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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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9. Graceful


Fic: Restless - Rose&Scorpius - FINALIZADA ULTIMO CAP ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Graceful
(Gracioso)


Aviso: Esse cap contém NC (tentei ser mais cautelosa possível!)
Boa Leitura.








 


Esferas de cristais oscilavam pelo ar até chegar a grande árvore de Natal, alguns alunos usavam a varinha para coletar os enfeites e colocá-los ao redor da árvore, que ficava no centro do Salão Principal. Eu, Jenny e Albus, e mais vários outros amigos da Grifinória ficamos a tarde toda ajudando a construí-la com magia. Era véspera do Natal do sexto ano, e eu adorava fazer aquilo antes de voltar para casa passar os dias de férias de inverno com a minha família.

Ah! Acabaram os meus enfeites! – eu exclamei para Albus. – Na minha caixa tinham mais três feijõezinhos que eu sei, foi você que pegou?

Eu estou com os meus aqui. Pode ter caído no outro lado, vai lá ver.

A árvore era tão grande que eu tive que dar mais de dez passos para chegar ao lado dela. Surpreendentemente, eu avistei Malfoy segurando meus últimos enfeites, e colocando-os de um modo esculachado nas folhas da árvore.

Já te ensinaram que deve pedir as coisas antes de pegá-las de alguém? – falei, aproximando-me dele e ajeitando, com mais precisão, os enfeites que estavam balançando tortos na ponta da folha. Ele fez que não, com um sorriso indiscreto no rosto. – Pois bem, tem que pedir da próxima vez, ok?

Olhou para os lados, e de repente aproximou seu rosto do meu e levou os lábios até o meu ouvido, comentando:

Você não é minha mãe.

Ele não disse aquilo de uma forma ríspida nem mesmo grossa. Porque se ele tivesse dito de um jeito mal educado, com certeza eu não iria me arrepiar daquela maneira.

Mas tudo bem – ele se afastou. Tirou os enfeites de onde estavam, colocou-os de volta na caixa, esperou um pouco. Enfim, perguntou: – Weasley, posso pegar esses enfeites? Eu não tenho nada de útil para fazer e talvez eu queira ajudá-la já que no Natal todo mundo resolve fazer isso.

Eu sorri.

Claro, Malfoy, fique com esse. – Entreguei-lhe o mesmo enfeite. – E obrigada!

Não, espera – ele pegou meu braço quando fui voltar para o outro lado. – Esse enfeite não é legal, é sem-graça.

É uma caixa de fósforos, coisa de trouxa.

Eu quero esse aí que você tá trocar. Eu te dou essa caixinha e você me dá essa clave de sol que parece brilhar no escuro.

Scorpius, não somos mais crianças pra ficar discutindo isso – eu falei, inconformada.

É só trocar! – ele se irritou.

Que diferença faz o enfeite!? Coloca em qualquer lugar e boa!

Segura – ele insistiu, entregando-me a caixa de fósforos na minha mão. Eu bufei ainda mais quando ele arrancou a clave de sol dourada que eu segurava.

Depois se afastou para um canto, para observar a árvore em um ângulo melhor. Eu estava olhando para ele, que se irritou mais ainda ao me ver parada ali:

Não vai abrir a caixinha não? Ou acha que eu só quis trocar com você porque eu prefiro a clave de sol?!

E não é? – ergui as sobrancelhas, mas curiosa, abri a caixa de fósforos. Pisquei algumas vezes quando vi que ali dentro, naquele cubo minúsculo, havia uma rosa. Muito, muito pequena. Consegui agarrá-la entre o dedão e o dedo indicador, e fiquei observando-a por um bom tempo.

Como isso veio parar aqui? A caixinha estava vazia – comentei.

Scorpius colocou a mão na testa, e voltou a ficar perto de mim outra vez. Parecia estar xingando a si mesmo. Ficou aflito e olhou para mim, num sorriso para disfarçar a aflição que sentia.

Acredito que devo aprimorar mais esse negócio de fazer surpresa – ele falou. – É uma rosa, sabe.

Ok – eu disse. – É linda, quem será que a colocou aqui?

Por Merlin, Weasley! – ele exclamou. – Seu cérebro não funciona no Natal, não?

Oh... – eu engasguei ao finalmente perceber. – Ah! Então você... Ah! – não imaginava que ele faria aquilo, quero dizer... era Malfoy! – Ai, que bonitinha. Obrigada, Scorpius, eu vou guardá-la.

Não é para guardar! Vai deixar a coitada aí trancada no escuro de uma caixa vazia de fósfino?

Fósforo.

Tanto faz. Me dê a rosa um instante – pediu, mas já foi tirando-a da minha mão, nada gentilmente. – Não é exatamente uma flor, olha só – Scorpius arrancou as pétalas da rosa, como se elas fossem uma tampa. Então eu vi que a haste da flor era na realidade um vidro esverdeado, e havia gotículas de um líquido cristalino dentro. – Não entendi o que diabos a mulher da loja lá em Hogsmead falou, mas eu acho que tem que esfregar essas pétalas, espera aí...

Pediu para que eu segurasse o vidrinho, e ele começou a esfregar as pétalas vermelhas entre as duas mãos.

Calma, calma! – eu comecei a rir, segurando suas mãos para impedi-lo de continuar com aquela brutalidade. – Eu conheço como se faz, minha prima Victoire tem um perfume igual a esse. Você só tem que friccionar com os dedos, pra fazer as pétalas virarem pó avermelhado. Assim.

Que frescura – ele fez um muxoxo ao me ver fazer aquilo com delicadeza.

Depois é só depositá-lo aqui dentro do vidrinho, viu?

Ah, tá. Por isso que a mulher falou que o cheiro da rosa vai ficar misturado ao da água – ele observou, pegando de volta o meu presente para dar uma olhada de perto. – Bem, eu espero que você tenha gostado, porque não foi fácil encontrar isso daqui. Não foi fácil agüentar aquela mulher falando sem parar sobre como usar esse perfume, como se o presente fosse para mim.

Eu diria que gostei o bastante para ficar envergonhada por não ter comprado nada à você – falei. – Desculpe, não pensava que fosse dar um presente pra mim. Além disso, eu... eu não sei bem o que você gosta de receber no Natal então...

Ele virou o pequeno frasco no dedo, e, com um sorriso despreocupado nos lábios, tocou meu pescoço, acariciando-o com o dedo que tinha a substância do perfume. Eu tinha meus olhos grudados nos dele, e tentei sorrir da mesma maneira, mas eu estava meio nervosa, por notar a gentileza do seu toque enquanto arrastava o perfume pela minha pele.

Não preciso de nada, relaxa.

Enquanto dissera aquilo, aproximava-se com o rosto no meu. Minha pulsação acelerou ao imaginar que ele me beijaria ali, na frente de alguns alunos distraídos. Fechei os olhos e ofeguei silenciosamente assim que desviou o rosto até meu ombro e sua respiração roçou meu pescoço depois que pareceu inalar o aroma do perfume que me dera.

Graciosa – comentou, como se estivesse analisando as coisas. – É muito melhor na sua pele, sem dúvida. Feliz Natal – ele depositou um beijo ali, arrepiando-me mais ainda, e esquentando-me de tal maneira que eu me senti perto de uma lareira na sala comunal.

Feliz Natal – eu respondi, baixinho, olhando-o assim que Scorpius se afastou um pouquinho. – Olha, agora eu preciso te dar uma coisa, nem que seja...

Você pode dizer que sim – ele deu de ombros.

Sim o quê?

Que estamos namorando. Eu comecei com um perfume, você pode terminar aceitando isso.

Eu fiquei sem reação.

Somos namorados agora?

Use o termo que quiser – ele falou. – E diga sim.

Scorpius – eu dei uma risadinha, olhando para o frasco de perfume que ele voltou a me entregar. – Cuidado... cuidado com as coisas que você me pede.

Por quê?

Eu não consigo dizer não a você.

Scorpius continuou sorrindo, e dessa vez colocou as duas mãos no meu rosto para me beijar. Mas, antes, eu o impedi:

Vai fazer isso aqui? Tipo, na frente de... todo mundo?

Se você não interromper, sim. Mas tudo bem – ele pegou minha mão e me puxou para um lugar afastado de todo mundo. Chegamos a um corredor e antes de finalmente me puxar para um beijo ele disse: – Escondido é bem melhor.

Eu descia as escadas do prédio enquanto o flashback passava pela minha mente. Naquele mesmo dia Scorpius me convidou para almoçar, e pediu para que o encontrasse no hall de entrada. Ao me ver, se aproximou e colocou as mãos nos meus dois ombros.

– Vire-se. É preferível assim – comentou depois que desamarrou meu cabelo, deixando os cachos amolecerem em minhas costas.

– Nós só vamos almoçar – falei, meio sem-graça. – Nada de especial para parecer bonita, sabe.

– Engano seu.

– É, você tem razão – mudei de idéia ao pensar no fato de que seria ele que sentaria comigo numa mesa daquela vez. Era um fato especial, talvez.

– Vamos sair daqui – avisou. – Num lugar afastado, para podermos aparatar sem vigia.

– Vai me seqüestrar? – eu dei uma risada.

– Não, não, você até vai gostar para onde estamos indo.

Eu não questionei mais, apenas o acompanhava ao seu lado, observando a rua. Scorpius teve noção o suficiente do momento certo e agarrou meu braço para aparatarmos. Logo me encontrava numa rua completamente diferente da outra, era mais movimentada e apesar de termos aparecido, no meio do nada, as pessoas que nos encarava nem davam sinal de curiosidade ou susto.

Estavam acostumadas, porque também eram bruxos. E andavam calmamente, com expressões alegres. Ao olhar mais para frente eu soube imediatamente onde estávamos. Beco Diagonal. Por causa de todas aquelas lojas por quais passei durante a infância e adolescência, antes de viajar para Hogwarts a cada ano.

– Há um restaurante muito bom ali na outra esquina. O dono é um velho amigo meu, adoraria nos servir. Venha. Rápido – ele pegou minha mão, tentando desviar dos olhares alucinados em sua direção.


Papai, é o Scorpius!

Eu estava rindo quando entramos naquele restaurante. Era um lugar bem iluminado, e as mesas brilhantes, ocupadas por vários bruxos. Havia um espaçoso balcão, onde um homem, atingindo a faixa entre trinta e quarenta anos, limpava os copos sem realmente encostar as mãos nele. Simplesmente sorriu ao ver novos fregueses entrando no seu restaurante, e o pano que esfregava os copos voou até seu ombro.

– Veja só! – exclamou olhando para Scorpius, que se sentou no banco encostado no balcão. Eu sentei ao seu lado. – Se não é o grandioso Malfoy! O que faz aqui, numa hora dessas? Veio se consolar na ardência do whisky de vento que eu andei preparando hoje?

Scorpius apertou sua mão.

– Não, sem bebidas hoje, sr. Gante – ele avisou, rapidamente. Por um acaso, o homem pareceu surpreso. – Mas não que eu esteja recusando seus preparos de whiskys, só que hoje viemos para almoçar.

Viemos? – ele estranhou o plural. Finalmente me viu. – Ah! Hoje você veio acompanhado. Quem é a senhorita?

– Rose Weasley – eu lhe apertei as mãos. Ele ficou me olhando, ainda com a mão na minha, e depois a beijou com se fosse um cavalheiro ou algo assim.

– Weasley? Filha de Bill Weasley?

– Não, não, ele é meu tio, Victoire é a filha dele – respondi educadamente. – Sou filha de Ron e Hermione Weasley. Acho que o senhor já deve ter noção de quem são.

O sr. Gante soltou minha mão. Abriu um grande sorriso, e com força bateu as palmas no balcão. Um rapaz da minha idade apareceu correndo como se tivesse sido chamado. Gante perguntou a Scorpius:

– O que vocês desejam para o almoço dessa tarde? Liam, guarde na cabeça o pedido – acrescentou ao rapaz. Scorpius fazia todo o pedido, garantindo que eu não ia me decepcionar com a escolha dele para nós dois. Eu nunca tinha almoçado naquele restaurante, e fiz esse comentário quando Liam e o sr. Gante desapareceram assim que atenderam os pedidos.

– Era na realidade um bar – contou Scorpius. – Com uma construção abandonada praticamente caindo aos pedaços, nem magia era capaz de arrumá-lo, porque sempre despencava. Mas eu vinha aqui todas às vezes com dezoito anos, então conheci Gante, um grande homem ele é. Foi com ele que tive meu primeiro emprego, servindo as pessoas. Por um milagre o capitão Eliot Corner, da França, apareceu uma vez aqui e conversamos. Convidou-me para morar lá no país, garantindo que eu seria um ótimo jogador se aceitasse o emprego no time. Eu não perdi tempo.

– Você não tinha se mudado para lá depois da formatura em Hogwarts? – perguntei.

Scorpius soltou uma risada, e olhou para o cardápio nas mãos.

– Passei por algumas outras coisas depois daquela noite antes de morar na França – falou. – Lembro que meus pais diziam que não continuariam me sustentando mais, que era para eu seguir uma vida sem as custas deles, esquecer a herança da família e ganhar o próprio dinheiro. E eu não reclamei, detesto ter que ficar nas mãos de alguém, nem mesmos dos meus pais. Por isso já trabalhei aqui, morei na França, e agora todo mundo me reconhece na rua.

– Como esse lugar ficou tão bom se você diz que antes estava caindo aos pedaços?

– Uma recompensa pelo que Gante me ajudou – Scorpius respondeu. – Dei a ele esse restaurante no ano passado.

Você?

Scorpius sorriu para mim.

– Ser um jogador de Quadribol tem seus privilégios. Não posso usá-los só para mim.

E eu concordei. É claro que tinha. Observei o sr. Gante voltar, segurando dois copos de um suco alaranjado. Ele nos entregou. E eu me senti mais calma, relaxada, ao tomá lo. Era fresquinho, e tinha um gosto alucinante.

– Gostou? – Scorpius me olhava.

– É delicioso – eu nunca tinha bebido uma coisa tão boa, até fiquei exaltada. – Espero que não tenha álcool, só isso...

– Cem por cento puro e nutritivo – exclamou Gante, parecendo satisfeito. Em seguida vieram os pratos e começamos a comer. Gante contava a Scorpius as novidades, comentando do fato de Scorpius ter saído do time. Depois o homem perguntou-me sobre meus pais, e eu respondi que meu pai continuava trabalhando na Geminiliadades Weasley enquanto minha mãe tirava seu tempo livre traduzindo livros, já que agora ela havia se aposentado. Era um homem educado, e parecia achar tudo o que contávamos a coisa mais interessante do mundo. Atencioso com os fregueses e parecia admirar Scorpius como ninguém.

Faltava pouco para acabar a comida do meu prato; Scorpius já estava pedindo a sobremesa, quando Gante perguntou, como se não tivesse agüentando mais de curiosidade:

– É ela a garota que você mencionou uma vez para mim, Scorpius?

Scorpius pareceu imediatamente alarmado. Hesitou um pouco e depois assentiu. Eu parei de tomar o suco, estava no segundo copo, e olhei para ele, com a testa franzida.

Gante parecia não se conter. Olhou para mim, rindo:

– Já contou a você como ele me conheceu? – antes de eu responder ele contou: – Era madrugada, chovia muito. Isso aconteceu há uns três ou dois anos atrás. Costumava deixar meu bar aceso até as cinco da manhã, isso quando não era motivo de comemoração. Esse doido apareceu na porta do meu bar, ensopado, e bebeu todas que conseguia.

– Gante, por favor...

– Lembro da sua cara de derrotado, rapaz – disse Gante, profundamente. Scorpius deu um suspiro, e desviou o olhar de mim. – Foi ali, bem ali, você fazendo de tudo para se sentir melhor. Algumas garotas, até mulheres, te ajudaram. Duas horas depois... você travou. Eu tive que cuidar da sua irresponsabilidade durante o dia seguinte até você poder voltar para casa. E depois, sabe o que ele me contou, srta. Weasley?

Scorpius levantou-se e se afastou dali para não ter que ouvir. Mas eu fiquei curiosa e olhei diretamente para Gante quando ele me disse:

– Que tudo aquilo foi porque tinha feito a pior besteira da vida dele, e ele queria sarar de uma dor que ele sentia. Eu já fui imaginando que tinha roubado, matado, até mesmo abusado de alguém. Mas, coitado, só disse que tinha traído uma garota. Foi o seu nome que ele disse. Lamentava ter perdido você, lembro até hoje.

– Acabou a historinha? – Scorpius voltou, depois de um minuto. Eu tinha deixado o suco de lado naquele instante.

– Desculpe, Scorpius – falou Gante com sinceridade. – Mas eu disse a mim mesmo naquele dia que se eu encontrasse essa garota, falaria para ela o que você passou enquanto esteve por aqui. Nunca vi um rapaz ficar do jeito que ele ficou naqueles tempos – falou para mim. E voltou a Scorpius: – Agradeci demais quando você foi para a França e conseguiu um bom título por lá, Scorpius. Você conseguiu renovar sua vida, de algum modo. E agora, fico contente por ter sido perdoado.

– Eu sei, eu sei – ele parecia irritado. – Por quanto vai ficar a comida... o suco...?

– Por conta da casa, Scorpius! – exclamou, feliz. – Ainda mais com a presença agradável da senhorita Weasley, tudo por conta da casa.

Scorpius tirou vinte e cinco nuques do bolso e o jogou no balcão.

– O senhor me conhece, sr. Gante. Sabe que eu não aceito conta de casa alguma. A gente se vê.

– E você nunca muda de idéia – sorriu Gante, recebendo o dinheiro. – Até logo!

– Tchau – eu apertei a mão dele outra vez. – Eu venho aqui de novo, esse suco é muuuuuito bom... E obrigada!

Mas Scorpius já havia me tirado de lá. Eu não entendi o seu comportamento, mas sabia de uma coisa. Que o que Gante me dissera era exatamente tudo o que eu quis ouvir durante aquelas últimas épocas. E de uma coisa eu tinha certeza que ainda queria. Que Scorpius confirmasse se era verdade.

– Você acha que eu não sofri também? – perguntou Scorpius, inconformado, quando tentei comprovar de sua voz. – Acha que eu já não tentei amar outra pessoa, tentar te esquecer? Você tentou fazer isso também, sei que tentou. Mas parece que não quer deixar a gente em paz.

– Podia ter voltado no dia seguinte! – eu exclamei, sentindo-me um pouco brava. Eu andava atrás dele, como se quisesse alcançá-lo. – Aparecido na porta da minha casa depois daquela festa, se desculpado e pedido para que ainda continuássemos namorando. Eu não sabia negar nada de você naquela época! Poderia ter me poupado de toda angustia e melancolia! Eu era ingênua, você não precisava ter sofrido também, seu idiota. Poupado da culpa! Eu ia te aceitar de volta, Scorpius. Mas você demorou três malditos anos pra tentar se redimir pra mim e sabe o que aconteceu durante esse tempo? Eu cresci! E eu vi como esse mundo rola diante dos meus olhos, e como é difícil agora confiar em uma pessoa. Não vejo mais inocência! Eu não consigo confiar nem em mim mesma hoje!

– Olha, Rose – ele parou bem na minha frente e eu quase tropecei nele. Fechou os olhos, tentando se recompor. Respirou fundo. – Não vale a pena.

– Eu sei que não vale a pena. Eu não quero ficar me lembrando disso, eu só queria voltar a acreditar em tudo e não ficar duvidando das pessoas.

– Não, não deseje isso – Scorpius apressou-se a dizer. – Duvide delas. O máximo. Poucas decepções acontecem quando se duvida de alguém. Pode duvidar de mim o quanto quiser, eu quero que duvide de mim. Eu mereço essa sua dúvida, com certeza. Assim encontro mais motivos para lhe devolver a confiança, mais motivos para merecer você. E sabe – ele ajeitou o casaco. – Estou começando a me convencer. Você está me perdoando. Mas continue duvidando, Rose, continue.

Droga, odiava sentir meus olhos arderem. Nem sabia por quê, mas começaram a transbordar lágrimas.

– Eu quero voltar a ser feliz, sabe – falei, tentando me segurar. – Jenny uma vez disse pra mim que sou ingrata, porque eu tenho uma família pra lá de enorme e que sempre está disposta a ajudar, e eu ainda continuo fingindo um sorriso. Mas não é bem assim, sabe... Eles, os meus primos, seguem a vida deles, Albus por exemplo. Ele se casou. Lily tem o trabalho dela que ela ama, agora parece que está saindo com um cara incrível. Meus pais me ajudaram tanto que se eu chegar pra eles hoje vou me sentir envergonhada. Eu já sou adulta, entende? Eles não precisam cuidar mais da minha vida, tenho que resolver meus próprios problemas. – Soltei uma risada nervosa. – Imagine se souberem que eu transava com um cara que eu nem amava, me demiti de um trabalho, e fiquei bêbada por aí! Vão falar que essa não é a Rose Weasley que eles conhecem, que eles criaram. Mas meu Merlin! Eu nunca fui perfeita.

– Rose...

– Eu amo a minha família, Scorpius. Eu tenho eles, sei que tenho. Agradeço por isso todos os dias, me orgulho demais de fazer parte dela. Mas... isso é o suficiente quando eu tenho desconfiança do amor e das pessoas? Eu não sei, todo dia eu acordava sentindo falta de alguma coisa. E hoje... – eu dei um mínimo sorriso, esfregando os olhos me achando absurdamente ridícula – foi diferente. Sabe, quando eu ouvi sua voz no apartamento... Gostei de perceber que você não vai mais tentar me tirar da sua vida, e quero permanecer nessa confiança.

– Chega – ele pediu. – Não fala mais nada, eu trouxe você aqui pra gente sair e não vai adiantar muita coisa se você ficar chorando e dizendo essas coisas.

– Não, é que caiu um cílio no meu olho, só isso. Ó.

– E um cílio consegue fazer a coisa ser tão dramática assim – ele sorriu, jogando o braço ao redor do meu ombro enquanto voltávamos a andar. – O que você quer fazer agora? Tenho o dia inteiro só pra você.

– Bem... – eu parei para pensar um pouco, não fazia idéia de que o sorriso de Scorpius tinha tanta força – podemos fazer uma coisa. O que os trouxas costumam fazer às vezes para eles se divertirem.

– Qualquer coisa – garantiu.

Fiz Scorpius parar de andar e perguntei: “Já foi a um cinema?” Ele fez uma careta, e negou. Aparatamos naquele mesmo segundo para o meu apartamento e eu peguei minha bolsa com o dinheiro trouxa.

– Talvez você até goste. Vamos assistir a um filme de terror. Imagens sangrentas e tudo o mais.

– Ás cinco horas da tarde?

– Vai estar escuro e assustador por lá.






– Escuro e assustador, hã? – Scorpius cruzou os braços ao meu lado na poltrona. Estávamos na metade do filme e eu praticamente agarrava o braço dele a cada maldita vez que aquele canibal aparecia e arrancava as cabeças das vítimas e lambia os ossos depois de comer toda carne e os neurônios delas. Ainda tinha uma personagem que precisava sacrificar as duas pernas para sair de uma enroscada. E na cena que aparecia ela cortando a primeira com um machado, Scorpius falava no meu ouvido, sem tirar os olhos do telão: – Essas imagens são pura falsidade – ele murmurava. – Já vi pessoas fazendo coisas piores do que arrancando próprias pernas, no meu pesadelo. E eu acordava dando risada. Quanta besteira.

– É nojento – eu ofeguei. Aquele filme era considerado um dos mais assustadores, ou asquerosos, do cinema. Até pensei que Scorpius teria alguma reação, mas ele só ficava soltando risadas, como se fosse a maior comédia.

– E ridículo. Quero dizer, como ela vai sair dali se ficar sem as duas pernas? Muito brisado – ele deu outra risada. – O mais legal é ver a sua cara. Você não ficava assim quando a gente tinha que dissecar animais na aula de Trato de Criaturas Mágicas em Hogwarts.

– Valia nota – respondi, ainda concentrada no filme. – E eu não estou assustada. É todo esse sangue.

– Sangue? Vejo como tudo é psicológico – ele deu uma olhada ao redor da sala, todo mundo dando alguns berrinhos pelo susto que levavam. – Todo mundo acredita nisso.

– Scorpius, fica quieto por favor.

Até o final do filme ele conseguiu se controlar, ficando calado. Mas girava os olhos toda vez que aparecia uma cena que para ele era ridícula. Quando o filme acabou, Scorpius se levantou dando risada, avisando que tinha se divertido, enquanto algumas pessoas tiveram que sair correndo da sala para ir ao banheiro. Outras que nos acompanhavam ali perto na saída pareciam extremamente enjoadas.

Atravessamos a porta até chegar à calçada. Senti o ar gelado da noite, já havia escurecido, fora duas horas de tortura naquele filme. Mas assim que o vento soprou meu rosto enquanto caminhávamos pela rua, parecia que havia levado todas as imagens artificiais da minha cabeça e eu pude suspirar. Estremeci de frio.

– Obrigada – agradeci quando Scorpius tirou seu casaco e me emprestou.

– Só não vomite nele, tá?

Eu garanti que não ia acontecer.

– Vamos sentar um pouco ali – eu sugeri, ao ver que havia um banco na praça há dois metros. Fomos até lá e eu sentei calmamente ao lado de Scorpius.

Ficamos silenciosos por alguns minutos, só observando a lua que já se encontrava iluminada no céu escuro das sete horas da noite. Scorpius finalmente se virou para mim:

– O que achou?

– Nojento, já falei.

– Não do filme, do dia que teve hoje.

– Ah, sim – eu olhei para as minhas unhas e depois para ele. – Foi... interessante.

Scorpius ergueu as sobrancelhas, no intuito de arrancar mais informação de mim.

– Há tempos que eu não me sentia tão livre – falei de uma vez. – Eu gostei. Bastante. Até das suas reclamações do cinema.

– Nós fizemos poucas coisas ainda – ele comentou. – Mas, como dizia Scarlet O’Hara, o amanhã é outro dia. Podemos aproveitá-lo também.

Eu lhe lancei um olhar estupefato.

– Desde quando você conhece E o vento levou? – eu perguntei. – É um livro trouxa.

– Ontem à noite, depois que você desmaiou, eu vi esse livro na estante do seu apartamento, e eu comecei a ler ele. Ainda tenho que terminar, porque eu parei na segunda parte.

Talvez aquela tenha sido a coisa mais engraçada que eu ouvi o dia todo.

– Não acredito que você ficou a noite inteira lendo um livro enquanto eu estava de ressaca! – comecei a rir. – Acho que trocamos de lugar, Scorpius, não é possível! Mas sério, porque você ficou lendo o livro?

– Ler meio que alivia a tensão – respondeu, displicente, esperando eu dar outra risada. E foi muito alta daquela vez. – Sabe, quando você me agarrou ontem passou muitas coisas na minha cabeça... – ele sorria ao me ver rindo. – Foi extremamente difícil me controlar.

– Eu mereço isso – falei diante das risadas. Até passei as mãos no rosto. – Você quer o livro emprestado? Eu empresto pra você... se o achou interessante e quer saber do final.

– Não se preocupe – ele disse, relaxado, sem tirar os olhos de mim. Esperou me recompor, e ainda usava aquele sorriso para me desnortear enquanto dizia: – Eu senti falta disso. Uma risada sua. – Sua mão foi parar no meu rosto, imediatamente tornando as coisas sérias e eu não consegui mais rir tanto. Só piscar e sentir meu coração se acelerar, como sempre. Sua aproximação piorou ainda mais, mas esperei. Ele hesitava. Nunca o vi hesitar daquela maneira. Assim como jamais o vi perguntar, também tirando o sorriso do rosto: – Eu... posso?

Sabia do que ele estava falando. Mas mesmo assim demorei compreender o motivo de me pedir aquela permissão. Senti seu dedo roçar meus lábios. Eu já não agüentava mais, ele também não.

– Eu não consigo dizer não pra você – murmurei antes de puxar seu rosto com uma mão e deixar seus lábios sugarem os meus. Eles começaram a se movimentar conforme o tempo e o momento passavam, e não se desgrudaram. Scorpius parou com a mão afogada nos meus cabelos, no mesmo segundo que eu sentia sua língua roçar a minha levemente. E toda vez que isso acontecia parecia que sempre tinha alguma novidade, como se eu nunca fosse me cansar de receber seu gosto na minha boca. Foi tudo tão calmo, igual a um primeiro beijo. De repente Scorpius soltou-se de mim e afastou um centímetro. Ainda tinha meus olhos fechados, e o abri lentamente. Nos encaramos.

Não sei, mas ao ver aquela expressão dele, eu senti meu coração subir pela garganta. Como se estivéssemos nos mesmos pensamentos, de repente percebi que já estávamos no corredor do prédio onde ficava meu apartamento. Scorpius nos aparatou ali. E antes que eu pudesse respirar para me acostumar ao lugar recente, ele voltou a me beijar do jeito que eu conhecia, da maneira dele. Faminto, apressado, tirando todo o meu fôlego fazendo-me acompanhar do mesmo modo os seus lábios. Ele me levava para trás até parar perto da porta e me prender ali.

Tateei com a mão até a maçaneta da porta sem cessar o beijo. Fiquei irritava que ela estivesse trancada, mas não parei de beijá-lo.

Scorpius pegou a varinha do bolso e a abriu em um segundo. Nem nos preocupamos se pudesse ter alguém ali vendo todo o nosso desespero. Acabei amarrando sua cintura com as pernas, na tentativa de colar-me nele e ficar presa ali. Scorpius prensou os dedos de suas mãos em cada uma das minhas coxas, e me surpreendi que – enquanto nos beijávamos – ele teve força para andar comigo em seu colo pelo apartamento.

Tirou-me da sala, levando-me até uma porta. Que, infelizmente, também estava trancada, de modo que minhas costas chocaram-se com força na madeira quando Scorpius tentou me empurrar para dentro. Aquilo já estava me dando nos nervos.

Só que não danificou em nada. Ele continuou os beijos nos meus lábios, mordiscando-os e depois fazendo leves sucções, enquanto seu corpo prendia-se mais contra o meu, o que eu achava que fosse impossível. Soltei um breve gemido pela garganta, quando acabei sentindo que havia muito espaço entre a gente ainda. Dupliquei o aperto das minhas pernas na sua cintura. Tentei me concentrar para eu mesma abrir a porta, coisa que Scorpius parou de fazer quando descobriu o caminho dentro da minha blusa. Mas eu não consegui.

– Tenta com a varinha de novo – arfei, notando que a porta estava emperrada.

– Não, ela caiu na sala. – ele parou as carícias nas minhas costas e o beijo, então com uma força determinada, empurrou a porta com tudo. Ouvi um palavrão quando entramos. – Que lugar é esse?

– Hum? Ah – eu soltei uma risada ao ver onde estávamos. – Lugar errado, essa é a dispensa. É no outro lado.

Antes que ele se estressasse ou ficasse irritado comigo e com o fato de ter que me carregar até o outro lado do apartamento, eu agarrei seu rosto e voltei a beijá-lo, deixando-o mais determinado a chegar ao destino desejado. E eu estava completamente consciente do que iria acontecer. Enquanto ele ultrapassava o corredor, tropeçando em absolutamente todo o caminho, consegui abrir sua camisa toda. Demorou um tempinho, já que algumas vezes, para não cair, eu tive que me segurar na parede e na estante, derrubando alguns livros. De jeito algum eu ia me desgrudar de Scorpius. Ele quase comemorou quando chegamos no quarto.

– Não fique com pressa – pedi, ao vê-lo fechar a porta com o pé. Caminhava até a cama, tirando rapidamente meus dois casacos e levantando minha blusa com tanta maestria que nem senti roçar meu rosto quando foi tirada, sobrando apenas a lingerie que eu usava. Acabei me desequilibrando e cai, mas num ótimo momento. Minhas costas afundaram o lençol macio da cama. Scorpius se aproximava, de joelhos jogando a camisa para algum lado do quarto, ficando mais calmo a toda vez que eu o lembrava: – O mundo não vai acabar agora. – Com o dedo indicador puxei a corrente preta e larga que ele usava no pescoço, trazendo-o para mais perto enquanto dizia: – E você não pretende ir embora logo, pretende?

Seu peso já havia invadido meu corpo, mas nossos lábios ficaram parados diante de dois centímetros um do outro.

– Você não pretende me fazer odiá-lo a ponto de não te querer mais só porque você vai achar que não seria capaz de me manter feliz.

– Rose – ele pediu, com a testa franzida – esqueça isso. Não faz mais sentido...

– Faça-me esquecer, então. – Antes de voltar a beijá-lo, eu disse em um tom baixo: – Você não ousaria me decepcionar agora.

Como se fosse sua única e definitiva chance, como se estivesse sendo avaliado, como se fosse uma prova ou um desafio que levaria para a vida toda, Scorpius correspondia ao meu beijo. Línguas que se amavam, e brigavam ao mesmo tempo, roçavam uma a outra, e os lábios que se conheciam movimentavam-se juntos, na mesma sintonia, na tentativa de descobrir algo mais. O quadril de Scorpius se moveu contra o meu corpo, só para haver mais desejo, e mesmo que ainda estivéssemos com as calças, eu sabia que estava excitado. A ponto de não achar necessário a presença de roupas.

Uma mão de Scorpius enfiou-se entre as minhas costas e o lençol, e ele abriu o fecho do meu sutiã quando arqueei o corpo para tornar mais fácil a ele. Foi rápido. Nosso desejo de reatar os três anos com a falta daquele calor, fez com que tudo ocorresse muito rápido. Ao segurar meus seios, suavemente, ainda beijando-me com impetuosidade, eu soltei um arquejo muito forte, sentindo a pele se arrepiar por inteiro. Perguntava-me como Scorpius conseguia aquilo, a forma que ele usava para me enlouquecer, uma forma desconhecida por todos os outros com quem já fiquei assim, uma forma que apenas ele sabia aproveitá-la e usá-la contra mim, para mim. E de tal maneira que me fazia sentir remorso e raiva de mim mesma por ter deixado ele ir embora da minha vida por anos!

Mas não era momento de lamentação. Agarrei sua nuca quando seus lábios roçaram meu peito, e sua língua marcou um caminho extremamente quente na minha pele da barriga. Oh, céus! Era tão diferente, era familiar, era incrível. Se apenas aquilo já me fazia sentir espasmos de prazer, eu ficava mais enlouquecida ainda só de imaginar o que o veneno de Scorpius era capaz de fazer para me torturar ainda mais.

Veneno
. Era isso.

Ele me intoxicava.

Eu precisava fechar os olhos, e aproveitar. Mas queria vê-lo, apreciando-me. Parou de repente o beijo na minha pele, e então ficou de joelhos novamente. Não tirava seus olhos dos meus, nem mesmo enquanto abria o botão e descia o zíper da minha calça jeans. Nem mesmo quando puxou, numa calma impressionante, o tecido pelas minhas pernas, aproveitando tirar depois o resto da minha roupa também.

Eu sentia falta de um olhar vidrado nos meus olhos enquanto eu era despida.

A seriedade dele me hipnotizava. Eu nem reparei que meu tórax subia e descia descontroladamente, quando fiquei exposta a ele, eu nem reparei que precisava respirar. Scorpius parecia querer fazer todo o trabalho sozinho, ficou um pouco longe de mim, e foi com os dedos da mão direita para a fivela do cinto, enquanto a outra acariciava a minha coxa, e o resto da perna.

Curiosamente, tirou o cinto e depois a calça com uma mão, e a calma que ele estava tendo com aquilo foi começando a esquentar irritantemente o meu sangue. Agora eu achava que o mundo ia acabar naquele momento.

Se ele não me possuísse logo.

Como se Scorpius pudesse ser avaliado! Aqueles dedos, sua língua... invadindo-me num sufoco nada páreo afim de reprimir os gemidos que saíam da minha voz. Depois ele parou, assim, subitamente. Por que tive que pedir para ele não ter pressa?! Ele tinha seus músculos do braço contraídos principalmente pelo auxilio das minhas unhas que prensavam sua pele, com força. Ele ficou sobre mim novamente. Finalmente ouvi seu gemido fraco – fraco?­ – quando tirei sua última peça da roupa, e o acariciei onde ele demonstrava todo o desejo, a excitação. Scorpius colocou gentilmente a mão acima da minha, no intuito de me auxiliar. Eu fiquei um pouco irritada, ele achava que eu não saberia... mas acabei não me importando, só de notar que aquilo lhe enviava muito prazer, mais do que eu seria capaz de enviar se fizesse sozinha.

Pude comprovar isso só de olhar para o rosto de Scorpius naquele momento.

Seus lábios desgrudados um do outro, os olhos tão semi-cerrados quanto. Ali na sua garganta, gemidos escapavam. E algumas mechas de cabelos loiros agitavam-se perto do nariz à medida que ele movia seu quadril contra nossas mãos. Em meio a isso, sua mão ineditamente desocupada foi parar no meu rosto. Ficaram ali, surpreendentemente ternas e quentes, enquanto a outra continuava sobre a minha, acompanhando e instigando os movimentos. Scorpius tentava chegar até meus lábios. Ele transpirava, enquanto atingia o acme, num arfar extremamente alucinante, em minha boca. Logo Scorpius tirou minha mão de onde estava, e entrelaçou nossos dedos, esticando meu braço pouco acima da minha cabeça no lençol, sem cessar o beijo.

Apertei com muita força os meus dedos que se entrelaçavam com os deles, pela necessidade de agarrar alguma coisa, quando ele se encaixou em mim. A dor do impacto foi imperceptível, já que segundos depois eu só podia pensar na sorte e o prazer de tê-lo ali dentro. Outra vez. Tentei jogar a cabeça para trás, quando Scorpius afastou-se com os lábios tentando recuperar ar que já nem existia, além de ter levantado minha perna e feito com que eu voltasse a entrelaçar sua cintura com elas. Mas mordi meu lábio, ao perceber que só afundava mais no colchão. Arqueei então o meu corpo, sincronizando-o aos movimentos que Scorpius começou a fazer com o seu.

Ele beijou meu queixo, sensualmente, e não voltou para os meus lábios pois tinha percebido que se continuasse com a boca na minha poderia abafar os gemidos. Scorpius queria ouvi-los em alto e bom som. Eu lhe dei essa satisfação. Em troca, ele me levava ao caminho para talvez o maior orgasmo de toda a minha vida, prensando os dentes no meu queixo, entrando e saindo de mim, colando ainda mais nossos corpos suados um no outro; depois arrastando os lábios até o meu pescoço, percorrendo ardentemente com a língua a extensão da minha pele, meu rosto, e mordiscou minha orelha. Ficou ali arfando perto do meu ouvido, e eu no dele, permitindo que notasse o efeito que causava em mim. Eu o arranhei outra vez nas costas, e prensava fortemente minhas unhas na mão dele. Não reclamava, Scorpius apenas soltava gemidos de aprovação, demonstrando um pouco de masoquismo, a cada vez que os movimentos foram ficando mais intensos e acelerados e sua pele com marcas de unhas.

Scorpius havia ganhado todo o poder daquilo. Em um momento ele me fez querer gritar o seu nome, e eu não consegui reprimir tal desejo. Recebia as últimas estocadas mais calmas, lascivas, suavemente profundas. Meus dedos se afrouxavam, tanto em sua mão como nas suas costas, assim como as pernas também se desenrolaram do quadril dele. Minha visão entrou em foco novamente, e observei o brilho no rosto de Scorpius, do suor que lhe ostentava, os cabelos grudados e molhados na testa. Ele quis durar até o último segundo do orgasmo, e depois afundou o rosto ao lado do meu pescoço, exausto.

Até no fato de que nossa respiração acelerava no mesmo ritmo eu reparei. A forma como enquanto ele expirava, eu inspirava, num vai e vem intensivo e rápido como se roubássemos o oxigênio do outro. Fiz com que Scorpius voltasse a me encarar.

Arrastei todo o cabelo dele para trás com os dedos. Ele usara o cabelo assim nos primeiros três anos em Hogwarts, depois deixara ficar mais solto e por isso adquiriu a mania de jogá-lo para os lados distraidamente até hoje. Tive a visão do arrogante Malfoy que rondava os corredores de Hogwarts há anos atrás. Do Malfoy pelo qual eu me apaixonei. Do proibido Malfoy que fez dos meus anos escolares – ou de vida – importunos e ao mesmo tempo maravilhosos. Ali estava ele, de novo, e havia crescido, na consciência de que me fez descobrir o que era amor, logo em seguida desiludindo-me para que eu testasse outros sabores, pudesse fazer comparações, agora que tudo havia se reatado entre nós. O sentimento só esteve adormecido para me mostrar como precisava ser difícil confiar em um beijo, em um elogio. Para saber que quando confiava e persistia, era verdadeiro. Agora via... o que os erros dele foram para mim, além dos meus, eles me transformaram em uma mulher. Scorpius me transformou. De fato, merecia ser perdoado.

Ele fechou os olhos, quando a respiração voltou a ficar tranqüila. Saiu gentilmente de mim, e se jogou ao meu lado. Assim que me envolveu com um braço, esperei que fosse dizer alguma coisa. Mas ao notar que continuaria calado, imaginei que era melhor assim. Eu adormeci com seus dedos roçando meu braço, e nunca, nunca, me senti tão calma e feliz por um silêncio.

Parecia que alguma coisa havia sido dominada. Era nossa consciência.







O barulho de batidas na porta me despertou do sono profundo. Eu abri os olhos depressa pelo susto, e encarei uma manhã clara e tempestuosa pela janela. Um pouco zonza, sentei-me na cama, tirando ao redor de mim um braço e se não fosse por causa disso, eu poderia jurar que o que tinha acontecido fora apenas um sonho. Mas eu vi Scorpius ao meu lado, esparramado. Mesmo ainda ouvindo as batidas desesperadas na porta, fiquei olhando para ele por alguns segundos. Dormia tranquilo, relaxado, como se nada pudesse despertá-lo, o lençol cobria sua cintura para baixo, e aquela cena era tão maravilhosa e certa que eu tive vontade de chorar. Mas fiquei irritada com as batidas que não paravam, e me levantei para vestir a roupa que estava no chão.

– Rose! Por favor, abra! – apressei-me ao ouvir a voz de Jenny. Nem dei ao trabalho de ver como meu cabelo estava. – É urgente!

Abri a porta e vi uma Jenny muito agitada. Antes que recebesse a minha pergunta pelo que estava acontecendo, ela contou:

– Eu estou grávida, olha! – e me mostrou sua mão trêmula.

Pisquei várias vezes, tentando absorver aquela novidade.

– Q-quê? Como assim? Grávida?

Ela estava rindo como se pudesse ocultar seu nervosismo. Entrou no apartamento e se sentou no sofá. Sentei ao seu lado, e segurei sua mão. Eu nunca tinha visto ela assim.

– Você não faz idéia de como eu estou pirando – falou.

– Jenny, isso é maravilhoso – eu exclamei, abraçando-a. – Albus já está sabendo?

– Não, eu... eu fiz o teste hoje de manhã. Eu vim correndo te contar. Mas... – ela franziu a testa me encarando – parece que eu te acordei cedo. De boa, você levou um choque? Por que o seu cabelo...

– Ah – eu passei as mãos no cabelo para desarmá-lo. – Deixa isso pra lá, me diz... quando você vai contar ao Scorp... digo, Albus?

– Bem, penso em contar hoje no almoço. Tipo, ele não vai pirar, né? Saber que vai ser pai, Albus até que curtiria essa idéia, né?

– Jenny – falei, com um sorriso. – Albus adora crianças. Vai ficar assustado, talvez. Então terá que ir com calma, e não contar a ele da maneira que você me contou agora, porque ainda está sendo difícil de acreditar.

– Certo – ela se levantou, esfregando as mãos. – Vou contar a ele. Vem comigo?

– Que isso, Jenny, você pode contar a ele sozinha. – Ela segurou meu braço e ficou insistindo, estava mesmo nervosa.

– Por favor – ela pediu. – Você sabe que eu meio que não agüento essas coisas estranhas que acontece, tipo, engravidar.

– M-mas... – eu quase disse a ela o que estava acontecendo, o que tinha acontecido e que eu não podia sair dali agora. Felizmente, não foi necessário dizer nada.

Antes que ela continuasse insistindo, Scorpius apareceu, com a calça aberta e sem camisa, só para revelar a Jenny o que provavelmente acontecera. Ele estava dizendo sem perceber a presença da minha amiga, e segurava a cinta dele enquanto isso:

– Rose, o que aconte... – mas alarmado, parou imediatamente de falar, e subiu o zíper da calça depressa ao ver que Jenny estava lá. – Oi. É... eu só estava... eu já vou... – depois voltou para o quarto, com a postura reta.

Tudo o que Jenny fez foi ficar parada. Seu queixo estava caído ao me encarar de volta.

– Sinceramente, é muita surpresa para minha cabeça – exclamou, estupefata.

– Eu ia te contar, mas...

– Meu Deus, Rose. Como eu sou estúpida. Vim aqui te encher com os meus problemas, enquanto você provavelmente estava transando. Como. Eu. Sou. Estúpida. Desculpe, tá? Eu juro que não imaginava...

– Não tem problema, Jenny, e eu vou com você contar ao Albus, só me espere trocar uma roupa melhor e aí-

– Opa, ficou maluca? – ela se afastou, soltando risadas. – Só te convidei porque achei que você não tinha nada de interessante pra fazer, já que não está mais indo ao Ministério e coisa e tal. Mas agora parece que você... quero dizer, era o Scorpius aquele, não era? Senhor Jesus... Olha, é melhor já me apressar. Pensando por mim, eu ia detestar se a minha melhor amiga viesse contar que estava grávida depois que eu dormi com alguém. Espero que você não tenha deixado de tomar aquela poção, porque daqui alguns meses pode estar na mesma situação que eu...

– Não, isso... não corre risco disso – falei, preocupada com a agitação de Jenny. – Tem certeza que não precisa mais de ajuda nem nada?

– Absoluta! Albus é meu marido, nem sei porque fiquei com medo que ele fugisse! Tchau, Rose. E depois você me conta os detalhes. – Ela ficou na porta, e se virou para mim de novo, mais séria. – Está tudo bem com vocês agora?

– Não, eu transei com ele e não está – falei sarcasticamente. – Só estou esperando você sair pra matá-lo, dar uma de viúva negra, sabe.

Ela deu uma risada e saiu.

– Jenny – a chamei quando estava perto da escada no corredor. Sorri. – Parabéns. Eu sei que você vai ser uma excelente mãe, se essa for sua preocupação. E Albus ama você, não vai mudar nada ao descobrir da gravidez. Eu conheço meu primo.

Jenny voltou e me abraçou.

– Obrigada, ruiva! E juro que eu não faço mais isso, vir aqui te encher o saco.

– Você nunca enche – garanti.

Jenny enfim foi embora, e eu entrei de novo em casa. Suspirei ao fechar a porta. Scorpius tinha voltado na sala.

– O que houve? – perguntou.

– Jenny está grávida. Albus vai ser pai. Eu espero que eles fiquem bem.

– E eles não estão?

– Talvez, mas... quando Jenny fica desse jeito quer dizer que eles discutiram ou estão brigados. Eram assim desde a época de namoro. Por isso ela estava preocupada. – Fui até a cozinha preparar alguma coisa para comermos. Scorpius sentou numa cadeira e ficou me observando.

– Você se preocupa com eles?

– Bastante.

– Está preocupada agora?

– Não. Quero dizer, eles estão juntos. Se a gente conseguiu ficar bem, não tenho dúvidas que os dois também.

– É... – ele murmurou, levantando-se e ficando atrás de mim, segurando minha cintura. Eu me virei para ele.

– Sobre ontem, Scorpius, eu só...

Scorpius me deu um rápido beijo.

– Obrigada – falei, recebendo seu beijo no pescoço. – Pelo dia... pela noite...

– Calma – ele riu –, não precisa agradecer. Não terminou. Podemos repetir quantas vezes quisermos ainda. E você vai ficar muito cansada de agradecer. Poupe-se disso.

Ele me puxou e me tirou da cozinha. Eu não conseguia acreditar – na realidade conseguia – que tudo aquilo estava acontecendo. Pensava em tudo o que eu passei sem ele, enquanto naquele momento Scorpius me levava até o banheiro, e tirava nossas roupas outra vez. Pensava em tudo o que eu ia passar, se ele continuasse vivendo ali comigo, permanecendo na preocupação de me ver sorrir. E Scorpius me amava. Eu sempre soube daquilo. Temi aquilo. Mas naquele momento, em meio a um outro beijo mais desesperado, tive certeza de que necessitava daquilo.

Droga
. Pensei. Eu estava precisando dele. Não devia ser assim. Eu não queria precisar dele, precisar de homem? A realidade era que eu precisava amar.

E Scorpius era a fonte de toda essa necessidade.






N/A: Esse capítulo se deve ao fato deles voltarem e voltarem mesmo, e foi tipo, a reconciliação oficial deles, aleluia. Então. Aquilo foi uma NC, não foi? Eu juro que tentei fazer o máximo pra não assustar, nunca escrevi cena com mais detalhes do que pensei em colocar. Eu espero que tenha ficado bom, no máximo! Não sei o que deu em mim quando eu citei "E o Vento Levou" mas minha mãe que costumava dizer aquela frase da Scarlet O'Hara "O Amanhã é outro dia!" ahuahuahau. Enfiiiim, esse capítulo foi escrito num piscar de olhos. E, para recompensar a demorinha da semana passada, já postei esse no sábado, sem atrasos. Como combinado! Viram como sou atenciosa com vocês? *-* Então peço, em troca, muuuuitos comentários. Aproveitem esse feriado prologando - eu aproveitei! - Primeiro porque eu nunca escrevi uma NC assim e quero saber o que acharam, e segundo que no capítulo passado eu recebi poucos comentários "/ (tudo bem que não faz nenhuma semana que eu o postei, portanto se eu receber pelo menos dez comentário desse capítulo até a próxima semana, eu serei a autora mais feliz!)

Sabrina M. e M. - Obrigada por comentar outra vez! Você mencionou Ron e Hermione e digo que eles aparecerão mais nos próximos capítulos, a família Weasley aparecerá. Fico feliz que tenha gostado!

Leeh Malfoy - Cara, você comentou tuuuudo! Praticamente TODAS as cenas do cap anterior! Ammeei! Muito obrigada, mil vezes! Realmente, a Rose pareceu a Pansy naquele momento, maaaas ela já deve ter voltado da lua. E dessa vez esse cap foi postado sem atrasos! Espero que tenha ficado bom. Beijos!

Larissa - Ahh adoraria tanto que comentassem em cada capítulo! Mas, vejo como nossas ocupações impedem disso, portanto fico mto feliz que esteja conseguindo um tempo para ler, e principalmente para comentar! Obrigada viw? Beijos!

Cordy W. Malfoy - AH meu Deus, leitora Novaaa! *-* Obrigado por ter lido, e comentado! Espero muito vê-la novamente por aqui, comentando. Beijos!

Danny Evans - Danny! Siim, entendo seus motivos, nem precisa pedir desculpas. Fiquei contente por ainda estar acompanhando e comentando! Sobre a Violet, siim, ela reaparecerá em um dos próximos capítulos, e tudo o que eu quero fazer é livrar de continuar escrevendo sobre o Dansford, tdo mundo odiou ele! Bem, espero que tenha gostado desse capítulo, e estarei como sempre esperando seus comentários! Beijos!

É isso galera,
Fiquem na paz e COMENTEM!
Beijos,
Belac.

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 27/12/2011

Ameiiiiiiiiiiiiii o capitulo lindo perfeito *---------------------* em todos os sentidos.

Nota: 5

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