- Bom-dia, meus amores! - Eu disse, descendo as escadas para o Salão Comunal da Gryffindor. Bia, Cassie e Sabinna conversavam animadamente.
- U-a-u, Rox! Você tá tipo... Deslumbrante! - Falou Bia, os olhos brilhando. E é verdade, eu realmente tinha caprichado naquele dia. Passei quase duas horas penteando meus cabelos pra que ficassem em cachos perfeitos. Tinha me maquiado cuidadosamente pra ficar bem natural e cobrir as imperfeições. E resolvi não usar o sobretudo, então estava só com a gravatinha por cima da blusa branca e a saia-prega preta. Meu sapato era preto, fechado, envernizado, de salto alto. Estava realmente bem linda.
- Se arrumou pra alguém em especial, senhorita Roxanne? - Perguntou Sabinna, e as três gargalharam alto. Eu fingi rir.
- Ha-ha, Binna. Você é tão engraçadinha. - Eu disse, cruzando os braços. - Mas é, eu me arrumei pra alguém em especial.
- Posso saber quem é? - Falou uma voz ríspida atrás de mim. Não precisei me virar pra ver quem era.
- Não, Louis, não pode. - Eu disse, virando pra ele. Ele também estava bem ajeitadinho. - Vai sair com a Sophie?
Os nossos olhos brincavam, provocando-se. Ele sabia que eu tinha me preparado para algum garoto, era até óbvio. Talvez ele desconfiasse que fosse para Greg, mas é óbvio que não ia dar pra mim munição pra provocá-lo. E eu sabia que ele estava ajeitado para uma garota, e é óbvio que eu sabia que essa garota era Sophis, mas eu queria ouvir da boca dele. Ele riu.
- Na verdade, não. Eu só sou bonito naturalmente. - Ele disse, passando a mão nos cabelos. É, isso foi bem sexy. Eu me arrepiei inteira, e ouvi Bia suspirar atrás de mim. Tive que morder a língua pra não rir.
- Ah, sai daqui, seu tolo. - Eu disse, empurrando ele para a saída do Salão Comunal. Ele me mandou uma piscadela antes de sair pelo buraco do retrato.
- Uau, Rox, ele tá totalmente te provocando. Tipo, se-du-ção. - Nem preciso dizer que foi a BIA quem disse isso, né. Eu não ri, ao contrário de Cassie e Sabinna.
- Idiota. Acha que pode ficar mexendo comigo assim? - Eu disse, cruzando os braços. - Acha que pode ficar me usando de ioiô? Me ama, me odeia, me ama, me odeia. I-di-o-ta. - Eu falei, e naquele momento, eu senti uma coisa estranha. Não era uma sensação, na real. Era como uma lembrança. Tipo aquela coisa que se sente quando se tem um deja-vu, sabe? Então, foi bem isso. Menos de um segundo depois, as meninas arregalaram os olhos e abriram as bocas em um sorriso que beirava a um ataque histérico, olhando para trás de mim. Aquela mão suave e firme segurou meu ombro. Eu não precisei olhar pra saber que era Gregory.
- Roxanne. - Ele disse, e eu me virei. Vocês deveriam ter visto a cara de surpresa e de espanto que fez quando me viu. Foi o máximo. - Uau.
Tive que rir, né? Mas não gargalhei: Dei aquela risadinha simpática e charmosa digna da princesa da Inglaterra.
- ‘Uau’ por quê? - Eu perguntei, e olhei para minhas amigas, sugestivamente.
- Ah, gentem, a gente não tinha que fazer... - Disse Cassie, franzindo a testa.
- Ah, claro, fazer aquela coisa... - Disse Bia, levantando-se.
- É, naquele lugar lá. Então, a gente vai indo. - Falou Sabinna, e as três saíram do Salão Comunal, deixando eu e Greg totalmente sozinhos.
Sozinhos. Eu e Greg. Totalmente. Que <i>maravilha</i>.
- ‘Uau’ por quê? - Eu perguntei de novo. Ele sorriu.
- Você está atordoantemente bonita. - Ele disse. Sua voz exalava sinceridade. - Aliás, acho que dizer isso é quase um eufemismo.
Fui a Lua e voltei em um segundo. Sorri.
- Gregory, você fala esse tipo de coisas para todas as garotas? - Eu disse. Ele sorriu.
- Óbvio que não. Na verdade, nunca disse isso pra ninguém. - Ele falou.
- Nem pra Daisy? - Eu perguntei, e me arrependi no ato. Seus olhos castanhos encararam o chão, tristes. - Ai, ai, me desculpe, Greg, eu não queria... - Ele sorriu e levou o dedo até meus lábios.
- Não precisa se desculpar, Roxanne. Não é culpa sua que eu tenha sofrido uma decepção com a Daisy. - Ele disse, e deixou o dedo escorrer por meu pescoço, meu ombro, meu braço e apertou minha mão rapidamente. Ele sorria.
- É, mas eu não deveria tocar em um assunto que magoa você.
Ele me surpreendeu. Levou a mão ao meu rosto e acariciou minha bochecha.
- Você é muito mais incrível do que o Louis me contava. Você é muito mais. - Eu senti vontade de beijá-lo, obviamente, mas não fiz isso. Eu achei que ele fosse me beijar. Os meus lábios cobertos de batom-vermelho ansiavam desesperadamente pelos lábios dele. Fechei os olhos e tentei me focar em alguma outra coisa que me tirasse essa vontade. Eu senti o dedo dele percorrer meu rosto. Eu estava toda arrepiada, cara, toda mesmo.
- Eu não concordo. - Eu falei meio fraca, franzindo o cenho. Meus punhos se fecharam sem querer, e eu estava batendo o pé no chão bem discretamente. A vontade não queria ir embora. - Droga, Greg, pare com isso...
- Desculpe. - Ele disse, tirando a mão de mim como se eu tivesse dado um choque nele. - Desculpe, Rox. É que... Eu não entendo o porquê. Mas eu sinto carinho demais por você. - Ele olhou pro chão. - Desculpe se eu pareci atrevido ou algo assim. Não quis isso, por Deus, de jeito nenhum. - Ele voltou a me olhar. - Desculpa?
- Com uma condição. - Eu disse. Não conseguiria me controlar, mesmo.
- O que? - Ele perguntou, me olhando sério. Eu dei de ombros.
- Se me deixar ser atrevida pelo menos uma vez. Pra me aliviar dessa agonia. - Eu falei como se fosse algo banal. Ele subiu uma sobrancelha.
- Como assim? - Ele perguntou.
- Posso ou não? - Eu perguntei com falsa impaciência. Aquela vontade estava crescendo. Ele chegou mais perto.
- Pode. - Ele disse. Eu pus as mãos nos ombros dele.
- Suas mãos vão na minha cintura. - Eu disse, distraidamente. Ele riu.
- É um treino pro Baile? - Ele perguntou, envolvendo minha cintura. Eu balancei a cabeça.
- Pode ser, pode não ser. Se o que eu vou fazer agora vai se repetir no Baile, só depende do senhor. - Eu disse, e antes que ele retrucasse, envolvi os lábios dele num beijo daqueles.
O beijo dele tinha gosto de uva.
