- Roxanne. – Ele sussurrava enquanto parava para pegar fôlego. – Roxanne. – Ele praticamente gemia. As mãos ágeis estavam mais uma vez dentro da minha blusa, massageando minha cintura. Eu já tinha desfeito o nó da gravata dele e jogado por cima do ombro há tempos. – Roxanne. – Ele separou os lábios dos meus com dificuldade, como se fosse um sacrifício pra ele. Tocou a testa na minha e arfava como se acabasse de sair da água após um longo tempo sem respirar. Apertou minha cintura e eu ri. Também arfava.
- A opção B parece bem boa agora, não é? – Eu disse. Ele estava com olhos fechados. Segurei seu rosto. – Me leve daqui agora... – Eu sussurrei.
- Não vou fazer isso com você, Roxanne. – Ele disse, pondo as mãos por cima das minhas. – Não vou me aproveitar... De você.
Eu arregalei os olhos e me soltei.
- E em momento nenhum eu cogitei isso. – Eu falei, erguendo um pouco a voz. – Como... Como se aproveitaria de mim?
Ele sorriu pra mim, um sorriso de suplicia.
- Roxanne... Você está deslumbrada. – Ele disse, e eu abri a boca de espanto.
- O-que? – Eu perguntei. Ele fez um gesto desajeitado.
- Não, não quis dizer que... – Ele parou um segundo. – Você está deslumbrada comigo, é isso. Você percebe que eu estou apaixonado por você e acha isso bom. Porque o Louis nunca deu a você o que você merecia e o seu ex-namorado é um pilantra mentiroso, e eu, modéstia a parte, sou uma pessoa decente. – Ele tocou meu cabelo com a ponta dos dedos, concentrando-se nele. – Você merece ser amada. Muito.
- Então me ame. – Eu falei, segurando o pulso dele com delicadeza. – Você é a melhor pessoa pra isso. Eu sei que não sou uma Daisy da vida... Mas eu sei que posso deixar você feliz. – Eu ri, virando de costas. – E eu só te conheço há dois dias... – Eu ouvi ele rindo e eu virei pra ele de novo. – Qual a graça?
- Eu realmente tinha fé de que você fosse se recordar alguma hora. Mas eu vejo que vou fazer isso pra você, cedo ou tarde. – Ele sentou-se no sofá de novo e fez sinal pra eu me sentar ao lado dele. – E se eu dissesse que nós nos conhecemos há muito, muito tempo?
- Eu diria que é loucura. – Eu falei, franzindo o cenho, e procurando por aquele rosto desesperadamente na minha memória. Ele riu, mais uma vez.
- Aniversário de sete anos do Louis, n’A Toca. Embaixo da árvore. Anéis feitos de cascas de... – Ele estralou os dedos.
- Cascas de laranja. – Eu falei, a boca abrindo de espanto. – Cascas de laranja que nós roubamos da sobremesa da minha avó.
- Exatamente. – Ele disse, sorrindo por fim.
Ok, pra leitora/leitor que não está entendendo, uma explicação bem rápida. Eu estava começando a ter o que eu chamo carinhosamente de Brainstorm. Uma Brainstorm é quando seu cérebro começa a funcionar a mil por hora, talvez até uns dois mil por hora. Nesse momento, era uma Brainstorm de memória: Eu estava lembrando do dia em que eu, Roxanne Kimberly Johnson Weasley, aceitei Gregory Alexander Hastings III como meu legítimo esposo, para amá-lo e respeita-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separasse, podem trocar as alianças de laranja, deixem o beijo pra depois, etc, etc, etc. Isso foi no aniversário de sete anos do Louis, em que nós fizemos nossas juras de amor. Eu, óbvio, não lembrava, mas Gregory tinha lembrado de tudo.
- Oh-my-Gosh. – Eu disse. Ri alto, gargalhei. Gregory me olhava com os olhos admirados. – Eu sou casada com você! Quer dizer, eu era, né, já que nossas alianças foram arrancadas de nós e postas na sobremesa. – Lambi os lábios e Gregory fez aquela cara de sacrifício já costumeira. – Sinto o gosto.
- É um dos motivos pelo qual o Louis ficou tão nervoso conosco. – Ele disse, chegando mais perto de mim. – Ele com certeza lembra do ódio que sentiu de mim naquele dia. Afinal, o aniversário era dele e eu que me casava com a garota dos sonhos dele. – Ele olhou para minhas mãos e suspirou. – Suas mãos continuam lindas como eram naquela época.
- Mas aquilo foi uma coisinha infantil, Greg. – Eu disse. – Nada com sentimento de verdade. Louis não pode simplesmente se irritar por isso...
- Na verdade, eu era louco por você naqueles tempos. – Ele disse, e eu ia responder aquilo com um ‘SÉRIO?!’ histérico quando três garotas absolutamente histéricas entraram no Salão Comunal.
- ROXANNE! – Berrou Cassie enquanto Bia e Sabinna me levantavam a força. – VOCÊ... TEM... QUE... VIR... CONOSCO!
- O que aconteceu, suas doidas? – Eu disse enquanto era puxada pra fora. Greg, obviamente, nos seguiu.
- É melhor você ver. Se nós contarmos, você não vai acreditar. – Disse Bia, aflitérrima.
Seguimos assim pelos corredores e escadas: Em silêncio. Eu olhava pra Greg de tempos em tempos e ele sorria pra mim, mas não falávamos. Chegamos no Salão Principal bem a tempo de ouvir McGonagall batendo na sua taça com o garfo, pedindo a atenção geral.
- Com licença, um pouco de silêncio, por favor. – Disse ela com sua voz soberana no Salão apinhado. – Gostaria de informar-lhes que, a partir da semana que vem, uma nova matéria será lecionada aqui, em nossa escola. – Ouviu-se um lamento geral, mas eu continuei prestando a atenção. – Não será uma matéria que valha pontos nos NOM’s ou NIEM’s, caso estejam pensando nisso. Mas haverá, sim, pontos extras que ajudarão vocês durante o resto do ano letivo. Essa matéria será lecionada apenas por alunos do 4º ano em diante. – Ela sorriu. – Vocês terão, a partir da semana que vem, aula de Orientação Vocacional com a srta. Lucy Weasley!
Chega. Esse capítulo tem que acabar aqui
Não se preocupe, vou continuar a contar. O que posso dizer? Como posso tentar exprimir os meus sentimentos? Como vou explicar o que senti quando todo o Salão, entusiasmado, começou a aplaudir Lucy? Como vou explicar a sensação de nojo que tive quando ela levantou-se, explêndida, da mesa dos professores, acenando e sorrindo para os alunos? Como vou conseguir dizer o que senti quando vi o olhar malicioso que três quartos dos garotos lançaram para ela? Como vou tentar explicar a vocês o que eu senti quando Louis olhou para ela e sorriu, sorriu radiantemente?
Bom, acho que eu já expliquei. Eu estava a beira do maior faniquito da minha vida.
- Quero-sair-daqui. – Eu disse as outras três.
- Mas Rox... – Começou Bia.
- IMEDIATAMENTE, BEATRICE! – Eu sussurrei com o faniquito vindo a minha garganta. – Se você não quer ir, ótimo, fique ai e celebre a vadiazinha.
Eu levantei fazendo barulho e rumei para fora do Salão com meus saltos-altos estalando no chão de mármore. Greg me seguiu enquanto os olhares me acompanhavam. Fora do Salão, já nos jardins absolutamente desertos, eu desabei. A visão de Lucy me trazia memórias de tudo que eu estava tentando desesperadamente esquecer. Greg me abraçou pelas costas enquanto eu deixava correntes de lágrimas rolarem pelo meu rosto. Ele postou o rosto no vão entre meu pescoço e meu ombro e uniu as mãos na minha barriga, logo abaixo do peito. Eu segurei uma das mãos dele e com a outra, tentei reter as lágrimas nos meus olhos.
- Por que ela te abala tanto, Roxanne? – Ele perguntou no meu ouvido, passando o nariz no meu pescoço. Eu solucei.
- Ela é um vadia, uma mentirosa, destruidora de lares. Ela é a pior pessoa que eu conheço. – Eu disse, levando a mão para trás e acariciando os cabelos dele.
- Sinto muito. – Ele disse, beijando meu pescoço singelamente. – Você não precisa falar sobre isso, se não quiser.
Virei-me pra ele, bem devagar, e toquei minha testa na dele.
- Como consegue ser tão maravilhoso comigo? – Eu perguntei, segurando as mãos dele. Ele riu.
- Como consegue ser tão maravilhosa? – Ele perguntou, e me beijou de novo.
O gosto de uva. Ah, o gosto de uva. (666’
- Sua boca tem gosto de uva. – Eu sussurrei minutos depois, quando seus lábios se separaram dos meus. Ele riu baixinho.
- Isso é bom ou ruim? – Ele disse, me abraçando pela cintura e me olhando nos olhos.
- É ótimo, na verdade. – Eu disse, lambendo os lábios. - <i>Amo</i> uva. – Eu senti o corpo dele estremecer quando eu disse aquilo. – Que gosto tem o meu beijo? – Ele pensou por um instante e sorriu.
- Gosto de laranja. – Ele disse, e eu ri. – Como os nossos anéis.
- Sério? – Eu perguntei. – E isso é bom ou ruim?
- Chega a beira da perfeição. – Ele disse, e levou a mão ao meu rosto. Contornou meus lábios com o dedo delicadamente, meu nariz e meus olhos. – Seus olhos são lindos. Apesar de que é piegas demais dizer isso.
Eu cai na gargalhada e me afastei dele, rindo.
- E você acha que me importo com isso? – Eu disse. Me aproximei dele de novo. – Vou voltar pra dentro do castelo. Tenho que matar minha prima antes que ela seduza você. – E apertei o nariz dele com o indicador e o polegar. – Te vejo depois? – Nem esperei ele responder. Beijei o canto dos lábios dele e sai correndo.
Quando entrei no Salão Principal, Lucy estava conversando com um monte de garotos em volta dela. Eu abri espaço entre eles com os cotovelos.
- ...E eu tenho certeza de que vamos nos dar muitíssimo bem... – Estava dizendo Lucy, que quando me viu, estancou. Eu sorri, e todos olharam pra mim. – Roxanne... Você está tão... Bonita...
- Eu sei, não é? – Eu dei de ombros, ainda sorrindo. – Você também está linda, querida. Mas também, não é, dia de apresentação em Hogwarts, você tem que causar uma boa primeira impressão.
Porque as próximas serão tenebrosas.
- Mas então, quer dizer que você será minha professora? – Eu perguntei. Os garotos prestavam atenção na conversa com muito entusiasmo. Eu estava quase da altura de Lucy com aqueles saltos-altos. – Vai ser tão divertido, não é, prima?
Ela assentiu com a cabeça, acho que atordoada demais pra responder.
- Senti tanto a sua falta. – Eu disse, e a abracei.
Ok, caros leitores que custam caro (ahn, ahn, sacou o trocadilho? :D ignore ;x), vocês devem estar se perguntando: OMFG, Roxanne, tá abraçando por quê? Ela é da turminha do mal ! (?). Bem, sabe aquele lance de ‘se não pode vencê-los, junte-se a eles’? É a maior besteira. Eu digo o seguinte: ‘Se não pode vencê-los agora, espere um pouco, fique amiga deles, descubra seu segredo mais porco, espalhe pra escola e derrote-os sem misericórdia’. Era meu caso com Lucy. Apesar de que eu já sabia de vários segredos sórdidos dela, certo?
- Eu também, Rox. – Ela sussurrou, e quando a soltei, senti o sorriso vindo ao rosto dela. Eu tinha a enganado direitinho.
S E G U N D A - F E I R A
- Roxanne? – Eu ouvi uma voz poderosa me chamando. Apesar de estar em um corredor lotado de gente, conversando praticamente aos berros com Cassie, Bia e Sabinna, com Greg abraçando meus ombros (aaah ♥), todos nós ouvimos. Virei-me e vi Alicia Cunningham destacando-se na multidão. Por ‘destacando-se’ eu quero dizer ‘aparecendo bem porque todo mundo estava se distanciando dela, porque todos naquele colégio tinham medinho dela’. Eu beijei a bochecha de Greg e ele sorriu pra mim. Só olhei pras garotas e elas já entenderam o recado. Fui abrindo caminho na multidão com os cotovelos, até parar na frente de Alicia. Nos fitamos por alguns instantes.
- Fala, Alicia. – Eu disse, meio ansiosa. Alicia normalmente não falava comigo.
- Não aqui. Vamos lá pra fora. – Ela disse, e não esperou eu assentir: Virou de costas e foi andando. Que garota mais mandona!, eu pensei, mas não era burra, então fui atrás dela. Andamos um pouco até achar um lugar bem vazio. Não fizemos questão de nos sentarmos em qualquer banco ali perto.
- Melhor aqui? – Eu perguntei, cruzando os braços.
- Sua prima. – Ela não respondeu minha pergunta, como dá pra perceber, mas eu entendi que estava melhor. Não era burra, sabe. – Sua prima e Kevin. O que você sabe sobre os dois?
Eu engoli em seco. Alicia dava medo mesmo.
- Sei o que o Kevin me contou, mas sabendo que ele é um mentiroso, eu desconfiaria.
- O que ele te contou, Roxanne? – Ela perguntou, claramente mais impaciente do que eu. Eu olhei pra cima: Lembrar das coisas que Kevin me dizia era razoavelmente nauseante.
- Ele me disse que Lucy era amiga da irmã dele, Trace, e era absolutamente louca por ele, mas ele sempre detestou ela. Então, no baile de formatura dela, ela tentou ficar com ele e ele a rejeitou, então ela deu a louca e acabou a amizade com a Trace, dizendo um monte de barbaridades. Depois que se formou e saiu de Hogwarts, continuou mandando cartas pra ele como se eles fossem namorados. Ele respondeu algumas dizendo que não queria nada com ela, mas ela continuou mandando. – Respirei fundo. – Eu li uma das cartas. Era meio doentio mesmo.
Alicia assentiu e olhou para o castelo.
- Ele é mesmo um mentiroso. – Ela disse. – Porque ele e Lucy estão, nesse momento, transando na sala dela.
- Sério?! – Eu perguntei, arregalando os olhos. Nossa, como Alicia era direta O_O’
- É. Acha que eu falaria uma coisa dessas se não fosse verdade? – E ela sorriu. Pela primeira vez, me pareceu simpática. – Bom, eu só queria saber a taxa de mentiras do Kevin. Mas não foi pra isso que lhe chamei aqui. Foi porque você é prima da Lucy. E vai me ajudar a expulsa-la dessa escola com todo o mundo bruxo tendo nojo dela. – Ela falou com tamanha simpatia e naturalidade que parecia estar me convidando pra ir tomar um sorvete.
- Alicia... Ela é minha prima... – Eu comecei, e ela riu.
- Roxanne, faz-me rir. Não tente me enganar. Sei que você odeia ela tanto quanto eu. Sei de todas as coisas horríveis que ela fez. Sei que quer acabar com ela tanto quanto eu. E sei que aquele abraço entre vocês duas, uns dias atrás, foi pura falsidade da sua parte. – Eu engoli em seco. – Mas não se preocupe, não vou criticar você. Na verdade, você fez o certo. Ficar perto dela nesse momento é a melhor coisa que você pode fazer.
Eu ponderei as alternativas e dei de ombros.
- Mas como vamos derrotá-la?
Alicia jogou os cabelos loiros para trás do ombro e sorriu. Tinha um sorriso muito simpático.
- Não se preocupe, querida. Eu tenho um plano.
