Eu voltei ao Salão e Kevin estava na porta, aparentemente me esperando com a expressão serena de sempre. Ele sorriu e eu segurei as mãos dele, sorrindo.
- Kevin. – Eu disse rapidamente. – Quer namorar comigo?
Ele não mudou a expressão. Apenas me beijou, com vontade, com intensidade, e me abraçou pela cintura de um jeito que me levantou levemente do chão.
- Isso é um sim? – Eu disse, com pouco fôlego, quando ele me pôs no chão novamente. Ele sorriu e me deu outro beijo, ainda mais poderoso. Eu estava começando a me acostumar com isso.
Era um costume legal de se ter, ACREDITE (Y)
- É, é um sim. Vá se acostumando. – Ele disse, e comigo em seus braços, beijou-me mais uma vez. Eu envolvi seu corpo com as pernas, meio sem pensar, levada pelo tesão do momento. Já disse que Kevin era um tesão total? Pois então. Ele era um baita tesão.
- É tão bom estar contigo, sabe? – Eu disse, passando a mão pelo rosto dele. – Não sei como foi parar na Slytherin, sendo tão... Perfeito! – Ele deu de ombros e nos beijamos mais uma vez.
A L G U M A S S E M A N A S D E P O I S
Meu namoro com Kevin ia muito bem, obrigada. Nós não passávamos muuuuito tempo juntos, já que nossas aulas não eram juntas, mas por exemplo, nos jogos de Quadribol, nós não íamos ao estádio e ficávamos perambulando o castelo deserto, namorando. Às vezes, nós nos empolgávamos um pouquinho e eu mudava de assunto rapidinho. Kevin não me forçava a fazer nada, não me pressionava, e quando eu mudava de assunto, ele entendia e nós só conversávamos.
Uma coisa que Kevin tinha era esse poder de controlar o ambiente. Ele conseguia me deixar excitada quando queria, animada, alegre, e eu raramente conseguia ficar perto dele sem sorrir. Eu comecei a sonhar com ele quase todas as noites, e cada noite, o sonho se tornava mais e mais caliente [6]. Até que eu cansei de ficar só imaginando e resolvi conversar com Kevin sobre isso.
- Kev? – Eu esperei até o dia de um jogo de Quadribol, Ravenclaw x Slytherin, pra conversar com ele sobre isso. Estávamos em um banco no sétimo andar. Ele falou um ‘hm’ em resposta e eu suspirei. – Se alguma pessoa te perguntasse se você acha que eu sou virgem, o que você responderia?
Ele franziu o cenho por um momento, realmente confuso.
- Eu acredito que você seja. – Ele disse, depois de uma pequena pausa. – Não que eu imagine que nenhum garoto desse castelo nunca tenha imaginado em tirar isso de você. Eu mesmo já sonhei com isso.
CARA, COMO ELE ERA SINCERO :O Eu engoli em seco e dei uma risada meio sem-graça.
- Você não é virgem? – Ele perguntou, e eu sorri.
- C-claro que sou, Kevin! – Eu disse, batendo no braço dele de leve. Ele segurou minha mão.
- Mas porque está me perguntando isso? – Ele parecia conseguir enxergar além de mim, ler meus pensamentos. Eu sorri e tapei a boca inocentemente.
- Bem, só pra saber a ideia que você tinha sobre minha pureza. – Em parte, era bem verdade. Eu franzi o cenho e engoli em seco. – Você é?
Ele apertou minha mão involuntariamente, e eu percebi isso. Ele pigarreou e franziu o cenho enquanto escolhia as palavras.
- Não. – Ele disse finalmente, após uma pausa maior ainda do que a primeira. – Não sou, Rox. Eu perdi minha virgindade no quarto ano com minha vizinha, nas férias. – Ele deve ter percebido minha expressão de agonia, pois logo acrescentou. – Foi besteira minha. Não deveríamos nem ter saído da sala.
Eu sorri.
- E como foi? – Eu perguntei, tentando esconder minha decepção. Ele deu de ombros.
- Não foi lá grandes coisas. Ela e eu éramos totalmente inexperientes. Dizem que quando os dois são virgens, é muito pior... Pois os dois não fazem idéia de como fazer, efetivamente falando. É sempre melhor quando um dos dois já transou, pelo menos uma vez.
- E sua única vez foi aquela? – Eu disse. Ele riu, levemente envergonhado.
- Bem, ela foi a única. Mas não transamos só uma vez, naquele dia.
Eu arregalei os olhos e ele riu.
- Quantas vezes vocês transaram? – Ele parou um momento, olhando pra cima.
- Dezessete. – Ele disse, simplesmente. Eu abri a boca e a tapei, absolutamente assombrada.
Agora, venhamos e convenhamos? Dezessete vezes não é pra qualquer um. E, como eu sabia que Kevin não era do tipo de ficar contando vantagem e mentira, eu sabia que era verdade.
- Puta merda. – Eu soltei. Ele caiu na gargalhada. – Deve ter sido... Maravilhoso. Quero dizer, pra ela.
- Não tenho certeza. – Ele disse, aparentemente ignorando o fato de que eu tinha chamado ele de tesão, viril e o diabo a quatro. – Acho que a gente não se amava, sabe? Éramos dois amigos, novinhos e idiotas. Não nos amávamos como eu amo você.
Era a primeira vez que ele dizia que me amava. E dessa maneira, pareceu ainda mais legal do que como eu pensava que seria. Eu sorri, totalmente constrangida. Ele pousou o queixo no meu ombro e beijou meu pescoço, me deixando arrepiada da cabeça aos pés.
- Eu amo você. – Ele repetiu, não como uma forma de me pressionar a responder que o amava também, mas de um jeito que me deixasse sem dúvidas sobre isso. Eu virei o rosto para ele, hipnotizada com aquela pessoa tão divina. Essa é uma boa palavra pra descrever o Kevin. Divino.
- Eu quero dizer que amo você. – Eu falei, sem pensar nem por um segundo. – Mas eu prefiro te mostrar. - E pensei. Pensei com força. Pensei com todo o pensamento. E materializaram-se ali as portas da esperança. – Vem. – Eu falei, e sem esperar por ele, eu corri para aquelas portas pretas, e ao abri-las, eu vi o ninho onde eu passaria meus últimos momentos de virgem, se tudo desse certo.
Eu entrei e o lugar era exatamente – em cada mínimo detalhe – idêntico ao lugar aonde eu e Kevin transávamos, em todos os meus sonhos. A iluminação era escassa. A cama era extensa. E o lugar tinha uma espécie de corrente de ar frio, calmo, vindo sabe-se-lá-de-onde. Eu senti Kevin parar atrás de mim e me abraçar, subindo a mão por dentro de minha blusa, acariciando minha barriga com os dedos. Pousou o rosto no vão entre meu pescoço e meu ombro direito e o mordeu delicadamente, como no dia em que começamos a namorar. Eu ergui a mão e acariciei seus cabelos. Virei-me para ele e o beijei. Ele me ergueu, como sempre, e eu chutei a porta atrás dele, que se fechou e trancou-se com um baque surdo. Quando abri os olhos, as luzes tinham tornado-se escuridão total. Eu não via quase nada, a não ser Kevin. Seu rosto sombreado sorriu pra mim.
Não demoramos para nos despir, ambos já na cama; Ele deitava-se por cima de mim, mas eu não sentia seu peso por cima de mim. Eu ouvia minha respiração ofegante e a dele, ansiosa. Ele me beijava como se eu fosse a última pessoa que ele fosse beijar ou amar nessa vida. Eu acariciava seus ombros e arranhava suas costas. Ele segurava minha nuca e me puxava com ferocidade, mas nada exagerado. Eu não conseguia falar. Eu não fazia nada pensado. Eu mal abria os olhos, com medo de que, se eu o fizesse, acordaria de mais um sonho pervertido.
Eu mal percebi quando ele me penetrou, tamanha a gentileza dele quando o fez. Foi algo lento, carinhoso e eu estava tão relaxada com os beijos e carícias dele que foi algo espontâneo. Aí eu percebi o que ele quis dizer com ‘fazer com alguém experiente’ e ‘fazer com alguém que se ame de verdade’. Ele fazia aquilo porque me amava, e não apenas porque me desejava. Aquilo era algo que só ele poderia me proporcionar, aquele prazer, aquela sensação deliciosa de ser amada, de ser mulher, pela primeira vez. Pela primeira vez, eu não era a pequena Roxanne. Eu me sentia uma Roxanne mulher, total e plena, feliz e amada. Era pra ter sido com Kevin. Não poderia ter sido com mais ninguém.
Eu tive um orgasmo antes dele. Ele continuou a se movimentar pra dentro e pra fora de mim delicadamente, apesar da intensidade, por mais alguns momentos. E, ao mesmo tempo que ele teve o seu orgasmo, eu tive outro. Era um belo desempenho pra minha primeira vez.
Deitamos um do lado do outro, exaustos e suados. Ainda bem que aquele quarto era secreto, ao contrário, o castelo inteiro teria me ouvido gritar o nome de Kevin várias e várias e várias vezes.
- Eu te amo. – Eu disse, me abraçando nele e olhando para seu rosto tenso. Ele sorriu para mim e eu relaxei. Cobri nossos corpos com o lençol branco e leve e nos beijamos uma última vez, antes de o cansaço nos vencer e adormecermos ali.
