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6. Capítulo 6


Fic: Cliché Love Story


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Você já ouviu a expressão ‘as melhores coisas da vida são de graça’? Bem, essa expressão é verdadeira.” – One Tree Hill

Capítulo 6


Obviamente, depois do final de semana a chuva parou. Parou completamente, embora o céu continuasse muito nublado. É claro que quando você mais quer que abra um sol inacreditável, que é no final de semana, quando você tem tempo para dar uma volta, ele não aparece. Não. Você fica no frio de tundra com uma chuva torrencial sobre a sua cabeça. E depois a sua mãe ainda pergunta por que você está fazendo, de novo, uma maratona de filmes com o Jude Law. Digo, não assistir montes de filmes com o Jude Law ao seu lado, um monte de filmes em que ele atua (inclusive aqueles ruins de doer, tipo A.I.: Inteligência Artificial).

Parte do domingo também foi gasta no telefone com Marlene. Eu tive que contar, em detalhes, o meu não-encontro com James Potter. Marlene levou a conversa toda muito a sério, como se eu estivesse, sei lá, apaixonada por ele há séculos e nós finalmente tivéssemos tido nosso primeiro encontro perfeito. Ela simplesmente esqueceu completamente porque eu e Potter estamos em uma... erm, relação. Na falta de uma palavra melhor. Uma relação amigável, quero dizer.

Deus, eu sou realmente patética.

Lene também parecia obcecada por saber o que eu “senti” em determinados momentos, e eu fui obrigada a cortar o barato dela dizendo: “Marlene, eu não senti nada. Eu só vi que se as coisas continuarem assim, meu conto não vai pra frente. Lembra que tudo isso é uma farsa?”. E ela respondeu, desanimando um pouquinho: “ah, é, acho que estava escolhendo não lembrar”. Não perguntei o que raios ela queria dizer com isso, porque eu não tinha certeza de que queria saber a resposta.

Então, foi um domingo bastante preguiçoso. No MSN, um terço das mensagens pessoais (basicamente, quase todas as pessoas que são da escola e estudam no mesmo ano que eu) era “Sonho de Uma Noite de Verão”, por causa da prova. Eu estava tranqüila com isso, é claro. Ser nerd e ler os livros obrigatórios com antecedência por vontade própria tem suas vantagens.

Na segunda-feira, depois de inglês, James veio me perguntar como eu achava que tinha ido. Eu disse a verdade: bem. “Eu também”, ele falou sorridente. “Fiquei te devendo essa”. Eu realmente não sei se ele leu a peça original ou só minha versão especial. E esse foi todo o contato que tivemos na segunda, e na terça também.

Até hoje. Eu estava na minha mesa de sempre (só que ela estava vazia; só eu e Marlene estávamos ali, já que eu estava ajudando ela com Química ao mesmo tempo em que comia, e ninguém gosta muito dessa cena). Estava tentando bravamente engolir a lasanha de brócolis- exatamente isso: brócolis - quando ele apareceu na minha frente.

- Olá, Potter – Marlene cumprimentou amigavelmente, enquanto ele sentava no banco do outro lado da mesa. – A que devemos a honra?

Eu olhei para ela com um olhar que claramente dizia “Lene, cala a boca”, mas ela só riu.

- Vocês tiveram uma chance de olhar para o céu hoje? – ele perguntou. – Está azul, cara! Tem sol.

- Sei que é surpreendente depois de tantos dias chuvosos ou nublados, mas... Bem, estamos acostumados com as nuvens, não? – eu perguntei.

- Não é por isso – ele respondeu. – É que vamos aproveitar o sol e ir naquela praça que fica a duas quadras daqui. Aquela que tem muitas... sei lá, árvores. – Pela expressão no rosto de Potter, nem ele pareceu acreditar no que disse. – Vamos comprar Doritos e essas porcarias todas, e levar violão – ele explicava, brincando com meu lápis do Tigrão entre os dedos. – Se vocês quiserem aparecer... Bem, podem ir conosco. Vamos depois da aula.

- Você acabou de falar “conosco”? – eu arqueei a sobrancelha, incrédula, quase rindo.

- Você ia achar melhor se eu dissesse “com nós”? – ele usou o mesmo tom de voz que eu tinha acabado de usar.

- “Com a gente” – eu respondi. – “Com nós” já é demais. – Fiz uma pausa. – Como vai levar violão se vão direto da escola, James? Ele vai se materializar aqui?

- Você tá hilária hoje, Evans. – ele revirou os olhos, mas estava sorrindo. – Eu trouxe para a escola. Pedi pra deixar numa sala de aula.

Uau, o metrô que ele pega deve ter espaço sobrando. Não sei como ele conseguiu carregar um violão por aí.

- Então, Lily, você vai? – Marlene me perguntou.

- Eu tinha é que ir pra casa estudar... Álgebra é muito difícil – eu respondi. Embora eu quisesse dizer que sim, ia, e ia mandar a matemática para... Bem longe.

- Você não reclamou o domingo inteiro da chuva? Bem, Deus pôs o sol sobre Londres hoje. E você está ignorando isso.

- Acho que Deus tem coisas mais importantes para se preocupar... – os dois reviraram os olhos para mim ao mesmo tempo. Qual é? – Tudo bem, dane-se a matemática então. Se é Deus quem quer, quem sou eu para dizer não? Vamos? – perguntei para Marlene.

- Vamos.

- A gente vai estar no portão esperando, beleza? Não demorem muito, os caras odeiam esperar – James falou.

- Tenho certeza de que só os caras odeiam esperar, e você não – eu disse ironicamente.

- Hey, gente – uma garota sentou-se ao lado de James. Emmeline Vance. – Tudo bem?

Eu e Marlene sorrimos para ela ao mesmo tempo.

- James, você perguntou a elas...? – ela o indagou.

- Apesar do que você pode achar, Emmeline, eu sou capaz de passar um recado – ele falou para ela. Não como se estivesse realmente chateado com isso, claro. Só sendo engraçadinho. É, sou bem eu que estou hilária hoje.

- É mesmo? – ela brincou também. – Fiquei com medo de depositar expectativas tão grandes sobre você. Mas veja que surpresa, você as superou!

Eu troquei um olhar com Marlene. O que isso significava? Eles certamente parecem próximos, não só por hoje. Mas essa implicância toda, vinda dos dois lados, de uma maneira que é... Bem, amigável... Talvez seja isso que os amigos de James Potter enxerguem como uma amizade legal? Desafiar um ao outro constantemente, porque eles são bons em desafios?

Opa, estou julgando. E é um julgamento baseado nas minhas falsas primeiras impressões.

- Então, vocês vão? – Emmeline perguntou, ainda sorridente.

- Vamos – eu respondi. – Porque, aparentemente, esse é o plano de Deus.

- Hã? – ela perguntou, parecendo realmente confusa.

- Não é nada, Emmeline – Potter falou. – Vem, vamos deixá-las estudar.

E daí eles saíram em direção à mesa deles.

- Lily... O jeito com que ele fala com você... – Marlene começou a falar sem olhar diretamente para mim. Tenho impressão de quem aí vem algo que eu não quero ouvir. – Tem certeza de que você quer continuar com essa mentira? Por acaso já parou para pensar em como ele vai se sentir quando ficar sabendo? Como você se sentiria?

Eu suspirei. De novo não.

- Talvez ele não precise ficar sabendo – respondi. – Não é como se o garoto do meu conto fosse se chamar James Potter, camisa dez do time, QI elevadíssimo, equipe de debate. É só pra que eu possa conhecer melhor a... outra realidade. A parte nerd sou eu. Eles são os populares, o grupo ‘in’, a Lista-A.

Não que eu realmente acredite nisso. Quer dizer, eu nem sei o que ainda estou fazendo dizendo “sim, vou na praça ouvir você tocar violão” para Potter. Depois daquele jantar, eu não tenho mais dúvidas de que ele não serve para ‘garoto descerebrado 1’. Eu sei que ele não serve pra isso. É só que eu tenho menos de duas semanas para escrever esse conto, e não sei quem mais procurar. Para ser honesta, eu acho muito difícil que eu acabe usando pesquisa para escrever a versão dois do conto. Eu lamento, professora Cole.

- Tudo bem, você sempre faz as escolhas certas, não é, Lily? Por mais erradas que elas pareçam no início... Sempre acaba dando certo.

- Se você diz... – eu dei de ombros. – Então, ainda quer estudar química?

- Não, obrigada. Eu não consigo mais ouvir a palavra “carbono” – ela reclamou, e eu ri.


x


- HEY, PETER, DEVOLVA AS MINHAS BALAS DE GOMA! – Emmeline berrou e eu achei que meus tímpanos fossem estourar.

- Peter, devolva as balas a ela – Sirius falou, todo sério.  – Ou vamos todos sofrer sérias lesões auditivas – ele adicionou, bagunçando o cabelo da pobre Vance, e todos riram.

- É, esse seu agudo deve estar no mesmo nível de decibéis que, sei lá, um avião – Remus falou a ela. – Ou seja: bem acima do aceitável.

- Mas vocês me amam mesmo, não? – ela brincou. – Banco vazio, galera! – Isso é o que eu chamo de mudar de assunto.

Bem, lá está a praça a uns dez metros, e realmente tem um banco vazio. Na verdade, dois, um ao lado do outro, porque uma mulher com duas crianças adoráveis acabou de levantar.

É claro que nem todos conseguimos lugares nos bancos. Então Sirius, Remus e Jane foram dar uma volta (na verdade, eles foram brincar nos balanços, que a princípio são destinados às crianças da cidade, mas tudo bem).

Emmeline estava oferecendo Doritos e Coca-Cola para o pessoal. Essa combinação é bem do tipo que me preocupa. Sabe como é, é o tipo de combinação que poderia abrir um rombo no meu estômago.

- Então, quem vai tocar? – Marlene, que já estava super integrada ao pessoal, perguntou, indicando o violão.

- James vai – Emmeline respondeu. – O que é que vai tocar para nós? – ela perguntou a ele.

- Nada agora. Depois.

- Depois uma nuvem cinza enorme pode vir encobrir o céu e a graça vai toda pelos ares – ela retrucou.

- Isso não vai acon...

- Larga de ser irritante, James. Pelo amor de Deus.

- Tudo bem, então, já que você não vai parar de insistir... – ele pegou o violão. – Desculpa aí, Evans, quase enfiei isso na sua cara. – O que é verdade, porque ele quase enfiou o braço do violão na minha cara; mas tudo bem, porque nada aconteceu. – Então, Emmeline... Vou tocar uma que eu sei que você curte muito.

- Sério? – ela perguntou, sorridente. E depois o sorriso desapareceu. – Tá, foi irônico.

- É, foi – ele concordou. – Mas você gosta, Dorcas. Então canta – ele se dirigiu a ela. – Você sabe que eu não sei cantar.

- Como assim? Vai tocar a música, mas não vai cantar? Que coisa fajuta. – eu ri.

Ele deu de ombros, como quem se desculpa. E então começou a tocar. E apesar de eu adorar a música, eu só consegui reconhecer depois que Dorcas começou a cantar (antes disso, ela abriu um sorriso e disse “você finalmente aprendeu essa!”)


Maybe I don't really want to know
(Talvez eu não queira realmente saber)
How your garden grows
(Como seu jardim floresce)
'Cause I just want to fly
(Porque eu só quero voar)


Eu sorri e cantarolei, bem baixinho, fazendo coro.


Lately, did you ever feel the pain?
(Ultimamente, você já sentiu a dor)
In the morning rain
(Na manhã de chuva)
As it soaks it to the bone?
(Como se estivesse molhado até o osso)


Só que depois dessa parte eu não agüentei controlar a minha bela voz e comecei a cantar mais alto, realmente fazendo coro à Dorcas e James (e sim, ele estava cantando, só que num volume bem baixinho).


Maybe I just want to fly
(Talvez eu só queira voar)
I want to live, I don't want to die
(Queria viver, não queira morrer)
Maybe I just want to breathe
(Talvez eu só queria respirar)
Maybe I just don't believe
(Talvez eu só não acredite)
Maybe you're the same as me
(Talvez você seja igual a mim)
We see things they'll never see
(Nós vemos coisas que eles nunca vão ver)
You and I are gonna live forever
(Você e eu vamos viver para sempre)


YOU AND I ARE GONNA LIVE FOREEEEVER! Eu amo, amo, amo Live Forever, do Oasis. Sim, Oasis, a banda dos irmãos que são dois doces de pessoa, se amam pra caramba, nem se acham... Haha. Mas faz parte do charme dos Gallagher serem os mal-humorados e metidos. Whatever. Eu adoro (quando eu era mais nova, minha mãe disse que tudo bem. Desde que eu não quisesse seguir o modelo de conduta deles. Como se eu fosse fazer isso – às vezes parece que a minha mãe não conhece a filha dela).

- Como vocês podem gostar desses caras? – Emmeline perguntou, realmente incrédula. – Quer dizer... Talvez eles tenham umas músicas decentes, tipo Wonderwall, mas eles não são tão bons assim para serem tão arrogantes.

- Não acho que o fato de você ser bom justifique o fato de você ser arrogante, de qualquer maneira – eu falei.

- Isso foi uma indireta? – Potter perguntou, olhando para mim. E não, de verdade, não foi.

- Você se acha bom, então? – Emmeline perguntou, arqueando a sobrancelha.

- Sei lá, não. – Ele deu de ombros. – É que a Evans aqui condena muito a minha... Arrogância. Então achei que fosse para mim.

- Quando foi que eu te chamei de arrogante? – perguntei. Eu chamei ele de arrogante?

Tudo bem, é possível.

Na verdade, é provável.

- Se você está perguntando as datas específicas, não vou saber dizer.

Eu não soube o que dizer, então fiquei em silêncio. É uma sensação terrível a de ficar sem resposta. Em certos momentos da nossa vida, não importa quem somos, acabamos não sabendo o que dizer. É muito pouco provável que você sempre tenha respostas e justificativas para tudo, em todos os momentos. Ainda assim, naqueles momentos em que você não consegue fazer nada inteligente o suficiente sair da sua boca, tudo o que você quer é uma luz, mesmo que seja a mais fraca, para não acabar calando, e, conseqüentemente, consentindo.

- Não se preocupe, James – Marlene falou a ele. Eu senti um nervosismo repentino. Eu não sei o que ela vai falar. – Quando Lily põe alguma coisa na cabeça, é difícil fazê-la mudar de opinião.

James acenou com a cabeça. Como se dissesse “entendi”.

- Eu já falei para você que eu comecei a enxergar diferente – eu falei para Potter. – Você lembra disso, certo?

- Lembro. – ele sorriu. – Relaxa, Evans. Estava só brincando.

Ah, bem.


x


Eu não sei exatamente como foi que eu acabei ficando sozinha com James Potter em um dos bancos. Eu sei que os três que estavam no balanço receberam a companhia da Lene, e de Emmeline. E Dorcas e Peter foram procurar algum lugar para comprar chiclete.

Tudo bem, foi assim que eu fiquei sozinha com Potter. O que eu não sei foi por que eu fiquei. Isso faz sentido?

- Isso é ótimo – eu falei, encostando no encosto (isso não é um pleonasmo, é?) do banco. Sim, nessa praça os bancos têm encosto - eles são como aqueles de jardim.

- O quê?

- Isso... Ao ar livre, só aproveitando a tarde – expliquei. – Mesmo sendo inverno e com as árvores todas secas... Ainda assim, é bom.

- É – ele concordou. – Melhor do que estudar álgebra, com toda a certeza.

- Nem me fala nisso. Eu estou me sentindo ta culpada por estar aqui... E não na minha cadeira, com o livro aberto e o caderno cheio de anotações...

- Por que você é tão obsessiva com escola, com notas? – ele perguntou, parecendo genuinamente confuso.

- Eu não sou obsessiva – discordei. – Eu só me preocupo. Quer dizer, elas determinam grande parte do meu futuro...

- Pode ser – ele concordou. – Mas a vida é muito curta. Não vale a pena se estressar tanto e não aproveitar nada.

- Às vezes... Às vezes eu me sinto como se estivesse perdendo alguma coisa. Assistindo a vida passar, sem que ela espere por mim – eu admiti. – Eu sinto que eu me preocupo demais e... É como se eu tivesse essa imagem da Lily Evans que as pessoas conhecem para manter, e não me permito fazer aquilo que eu realmente quero. – Eu parei por dois segundos. – Tudo bem, eu acabei de fazer uma confissão. Eu nunca falei isso pra ninguém antes.

- Não seu preocupa, Evans, não vou espalhar a sua... confissão – ele garantiu, e piscou. – Mas agora que você me falou, vai ser obrigada a ouvir meu conselho. – Ele sorriu. – Não deixe de fazer alguma coisa que você queira por causa do que os outros vão pensar, nunca. Gostarem ou não do que fazemos é uma conseqüência, você não pode viver esperando aprovação.

- Não é isso – eu rebati. – Eu não estou procurando aprovação, eu não estou constantemente procurando, sei lá, me enturmar. Eu só não quero que pareça que é isso que eu estou fazendo – expliquei, gesticulando como a Lene costuma fazer.

- Está vendo? Ainda assim, está mais preocupada com a opinião alheia do que com o que você quer.

- Porque eu não moro em uma ilha, certo, Potter? – falei, ironicamente.

- Tem uma diferença bem grande entre não ser mesquinho, ofensivo, arrogante... E viver pra agradar o resto do mundo. Não estou dizendo que você faz isso – ele acrescentou quando eu arqueei uma sobrancelha. – O que eu quero dizer é... Faz o que você quiser, Evans, vai sempre ter alguém que vai reclamar, não importa o quão perfeccionista você seja. Vai aproveitar a vida. Essa é a época mais certa para isso.

- Você definitivamente sabe aproveitar a vida. Sem medo. – Não foi uma pergunta.

- O que é que está tão errado nisso, Lily?

Ele me chamou de Lily? Tenho certeza de que não foi a primeira vez, embora seja raro.

- Não tem nada de errado – eu falei. Embora às vezes eu ache que... Bem, tem algo errado. É por isso que ele costumava levar tantas detenções. É por isso que eu desprezava (ainda desprezo?) seu comportamento. É por isso que é sempre uma surpresa quando ele fala com seriedade. – Não estou julgando. Mas eu entendo por que você acha isso. Quer dizer, é só a gente olhar para trás...

- Não importa o que aconteceu lá atrás – ele me cortou. – Sério.

- Não importa para você? – perguntei, olhando para a frente, evitando o olhar dele. – Não importa as coisas que eu te disse, a maneira como eu tratei? Eu me sinto tão idiota agora.

O que é isso, Lily? Confessionário?

- Eu era meio idiota mesmo. Talvez não tanto quanto você acha, mas era. Às vezes eu tinha impressão de que você achava que eu ia explodir a escola ou coisa assim.

- Admite que você só não fez isso até hoje porque não descobriu como – eu brinquei. – Prometo que não vou começar a gritar com você de novo.

- Merda, você me descobriu! – ele sorriu.

Eu sorri também, e me estiquei no banco. O sol é um estimulante natural para a vida.

- Quer se juntar a algumas crianças felizes? – perguntei, indicando as crianças felizes os amigos dele (e Marlene) todos juntos nos balanços e no escorregador. Inclusive Peter e Dorcas, que provavelmente conseguiram achar chiclete para vender em algum lugar.

Potter olhou para onde eles estão, depois para onde nós estamos. Sabe quando você olha e avalia mentalmente a distância? Então. Apesar disso, ele deu de ombros e levantou.

- Mas as crianças deixaram tudo jogado aqui – ele falou. E depois pareceu pensar melhor, porque disse: – Não importa, eles que venham buscar.

- Tem certeza de que é uma boa idéia deixar um violão encostado no banco da praça, bem aberta, bem pública? Sem supervisão.

- Ninguém vai roubar isso – ele respondeu, como se a idéia de alguém roubar todo aquele material de escola, e mais celulares e iPods fosse ridícula. Talvez no mundo dos ricos. Quer dizer, tenho quase certeza de que ele é rico.

- Então tá – eu disse. Nós caminhamos até o playground; parecia um jardim de hospício.

- O que vocês estão fazendo aqui? – Jane perguntou, desesperada, assim que nos viu. – Vocês deviam estar cuidando das nossas coisas.

 - Psss... Tá achando que eu sou o que, seu escravo? – Potter riu.

- Você não é? – ela perguntou, irônica. – Tudo bem, eu fico lá cuidando. Emmeline?

- Sim? – Emmeline respondeu a ela.

- Vou pegar a Top of the Pops na sua mochila, tudo bem?

- Claro.

Jane foi para os bancos; ela não pareceu de importar nem um pouco em fazer isso.

- Top of the Pops... É aquele exemplo de leitura útil, interessante e que acrescenta coisa pra caramba na sua vida – Remus falou com sarcasmo, revirando os olhos para a futilidade das meninas.

- Ui, senhor eu-leio-Business-Week – disse Emmeline. – Nem todo mundo nasce com a capacidade para ler revistas de economia – ela ergueu uma sobrancelha desafiadoramente.

- Você lê mesmo a Business Week? – eu perguntei, horrorizada, sem realmente entender. Eu já disse que não suporto economia?

- Lupin aqui, lendo revista de economia? – Sirius perguntou, sem dar chance para que Remus respondesse. – Até parece. Quer saber o que ele lê? – ele disse, com um sorriso sacana. Oh, Jesus Christ.

- Não, eu não quero – Dorcas, que aparentemente também participava da conversa, respondeu. – Até onde eu sei, é National Geographic e eu sou feliz acreditando nisso.

- Então, vocês dois... – Peter começou a falar, mas foi interrompido pelo “psiu”, da Dorcas e pelo “cala a boca” (educação!) do Lupin. Aí tem coisa? Eu devo ser a criatura mais lerda do planeta.

- Eu sei o que você lê, Black. Todos sabemos – Emmeline desviou do assunto pelos amigos. – Todos sabemos que você curte muito a Vogue.

- Cacete, você descobriu. O que vai ser da minha reputação agora? – ele se fingiu de afetado.

- Eu ainda consigo chamar esse bando de dementes de amigos – James falou bem baixinho para mim, de modo que mais ninguém ouvisse. – Que estupidez, Potter – ele falou para ele mesmo.

- O quê? – perguntei no mesmo tom que ele usava.

- Aquela velha história de “diga-me com quem andas e te direi quem és”... Entende?

- Entendo. Mas isso é tão ruim assim? – questionei. – É tão ruim ser visto como... Bem, no mínimo, alguém feliz?

- Você sabe a minha resposta pra essa pergunta. – Ele sorriu. Nós não sussurrávamos mais. – A verdadeira pergunta é o que você responderia?

Sinceramente? Nesse momento, eu não faço a menor idéia.

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N/A: Então: sol, praça, violão... Como uma boa gaúcha, digo que só faltou o mate (também conhecido como chimarrão) para ficar completo.  Hehe
E Live Forever, do Oasis. Amo essa música! Aliás, gosto muito da música deles, apesar de eu achá-los, sabe como é, idiotas. Haha E até onde eu sei, o Oasis acabou com a saída do Noel, embora eu tenha lido em algum lugar que o Liam planejava seguir com a banda mesmo assim. Não que eu ache que vai funcionar.
ENFIM!Vamos falar sobre a fic. Me pergunto se esse vai ser o capítulo que vocês não vão gostar, já que eu gostei.
A respeito do que aconteceu com a Lily... Deve aparecer no capítulo 13 – é, eu tenho um planejamento – mas eu duvido que seja algo remotamente parecido com o que vocês estão pensando. Haha Adoro mistério.
Responderei aos comentários, tenho gostado de fazer isso:

Lúuh Weasley Black: a Lily, fria? Imagina! Hahaha Isso vai ser explicado mais para frente, a princípio, se eu continuar julgando necessário. Mas, honestamente, acho que no capítulo passado o avanço que ela fez em relação a enxergar melhor o James foi bem grande. Você pode postar sua teoria aqui, se quiser, sobre o James decepcionar um pouco – eu já planejei o que vai acontecer, mas eu não vou poder dizer se você acertou. E, uau, que legal esse negócio do concurso estar acontecendo com você *-* Eu também queria!
Gaby Black: obrigada, Gaby! Espero que esse capítulo não te decepcione, eu realmente gosto dele.
nath krein: o que aconteceu com a Lily no passado tem a ver com relacionamentos, mas não vou contar mais nada. Hahaha De repente até lá eu tenho uma idéia genial e troco. Obrigada pelo feliz dia do Gaúcho, pra você também, atrasado :)
Gih Meadowes: um RT (opa, não é twitter!) em tudo que tu falou. Fala sério, não acredito que não exista um homem decente no mundo que não esteja comprometido. Qual é? Por que Deus fez muito mais mulheres do que homens, hein? Enfim. Também te amo, tu sabe.
Nandinhaa M.: fiz ele ser bom em tudo porque já é que é pra sonhar mesmo, que seja sonhando alto. Haha O que houve com a Lily no passado... Em breve. Super vai decepcionar a vocês todas :/ E uau, é verdade, não tinha reparado que a inicial do sobrenome é a mesma também!

Fernanda M,
a autora das N/As mais compridas e aleatórias do planeta.

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