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8. Cão que ladra...


Fic: Lady Ginevra


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Capítulo 8


 


— Quem se atreveu a chamá-la de covarde?


A voz retumbante do marido arrancou Gina de um sono profundo. Abriu os olhos e o olhou. Harry estava de pé de um lado da cama e a olhava com expressão colérica. Estava completamente vestido e parecia furioso.


Enquanto bocejava, Gina pensou que Harry precisava que o acalmasse. Sentou-se na cama e sacudiu a cabeça.


— Ninguém me chamou de covarde — disse com voz sonolenta.


— E então, por que disse...?


— Achei que devia saber — explicou — E eu precisava dizer.


O aborrecimento do lorde se aplacou. Gina afastou as mantas e se preparou para sair da cama, mas Harry a deteve, voltou a cobri-la e ordenou que continuasse dormindo.


— Hoje descansará — exigiu.


— Já descansei o bastante, milorde. É hora de começar a cumprir com meus deveres de esposa.


— Descanse.


Deus, que homem mais teimoso! O gesto da mandíbula tensa lhe indicou que seria inútil discutir. Não tinha intenções de vagabundear todo o dia na cama, mas não discutiria com seu marido.


Harry estava saindo quando Gina o deteve com uma pergunta:


— Que planos tem para um dia tão belo?


— Irei caçar mais provisões.


— Grãos, por exemplo? — perguntou a mulher. Saiu da cama e colocou o roupão.


— Por exemplo — admitiu Harry.


Gina ajustou o cinto do roupão. Harry observou como tirava o cabelo debaixo da gola com gestos cheios de graciosidade feminina.


— Como se faz para "caçar" uma colheita?


— A roubamos.


Gina soltou uma exclamação:


— Mas isso é pecado!


Harry pareceu muito divertido pela expressão horrorizada da esposa: o roubo a escandalizava! Por que seria?


— Se o padre MacKechnie soubesse disso o esfolaria.


— MacKechnie ainda não retornou. Quando o fizer, já terei cometido todos os pecados.


— Não fala sério!


— Falo muito sério, Gina.


— Harry, não só está cometendo o pecado de roubo, mas também o da condescendência.


Era evidente que esperava uma resposta, mas Harry se limitou a encolher os ombros e Gina moveu a cabeça.


— Esposa, não a compete me censurar.


Harry esperava uma desculpa, mas em troca obteve um argumento em contra:


— Oh, sim, me compete censurar, milorde, pois se trata de sua alma. Sou sua esposa e devo ensinar-lhe, pois me preocupo com sua alma.


— Isso é ridículo! — respondeu Harry.


Gina soltou outra exclamação abafada, e o marido sentiu desejos de rir, mas se conteve.


— Parece ridículo que me preocupe com você?


— Se preocupa?


— Claro que sim.


— Isso significa que começa a sentir carinho por mim?


— Não disse isso, milorde. Está deturpando minhas palavras. Preocupo-me com sua alma.


— Não necessito nem sua preocupação nem seus sermões.


— A uma esposa é permitido dar sua opinião, não é?


— Sim. — admitiu Harry — Quando a pedem, é obvio.


Gina ignorou o comentário.


— Eu acredito que tem que negociar para obter o que precisa.


Harry não pôde reprimir a irritação.


— Não temos nada de valor para trocar. — disse — Por outro lado, se os outros clãs não podem proteger o que lhes pertence, merecem que o tirem. É assim que fazemos mulher; terá que se acostumar.


Harry deu por terminada a discussão, mas Gina não.


— Essa justificativa...


— Descanse — ordenou Harry fechando a porta ao sair.


Tinha casado com um homem obstinado. Gina decidiu não voltar a tocar no assunto dos roubos. Harry tinha razão: não competia a ela ensinar nem a ele nem aos outros homens do clã. O que importava?


Gina passou a manhã praticando com o arco e a flecha, e a tarde divertindo-se com o jogo de Alvo, tão sem sentido quanto agradável.


Alvo tinha se transformado no único amigo verdadeiro da jovem. Só lhe falava em gaélico e Gina descobriu que quanto mais relaxada estava, mais fácil era o idioma. O ancião era paciente e detalhista e respondia a todas as perguntas da moça.


Gina contou ao velho quanto a inquietavam os roubos de Harry, mas Alvo não só não esteve de acordo com ela, mas também defendeu a conduta do lorde.


Estavam de pé sobre uma colina, lançando tacadas de longa distância, enquanto Gina lhe confiava sua preocupação. Quase todas as pedras quebravam com a força dos golpes.


— Os ingleses destruíram nossas reservas. Nosso lorde tem que assegurar que o clã não passe fome este inverno. — disse Alvo — Por que chama a isso de pecado, garota?


— Está roubando — argumentou a jovem.


Alvo moveu a cabeça.


— Deus entenderá.


— Alvo, há mais de um modo de entrar em um castelo. Harry tem que achar outra forma de alimentar o clã.


O ancião apoiou o bastão contra a pedra redonda, separou as pernas e deu a tacada. Protegeu os olhos do sol para ver até onde tinha chegado, fez um gesto de satisfação e em seguida virou para a senhora.


— Minha pedra percorreu o triplo da distância que percorre uma flecha. Veja se pode superar isso, pequena aflita. Vejamos se pode colocar sua pedra ao lado da minha.


Gina se concentrou no jogo e se surpreendeu com a gargalhada de Alvo quando a pedra que soltou se deteve poucos centímetros da do velho.


— Garota, tem destreza para o jogo. — elogiou — Agora será melhor que retornemos. Já a separei de suas tarefas mais tempo do que tenho direito.


— Não tenho tarefas. — exclamou Gina. Colocou o bastão sob o braço e se voltou para seu amigo — Tentei me encarregar da administração da casa, mas ninguém me dá atenção, embora deva dizer que os MacBain são um pouco mais corteses. Os criados MacLaurin são tão grosseiros que é embaraçoso: ignoram-me completamente.


— E o que diz nosso lorde com relação a este comportamento?


— Não contei e não o farei, Alvo. Este é meu problema e eu tenho que resolvê-lo, não ele.


Alvo agarrou Gina pelo braço e começou a descer pela trilha da colina.


— Quanto tempo faz que está aqui?


— Quase três meses.


— Durante um tempo se sentiu a vontade, não é?


Gina assentiu:


— Sim, estive.


— Por quê?


A pergunta a surpreendeu e encolheu os ombros.


— Ao chegar aqui, senti-me... livre. E segura — se apressou a acrescentar.


— Foi como uma pomba com uma asa quebrada. — disse Alvo. Deu-lhe um tapinha na mão e prosseguiu — É a pessoa mais tímida que conheci.


— Agora não sou — replicou a jovem — Pelo menos não sou tímida quando estou com você.


— Eu vi as mudanças que se produziram em você, mas os outros, não. Imagino que no devido tempo verão que adquiriu certo brio.


Gina não soube se isso era uma crítica ou um elogio.


— Mas, Alvo, o que me diz dos roubos? O que eu teria que fazer com relação a meu marido?


— Por hora, deixe-o. — sugeriu o ancião — Para ser sincero, não posso me escandalizar por uns pequenos roubos. Meu lorde prometeu me trazer cevada, e estou impaciente para recebê-la... Com ou sem pecado. — acrescentou com um gesto afirmativo — Os ingleses beberam todas as minhas reservas, moça. — Riu com malícia, aproximou-se mais de Gina e sussurrou — Mas não encontraram os barris de ouro líquido.


— O que são esses barris de ouro líquido?


— Lembra da Hermioneira entre os pinheiros, atrás da colina?


— Sim.


— Atrás há uma caverna. — declarou Alvo — Está cheia de barris de carvalho.


— E o que há dentro dos barris?


— A água da vida. — respondeu o ancião — Já tem dez, quase quinze anos. Aposto que tem sabor de ouro. Um dia destes a levarei lá para que veja com seus próprios olhos. Ficou intacta só porque os ingleses não sabiam de sua existência.


— Meu marido sabe?


Alvo pensou um longo momento antes de responder.


— Não lembro de ter-lhe dito. — admitiu — E eu sou o único que recordo quando os antigos líderes MacLaurin a armazenaram lá. Claro que não o disseram, mas uma tarde os segui sem que notassem. Quando coloco algo na cabeça não posso ficar tranqüilo — disse, enfatizando com um gesto.


— Quando foi a última vez que entrou na caverna?


— Faz alguns anos. — disse Alvo — Gina, observou que quando usa a túnica dos MacBain acerta muitas tacadas no jogo, mas que quando usa as cores dos MacLaurin não acerta uma?


É obvio, Alvo estava brincando: gostava de provocá-la. Gina supôs que era sua maneira de demonstrar carinho.


Assim que chegaram ao pátio, Alvo se afastou. Gina viu Remus, saudou-o e passou correndo junto dele. Desde que o soldado MacLaurin tinha explicado o significado verdadeiro do apelido que as mulheres do clã davam, sentia-se desconfortável.


Além disso, queria lavar mãos antes que seu marido retornasse para casa, para que não visse quanto estavam sujas. Embora não fosse muito razoável em relação com a imagem de Gina, pedia-lhe tão pouco que a jovem tratava de agradá-lo sempre que podia.


Gina começava a subir os degraus quando ouviu um grito a suas costas. Virou-se e viu que alguns soldados corriam até ela e que vários brandiam as espadas.


Gina não soube a que se devia o alvoroço.


— Entre, milady, e feche a porta — gritou Remus. Gina compreendeu que não era momento para discutir nem fazer perguntas. Imaginou que sofriam o ataque de intrusos e fez o que lhe ordenavam.


Então ouviu um rosnado rouco e ameaçador. Ao virar-se viu a mascote do marido que caminhava lentamente pelo pátio. Ao ver a besta, Gina gritou: Dumfries estava coberto de sangue. De longe pôde ver que tinha o quarto traseiro esquerdo esmigalhado.


O galgo tentava chegar ao lar para morrer, e os olhos de Gina se encheram de lágrimas ao ver a luta do animal.


Os soldados formaram um amplo círculo em volto do cão.


— Entre, lady Gina — berrou Remus. De repente, a jovem entendeu o que pensavam fazer: matariam o galgo para que não continuasse sofrendo. Pelo modo cauteloso como se moviam compreendeu que achavam que podia atacar a um deles.


Gina não estava disposta a permitir que o cão sofresse mais ferimentos. Um dos soldados começou a aproximar-se com a espada em alto.


— Deixe-o em paz!


A fúria que vibrou no grito de Gina atraiu a atenção de todos os soldados, que se viraram para olhá-la com expressões atônitas.


De fato, alguns dos soldados MacLaurin se separaram do cão, mas os MacBain não se moveram de suas respectivas posições.


Remus desceu correndo os degraus e agarrou Gina pelo braço.


— Não é necessário que presencie isto. — disse — Por favor, entre.


A jovem se soltou.


— Dumfries quer entrar. Dorme junto ao fogo. É para lá que se dirige. Mantenha as portas abertas, Remus. Já!


Depois de gritar essa última ordem, virou-se para os outros soldados. Tinha certeza de que Dumfries não deixaria que nenhum dos homens o atendesse. Sabia que o cão devia sofrer dores terríveis, pois enquanto se aproximava lentamente dos degraus seu passo ficava cada vez mais difícil.


— Milady, ao menos se afaste do alcance do animal.


— Diga aos homens que o deixem entrar.


— Mas, milady...


— Faça o que lhe ordenei. Se alguém tocar Dumfries se verá comigo.


Pelo tom de voz da senhora, Remus compreendeu que seria inútil discutir. Deu a ordem, agarrou outra vez o braço de Gina e tratou de arrastá-la para a entrada.


— Remus, mantenha as portas abertas.


Enquanto falava, Gina não afastava o olhar do cão. Leila e Megan, as duas mulheres MacLaurin encarregadas da limpeza do grande salão e dos quartos superiores, aproximaram-se correndo à porta.


— Por Deus! — murmurou Megan — O que aconteceu?


— Retroceda, milady! — exclamou Leila — Pobre Dumfries! Não pode subir os degraus. Terão que sacrificá-lo...


— Ninguém o tocará! — declarou Gina — Megan, vá procurar minhas agulhas e fios. Leila, debaixo de minha cama há uma sacola cheia de potes com ervas e remédios. Traga-me.


Dumfries caiu sobre o terceiro degrau. Deixou escapar um gemido e tratou de levantar-se, alternando entre latidos e rosnados. Gina não pôde suportar mais ver a agonia do animal. Esperava poder aproximar-se do galgo quando se deitasse para descansar junto ao fogo, mas compreendeu que o animal não poderia entrar sem ajuda.


Soltou-se de Remus de um puxão e correu para ajudá-lo. Quando se aproximou, o cão emitiu um forte rosnado. Gina diminuiu o passo, ergueu a mão e começou a murmurar palavras tranqüilizadoras.


Uma vez mais, Remus tentou afastá-la, mas assim que o soldado a tocou, o cão voltou a rosnar mais forte ainda.


Gina ordenou a Remus que se afastasse. Ergueu o olhar e viu que dois dos soldados MacBain estavam com os arcos e as flechas preparados: protegiam-na, quisesse-o Gina ou não. Se o galgo tentasse mordê-la, as flechas o matariam antes que lhe fizesse mal.


Dentro de Gina lutavam a compaixão pelo animal e o medo dele. Sim, estava aterrorizada, e quando se inclinou com lentidão para envolver o cão com os braços, não pôde conter seus próprios gemidos.


Ainda sem deixar de rosnar, o cão permitiu que o ajudasse.


Gina não conhecia sua própria força. O cão se apoiava sobre a lateral da moça, que quase caiu sob o peso, mas voltou a endireitar-se e a envolver o animal com os braços. Sustentou-o por trás das patas dianteiras. Ao dobrar-se para sustentá-lo, a lateral do rosto se apoiou contra o pescoço do animal. Continuou murmurando sem cessar palavras de ânimo e meio que o arrastou pelos degraus que faltavam percorrer. Era muito pesado, mas quando transpuseram o último degrau, Dumfries pareceu recuperar certa força e se separou de Gina. Emitiu outro rosnado e entrou.


Dumfries se deteve no último dos degraus que levavam ao salão. Gina voltou a aproximar-se e o carregou escada abaixo.


Os homens que estavam dando os últimos retoques ao suporte da chaminé se afastaram rapidamente ao ver que Dumfries caminhava para eles. O cão percorreu duas vezes a área diante da lareira e começou a gemer: era evidente que estava muito dolorido para deitar-se.


Megan chegou correndo com o que Gina tinha pedido e a senhora lhe ordenou que voltasse a subir e trouxesse a manta da cama.


— Milady, tirarei uma do baú — disse Megan.


— Não. — respondeu Gina — Traz a da minha cama, Megan. Ao sentir o cheiro de meu marido, Dumfries se tranqüilizará.


Minutos depois, Megan entregou a manta à senhora. Gina se ajoelhou sobre o chão e preparou a cama para o cão. Quando terminou, deu umas palmadas sobre a manta e ordenou ao cão que se deitasse.


Dumfries deu outra volta e em seguida caiu de lado.


— Fez o animal entrar, milady! — murmurou Remus as costas de Gina — É um grande lucro.


Gina negou com a cabeça.


— Isso foi fácil. — respondeu — O que vem agora é um pouco mais difícil: o costurarei. Para falar a verdade, aterroriza-me fazê-lo, pois Dumfries não entenderá.


Deu uma palmadinha na lateral do pescoço de Dumfries e se inclinou para ver a profunda ferida no lado esquerdo do animal.


— Não falará a sério, milady! Se tocar a ferida, o cão a matará.


— Sinceramente, espero que não — replicou Gina.


— Mas você o teme — exclamou Remus.


— Sim. — admitiu Gina — Tenho medo, mas isso não muda as coisas, não é mesmo? Dumfries está ferido e tenho que costurá-lo. Leila, trouxe os recipientes que pedi?


— Sim, milady.


Ao virar-se, Gina viu Leila e Megan de pé no último degrau. Megan segurava a agulha e o novelo de linho, e Leila agarrava a sacola cinza da senhora.


— Tragam, por favor, e deixem sobre a manta.


Leila e Megan não se moveram. Começaram a avançar para ela, mas se detiveram de súbito: os rosnados surdos de Dumfries ressonavam no fundo de sua garganta. Gina imaginava que esse som devia parecer-se muito ao de um demônio solto do inferno. Era arrepiante.


As moças tinham medo de aproximar-se e ao compreender, Gina ficou perplexa. Estava convencida de que era a única que temia o cão. Compadecendo-se das moças, aproximou-se delas e pegou o que tinham trazido.


— Tome cuidado, milady — sussurrou Leila. Gina assentiu.


Em poucos minutos, estava pronta para começar a tarefa. Remus não pensava deixar que corresse o risco de que Dumfries a mordesse enquanto o costurava. Ajoelhou-se por trás de Dumfries e se colocou de modo a poder segurar com facilidade o cão pelo pescoço e imobilizá-lo se tentasse machucar à senhora.


O cão surpreendeu tanto Gina quanto o soldado: não exalou um som enquanto Gina o costurava. Gina o fez pelos dois. Murmurou-lhe desculpas e gemeu cada vez que tocava a ferida com o pano de linho que tinha empapado na solução desinfetante. Sabia que a substância ardia e cada vez que lhe aplicava esse líquido espesso, soprava sobre a zona.


No meio do caos, Harry chegou. Gina acabava de enfiar a agulha quando ouviu a voz do marido atrás dela.


— Que diabos aconteceu?


Gina exalou um suspiro de alívio e sem levantar virou para olhar seu marido. Deus, nunca havia sentido tanto alívio ao vê-lo! Viu-o atravessar o salão e deter-se junto a ela. Harry apoiou as mãos grandes sobre os quadris e olhou fixamente o cão.


Imediatamente, Remus se levantou. Os outros soldados que o tinham seguido ao salão retrocederam para lhe dar passagem.


— Tenho certeza que Dumfries topou com um par de lobos — aventurou Remus.


— Acha que topou com nossa mascote? — perguntou Sirius aproximando-se de Remus.


Gina voltou à tarefa. Fez um nó no fio, deixou a agulha e tomou o segundo pote de remédio.


— Milorde, têm outra mascote? — perguntou Gina enquanto pulverizava com suavidade um ungüento amarelo sobre o corte. Usou outro pano para aplicar o ungüento curativo sobre os bordes rasgados da ferida.


— Há um lobo em particular que os MacLaurin consideram sua mascote. Tua mão treme.


— Eu sei.


— Por quê?


— Seu cão me deixa em pânico.


Gina terminou de colocar o ungüento sobre a ferida. O remédio era para prevenir uma infecção e, além disso, oferecia o benefício secundário de amortecer a região. Dumfries quase não sentiria a agulha.


— Mesmo assim, está atendendo-o, lorde.


— Estou vendo, Remus — replicou Harry.


— A parte mais difícil já terminou. — anunciou Gina — Acho que Dumfries não sentirá o resto do tratamento. Além disso...


— Além disso, o quê?


Gina murmurou uma explicação que Harry não pôde captar e se ajoelhou junto a ela. Apoiou a mão sobre o pescoço do cão e imediatamente Dumfries tentou lamber-lhe os dedos.


— O que é que disse? — perguntou à esposa enquanto acariciava ao cão.


— Disse que agora você está aqui — murmurou a jovem. Gina o olhou, viu a expressão arrogante e se apressou a acrescentar — Dumfries se sentirá reconfortado: tem muito carinho por você, milorde. Acredito que sabe que o manterá a salvo.


— Você também sabe, Gina.


Gina compreendeu que Harry esperava uma resposta afirmativa e que se admitisse que se sentia segura quando ele estava por perto, a arrogância do marido seria excessiva. Decidiu ficar em silêncio.


Levou pouco tempo para costurar a ferida. Harry a ajudou a colocar longas faixas de algodão ao redor do cão. Em seguida, Harry uniu os extremos da atadura.


— Não deixará no lugar por muito tempo — preveniu o marido.


Gina assentiu. De repente, sentiu-se extremamente cansada. Imaginou que o medo tinha consumido suas forças.


Reuniu as coisas e se levantou. Atrás dela se juntou uma multidão de curiosos. No meio do grupo, Gina reconheceu Belatriz e imediatamente afastou o olhar.


— MacBain, ela fez o cão entrar. Sim, fez isso.


Enquanto Remus contava uma versão um tanto exagerada, Gina continuou abrindo passagem entre as pessoas. Correu escada acima, até o corredor que levava ao seu próprio dormitório. Largou os ingredientes, lavou outra vez as mãos e tirou os sapatos para poder deitar-se sobre a cama. Pretendia descansar alguns minutos e em seguida retornar ao salão para o jantar.


Adormeceu instantes depois. Harry subiu várias vezes ao quarto para olhá-la. Por fim, deitou-se perto da meia-noite, não sem antes certificar-se de que Dumfries descansava confortavelmente.


Enquanto o marido se despia, Gina apenas se moveu. Abriu uma vez os olhos, olhou-o carrancuda e voltou a dormir em seguida. Harry tirou outra manta do baú e cobriu sua esposa antes de terminar de despir-se e deitar junto dela.


Não teve necessidade de aproximar-se: no mesmo instante em que se deitou, Gina rolou para ele e se refugiou entre seus braços. Harry a estreitou contra si e Gina acomodou a cabeça sob o queixo do marido.


Harry repassou na mente a história que Remus tinha contado. Tentou imaginar sua esposa agarrando Dumfries entre os braços e arrastando-o pelos degraus.


Agradava-o a coragem demonstrada por sua esposa e, mesmo assim, não queria que no futuro corresse semelhante risco. Dumfries estava dolorido e não se podia confiar em um animal ferido, por mais leal que fosse.


No dia seguinte ordenaria que nunca voltasse a arriscar-se assim. Harry adormeceu preocupando-se com sua mulher, tão pequena e delicada.

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