CAPITULO 108
Suspeitas
Hermione sentia uma sensação ruim ao andar por Hogsmead. Havia deixado algumas provisões para Gina, e voltado a cidade, para deixar as gêmeas na casa de Molly Wesley.
Sentia como se estivesse sendo seguida e essa sensação era ao mesmo tempo estranha e velha conhecida sua. Passara diversas vezes por isso nos tempos de caça a Voldemort.
Por isso sabia que não era apenas uma impressão, era mais sério. Era real.
Deixando de lado o bom senso, ela continuou, esperando achar um modo de fazer seu seguidor se revelar. Por muitos minutos, seguiu aparentemente alienada a seu possível algoz. A varinha bem escondida em seus bolso mágico, a qual fingia não tocar, por estar com os braços cruzados, e exatamente por causa disso, mantinha-a nas mãos, pronta para o ataque.
Levando seu seguidor para onde desejava, ela ficou de costas para a rua, conjurando disfarçadamente um feitiço de espelho. Ela teve que sufocar um grito de ódio ao ver cabelos platinados e a expressão falsa de sua seguidora. Mary não tinha limites muito menos vergonha na cara!
Estava prestes a sacar a varinha e lhe dar uma grande lição quando algo a parou. Seu bebê. Não podia entrar em duelos, ou brigas, tinha que pensar nele. Ou nela.
Esse pensamento a fez sorrir como boba, e guardar o pequeno espelho conjurado. Olhando para a chamativa vitrine ao seu lado, chegou a conclusão que havia outras formas de frustrar os planos de Mary em segui-la e provavelmente brigar.
Entrou na loja dos gêmeos Fred e George, e ali ficou por toda a tarde, queria ver se Mary teria cara de pau de entrar ali depois de tudo que vinha aprontando! E se tivesse, ainda assim, haveria quem empunhasse a varinha por ela. Fred e George eram brincalhões, mas sabiam a hora de serem sério, e não hesitaram em oferecer a lareira, para que ela se livrasse da peste da Mary!
Em casa, ela ouviu o burburinho de Rony e Harry. Ambos conversavam apressadamente na sala, e Rony parecia ainda mais nervoso do que Harry.
-Eu deveria saber! De todos os homens do mundo, justamente Greg? – ele esbravejou – Como puderam fazer isso?
-Eles não prestam – Harry disse, talvez para acalmá-lo.
-Vou obrigar esse desgraçado a confessar seu caso com Mary! – ele praticamente gritou – duvido que o ministro lhe dará atenção depois de saber o malandro que é!
-E como pretende fazer isso? – Harry perguntou, ansioso por ver uma luz no fim do túnel.
-Primeiro vou pegar esse filho da mãe, e depois vou arrancar dele a verdade! Nem que seja a força – ele ameaçou, sua raiva não era pelas traições, mas pelos anos que sua irmã vivera enganada. Pela dor que ela carregara consigo por não ter correspondido o amor do marido. Pela possibilidade desse homem ser o pai de suas meninas!
-Calma, Rony. atacá-lo não vai trazer a verdade a tona! – Harry tentou refrear seu impulso, visto que não o queria em uma enrascada igual a sua!
-Sou auror e não tem nada contra mim! Dei um flagrante de adultério e tenho todo o direito de exigir que ambos respondam por isso! sempre achei as leis bruxas machistas, mas agora, estou feliz por serem assim! Temos uma razão para enfiar poção da verdade nesse filho da puta!
-Precisamos contar isso a Hermione antes de irmos atrás deles – Harry disse lembrando-se dela naquele momento.
-Não – Rony disse categórico. – Deixe-a de fora disso, Harry.
-Hermione ficará furiosa -ele alertou.
-Prefiro sua fúria, e vê-la ferida, ainda mais agora – ele não precisou mencionar o bebê para que o amigo compreendesse.
Harry entendia esse sentimento de proteção, pois estar afastado de Felicity era muito mais custoso do que alguma vez pensou que pudesse ser. Não era apenas de Gina que sentia falta. Sentia falta das duas por igual.
Em seu canto, ela esperou que ambos fossem embora, para se aproximar e apanhar o papel que Rony jogara sobre uma mesinha, em sua raiva. Tinha um endereço rabiscado. Era o nome e o numero do quarto de um hotel muito desaconselhável em Hogsmead.
Se Mary era amante de Greg, então, tudo estaria resolvido. Sem moral, ninguém o levaria a sério! Poderiam ganhar tempo e provar suas mentiras!
Santa Mary, pensou! Ela em sua mesquinhez e falta de ética, servira para alguma coisa afinal!
Tentando não sorrir, pois o assunto era sério, ela foi atrás. Não custava cobrir a retaguarda de Rony e Harry. Eles nem saberiam que estava lá!
Rony esperou que Harry estivesse pronto, antes de bater a porta. Um batida discreta e eles ouviram sussurros dentro do quarto.
Passos e então, Greg abriu a porta, esperando ver o garoto da recepção com os pedidos que fizeram mais cedo. Jantar e sobremesa, tudo por conta de Mary, claro! Não gastaria um centavo com aquela vadia!
Ele usava apenas a roupa de baixo, e seus cabelos caiam displicentes sobre os olhos, enquanto virava-se para sua amante e dizia com voz de acaso:
-Não é ninguém...precisa arrumar um hotel melhor que esse, Mary, isso é uma espelunca...!
Sua frase ficou pela metade quando foi empurrado para dentro do quarto. Harry e Rony o pegaram de surpresa e ele não teve tempo de reagir, sendo imobilizado por Harry, que o segurou no chão, em meio a uma pequena luta, que não demorou a terminar.
Rony ouviu o grito agudo de Mary, quando o avistou e olhou para ela com nojo. Deitada sobre aquela cama, completamente nua, ela procurava pelos lençóis que estavam sobre o chão, e olhava com horror para ele.
Quando Rony afastou as roupas e os lençóis, deixando-a daquele modo para que ficasse completamente humilhada ela disse desesperada:
-Rony...meu amor, ele me obrigou! Me ameaçou, me tomou a força...oh, meu amor, ele me forçou! Eu juro, que não queria! Eu...
-Cala a boca – ele disse baixo e rouco, usando a varinha para alertar outros aurores e chamar mais testemunhas. Era esse o procedimento padrão.
-Rony...minha vida, me ouça! –ela gritou, as lagrimas correndo em sua face, tentando se cobrir do olhar de acusação e então, do olhar de asco de Harry.
-O que você acha que pode me dizer, que já não esteja claro diante dos meus olhos? – ele perguntou irônico, se aproximando de um quieto Greg. – A quanto tempo são amantes?
Como Greg se manteve calado e ela não disse anda, pega no flagra, ele riu, desconcentrado, sem humor.
-Não importa. Terão todo o tempo do mundo para responderem a respostas.
-Rony...o que vai fazer? – ela mentinha os braços tentando proteger os seios e algum pouco pudor que ainda pudesse ter lhe restado depois de tantos anos de vida promiscua.
-O que acha que vou fazer? -ele apontou a varinha de um para o outro – Deveria matá-la por ter me enganado todos esses anos! Deveria destruí-los por terem enganado minha irmã e toda minha família, nos fazendo de bobos! São dois miseráveis e merecem ser entregues ao ministério!
-Não! – ela gritou, desesperada – Vão tirar as meninas de mim! Rony, não faça isso!
-É exatamente o que quero! – ele gritou de volta, tentando conter a vontade incontrolável de bater nela – Iremos arrancar toda a verdade desse desgraçado! E você – ele ficou mais próximo apontando a varinha diante de seu rosto – vai ser desmoralizada e todos irão saber quem é a verdadeira Mary! Nem mesmo seus pais irão conseguir tira-la dessa, ouviu? Sua vagabunda!
-Não! – ela gritou, implorando – Não me chame assim, eu te amo, Rony, não me chame assim! – desesperada, ela levantou-se e apanhou um lençol no chão se enrolando e tentando se aproximar dele – Foi por sua causa! Precisava das meninas para salva-lo! Eu juro, era apenas uma noite, mas ele nunca mais me deixou em paz! Eu juro, não o amo, só tenho amor por você! Rony, minha vida, olhe para mim, olhe como eu te amo! Cheguei ao ponto de me humilhar dormindo com esse homem durante todos esses anos, apenas para te fazer feliz!!!
-Acredita mesmo nisso não é? -ele quase riu – Hermy e Sara não são minhas filhas. É isso?
Doía perguntar, pois já sabia a resposta.
-São, pois foi por sua causa que nasceram! Eu as dei para você, Rony, meu amor, eu as fiz para você! Para que voltasse a viver! Rony...
-E o bebê que carrega, é dele ou meu? – precisava perguntar, mesmo que pretendesse confirmar com exames de DNA trouxa. Sua expressão era culpada, e ela baixou o rosto, sentando0se na borda da cama, em prantos.
-Eu...não consegui segura-lo...o nosso filhinho, nosso primeiro filho juntos, Rony, e não pude segura-lo...
Suas lagrimas não o comoviam e Rony se aproximou de Greg, apontando sua varinha para ele enquanto dizia:
-Não acredito que tenha sido burro o bastante para se deixar apanhar nessa, Greg. Agora, estará nas nossas mãos para usar poção da verdade em vocês dois, e confirmar o adultério. E sabe, que haverá outras perguntas não sabe? – Greg moveu-se no chão, ficando quase sentado, olhando-o com olhar de crueldade enquanto pensava desesperadamente em uma escapatória.
-Me diga, vamos descobrir algo mais? – Harry perguntou cínico e ficou um pouco assustado com o olhar profundo de Greg em sua direção.
Sim, havia mais, muito mais que simples adultério. Mais que acusações faltas.
Rony aproximou-se de Mary para exigir-lhe que vestisse as roupas e se recompusesse, ao menos para receberem os outros aurores, visto que era a mãe das gêmeas, e não queria que saísse nua na primeira pagina do profeta diário.
Foi nesse momento, num descuido de Harry que Greg conseguiu atacar. Fingindo estar imobilizado, ele avançou sobre Harry derrubando-o e usando a própria varinha para aparatar.
-Esse filho da mãe! – Harry gritou, correndo até Mary e agarrando seus braços – Para onde ele foi? Para onde ele foi?
-Eu não sei! – ela disse tentando se safar.
-Não vou perguntar de novo! Para onde ele foi? – sua varinha ficou a centímetro de sua face, mas ela não recuou, querendo dar tempo para Greg fugir.
-Eu não sei!!!!!!! – ela gritou, tentando soltar-se dele.
-Diga agora mesmo, Mary, para onde seu amante foi – Rony mandou em voz baixa, rouca e a raiva o sufocando. Não conseguia olhar para ela. Era quase impossível olhar para aquela demente que fora capaz de enganá-lo e despedaçar seu mundo.
-Gina... –ela disse entre soluços e Harry a jogou, sem olhar para trás, ele a deixou cair, e Mary ficou no chão, chorando.
Ela nunca diria não a Rony ou a uma ordem sua, mesmo assim, sabia que quando Greg a pegasse, seria uma bruxa morta, por ter dedurado seu paradeiro.
Rony olhou para ela, e então para Harry que aparatava desesperado.
-Fique aqui, Mary -ele disse sabendo que em seu estado de completa loucura, ela não o desobedeceria – Fique e conte tudo aos aurores. Não estou pedindo!
Ela concordou, encolhida no chão, aos prantos.