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9. oh, kevin.


Fic: Not So Little Anymore - acabou, é.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- Roxanne! Roxanne, aguenta aí! – Eu ouvi alguém me chamar. Era dia de correio e eu estava ansiosa, ADMITO, pra ver a resposta de Victoire. Ela com certeza teria uma crise, uma síncope nervosa e um ataque do miocárdio, e eu estava doida pra rir dela.


- Ah, oi, Trace! – Eu disse, realmente contente de ver Tracy. Tracy Walker era uma Victoire-dois, só que realmente mais pirada e mais dedicada aos estudos do que Victoire era. E era incrivelmente bonita. – Vamos pro almoço? É dia de correio. – Eu disse, e ela sorriu. Estava arfando, porque estava correndo atrás de mim.


- Tem algo que você precisa ver. – Ela disse, respirando fundo. – Sabe sua prima, a Lucy?


Suspirei, nervosa. Eu tinha conseguido passar quase um mês sem lembrar da existência dela. Assenti com a cabeça.


- Infelizmente, sim.


Trace deu uma risada gostosa.


- Bem... Acho que é melhor eu te mostrar do que falar.


Ela abriu a mochila e tirou um Profeta Diário novinho em folha. Entregou-me com um sorriso malicioso e divertido.


- FILHA DA...


A capa era uma foto de Lucy, sorridente, segurando um troféu. A legenda da foto era:


Lucy Weasley, modelo, 19 anos, ganhou nesse final de semana o prêmio Beatrix Bloxan por trabalhos a comunidade bruxa. “Estou muito contente”, diz Lucy, “por saber que meu trabalho pode ser reconhecido. Mas essa não é a melhor parte, com certeza. A melhor parte é saber que nesse mundo ainda existem pessoas que fazem o bem, e que elas vão me ajudar nessa luta para transformar o mundo em um lugar melhor. Há tanto pra se ver, e eu não acredito que é assim que o mundo deva ser”. Lucy é, com certeza, um exemplo a ser seguido por todos os jovens bruxos e, acima de tudo, um parâmetro de caráter.


 Preciso dizer que fiquei com vontade de vomitar?


- Aquela vadiazinha roubou minha frase! – Eu gritei, indignada. Joguei o jornal no chão e pisei nele. – Ela roubou a minha frase, o meu refrão!


- Ei, Rox, se acalma, o que foi?


- Aquela última frase que ela disse! “Há tanto pra se ver, eu não acredito que é assim que o mundo deva ser”, é de uma música que eu compus com Victoire quando éramos menores! Ela sabia muito bem... – Eu pulava de ódio.


- Talvez seja coinci... – Tracy começou, mas depois riu. – Ok, não foi coincidência, pelo que conheci da Lucy.


Eu parei de pular, por algum motivo, e fitei Tracy.


- Você conheceu a Lucy? – Eu perguntei. Ai é que me toquei, que Tracy estava no mesmo ano que eu: Quer dizer que Lucy só se formou quando ela estava no quarto ano. Ela pode muito bem ter conhecido Lucy.


- Se conheci. Nós éramos bem amigas, sabe? Ela gostava de mim de verdade, mas acredito que o motivo principal pra ela ter virado minha amiga foi o Kev. Ela me confessou que era apaixonada por ele, antes de se formar. Eu achava estranho, afinal, ele era mais novo, mas ela dizia que só por fora. Só que Kev detestava Lucy, por ela ser muito falsa e mentirosa. No Baile de Formatura dela, ela tentou beijar o Kevin e ele a rejeitou. – Tracy deu de ombros. – Não tiro a culpa dele. Lucy era uma vadia às vezes. Aí ela enlouqueceu e veio até mim, me ofender e me xingar, dizendo que só era minha amiga por pena de mim, porque eu era uma esquisita e o diabo.


Quando ela falou, eu lembrei. Lembrei de ter visto Lucy, enfurecida e pisando forte, saindo de um canto do Salão. Na época, ainda éramos “amigas”.


- Não liguei, é claro. Mas ela assumidamente não esqueceu Kevin. Quando se formou e saiu de Hogwarts, mandava cartas pra ele todas as semanas. Dizia que sentia saudades, que não tinha conseguido esquece-lo. Absolutamente doentia. Acho que você sabe melhor do que eu como ela é.


Eu assenti. A história era melhor do que eu conseguiria imaginar. Talvez Lucy fosse aquela vadia toda destruidora de lares por causa de Kevin. E agora eu era amiga dele. Era... Fabuloso.


- Sei sim. Mas você acha que ela ainda é apaixonada por ele?


Tracy deu um sorriso malicioso que eu já vira no rosto do irmão dela.


- Hoje é dia de correio não é?


Eu respondi ao sorriso exatamente do mesmo jeito e corremos para dentro do Salão Principal.


Kevin estava lá, rodeado de alguns amigos que o seguiam aonde quer que ele fosse. Sentava-se displicentemente, como se fosse melhor do que todos daquele lugar. E, de certa forma, ele era. Abrimos espaço e sentamos uma de cada lado de Kevin, sem nos importarmos com os olhares que os outros Slytherins nos lançavam. Afinal, eu era uma Gryffindor, e Tracy, uma Ravenclaw. Não era comum.


- Kevin, querido! – Disse Tracy em um tom tão falso quanto uma nota de $ 1,15. Ela apertou o ombro dele e beijou sua bochecha. – Como vai, meu irmãozinho, meu querido, meu fofinho?


Kevin sorriu. A maioria dos irmãos mais velhos iriam se irritar profundamente se a irmã caçula os chamasse assim, ainda mais na frente dos amigos. Meu irmão, por exemplo, me evitava dentro do colégio a todo custo. Mas Kevin sorriu verdadeiramente para a irmã, o que me deixou com uma pontinha de ciúmes de Tracy e algo no meu peito deixou Kevin ainda mais bonito.


- Estou bem, Trace. Mas estou sem dinheiro, se era isso que você queria. – Ele disse, com um sorriso. Aparentemente, não tinha visto que eu estava ali ainda. Trace fez uma careta teatral.


- Como pode imaginar algo assim de mim, irmãozinho? Uma irmã normal não pode simplesmente vir conversar com o irmão mais velho sem ser por puro interesse material? Que tipo de pessoa unidimensional faria isso? – Kevin deu uma risada. – Olhe lá o que vai responder, Kevin. – Ela disse, apontando o dedo para ele, e abandonando o tom teatral, apesar de ainda se divertir com a situação. – Eu e Roxanne só viemos aqui pra ver se você estava bem, sabe, e saber se você já recebeu seu correio.


De repente, ele se tocou que eu estava ali, e virou o corpo completamente para mim. Beijou minha bochecha singelamente e me olhou intensamente.


- Oi, Rox. Não tinha visto você aí. – Ele disse, e depois se voltou para a irmã novamente. – E qual interesse as senhoritas teriam no meu correio? – Ele perguntou. Era mais inteligente do que eu imaginava.


- Saber se você ainda recebe cartinhas apaixonadas da Lucy Weasley. – Disse Tracy, sinceramente. Kevin ergueu uma sobrancelha, divertido.


- Isso não responde minha pergunta. Qual o interesse das senhoritas em saber se a Lucy ainda me escreve? – Ele disse, dessa vez voltando-se mais para mim do que para Tracy. Talvez ele soubesse que o interesse era mais meu. Postura corporal, eu imagino.


- Curiosidade. – Eu disse, um pouco desconfortável com a intensidade do olhar que ele lançava para mim. – Puramente curiosidade. Afinal, ela é minha prima, e eu não sabia que vocês eram amigos.


- Não somos amigos. – Ele disse, firmemente, franzindo o cenho, como se cogitar aquela possibilidade fosse um insulto. – Ela é maluca. Como é muito incompetente pra viver a vida sozinha, ela puxa o tapete das outras pessoas pra chegar aonde quer. E sim, ela ainda me escreve. Toda a semana. – Ele disse, como se lembrar disso o cansasse profundamente.


Em algum lugar do meu subconsciente, saber que Kevin detestava Lucy tanto quanto eu me deu uma vontade súbita de gritar de felicidade. Claro que eu não fiz isso, tá doido? Mas me deu vontade. Eu sorri.


- E você responde o que? – Eu perguntei. Tracy nos observava atenciosamente, gravando cada mínimo detalhe.


- Nada, é claro. – Ele disse, dando de ombros. – Quer dizer, no início eu respondia pra ela parar de me encher o saco. – Ele disse, sorrindo. – Mas passaram-se dois anos e ela não parou de me escrever, então eu não respondo nada.


Eu abri a boca para responder algo do tipo E ela nem vai parar de escrever, mas fui interrompida por um barulho infernal que eu conhecia muito bem. Era o barulho de centenas de corujas entrando pelas janelas enormes do Salão Principal com centenas de pacotes de cartas. Sorri quando uma coruja branca como neve, de nome Angel, parou do meu lado e cuidadosamente deixou uma carta em minhas mãos. Angel era a coruja de Victoire, e foi ensinada a não simplesmente jogar as coisas, e sim, deixa-las educadamente ao remetente. Coisa da Vic. O envelope era lilás e perfumado.


Kevin estava com um envelope vermelho com corações brancos nas mãos, e o observava com desprezo. Devia ser o de Lucy. Eu ri com Tracy enquanto abria minha carta.


Rox, que saudades!


MEU DEUS DO CÉU! Você está apaixonada por ele? Que coisa louca, amiga. Mas ele é bonito? Trate de tirar alguma foto com ele. Eu quero ver esse rostinho ai.


Bem, minhas notícias aqui de casa são mais ou menos boas. Mamãe não chora mais e diz que papai não ia gostar de vê-la chorar, então ela se controla. Acho que está começando a ficar melhor. Eu e Dominique continuamos arrasadas, mas eu não estou me sentindo tão mal. Sinto falta dele e a casa fica meio vazia sem o papai, mas eu sei que ele odiaria nos ver tristes e arrasadas, então, estou tocando a vida.


Essa é a parte boa. A parte ruim é que terminei com o Teddy.


Beijinhos da sua prima mais legal, Victoire


- Meu Deus! – Eu guinchei. Victoire tinha terminado com Teddy? Que horrível! Ela deveria estar ainda pior. Mas eu estava querendo saber era da carta de Kevin.


- O que foi? – Disse Kevin, com a carta aberta na mão. Eu balancei a cabeça.


- Nada. Más notícias da minha prima. – Ele arregalou os olhos, provavelmente imaginando Lucy. Eu sorri. – Victoire.


- Ah, Victoire. Era é muito bonita. – É óbvio que ele lembrava disso. Todos lembravam que ela era linda.


- E essa carta? – Eu disse, cautelosa. – Minha outra prima doida?


Ele riu, mas eu senti que ele não estava muito contente.


- É. Quer ler? – Ele disse, e me surpreendi com o que ele disse. Mas assenti. Ele entregou a carta a mim, entediado.


A carta dizia o seguinte:


Meu amor,


Por que não tem respondido minhas cartas? Por favor, me responda. Não agüento essa sua falta de notícias.


Você viu? Eu ganhei um prêmio, meu amor, o Beatrix Bloxan. Saiu no Profeta, mas eu sei que você não lê o jornal, então estou eu mesma te contando. Claro que dediquei a você.


Eu estou com tantas saudades suas! Quando vamos nos ver? A gente podia marcar um encontro em Hogsmeade. Eu estou com saudades demais. Não consigo pensar em outra pessoa, nem gostar de outra pessoa. Me responda, viu?


Eu te amo mais do que a minha vida. Da sua Lucy


Ao terminar a carta, minha boca estava muito aberta de assombro. Que pessoa mais... Doente! E burra, claro. Kevin sorriu para a minha expressão.


- Maluca, não é? – Ele disse. Foi aí que me toquei que Trace tinha sumido. Eu tentei sorrir, mas o assombro era maior. – Ela é totalmente doida.


Eu não disse nada.


- Queria que ela entendesse que não quero nada com ela. Não vou ter nada com ela, nunca.


Eu tive uma idéia. Sorri.


- Você não gosta dela... Mas gosta de outra pessoa? – Eu perguntei, me encolhendo timidamente. Ele sorriu. Um sorriso diferente de todos os outros que ele já lançara para mim. Era malicioso, divertido, amoroso e lindo, tudo ao mesmo tempo.


- É. Essa é a lógica. – Ele disse, aproximou o rosto do meu, acariciou meu nariz com o dele e me beijou carinhosamente.


Oh, Kevin.



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