Já eram 6 horas e as aulas já haviam terminado. Rose saía da sala de poções nervosa e ansiosa.
- Ai, Al! O que é que eu faço? - disse Rose.
- Rose, acalme-se! É só não olhar para ele durante a detenção e evitar falar que vai ficar tudo bem... Eu espero! - disse a últma parte baixinho.
- Tudo bem? Não vai ficar tudo bem! - Rose andava de um lado para o outro enquanto falava com o primo - E se ele puxar assunto? E pior! E se ele estiver bravo comigo? Não foi minha culpa a gente ter sido pego... Ou foi? Minha nossa! É ele quem está vindo! Acho que vai falar comigo!
- Rose, aja naturalmente, como se ainda o odiasse. Nossa, isso soou estranho...! E respire fundo - ele disse isso e ela inspirou profundamente - isso, isso mesmo - ela começou a ficar roxa - Calma! Pode soltar! - Ela expirou.
- Eu estou bem melhor. Obrigada, Al.
- De nada! - respondeu ele.
- Agir naturalmente. Como se ainda o odiasse. Ok. Eu posso fazer isso. Eu sempre fiz... Não vou deixar de fazer logo agora e além do mais ele nem é tão bonito assi... - não consiguira terminar a frase ao olhar para Scorpius, que caminhava em sua direção. Ela não podia negar! Ele era um garoto realmente bonito. Estava mais que em forma, pois fazia muito exercício sendo o artilheiro da Sonserina. Era alto e tinha os cabelos mais loiros e sedosos que Rose já vira. Seus olhos eram levemente acinzentados, mas isso apenas aumentava o seu charme. também era muito cobiçado pelas meninas... - Minha nossa! Como ele é lindo!
Alvo olhara para trás e vira o o motivo do comentário da prima.
- Você tem que para com isso! É sério! - disse ele, com aquela mesma cara que fizera no café-da-manhã. Não estava mais agüentando aqueles elogios fora de hora ao loiro.
- Desculpe! Simplesmente saem pela minha boca. - disse envergonhada.
Então, o sonserino chegou.
- Olha, eu acho que a gente tem detenção agora então... Vamos? - disse o loiro, dirigindo-se a ruiva.
- É claro! Eu quero dizer... Eu não tenho escolha mesmo! - disse tentando disfarçar.
E, ao ver a prima e Scorpius se distanciando, Alvo disse para si:
- Isso não vai dar certo!
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Estavam sozinhos no corredor e caminhavam devagar, pois ainda faltava uns quinze minutos para a detenção começar.
- Então... - começou Rose, indo contra tudo aquilo que havia dito antes.
- O quê?
- Como conheceu a garotinha que você está dando aulas?
- Você é bem curiosa, não?
- Me desculpe, eu não quis...
- Tudo bem, relaxa! Só comentei! Se quer saber, eu conheci Sophie no Beco Diagonal. Eu estava na Floreios e Borrões, quando vi que uma menina estava... Por que está me olhando assim?
Rose acordou do transe.
- Er... Nada! Continue! - disfarçou.
- Bom, e vi uma menina tentando pegar um livro numa pratileira, mas ela não o alcançava. Eu fui lá ajudá-la e perguntei que livro era. Ela disse que era um de feitiços e contou também que estava querendo aquele livro porque sempre teve dificuldade em executar feitiços. Falei que era bom, daí... Bem, daí que prometi que a ajudaria no primeiro ano dela em Hogwarts! Mas isso fica entre nós, certo? Como eu disse, se descobrirem, eu... eu nem quero pensar no que irá acontecer comigo!
- Não sei porque faz isso! - disse Rose, que parecia indignada.
- O quê? Ajudar a primeirista?
- Não! Não sei porque finge ser alguém, que na verdade, não é!
- Mas eu sou... - ele olhou para o rosto de Rose e por sua expressão, pôde finalizar a frase - ...uma mentira!
- Não diria que é uma mentira, sabe...Mas sim, que você tem medo!
- Medo? E medo de quê? - perguntou curioso.
- Medo de mostrar quem você realmente é!
Ele baixou a cabeça, refletindo sobre as palvras de Rose. Após alguns instantes, levantou a cabeça novamente, virando-se para a garota.
- Sabe, Weasley, apesar de irritante - ele sorriu - você até que é legal.
- Ora, não fale coisas das quais possa se arrepender depois, Scorpius. Daqui a pouco já estará me chamando de louca e ruivinha de novo!
Ele riu.
- Mas você é ruiva! - disse ele.
- Até aí, não fico te chamando de loirinho!
- É, tem razão. Eu não ia gostar se o fizesse!
Os dois riram juntos desta vez.
- Scorpius?
- O quê? - começava a achar estranha a freqüência com que ela estava chamando-o pelo primeiro nome.
- Por que fazemos isso?
- Fazemos o quê?
- Brigamos e discutimos tanto!
- Eu não sei... Talvez eu até goste de te provocar!
- E eu de te irritar! - respondeu sorrindo para ele. - Mas por que teremos de brigar amanhã? Estamos nos dando tão bem agora!
- Acho que é assim que tem que ser, sabe?
- Sermos inimigos mortais em público?
- Eu acho que seria estranho se nós ficassemos amigos assim de repente! Acho melhor manter as coisas como antigamente.
- As coisas não são como antigamente. Não somos mais duas crianças, Scorpius.
- Mas só por isso quer dizer que temos de nos tornar melhores amigos?
- Não, mas é justamente por isso que não vamos conseguir ser mais inimigos! Você não vê? Quantas conversas civilizadas tivemos em apenas dois dias? Uma e meia! Acho que é nosso recorde!
- Meia?
- É porque a de ontem vale como meia.
- Rose?
- Sim? - ela se virou para ele, feliz por tê-la chamado pelo nome.
- Obrigado.
- E pelo quê?
- Você é a primeira com que tenho uma conversa... Sendo eu mesmo! E sabe do que mais? Eu gostei.
- Nesse caso, de nada. - disse sorrindo - Olhe, chegamos!
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- Bom, só precisam fazer os exercícios do pergaminho, então, estarão liberados. - disse a diretora - Mas eu não estarei aqui para supervisioná-los. Confio que cumprirão a tarefa e que deixarão sobre minha mesa. Por favor não toquem em nada. Com licença. - finalizou, ao sair pela porta.
Rose terminara em menos de dez minutos, mas fingiu que ainda estava fazendo a tarefa para esperar Scorpius. Ela notou que ele estava empacado numa questão, então perguntou:
- Precisa de ajuda?
- Não, valeu.
- Tem certeza? - disse, se inclinando na cadeira.
- Já disse que não quero ajuda! Caramba!
Ela voltou a se acomodar em sua cadeira, com uma expressão triste no rosto.
- Afinal, o que é uma pedra tirada do estômago do bode e que protege contra poções venenosas? - perguntou a si mesmo, impaciente.
- Tem certeza que não quer ajuda? Eu já terminei a tarefa e...
- E por que ainda não saiu? - interrompeu Malfoy.
- Porque eu... Er...
- Quer saber, eu aceito a ajuda!
Rose ficara aliviada por não ter de dizer o motivo de ter ficado lá.
- Bom, a resposta é obviamente o bezoar! Quantos tipos de pedras estômagos de bode existem, afinal?
Ela não pode evitar em dar um sorriso ao garoto. Estava tão hipnotizada por aqueles olhos... E ele estava começando a achar estranha a forma que ela estava agindo com ele, então disse, quebrando o clima:
- Finalmente! Agora eu já posso ir embora - dizia, enquanto punha a tarefa na mesa da diretora. Rose fez o mesmo.
Os dois desceram a escada em forma de espiral e então pararam em frente a entrada.
- Bom, então acho que nos veremos amanhã... Na detenção...- disse Rose.
- Não precisa ser só na detenção!
- Como assim?
- Acho que... Poderíamos... Nos encontrar fora da detenção! - falou ele.
- Pensei que não quisesse ser meu amigo!
- Eu quis dizer que... Ninguém precisa saber!
- Lá vem você de novo com esse papo de "não conte à ninguém", "minha reputação e blá, blá, blá!" - caçoou ela.
- Eu só acho que.... Poderíamos tentar... Essa coisa de "amizade"!
- Eu e você? Amigos de verdade? Acho que a questão do bezoar afetou o seu cérebro!
- Você não entende! Você é a única com quem consigo ser eu mesmo! E se um dia decidisse mostrar quem eu realmente sou, precisaria... da sua ajuda... Rose.
Tinha ficado de certa forma comovida com aquilo que o garoto lhe disse. Ele realmente queria ser amigo dela, apesar de não admitir com essas palavras e novamente a chamou pelo nome, o que a fizera ficar ainda mais tentada.
- Está bem. Mas não pense que iremos nos tornar melhores amigos ou... Alguma coisa!
Eles combinaram de se encontrar no lago pouco antes do sol nascer, assim provavelmente ninguém os veria.