Olá Leitores! (isso é, se ainda existe alguma alma viva que ainda espera minhas postagens xD)
Aqui estou eu com mais um capítulo dessa fic super atrasada! Espero não entristecer vocês com esse capítulo... Mas bem, desculpem por mais uma vez demorar, mas as provas não tem me deixado escrever (nem a inspiração)
Bem... Como trilha sonora, indico Snow Patrol - Run e Daughtry - What About Now para vocês lerem enquanto curtem o capítulo!
Boa leitura...
***
Gina saiu completamente confusa, não conseguia compreender as razões que levavam Colbie a agir daquela forma, ela nem ao menos parecia ser a “sua” Colbie. Quase acreditou no que os outros diziam, de que depois de marcada, ela mudaria. Mas então se lembrou de seu amor e de tudo que sentia por ela, não podia ser daquela forma, o sentimento que as unia não acabaria de uma hora para a outra.
A ruiva sentiu suas pernas bambearem, estava sentindo frio e solidão, uma dor imensa apertava seu coração de encontro as suas costelas... Ela sentia como se tudo o que a fazia viver tivesse se perdido com as palavras de Colbie. E de certa forma, Colbie era sua vida, não tinha medo de assumir aquilo e não deixaria de lutar por ela. Não a perderia tão facilmente, ninguém a levaria para longe de si, seu amor era forte o bastante para suportar qualquer dor e qualquer provação... Tudo poderia mudar, mas o amor continuaria o mesmo.
Gina respirou algumas vezes e recuperou-se, quase tomou a decisão de dar meia volta e mostrar para Colbie que ela também não podia viver sem o que as duas tinham dentro de si. Estava pensando sobre essa decisão quando uma voz seca e arrastada, já conhecida da garota, chegou a seus ouvidos:
- Weasley, você deveria aprender a andar acompanhada... A situação está muito perigosa para a gente da sua laia... – Draco Malfoy disse com um sorriso sádico e irônico nos lábios, encarando a garota da cabeça aos pés. Gina era uma das cabeças mais valiosas daquela guerra e Malfoy esperava a oportunidade certa para apanhá-la e garantir o seu lado e aquela parecia ser uma excelente oportunidade. A ruiva bufou impaciente e logo fechou a cara, não deixaria transparecer a sua fraqueza e disse:
- Eu não preciso de ninguém me ladeando para que eu me sinta segura Malfoy, me garanto sozinha!
- Deveria cuidar mais da sua boca Weasley... Você não tem mais ninguém te protegendo! – Malfoy sibilou baixinho e maldosamente, o coração de Gina doeu ao perceber que ele se referia a Colbie, a ruiva tirou a morena de sua mente e se concentrou na confusão em que se metera. Estava cercada por três comensais, Crabbe e Goyle podiam ser grandes, mas eram péssimos lutadores, mas Draco era um desafio considerável. Gina respirou fundo e disse:
- Você sabe muito bem que eu nunca precisei que me protegessem Malfoy, sempre me cuidei sozinha...
- Ah não era isso que parecia nos últimos tempos, você estava sempre se escondendo atrás da... – Porém, Malfoy não terminou a frase. Calou-se quando seus olhos focalizaram a porta do vagão atrás de Gina, a ruiva ouviu um barulho e virou-se para observar quem era. Colbie estava com a expressão fria e fechada, encarando Draco com desprezo. Olhou-o da cabeça aos pés e disse autoritária:
- O que você pensa que está fazendo aqui Malfoy? Não tem mais nada para fazer não? Temos assuntos mais importantes do que ficar de papo com os Weasleys no corredor!
- Não é porque você é a nova queridinha do Lorde que você vai poder sair pisando em quem você quiser Summers... Deveria tomar mais cuidado, inimigos existem por toda a parte! – Draco disse com os olhos faiscando raiva e intimidação, Crabbe e Goyle concordavam com a cabeça e Gina observava a batalha dos dois, parecia que nem todos aceitavam a suposta ida de Colbie para os comensais.
Colbie segurava-se de todas as formas possíveis, não deixando transparecer nem mesmo em seus olhos a dor que transpassava o seu coração como o arame farpado cortava a carne, sentia como se sangrasse e não houvesse como estancar o sangramento, não sentia nem mais o mundo a sua volta... Gina estava logo à frente e ela nem ao menos poderia tocá-la, respirou fundo algumas vezes enquanto tentava recuperar a lógica e a razão, estava começando a perder o controle de seus sentimentos. Seus olhos focalizaram os olhos de Gina por alguns instantes, não poderia nem dizer que a amava... Pior que via a confusão em seus olhos, via também a determinação e isso a deixou preocupada, Gina não poderia vir atrás, tinha que ter ódio dela, ódio para não se arriscar mais... E não havia qualquer sinal de que a ruiva estivesse disposta a abandoná-la, Colbie quase sorriu diante da verdade: Gina a amava de verdade.
A morena desviou os olhos no exato momento em que começava a se perder no calor dos olhos castanhos de Gina, a ruiva estava tornando-se especialista em compreendê-la e se tinha uma coisa em Colbie que era totalmente sincera eram os olhos. Aqueles olhos verdes frios como esmeraldas, mas que tinham tantos sentimentos escondidos que a dor acabava ultrapassando todas as barreiras que Colbie impunha a ela para que não se manifestasse. Viu a dor impressa nos olhos dela, Gina teve vontade de colocar aquela dor em si, não podia suportar ver Colbie lutando contra seus sentimentos por causa daquela besteira de Marca Negra. Sim, a Marca Negra tornara-se uma besteira. Colbie era perfeita a seus olhos e isso que importava, Colbie era o que lhe completava e nada, nada faria com que o seu amor morresse ou diminuísse... Só partiria quando Colbie pedisse com sinceridade, não negaria isso a ela, mas do contrário, seu amor permaneceria intacto e forte dentro do seu coração. Poderiam matá-la e fazer o que quiserem com seu corpo, mas seu coração continuaria cheio de amor, amor destinado apenas a Colbie Summers.
Colbie se recompôs e evitou olhar para Gina enquanto se aproximava de Malfoy lentamente, Crabbe e Goyle tomaram a frente do rapaz, mas parecia que algo nos olhos de Colbie os afastou. Mas quando Gina observou a cena novamente, viu que Colbie havia desarmado os garotos, as varinhas de Crabbe, Goyle e Draco estavam na mão da garota e ela não havia feito sequer um movimento para sacar a própria. A morena abriu um sorriso maldoso e disse:
- Acontece que ao contrário de outros, eu sou a queridinha porque mereço ser... Então acho melhor vocês me respeitarem, ou eu vou fazer questão de ser a intermediária entre vocês e o inferno!
- Você não pode fazer isso, o Lorde te mataria se você sumisse com algum de nós! – Goyle sibilou baixinho enquanto fechava os punhos com raiva, ele parecia partir para cima de Colbie a qualquer momento e Gina estava preocupada com a tranqüilidade que a garota realizava suas ações. A morena deu mais um sorriso irônico, a sua varinha voou para a mão direita e ela petrificou Goyle em instantes, depois disse:
- Como vocês mesmo afirmaram, eu sou a queridinha do Lorde e vocês são a ralé... Portanto, tratem de comer na minha mão! Eu não quero ter a morte de seres podres como vocês nas minhas costas. Agora, se mandem, por favor.
Jogou as varinhas aos pés dos garotos e desfez o feitiço em Goyle, por um instante Gina acreditou que os rapazes partiriam para cima de Colbie. Porém, Draco apenas lançou-lhe um olhar pra lá de intimidador e saiu de cena, com os dois rapazes em seus calcanhares.
Colbie e Gina viram-se novamente sozinhas, sem saber o que dizer. Havia tanto a ser dito, mas certas palavras mereciam morrer na boca, qualquer coisa que dissessem ali poderia mudar o rumo da história das duas. Olhares não satisfaziam o desejo, mas tranqüilizavam a alma e as duas apenas se encaravam com medo de perderem-se em seus sentimentos. Gina deu um passo a frente, mas Colbie recuou e abaixou a cabeça, passando por ela e seguindo na mesma direção que Draco fora...
Gina não conseguia compreender, sua teimosia aliada ao seu amor não a deixava acreditar no que acontecia, ela só sabia que não desistiria. Nada poderia desanimá-la, ela não deixaria de amar Colbie e nem de lutar por ela... Colbie era a sua vida, era a sua inspiração e principalmente, era a força de que precisava para vencer a Guerra. A ruiva respirou fundo e engoliu suas lágrimas, ainda não estava derrotada, ainda não tiraram de si a sua força, seu amor ainda permanecia firme e forte.
***
Luna procurava Gina pelo trem, estava preocupada com a amiga, ela parecia estar em outro mundo, não parecia mais focada na Guerra. Também notara que o sempre presente brilho nos olhos castanhos da amiga desaparecera, por mais que existisse determinação, o vazio em seu olhar perdido era imenso. Gina estava distraída, presente apenas em corpo, porque seu coração e sua alma estavam em outro local.
No começo de tudo, Luna julgara que esse comportamento fosse por causa de Harry e do perigo constante que o garoto estava correndo em busca de esperanças que talvez não existissem... Mas não. Gina voltara pior depois das férias, era evidente no corpo dela, estava mais magra e pálida e apesar do sorriso, a sua alma não estava feliz.
Luna poderia ser maluca na visão dos outros, mas a capacidade que tinha de perceber o que os outros sentiam e principalmente, a sua vontade em ajudar faziam dela uma garota especial. Luna Lovegood procurava a amiga sem cansar, sentia que Gina precisava dela naquele momento como em nenhum outro.
Depois de muito andar, já cansada e vendo que não encontraria a amiga em nenhum local, voltou a cabine e sua expressão surpreendeu-se ao encontrar a ruiva lá. Gina estava olhando pela janela, com o brilho ainda extinto em seu olhar, com uma expressão perdida que mesmo olhando para a paisagem que passava, não a enxergava, pois sua cabeça estava em outro local... Luna pigarreou e perguntou curiosa:
- Onde você estava?
- Ah dei uma volta por aí... Estava precisando. – Gina respondeu mecanicamente, como se já tivesse treinado aquilo diversas vezes em sua cabeça. Luna percebeu esse fato, sentou-se ao lado de Gina e colocou as mãos sobre o colo, olhou para o teto e disse meigamente:
- Geralmente quando alguém sai para dar uma volta, está passando por algum problema... O que está acontecendo Gina?
- Essa Guerra, está me tirando do sério. – Gina respondeu mais uma vez automaticamente, estava com o queixo apoiado sobre uma das mãos e seu olhar ainda perdia-se na paisagem, Luna pode ver que os orbes castanhos estavam lacrimejando. A loira suspirou preocupada, queria ajudar a amiga, mas talvez aquele não fosse o método correto. Respirou fundo e disse séria:
- Vamos Weasley, me diga logo o que está acontecendo entre você e a Summers.
- Hã? Como é que é? Tá maluca Luna? Do que você tá falando? – Gina perguntou-se visivelmente incomodada e nervosa, Luna sorriu por conseguir a atenção da amiga e disse rindo:
- Ainda bem que consegui desviar a sua atenção para mim...
- Sabe Luna, você é maluca, de fato. – Gina murmurou mal humorada enquanto tornava a virar-se para a janela e encarar tudo com uma ruga de preocupação na testa. A ruiva estava sentindo falta de uma conversa, Rony cumprira bem o papel nas férias, ele saberia lhe dizer o que fazer e saberia também o que fazer para animá-la.
Por mais que quisesse mentir para si mesma e manter sua determinação e seu amor intactos dentro de seu coração e de sua alma, Gina sentia-o enfraquecer a cada negativa que recebia de Colbie. As palavras que a morena dizia cortavam-lhe, ardiam mais que qualquer maldição ou tortura, nunca pensara que pudesse ter algo a machucando tanto.
Não conhecera o amor com Harry e com nenhum dos outros com quem ficara, conhecera o amor com Colbie. Só com ela sentia o ciúme, o coração acelerado com o simples som da voz dela... Só ela conseguia fazê-la jogar todos os seus princípios pelos ares, só ela conseguia fazer a ruiva arrepiar-se com apenas uma palavra murmurada ao pé do ouvido, só Colbie conseguia fazê-la acreditar em palavras, principalmente, só a morena conseguira trazer de volta a Gina a força da expressão “Eu Te Amo”...
Gina sentia-se vazia e também tinha certeza do que Colbie sentia, aquela garota que vira há pouco escondia uma tristeza e uma agonia dentro de si que não poderiam ser mascaradas por uma máscara de frieza e escárnio. A ruiva aprendera a ler Colbie, sabia o que se passava na realidade dentro daquele peito e os olhos verdes da morena lhe pediam claramente um pedido de socorro e desculpas...
A ruiva então se sentia confusa, colocou a mão sobre o peito sentindo seu coração bater, nunca imaginara sentir tamanha dor... Não estava mais agüentando a saudade, a agonia e principalmente, não agüentava guardar aquele amor que tanto lhe machucava. Queria trazer Colbie de volta, sentir os braços dela envolverem seu corpo depositando o calor que só a fria sonserina tinha, queria sentir de novo o arrepio a alegria incomparável enquanto ouvia a morena suspirar seu nome entre beijos...
Deu um suspiro pesado, Luna sobressaltou-se imediatamente, passando a observá-la com profunda curiosidade. Gina tinha medo de falar e ser mal interpretada, medo de revelar que amava uma inimiga. A loira sentou-se ao lado da amiga e segurou uma das mãos da ruiva, Gina levantou os olhos e esse movimento quase a fez debulhar-se em lágrimas, mas a grifinória era forte e as segurou, Luna sorriu e disse:
- Gina, você sabe que eu estou com você pro que der e vier não é?
- Eu sei Luna, muito obrigada, isso me tranqüiliza. – Gina respondeu tentando cortar o assunto e tornando a olhar para a janela, se continuasse a encarar Luna nos olhos, acabaria contando tudo. Luna suspirou e disse pacientemente:
- Quando eu digo “pro que der e vier” digo que é pra sempre Gina... O que está acontecendo? Eu não gosto de te ver assim...
- Acredite Luna, têm coisas que são melhores deixadas não ditas, eu estou bem, apenas me recuperando... – Gina respondeu dando um sorriso forçado e encarando as mãos que agora jaziam entrelaçadas em seu colo, Luna afagou a mão da amiga novamente e disse:
- Pois eu quero te ajudar... Pare com esse silêncio, eu quero saber o que está te transformando dessa forma! Você parece outra pessoa...
Gina calou-se, será que estava tão evidente a mudança que Colbie causara em si? O turbilhão de sentimentos, de emoções e de sensações que ela guardava só para si como memórias boas que lhe davam mais coragem e força para lutar por aquilo que era seu... Respirou fundo e disse mal educada:
- Você saber muito bem de quem se trata, portanto, deveria tirar suas próprias conclusões se é tão boa em ler os outros!
- Acontece Gina que você é a pessoa mais complicada para se ler, eu sei que se trata da Summers, só não sei a magnitude de seus sentimentos por ela... Quero entender o que ela fez pra te mudar dessa forma! – Luna respondeu seriamente, seus olhos azuis estavam com uma força impressionante que rapidamente fizeram Gina quebrar o contato visual em sinal de vergonha pelo que falara. As duas se calaram por breves momentos, onde o silêncio só era quebrado pela respiração de ambas.
Gina repensou todas as coisas que aconteceram, toda a dor que sentia e todo aquele amor que a machucava e cortava seu coração, precisava amenizar aquilo, senão não teria forças para lutar. Talvez falando com Luna, as coisas acalmassem e ela sentisse um pouco de apoio num local onde ninguém se importava com ela. A ruiva respirou fundo e fechou seus olhos, ouvindo seu coração pulsar acelerado, depois tomou coragem e disse corajosamente:
- Ela me fez amá-la Luna... Um amor tão grande e tão forte que eu não sou capaz de desistir dele, porque ele é a minha vida agora.
Luna não demonstrou qualquer reação de desprezo ou de nojo, seus olhos apenas piscaram algumas vezes e ela pareceu estar interessada na paisagem que passava atrás de Gina. Gina estava arrependendo-se de ter dito, quando Luna disse animada:
- Eu suspeitava disso!
- Ah ok, espero que você não me mande parar o que estou fazendo, porque eu não vou te obedecer... – Gina disse confusa enquanto encarava Luna que sorria bobamente e quase batia palmas de emoção, a ruiva continuava sem entender a personalidade da amiga, mas de alguma forma, sentia que ela era essencial para a sua vida em Hogwarts. Luna arregalou os olhos e disse impressionada:
- Pois bem Gina, mesmo que eu quisesse que você não fizesse tudo que está fazendo, você não me obedeceria porque não existe garota mais teimosa e cabeça-dura do que você nessa Terra e admiro o fato de Colbie conseguir te domar...
- Sabia que eu adoro a sua sinceridade? – Gina disse sarcástica encarando Luna, a outra caiu na gargalhada e a ruiva não pode deixar de rir dela também. As duas riram até que as risadas sumiram dando lugar ao silêncio, Luna deu mais um sorriso e disse reconfortante:
- Lute por ela Gina, não cometa o mesmo erro que eu.
- O que você está falando Luna? – Gina perguntou sem entender, nunca soubera que Luna gostasse de alguém. Luna sorriu enigmaticamente e respondeu:
- Nada...
Dizendo isso, veio a mente de Luna cabelos ruivos e um sorriso muito belo.
As duas mal sabiam que alguém acabara de executar um feitiço de escuta e sabia exatamente grande parte do conteúdo da conversa. Malfoy sorria, tinha consigo o que precisava para fazer Lord Voldemort sumir de uma vez com a caçula Weasley.
***
- Você demorou... Achei que não ia dar conta de mandá-la embora. – Ruby Valentine sibilou venenosamente assim que viu Colbie Summers entrar pela porta da cabine. Colbie não deu muita atenção e sentou-se no assento em frente ao de Ruby, a outra saiu de seu local e foi sentar-se ao lado de Colbie. Ruby deu um sorriso malicioso enquanto dizia:
- Você aproveitou para se despedir não é mesmo?
- Olha Valentine, eu te agradeceria se você calasse a boca e me deixasse pensar ao menos por um momento... – Colbie respondeu irritadiça enquanto tentava amenizar a dor que sentia.
Suas mãos estavam tremendo e ela podia sentir a onda de dor que saía de seu coração e tomava conta de toda a sua alma. Podia planejar tudo antes de encontrar Gina, mas quando estava cara a cara com ela, sentindo seu coração pulsar forte em seu peito, era difícil agir com a razão. Seus sentimentos falavam mais alto e justo ela, tão fria e tão desprezível, conseguia amar... Estava começando a achar-se indigna de toda dedicação e amor que Gina tinha, estava começando a achar que fazia mal a ruiva.
Precisava mudar essa situação, preferia sofrer sozinha a imaginar Gina sofrer por ela, se tornaria o ser mais desprezível do mundo quando terminasse de fazer tudo que planejara, poderia morrer e ela não queria Gina chorando e lamentando a sua morte. Tinha que deixar uma vida toda a Gina, ela precisava viver e ser feliz e pra isso, tinha que fazê-la pensar que fora um erro...
Mas como fazer isso quando as emoções superavam toda a sua racionalidade? Não conseguia mais pensar direito, aqueles poucos minutos, aquele beijo e os toques suaves de Gina em suas mãos ainda estavam vivos em sua mente e pior, vivos em seu peito que se acelerava com o simples fato de recordá-los. Aquele amor, maldito amor que ao mesmo tempo lhe dava força e covardia, que a fazia pensar desistir de tudo e ir ficar com Gina...
Tinha que pensar em seu pai, ele estava em uma armadilha e tinha que salvá-lo, não queria perder mais ninguém que amava. Gina poderia ser feliz, Colbie seria capaz de passar a eternidade sofrendo por ela, seria capaz de MORRER por ela... Nunca pensara que poderia entregar a vida a alguém, mas isso fora antes de Gina entrar na sua vida como um tornado revirando todas as coisas que agora, recusavam-se a recuperar sua antiga forma.
Suas mãos haviam parado de tremer e ela conseguiu regular sua respiração, só que não conseguia enxergar nada além de Gina. Estava acabada por dentro, estavam tão perto mas ao mesmo tento, tão longes que mal podia se ver... Estavam em mundos e universos diferentes, separados por uma Guerra feita de egoísmo, sofrimento e morte.
Sentiu a mão de Ruby sobre a sua, não sabia se poderia confiar naquela garota. Ela parecia estar buscando alguma coisa naquela guerra, algo além do que tinha em mãos. Ruby era poderosa entre os Comensais, manipulava todas as ações e mesmo assim, parecia insatisfeita. Colbie julgava que poderia usar dessa insatisfação dela com a realidade em bem próprio, ergueu os olhos para Ruby que pareceu vacilar o toque, mas esta se permaneceu firme enquanto dizia:
- Você sabe que ela não vale o seu pescoço.
- Você nem sabe o que eu fiz, não tire conclusões precipitadas. – Colbie respondeu friamente, impondo toda a força que ainda restava em si no seu olhar, não gostava de falar com Ruby, porque toda a vez que fazia isso, tinha suas fraquezas e seus medos expostos e revelar suas fraquezas naquele momento, era o mesmo que pedir para ser morta. Ruby deu um sorrisinho e aprumou-se, Colbie não pode deixar de notar que a saia levantara levemente e deixara a mostra a perna da outra, depois disse:
- Colbie, eu não tiro conclusões precipitadas, você sabe que eu sou a pessoa mais racional desse mundo.
- Mais calculista e manipuladora, você quis dizer isso na verdade. – Colbie disse ironicamente enquanto soltava a mão de Ruby e levantava-se, indo em direção a janela. Ruby era essencial para que seu plano desse certo, tinha que mantê-la perto, ela poderia ser um inimigo em potencial. Colbie deu graças quando viu que recuperava sua sanidade mental aos poucos, ao menos achava que recuperava, pois seu coração ainda batia dolorido em seu peito.
Ruby levantou-se e conseguiu colocar-se entre a visão de Ruby e a janela, deu uma olhada dos pés a cabeça na morena que se envergonhou, corando levemente. Depois, com um sorriso sedutor nos lábios, disse sensualmente enquanto fazia beicinho:
- Ora Colbie, não me maltrate desse jeito...
- Por quê? Você é masoquista e gostar de sofrer um pouco? – Colbie disse com o sarcasmo impresso na voz, aqueles joguinhos de Ruby mexiam com ela e também faziam com que ela esquecesse um pouco da dor e se concentrasse em manter-se racional e esquecer a dor. Ruby mexeu em alguns botões da camisa de Colbie e disse no mesmo tom de antes:
- Ah... Um desprezo e uma dorzinha de vez em quando não faz mal a ninguém...
- Nossa Ruby, agora sim você caiu no meu conceito! Quando eu penso que você não pode ser pior, você vem e me surpreende dessa forma... – Colbie disse ainda sem acreditar no que ouvira, tinha hora que não sabia se Ruby mentia ou falava a verdade. Desviou os olhos de Ruby e saiu de perto da garota, sentando-se no assento da cabine novamente, Ruby fechou as cortinas da janela da cabine e ajoelhou-se em frente a Colbie dizendo sensualmente:
- Pois é Colbie... Mas tem muitos que gostariam de estar no seu lugar agora.
- Sinto muito Valentine... Somos colegas de trabalho e outra, eu dou valor a minha racionalidade. – Colbie disse desconfortável enquanto se remexia tentando sair daquela posição embaraçosa. Ruby passou as unhas levemente pela perna da outra enquanto dava um meio sorriso, levantou os olhos e encarou-a por alguns segundos antes de dizer:
- Pois é, sempre tive esse fetiche de pegar quem trabalha comigo e outra coisa... Você tem medo de perder a razão comigo?
- Não vou responder pra dar valor a amizade. – Colbie disse irônica encostando as costas no assento e desistindo de se livrar da prisão que Ruby colocara sobre ela. A outra se levantou subitamente, subindo a mão pelo corpo de Colbie até chegar aos ombros, quando chegou ali, apertou levemente e disse ao pé do ouvido:
- E quem disse que eu me preocupo com a amizade? Você sabe o que eu quero, muito bem por sinal...
Depois disso, Colbie sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Respirou fundo e contou até dez, tentando manter-se racional, lembrou-se de Gina e do que tinha que fazer. Levantou-se de súbito e disse:
- Ok Ruby, precisamos nos concentrar, o lorde precisa que estejamos alertas...
- Para de desviar o assunto! – Ruby respondeu em meio a gargalhadas, Colbie deu um muxoxo impaciente e disse séria:
- Melhor você dar um jeito no Malfoy e sua corja, ele pode acabar com nossos planos!
- O que Malfoy anda fazendo? – Ruby perguntou subitamente interessada, tinha que tomar cuidado com Draco, ele podia não ser muito esperto, mas sabia aproveitar boas oportunidades e ela precisava de Colbie inteira até a hora que pudesse revelar as cartas que tinha em mãos...
Colbie agradeceu a seu juízo por conseguir resistir a Ruby e ainda por cima, manter a garota com o aspecto sério. Colocou as mãos nos bolsos e disse:
- Se metendo onde não deve...
- Olha Colbie, se você quer proteger a sua pobrezinha, pode proteger... Mas mantenha a minha cabeça fora disso tudo! – Ruby disse amargurada enquanto cruzava os braços e sentava-se, estava na cara que Colbie estava querendo tirar Malfoy do caminho, mas para Ruby ele era necessário como fonte de informação. Colbie sentiu a raiva subir-lhe a cabeça, já bastava a dor que sentia, agora tinha que agüentar o desprezo de Ruby? A morena sentou-se no outro assento e passou a mão pelos cabelos repicados tentando pensar um pouco...
Ruby pigarreou enquanto observava Colbie. As duas se pareciam muito, ambas sendo transformadas por uma Guerra pela qual não queriam lutar, só que Ruby aprendera a gostar do poder e da luxúria, mas nunca esquecera o amor que sentia por Pansy. Já Colbie, permanecia intocada, nada de ruim tocara seu coração além da raiva e da ira, que eram normais...
Ruby sentia-se suja por estar usando Colbie em benefício próprio, via o sofrimento estampado nos olhos dela, a dor da saudade sendo exalada por cada ato e cada palavra que ela dizia sobre Gina. O amor era realmente um sentimento belo, belo e desprezível que fazia as pessoas sofrerem e fazer coisas terríveis...
Mas aquela pena, aquele ressentimento não mudariam o que Ruby Valentine tinha em mente. Sobrevivera às dores da renúncia, as suas traições, a seus erros e ao desprezo de Pansy, tudo por amor. Não passaria por tudo de novo, mas estava disposta a reconquistar a loira. Sua vida não era mais completa sem ela, era difícil acordar na manhã sozinha, mais difícil ainda era imaginar-se sozinha pelo resto da vida...
Ruby era egoísta, egoísta demais para pensar nos outros quando se tratava de seus interesses em jogo... Mais egoísta ainda quando se tratava de si e de Pansy. Por isso, assumiu uma expressão séria, esqueceu a pena e focou-se em seu objetivo, calando-se pelo resto da viagem.
Enquanto isso, Colbie sentia as lágrimas aflorarem em seus olhos. Sentiu um filete escorrer por sua face e um gosto salgado em seus lábios, a dor estava intensa, latejando e pulsando, parecia que seus ossos estavam sendo quebrados milhões de vezes seguidas... Apenas um filete escorreu, não mais. Mas mesmo assim, ela só teve coragem de limpá-lo quando o trem parou e ela ouviu Ruby saindo pela porta da cabine.
***
Gina saiu da locomotiva sentindo-se melhor, a conversa com Luna mudara a grande maioria de seus sentimentos. Mas, a dor ainda permanecia, o vazio em seu peito também. A ruiva passava sobre as pessoas sem conseguir encará-las, andava olhando para os pés, com medo de que quando levantasse os olhos, desse de cara com os olhos verdes de Colbie.
Estava sentindo-se fraca, como nunca tinha se sentido naquele período de Guerra. Não conseguia se imaginar lutando dali em diante, sua mente insistia em lhe dizer que batalhar por Colbie era o mesmo que querer apanhar o vendo, uma coisa impossível de ser alcançada. Mas por outro, seu coração lhe mandava acreditar no amor, acreditar que aquela que amava era uma pessoa boa.
A ruiva via-se perdida entre sua razão e seu coração. Outras coisas também lhe assombravam a mente, mas nenhuma delas assombrava tanto quanto o medo de perder Colbie, tinha medo de perdê-la para as Trevas de Voldemort e também, medo de perdê-la pela eternidade... As lágrimas insistiam em escorrer pela sua face e ela as limpava com impaciência, lágrimas não eram sinais de determinação e coragem.
Luna estava ao seu lado atenta, acompanhando tudo com os olhos, num gesto mudo de apoio. A ruiva agradecia pela amiga que possuía, que a compreendia apesar de tantas coisas indo contra ela naquela Guerra. Luna estava sempre presente, pronta para apoiar, pronta para se tornar necessária quando todo o mundo sumisse.
As duas garotas entraram numa das charretes que levavam a escola, Gina não se surpreendeu ao conseguir enxergar os testrálios que a guiavam. Já vira muitas mortes naquela Guerra e nenhuma delas marcara tanto quanto a morte de Dumbledore no ano passado, a ruiva vira todas as suas esperanças caírem por terra, esperanças essas que ressurgiram quando foi tocada pelo amor frio, porém belo de Colbie Summers...
Gina soltou um suspiro pesado, era inevitável, todos os seus pensamentos tinham como ponto de partida e ponto de chegada o seu amor. Estava vivendo de amor, para o amor e com amor. Ninguém poderia evitar que amasse, seu amor estava salvaguardado em seu peito, pronto para ser liberto quando Colbie mais precisasse de si... Só que Gina era humana, não saberia até que ponto conseguiria suportar a ausência da sua morena.
O silêncio amigável entre Gina e Luna foi quebrado com um murmúrio de gritos, a ruiva destinou seus olhos à confusão e deu de cara com Malfoy, mais uma vez, ladeado por seus dois comparsas. Ele estava rindo da cara de alguém, a ruiva não conseguia enxergar por causa da multidão em volta, desceu da carruagem apressada, preocupada com o fato de ser alguém que conhecesse.
E de fato era. Neville Longbottom estava caído no chão, com Malfoy, Crabbe e Goyle rindo ao seu redor. Gina não deu nem tempo para que Luna a segurasse, apressou o passo na direção da confusão, segurando a varinha por baixo do casaco. Estaria disposta a qualquer coisa, até mesmo a matar os três que riam do pobre Neville.
Ao se aproximar mais da cena, Gina notou que Neville tinha a expressão séria, mas que lágrimas podiam ser vistas manchando seu rosto redondo e branco. A ruiva gritou antes mesmo de chegar ao local:
- Ora, o que os medíocres estão aprontando?
- O que Weasley? Está falando comigo? – Malfoy perguntou com a expressão fingindo uma leve surpresa, seus olhos estreitaram-se e ele deu um sorriso sarcástico. Gina parou e ajudou Neville a se levantar, acotovelando Crabbe e Goyle no mesmo movimento. Luna veio a seu encalço e observou a confusão com seus olhos atentos. Gina deu um sorrisinho e disse irônica:
- Olhe Malfoy, se você é burro o bastante pra não saber quando falam com você... Desculpe-me, mas o problema é seu e não meu.
- Ora sua desgraça... – Malfoy começou a dizer e a avançar em sua direção com os olhos em fúria, Gina continuava a sorrir sem medo algum, era capaz de estuporar Malfoy a qualquer momento. Mas nesse instante, uma voz feminina irrompeu mal humorada:
- Draco! Será que você não consegue passar cinco minutos sem se meter em confusão? Você é babaca ou algo do gênero?
- Ruby, sua vagabunda... Olhe como fala comigo! – Malfoy disse raivoso enquanto encarava a morena que acabara de sair do vagão. O coração de Gina quase veio a boca quando ela viu quem descia logo atrás. Colbie estava elegante, como sempre, as mãos dentro do sobretudo preto que usava e os olhos frios, observando a cena com tédio. Em nenhum momento destinou seu olhar a Gina, estes permaneceram em Ruby.
Gina lançou um olhar furtivo para Luna que rapidamente entendeu e fez um sinal afirmativo com a cabeça, Colbie percebeu esse olhar e seus olhos arregalaram-se em compreensão por alguns segundos. Luna era a oportunidade perfeita para colocar seu plano em prática.
- Malfoy, como eu disse... Tenha um pouquinho mais de educação, senão vou ter que acabar te castrando! – Ruby respondeu com um sorrisinho sarcástico enquanto sacava a varinha e a apontava para a região entre as pernas de Malfoy, o loiro engoliu em seco enquanto algumas pessoas riam da situação. Colbie pigarreou e disse séria:
- Não vamos perder nosso tempo... Temos mais o que fazer.
- Concordo plenamente com a Colbie! – Ruby disse abrindo um sorriso falsamente doce e encarando Gina enquanto ia para o lado da morena e passando a mão levemente pelas costas dela. Colbie afastou-se e Gina sentiu o ciúme baixar dentro de si, Colbie encarou Ruby com desgosto e disse para Malfoy:
- Vamos, entrem logo na carruagem e eu não quero vocês aprontando, se eu pegá-los... Pode ter certeza que terei um prazer imenso em castigá-los!
Malfoy, Crabbe e Goyle a obedeceram com um aceno na cabeça desgostoso. Colbie só abrandou a expressão quando viu que a carruagem que eles ocupavam sumiu na noite. Depois seu olhar voltou-se rapidamente para Gina, as duas encararam-se por alguns minutos, Gina ainda conseguia sentir aquele pedido de desculpas e de socorro naqueles olhos verdes...
Colbie desviou os olhos, se continuasse a olhar para Gina, seria capaz de cometer uma loucura. Colocou as mãos nos bolsos novamente e saiu caminhando pela multidão com Ruby em seu encalço. Luna e Gina puxaram Neville consigo até a carruagem que ocupavam, Luna sorriu para o garoto e perguntou:
- O que foi que você fez dessa vez?
Mas Neville não lhe deu atenção, seus olhos estavam focados em Gina que continuava a olhar por cima do ombro, não perdendo o andar elegante de Colbie entre a multidão. O garoto pode ver que os olhos estavam brilhando, com lágrimas prontas para escorrer a qualquer momento. Gina, por sua vez, não queria perder nada de Colbie.
O beijo, o sorriso, a voz... Tudo funcionava como um elixir da vida, tinha que guardá-los dentro de si para poder continuar a sua batalha, para poder ter Colbie de volta. Os olhos castanhos de Gina já não alcançavam mais os movimentos da morena, ela então os desviou e pela primeira vez, encarou a expressão que Neville trazia no rosto. O rapaz estava com os olhos semicerrados, ele disse sério:
- Eu te disse que uma hora ou outra ela iria se tornar uma comensal.
- Eu sei Neville, agora não me vem com essa de “eu te avisei” senão eu vou ter que ser obrigada a te azarar de alguma forma! – Gina disse tensa enquanto entrelaçava as mãos sobre o colo e via a paisagem de escuridão passar sobre seus olhos enquanto era conduzida a escola. Neville segurou uma das mãos de Gina e disse sorrindo:
- Não Gina, eu não vou fazer isso. Não seria lucrativo você gastar sua energia comigo nessa guerra, guarde-a para os comensais.
- Obrigada Neville, muito obrigada. – Gina disse aliviada enquanto abraçava o garoto, só estava de corpo presente ali, pois seu coração e sua alma haviam sido levados há muito tempo.
***
Gina estava perdendo a noção do tempo e além de tudo, também estava perdendo a noção de suas obrigações e de suas ações. Seu cérebro parecia tão desligado do resto de seu corpo que era cada vez mais freqüente a garota se meter em confusões, ou seja, as detenções voltaram a ser freqüentes.
A ruiva também não recebia mais notícias do irmão, a última que chegara a seus ouvidos era de que estavam em uma comunidade rural no interior da Inglaterra, estava preocupada com Rony, nunca ficara tanto tempo sem receber alguma notícia dele e aquela já fazia quase uma semana.
Gina descia as escadas rapidamente, estava evitando a companhia de Luna, precisava de um tempo sozinha parar colocar seus pensamentos no lugar. A ruiva não percebia por onde andava, por isso surpreendeu-se quando viu que estava na mesma escadaria onde Colbie aparecera do nada e acabara seduzindo-a...
Rapidamente a garota sentiu suas pernas cederem e sua respiração tornar-se ofegante. Colbie estava tão diferente, nem ao menos a olhava mais e Gina começara a acreditar que talvez a morena quisesse se afastar mesmo. Continuou a andar, era noite já e para ela, a noite era o horário mais perigoso na escola.
Enquanto apressava o passo, ouviu vozes conhecidas em movimento no próximo corredor.
- Talvez devêssemos incriminá-la de alguma forma...
- Não, teremos aquele ataque contra Hogsmeade, podemos matá-la ali, ninguém vai suspeitar.
- Não Draco, David não ia querer isso.
- Ele quer Colbie morta de qualquer jeito, é a única coisa que ele quer.
O coração de Gina veio à boca, ela apressou-se para entrar numa sala vazia enquanto um turbilhão de pensamentos invadia sua mente com violência. Estavam querendo matar Colbie. A ruiva sentiu as mãos tremerem e seu coração acelerar com aquele pensamento, o buraco que tinha dentro de si ardeu e ela apertou uma das mãos contra o peito tentando amenizar a dor.
- Espere, tinha alguém aqui! – A voz seca de Draco pode ser ouvida dentro da sala onde Gina estava, ela sentiu sua mão correr para a varinha enquanto procurava alguma forma de sair dali com vida. A garota mal se levantara e atravessara a porta dos fundos da sala quando a porta se abrira e por ela passara Draco e Crabbe, o loiro não pode conter um sorriso quando enxergou os cabelos vermelho fogo atravessarem a outra porta.
Iniciou a sua corrida enquanto Gina, a sua frente, corria como nunca. Tinha que contar o que ouvira a Colbie, ela precisava saber que estava sendo jurada de morte. A ruiva passava por todas as passagens que conhecia, sem nem ao menos prestar atenção por onde ia.
Podia ouvir passos atrás de si, a distância que a separava de seus perseguidores não era tão grande. Estava próxima a Torre da Grifinória, mas ainda era um caminho longo. A ruiva recuperou um pouco do fôlego e continuou a correr, até que um feitiço atingiu a parede atrás de si e a fez parar. A garota virou-se e encarou a face dos seus perseguidores, Draco estava com um sorrisinho vitorioso e Crabbe parecia achar graça da situação.
- Há tempos que eu esperava o momento em que eu ia capturar a pequena Weasley... – Draco sibilou ameaçador enquanto dava alguns passos a frente, Gina ergueu a varinha, pronta para duelar até a morte se preciso. A ruiva deu um sorrisinho sarcástico e disse:
- Então vai ter que esperar mais um pouquinho, porque eu não vou deixar que me pegue agora. Se nunca deixei, o que te faz pensar que hoje conseguirá?
- Não sei se você percebeu Weasley, mas são dois contra um aqui... – Draco murmurou ironicamente enquanto apontava para si e para Crabbe que riu gostosamente por alguns segundos. Gina estava preocupada, nunca duelara em desvantagem. Mas então, uma das portas se abriram e por ela saiu a Professora Minerva, a expressão dela estava séria e quando seus olhos encontraram Gina, ela pigarreou e disse:
- Os dois, voltem a sala comunal da Sonserina, não deveriam estar fora da cama a essa hora.
- Como quiser, professora. – Draco disse com o escárnio bem presente na sua fala, os dois deram as costas e saíram caminhando pelo corredor. Gina respirou aliviada e disse:
- Obrigada professora, não sei o que teria acontecido se você...
- Entre Weasley. – Minerva ordenou autoritária enquanto entrava na sala, Gina a obedeceu e entrou junto com a senhora nos aposentos. A ruiva notara que estava na sala da professora, Minerva trajava um robe e seus cabelos estavam presos. A senhora caminhou um pouco pela sala e serviu-se de chá, depois pigarreou e perguntou cansada:
- O que você pensa que está fazendo Weasley?
- Não importa professora! Eles estão planejando assassinar Colbie Summers, temos que fazer algo para ajudá-la! – Gina disse com o desespero aflorando em sua voz, Minerva arregalou os olhos e disse:
- Não temos nada a ver com ela Gina, ela é uma comensal, deixou de ser nossa responsabilidade há muito tempo!
- Droga, pois bem... Eu vou ajudá-la, de alguma forma e não vai ser a senhora que vai me impedir! – Dizendo isso, Gina saiu da sala a passos firmes enquanto Minerva pegava uma pena e preparava-se para redigir uma carta.
***
Colbie não pregara os olhos durante a noite, estava preocupada. Draco e Crabbe haviam chegado na noite passada com sorrisos vitoriosos e pareciam estar felizes com alguma coisa. Estava preocupada, tinha certeza que aquilo tinha a ver com Gina de alguma forma. A morena saiu da cama assim que viu os primeiros raios de sol da manhã invadirem seu quarto, trocou-se rapidamente e fez sua higiene diária.
Precisava verificar se Gina estava bem, não podia ignorar o que tinha em seu peito. Não podia ignorar o fato de que ela era a sua fonte de vida e também não podia ignorar que amava aquela ruiva com todas as suas forças. Seu coração apertou-se e a morena tentou a todo custo manter a expressão séria enquanto atravessava os corredores a passos largos e firmes.
A morena caminhou até a porta do Salão, ali sentou esperando que Gina aparecesse a qualquer momento, enquanto esperava, bolava um plano para que pudesse colocar de uma vez por todas na cabeça da ruiva que ela deveria se afastar... Colbie sabia que doeria menos em Gina se esta te odiasse, estava disposta a fazer Gina esquecê-la para não sofrer quando o destino inevitável caísse sobre si.
Perdida em seus pensamentos, não notou quando uma garota parou a sua frente. O vento bateu e aquele perfume floral que tantas vezes amanhecera impregnado em sua pele chegou a seu nariz, levantou os olhos lentamente e seus verdes perderam-se na intensidade e no calor dos olhos castanhos que a encaravam com curiosidade.
- O que está fazendo aqui Summers? – Gina perguntou séria, tentando não deixar transparecer a vontade que tinha de se aconchegar nos braços de Colbie. A morena levantou-se e focalizou seus olhos no jardim, depois respirou fundo, tentando guardar aquele perfume para si durante toda a eternidade. Colbie respondeu calmamente:
- Esperando você, tentando deixar algumas coisas claras.
- Talvez devesse começar agora então, ainda temos tempo antes que a sua amiguinha Valentine apareça por aqui... – Gina não pode deixar de conter o ciúme enquanto pronunciava essas palavras e Colbie esforçou-se para conter o sorriso que queria dar. Como sempre, Gina estava com ciúmes, mas a ruiva não sabia que seria a dona do coração da morena pelo resto dos dias de sua vida... Colbie pigarreou e disse:
- Como sempre Weasley, você não faz nada que te pedem. Será que não pode ficar longe de mim? Você pode acabar morrendo!
- Não Colbie! Você que vai acabar morrendo se insistir nessa palhaçada! Draco e um tal de David estão planejando te matar na próxima ida a Hogsmeade! – Gina disse desesperada enquanto as palavras irrompiam de sua boca sem que ela pudesse controlá-las, logo as lágrimas brotaram de seus olhos e escorreram por sua face. O buraco dentro de si mais uma vez ardeu, a idéia de ficar sem Colbie fazia com que sua alma partisse em pedaços.
Colbie arregalou os olhos, sem saber o que fazer. Estavam querendo matá-la? Então tinha que começar a agir rapidamente, não queria que todas as pessoas que perdera fossem em vão, precisava agir e o momento era aquele. Estava para dar as costas e preparar-se quando levantou os olhos para Gina, aquele fora seu pior erro.
Assim que seus olhos verdes focalizaram Gina, Colbie esquecera completamente sua razão, suas idéias e a sua missão. A ruiva chorava silenciosamente, tentando reprimir as lágrimas com violência, Colbie deu um passo a frente, mas recuou em seguida, com medo do que aquilo poderia gerar em seu coração. Estava farta de sentir-se destruída toda a vez que se aproximava de Gina.
Colbie, com muito esforço, deu as costas a Gina e saiu caminhando pelos corredores enquanto as lágrimas também rolavam por sua face. Começou a correr e o choro tornou-se mais sofrido e mais doloroso, parou e escorregou pela parede, sentando-se no chão com as mãos sobre o rosto. Então, sentiu um leve toque em sua pele, novamente aquele mesmo perfume floral te invadindo por inteiro. Gina levantou sua face e tirou as mãos de seu rosto, a ruiva deu um sorriso choroso e perguntou:
- Por que você tem que complicar as coisas?
- Gina, você sabe muito bem que eu não complico as coisas... Alguém tem que ser a racional. – Colbie respondeu na defensiva enquanto levantava-se e tentava manter Gina longe de si, a ruiva deu um sorriso para os próprios pés. Limpou as lágrimas e disse:
- Esse alguém não é você Colbie, será que você ainda não entendeu que eu não importo o que você é agora? Não dizem que o amor é cego? Pois bem, estou feliz em ser eternamente cega por você...
- Droga Gina! Pense um pouco, você não tem medo de mim? – Colbie perguntou fora de si enquanto entrava em uma sala, ninguém precisava ver as duas discutindo daquela forma no corredor. Colbie pode ouvir as risadas de Gina a suas costas, também pode senti-la caminhando até si, Gina ficou na ponta dos pés enquanto sibilava ao pé do ouvido da morena:
- Acha que se eu tivesse medo de você eu estaria aqui? Eu tenho medo de te perder, é disso que eu tenho medo, só disso. E parece que cada vez mais se torna evidente que eu vou te perder nessa guerra...
Colbie respirou fundo tentando manter seu autocontrole enquanto sentia a respiração de Gina em seu pescoço, tudo que queria era reconfortá-la, mas também, tinha que se manter longe para que ela se mantesse viva... A morena virou-se para encarar a ruiva e nesse momento, esqueceu de todas as suas preocupações e da notícia que recebera.
Gina estava com os olhos baixos e assim que ela os levantou, Colbie perdeu completamente a noção de suas ações. Era fraca demais para esquecer ou até mesmo negar um amor tão forte, aquela ruiva mudara suas concepções, mudara sua forma de agir e de alguma forma, mudara sua vida.
Colbie pegou uma das mãos da ruiva e colocou-a próxima a seu rosto. Aquela pele tão quente que trazia tranqüilidade em meio a tanta destruição, Colbie fechou os olhos enquanto sentia a pele de Gina junto da sua. As duas conseguiam se completar, mesmo sendo uma grifinória e uma sonserina, uma a Luz e a outra as Trevas...
Gina sorriu e segurou a face de Colbie com a outra mão, a morena abriu os olhos e sorriu pela primeira vez. Gina aproximou-se e tocou os lábios de Colbie levemente, logo, a morena já trouxe o pequeno corpo da ruiva para junto do seu. As duas ficaram se encarando por alguns minutos, dizendo verdades com o olhar, sibilando juras e promessas de amor com os olhos...
Colbie continuava a sorrir, poderia estar fazendo uma besteira, mas estava cansada de lutar contra algo que não tinha como bloquear ou matar. Seu amor era teimoso e cabeça-dura, como a sua ruiva que agora estava em seus braços...
Gina correu a mão pelas costas de Colbie e pode sentir a morena arrepiar-se com o toque. As duas sorriram uma para outra e Colbie aproximou-se para tocar os lábios de Gina. As bocas se uniram em perfeita harmonia, Colbie prensou Gina na parede enquanto explorava cada parte do corpo da ruiva que nunca esquecera.
Beijou a curva do pescoço de Gina, sentindo a mão da ruiva correr pela sua nuca. Beijou os cabelos de Gina com saudade e sentiu a ruiva soltar um pequeno gemido de prazer. Depois voltou a boca e a beijou como se fosse a última vez.
Assim que as bocas se tocaram, uma onda de energia percorreu o corpo das duas. Trazendo amor e esperança, as mãos se entrelaçaram e logo a falta de ar tomou conta das duas obrigando-as a respirar. As duas se separaram, Colbie ofegante e Gina com a face vermelha. Encararam-se sérias, Colbie juntou a testa da outra com a sua e disse rindo:
- Parabéns, você conseguiu. Eu não vou mais lutar contra você.
- Você sabe muito bem que eu sempre consigo o que quero... – Gina disse com um sorriso sedutor nos lábios, Colbie riu da garota que era o amor da sua vida. A ruiva separou-se de Colbie e saiu caminhando pela sala, sentou-se em uma mesa e perguntou:
- Está falando sério não é mesmo?
- Claro que sim Gina, eu não vou ficar lutando contra algo que eu sei que não vou conseguir vencer... Sou insistente, mas não sou burra. – Colbie disse sorrindo enquanto rompia a distância que as separava, sentou-se ao lado da ruiva na mesa e passou os braços em volta dela. Gina aconchegou-se sentindo a respiração fria de Colbie em seu pescoço, depois sorriu e disse:
- Achei que você fosse burra, porque é complicado resistir a mim.
- Deve ser porque você é teimosa e nunca aceita as coisas que são impostas a você. – Colbie disse apaixonada enquanto fechava os olhos e sentia a batida de seu coração, ele estava calmo e aliviado, batendo na mesma intensidade que o de Gina. A ruiva segurou as mãos de Colbie que estavam em sua barriga, fechou os olhos e inspirou o perfume amadeirado da outra, estava com saudades daquele contato. Só então entendeu, Colbie era o seu essencial, se a tivesse, poderia perder tudo, mas continuaria viva...
As duas calaram-se por alguns segundos. Presas em seu próprio mundo, em seus sentimentos puros que rompiam toda a lógica de uma Guerra. Estavam juntas e aquilo era o mínimo que precisavam para sobreviver. Gina passou a unha levemente por uma das mãos de Colbie e disse:
- Sabe, eu preciso te dizer uma coisa.
- O que é Gina? – Colbie perguntou virando a ruiva para si e a encarando nos olhos, Gina corou levemente quando sentiu a intensidade e a paixão daqueles olhos verdes. Eles não tinham mais aquela mágoa, tinha apenas alegria e vontade de viver. A ruiva respirou, segurou a face de Colbie e disse fervorosamente:
- Eu te amo e isso nunca vai mudar...
- Eu também te amo Gina, até o fim dos meus dias... – Colbie respondeu seriamente enquanto beijava Gina. A ruiva sentiu um aperto em seu peito, não sabia o que aquilo queria te dizer, mas esperava que o fim dos dias de Colbie nunca chegasse.
***
Ruby acordou com um barulho de água correndo, estava bem claro até, as nuvens já tradicionais dos dementadores encobrindo quase que por inteiro os raios de sol. A morena chutou as cobertas enquanto levantava e rumou para o banheiro, para escovar os dentes e se arrumar.
Notou que Colbie já se levantara, ao pensar nela, sentiu novamente aquele medo e aquela pena. Procurou tirar todos esses pensamentos de sua cabeça enquanto olhava-se no espelho, procurando concentrar-se no que tinha que fazer para se salvar e salvar Pansy. Tinha que dar um jeito de proteger a família Parkinson, Pansy não suportaria perder os pais.
Enquanto encarava-se no espelho, por trás de todo o vapor que preenchia o local, reconheceu cabelos loiros e compridos por trás dos boxes. Os contornos do corpo de Pansy estavam embaçados, mas Ruby seria capaz de reconhecê-los em qualquer lugar.
Lembranças vieram a memória de Ruby e ela não pode deixar de sorrir. Nesse instante, a porta do boxe abriu e Pansy saiu enrolada em uma toalha dali, a loira corou furiosamente quando viu quem a observava e também corou pelo fato de Ruby só estar de calcinha e camiseta.
- O que foi Pansy? Não precisa corar, você me conhece muito bem... – Ruby disse sorrindo enquanto terminava de lavar o rosto e saía do banheiro, só as duas estavam no dormitório e logo que Pansy percebera isso, começou a temer por sua vida. Pansy trocou-se rapidamente e disse:
- É que eu não estou acostumada a me pegarem seminua no banheiro... Onde está a sua educação Ruby? Será que não percebeu que eu...
Pansy viu Ruby aproximar-se sorrindo, a morena deu-lhe um selinho e disse ao pé do ouvido:
- Eu te amo garota, da minha forma, mas nunca se esqueça que eu te amo...
Dizendo isso, a morena trocou-se rapidamente e saiu do dormitório acenando e sorrindo. Pansy ficou imóvel no mesmo local, sem entender nada. Ruby estava mudando, mas restava saber se aquilo era bom... Porque vindo de Ruby Valentine, qualquer coisa poderia tornar-se extremamente perigosa.
A loira não pode deixar de sorrir quando sentiu um leve arrepio percorrer seu corpo ao lembrar-se do beijo, é... Realmente existiam certas coisas que o tempo não matava, existiam certas coisas que eram eternas e nunca mudavam...
***
Muito longe dali, um homem entrava em casa. Abriu a porta e colocou a pasta sobre a mesa, estava cansado, seus olhos estavam vermelhos e aparentava ter envelhecido dez anos na última semana. Sentiu seu coração apertar quando contemplou a casa tão vazia, também sentiu uma dor no peito, era uma dor tanto física como espiritual.
Caminhou pesadamente até a cozinha onde pegou um copo de água e voltou a sala, assim que voltou, seus olhos se arregalaram quando viu quem estava esperando.
- Como ainda tem coragem de vir aqui? – O homem perguntou repleto de raiva ao ocupante da poltrona próxima a janela, o ocupante levantou-se e saiu das sombras revelando longos cabelos negros. A mulher deu uma risada sarcástica e disse:
- Vim fazer uma coisa que há muito tempo desejo...
Dizendo isso, sacou a varinha, o homem nem teve tempo de reagir, logo já estava imobilizado por um feitiço. Seus olhos estavam aflitos e inquietos. A mulher aproximou-se dele e agitou a varinha.
Um raio verde tomou conta da cena por alguns momentos.
A mulher riu enquanto desaparatava.
Henry Summers jazia imóvel na sua sala de estar, com os olhos inquietos e abertos.
***
Enfim... O que acharam do capítulo?
Esperavam mais? HASUAHSUASHUASHUASHUAS
Bem, mesmo senão gostaram, comentem por favor... Não cairá o seu dedo se fizer isso!
Beijos e até a próxima ;*