me conhecia bem o suficiente para saber que eu estava mentindo. Não disse nada Greg franziu o cenho para mim.
- Do que, do que ele está falando, Roxanne? – Ele perguntou, adiantando-se na direção de Louis. Meu primo riu de novo e eu respirei fundo.
- Louis me fez uma proposta indecente ontem. Queria transar comigo. – Eu me virei para ele, as mãos na cintura. – Mas, como você percebeu, eu não fui.
- Mas sentiu-se tentada a ir. Sabia que não ia se arrepender, não é, priminha? – E, no movimento de corpo mais rápido que eu já vi na minha VIDA, ele me agarrou e me beijou.
Ai, meldels. Solta ele. Beija ele. Solta ele. Beija ele. Solta ele! BEIJA ELE! SOLTA ELE, CARALHO! NÃO, BEIJA ELE MAIS E MAIS, ROX!
Depois dessa discussãozinha interna, senti os lábios dele se separarem do meu de forma abrupta. Greg me puxou pra trás pela cintura e v-o-o-u pra cima de Louis. Caiu por cima dele e deu-lhe um soco certeiro no nariz. Louis parecia desacordado, até que gemeu de dor. Greg levantou-se.
- Fique longe de nós, Weasley. – Ele ameaçou. Apontou o dedo para Louis e subiu.
- Greg... – Eu falei. Ele virou-se pra mim.
- Não precisa pedir desculpas, Rox. Sei que não fez nada. – Ele tentou sorri pra mim e aquela tentativa me encheu de remorso. – Só preciso de uns minutos sozinho. Certo? – Ele subiu e eu fiquei ai. Dei um berro muito alto.
- VIU O QUE VOCÊ FEZ, SEU PORRA? EU ODEIO VOCÊ, LOUIS! – E sai correndo.
Se você estivesse em Hogwarts naquele dia, teria visto uma garota com um vestido de festa, sapatos de saltos-altos enormes e cabelos despenteados e longos correndo pelos jardins, chorando muito. Correndo em busca de refugio. Correndo em busca de irmãs.
Eu desabei assim que cheguei no hall da Casa. Alicia estava sentada em um dos sofás, com um olhar vazio. Assim que eu cheguei, ela correu até mim, me abraçou e me olhou.
- Minha vida... É um inferno... – Eu falei. Ela me abraçou de novo.
- Vem, meu amor. Vamos subir pro meu quarto.
Ela me levou pelas escadas até os dormitórios, e abriu a porta com o quadril. Como era de se esperar, o quarto era lindo. Ela e eu sentamos na cama dela, que tinha um dossel lindo. Chutamos nossos sapatos para um canto e ela pôs uma mecha de cabelo pra trás da minha orelha.
- Quer falar sobre o que aconteceu? – Ela me perguntou. Eu sacudi a cabeça.
- Quero só esquecer. Vou morrer. – Eu falei, dramática. Deitei na cama e ela deitou ao meu lado, sorrindo. Olhou pra mim. Eu tentei sorrir. - Quer falar sobre o que aconteceu ontem?
- Foi complicado. Mas estou bem. Acho. – Ela deu um suspiro e franziu o cenho, olhando para o teto. – O ruim vai ser encontrar aquelas duas nojentinhas na Casa. – Eu suspirei e olhei pra ela, sorrindo tristemente.
- Vou estar com você. Fique tranqüila. – Ela olhou pra mim e sorriu. Segurou minha mão.
- Você é uma amiga de verdade, Rox. Me lembra muito a Olivia. – Ela sorriu. – Acho que todo mundo tem medo de mim porque eu não deixo ninguém se aproximar... Tenho medo de me apegar e perder as pessoas como perdi a Livia. – Suspiramos ao mesmo tempo. Eu franzi o cenho.
- E Kevin? – Ela deu uma risadinha.
- Kevin é diferente. Ele mente, engana e é um safado filho-da-mãe, você sabe muito bem disso. Mas ele me completa. Eu gosto dele do jeito que ele é. E ninguém conhece o Kevin do jeito que eu conheço, porque ele nunca se permitiu abrir-se pra ninguém como ele se abre comigo; Eu conheço ele por trás da máscara de garanhão impiedoso. Do mesmo jeito que você me conheceu ontem por trás da máscara de fria e calculista. – Ela apertou a ponta do meu nariz e rimos.
- Quer comer alguma coisa? – Eu perguntei. Ela riu.
- Quem chegar por último na cozinha prepara o sanduíche da outra! – Ela disse, e saímos correndo do quarto para a cozinha, descalças, com várias irmãs nos olhando enquanto riamos como duas criancinhas idiotas.
Duas criancinhas idiotas que finalmente se conheceram por dentro.
