Foi até meio difícil explicar a história pras minhas novas irmãs. Eu tentei resumir, mas foi simplesmente impossível. Eu contei então sobre tudo que eu poderia contar, sobre Louis, sobre nosso primeiro beijo, sobre minha paixão de anos e anos por ele, sobre Kevin, sobre Fred, sobre tudinho mesmo. Quando parei na parte sobre minha primeira vez com Kevin, Beatrice teve de me interromper.
- CALMA, CALMA, CALMA. Você também perdeu a virgindade com o Ke-vin Wal-ker? - Ela perguntou, atordoada. Eu assenti.
- Esse cara é um safado. - Disse Sabinna, cruzando os braços. Eu olhei para todas elas.
- Gente, pelo amor, ele só ficou comigo e com a Alison, não é lá grandes coisas. - Eu disse. As três arregalaram os olhos e abriram a boca.
- Ah, por favor, Rox, diz pra mim que ele não falou que você e a Alison foram as únicas! - Falou Cassidy, costumeiramente segurando minhas mãos. Eu assenti e as três entraram em pânico.
- E vo-cê acreditou? - Perguntou Beatrice, dando um tapa na testa. Eu assenti, de novo.
- Sem ofensas, irmãzinha, mas isso foi uma tremenda burrice. - Disse Sabinna.
- Nós não fomos as únicas? - Eu perguntei, atordoada.
- Tá brincando? Kevin Walker já tirou a virgindade de vá-ri-as das meninas dessa escola. Você, Alison, foram só algumas. Ele começou a colecionar garotas desde que perdeu a virgindade, no terceiro ano, com uma garota do quinto. Dizem que até hoje ela é apaixonada por ele. - Falou Beatrice, atordoada.
- Lucy. - Eu falei, convicta. As três franziram o cenho pra mim.
- Lucy Weasley, sua prima vadia, maluca, mentirosa e invejosa de quem você tava falando agora a pouco? - Perguntou Sabinna, não muito convencida. Eu assenti.
- Ca-ra-ca. - Disse Beatrice, pra variar, separando as sílabas. - Meldels, Roxy, você tem que terminar com ele. Ele deve ter espalhado horrores de você por ai.
- Eu...
- Ele é um safado, Roxy. - Firmou Cassidy, apertando minha mão. - Não pega nenhum pouquinho bem você ficar com ele.
- É...
- Termine logo com ele, Rox. Se não for porque ele é um safado, mentiroso e babaca, que seja porque você sabe que não ama ele. - Disse Sabinna, me perfurando com aqueles olhos.
- Eu amo ele sim! - Eu falei, meio que sem certeza. Sabinna sorriu.
- Não minta para suas irmãs, Rox. Você sabe que ama Louis. O jeito com que você fala dele deixa isso claro. - Ela respondeu, e estava certa. Pensei em Louis, nas mãos quentes e macias dele.
- Vocês vão lá comigo? - Eu perguntei, decidida. As três sorriram sob o lindo batom vermelho que todas nós compartilhávamos.
- Claro que sim, Rox. - Disse Beatrice, me abraçando. - Afinal, é para isso que servem as irmãs.
Fomos para fora do quarto e Cassidy parou na escada.
- Ei, garooootas! - Ela falou, e todas as garotas pararam e prestaram atenção. Todas lindas. - Nossa nova irmã, Roxanne, vai passar por um momento difícil agora, e nós precisamos apoiá-la. Vamos?
Eu arregalei os olhos quando vi todas as garotas sorrindo para mim, preparadas para ir conosco.
- Mas... Cassie, são dezenas de garotas... - Eu falei, olhando de Cassie para elas. Cassidy sorriu.
- E são todas suas irmãs e amigas. Nada mais apropriado. - Ela disse, e todas começaram a sair pela porta, lotando aquele corredor extenso que eu tinha passado. Saíram todas juntas, acumulando-se na lateral do estádio de Quadribol. Caminharam todas juntas, em silêncio, até os jardins de Hogwarts. Kevin estava lá, sentado, rodeado de alguns amigos. Eu parei por um momento e Cassidy me encorajou. Olhei para todas aquelas garotas atrás de mim: Devia ter umas 5O garotas, todas lindas e de batom vermelho. Obviamente, chamamos a atenção, mas ninguém ousou falar nada.
- Kevin. - Eu falei, e ele prestou atenção em mim. - É verdade o que você me disse, que Alison e eu fomos as únicas?
Ele riu, realmente achando graça.
- Óbvio que sim, meu amor. Com quem mais eu teria ficado? - Ele falou, dando de ombros. Eu ia responder, mas antes disso, uma voz apareceu, no fundo.
- Comigo! - E eu vi uma garota ruiva passar pelo meio de todas as garotas e postar-se ao meu lado. Ela tinha longos cílios pintados de azul, vestes da Ravenclaw e batom vermelho. Kevin engoliu em seco.
- Comigo também! - Falou outra voz, e logo uma garota de jeito alemão parou do meu lado, sorrindo para mim. Tinha vestes da Gryffindor, longos cabelos loiros amarrados em tranças grossas, olhos azuis-céu e batom vermelho.
- E comigo! - Disse outra voz, e logo várias garotas começaram a aparecer do meu lado, me apoiando. Todas de batom vermelho. Todas iludidas por Kevin Walker. Eu sorri, triunfante, para a cara de total surpresa dele.
- E então, Kevin. Vai dizer que toooodas essas garotas estão mentindo? - Eu disse, cruzando os braços. Ele sorriu daquele jeito que normalmente me fazia derreter, mas dessa vez eu só senti repulsa.
- É, vocês não foram as únicas. E daí? - Ele disse, e eu estreitei os olhos, abrindo a boca de espanto com a cara-de-pau dele.
- E daí que você é um safado. - Disse uma garota do meu lado.
- E um canalha.
- Um mentiroso.
- Um covarde.
- UM BROXA! - Gritou uma delas, e todas caíram na gargalhada. Kevin fitou a garota com ódio.
- Mas eu amo você como eu não amei nenhuma delas, Rox. - Ele disse, levantando-se e me segurando pelos ombros, bem perto do rosto dele. Seu cheiro me deu tontura de tão bom. Eu me afastei, repulsiva.
- Mesmo que isso seja verdade, não muda o fato de que você seja um mentiroso. - Eu disse, sendo acolhida por minhas ‘irmãs’. - E eu não namoro com mentirosos.
Virei de costas e sorri para as garotas, e começamos a andar na direção oposta.
- Ah. - Eu disse, virando-me rapidamente. - E caso seu cérebro seja tão pequeno quanto seu pênis e você não tenha concluído sozinho, estou terminando com você. - Eu falei bem alto e ri, voltando a acompanhar minhas amigas. Elas começaram a conversar entre si, e algumas me parabenizaram.
- Vamos voltar pra Casa. - Sussurrou Beatrice, referindo-se ao lugar aonde A Irmandade ficava. - Você vem?
Eu ia dizer ‘Sim, claro’, até que lembrei que eu devia desculpas a alguém. Um alguém lindo, cheiroso e macio, chamado Louis Bill Weasley.
- Depois, talvez. Tenho algo a fazer antes. - Eu disse, sorrindo para ela e avistando Louis do outro lado dos jardins, sentado em um banco no corredor externo, lendo um livro. Corri o mais rápido que podia e parei na frente dele, fazendo-o assustar-se. - Te assustei?
- Não mais do que o normal. - Ele disse, e foi um pouco para o lado, me dando um lugar para sentar, marcando a página do livro com o dedo. Eu sentei ao lado dele e senti aquele seu cheiro cítrico e gostoso. - Você tá bem? Eu vi você com aquela... Massa enorme de meninas. - Ele disse, arregalando os olhos para frente. - O que houve?
- Bem, eu descobri algumas coisas e resolvi terminar de vez com o Walker. - Eu disse, lembrando-me de chamá-lo pelo sobrenome. Dava menos intimidade. Ele sorriu, satisfeito.
- Ah, é? - Ele falou, fechando o livro e guardando-o na mochila. Aliás, ‘jogando-o na mochila’ seria mais apropriado. - E o que você descobriu?
- Descobri... Que você estava certo. Ele é mesmo um canalha filho-da-puta. - Eu falei, dando de ombros. Ele riu.
- E o que você vai fazer agora? - Ele disse. Eu me aconcheguei no ombro dele.
- Acho que vou dar um tempo solteira. Voltar a ser como eu sempre fui, né, sozinha, abandonada, rejeitaaaada... - Eu falei, dando um tom dramático e exagerado. Ele caiu na gargalhada e me segurou pelos ombros, me olhando nos olhos.
- Não, não vai não. Não vou deixar você sozinha nem um segundo. - Ele disse seriamente. Eu sorri. - Nem abandonada. Você vai ficar comigo.
Eu ia beijá-lo. Eu tinha a total intenção de beijá-lo. Eu ia aproximar meu rosto do dele e dá-lo um beijo como eu nunca dei em ninguém. Eu ia segurá-lo por aqueles cabelos loiros tão macios e eu ia apertar aquele corpo quente. Eu ia puxá-lo pela mão, levá-lo até a Torre da Gryffindor, entrar no dormitório dele e tirar as roupas dele. Eu ia beijar aquele tórax definido e apertar aqueles braços musculosos. Eu ia pedi-lo em casamento enquanto ele me dava o maior prazer do mundo, e então eu teria filhos com ele. Eu morreria velhinha ao lado dele, de mãos dadas, cheia de filhos, netos e bisnetos. Eu ia fazer tudo isso e mais um pouco, eu juro que ia.
Até que eu ouvi a voz - e aquela voz nunca foi tão ODIOSA - de Sophis ao meu lado.
- Rox! - Ela disse, parando do meu lado. Eu franzi o cenho e não me dignei a sair do ombro de Louis. Apenas olhei pra ela com a cara mais ‘Putaquepariu, garota, o que você tá fazendo?’ que eu podia. - Eu estava te procurando em toda parte! - Ela franziu o cenho. - Estou atrapalhando?
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO, IMAGINA SE ESTIVESSE, SOPHIE!
- Não. Eu só estava conversando com o meu primo. - Eu disse, sabendo que todo o clima fora quebrado. Eu fui um pouco mais para o lado e fiz um sinal para Sophis sentar ao meu lado, e assim eu fiquei entre ela e Louis. - Louis, essa é Sophie, minha amiga. Sophis, esse é meu primo, Louis.
Ela estendeu a mão para apertar a dele, mas ele beijou a mão dela, ao invés disso. Não me senti nem um pouco contente com isso. Ela sorriu. Os lábios dela estavam cobertos do mesmo batom vermelho que o meu, mas por algum motivo, eu tive a certeza de que ela ficava muito melhor com ele do que eu.
- Louis, como Louis Laurie. - Ela disse, e Louis Weasley sorriu.
- Louis Laurie, escritor de ‘Baudelaire Novamente’? - Ele disse, e eu ri.
- Ah, fala sério? Aquele livro machista e ridículo sobre o cara que se mata porque tem um filho abortado? - Eu falei, e Sophie franziu o cenho para mim.
- Aquele livro é fantástico, Roxy. É muito mais do que isso que você disse. É profundo, e explica o bruxo de verdade por dentro. - Ela retrucou.
- Eu vivo falando isso pra ela. - Disse Louis. - Mas ela insiste em odiar o livro.
- Já leu ‘Um Garoto Assustador’? - Ela disse. Eu podia sentir Louis sorrindo atrás de mim.
- Só cinqüenta vezes.
A partir daí, os dois começaram a discutir livros de Louis Laurie animadamente, me excluindo completamente da conversa; Até porque, eu ODIAVA Louis Laurie. Ele era um dos piores autores que já li na vida, mas Louis amava o cara. Até a Rita Skeeter era melhor, acredite (Y). Eu fui me afundando no banco enquanto os dois se inclinavam para frente para poder se ver melhor.
- Olha... - Eu os interrompi enquanto eles gargalhavam sobre alguma coisa. - Eu tenho que ir.
- Ah, Rox... - Sophie começou, mas eu nem quis ouvir. Estava enciumada demais, de verdade. Sai pelo corredor afora, e dei umas três voltas no castelo antes de voltar para lá. Devo ter ficado andando sem rumo uns 3O minutos, remoendo a raiva de Sophie dentro de mim e discutindo comigo mesma. Ela era mais bonita? Talvez. Ela era mais inteligente? Acho que não. Ela tinha mais afinidade com ele? Claro que não, Roxanne, eles acabaram de se conhecer! E fiquei nessa discussão comigo mesma até voltar naquele banco, aonde Louis estava sentado, lendo o livro de novo. Só então que me toquei que o livro era um dos livros-porcaria do tal Louis Laurie.
- E aí? - Eu disse, tentando parecer indeferente, sentando ao lado dele. - Divertiu-se com a Sophis?
Ele sorriu radiante, guardando o livro na mochila de novo.
- Ah, com certeza. Ela é muito legal, Roxanne, muito mesmo. Combinamos de sair esse sábado para ir a Hogsmeade tomar um sorvete ou uma cerveja. - Ele disse, e eu senti um gosto ruim na minha boca, seguido de uma agonia no pescoço, com se estivesse tomando um enorme comprimido de metal. - Ah, Rox?
- Que? - Eu disse, meio hostil, mas ele não percebeu.
- Eu vou te perguntar uma coisa, mas tem que jurar não falar nada pra Sophis. - Ele disse, e me empertiguei. Assenti. - Ahn... Ela... Assim, só por curiosidade... Sabe se a Sophis tem namorado?
Oh, aquela vadiazinha filha-da-puta.
- Não sei. Mas acho que não. - Eu falei, fechando os punhos com toda a força. A expressão de alívio dele me deu vontade de socá-lo.
- É impressionante. Como alguém como ela não tem namorado? - Ele disse, olhando para o chão.
- Não por muito tempo, pelo jeito, não é, Louis? - Eu disse, rindo sem achar graça NENHUMA MESMO. Ele riu sem-graça.
- Ah, é cedo pra dizer, a gente se conheceu hoje... Mas ela é encantadora mesmo. Não ia me importar de ficar com ela... Nem um pouco mesmo. O que você acha? - Ele falou, virando para mim. - O que acha que eu deveria fazer?
Aí uma onda de ódio se apoderou de mim e me levantei de um pulo.
- O QUE EU ACHO? ACHO QUE VOCÊ DEVERIA ENFIAR A SOPHIE NO SEU CU, LOUIS, É ISSO QUE VOCÊ DEVERIA FAZER!
E sai dali correndo, com lágrimas nos olhos, com meu coração parando de ódio. Corri para fora dos jardins, corri para o Estádio, para o lugar aonde eu me sentiria mais a vontade, um lugar aonde Louis não pudesse ir. Para junto das minhas irmãs.
